quarta-feira, 30 de novembro de 2016

O xeque mate no Brasil dos super herois da Lava Jato.

Os procuradores da Lava Jato deram um xeque mate no Brasil. Num momento de crise institucional e de conflagrações, resolveram combater o incêndio atirando gasolina à fogueira com uma chantagem.


Por Kiko Nogueira

Em coletiva sem powerpoint diretamente de Curitiba, repudiaram o que chamaram de “ataque” feito pela Câmara dos Deputados às suas investigações e à sua independência.

As alterações no pacote anticorrupção, feitas na madrugada passada, não lhes agradaram.

Carlos dos Santos Lima avisou que a força-tarefa iria abandonar os trabalhos se a “proposta de intimidação” for sancionada.

“Se nós acusarmos, nós podemos ser acusados. Nós podemos responder, inclusive, pelo nosso patrimônio. Não é possível, em nenhum estado de direito, que não se protejam promotores e procuradores contra os próprios acusados”, disse.

“Nesse sentido, a nossa proposta é de renunciar coletivamente caso essa proposta seja sancionada pelo presidente”.

Num rasgo de mimo, megalomania e uma estranhíssima noção de autonomia total, comunicou que vão “simplesmente voltar para nossas atividades.” Ora, mas não era isso o que faziam?

Ou era uma missão divina?

Dallagnol falou no “golpe mais forte” contra a Lava Jato e afirmou que o objetivo é “estancar a sangria”, citando Romero Jucá em conversa com Sérgio Machado.

“Há evidente conflito de interesses entre o que a sociedade quer e aqueles que se envolveram em atos de corrupção e têm influência dentro do Parlamento querem. O avanço de propostas como a Lei da Intimidação instaura uma ditadura da corrupção”, falou.

“Por que a sociedade brasileira vai permitir que corruptos, pessoas condenadas por corrupção, continuem na liderança da empresa Brasil?”.

Onde estava esse discurso indignado durante o vergonhoso impeachment de Dilma, capitaneado por bandidos?

São cenas explícitas de autoritarismo. Representam eles todo o Judiciário? Cármen Lúcia está de acordo? Rodrigo Janot também? Temer deve vetar e pedir desculpas de joelhos?

A oportunidade de discutir e dialogar foi destruída.

Afinal, o foro privilegiado existe só para políticos ladrões? E juízes? Na ideia original da turma de Dallagnol, os direitos de todos os cidadãos seriam restringidos?

Uma das medidas originais pretendia tornar obrigatórios, no serviço público, “testes de integridade”, feitos sem o conhecimento da pessoa. Dallagnol seria inquirido sobre a questão moral de comprar apartamentos construídos para o Minha Casa Minha Vida?

Os suspeitos de sempre deram aos homens de Sérgio Moro um status de excepcionalidade e agora temos de lidar com seus esperneios quando são contrariados.

Numa democracia, poder-se-ia aconselhá-los a fazer militância política entrando num partido ou montando o deles. O problema é que o projeto de poder do Ministério Público Federal dispensa, eventualmente, detalhes como a democracia.

Via - DCM

Santos celebra aprovação de acordo de paz no Senado colombiano

O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, celebrou a aprovação do recente acordo de paz com as FARC-EP na plenária do Senado, ao mesmo tempo em que manifestou otimismo pelo debate de hoje na Câmara dos Representantes.

O referido pacto foi apoiado com 75 votos a favor e nenhum contrário, o mandatário comentou em sua conta do Twitter depois de agradecer o apoio dos legisladores ao documento conclusivo dos diálogos com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia-Exército do Povo (FARC-EP).

Segundo a Rádio Caracol, a bancada do Centro Democrático - crítico severo do documento- participou na análise de 12 horas, mas não na votação final.


Na sessão escutaram-se as declarações do advogado Humberto da Rua, quem se destacou como chefe dos porta-vozes governamentais nos diálogos com esse movimento guerrilheiro, bem como de promotores do Sim e do Não no plebiscito.

O atual consenso tem como base o inicial oficializado em Cartagena das Índias no final de setembro e rechaçado depois pela maioria dos participantes nesse exercício democrático.

A partir de então, Santos convocou a um diálogo nacional com vistas ao reajuste do texto, no que finalmente se incluíram modificações, ampliações ou precisões em 56 dos 57 eixos temáticos renegociados.

Não obstante as mudanças, o CD -encabeçado pelo ex-presidente Álvaro Uribe- mantém uma oposição férrea frente a uma parte do acordado com essa guerrilha, a principal envolvida na guerra interna.

Nesta quarta-feira, a Câmara dos Representantes deverá discutir o conjunto de convênios e submetê-los a votação.

O mecanismo de autentificação pela via do Congresso foi escolhido pelo Governo e as FARC-EP como o mais adequado, decisão que teve o apoii do Conselho de Estado, políticos, defensores de direitos humanos e outras personalidades.

Ao referir-se ao plano de paz, o ocupante da Casa de Nariño explicou que a legitimação no órgão legislativo máximo abrirá as portas à fase de implementação.

Defensores do processo pacificador como De la Rúa, confiam que a Corte Constitucional aprove o emprego do método de fast track, o qual facilitaria a rápida tramitação das leis imprescindíveis para aplicar em sua totalidade o acordo com as FARC-EP.

A rápida aplicação do pactuado é fundamental para impedir o desmoronamento do cessar fogo bilateral e a perda de mais vidas, enfatizou o chefe de Estado em uma carta dirigida ao Parlamento.

Prolongada durante mais de meio século, a guerra deixou 300 mil mortos, quase sete milhões de deslocados de seus lugares de origem e ao menos 45 mil desaparecidos.

Via – Prensa Latina

Intelectuais do mundo destacam liderança de Fidel Castro

Intelectuais e pensadores de todo mundo enviam suas mensagens de condolência pela morte do líder histórico da Revolução cubana, Fidel Castro, e destacam a influência de seu pensamento na política universal.


Com Fidel morre o último grande líder do século XX; o único que sobreviveu ao sucesso de sua própria obra: a Revolução cubana, assegurou o teólogo brasileiro Frei Betto.

O dirigente que conduziu os destinos de sua nação durante quase meio século deixa um legado inestimável. Acho que morreu feliz pela coerência de sua vida, enfatizou.

Foi um homem que converteu Cuba em uma nação soberana, que ocupa um território pequeno, mas onde qualquer coisa que acontece suscita a atenção de todo mundo, acrescentou o autor do livro Fidel e a religião.

A líder indígena guatemalteca e Prêmio Nobel da Paz, Rigoberta Menchú, afirmou que com a morte do líder revolucionário cubano, a humanidade perdeu um dos grandes heróis das ideias libertárias universais.

Fidel é um estadista e visionário que passará à história por ter desafiado e enfrentado o império mais poderoso do mundo, afirmou por meio de um comunicado.

'Os revolucionários do mundo perdemos um grande amigo, camarada e conselheiro'.

Para o intelectual franco-espanhol Ignacio Ramonet, Fidel foi um homem excepcional. 'Estes são dias de luto, de pesar, sua perda tem sido tremenda'.

O jornalista e escritor estimou que 'seus seguidores temos que tentar imitá-lo em tudo o que foi, em sua dimensão excepcional, em sua exigência ética da vida, em seu sentido de dignidade e rebeldia'.

Fidel representa uma geração de gigantes que já não há, sublinhou.

A julgamento da historiadora venezuelana Carmen Bohórquez, coordenadora da Rede de Intelectuais, Artistas e Movimentos Sociais em Defesa da Humanidade, Fidel converteu-se durante sua vida em uma espécie de guia do pensamento de esquerda.

Com seu trabalho e pensamento revolucionário conseguiu integrar os intelectuais para construir um mundo mais justo, acrescentou.

Por sua vez, o cientista político argentino Atilio Borón qualificou Fidel como 'um personagem absolutamente extraordinário'.

Na manhã da segunda-feira começaram as honras fúnebres em homenagem a Fidel Castro, no Memorial José Martí da Praça da Revolução na capital cubana, local de grandiosas concentrações populares.

Via – Prensa Latina

Charge dos nossos dias

Por Gervásio Castro Neto


Clubes propõem ceder atletas para a Chapecoense e 3 anos sem queda

Um movimento levado por vários clubes brasileiros propõe emprestar gratuitamente jogadores e evitar o rebaixamento de divisão para a Associação Chapecoense de Futebol, clube catarinense que sofreu nesta terça-feira um grave acidente aéreo na Colômbia, que vitimou 75 dos 81 passageiros e tripulantes à bordo da aeronave.


