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domingo, 30 de setembro de 2018

Angela Maria, rainha do rádio, morre aos 89 anos

Internada havia mais de um mês em SP, a cantora teve uma parada cardíaca. Ela tinha 89 anos.

Artista ficou conhecida como "rainha do rádio" e esse ano completou 70 anos de carreira. Foto: Divulgação

Aos 89 anos, morreu em São Paulo, a cantora Angela Maria. Ela estava internada há 34 dias, no Hospital Sancta Maggiore em decorrência de um quadro de infecção. O velório e o enterro ocorrerão hoje (30) no Cemitério Congonhas. De acordo com a família, foi um período de sofrimento para a artista.

A cantora morreu na noite deste sábado (29). Em um vídeo, publicado no Facebook, Daniel D’Angelo, marido da cantora, Alexandre, um dos quatro filhos adotivos do casal, e um assessor confirmaram a morte e pediram orações. Também afirmaram que jamais deixarão a estrela dela apagar.

Angela Maria, conhecida como a Sapoti, foi uma das rainhas do rádio e de estrondoso sucesso entre os anos de 1950 e 1960, em um vídeo no Facebook. "É com meu coração partido que eu comunico a vocês que a minha Abelim Maria da Cunha, a nossa Angela Maria, partiu, foi morar com Jesus", disse Daniel D’Angelo.

Vida

Angela Maria, nasceu em Conceição de Macabu, no Rio de Janeiro. Foi operária e teve várias atividades profissionais, mas sempre quis seguir carreira artística. Mas jamais deixou de cantar.

A artista se consagrou na era dourada do rádio, tornando-se uma referência ao lado de Maysa, Nora Ney e Dolores Duran. Recentemente, a cantora disse que gravou 114 discos e vendeu aproximadamente 60 milhões de exemplares.

Em 2012, tentou seguir carreira política. Candidatou-se a vereadora da cidade de São Paulo, mas não se elegeu. Há três anos foi lançada a biografia “Angela Maria: a eterna cantora do Brasil”, escrita pelo jornalista Rodrigo Faour, que reuniu depoimentos e relatos da cantora.

sábado, 29 de setembro de 2018

VITÓRIA SOUZA – A BELA DA SEMANA


Venturosos são os olhos que podem testemunhar o espetáculo feminino externado nos traços que compõe a formosura sem igual... Ela, um deleite para aqueles que se deixam seduzir pelo encanto, pela morenice, pelo fascínio da mulher cujo a cor é inebriante... Um viva ao deleite de nossas pupilas, fascinadas pela formosura desmedida de quem existe para encantar...

Uma beleza nítida a de Vitória Souza, formosura indiscutível que tem em si os caprichos que tornam a mulher um ser genial, atentemos aos detalhes que ultrapassam a pele morena, deleitemo-nos na delicadeza de gestos que pelo capricho natural do existir, está para nos prender o olhar...

Toda forma de beleza merece ser propagada, pecaríamos se não difundíssemos aquilo que é aprazível ao sentido da visão, por isso, o pedestal das belas é pisado pelos formidáveis pés de Vitória, ela que ao nascer mulher se fez suprema, é natural que ela seja enaltecida e que tenha diante de si uma miríade de súditos deslumbrados com a magia proveniente de sua beleza.

Na venturosa oportunidade de cultuarmos a beleza feminina, chegamos ao capricho denominado Vitória, ela que em sua singular formosura, adorna com esmero esta vitrine de belas...

A supremacia feminina deve ser evidenciada aos quatro cantos, aqui externamos nosso respeito e nossa reverência para quem está além de nossas palavras, os elogios não definem a exatidão do que está exposto nos traços que compõem a imagem da bela Vitória Souza.

Divulgar tamanha beleza é para nós uma honra e um privilégio, brindemos a oportunidade que hora nos é concedida, a honra de enriquecermos nossa página com este inefável colírio...

A beleza existe, é Vitória às nossas retinas...

Deleitemo-nos na imagem sem igual da musa que neste ensejo homenageamos, eis um toque de classe a nossa página, Vitória Souza é a Bela da Semana.

*ALEXANDRA VITÓRIA DE SOUZA – Marilena – PR – Filha de Donizete de Souza e Luciana de Souza.
Vitória é corinthiana, cursa o 9° Ano do Ensino Fundamental no Colégio Estadual Princesa Izabel, também faz curso de espanhol.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Xadrez das tacadas finais antes do 1o turno


Por Luiz Nassif 
No GGN

Indício 1 – a manipulação recorrente na véspera das eleições.

Na véspera das eleições de 2014, a revista Veja produziu uma matéria falsa, de capa, com supostas informações de que Lula e Dilma teriam participado dos esquemas de propinas para financiamento de campanha. Foi uma jogada articulada em que, adicionalmente à revista, foram impressas e distribuídas milhões de capas da revista.

Tratava-se claramente de um crime eleitoral. No jantar da posse de Dilma Rousseff, compartilhei uma mesa com o Procurador Geral da República Rodrigo Janot. Indaguei se não seria tomada nenhuma providência em relação ao vazamento. Dois crimes teriam sido cometidos: o suposto vazamento de uma delação mantido sob sigilo; e a manipulação da declaração.

Janot tirou o corpo, alegando que provavelmente o vazamento foi produzido pelos advogados do réu. E ai? Cometeu crime do mesmo modo. O MPF não iria apurar? O PGR mudou de assunto.

Há um histórico de manipulações midiáticas nas vésperas de cada eleição. Relembrando as mais notórias

Sequestradoras de Abilio Diniz aparecendo nas fotos com camisas do PT, enfiadas neles pela Polícia.
Armação da Lunnus, que acabou com a candidatura presidencial de Roseane Sarney, envolvendo José Serra, procurador da República, delegado da Polícia Federal e Globo.
Episódio dos aloprados nas eleições de São Paulo, envolvendo Polícia Civil, José Serra e Globo e valendo-se do mesmo cenário, de notas arrumadas em pacote servindo de fundo para a gravação.
Bolinha de papel, na encenação grotesca de José Serra, envolvendo Serra e Globo..
Operações com estardalhaço na AP 470 e na Lava Jato, sempre em fases decisivas do período eleitoral, aí mostrando a participação direta do MPF e da PF, e não mais ações isoladas, como a da Lunnus.
Portanto, tem-se um padrão claramente definido, nas eleições brasileiras, possível dentro de um ambiente de cartelização da mídia, de criação de factoides visando interferir indevidamente nas eleições.

Indício 2 – os factoides de 2018

Há dois factoides possivelmente sendo guardados para a reta final das eleições: ou do 1º turno ou do 2º turno, tal a confusão de possibilidades.

Um, é a undécima repetição da delação de Antônio Palocci, agora pelo Ministério Público Federal do Distrito Federal, o mais partidarizado depois de Curitiba. O STF (Supremo Tribunal Federal) já havia começado a questionar o escândalo de delações declaratórias, sob pressão, sem a apresentação de provas.

A Lava Jato cozinhou o  “espertíssimo” Palocci em banho-maria. Fê-lo dar declarações autodesmoralizantes, seguindo o script de um brilhante roteirista curitibano – que incluiu até um “pacto de sangue” entre Emilio Odebrecht e Lula na conversa. Palocci pagou na frente e não levou. Os procuradores já tinham obtido o que queriam – manchetes jornalísticas contra o adversário político

Agora, repete-se o jogo. Palocci entrega na frente, procuradores e delegados atropelam os regimentos e divulgam para a mídia, o CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) aceita de forma complacente e atinge-se novamente o objetivo.

O segundo factoide é Adélio Bispo de Oliveira, o estaqueador de Bolsonaro.

