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terça-feira, 13 de novembro de 2018

Laser revela toda grandeza da civilização maia

O laser permitiu descobrir milhares de estruturas erguidas pelos maias e encobertas pela floresta. 


Vista área da cidade de Tikal, encoberta em sua maior parte pela floresta e por sedimentos. 

Por MIGUEL ÁNGEL CRIADO
No - El País



Usando a tecnologia Lidar (acrônimo de Light Imaging Detection and Ranging, detecção de luz e medida de distância), uma equipe de arqueólogos já escaneou uma área de milhares de hectares onde a civilização maia floresceu. Os pesquisadores não descobriram nenhum novo palácio, pirâmide ou grandes templos como o de Kukulcán ou o do Grande Jaguar. Mas a infinidade de edifícios, estradas, canais ou muralhas mapeados iluminam toda a grandeza dos maias e permitem formar uma ideia de quantos milhões de pessoas viviam na região, como guerreavam ou de sua agricultura intensiva.
Em 2016, um avião percorreu boa parte da reserva da biosfera maia em Petén (Guatemala). Tinha a bordo um dos sistemas lidar mais avançados. Essa tecnologia utiliza o laser como se fosse um radar sofisticado: envia pulsos de luz que, ao serem rebatidos, permitem reconstruir uma imagem do objeto ou estrutura que o devolveu. Aqui foi usada uma máquina capaz de escanear o terreno a partir de seis ângulos diferentes, de propriedade do Centro Nacional de Mapeamento Laser Aerotransportado (NCALM na sigla em inglês), com sede nos EUA. O Lidar varreu uma superfície de 2.144 quilômetros quadrados em torno de uma dezena de sítios maias.
“A nossa é a maior cobertura Lidar da história da arqueologia”, diz Francisco Estrada-Belli, especialista em cultura maia da Universidade Tulane (Nova Orleans, EUA) e coautor do estudo. Embora não seja a primeira vez que essa tecnologia de imagem é utilizada em sítios arqueológicos dessa cultura, a expedição cobriu uma área 10 vezes maior e com um detalhamento não alcançado pelas anteriores. “Qualquer coisa que tenha de 50 a 100 cm de largura e de 20 a 50 cm de relevo aparece em nossas visualizações”, acrescenta o arqueólogo. Para conseguir isso, o Lidar emitiu mais de 33,5 bilhões de pulsos de laser (15 por metro quadrado).


O mapa 3D da área é baseado em 33.500 milhões de pulsos de laser

O mapa em 3D obtido, cujos resultados foram publicados na revista Science, inclui 61.480 estruturas. Foram localizados desde bairros inteiros em algumas das grandes cidades maias como Tikal, Holmul ou Xultún, até uma centena de quilômetros de estradas pavimentadas, passando por cisternas como a de Tintal, que com seus 2.000 metros de largura podia conter até três milhões de metros cúbicos de água. Ao se afastar do mapa, também são descobertos perímetros defensivos de vários quilômetros, centenas de canais para água e uma infinidade de pequenos núcleos rurais conectados por caminhos.
Tanta informação sobre as infraestruturas humanas permitiu os pesquisadores estimarem a população que vivia na área do estudo e, extrapolando, em toda a região maia. Durante o período conhecido como Clássico Tardio (entre os anos 650 e 800 de nossa era), na área mapeada pelo Lidar havia uma densidade demográfica entre 80 e 100 habitantes por quilômetro quadrado. No centro das principais cidades, como Tikal, a densidade deve ter atingido 2.000 habitantes por quilômetro quadrado, comparável à de muitas cidades de hoje. Em toda a região de planícies viviam entre sete e onze milhões de pessoas.
As imagens do Lidar, que foram revisadas no local por várias equipes de arqueólogos, também mostram que os maias precisavam de agricultura intensiva para poder alimentar tanta população urbana. O sistema tradicional, os campos de milho, baseado na queima de terrenos para fertilizar o solo antes do novo plantio, não teria sido suficiente se não fosse pelas centenas de canais, muitos de um quilômetro de comprimento, usados para drenar os pântanos que ocupavam a maior parte do território. A pesquisa também localizou 306 quilômetros quadrados de terrenos cultivados em terraços. Até 17% do território que a floresta ocupa hoje tem marcas de um passado agrícola. Para os autores do estudo, tal esforço exigiu uma organização e uma centralização muito avançadas.