Embora a prioridade seja a de prestar apoio aos familiares, discussões em relação ao futuro do clube catarinense estão em curso. Os departamentos jurídicos dos clubes negociam as medidas e uma nota foi divulgada.

A cessão de jogadores sem custo para a temporada 2017 foi definida. Os clubes também sugeriram que a Chapecoense não seja rebaixada nas próximas três edições do Campeonato Brasileiro caso termine entre os quatro últimos colocados.

Até o momento, Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, Portuguesa, Joinville, Coritiba, Cruzeiro, Vasco, Fluminense e Botafogo aderiram ao movimento.

Fora do Brasil, o Libertad, do Paraguai, colocou todos os jogadores à disposição da Chapecoense. Na Argentina, o Racing informou que vai utilizar o escudo da Chapecoense nas cores preta e branca no meio da camisa na partida contra o Boca Juniors.

Homenagens foram prestadas na Europa nesta terça-feira, durante partidas dos campeonatos locais. Na Inglaterra, o Liverpool recebeu o Leeds United e os dois times fizeram um minuto de silêncio, com a imagem "#ForçaChape" no placar eletrônico do estádio.

A cidade de Londres homenageou os jogadores iluminando o estádio de Wembley com a cor verde e um letreiro eletrônico com a hashtag #ForçaChape.

"Trabalhamos unidos para a Chapecoense voltar com galhardia a disputar as competições do futebol brasileiro. Estou propenso a conversar com os outros clubes para que desenvolvamos um projeto para emprestarmos jogadores de bom nível para que eles possam disputar as competições de 2017", declarou, em vídeo divulgado pelo Cruzeiro, o presidente Gilvan de Pinho Tavares.

A tragédia com a delegação da Chapecoense abalou o mundo do futebol. Através das redes sociais, clubes brasileiros e do exterior, entre eles Barcelona, Arsenal, Chelsea e Benfica mandaram mensagens de apoio ao clube catarinense. Astros como Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar também se manifestaram nas redes sociais.

O Palmeiras anunciou que pedirá para atuar com a camisa da Chapecoense na rodada final do Brasileirão. O Corinthians fez uma faixa verde em seu site em homenagem à Chapecoense.

Vítima de um acidente semelhante 1949, o Torino também se manifestou: "Comovidos pela tragédia da Chapecoense. É um destino que nos une intimamente. #ForçaChapecoense, vocês são vizinhos fraternais".

Confira a nota divulgada pelos clubes:

Neste momento de perda e de profunda tristeza, nós, presidentes dos clubes brasileiros que publicam esta nota, gostaríamos de manifestar nossos mais sinceros sentimentos de pesar e solidariedade à Associação Chapecoense de Futebol e seus torcedores, e em especial às famílias e amigos dos atletas, comissão técnica e dirigentes envolvidos na tragédia ocorrida na madrugada desta terça-feira (29).

Mesmo cientes dos prejuízos irreparáveis provocados por este terrível acontecimento, os clubes entendem que o momento é de união, apoio e auxílio à Chapecoense.

Neste sentido, os clubes anunciam Medidas Solidárias à Chapecoense, que consistirão, dentre outras, em:

(i) Empréstimo gratuito de atletas para a temporada de 2017; e
(ii) Solicitação formal à Confederação Brasileira de Futebol para que a Chapecoense não fique sujeita ao rebaixamento à Série B do Campeonato Brasileiro pelas próximas 3 (três) temporadas. Caso a Chapecoense termine o campeonato entre os quatro últimos, o 16º colocado seria rebaixado.

Trata-se de gesto mínimo de solidariedade que se encontra ao nosso alcance neste momento, mas dotado do mais sincero objetivo de reconstrução desta instituição e de parte do futebol brasileiro que fora perdida hoje.

Portal Vermelho


Trabalhadores alertam para o desmonte do Banco do Brasil

Em todo o país, 402 agências encerrarão as atividades. Outras 379 serão transformadas em postos de atendimento e 31 superintendências deixarão de existir.


O governo de Michel Temer já não esconde para que veio: atender aos interesses do grande capital. Entre as prioridades, a privatização das empresas estatais. Os bancos estão na lista. No Banco do Brasil, o trabalho de desmonte já começou com o anúncio do fechamento de agências e a redução do quadro de pessoal.

Nesta terça-feira (29/11), os diretores do Sindicato dos Bancários da Bahia percorreram todas as 10 unidades programadas para fechar em Salvador.

Em todo o país, 402 agências encerrarão as atividades. Outras 379 serão transformadas em postos de atendimento e 31 superintendências deixarão de existir.

Paralelamente, a direção da empresa, comandada por aliados de Temer, abriu o programa extraordinário de aposentadoria incentivada. Cerca de 18 mil funcionários podem participar.

O presidente do Sindicado da Bahia, Augusto Vasconcelos, destaca: "Querem esvaziar o banco, cortar empregados, fechar unidades e reduzir as funções, viabilizando os interesses do sistema financeiro, de olho no patrimônio público". O caminho traçado é o mesmo feito pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Sucateia as empresas e depois vende a preço de banana para o grande capital.

O momento é de apreensão, sobretudo para os funcionários. "Não sabemos o que fazer com relação ao fechamento das agências. As vagas vão surgir, mas ninguém sabe como vai ser o processo de realocação", desabafa um bancário. Sem falar na redução drástica do quadro de pessoal.

Vai faltar empregado para atender o público. "Isso prejudica diretamente trabalhadores e clientes, principalmente dos municípios longínquos, que geralmente só têm o BB para atender as demandas", lamenta o estudante universitário, Robson Costa.

 Fonte: Sindicato dos Bancários da Bahia


Lideranças sociais e políticas decidem por impeachment de Temer

O #Ocupa Brasília movimento realizado nesta terça-feira (29) contra a pauta conservadora em análise no Congresso, promoveu reunião com parlamentares de diferentes partidos políticos, juristas, lideranças sociais e sindicais para definirem a estratégia de luta em defesa dos direitos sociais e trabalhistas e do Estado Democrático de Direito no país.


Por Márcia Xavier

A decisão é de que os movimento sociais e juristas vão entrar com pedido de impeachment contra Michel Temer na próxima terça-feira (6/12).

Ao final da reunião, a líder da Minoria na Câmara, deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), disse que a reunião serviu para “construir uma estratégia comum e uma união política diante da profunda e grave crise política que estamos passando.” E que, diante do consenso de que há crime de responsabilidade e o impeachment é a saída que cabe nesse momento, os políticos estimularam as entidades sociais para protagonizarem o processo de impeachment, e não os políticos.

“Isso nos dá mais liberdade no processo”, avalia Feghali, anunciando que “temos uma prazo até segunda-feira (5/12) para que todas as entidades decidam, com suas diretorias, para dar entrada no pedido de impeachment. E terça-feira será protocolado.” Segundo ela ainda, “os movimentos sociais apresentarem o pedido trará mais robustez e sustentação política e social para o processo.”

Para o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), líder da Minoria no Senado, existe de crime de responsabilidade por parte do presidente ilegítimo Michel Temer no caso de tráfico de influência do agora ex-ministro Geddel Vieira Lima, e surgirão novos fatos com a delação premiada da Lava Jato, com aprofundamento da crise.

Gestão temerária

O presidente nacional da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Adilson Araújo, que participou da reunião, avalia que "não precisa ir longe para conceituar a gestão sem voto de Michel Temer. Basta atentar que seis ministros da equipe do presidente golpista, nomeada por ele mesmo como preparada e de lisura incontestável, tiveram suas demissões encaminhadas por corrupção. Essa gestão temerária já reúne todos os requisitos necessários para exigirmos a renúncia de Temer", afirmou Araújo.

Para ele, isso não só revela a real faceta "deste grupo que tomou de assalto o Palácio do Planalto, mas deixa escancarado o golpe que o Brasil viveu em 2016".

A reunião fez parte da agenda do #Ocupa Brasília que faz uma marcha pela Esplanada dos Ministérios e um protesto em frente ao Congresso no início da noite desta terça-feira, para protestar contra as matérias em votação. A PEC 241/55, que congela os gastos públicos por 20 anos, na pauta de votação do Senado, e a reforma do ensino médio, em análise na comissão mista do Congresso.

Via - Portal Vermelho

PEC 55 é aprovada com galerias vazias e sob repressão policial

Enquanto senadores debatiam proposta que propõe congelamento de investimentos públicos por 20 anos, protesto contrário à PEC resultou em feridos e detidos.