Há uma série de fatores que conduzem a narrativas opostas, ambas perigosas:

Fator 1 – seu isolamento na cadeia, inclusive longe do contato com seus advogados.

Fator 2 – ainda não se saber quem banca os advogados e como apareceram no local em cima do fato.

Fator 3 – a atuação do delegado Francesquini (maior representante da ala barra-pesada da PF) pretendendo impedir entrevistas agora.

Fator 4 – a informação de que o juiz autorizou entrevista de Adélio à revista Veja na 6ª feira anterior ao dia da eleição.

Fator 5 – a primeira etapa das investigações constatou que Adélio agiu sozinho, tem problemas mentais e todos os indícios confirmam sua versão, a maneira como soube da visita de Bolsonaro a Juiz de Fora, seu aprendizado com facas em açougues etc. Em suma, nenhum indício de participação de outras pessoas. Mas, agora, anuncia-se o encerramento da primeira parte da operação e a abertura de uma segunda rodada, visando apurar a existência ou não de uma ação articulada.

A alegação do delegado Francesquini , para impedir a entrevista agora, foi a de não permitir que Adélio fale alguma coisa que prejudique Bolsonaro. Pode ser que sim.

Mas pode ser também para que não comprometa ou tire o impacto da última entrevista, onde poderia apresentar outra versão, em desenvolvimento até 6ª que vem, visando incriminar o PT e Lula. Do mesmo modo, o republicanismo exemplar das investigações da PF, até agora, pode ser apenas uma estratégia de despiste para o lance seguinte.

Em 2014, depois de intensa discussão, o Jornal Nacional não bancou a capa da Veja.

Agora, se tem a mesma revista, esvaindo em sangue, com dificuldades enormes em caixa, e com a possibilidade de interferir novamente nas eleições.

Para a última edição antes da votação do 1º turno, a revista tem dois materiais:

A delação de Antônio Palocci aos procuradores do Distrito Federal. Esse material está há algumas semanas com ela. A demorar em divulgar ou se prende a negociações com alguns dos atingidos (BTG Pactual) ou visando soltar em cima das eleições.
Na 6ª feira, a entrevista com Adélio, sabendo-se da histórica  capacidade da revista de manipular fatos.
Junto a isso, uma grande dificuldade financeira.

As saídas possíveis

No seu período de presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Ministro Luiz Fux ameaçou as fakenews com os dardos do Olimpo. Envolveu ABIN, Polícia Federal, Ministério Público em uma equipe destinada a combater “antecipadamente” os boatos. E garantiu que eleição que fosse conquistada com notícias falsas seria anulada.

Deixemos as jactâncias de lado para analisar o que se apresenta.

Há a possibilidade concreta de um enorme fakenews espalhado pela mídia na véspera das eleições e, portanto, sem dar condições para que sejam desmentidos.

Há sinais concretos de que o principal instrumento de fakenews da última década, a revista Veja, está se preparando para abordar dois temas potencialmente explosivos.

Nos últimos dias, Ministros do STF passaram a criticar abertamente vazamentos e uso político das delações.

Para preservar um mínimo de seriedade dos tribunais superiores e dos Conselhos corporativos, duas medidas se fazem necessárias:

1ª Medida – a Procuradoria Geral da República (ah, bobagem!), digo o Conselho Nacional do Ministério Público expedir  uma notificação alertando para a proibição de divulgação de inquéritos ou delações, insistindo na possibilidade de crime funcional qualquer vazamento com implicações políticas.

2ª Medida – uma medida cautelar, impedindo a entrevista de Adélio na 6ª feira, devido ao pouco tempo antes da votação para que elas sejam checadas.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Por falta de cadastro biométrico, 5,6 milhões não poderão votar

Medida atinge eleitor "com menor grau de instrução, em localidades onde o acesso à informação é precária", alerta professora da UFC Juliana Diniz.

Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Pelo menos 5,6 milhões de eleitores estão com os títulos cancelados pelo Tribunal Superior Eleitoral, isso porque não responderam à convocação para o cadastramento biométrico. O assunto ganhou as manchetes dos jornais apenas nesta semana, após o PSB ajuizar uma ação no Supremo Tribunal Federal para garantir a participação desses votantes. O quadro, observado como decisivo para o resultado eleitoral desde ano, foi apresentado pela doutora em direito e professora da Universidade Federal do Ceará, Juliana Diniz, em artigo para o jornal O Povo.

"Para que se tenha uma ideia da magnitude do impacto, a diferença de votos entre Dilma e Aécio no segundo turno de 2014 não ultrapassou os 3,5 milhões de votos, número inferior ao de cancelados", aponta no texto que o GGN reproduz a seguir, na íntegra.

Diniz ressalta que muitos cidadãos irão saber que seus títulos foram cancelados apenas no dia da eleição, e completa que a medida ainda não é obrigatória na capital, mas atinge eleitores "com menor grau de instrução, em localidades onde o acesso à informação é precária", onde o TSE decidiu iniciar a implementação de biometria. Assim ela conclui que o resultado de medidas como esta, mal implementadas, "podem violar direitos ao invés de assegurar a lisura".

O Povo
A multidão de eleitores inexistentes

As últimas pesquisas indicam que os candidatos precisarão conquistar alma a alma para se eleger, amansando rejeições ou convencendo indecisos. O resultado da eleição talvez dependa mais da burocracia que da campanha: mais de 5,6 milhões de eleitores não poderão votar por terem faltado à convocação da Justiça Eleitoral para o cadastramento biométrico obrigatório, conforme dados do TSE divulgados pelo Estadão. O cancelamento dos milhões de títulos tem o potencial de mudar o destino não só da disputa majoritária, mas também da composição dos Parlamentos. Por ignorância, boa parte desse eleitorado só saberá do cancelamento do seu título no dia da votação.

Os dados vieram à tona esta semana, depois que o PSB ajuizou ação no STF para garantir o direito de votar aos milhões de excluídos. O partido, que se manteve neutro na disputa presidencial, questiona o impacto dos cancelamentos na legitimidade das eleições. A ação revela um cenário dramático de violação de direitos políticos. Para que se tenha uma ideia da magnitude do impacto, a diferença de votos entre Dilma e Aécio no segundo turno de 2014 não ultrapassou os 3,5 milhões de votos, número inferior ao de cancelados.

O cadastramento biométrico tem sido realizado por etapas. No Ceará, eleitores de pelo menos 129 municípios já deveriam ter passado pelo procedimento. Os números demonstram, contudo, que uma parcela considerável de votantes deixou de atender à convocação, indicando que seria necessário mais tempo para implantar adequadamente a medida. O total de cancelamentos no Estado em 2018 chega a 614.377 títulos: 77,4% desse total por falta de cadastramento biométrico. A medida ainda não é obrigatória para os eleitores da Capital.

O Brasil é um exemplo mundial de eficiência em matéria de procedimento eleitoral. Graças à tecnologia, eleições com magnitude continental transcorrem com rapidez e segurança inigualáveis. O recurso à biometria busca a modernização do combate às fraudes e é louvável. A ação proposta no STF demonstra, contudo, que medidas mal planejadas, ainda que boas, podem violar direitos ao invés de assegurar a lisura. É intuitivo que o número maior de atingidos esteja entre eleitores com menor grau de instrução, em localidades onde o acesso à informação é precário. O risco à democracia é real num pleito que se decidirá voto a voto. Na tentativa de espantar eleitores fantasmas, acaba-se por criar, pela via burocrática, uma nova legião de excluídos.