Vista de Tikal, acima coberta pela floresta, abaixo descoberta pelo Lidar.ampliar foto
Vista de Tikal, acima coberta pela floresta, abaixo descoberta pelo Lidar. L. AULD-THOMAS Y F. ESTRADA-BELLI/PACUNAM


“O Lidar fornece uma visão extremamente precisa da geografia e da topografia da paisagem. Pode ser usado em qualquer tipo de paisagem, mas quando é aplicada ao caso particular das matas e florestas maias é como uma varinha mágica (muito cara) que nos dá detalhes das drenagens, montanhas, vales, planícies e, o mais importante, grandes sítios arqueológicos”, diz em um e-mail a diretora do Centro de Pesquisa Mesoamericana da Universidade da Califórnia, em Santa Barbara (EUA), Anabel Ford.
No entanto, esta arqueóloga não relacionada com este trabalho e que estuda os maias há 40 anos lembra que “as coisas grandes são claramente vistas, mas os elementos que fornecem os detalhes sutis da utilização agrícola das terras e a relação entre a antiga civilização maia e a paisagem precisam de uma maior verificação”, razão pela qual devem ser confirmados no local. Algo com que Estrada-Belli está de acordo: “Sempre se precisará de arqueólogos experientes para reconhecer os traços documentados pelo Lidar. E quanto mais dados Lidar tivermos, mais arqueólogos serão necessários”.



UM ARQUEÓLOGO LEVARIA UM SÉCULO PARA VER O QUE LIDAR REGISTRA EM DOIS DIAS


M.Á.C.
O poder da tecnologia Lidar é tal que está sendo usada em atividades tão diversas quanto a prospecção de jazidas para a mineração ou o mapeamento dos fundos marinhos. É também um elemento essencial na direção e na segurança dos carros autônomos, que usam o Lidar para fazer a composição instantânea de um lugar.
“Em 18 anos consegui cobrir 47 quilômetros quadrados. O Lidar cobriu 308 quilômetros quadrados em cerca de dois dias”, afirma o arqueólogo Francisco Estrada-Belli. “Para fazer isso eu precisaria trabalhar 118 anos e não conseguiria o mesmo nível de detalhe. Sempre me escapariam coisas que eu não vi nesses últimos 18 anos, mesmo passando sobre elas”, acrescenta.
Para o especialista em tecnologia Lidar do NCALM, o hondurenho Juan C. Fernández, “o Lidar é a tecnologia mais eficaz e precisa para mapear a topografia”. Entre suas aplicações estão a engenharia para projeto de estradas, o monitoramento do estado e do tamanho das florestas, em geologia o estudo da deformação da Terra devido a erupções vulcânicas e terremotos... “No caso do mundo maia e especificamente nas planícies, permite mapear com incrível nível de detalhe e precisão o que está escondido pela floresta”, acrescenta este pesquisador da Universidade de Houston.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Arqueólogos encontram tumbas com múmias de gato no Egito

Descoberta foi feita em Sacará, a 30km do Cairo. Também foram achadas estátuas de outros animais e múmias de escaravelhos dentro das tumbas, que são do Egito Antigo.

Foto: Nariman El-Mofty/AP

Por G1

Arqueólogos egípcios encontraram sete tumbas da Era dos Faraós com dúzias de múmias de gatos em Sacará — sítio arqueológico a cerca de 30km da capital do Egito, Cairo. A descoberta também inclui múmias de escaravelhos — as primeiras a serem encontradas no local, afirmou neste sábado (10) o Secretário-Geral do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito, Mostafa Waziri, à agência de notícias americana Associated Press (AP).

O Egito Antigo — época em que os faraós reinaram — reverenciava os felinos e fazia adoração à deusa Bastet, que tinha a cabeça de gato. Além das múmias, também foram encontradas estátuas de madeira retratando outros animais — como um falcão, um leão e uma vaca. Outras 100 estátuas de gato em madeira dourada e uma estátua de bronze, dedicada a dedicada a Bastet, estão entre as descobertas, afirma a Agência France Presse [(AFP).