O Senado aprovou nesta terça-feira (29), em primeiro turno, por 61 votos a favor e 14 contrários, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55, que prevê o congelamento dos investimentos públicos federais por 20 anos. Na Esplanada dos Ministérios, o protesto realizado por movimentos sociais contra a proposta do governo Michel Temer foi duramente reprimido pela Tropa de Choque da Polícia Militar do Distrito Federal. A sessão plenária que antecedeu a votação não teve espectadores. O Parlamento fechou as portas para a sociedade.

A proposta, que institui o Novo Regime Fiscal, foi apresentada em junho pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e se for aprovada ainda este ano como pretende o governo, terá tramitado em tempo recorde no Congresso, segundo o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

Os senadores da oposição utilizaram seu tempo de encaminhamento da votação para protestar contra a proibição de que manifestantes pudessem acompanhar os trabalhos no plenário.

“Parece-me que têm medo do povo. Vamos para o referendo, porque ninguém foi eleito com esse programa. Dilma não foi eleita com esse programa, muito menos Temer. Então, vamos para o referendo. Faça-se uma pesquisa isenta e vamos ver quem está a favor. Esse debate deveria se estender mais, devia não ter essa pressa toda”, disse a senadora Regina Sousa (PT-PI).

Para a senadora Vanessa Grazziotin(PCdoB), “aprovar uma medida como essa, que mantém intactos os gastos financeiros, ou seja, pagamento de juros e serviços da dívida pública, que consome a metade do Orçamento e cortando somente recursos para a aplicação em infraestrutura e programas sociais, é dessa forma que eles pensam que estão defendendo a população brasileira? Não!”

Adilson Araújo, presidente da CTB, afimou que “é lamentável que esse Congresso, mais venal da história do país, esteja a legislar contra a democracia, contra o Estado Democrático de Direito, e queira pôr fim a direitos sagrados da nossa tão sofrida classe trabalhadora. Eles pretendem congelar investimentos, querem promover um profundo retrocesso e assim desconstruir a nação”.

O presidente da CUT, Vagner Freitas, disse que este é um triste dia para o Brasil. “Sou testemunha da violência contra a manifestação, em sua maioria estudantes. O impeachment, a renúncia, a saída do Temer é necessária. Estamos vivendo um estado de exceção”, afirmou Freitas.

Violência e infiltração

O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) comentou no Facebook que com “extrema violência, gás e bombas, a Polícia Militar do DF massacrou estudantes que realizavam manifestação, em frente ao Congresso Nacional, contra a PEC 55. Militantes de extrema-direita estavam infiltrados na manifestação provocando quebra-quebra para causar tumulto e ação da polícia contra os estudantes”.

O vídeo abaixo mostra o policial afirmando ao deputado Pepe Vargas (PT-RS) que tinha ordem do “comandante” para avançar:


O deputado relatou que uma mulher que protestava foi agredida. Já no chão, teve a cabeça chutada por um policial, provocando indignação dos manifestantes. Pimenta disse que parlamentares do PT chegaram ao local para negociar o fim do massacre, mas que as autoridades policiais “não aceitaram qualquer acordo, e continuaram avançando sobre a população”. “Os deputados e deputadas por diversas vezes tentaram fazer um cordão em frente aos policiais, em uma tentativa de proteger os manifestantes.”

Pimenta afirmou que tentou intervir de maneira reiterada, pedindo à Polícia o fim dos ataques, do gás e do lançamento de bombas, para que os parlamentares pudessem conversar com os estudantes. Mas, como afirmou um policial, a ordem era “atacar”. “Acredita-se que a ordem de ataque possa ter vindo do Palácio do Planalto, por meio do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, já que a operação que ocorreu nesta tarde em Brasília conteve muita violência, semelhante às ações da Polícia Militar de São Paulo, quando Moraes era secretário de Segurança de Geraldo Alckmin.”

A União Nacional dos Estudantes (UNE), uma das entidades organizadoras da manifestação, emitiu nota sobre a repressão policial. Diz a nota da entidade estudantil:

UNE repudia violência policial em Brasília

A União Nacional dos Estudantes afirma que a manifestação organizada pelos movimentos estudantis e sociais neste dia 29 de novembro em Brasília foi um ato pacifico, democrático e livre contra a PEC 55. Não incentivamos qualquer tipo de depredação do patrimônio público. O que nos assusta e nos deixa perplexos é a Polícia Militar do governador Rolemberg jogar bombas de efeito moral, gás de pimenta, cavalaria e balas de borracha contra a estudantes, alguns menores de idade, que protestam pacificamente. Esse é o reflexo de um governo autoritário, ilegítimo e que não tem um mínimo de senso de diálogo.

União Nacional dos Estudantes
29 de novembro de 2016

Via - Portal Vermelho

Chapecoense - Como o mundo repercutiu a tragédia

O mundo está de luto. As pessoas entraram em choque com o desastre aéreo que vitimou a maior parte do elenco da Chapecoense, ontem. O tom foi dado pela imprensa de todo o planeta.


“Chapecoense, do sonho ao pesadelo. O triste epílogo de um verdadeiro conto de fadas”, noticiou o L’Équipe, na França.

“Uma história de conto de fadas com final trágico” e “Queda fatal de avião: ‘O sonho acabou’” publicaram a inglesa BBC e a norte-americana CNN, seguindo a mesma linha.

A reza dos torcedores na Arena Condá também atraiu muitas atenções ao redor do mundo.

“De arrepiar: torcida da Chape reza junta”, publicou o As, da Espanha. “Emocionantes mostras de dor na sede da Chapecoense”, seguiu o também espanhol Sport.

Veja algumas manchetes e trechos de jornais pelo mundo:

“Tragédia total”
“Rezam por seus heróis” - Olé (Argentina)

“O milagre do jogador que foi resgatado quando não se acreditava que haviam mais sobreviventes” - Clarín (Argentina)

“O mundo do futebol está de luto”
“O milagre de Neto, resgatado debaixo da fuselagem” - Marca (Espanha)

“Emocionantes mostras de dor na sede da Chapecoense” - Sport (Espanha)

“De arrepiar: torcida da Chape reza junta” - As (Espanha)

“A tragédia da Chapecoense, o Leicester brasileiro” - Le Monde (França)

“Luto após desastre no futebol brasileiro” - Kicker (Alemanha)

“Eles sobreviveram ao desastre” - Bild (Alemanha)

“Muitos mortos em desastre de Medellín” - Deutsche Welle (Alemanha)

“Um clube humilde que viajava para sua primeira final internacional” - El País (Espanha)

“Chapecoense, equipe da primeira divisão, ia a final histórica” - Corriere dela Serra (Itália)

“Chapecoense, do sonho ao pesadelo” 

“O triste epílogo de um verdadeiro conto de fadas” - L’Equipe (França)

“O time brasileiro Chapecoense estava a bordo de avião que caiu” - The Guardian (Inglaterra)

“Em pedaços: corpos de desastre aéreo na Colômbia são retirados da fuselagem de um avião destruído” - Daily Mail (Inglaterra)

“Uma história de conto de fadas com final trágico” - BBC (Inglaterra)

“Queda fatal de avião: ‘O sonho acabou’” - CNN (EUA)

“Chapecoense. Do quarto escalão (quase) ao maior jogo da sua história” - Diário de Notícias (Portugal)

“A Chapecoense era um caso de sucesso no futebol brasileiro” - Público (Portugal)

“Chapecoense fazia a ‘viagem mais importante da vida’” - Record (Portugal)

“Tragédia de enormes proporções: avião com clube brasileiro finalista cai em encosta de montanha” - Washington Post (EUA)

“Chapecoense, o pequeno recém-nascido clube brasileiro” - Le Fígaro (França)

“A tragédia do Chapecoense: Queda de avião causa 75 mortes” – Angop (Angola)

 “Tragédia da Chapecoense causa solidariedade no futebol mundial” – La Nacion (Paraguai)

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Avião com equipe da Chapecoense sofre acidente na Colômbia

Queda de aeronave deixou mortos, disse prefeito de Medellín.

No G1

Avião decolou de Santa Cruz de la Sierra (Bolívia) com 81 pessoas a bordo.

O avião que transportava a delegação da Chapecoense para Medellín, na Colômbia, sofreu um acidente na madrugada desta terça-feira (29), informam autoridades colombianas. O prefeito Frederico Gutierrez disse que o acidente matou ao menos 25 pessoas. Há sobreviventes. O avião da Lamia, matrícula CP2933, decolou de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, com 81 pessoas a bordo: 72 passageiros e 9 tripulantes.
Não há, por enquanto, identificação das vítimas fatais. Entre os sobreviventes há jogadores. 