Juliana Diniz
julianacdcampos@gmail.com
Doutora em Direito e professora da UFC

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Brasil ainda é negligente com a exploração e o tráfico de mulheres

Mulheres e crianças representam 82% das vítimas de tráfico de pessoas no mundo, e o Brasil é o país com maior incidência na América do Sul, de acordo com o Escritório das Nações Unidas para o Combate às Drogas e ao Crime (UNODC). Este domingo (23), marca a data do Dia Internacional contra a Exploração Sexual e o tráfico de Mulheres e Crianças. Para quem estuda e denuncia o tema, o país tem negligenciando o fenômeno e suas vítimas.

Por Júlia Dolce

De acordo com o balanço de dados colhidos pelo Disque 100, canal de denúncias relativas a casos de violação de direitos humanos, o Brasil teve 175 mil casos de exploração sexual de crianças e adolescentes entre 2012 e 2016, o que significa quatro casos por hora. Em relação ao tráfico de pessoas, o Disque 100 já mapeou este ano 14 casos até julho. Já o Disque 180, canal destinado a receber denúncias de casos de violência contra a mulher, registrou 102 ocorrências apenas em 2018, de acordo com o Ministério de Direitos Humanos.

Exploração no Pará

No entanto, os números representam apenas os casos que chegaram ao conhecimento do canal, o que indica subnotificação. Segundo a ativista Rebecca Souza, integrante do Grupo Assessor da Sociedade Civil (GASC) da Organização das Nações Unidas para Mulheres (ONU Mulheres), não existem programas eficientes para combater o fenômeno no país. Souza atua no Pará, segundo estado com maior número de exploração sexual infanto-juvenil.

"Tradicionalmente a região Norte é uma das mais afetadas, tanto com a questão da exploração sexual quanto pelo tráfico de mulheres. A rota do tráfico toda é aqui pelo Norte, pelo Pará. O Brasil é o quarto país em casamentos infantis, o sexto em exploração sexual e o terceiro na questão do tráfico de mulheres. O que estamos fazendo para combater isso? Não existe até hoje nenhum plano de nenhum governo que tenha combatido diretamente essa questão, principalmente aqui no Norte. Temos coletivos de mulheres e iniciativas de instituições como a ONU, mas não vemos isso sendo debatido", afirma.

Souza relatou a questão das meninas "balseiras", que vivem em locais próximos à Ilha de Marajó, no Norte do estado, região com um dos menores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do País. As meninas são levadas de barco até as balsas, que realizam trabalhos marítimos, e são exploradas sexualmente em troca de comida ou dinheiro. Além disso, ela relatou a rota de tráfico dos garimpos e da construção de grandes obras na região.

"Na maioria das vezes, o primeiro passo é levar as mulheres para o garimpo, depois algumas vão para a Europa, mas a maioria das que saem do país são as mulheres transexuais. Algumas realmente estão indo acreditando em uma questão de trabalho, chegam lá e é prostituição.

Também há vários relatos de mulheres que foram sequestradas até mesmo na rua. Depois da construção de Belo Monte, por exemplo, a gente teve 60% de aumento de exploração infanto-juvenil. Muitas vezes, o próprio governo é omisso ou causador dessa questão, no momento em que constrói uma grande obra mas não se atenta para os impactos sociais que ela pode ter", denuncia.

De acordo com o psicólogo Antônio José Ângelo Motti, professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) e ex-coordenador do projeto da Estratégia Regional de Enfrentamento ao Tráfico de Crianças e Adolescentes para Fins de Exploração Sexual no Mercosul (PAIR), a situação no Brasil é preocupante. Motti relata que os compromissos assumidos por meio do relatório final do programa, assinado em 2013, não foram cumpridos desde então.

Descaso governamental

"Hoje, não tem nenhuma mobilização a partir de uma estratégia nacional de proteção às crianças nas regiões de fronteiras. As legislações não foram alteradas para dar cobertura a essas ações. Para mim é muito preocupante, porque é um recurso enorme que foi gasto, seja financeiro, social ou institucional, milhares de pessoas nas 15 cidades onde o programa foi desenvolvido, para um produto estático. Então é um quadro de total negligência das autoridades nesse sentido, elas deixam de cumprir suas obrigações", analisa.

O projeto apresentava propostas de trabalho para as cidades fronteiriças do Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia, no âmbito da agenda da Convenção Internacional dos Direitos das Crianças, e trazia diretrizes, como o comprometimento dos governos nacionais na mobilização de políticas públicas, estimulação de campanhas conjuntas, divulgação de canais de denúncia e a implementação de sistemas de gestão de dados sobre o tráfico de crianças e adolescentes.

"A partir do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff isso foi totalmente esquecido, a partir de 2014. Com o governo Temer isso não foi recuperado também. Os governos já não estavam tão preocupados com os direitos humanos, principalmente de crianças e adolescentes. Houve uma queda acentuada no nível do status designado para esse campo das políticas públicas, isso foi um desprestígio muito grande, de tal forma que não foi monitorado pelas autoridades, nem pelos dirigentes. Infelizmente vimos esse processo de esvaziamento total da importância da agenda de
Direitos Humanos nos governos", opina.

O Brasil também é signatário, desde 2014, do Protocolo Adicional à Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional Relativo à Prevenção, Repressão e Punição do Tráfico de Pessoas, em especial Mulheres e Crianças, conhecido como Protocolo de Palermo. Desde 2006, o país já teve três Planos Nacionais de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, sendo que o último corresponde ao Decreto 9.440, publicado no Diário Oficial da União, em 3 de julho deste ano. Destinado aos próximos quatro anos, o programa traz 58 metas destinadas à prevenção, repressão ao tráfico dentro do território nacional e responsabilização dos autores.

A Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas é comandada pelo Ministério da Justiça (MJ). Contatada, a coordenadora da área não pode se pronunciar até a publicação da matéria, mas ressaltou que não existe nenhuma programação governamental para a data do 23 de setembro, porque o Ministério trabalha apenas com o Dia Mundial de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, celebrado no dia 30 de julho.

De acordo com Rebecca Souza, a partir de janeiro de 2019, a ONU Mulheres implementará a campanha #ElaDecide, referente ao combate à exploração infanto-juvenil, com enfoque no norte do Brasil.

Fonte: Brasil de Fato

terça-feira, 25 de setembro de 2018

População de rua deve ficar fora do Censo 2020

Pauta antiga de entidades da área de direitos humanos, a informação sobre o número de pessoas em situação de rua no país deve continuar desconhecida após o Censo 2020 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o instituto, o assunto é estudado pela equipe técnica, porém ainda sem previsão de inclusão no levantamento.

Em 2014, o IBGE chegou a fazer um pré-teste no município do Rio de Janeiro, mas houve dificuldade em executar a pesquisa com populações sem domicílio devido à necessidade de metodologias de amostragem, logística de campo e abordagem do entrevistado.
“Nossas pesquisas consideram apenas domicílios permanentes, e identificar pessoas em situação de rua exige um grande esforço de mobilização, em particular em países com grandes territórios, como o Brasil”, informa o IBGE.

De fevereiro a abril deste ano, o instituto abriu pela primeira vez uma consulta pública para que pessoas e instituições apresentassem sugestões de temas e perguntas para o questionário do Censo Demográfico 2020 por meio do Portal do IBGE.

A necessidade da contagem do número de pessoas que se encontram atualmente nessa condição é uma reivindicação principalmente de instituições e movimentos ligados ao tema, mobilizados em nível nacional. “A população em situação de rua tem pressa, tem uma urgência histórica de ser visibilizada nessa pesquisa”, ressalta Manuel Torquato, representante da Campanha Nacional Criança Não é da Rua, do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda).