Segundo a AFP, a descoberta ocorreu "em torno de uma área rochosa em torno do complexo funerário de Userkaf na necrópole (real) de Saqqara", que era a capital do Reino Antigo, disse o ministro de Antiguidades, Khaled El Enany. Três dessas tumbas, afirma o ministro "datam do tempo do Novo Império e foram usadas como uma necrópole para gatos".

As outras quatro tumbas remontam ao tempo do Antigo Império (4.300 anos aC), "das quais a mais importante é a de Jufu-Imhat, guardião dos edifícios pertencentes ao palácio real, datando do final da Quinta Dinastia e do início do VI ", segundo o ministro.

Saqqara é uma vasta necrópole da região da antiga Memphis, onde incontáveis tumbas e os primeiros faraós foram encontrados.

O Egito vem aumentando a publicidade em torno de descobertas históricas, destaca a AP, na esperança de recuperar o setor de turismo no país — devastado pela turbulência que se seguiu às revoltas de 2011 que levaram à queda de Hosni Mubarak.

Veja mais fotos, clique AQUI.

domingo, 11 de novembro de 2018

Cerimônia em Paris lembra 100 anos do fim da Primeira Guerra Mundial

Mais de 70 chefes de Estado e de governo participaram neste domingo (11) da cerimônia do centenário do armistício da Primeira Guerra Mundial, realizada no Arco do Triunfo, em Paris.

 O presidente da França, Emmanuel Macron, foi o mestre de cerimônias
O presidente da França, Emmanuel Macron, foi o mestre de cerimônias em um ato que começou pouco depois das 11h (hora local) e do qual também tomaram parte 15 dirigentes de organizações internacionais.

A maioria dos líderes percorreu a pé, debaixo de chuva, alguns metros na avenida Champs Élysées para chegar ao Arco do Triunfo, onde está o Túmulo do Soldado Desconhecido, símbolo do sacrifício dos milhões que morreram de 1914 a 1818.

Antes, alguns líderes haviam sido recebidos por Macron no Palácio do Eliseu. A chanceler federal alemã, Angela Merkel, deixou o palácio em direção ao Arco do Triunfo juntamente com Macron e a esposa dele, Brigitte.

Os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Rússia, Vladimir Putin – que aterrissou em Paris com atraso nesta manhã –, foram diretamente para o local da cerimônia.

Antes do início dos festejos, militantes do coletivo Femen protagonizaram um incidente quando pelo menos uma integrante do movimento, de topless, pulou o cordão de segurança, avançando para o meio da rua, na tentativa de impedir a passagem da comitiva de Trump pela Champs Élysées. As forças de segurança conseguiram rendê-la, junto com duas outras militantes.

Cerca de 10 mil policiais foram mobilizados para garantir a segurança em Paris durante a comemoração.

"Demônios antigos"

Em seu discurso, o presidente Macron criticou sentimentos de nacionalismo e alertou para os "demônios antigos" que ameaçam a paz. "Os demônios antigos estão surgindo novamente, prontos a completar suas tarefas de caos e de morte", disse Macron diante das dezenas de líderes mundiais reunidos no Arco do Triunfo.

"Patriotismo é o oposto exato do nacionalismo. Nacionalismo é uma traição do patriotismo. Ao dizer 'nossos interesses em primeiro lugar, não importa o que aconteça aos outros', você apaga a coisa mais preciosa que uma nação pode ter, que a faz viva, que a faz ser grande e aquilo que é mais importante: seus valores morais".

Trump, que ostensivamente era o principal alvo da mensagem de Macron, ouvia o discurso sentado, com expressão impassível. O presidente americano se declarou um "nacionalista orgulhoso".

"A história às vezes ameaça retornar ao seu trágico curso e comprometer a herança da paz que pensávamos ter sido selada com o sangue de nossos ancestrais", afirmou o presidente francês, em outra parte de seu discurso. "Vamos mais uma vez fazer este juramento de nações, para colocar a paz acima de tudo, porque sabemos o seu preço, sabemos o seu peso, sabemos o que ela demanda", apelou.