Segundo a imprensa local, a aeronave com o time catarinense perdeu contato com a torre de controle às 22h15 (local, 1h15 de Brasília) e caiu ao se aproximar do Aeroporto José Maria Córdova, em Rionegro, perto de Medellín.

Os jogadores da equipe de Santa Catarina são os goleiros Danilo e Follmann; os laterais Gimenez, Dener, Alan Ruschel e Caramelo; os zagueiros: Marcelo, Filipe Machado, Thiego e Neto; os volantes: Josimar, Gil, Sérgio Manoel e Matheus Biteco; os meias Cleber Santana e Arthur Maia; e os atacantes: Kempes, Ananias, Lucas Gomes, Tiaguinho, Bruno Rangel e Canela.

As primeiras informações são que de seis pessoas foram resgatadas e levadas a hospitais na região. O prefeito falou posteriormente em cinco resgatados. Dentre esses sobreviventes estão o lateral Alan Ruschel, que chegou a unidade de saúde consciente, mas em choque, e os goleiros Danilo e Follmann. Um jornalista também foi resgatado com vida. O Corpo de Bombeiros local, por sua vez, falou em 10 pessoas resgatadas.

O Comitê de Operação de Emergência (COE) e a gerência do aeroporto informaram que a aeronave se declarou em emergência por falha técnica às 22h (local) entre Ceja e Lá Unión. Anteriormente, a imprensa colombiana informou possível falta de combustível como causa do acidente. Mas a mídia local informou que o piloto despejou combustível após perceber que o avião iria cair.

Segundo a rede de “TV Caracol”, a aeronave sobrevoava as cidades de La Ceja e Abejorral quando sumiu do radar.

Uma operação de emergência foi ativada para atender ao acidente. A Força Aérea Colombiana dispôs helicópteros para ajudar em trabalhos de resgate, mas missões de voos foram abortadas nesta madrugada por causa das condições climáticas. Choveu muito na região na noite de segunda, o que reduziu muito a visibilidade.

Equipes chegaram ao local do acidente por terra, mas o acesso à região montanhosa é difícil e a remoção é lenta.

De acordo com a imprensa colombiana, há feridos no local e não há relatos sobre mortos.
O time da Chapecoense embarcou para a Colômbia na noite de segunda (28), para disputar a primeira partida da final da Copa Sul-Americana, contra o Atlético Nacional, na quarta (30). Inicialmente, a delegação embarcou em um voo comercial de São Paulo até a Bolívia. Lá, o grupo pegou um voo da Lamia.

Em comunicado, o clube de Santa Catarina informou que espera pronunciamento oficial da autoridade aérea colombiana sobre o acidente.
Em seu perfil no Twitter, o Atlético Nacional lamentou o acidente e prestou solidariendade a Chapecoense: "Nacional lamenta profundamente e se solidariza com @chapecoensereal por acidente ocorrido e espera informação das autoridades".

A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) já informou que cancelou a primeiro jogo da decisão, marcado para esta quarta.

Marilena institui Refis para renegociação de dívidas

A Prefeitura de Marilena instituiu o Programa de Incentivo e Recuperação Fiscal (Refis) para o presente exercício de 2016.


 A finalidade do programa é promover a regularização de créditos tributários ou não, ajuizados ou não, com processos executivos fiscais em andamento ou na iminência de serem ajuizados.

De acordo com a lei assinada pelo prefeito Brasilio Bovis, o Refis 2016 não será aplicado a débitos tributários decorrentes de Imposto de Transmissão de Bens Imóveis - ITBI.

A adesão ao Refis pelos contribuintes em débito poderá ser formalizada até o dia 30 de novembro e somente poderá ser aceito em relação aos débitos vencidos até 30 de agosto de 2016.

Quem fizer a adesão terá 100% de desconto sobre os juros e multas, bem como, poderá parcelar os respectivos débitos tributários em até três vezes - o valor da parcela não pode ser inferior a R$ 30,00.
O interessado deve procurar a Prefeitura para se informar mais sobre a lei que institui o programa de recuperação fiscal.

Via – Diário do Noroeste


Querem implantar uma praça de pedágio no trevo de Guairaçá

Mais uma vez eles determinam que o povo pague as despesas. 


Começa discussão sobre duplicação até Nova Londrina com praça de pedágioO pedido da extensão da duplicação da pista até o Porto São José não é nova e a sociedade já está mobilizada neste sentido e o pleito já foi levado ao governador Beto Richa

O presidente da Associação Comercial e Empresarial de Paranavaí (Aciap), João Roberto Viotto, aproveitou a presença na cidade do secretário de Estado de Infraestrutura e Logística, José (Pepe) Richa Filho, do diretor-geral do DER, Nelson Leal Júnior, e do presidente da Viapar, Camilo Carvalho, quinta-feira, para lançar uma discussão que já vinha acontecendo em reuniões mais privadas: a duplicação da BR-376 entre Paranavaí e o trevo de Nova Londrina, com uma praça de pedágio em Guairaçá.

O pedido da extensão da duplicação da pista até o Porto São José não é nova e a sociedade já está mobilizada neste sentido e o pleito já foi levado ao governador Beto Richa. O que se começa a discutir é a viabilização da obra através da implantação de uma praça de pedágio no trecho.

No último dia 11, o deputado Tião Medeiros participou de uma reunião com a diretoria da Aciap, quando lançou a ideia. Tocando em assuntos delicados, o parlamentar lembrou a necessidade de o Governo do Estado renovar o contrato de concessão de rodovias.

Ele se posicionou dizendo que se sentiria confortável defender a renovação do contrato com a Viapar desde que haja uma redução tarifária e a prestação de novos serviços.

Na mesma ocasião, Medeiros disse que não há como se falar em ampliar a duplicação sem discutir de onde virão os recursos para isso. E que também se posiciona favorável a uma nova praça de pedágio desde que em valores justos, bem abaixo do que é praticado hoje nas praças já existentes.

Foi esta ideia que João Roberto levou à discussão pública, afirmando no ato de quinta-feira de que o empresariado está aberto a negociar a duplicação como sugerido pelo deputado Tião Medeiros, ou seja, com o pagamento de uma tarifa justa. “O que o empresário não aceita é pagar e não ter o serviço ou o serviço ser de má qualidade”, disse ele.

A Viapar mostrou-se receptível a ideia e os representantes do governo aceitaram discutir esta possibilidade.

“Como disse o deputado Medeiros temos que enfrentar estas questões. Não adianta ficar acreditando que a obra será realizada se não for viabilizado o recurso. O Governo não tem fábrica de dinheiro. Mas nós, de forma inteligente e justa, podemos viabilizar esta benfeitoria. O deputado Medeiros está à frente desse processo e certamente o conduzirá a bom termo”, assina João Roberto.

Via - Diário do Noroeste

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Charge dos nossos dias

Por Renato Aroeira


Psol protocola pedido de impeachment de Temer

Parlamentares do Psol protocolaram nesta segunda (28) um pedido de impeachment do presidente da República, Michel Temer. O documento argumenta que Temer incorreu em crime de responsabilidade contra a probidade na administração pública durante o episódio envolvendo os ex-ministros Geddel Vieira Lima (secretaria de Governo) e Marcelo Calero (Cultura).


O ex-ministro da Cultura Marcelo Calero pediu demissão do cargo no último dia 18 e alegou que o ministro Geddel Vieira Lima o pressionou a intervir junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para liberar a construção de um edifício de alto padrão em Salvador, onde ele adquiriu um imóvel. Segundo depoimento prestado por Calero à Polícia Federal, o presidente Michel Temer também o teria abordado a respeito da situação. Ontem, Temer argumentou que estava apenas “arbitrando conflitos” entre decisões divergentes de um órgão público.

Pouco antes de protocolar o pedido, o líder do partido na Câmara dos Deputados Ivan Valente questionou os argumentos dados por Michel Temer. “O que eles estava advogando é sobre uma causa privada do ministro Geddel que ficou irritado porque o seu colega ministro não tinha dado um jeitinho para resolver o seu problema pessoal. E nesse sentido o Temer se atolou nesse episódio e praticou crime de responsabilidade ao ferir com o decoro com o que é esperado para o seu cargo", disse o líder do partido na Câmara dos Deputados, Ivan Valente. Com o desgaste do episódio, Geddel pediu demissão na última sexta (25).