Em maio, o IBGE começou o primeiro teste de coleta de dados para o Censo 2020 pela internet em 52 municípios das cinco grandes regiões, incluindo domicílios de todas as capitais e cidades com mais de 500 mil habitantes.

Entre 20 de agosto e 6 de setembro foi realizada a primeira prova piloto do questionário temático do Censo 2020, com perguntas específicas para indígenas, quilombolas e outros povos e comunidades tradicionais. O censo pretende refinar a identificação de povos indígenas e incluir as comunidades quilombolas por meio de uma questão de pertencimento específica, em conformidade com o Decreto nº 8.750 de 2016, que institui o Conselho Nacional dos Povos e Comunidades Tradicionais.

A inclusão da população em situação de rua no Censo 2020 já havia sido solicitada pelo Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política Nacional para a População em Situação de Rua (Ciamp-Rua), instituído em conjunto com a Política Nacional em Situação de Rua pelo Decreto nº 7.053 de 2009.

"Depois de muita dificuldade, o IBGE vai incorporar agora povos e comunidades tradicionais, já incorporou populações indígenas e quilombolas, agora é preciso avançar na identificação dessa população invisibilizada pela nossa sociedade. É muito importante que o IBGE como órgão oficial de pesquisa faça essa investigação, porque trabalha com categorias próprias, é uma política pública importante, é preciso conhecer para poder atuar", destaca a procuradora federal dos Direitos do Cidadão, Deborah Duprat.

Metodologia

Em 2014, o IBGE chegou a fazer um pré-teste no município do Rio de Janeiro. Segundo o instituto, houve dificuldade em executar a pesquisa com populações sem domicílio devido à necessidade de metodologias de amostragem, logística de campo e abordagem do entrevistado.

“A gente não pode aceitar que o principal instituto de pesquisa do país não faça essa contagem porque diz não ter metodologias. No mundo, existem várias e aqui mesmo no Brasil temos metodologias interessantíssimas. A gente tem apontado isso para o IBGE e esse diálogo não acontece por falta de abertura do órgão”, afirma Manuel Torquato, do Conanda.

O levantamento mais recente sobre essa população foi feito em 2016 pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), que estimou em 101.854 pessoas o número de pessoas situação de rua no Brasil.

A pesquisa usou dados de 1.924 municípios por meio do Censo do Sistema Único de Assistência Social (Centro Suas), e a estimativa considerou fatores crescimento demográfico, centralidade e dinamismo urbano, vulnerabilidade social, serviços voltados à população de rua e o número de pessoas em situação de rua inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do governo federal (Cadastro Único). O documento publicado pelo Ipea aborda a necessidade de dados oficiais sobre essa população. “[A ausência de dados oficiais sobre a população em situação de rua], justificada pela complexidade operacional de uma pesquisa de campo com pessoas sem endereço fixo, prejudica a implementação de políticas públicas voltadas para esse contingente e reproduz a invisibilidade social da população de rua no âmbito das políticas sociais.”

No dia 23 de julho deste ano, data em que foram lembrados 25 anos da Chacina da Candelária no Rio de Janeiro, quando oito jovens em situação de rua foram assassinados, organizações ligadas ao tema se mobilizaram nas sedes do IBGE em 15 estados para entregar à coordenação geral do Instituto um documento com a proposta de inclusão de uma pergunta na pesquisa domiciliar do Censo 2020 relacionada a essa população. A proposta é que as pessoas entrevistadas em suas casas respondessem sobre a existência de algum integrante da família em situação de rua.

“A inclusão dessa pergunta não nos diria quantas pessoas estão em situação de rua, mas já nos daria o dado de quantas famílias dizem possuir pessoas em situação de rua no Brasil. O IBGE respondeu novamente que não possui metodologia pra fazer uma pesquisa com essa população, mas não era isso que estávamos pedindo naquele momento”, acrescenta Torquato.

Estudos que pudessem quantificar e permitir a caracterização socioeconômica das pessoas em situação de rua são reivindicados como uma ação prioritária desde o 1º Encontro Nacional da População em Situação de Rua realizado, em setembro de 2005.

De 2007 a 2008, o Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário promoveu o 1º Censo e Pesquisa Nacional sobre População em Situação de Rua e apontou um total de 31.922 pessoas nessa situação nos 71 municípios onde a pesquisa foi realizada – cidades com mais de 300 mil habitantes e capitais.

O estudo teve como alvo pessoas com 18 anos ou mais que se encontravam nessa condição, mas não foi feito com o objetivo estimar o total da população em situação de rua no país. Importantes capitais que já contavam com pesquisas nesse sentido foram excluídas da pesquisa, caso de São Paulo, Recife, Belo Horizonte e Brasília.

O ministério usou dados disponíveis nas secretarias e conselhos estaduais e municipais de assistência social por meio do Censo do Sistema Único de Assistência Social (Centro Suas) e equipamentos públicos os Centros de Referência da Assistência Social (Cras), Centros de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) e Centros de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centros POP).

Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Neruda, o poeta que cantou a identidade latino-americana

Há 45 anos, a América Latina perdia um de seus maiores escritores: o chileno Pablo Neruda (1904 - 1973). Amigo pessoal de Salvador Allende, presidente do Chile que promoveu transformações sociais no país na década de 1970 e foi deposto por um golpe militar, Neruda é reconhecido como um dos poetas mais relevantes do século 20. Não por acaso, recebeu o Prêmio Nobel de literatura em 1971.

Neruda e Allende

Por Mayara Paixão

Para um país no qual a memória histórica é algo sagrado, o Chile guarda viva a presença de Neruda, como conta Franco López, chileno há oito anos no Brasil e pesquisador em América Latina: "Neruda é uma referência para qualquer chileno, algo que você vai aprender desde pequeno. Qualquer criança com cinco, seis anos no colégio vai estar recitando um poema de Neruda, vai conhecer a poesia e faz parte da nossa memória histórica".

Até hoje, a causa de sua morte não é certa. Ele morreu doze dias após o processo de golpe dos militares. A versão oficial alega que tenha sido causa natural, em decorrência de um câncer de próstata que o poeta carregava. Para muitos chilenos, porém, permanece a ideia de que ele foi envenenado pela ditadura neoliberal de Augusto Pinochet. Seu corpo já foi exumado quatro vezes.
Durante sua militância política, Neruda compôs a chamada ‘Geração de 1938’ e integrou as fileiras do Partido Comunista, em busca de uma sociedade mais justa e que conseguisse fazer uma transição para o regime socialista. Poeta engajado, muitos mitos também foram criados em torno de seu trabalho. Um deles se refere à participação do chileno no chamado Realismo Socialista, corrente artística da então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) entre as décadas de 1930 e 1960.

O pesquisador em literaturas hispânicas e assistente de pesquisa na Yale University (EUA), Gabriel Lima, explica, apesar da comum associação, ela não é correta. "Neruda, já nos anos 60, fez um balanço crítico das atividades do stalinismo na União Soviética e sempre se colocou contra a doutrina do realismo socialista que preconizava uma utilização da arte como forma de propaganda política", conta.

Amor e política

Neruda é muito conhecido por suas obras que versavam sobre o amor, mas, seu trabalho vai além disso. Em uma época na qual a literatura sul-americana ainda era marcada por muitos regionalismos, ele demonstra um conhecimento grande sobre a poesia europeia e ajuda na renovação do verso na América Latina. Sua obra é dividida entre o amor e a política.

"Ele participa de um processo de construção da identidade latino-americana que vai ser fundamental para todos os escritores que virão depois", explica Lima.