"Todos nós, líderes políticos, devemos, neste 11 de novembro de 2018, reafirmar perante nossos povos nossa real e imensa responsabilidade: de passar para os nossos filhos o mundo com o qual as gerações anteriores sonharam", disse. "Juntos, podemos banir os espectros da mudança climática, pobreza, fome, doença, todas as desigualdades e toda ignorância."

A cerimônia teve também a participação de estudantes, que levaram passagens de cartas escritas por soldados em oito línguas, assim como performances musicais, incluindo apresentações do violoncelista americano de origem chinesa e nascido na França Yo-Yo Ma e da cantora beninense Angélique Kidjo.

Neste sábado, Macron e Merkel participaram de uma cerimônia em Compiègne, ao norte de Paris, no mesmo lugar onde, cem anos atrás, a Alemanha e as potências aliadas assinaram o armistício que encerrou a Primeira Guerra Mundial.

Os dois líderes inauguraram placas comemorativas, escritas em francês e alemão, destacando a importância da amizade entre a Alemanha e a França para a paz na Europa.

Fonte: DW Brasil

sábado, 10 de novembro de 2018

FLAVIA JORDANI – A BELA DA SEMANA


Venturosos são os olhos que podem testemunhar o espetáculo feminino externado nos traços que compõe a formosura sem igual... Ela, um deleite para aqueles que se deixam seduzir pelo encanto, pela graça, pelo fascínio da mulher em sua brasilidade... Um viva ao deleite de nossas retinas, fascinadas pela formosura desmedida de quem existe para encantar...

Uma vez mulher, à ela é concedida a supremacia, majestade mulher de infindos encantos, não há noutras tantas a beleza que provém dela, insuperável dama de indizíveis caprichos, ela, escultura ímpar que contemplada, nos favorece, fitá-la é uma carícia a visão

Flavia Jordani por direito, compõe o rol das beldades que nesta página recebem o culto de tantos súditos que fatalmente rendem-se pela formosura de uma mulher, mulher esta que tem a beleza daquelas sumidades que deixam menores as atenienses, Flávia é autoridade, ícone e exemplo daquelas que se fazem referência no tema beleza.

Toda forma de beleza merece ser difundida, a beleza feminina é comparada a luz, é impossível não ser percebida, e nós a encontramos em Ituana do Sul... Pecaríamos se não propagássemos aquilo que é aprazível, por isso, o pedestal das belas é pisado pelos formosos pés de Flavia Jordani, ela que sendo mulher se fez suprema, bela, é natural que ela seja considerada Deusa e que tenha uma miríade de fãs deslumbrados com a magia proveniente de sua imagem.

Na venturosa oportunidade de cultuarmos a beleza feminina, chegamos ao capricho denominado Flavia Jordani, ela que em sua singular formosura, adorna com esmero esta vitrine de belas...

A supremacia feminina deve ser evidenciada aos quatro ventos, aqui externamos nosso respeito e nossa reverência para quem está além de nossas palavras, os elogios ficam aquém da realidade exposta nos traços que compõem a imagem de Flavia Jordani.

Apreciemo-na, pois, é o que nos cabe, é o que nos é conferido, a graça de poder decantar o encanto e a magia da mulher, o mais perfeito exemplo da criação, ela está para os olhos privilegiados, regozijemos, tais olhos são os nossos, poder vê-la neste panteão de belas é algo que supera a honra, que lindo são seus cabelos, bendito seja o dia que ela nasceu, a natureza fora regalada com este ímpar adorno, a beleza feminina está em Itaúna do Sul, brindemo-na, Flavia Jordani é a Bela da Semana.

*FLAVIA JORDANI DA SILVA DOS SANTOS - Itauna do Sul - PR- Filha de Juliana de Lima Silva e Celso Venâncio dos Santos - Flavia é torcedora do  Santos  e formada em Letras - Português/Inglês (UNESPAR - Fafipa)


sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Encontro das mulheres negras da região nordeste

VAI ROLAR: ENCONTRO DE MULHERES NEGRAS DA REGIÃO NORDESTE EM PERNAMBUCO.