Agora, caberá ao presidente da Casa Rodrigo Maia (DEM-RJ) decidir se dará seguimento ao pedido ou se o arquivará. “Acreditamos que o Maia não fará de imediato, de forma ostensiva, a desqualificação dessa peça jurídica. Sabemos que o governo está na defensiva, que errou drasticamente e estão receosos de que haja um grande comoção popular, mas se ele for arquivar terá que mostrar o embasamento jurídico para tal”, disse Valente.

O pedido de impeachment é baseado no depoimento que Calero deu à Polícia Federal, no dia 19 de novembro. Para o PSOL, Temer praticou crimes de responsabilidade contra probidade administrativa porque deixou que autoridades diretamente subordinadas a ele praticassem atos de abuso de poder sem serem responsabilizadas. O partido afirma que Temer também praticou abuso de poder ao instar Calero a procurar uma solução que agradasse a Geddel.

“Pelo contrário, buscou encontrar 'saídas' para que as pretensões de Geddel fossem atendidas, se não pelo Iphan, pela AGU, com a finalidade de resolver as “dificuldades operacionais” criadas por Calero ao não querer interferir de forma ilegal no processo administrativo do edifício La Vue Ladeira da Barra”, diz o pedido de impeachment.

O lider do partido de Maia na Câmara, Pauderney Avelino (AM) disse não ver motivos para a abertura de um pedido de impeachment. “Não houve crime de responsabilidade. Pelo que eu ouvi ontem [em entrevista coletiva] o presidente Michel Temer dizer, não havia nenhuma razão para ele mentir ou falar diferente, portanto, não vejo nenhum razão. É uma forçação de barra o pedido de impeachment”, disse.

Entenda o caso

No depoimento dado à PF um dia após pedir demissão, Calero relata que Gedel, em meados de junho, começou a pressioná-lo para liberar as obras do empreendimento imobiliário em Salvador (BA), que estavam embargadas pelo Iphan e onde ele havia adquirido uma unidade na planta.

O Iphan embargou o empreendimento de luxo, localizado na Ladeira da Barra, sob o argumento de que a construção prejudicaria sítios históricos ou tombados. Em depoimento à PF, Calero disse que no dia 6 de novembro recebeu um telefonema de Geddel dizendo que não gostaria de ser surpreendido com qualquer decisão que contrariasse o seu interesse.

Calero disse que o ministro da Casa Civil Eliseu Padilha também chegou a pressioná-lo, ligando para pedir que construísse uma saída para o episódio por meio da Advocacia Geral da União (AGU). Segundo Calero, a pressão aumentou a partir do dia 16, quando o Iphan decidiu que o empreendimento deveria ser redimensionado, reduzindo a quantidade de andares. Em jantar no Palácio do Alvorada, Calero disse que narrou os fatos a Temer. Na ocasião, o presidente disse ao ex-ministro que ficasse tranquilo e que se Geddel chegasse a procurá-lo, deveria responder dizendo que que não havia sido possível atender ao pedido.

Contudo, no dia seguinte ao jantar, Calero disse que foi convocado ao Palácio do Planalto para uma reunião na qual Temer lhe disse que a decisão do Iphan teria causado “dificuldades operacionais” no seu gabinete e que Geddel encontrava-se irritado. Segundo Calero, Temer solicitou uma saída para que o processo fosse encaminhado a AGU e lhe disse que "política tinha dessas coisas, esse tipo de pressão”.

No domingo (27), em entrevista coletiva, Temer disse que o caso representa apenas “um conflito entre órgãos da administrarão” entre o Iphan da Bahia, que liberou o empreendimento, e o Iphan nacional, subordinado ao Ministério Cultura, e que não deu aval para o imóvel. Por isso sugeriu que a atuação da AGU no episódio.

Algumas conversas com ministros e um telefonema com Temer foram gravados por Calero. As gravações foram entregues à PF, que remeteu o depoimento à Procuradoria Geral da República para que avaliasse o caso, uma vez que envolve o presidente da República. Nesta segunda-feira, PGR, pediu à PF as gravações feitas pelo ex-ministro da Cultura.

Via -  Rede Brasil Atual


O Fidel que conheci

O jornalista espanhol Ignacio Ramonet, diretor do Le Monde Diplomatique em espanhol e autor, junto com o próprio Fidel, do imbatível Fidel Castro: biografia a duas vozes, divulgou neste sábado (26) o seguinte testemunho sobre o líder e ex-presidente cubano.


O livro é amplamente considerado o testamento político de Fidel Castro. Clique aqui para ler o texto de apresentação dele à biografia, disponibilizado integralmente no Blog da Boitempo.

O Fidel que conheci

Por *Ignacio Ramonet:

Fidel faleceu, mas é imortal. Poucos homens conheceram a glória de se tornar lenda e entrar para a História ainda vivos. Fidel é um deles. Pertenceu à geração dos insurgentes míticos (Nelson Mandela, Patrice Lumumba, Amilcar Cabral, Che Guevara, Camilo Torres, Turcios Lima, Ahmed Ben Barka) aqueles que perseguiram um ideal de justiça e se lançaram à ação política, naqueles já distantes Anos 50, com a ambição e a esperança de mudar um mundo de desigualdades e de discriminações, marcado pelo começo da Guerra Fria entre a União Soviética e os Estados Unidos.

Por Ignácio Ramonet

Naquela época, em mais da metade do planeta – no Vietnã, na Argélia, em Guiné-Bissau –, os povos oprimidos se sublevavam. A humanidade ainda estava, em grande parte, submetida à infâmia da colonização. Quase toda a África e em grande parte da Ásia ainda eram dominadas, avassaladas pelos velhos impérios ocidentais, enquanto as nações da América Latina – a maioria, em teoria, independentes há um século e meio –, seguiam sendo exploradas por privilegiadas minorias, submetidas à discriminação social e étnica, e muitas delas marcadas por ditaduras cruéis amparadas por Washington.

Fidel suportou as investidas de dez presidentes estadunidenses (Eisenhower, Kennedy, Johnson, Nixon, Ford, Carter, Reagan, Bush pai, Clinton e Bush filho). Teve relações com os principais líderes que marcaram o mundo depois da II Guerra Mundial (Nehru, Nasser, Tito, Jrushov, Olaf Palme, Ben Bella, Boumedienne, Arafat, Mandela, Indira Gandhi, Salvador Allende, Hugo Chávez, Lula da Silva, Brezhnev, Gorbachov, Mitterrand, João Paulo II, o rei Juan Carlos, etc.). Conheceu alguns dos principais intelectuais e artistas do seu tempo (Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Arthur Miller, Pablo Neruda, Jorge Amado, Rafael Alberti, Guayasamin, Cartier-Bresson, José Saramago, Gabriel García Márquez, Eduardo Galeano, Noam Chomsky, etc.).

Sob sua direção, seu pequeno país (de 100 mil quilômetros quadrados e 11 milhões de habitantes) impulsou uma política de grande potência de escala mundial, desafiando os Estados Unidos, país que durante décadas tentou mas não conseguiu derrubá-lo, nem eliminá-lo, e tampouco modificar o rumo da Revolução Cubana – finalmente, em dezembro de 2014, tiveram que admitir o fracasso de suas políticas anticubanas, uma de suas grandes derrotas diplomáticas, e iniciar um processo de normalização que implicava em respeitar o sistema político cubano.

Em outubro de 1962, a III Guerra Mundial esteve a ponto de começar devido à atitude do governo dos Estados Unidos, que protestava contra a instalação de mísseis nucleares soviéticos em Cuba, cuja função eram, sobretudo, impedir outro desembarque militar como o de Bahia dos Porcos, desta vez realizado pelas Forças Armadas estadunidenses, para derrocar o novo governo nascido a partir da Revolução Cubana.

Há mais de 50 anos, Washington impõe a Cuba um devastador embargo comercial – reforçado nos Anos 90 pelas leis Helms-Burton e Torricelli –, que se mantém apesar do restabelecimento das relações diplomáticas e obstaculiza o normal desenvolvimento econômico da ilha e traz brutais consequências para os seus habitantes. Washington insiste também numa guerra ideológica e midiática permanente contra Havana, através das potentes Rádio “Martí” e TV “Martí”, instaladas na Flórida, que vivem de inundar Cuba de propaganda anticastrista, assim como nos piores tempos da Guerra Fria.