Uma de suas obras mais conhecidas é Canto Geral, publicada em 1950 e escrita em meio a Guerra Fria e um contexto de perseguição aos comunistas em diversos países, inclusive no Chile. "Nela, ele canta o Partido Comunista chileno, a luta dos trabalhadores espanhóis, a Revolução Russa e inúmeros processos de luta popular na América Latina, então diria que essa é a obra mais importante do ponto de vista político e literário".

Contradições

Assim como muitos escritores brasileiros, Neruda também é apontado por carregar contradições em sua obra. Uma das principais delas diz respeito às mulheres e a forma como são abordadas nos seus escritos. São versos como:

Corpo de mulher, brancas colinas, coxas brancas,

pareces-te com o mundo na tua atitude de entrega.

O meu corpo de lavrador selvagem escava em ti

e faz saltar o filho do mais fundo da terra.

Trecho do poema "Canto de mulher" (1924)

Desde a década de 1990, porém, a crítica literária acompanha os avanços da sociedade e tem se preocupado, cada vez mais, com questões ligadas às mulheres.

"A crítica aponta uma certa idealização excessiva da figura da mulher e uma delegação à mulher do prazer sexual do homem, a atribuição a mulher de papeis que sejam mais significativamente ligados ao prazer sexual do que outra coisa. Existem esses aspectos problemáticos na poesia dele, o que hoje vem sendo discutido como na obra de muitos escritores. A gente sabe que todos os seres humanos são repletos de contradições.

Legado

Lado a lado com suas contradições, Pablo Neruda deixou mais do que uma herança intelectual para a literatura latino-americana. Aos amantes de sua obra, ou admiradores de sua trajetória profissional, a afirmação de que as sociedades atuais têm muito a aprender com seu legado é comum.

"Fica o legado do Neruda tanto quanto ativista político quanto como poeta para todos nós que hoje estamos enfrentando processos de crescimento do ódio na América Latina, de ameaças, de governos antidemocráticos. Neruda, pouco antes de morrer, escreveu "Yo no voy a morirme, salgo ahora, en este dia lleno de volcanes, hacia la multitud, hacia la vida" (saio do meu leito para a vida, para as multidões)", opina Lima.

O chileno Franco López também relembra a atualidade de Neruda. "É alguém que sempre está presente, que eu particularmente identificaria como um latino-americanista. Tem um poema muito interessante que, a partir da chegada de Hugo Chávez no poder, diz que a cada cem anos Simón Bolivar renasce nos povos."

Hoje, o Chile, assim como outros países da América Latina, vive uma onda conservadora sob o governo de Sebastián Piñera. Político de centro-direita, ele interrompeu uma trajetória de dez anos de governos progressistas no país.

Simón Bolívar, citado no poema de Neruda, foi um chefe político e militar líder das revoluções que levaram à independência de países como Venezuela, Peru e Bolívia, ficamos com a esperança do poeta: “Desperto a cada cem anos quando desperta o povo.”

Fonte: Brasil de Fato

domingo, 23 de setembro de 2018

Bolívia, coração energético da América do Sul para 2025

O presidente Evo Morales afirmou hoje que Bolívia se converteria no coração energético de América do Sul para o 2025, ano no qual se espera uma geração de energia de nove mil megavatios (MW).


Depois da implementação de vários projetos de geração de energia, com criação de plantas termoeléctricas, hidroelétricas, eólicas, solares e geotérmicas, a nação sul-americana estaria em condições de produzir nove mil MW, para satisfazer a demanda interna e exportar a países vizinhos.

Recordou Morais que, a inícios de seu gerenciamento à cabeça do governo em 2006, se gerava no país uns 750 MW, o qual se mudou graças ao programa de desenvolvimento da Agenda Patriótica-2025, e agora a demanda interna é de mil 500 MW.

Precisou que na atualidade se produzem duas mil 100 MW, pelo que existe uma reserva de 600 MW, cifra que espera se incrementar com a posta em marcha no próximo ano das três termoeléctricas de ciclos combinados do país, que deverão incorporar uns mil MW ao Sistema Interconectado Nacional.

De tal maneira, a nação produziria mais de três mil MW para o 2019, ano no que se prevê exportar uma cifra superior aos 100 MW para Argentina, quando fique concluída a linha de transmissão nesse país.

Referiu que faz 12 anos quando se propôs gerar uns dois mil MW para 2025 em toda Bolívia, a ideia foi objeto de dúvidas, mas após debates entre autoridades e experientes se chegou à conclusão de que a nação conta com as condições de produzir para essa data os nove mil MW.

Ao respeito, argumentou que só com a construção da planta hidroelétrica de La Paz se gerariam três mil MW, sem contar com outros três mil que gerariam os já mencionados ciclos combinados das termoeléctricas de Warnes, departamento de Santa Cruz, Yacuiba (Tarija) e Entre Rios (Cochabamba).

O dignatario especificou que, com os ganhos obtidos através da exportação de energia, graças ao excedente criado, o governo nacional poderá atender todas as demandas do povo.

A respeito da Agenda Patriótica-2025, comentou que é um plano criado para favorecer ao povo com obras e, se não atinge o dinheiro, o auge da economia boliviana tem permitido solicitar créditos internacionais ou internos, aceder às reservas internacionais, porque já o país não é um Estado limosnero nem mendigo.

Agregou que dantes as leis da nação e o programa de governo eram regidas e estabelecidos por Estados Unidos, como sucedeu com o gerenciamento de Gonzalo Sánchez de Lozada durante os períodos de 1993-1997 e de 2002-2003.

Tudo o decidia a administração norte-americana, quanto à política, mediante a embaixada, enquanto no aspecto econômica as orientações chegavam do Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, todo baixo os postulados da privatização.

Por último, felicitou ao departamento de Santa Cruz por seu aniversário 208, ao mesmo tempo em que lamentou sua ausência nos festejos devido a sua participação na Assembléia Geral das Nações Unidas, que sesiona na cidade estadounidense de Nova York.


sábado, 22 de setembro de 2018

KAROLAINE SOUZA – A BELA DA SEMANA


Sua formosura supera dizeres, ela, autêntica musa a ter para si a nossa atenção, a atenção daqueles que se sentem seduzidos por um encanto proveniente unicamente dela, ela, sonho incontestável de muitos, porém, privilégio único daquele afortunado a quem ela julgar merecedor de seus fascinantes adjetivos. Tê-la neste rol de desejáveis, é para nós um privilégio, a honra de poder propagar a beleza cativante de quem existe para causar admiração.

Na lista das belas, certamente querem estar todas as mulheres, porém, a beleza em seu real significado é traduzida na imagem de mulheres de destaque, mulheres estas, que tem em si os componentes necessários que a tornam referência entre outras que almejam o mesmo ideal, o desejo de ser também classificadas entre as que naturalmente nasceram com o propósito de seduzir.

Karolaine Souza; por direito, compõe o rol das beldades que nesta página recebem os elogios de tantos súditos fatalmente seduzidos pela formosura escultural da mulher, mulher igual a esta que hora enaltecemos, Karolaine Souza, autoridade, ícone e exemplo daquelas referenciais sumidades que merecem pisar o pedestal das belas...

Não bastando a grandeza de sua condição feminina, Karolaine tem a simpatia, o respeito e a cordialidade para encantar a todos nós os seres menores e cativos aos seus desejados e também invejados adjetivos. Quando questionados a definir a perfeição, basta que apontemos para a imagem de uma mulher, basta que nesta descrição esteja o nome de Karolaine Souza, cuja imagem fala por si, tornando evidente aquilo que mil palavras traduzem.