*A atividade tem como foco debater conjuntura política no Brasil*

Centenas de ativistas e movimentos de mulheres negras dos nove estados da Região Nordeste se encontram no próximo final de semana o Encontro Regional de Mulheres Negras da Região Nordeste, que terá a mesa de abertura, com o tema: *“Análise de conjuntura: Mulheres Negras Movem o Brasil – Desafios e projetos políticos”*. A mesa, que será aberta ao público, acontecerá em Recife – Pe, no Sindicato dos bancários, na R. Manoel Borba, 564.

O objetivo da atividade é refletir sobre os processos políticos nacionais, quais impactos e formas de participação política das mulheres negras da Região Nordeste, e em articulação nacional. O encontro Regional Nordeste é uma das etapas de mobilização rumo ao Encontro Nacional de Mulheres Negras + 30: Contra o racismo, a violência e pelo Bem viver, que acontecerá em dezembro deste ano, em Goiânia.

O encontro está sendo organizado pela Articulação de Organizações de Mulheres Negras do Brasil (AMNB) e pela Rede de Mulheres Negras do Nordeste.

*O QUÊ: ENCONTRO REGIONAL DE MULHERES NEGRAS DO NORDESTE*
*QUANDO: Sexta-feira (9 de novembro), às 18h.*
*ONDE: Sindicato dos bancários, na R. Manoel Borba, 564.*


quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Ocupação do MST no Paraná ganha prêmio por recuperação da Mata Atlântica


Prêmio Juliana Santilli reconhece prática que alia produção de alimentos e preservação ambiental.

Acampamento ocupa parte da APA de Guaraqueçaba e desde 2003 concilia a produção de alimentos livres de agrotóxicos / Júlia Rohden
Júlia Rohden

“Mato para nós não é problema, é solução” brinca o agricultor Jonas Souza. Ele integra uma das 20 famílias do acampamento José Lutzenberger, no município de Antonina. O acampamento ocupa parte da Área de Proteção Ambiental (APA) de Guaraqueçaba, no litoral norte do Paraná, e desde 2003 concilia a produção de alimentos livres de agrotóxicos - de couve à café - com a recuperação da Mata Atlântica. Por isso, a comunidade foi contemplada no prêmio Juliana Santilli, na categoria ampliação e conservação da agrobiodiversidade. A premiação acontecerá em 21 de novembro, em Brasília, e envolve a entrega de troféu, de selo de reconhecimento e apoio financeiro para intercâmbio de experiências.

As famílias comemoraram o prêmio como uma forma de dar visibilidade ao projeto. “Estamos mostrando que nós ocupamos uma área totalmente degradada e estamos recuperando a mata e ainda produzindo alimento sem veneno. Isso mostra que a reforma agrária é um projeto viável, não apenas na questão social, mas também na ambiental”, comenta Jonas, que também é um dos coordenadores do acampamento.

Cerca de 90% do que é produzido pelos agricultores é destinado para as escolas da região através do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Jonas explica que as famílias trabalham em cerca de 10% da área total, que compreende 240 hectares. “Para trabalhar no sistema agroflorestal não precisa de grandes áreas”, explica. Ele comenta que a perspectiva é ocupar cada vez mais o espaço com a produção.

Apesar de bem estruturado, com casas de alvenaria e energia elétrica, o acampamento ainda está em processo de assentamento. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) está negociando a compra da terra com os antigos proprietários.

Recuperação ambiental

“Conheci a área antes dos fazendeiros usarem para criar boi. Era uma área preservada, o rio tinha muito peixe e a comunidade plantava para subsistência”, lembra Jonas. Ele conta que as famílias não tinham o documento de posse da terra e os fazendeiros começaram a cerca e ocupar o território. “Por isso começou a luta pela terra e decidimos acampar”, completa o agricultor.

Nos primeiros três anos, as famílias resistiram ao desejo de desistir da área. O rio estava poluído, o solo rebaixado e encharcado, e o pasto dominava a paisagem. Se no início tiveram dificuldade para produzir alimentos para subsistência, hoje a perspectiva é aumentar a produção. A área degradada pela atividade pecuária vai lentamente se recuperando e o resultado fica evidente até aos olhares desatentos: nos lotes que já receberam os cuidados dos agricultores há árvores altas e diversos tipos de plantas, enquanto, muitas vezes ao lado, as áreas que não receberam o manejo são um pasto alto.