Também existem várias organizações terroristas hostis ao regime cubano – como Alpha 66 e Omega 7 –, todas elas com sede na Flórida, que possuem campos de treinamento onde preparam agentes que são enviados regularmente, com a cumplicidade passiva das autoridades estadunidenses, e que são basicamente comandos armados para cometer atentados. Cuba é um dos países que mais contabiliza vítimas de atentados terroristas nos últimos 60 anos: ao menos 3,5 mil mortos.

Diante de tantos e tão permanentes ataques, as autoridades cubanas fortaleceram a união dentro do país. Aplicaram, à sua maneira, o velho lema de Santo Inácio de Loyola: “Numa fortaleza assediada, toda dissidência é traição”. Porém, nunca houve, até a morte de Fidel, nenhum culto à personalidade: nem retrato oficial, nem estátua, nem selo, nem moeda, nem rua com seu nome, nem edifício, nem monumento à sua figura, assim como a de nenhum dos líderes vivos da Revolução.

Cuba é um pequeno país apegado à sua soberania, que obteve, sob a condução de Fidel Castro e apesar da permanente hostilidade exterior, resultados excepcionais em matéria de desenvolvimento humano: abolição do racismo, emancipação da mulher, erradicação do analfabetismo, redução drástica da mortalidade infantil, elevação do nível cultural geral… Em aspectos como educação, saúde, investigação médica e formação para os esportes, Cuba exibe níveis que situam no grupo das nações mais bem sucedidas do mundo.

Sua diplomacia se tornou uma das mais ativas do mundo. Nos Anos 60 e 70, Havana apoiou o combate das guerrilhas em muitos países da América Central (El Salvador, Guatemala e Nicarágua) e na América do Sul (Colômbia, Venezuela, Bolívia e Argentina). As Forças Armadas cubanas participaram em campanhas militares de grande envergadura, especialmente nas guerras da Etiópia e de Angola – neste último caso, sua intervenção se transformou numa derrota das tropas militares de elite da República da África do Sul, o que acelerou de maneira indiscutível o enfraquecimento daquele país e abriu caminho para a queda do regime racista do apartheid.

A Revolução Cubana, que tinha em Fidel Castro seu inspirador, o teórico e o líder político, ainda é, até hoje, uma importante referência para milhões de flagelados do planeta, graças às suas conquistas sociais e apesar de suas carências. Aqui na América Latina e em muitas outras partes do mundo, mulheres e homens protestam e lutam, e muitos morrer tentando estabelecer regimes inspirados pelo modelo cubano.

A queda do muro de Berlim e a desaparição da União Soviética, junto com o fracasso histórico do socialismo de Estado, não modificaram o sonho Fidel Castro de instaurar em Cuba uma sociedade diferente, mais justa, mais saudável, melhor educada, sem privatizações nem discriminações de nenhum tipo, e com uma cultura global total.

Até a véspera do seu falecimento, aos 90 anos, Fidel se mantinha mobilizado na defesa da ecologia e do meio ambiente, e contra a globalização neoliberal. Seguia na trincheira, na primeira linha, conduzindo a batalha pelas ideias que ele defendia, pelas quais nada nem ninguém o fez renunciar.

No panteão mundial consagrado àqueles que lutaram com mais empenho pela justiça social e que mais esbanjaram solidariedade a favor dos oprimidos da Terra, há um lugar reservado para Fidel Castro – por mais que isso incomode os seus detratores.

Eu o conheci pessoalmente em 1975, e tive o prazer de conversar com ele em inúmeras ocasiões, embora sempre em circunstâncias profissionais e bastante precisas: para alguma reportagem que realizava na ilha ou durante algum evento específico. Quando decidi escrever o livro Fidel Castro: biografia a duas vozes, ele me convidou a acompanhá-lo durante dias, numa viagem a diversos lugares, tanto em Cuba (Havana, Holguín, Santiago de Cuba) como em outros países (como o Equador). Viajamos de carro, de avião, caminhamos, almoçamos, e encontramos tempo para longas conversas, sem gravadora, onde abordamos todos os temas possíveis, desde as notícias do dia, passando por suas experiências passadas, até suas preocupações presentes. Conversas que eu reconstruía horas depois em meus cadernos. Durante três anos, nós nos víamos com certa frequência, nos juntávamos durante alguns dias ao menos uma vez por trimestre.

Assim, descobri um Fidel íntimo. Quase tímido. Muito educado. Escutando com atenção cada interlocutor. Sempre atento aos demais, em particular os seus colaboradores mais próximos. Nunca escutei dele uma palavra mais alta que outra. Nunca uma ordem. Com modos e gestos de uma cortesia típica de outros tempos. Um cavalheiro. Com um alto sentido de pudor. Alguém que vive, pelo que pude apreciar, de forma espartana. Mobiliário austero, comida leve. Modos de vida de monge-soldado.

Sua jornada de trabalho costumava terminar às seis ou sete da madrugada, quando o dia despertava. Mais de uma vez interrompia nossas conversas de madrugada porque devia participar de uma “reunião importante”. Dormia apenas quatro horas – mais, de vez em quando, cochilava uma ou duas horas em algum momento do dia.

Também era um grande madrugador. E incansável. Viagens, reuniões, uma após a outra, sem trégua. Um ritmo insólito. Seus assessores – todos jovens e brilhantes, de pouco mais de 30 anos – terminavam o dia exaustos. Pareciam dormir de pé. Esgotados. Incapazes de seguir o ritmo desse infatigável gigante.

Fidel pedia notas, informes, notícias, estatísticas, resumos de emissões de televisão ou de rádio, ligações telefônicas… Não parava de pensar, de matutar. Sempre alerta, sempre em ação, sempre na cabeça de um pequeno Estado maior – constituído por seus assessores e ajudantes –, preparando uma nova batalha. Sempre com ideias. Pensando no impensável. Imaginando o inimaginável. Com um atrevimento mental espetacular.

Uma vez definido um projeto. Nenhum obstáculo podia detê-lo. Ele trabalhava incansavelmente até realizá-lo. Seu entusiasmo inspirava a adesão dos que o conheciam. Despertava vontades. Quase como um fenômeno mágico, ele fazia as ideias se materializara, se tornarem fatos concretos, palpáveis, coisas, acontecimentos.

Sua capacidade retórica, tantas vezes descrita, era prodigiosa. Fenomenal. Não falo de seus discursos públicos, bem conhecidos, mas sim das simples conversações de sobremesa. Fidel era uma torrente de palavras. Uma avalanche, que acompanhava a também eloquente gestualidade de suas finas mãos.

Ele gostava da precisão, da exatidão, da pontualidade. Com ele, nada de aproximações. Uma memória exuberante, de uma precisão impressionante. Infalível. Tão rica que às vezes parecia impedi-lo de pensar de maneira sintética. Seu pensamento era conciso. Todos os argumentos sempre bem conectados. Tudo tinha que ver com tudo. Digressões constantes. Parenteses permanentes. O desenvolvimento de um tema o levava, por associação, pela lembrança de algum detalhe importante, de tal detalhe, ou situação, ou personagem, a evocar um tema paralelo, e outro, e outro, e outro. Se afastava do tema central, e o interlocutor temia, por um instante, que ele tivesse perdido o fio da meada. Até que ele habilmente retomava, com surpreendente naturalidade, a ideia principal.

Em nenhum momento, ao longo de mais de cem horas de conversações, Fidel me impôs algum limite sobre qualquer questão das que abordamos. Como intelectual que era, de um calibre considerável, não temia o debate. Pelo contrário, era o que ele queria, o que ele buscava, o que o estimulava. Sempre disposto a divergir com quem fosse. Com muito respeito para com os demais. E era um discutidor e polemista temível, com argumentos robustos. Apenas não suportava a má fé e o ódio.

*Nasceu na Galícia, em 1943. É diretor, em Paris, do Le Monde Diplomatique. Especialista em geopolítica e estratégia internacional, é professor de Teoria da Comunicação na Universidade Denis Diderot de Paris. É doutor em Semiologia e História da Cultura pela Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, onde foi aluno de Roland Barthes. É um dos fundadores da Attac e membro do Conselho Internacional do Fórum Social Mundial. Pela Boitempo, publicou Fidel: biografia a duas vozes (2006) e Mídia, poder e contrapoder: da concentração monopólica à democratização do poder (2013).

Fonte: Blog da Boitempo


O homem que sabia economês

No célebre conto O HOMEM QUE SABIA JAVANÊS, o escritor Lima Barreto narra a trajetória de um homem que fez sua vida no Rio de Janeiro do começo do século passado, usando como gancho na sua escalada um pretenso conhecimento do idioma de Java.