Karolaine é parte daquelas tidas por únicas, daquelas dignas de subirem ao pedestal donde tão somente as magnificentes estão... Neste trabalho de divulgar a impecabilidade de nossas belas, é natural que por aqui apareceria a imagem de Karolaine Souza, e assim, a nós foi destinada a sorte de sua confiança para que ela nos regalasse a oportunidade de dar continuidade a este trabalho onde louvamos a grandeza feminina...

Constitui-se assim Karolaine, ela que nasceu para ser admirada, ela que tem a grandeza além de nossos dizeres, de nossa fala sempre aquém de sua enormidade de musa, assim é Karolaine Souza, assim rendemos-lhe nossa homenagem...

Apreciemo-na, pois, é o que nos cabe, é o que nos é conferido, a graça de poder decantar a magia da mulher, o mais perfeito exemplo da criação, ela existe para os olhos privilegiados, regozijemos, tais olhos são os nossos, poder vê-la neste panteão de belas é algo que supera a honra, sua estadia aqui é um privilégio, bendito seja o dia que ela nasceu, a natureza foi regalada com este ímpar adorno, a beleza tem vez e tem nome e está em evidência neste espaço, um brinde por ela existir, Karolaine Souza  é a Bela da Semana.

*KAROLAINE SOUZA – Nova Londrina-PR – Filha de :Vânia Mendes Ferreira e Reginaldo de Souza. Carolaine é torcedora do Corinthians.


sexta-feira, 21 de setembro de 2018

As pesquisas e os verbos


Por *Letícia Sallorenzo - a Madrasta do Texto Ruim

Primeiro, o contexto da bagaça: a situação 1 era o candidato A, preso e impedido de concorrer, na liderança isolada, seguido do candidato B (dsclp) no segundo lugar, com metade dos votos do candidato A. Tal situação persistiu até terça-feira da semana passada. Em 11 de setembro o contexto se alterou para a situação 2: candidato A’ entra no lugar do candidato A; candidato B mantém o segundo lugar.

Com isso, a pesquisa Ibope de ontem, na verdade, está medindo até que ponto A’ consegue emular A, e se o percentual de B se altera. O que o Ibope mediu: A’ cresceu 11 pontos percentuais em sete dias, e está em segundo lugar, sem empate com ninguém, enquanto B oscilou na margem de erro, e está em primeiro.

Observem os verbos que eu usei no parágrafo acima para falar de Haddad (o Alinha) e o Bolsonaro (Bê): oscilar para Bolsonaro e crescer para Haddad.

Agora vamos ver como os jornais deram destaque a isso. Claro que dona Pragmática vai nos ajudar na análise:

Bolsonaro atinge 28%; com 19%, Haddad se isola em 2º (Estadão, capa)

Haddad cresce 11 pontos e se isola no segundo lugar (Estadão, interna)

Bolsonaro segue líder e Haddad cresce 11 pontos, aponta Ibope (Folha, interna)

Bolsonaro lidera com 28%; Haddad vai a 19% e se isola em segundo lugar (Globo, capa)

Bolsonaro é líder, Haddad sobe 11 pontos (Globo, interna)


- Bolsonaro é líder / lidera / atinge;

- Haddad cresce / sobe e se isola.


Não sei quanto a vocês, mas eu tô aqui encasquetada com esse “se isola” do Haddad. É possível entender esse “se isolar” como “não está empatado na margem de erro com ninguém”, mas também é possível entender algo como Haddad estar à parte da corrida presidencial – tipo Daciolo nas montanhas.

Como nas manchetes eleitorais não há necessidade de catar cabelo em ovo, vou fazer de conta que não vi esse “isolamento”. Mas deixo ocêis tudo aí cas pulga atrás dazoreia.

Mas não consigo deixar de observar que em todas as manchetes de capa o tópico é Bolsonaro (que apenas oscilou); Haddad (que subiu inacreditáveis onze pontos) virou tópico só na manchete interna do Estadão. O importante é reforçar a liderança do Bolsonaro, né? E Segura, Berenice, que esta semana ainda tem Datafolha!


*Letícia Sallorenzo é jornalista pela UFRJ e mestra em Linguística pela UnB, onde defendeu em 2018 dissertação "Gramática e Manipulação: análise cognitivo-funcional de manchetes de jornais durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2014". Sob a alcunha de Madrasta do Texto ruim, mantém o blog Objetivando Disponibilizar.

Via - Jornal GGN

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Paulo Freire, o patrono da Educação Brasileira, completaria 97 anos

Há 97 anos, em 19 de setembro de 1921, nascia o educador pernambucano Paulo Freire. Em 2018, também são celebrados os 50 anos do livro Pedagogia do Oprimido, obra que revolucionou o sistema de ensino de adultos em todo o planeta, criando um modelo pedagógico que até hoje é inovador - e faz com que Paulo Freire seja o terceiro cientista brasileiro mais citado em trabalhos acadêmicos da área de humanas no mundo, segundo levantamento do Google Scholar.

Na foto, Paulo Freire que completaria 97 anos nesta quarta
O modelo de Paulo Freire, patrono da Educação Brasileira, parte do princípio da humanização do ensino e do reconhecimento da história e da cultura do aluno que, junto com o professor, vai construindo o processo de aprendizagem.

"Ele fez com que o processo de alfabetização fosse um processo de libertação, mais do que aprender a ler e a escrever, as pessoas aprendem um processo de leitura do mundo", disse o educador agrônomo Felipe Campelo, da Escola Popular de Agroecologia e Agrofloresta Egídio Brunetto, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), no assentamento Jaci Rocha, na Bahia, onde é aplicado o método pedagógico do Paulo Freire.

As primeiras experiências de Paulo Freire com a educação popular, aconteceram em Pernambuco, em 1961, quando era diretor do Departamento de Extensões Culturais da Universidade do Recife. Usando o seu método pedagógico, que cria uma consciência crítica e organizativa, Paulo Freire e sua equipe conseguiram alfabetizar 300 cortadores de cana em 45 dias. Décadas depois, se tornou uma importante ferramenta de organização do MST.

"O MST nesses 34 anos de história, ele assumiu para si a defesa da educação popular como legado dos trabalhadores na formação politica da classe, tomando-a como instrumento de luta na perspectiva de formação humana", aponta Rubneuza Leandro de Souza, do setor de educação do MST.

Em 1964, meses depois de iniciada a implantação do Plano, o golpe militar extinguiu esse esforço e Freire foi encarcerado como traidor por 70 dias. Em seguida, passou por um breve exílio na Bolívia e trabalhou no Chile por cinco anos para o Movimento de Reforma Agrária da Democracia Cristã e para a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação. Em 1967, durante o exílio chileno, publicou no Brasil seu primeiro livro, Educação como Prática da Liberdade, baseado fundamentalmente na tese Educação e Atualidade Brasileira,

A força desse pensamento continua presente nos dias de hoje, de acordo com Ângela Biz Antunes, diretora do Instituto Paulo Freire, com sede em São Paulo.

"Diante do cenário que estamos vivendo, seja no âmbito político, seja no âmbito social e educacional, diante das inúmeras manifestações de atentado à democracia, às ideias de pessoas progressistas, incluindo Paulo Freire, à intolerância para o diálogo, decidimos que a melhor forma de celebrar os 97 anos de Paulo Freire era criando condições para debater sua obra. Nesse sentido, organizamos publicações, preparamos, junto com outras instituições parceiras, cursos presenciais sobre Direitos Humanos, incluindo o debate sobre as contribuições freirianas para a educação em direitos humanos, cursos online, por meio da EaD Freiriana [metodologia de formação de pedagogos e introdução à obra de Paulo Freire à distância], sobre o pensamento de Paulo Freire", pontua Ângela.