Katya Isaguirre, professora de direito ambiental e agrário da Universidade Federal do Paraná (UFPR) que acompanha de perto o acampamento José Lutzenberger, por meio do grupo de pesquisa Ekoa, incentivou a comunidade a se inscrever no prêmio, junto com outro grupo da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. “É evidente que a agrofloresta revive a natureza e o exemplo demonstra visivelmente como a paisagem se recupera ao tempo em que os agricultores produzem alimentos saudáveis que lhes garante condições de autonomia”, afirma.

No local é possível encontrar vários estágios de agroflorestas e são testadas diferentes técnicas de manejo e preparo do solo. O primeiro passo para a recuperação é fazer o “berço”, com plantas como hortaliças e banana. Com o tempo e o manejo adequado, os agricultores vão inserindo novas plantas de portes variados.

Jonas Souza ressalta que o sistema agroflorestal traz diversos benefícios. Além da recuperação e preservação da Mata Atlântica, as famílias camponesas passam a ter a geração de renda e a consumir alimentos de qualidade. “Também é beneficiado quem consome esse alimento livre de agrotóxico que, no caso, são principalmente as crianças das escolas municipais e estaduais”, opina.

Alimentação escolar sem agrotóxico

O acampamento, por meio da Associação Filhos da Terra, atende a quatro municípios pela rede estadual (Guaratuba, Morretes, Antonina e Pontal do Sul) e outros três (Matinhos, Antonina e Guaratuba) pela rede municipal de educação, por meio do PNAE. A cada semana são enviados para a rede estadual 1080 kg de tubérculos, 1545 kg de frutas, 390 kg de hortaliças e 45 kg de tempero, informa Ana Paula Rodrigues. A moradora explica que para a rede municipal a quantidade varia de acordo com a demanda da nutricionista escolar e, além dos alimentos in natura, também são enviadas geleias, doces e polpas de frutas. “Tudo produção agroecológica certificada”, destaca.

Jonas Souza diz que a expectativa para 2018 é criar uma cooperativa e participar de novas chamadas públicas. Até o fim deste ano, uma nova unidade deve ser finalizada, para processar os alimentos e ampliar a produção. No espaço atual, são descascados e embalados alimentos como mandioca, abóbora e palmito, e higienizados o restante dos outros produtos que chegam das hortas das famílias. Também são produzidas geleias e polpas de frutas.  “A produtividade está aumentado e é natural que isso acontece:  as famílias vão ganhando mais experiência na técnica, o mercado vai se abrindo para a produção da agroecologia e as agroflorestas começam a se recuperar e a crescer espécies novas”.

Paraná é destaque na produção de orgânicos

De acordo com dados do Ministério da Agricultura e Abastecimento, o Paraná é o estado com maior número de propriedades rurais orgânicas certificadas, com mais de duas mil unidades.

Parte dos alimentos orgânicos produzidos no estado são comercializados pela Cooperativa Central da Reforma Agrária do Paraná (CCA-PR), que centraliza 17 cooperativas regionais e a produção de mais de 20 mil famílias nos 311 assentamentos paranaenses da reforma agrária. Os alimentos chegam até os consumidores de diversas formas e neste mês a CCA-PR lançou um site que facilita ainda mais a compra dos produtos para quem mora na capital Curitiba.

“O Paraná reúne experiências de bastante tempo na agroecologia e um exemplo disso é a Jornada de Agroecologia que já está em sua 16ª edição”, lembra Katya Isaguirre, se referindo a um dos maiores eventos nacionais de incentivo à agroecologia que aconteceu no final de setembro, na cidade da Lapa. “O trabalho da Associação para o Desenvolvimento da Agroecologia (Aopa) é outro exemplo porque reúne grupos de agricultores familiares de Curitiba e região metropolitana para acessar programas como o PAA e PNAE e fazer vendas diretas e nas feiras”, completa.

Edição: Ednubia Ghisi

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Por Renato Aroeira
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