Por André Araújo

Como ninguém no Brasil daquela época tivesse conhecimento da língua de Java, ninguém podia conferir o conhecimento do personagem do conto. Lima Barreto quis demonstrar como existem pessoas que se apresentam ao mundo como sábios que não são mas como ninguém se dá ao trabalho de conferir passam toda uma vida ostentando uma ficção de conhecimento.

A grande habilidade ou esperteza é não se deixar pegar em falso, mantendo sempre a aparência de sábio daquilo que não sabe, caso do personagem do conto.

O HOMEM QUE SABIA ECONOMÊS - Na República dos Coqueiros surgiu um Ministro que se promoveu por todo lado como grande conhecedor de economia e enorme relacionamento no alto mundo financeiro internacional. O porte pomposo, a voz empostada, o discurso solene, transmitem laivos de sabedoria, experiência, seriedade. O papel lhe cai bem.

Ninguém verdadeiramente avaliou seus conhecimentos da ciência econômica como formulação de opções a partir de um amplo contexto social e político. Ninguém, por sua vez, sabe de sua visão de Estado nacional, do papel da República no mundo, da estratégia para que a República garanta sua posição no contexto geopolítico mundial.

Ninguém conhece porque nunca escreveu um livro expondo em linguagem de estilo sua visão de História, de economia, de política. Nada se sabe, mas consta que ele sabe muito.

Como nunca ninguém conferiu, nem aqui e nem nas rodas mais altas do poder financeiro mundial, se ele é o que parece fica valendo o que parece que é.

Grandes comandantes de economia de um País com as dimensões do Brasil, o Embaixador Roberto Campos, participante da Conferência de Bretton Woods, onde foi arquitetado o mundo econômico pós Segunda Guerra, legou enorme obra memorialística, seu LANTERNA NA POPA tem 1.450 páginas. Além dessa, mais oito livros. O Ministro Delfim Neto, professor catedrático de economia da USP, que tem a maior biblioteca particular do Brasil sobre economia, tem muitos livros publicados, o primeiro sobre café, uma de suas muitas especialidades.

O Professor Mário Henrique Simonsen, fundador da Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getúlio Vargas era também autor de boas obras. Uma é primorosa, a monografia sobre Oswaldo Aranha como Ministro da Fazenda nas suas duas fases, a de 1930 e a de 1950, onde Simonsen se aprofunda nas duas históricas gestões quando Aranha fez milagres com a dívida externa brasileira. Sua cultura não se restringia à economia, Simonsen era profundo conhecedor de ópera e barítono nas horas vagas.

Outro Ministro, da escola mais ortodoxa possível, fundador dos cursos de economia no País, Gudin tem sua obra clássica, PRINCÍPIOS DE ECONOMIA MONETÁRIA, verdadeiro manual que guiou os primeiros estudantes de economia do Pais.

Ministro da Fazenda precisa ter estofo intelectual, cultura de História, de História da Economia, de História do Pensamento Econômico, precisa ter intimidade com todos os grandes mestres do passado, de List a Pareto, de Leontiev a Kaldor, refletir e elaborar sobre esses filósofos da economia porque eles nos dão as luzes da ciência no tempo histórico.

Fico pasmo com o pouco debate sobre a PEC de teto de gastos, má ciência e má política. Não há paralelo histórico, taxa de inflação não é um referencial fundamental para balizar como leme o orçamento. Quem dá tanta importância à taxa de inflação já está revelando sua linha de política econômica, que é a preferência da estabilidade sobre a prosperidade, uma visão anti-keynesiana, retrógrada e contra a tendência geral pós-Trump, onde a inflação se torna menos importante que o emprego. Trump já indica que não curte limite de gastos, muito pelo contrário, vem aí inflação em dólar, expansão monetária, tudo na contramão da PEC 55. O Brasil é o único País que está valorizando sua moeda contra o dólar, na contramão do mundo, vamos ser o novo Portugal de Salazar, moeda forte e povo faminto.

Na lógica, um limite de gastos no orçamento deveria ter como teto a arrecadação. É esse o parâmetro universal para controle da despesa nos orçamentos, não se pode gastar mais do que se arrecada, a receita fiscal deve ser o limite e nunca a inflação, pois poderemos chegar ao absurdo da receita subir 20%, a taxa de inflação ser 3% e a despesa estaria congelada em 3% mesmo com forte subida da receita. Está claríssimo que o objetivo da PEC não é administrar racionalmente o Orçamento Federal, é garantir sobra para os juros da dívida publica. Quem inventou essa PEC está pensando nos rentistas e não na população em geral.

Como em nenhum outro ciclo da História, o Brasil está entregando seu futuro econômico a um plano do fim do mundo, apocalíptico e sem projeto de execução, uma simples ideia de limite de orçamento como se isso fosse o total da economia e definidor das demais variáveis.

A função do Ministro da Fazenda no histórico dos 87 Ministros da Fazenda da República é cuidar da economia na sua totalidade e não só do orçamento. A economia no seu conjunto é muito maior do que o Orçamento Federal, cuidar da economia é ter clara visão dos problemas de conjuntura e da organização dos fatores para o médio prazo e para os alvos finais.

A maior distorção do Orçamento é a conta de juros, agora somada a outra conta da mesma origem, o custo dos seguros cambiais que o BC usa sem nenhuma preocupação com o que isso significa para as finanças públicas, custo esse que mantida a conta do primeiro semestre pode chegar a R$ 400 bilhões, somados aos juros da dívida de R$ 600 bilhões, chegaremos a R$ 1 trilhão em 2016, número jogado atrás do pano para se expor exclusivamente os gastos das despesas correntes. Estas necessitam de muitas correções sobre desperdícios evidentes mas não são elas a causa da recessão. O Brasil teve nos últimos 60 anos seguidos de déficits no orçamento federal mantendo ao mesmo tempo pujante crescimento econômico.

Os custos do seguro cambial oferecido pelo BC ao mercado financeiro impactam diretamente no gasto do Governo porque o BC manda essa conta para o Tesouro, se assim é porque o Congresso não estipula um LIMITE ao BC para gastar com seguro cambial?

Como está hoje o BC tem um limite em branco, pode gastar quanto quiser com essa mega despesa, SEM TETO, pode quebrar o Tesouro para segurar o câmbio, o BC faz aquilo que se quer impedir que o Governo faça, gastar sem limite e sem controle.

A recessão tem múltiplas causas, variáveis não virtuosas que levam a um "clima" de desconfiança da gestão econômica do País mas, especialmente, da política monetária, de crédito e cambial, todas a cargo do Banco Central. BC que se faz passar por inocente passivo em relação ao Tesouro mas que é, na realidade, o grande maestro da política econômica e principal causa da recessão no País ao patrocinar uma política com dois efeitos perversos, juros muito acima do padrão internacional e conseqüente valorização do real, o que torna o País caro e em desalinho com os preços internacionais, algo que os brasileiros verificam quando viajam ao exterior. O viés monetarista do BC só se agravou com a nomeação de um ultra ortodoxo para sua Presidência, alguém que cultua um fetiche da moeda como fim último e não como instrumento para a prosperidade e bem estar da população.

A política econômica de um governo, certa ou errada, tem que ter amplitude, medidas de curto, médio e visão de longo prazo, precisa dar vislumbre de objetivos, não só de meios. O orçamento federal é apenas uma parte de um plano de política econômica, não é a totalidade dessa política. A atual equipe só tem um tema, que é o orçamento, onde estão os demais?

Política cambial, qual é? Política de crédito, qual é? Política de comércio exterior, qual é?

Qual é a política para sair da recessão e voltar a crescer? Qualquer política econômica digna desse nome tem que ter uma meta virtuosa, de criar prosperidade. Até o Plano Erhard, da Alemanha destruída pela Segunda Guerra, tinha uma meta de crescimento da economia. Um plano também é um portador de esperança sem a qual ninguém vive.

Política econômica é a OPERAÇÃO no dia a dia, no varejo e no atacado, dos instrumentos de manejo da economia. Reformas, no sentido de grandes rearranjos de regras e normas, são outra coisa. O Brasil precisa de muitas reformas, como a da previdência, mas essa plataforma não se confunde com política econômica. Esta se refere ao AQUI E AGORA, ao dia a dia. Essa separação ficou muito clara no Governo Castello Branco, quando o dia a dia ficou com o Ministro da fazenda Octavio Gouveia de Bulhões e as reformas com o Ministro do Planejamento Roberto Campos, separação perfeita, um cuida do dia a dia, do curto prazo e outro cuida do futuro.