Recentemente, o legado de Paulo Freire também foi fundamental para desmontar as tentativas de retrocesso no modelo de ensino. Entre eles, os diversos projetos ultraconservadores que tentam implementar a 'Escola Sem Partido', uma espécie de antítese da tomada de consciência de liberdade e reconhecimento das tendências de autoritarismo, que são frutos da pedagogia crítica de Paulo Freire.

"Ele parte do pressuposto que o educador e o educando devem dialogar, construir juntos o processo de conhecimento, a apropriação da cultura por parte do educando, e essa construção conjunta, feita de maneira dialógica, tem que partir da realidade do educando. e essa é uma sabedoria enorme porque se você não parte da realidade do educando, o aprendizado é externo à vida cotidiana e ele não retém aquilo que está sendo ensinado", disse Daniel Cara, da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.

No ano passado, um movimento liderado por setores conservadores fez uma tentativa de retirar de Paulo Freire o patronato da educação. Para barrar a iniciativa, foi criado o coletivo Paulo Freire por uma Educação Democrática, organizado pela Luiza Erundina, Anita Freire (viúva do educador) e Daniel Cara.

"A gente conseguiu manter ele como patrono na esperança que seja cada vez mais implementado", disse Cara.

Entre 1989 e 1991, Paulo Freire foi secretário de Educação da Cidade de São Paulo, na gestão de Luiza Erundina, na época eleita pelo Partido dos Trabalhadores.

Fonte: Brasil de Fato
Via – Portal Vermelho

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Idosos com mais de 70 anos representam a maior taxa de suicídio no Brasil

Entenda causas que levam a esta situação e possibilidades de prevenção.

Problemas de saúde, isolamento social causados pela viuvez, separações, distanciamento de filhos são algumas causas / Marcos Santos/USP Imagens.

Ana Lúcia Caldas
Radioagência Nacional

Problemas de saúde, isolamento social causados pela viuvez, separações, distanciamento de filhos e netos, perda de produtividade, além de depressão e doenças crônicas.

Essas são alguns dos fatores que contribuem para que os idosos com mais de 70 anos apresentem as maiores taxa de suicídio no país, segundo dados do boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde.

O coordenador do ambulatório do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, Rodrigo Leite ressalta que a população está envelhecendo o que pode gerar outros problemas.

"A gente está vivendo mais e com uma qualidade de vida pior e com doenças crônicas que geram incapacidade, geram sobrecarga familiar, geram empobrecimento por conta da perda de renda por conta da aposentadoria ou da incapacidade de trabalhar da questão da crise econômica que leva ao aumento dos planos de saúde. Se você soma todos esses fatores é um prato cheio para o risco de suicídio", diz.

O médico alerta também para o número de casos de alcoolismo entre os idosos.

Em muitas situações a fisioterapia, associada a outros tratamentos, pode também ser uma aliada para a saúde mental nessa fase da vida, como explica a fisioterapeuta Luisa Veríssimo.

"Os idosos com frequencia, eles perdem essa capacidade de realizar suas atividades de vida diária e através dos exercícios a gente consegue melhorar essa função ou devolver essa função ou senão melhorar. Eu acho que o tratamento fica no meio termo de saber ouvir e ao mesmo tempo identificar esses sinais que mostram que ele precisa de uma melhor qualidade de vida, de uma melhor execução do movimento, e casar essas duas frentes num tratamento global", explica.

Severina Moraes, aposentada do serviço público, está a caminho dos 70 anos e faz parte de um grupo de corrida. Ela já passou por um episódio de grande estresse. Para ela, a atividade física ajudou. Severina aconselha:

"O primeiro passo é sair do sofá. A vida é assim, tem problemas e tem soluções também. Se você se identifica com artesanato, vá fazer artesanato. Música, tem aulas de música. Exércicio físico, yoga".

No ano passado, o Ministério da Saúde lançou uma agenda estratégica para atingir meta da Organização Mundial da Saúde de redução de 10% das mortes por suicídio até 2020

Segundo a diretora do Departamento de Ações Programáticas Estratégicas da pasta, Thereza de Lamare, o Brasil está abaixo da média de registro de suicídios em relação a outros países. Ela ressalta a importância dos dados do Boletim Epidemiológico de Tentativas e Óbitos por Suicídio no Brasil.

"Nos ajudam a orientar onde a gente deve atuar, onde a gente deve atuar como a gente deve atuar, de que forma a gente deve atuar. É uma ação muito importante que nós temos junto a outras áreas do Ministério da Saúde, aponta.

Thereza de Lamare fala das ações do Ministério da Saúde.

"Nós iniciamos um trabalho desde o ano passado, desenvolvendo uma série de ações junto as nossas unidades de saúde, como também identificando regiões, estados, onde a gente encontrou uma maior concentração. Nós instituimos o Comitê Nacional de Prevenção ao Suicídio. Fizemos uma pareceria com o CVV – Centro de Valorização da Vida", indica.

Quando necessário é importante procurar ajuda com profissionais, nos serviços de saúde, em emergências como o Samu e no Centro de Valorização da Vida no 188, disponivel em todo o país. Lembrando sempre que 90% dos casos de suicídio podem ser evitados.

Como questão de saúde pública, a prevenção ao suicídio tem que ir além do Setembro Amarelo e começar a fazer parte do dia a dia das escolas, universidades, empresas, enfim, do nosso dia a dia.


Com produção de Adriana Shimoda e sonoplastia de Marcos Tavares.
Edição: ABR

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Víctor Jara, um crime que se chora ainda no Chile

Às vezes move levemente o canto de seus lábios para desenhar um sorriso, enquanto o olhar permanece ausente: chama-se Joan Turner, a viúva de Víctor Jara.

Tem 91 anos e todos a conhecem no Chile como Joan Jara. É a mãe de Amanda, a filha que inspirou Víctor Jara a compor umas de suas mais reconhecidas canções, antes de ser cruelmente torturado pela ditadura de Augusto Pinochet.

Confinado ao Estádio Chile depois do golpe de estado do 11 de setembro de 1973, sofreu torturas pelo simples fato de professar ideias de esquerda. Era mestre, dramaturgo, cantor e compositor.

Cinco dias mais tarde, foi assassinado na instalação esportiva que hoje leva seu nome. Queimaram-no com cigarros, cortaram-lhe a língua e esmagaram seus dedos. Depois, recebeu 44 tiros e foi jogado em um matagal acerca do Cemitério Metropolitano.

Tinha seis cadáveres, um era do Víctor Jara.

Recordo você Amanda, O direito de viver em paz, O cigarrito, entre outras, são canções que têm acompanhado a América Latina nestes 45 anos de ausência de Jara.

Cantava, escrevia poemas, foi professor, mimo e diretor teatral. Seu pecado, abraçar a causa da Unidade Popular do presidente Salvador Allende no Chile.

Em um de seus muros do Museu da Memória, está escrito o que foi o último poema de Jara.

Somos cinco mil ou Estádio Chile, é o nome deste estremecedor escrito:

Somos cinco mil

nesta pequena parte da cidade.

Somos cinco mil

Quantos seremos ao todo

nas cidades e em todo o país?

Só aqui

dez mil mãos semeiam

e fazem andar as fábricas.

Âí Cuánta humanidade

com fome, frio, pânico, dor,

pressão moral, terror e loucura!

A Corte Suprema de Justiça do Chile ampliou a solicitação de extradição aos Estados Unidos do oficial em retiro do Exército, Pedro Barrientos Núñez, como responsável pelos delitos de sequestro simples e homicídio de Jara e Litré Quiroga.

Em julho passado, o juiz Miguel Vázquez condenou nove ex-militares pelo crime de Jara. O magistrado indicou que o artista foi submetido a constantes e violentos episódios de agressão física e verbal por parte dos militares.

Aplicaram-lhe torturas físicas, 'sendo os golpes mais severos aqueles que recebeu na região de seu rosto e em suas mãos'

O relatório da Comissão para valer e Reconciliação de 1990 detalhou que 'o cadáver de Jara, com mãos e rosto muito desfigurados, apresentava 44 orifícios de disparos, prova da fúria na execução por parte dos militares.

Em dezembro de 2009 Jara foi exumado, realizou-lhe um funeral multitudinário e sepultado em uma tumba onde pode ser lido: Víctor Jara Martínez. 1938-Setembro-1973.

Joan Jara, bailarina de origem britânica e com numerosos contribuições ao desenvolvimento de dança no Chile, foi condecorada com a Ordem ao Mérito Artístico e Cultural Pablo Neruda, de mãos da presidenta Michelle Bachelet, em dezembro de 2016.

Junto a suas filhas Amanda e Manuela (de seu primeiro casal), não tem deixado no empenho de que tenha castigo para os assassinos de Víctor Jara.


segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Liberalismo não é sinônimo de democracia

Há um engano renitente no pensamento político, aquele que coloca um sinal de igual entre as palavras democracia e liberalismo.

Jefferson, liberalismo e defesa da escravidão
Por José Carlos Ruy

Este engano é levado ao paroxismo em nosso tempo, quando o liberalismo, antecedido da partícula neo, é dominante.

Engano partilhado muitas vezes mesmo por setores democráticos ou de esquerda. E está enraizado na origem histórica que envolveu, desde o século XVIII, a luta contra o poder absoluto das monarquias feudais (Ver Perry Anderson, Linhagens do Estado Absolutista, São Paulo, 1985).

Naquela época a burguesia lutou para se desvencilhar do poder dos reis que tolhia a livre ação do capital. Transformou a luta contra o rei em luta contra o Estado, criando a confusão entre os conceitos de liberalismo e democracia, passando a ver como democrática a luta pela livre ação do capital que, segundo seus interesses, não podia ser regulamentado por leis e regulamentos. Faz sentido, assim, que uma das primeiras providências do governo que surgiu na França revolucionária de 1789 tenha sido alei de Le Chapelier, de 14 de junho de 1791, que, a pretexto da liberdade para o capital, proibiu os sindicatos, as associações de trabalhadores e as greves. E previa penas que iam demultas à prisão e mesmo à pena de morte aos infratores. O estado burguês que surgia, de liberal, transformou-se em tirania contra os trabalhadores, colocando a liberdade de empresa (hoje diríamos “de mercado”) acima de qualquer consideração democrática que reconhecesse os direitos do povo e dos trabalhadores. Naquele momento já ficava clara a enorme diferença que há entre os conceitos de liberalismo e democracia.

O liberalismo, como Domenico Losurdo demonstra em seus escritos (como em Liberalismo - Entre civilização e barbárie, Editora Anita, 2006), conviveu inclusive com o mais nefando dos sistemas, a escravidão. Nele o liberalismo colocou o direito de propriedade dos capitalistas acima do respeito à liberdade individual. Liberaiscomo o brasileiro Nabuco de Araujo não tiveram nenhum escrúpulo em relação à escravização de outros seres humanos.

Nos EUA, nação considerada como a “pátria” da democracia, houve convivência semelhante desde os primeiros anos de independência. Thomas Jefferson (1743–1826), um dos “pais fundadores” da nação, e o principal autor da Declaração de Independência de 1776, ícone do liberalismo, que agiu para criar um estado que não interferisse na vida dos cidadãos, foi um grande latifundiário na Virgínia e foi dono de mais de180 escravos. Conciliou sua crença liberal com aquilo que chamavam então de peculiar institution (instituição peculiar), ou seja, a escravidão dos negros.

Outro ícone liberal estadunidense, John Calhoun, líder do Partido Democrático e personagem de destaque na política dos EUA no início do século XIX, foi um vigoroso defensor da liberdade individual, contra o poder do Estado. Mas conciliava sua crença liberal com a defesa veemente da escravidão, que via como uma forma de propriedade que devia ser garantida pela Constituição.

Um exemplo recente, de nosso tempo, desta aliança entre liberalismo e ditadura pode ser visto no apoio de economistas neoliberais que, sob beneplácito de seu guru da Universidade de Chicago, Milton Freedman, fizeram parte da quipe econômica da ditadura de Augusto Pinochet, no Chile. Eles estivera, à frente das privatizações naquele país, e usaram a força da ditadura para eliminar direitos sociais e trabalhistas (com o apoio da eliminação física de opositores feita pela repressão da ditadura chilena), impondo as condições favoráveis ao capital e aos “negócios”. Mesmo tendo tentado, anos depois, distanciar-se de Pinochet, declarando que seu regime fora “terrível”, Milton Freedman não economizou elogios à sua ação econômica em defesa dos interesses do grande capital e da “livre empresa”.

A contradição mais forte, neste ponto, é justamente aquela que há entre a defesa intransigente da propriedade e sua proteção contra a ação regulatória que o Estado ou os governos podem promover, no sentido de distribuir mais igualitariamente a renda e a propriedade.

A democracia efetiva, real, que beneficie a todos, e não apenas aos donos do capital, não é a democracia formal que estes aceitam. E que só consiste no exercício do direito de voto e de outras liberdades formais (como a livre manifestação do pensamento, o direito de ir e vir, a liberdade civil necessária para formalizar contratos, etc). A “igualdade perante a lei” que existe nesta democracia, a única aceita pelos liberais, é apenas formal, e nela impera a desigualdade social efetiva que deriva do poder do capital que se sobrepõe a toda a sociedade, a todos os indivíduos que, confrontados com o poder dos donos do dinheiro, são imensamente mais fracos e forçados à submissão.

É nesse sentido que a democracia real,efetiva, exige a ação da sociedade configurada em leis que regulam, para conter a ganância do capital e tornar real a promessa contida na expressão “igualdade de todos perante a lei”.

O liberalismo, desde meados do século XX, arremeda o enfrentamento contra os reis, ocorrido duzentos anos antes, e simula ideologicamente um antiestatista fora de moda e de época, baseado numa pretensa ação “libertária” contra a presença do Estado.

Ora, a realidade social e política mudou! Os poderosos de hoje são os capitalistas e o capital, sendo necessária a força e o pode do Estado para promover o reequilíbrio entre os homens, para impedir que o “mercado” impeça ao povo e aos trabalhadores o acesso à liberdade, aos bens necessários à vida, ao trabalho, alimentação, moradia, saúde, educação, etc., etc., etc..

Capital e trabalho – capitalistas e trabalhadores – são socialmente desiguais, a disparidade entre eles é produto da forma burguesa de organização da sociedade e da produção de bens necessários a todos. Desigualdade que jamais será eliminada pela mera aça do “mercado”, mas por decisões sociais que cabe ao Estado democrático tomar.

Esta é a diferença fundamental entre liberalismo e democracia: o liberalismo exige a liberdade que permita ao capital agir livremente, concentrar riquezas e renda nas mãos de uma minoria ínfima e cada vez mais poderosa e voraz, como a humanidade tem assistido nestes tempos de domínio do neoliberalismo.

Para conter esta ganância destruidora do capital, a democracia exige a força do Estado para ser efetiva e de fato permitir que todos os seres humanos sejam iguais e tenham igual direito ávida e às conquistas civilizatórias.


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