Usar a desculpa das reformas para não fazer nada no AGORA é o que hoje se apresenta.

Tudo depende da PEC do teto dos gastos, tudo depende da reforma da previdência, então devemos esperar a PEC dos gastos ser aprovada, algo cujo efeito só se daria daqui a dois anos e depois a Reforma da Previdência, que só terá efeito real daqui a uma década, para então consertar a economia de hoje. Isso é PREGUIÇA de agir hoje para tirar o País da recessão, jogar algo aleatório no futuro para não fazer nada agora.

Mas a atual equipe econômica não tem objetivos, se tem não comunicou à população.

Teto de gastos é um MEIO, não é um objetivo. Qual são os demais instrumentos para a economia crescer? Vai crescer pelas exportações? Delfim com sua engenhosidade criou o BEFIEX, plano que produziu notável crescimento das exportações de manufaturados.

Esta equipe tem uma ideia sobre exportação? Nenhuma.

Pela primeira vez, desde a fundação da República em 1889, o Brasil tem um governo que não tem um projeto econômico. Até o instável Governo João Goulart tinha seu plano econômico, o Plano Trienal de Celso Furtado. JK tinha seu Plano de Metas, 30 metas e Brasília. Os Governos militares tiveram os seus Planos Nacionais de Desenvolvimento a cada governo.

Reformas são projetos institucionais, não são planos econômicos.

A explicação pela ausência é simples, nenhum dos dois comandantes da política econômica, e são só dois porque o Ministro do Planejamento, que deveria ser parte integral de uma política econômica evidentemente não participa da torre de comando, a explicação vem da completa incapacidade dos dois comandantes de formular qualquer política econômica, seu único objetivo é reduzir os gastos de custeio para garantir o pagamento da dívida publica.

Só isso. Esse é o plano econômico do governo, não tem mais nada. A isso a que se resume a política econômica da dupla tanto porque essa é sua função no governo e mesmo que quisessem não tem nenhum apetite para vôos mais altos, a noção de Brasil dos dois termina na sala de reuniões de um banco.

Mas mesmo que a política econômica ultra monetarista tivesse maior consistência, além de um corte de gastos, há a questão do tempo social e do tempo político para a execução desse roteiro ultra ortodoxo à la grega, que implica em aprofundamento da miséria.

Esse tempo não existe. Uma política econômica desse viés exige um período de governo mais longo e um imenso capital político, além de pleno apoio popular, fatores complicados em uma crise de sobrevivência de milhões de famílias.

Melhor seria para um governo de transição políticas de estímulo à produção e ao emprego.

A ciência econômica foi inventada para diminuir os custos e os sacrifícios que a natureza da economia exige. Através da ciência se pretende harmonizar melhor os fatores de produção para administrar a escassez da forma menos onerosa possível à população.

Se é para arrancar dentes a martelo e sem anestesia não é preciso existir dentistas.

Porque então um governo, cuja lógica universal é se manter no poder, opta pelo caminho mais pedregoso e fazendo a população sofrer colocando em risco sua capacidade de governar?

A explicação me parece ser óbvia: um gigantesco erro de diagnóstico vendido como verdade.

O erro vem do grupo de economistas ligados ao PSDB, que aparentemente tem carta patente de sabedoria econômica desde o Plano Real e que aparenta ter ascendência sobre o comando político do PMDB. A receita do corte de gastos tem o cheiro inconfundível desse grupo, uma visão exclusivamente monetarista "demodée" até na Universidade de Chicago, onde nasceu a Segunda Escola monetarista, a de Milton Friedman, hoje impopular na sua própria alma mater. O legado de Friedman passou para a Carnegie Mellon University de Pittsburgh, onde leciona seu herdeiro intelectual Alan Meltzler.

Após a crise de 2008, cujas causas vem desse monetarismo a outrance de Friedman, ocorreu uma grande revisão do monetarismo cru e das premissas do neoliberalismo doutrinário de Hayek, Reagan e Thatcher, porque só se resolveu essa crise com fortíssima intervenção do Estado, através do programa TARP onde a salvação da economia americana veio do Tesouro e não do mercado. Políticas monetaristas e neoliberais puras já não são mais digeridas cruas. Aqui, como em tudo, as ondas revisionistas de qualquer coisa chegam muito atrasadas e os economistas de mercado continuam dando entrevistas pregando velhas receitas dos anos 80 e 90, quando o mundo a la Brexit e Trump indicam muito maior protecionismo e intervencionismo porque se viu que o mercado sem controle agrava problemas econômicos.

O desperdício e o aumento de gastos do Orçamento Federal é uma realidade sobre a qual aqui já escrevi incontáveis blogs. O Governo tem poder imediato sem PEC para intervir em grandes núcleos de gastos elevados como alugueis de prédios para órgãos públicos, contratos de terceirização de mão de obra e veículos, compra de tecnologia de informação, consultorias de todos os tipos, cursos de treinamento, equipamentos para hospitais, nada disso necessita PEC, basta agir. Tudo isso é necessário mas não é daí que vem a recessão. E consertando essas ilhas de desperdício não será porisso que o País volta a crescer.

E é chocante achar que a economia total de um País tem como único eixo o orçamento federal e nada tem a ver com políticas como a monetária, a de crédito, a cambial, a de comércio exterior. Então o diagnóstico desse grupo de economistas é limitado, viram um furúnculo mas existem muito mais a extirpar e pior que tudo, não conseguem enxergar que a política econômica pode, ao mesmo tempo em que pratica a austeridade, agir para estimular a economia produtiva e esta pelo aumento da arrecadação irá auxiliar o ajuste fiscal.

O diagnóstico desse grupo diz que a recessão brasileira é causada pelo excesso de gastos do orçamento federal. O excesso de gastos é real, mas ele não é a causa primeira da recessão. Esta vem de outros fatores, especialmente da péssima política monetária e cambial do BC, ao manter juros absurdamente altos e com isso valorizar o Real para conter a inflação a um custo incrivelmente alto para o conjunto da economia. Com o dólar a R$ 5 e juros 3% acima da inflação, a economia teria oxigênio para crescer ou, pelo menos, estabilizar.

Com o erro de diagnóstico vem o erro de solução. Pretende-se interferir exclusivamente no orçamento sem tocar nas políticas erradas do BC. O paciente tem câncer e resfriado e o médico está tratando só do resfriado, não lhe interessa o câncer. O paciente vai ficar bom do resfriado e morrer de câncer. É isso que faz o BC ao se concentrar exclusivamente na meta de inflação abandonando qualquer outro objetivo.

Sinal inequívoco nessa direção é o fechamento de quase 700 agencias do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal e a devolução de R$ 100 bilhões do BNDES para o Tesouro, que serão inteiramente direcionados para a dívida publica.

Essas duas medidas significam REDUZIR o papel dos bancos públicos em um momento em que eles são mais essenciais para sair da recessão. Tirar recursos do BNDES significa menos investimentos na economia. Fechar agências do Banco do Brasil em locais valiosos como em Fóruns (15 agencias) significa reduzir sua base de captação de depósitos e portanto sua capacidade de emprestar, tudo favorecendo o sistema privado, que vai obviamente suprir os Fóruns e Tribunais com suas agências e em detrimento do sistema público de crédito.

Todas as essas providências não são uma política, mas são um roteiro para diminuir o papel essencial do Estado no crescimento, que na História do Brasil sempre foi o maior agente de desenvolvimento e isso não mudará porque é parte da formação do País. Ao reduzir o papel do Estado está se condenando o Brasil a não crescer, ao contrário, a regredir a condições inferiores de economia primitiva sem fontes de sobrevivência para dezenas de milhões de família, é o que os números mês a mês estão demonstrando. A cada período cai o emprego e fecham empresas em um círculo vicioso onde o desemprego e a falência de hoje são o motor de mais desempregos e mais falências no ano próximo. Não há NENHUM fator nesse roteiro que indique algum indutor de crescimento na economia.

Poucas vezes na História Econômica do Brasil se viu tal erro de diagnóstico e consequente erro de tratamento na economia do País. Períodos sim ocorreram de males difíceis como as altas inflações de certos períodos, mas os que cuidavam da economia tinham pleno domínio dos fatores e operavam dentro das possibilidades do terreno, não praticavam políticas econômicas de engano e desfoque como hoje, verdadeiros roteiros para o desastre.

 Fonte: GGN
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