APRESENTADO A COMARCA PARA O MUNDO E O MUNDO PARA A COMARCA

TEMOS O APOIO DE INFOMANIA SOLUÇÕES EM INFORMÁTICA Fones 9986 1218 - 3432 1208 - AUTO-MECÂNICA IDEAL FONE 3432-1791 - 9916-5789 - 9853-1862 - NOVA ÓTICA Fone (44) 3432 -2305 Cel (44) 8817- 4769 Av. Londrina, 935 - Nova Londrina/PR - VOCÊ É BONITA? VENHA SER A PRÓXIMA BELA DA SEMANA - Já passaram por aqui: Márjorye nascimento - KAMILA COSTA - HELOIZA CANDIDO - JAINY SILVA - MARIANY STEFANY - SAMIRA ETTORE CABRAL - CARLA LETICIA - FLAVIA JORDANI - VIVANE RODRIGUES - LETICIA PIVA - GEOVANNA LIMA - NAIELY RAYSSA - BIANCA LIMA - VITÓRIA SOUZA - KAROLAINE SOUZA - JESSICA LAIANE - VIVIANE RODRIGUES - LETICIA LIMA - MILANE SANTOS - CATY SAMPAIO - YSABELY MEGA - LARISSA SANTANA - RAYLLA CHRISTINA - THELMA SANTOS - ALYNE FERNANDES - ALESSA LOPES - JOYCE DOMINGUES - LAIS BARBOSA PARRA - LÉINHA TEIXEIRA - LARISA GABRIELLY - BEATRIZ FERNANDES - ALINE FERNANDA - VIVIANE GONÇALVES - MICAELA CRISTINA - MONICA OLIVEIRA- SUELEN SLAVIERO - ROSIMARA BARBOSA - CAMILA ALVES - LAIZA CARLA SANTOS - IZADORA SOARES - NATHÁLIA TIETZ - AMANDA SANTOS - JAQUELINE ACOSTA - NAJLA ANTONZUK - NATYELI NEVES - LARISSA GARCIA - SUZANA NICOLINI - ANNA FLÁVIA - LUANA MAÍSA - MILENA AMÂNCIO - LAURA SALVATE - IASMYN GOMES - FRANCIELLY KOGLER - LIDIANE TRAVASSOS - PATTY NAYRIANE - ELLYN FONSECA - BEATRIZ MENDONÇA - TAYSA SILVA - MARIELLA PAOLA - MARY FERNANDES - DANIELLE MEIRA - *Thays e Thamirys - ELLEN SOARES - DARLENE SOARES - MILENA RILANI - ISTEFANY GARCIA - ARYY SILVA - ARIANE SILVA - MAYARA TEIXEIRA - MAYARA TAKATA - PAOLA ALVES - MORGANA VIOLIM - MAIQUELE VITALINO - BRENDA PIVA - ESTEFANNY CUSTÓDIO - ELENI FERREIRA - GIOVANA LIMA - GIOVANA NICOLINI - EVELLIN MARIA - LOHAINNE GONÇALVES - FRANCIELE ALMEIDA - LOANA XAVIER - JOSIANE MEDEIROS - GABRIELA CRUZ- KARINA SPOTTI - TÂNIA OLIVEIRA - RENATA LETÍCIA - TALITA FERNANDA - JADE CAROLINA - TAYNÁ MEDEIROS - BEATRIZ FONTES - LETYCIA MEDEIROS - MARYANA FREITAS - THAYLA BUGADÃO NAVARRO - LETÍCIA MENEGUETTI - STEFANI ALVES - CINDEL LIBERATO - RAFA REIS - BEATRYZ PECINI - IZABELLY PECINI - THAIS BARBOSA - MICHELE CECCATTO - JOICE MARIANO - LOREN ZAGATI - GRAISELE BERNUSSO - RAFAELA RAYSSA - LUUH XAVIER - SARAH CRISTINA - YANNA LEAL - LAURA ARAÚJO TROIAN - GIOVANNA MONTEIRO DA SILVA - PRISCILLA MARTINS RIL - GABRIELLA MENEGUETTI JASPER - MARIA HELLOISA VIDAL SAMPAIO - HELOÍSA MONTE - DAYARA GEOVANA - ADRIANA SANTOS - EDILAINE VAZ - THAYS FERNANDA - CAMILA COSTA - JULIANA BONFIM - MILENA LIMA - DYOVANA PEREZ - JULIANA SOUZA - JESSICA BORÉGIO - JHENIFER GARBELINI - DAYARA CALHEIROS - ALINE PEREIRA - ISABELA AGUIRRE - ANDRÉIA PEREIRA - MILLA RUAS - MARIA FERNANDA COCULO - FRANCIELLE OLIVEIRA - DEBORA RIBAS - CIRLENE BARBERO - BIA SLAVIERO - SYNTHIA GEHRING - JULIANE VIEIRA - DUDA MARTINS - GISELI RUAS - DÉBORA BÁLICO - JUUH XAVIER - POLLY SANTOS - BRUNA MODESTO - GIOVANA LIMA - VICTÓRIA RONCHI - THANYA SILVEIRA - ALÉKSIA LAUREN - DHENISY BARBOSA - POLIANA SENSON - LAURA TRIZZ - FRANCIELLY CORDEIRO - LUANA NAVARRO - RHAYRA RODRIGUES - LARISSA PASCHOALLETO - ALLANA BEATRIZ - WANDERLÉIA TEIXEIRA CAMPOS - BRUNA DONATO - VERÔNICA FREITAS - SIBELY MARTELLO - MARCELA PIMENTEL - SILVIA COSTA - JHENIFER TRIZE - LETÍCIA CARLA -FERNANDA MORETTI - DANIELA SILVA - NATY MARTINS - NAYARA RODRIGUES - STEPHANY CALDEIRA - VITÓRIA CEZERINO - TAMIRES FONTES - ARIANE ROSSIN - ARIANNY PATRICIA - SIMONE RAIANE - ALÉXIA ALENCAR - VANESSA SOUZA - DAYANI CRISTINA - TAYNARA VIANNA - PRISCILA GEIZA - PATRÍCIA BUENO - ISABELA ROMAN - RARYSSA EVARISTO - MILEIDE MARTINS - RENATHA SOLOVIOFF - BEATRIZ DOURADO - NATALIA LISBOA - ADRIANA DIAS - SOLANGE FREITAS - LUANA RIBEIRO - YARA ROCHA - IDAMARA IASKIO - CAMILA XAVIER - BIA VIEIRA - JESSICA RODRIGUES - AMANDA GABRIELLI - BARBARA OLIVEIRA - VITORIA NERES - JAQUE SANTOS - KATIA LIMA - ARIELA LIMA - MARIA FERNANDA FRANCISQUETI - LARA E LARISSA RAVÃ MATARUCO - THATY ALVES - RAFAELA VICENTIN - ESTELLA CHIAMULERA - KATHY LOPES - LETICIA CAVALCANTE PISCITELI - VANUSA SANTOS - ROSIANE BARILLE - NATHÁLIA SORRILHA - LILA LOPES - PRISCILA LUKA - SAMARA ALVES - JANIELLY BOTA - ELAINE LEITE CAVALCANTE - INGRID ZAMPOLLO - DEBORA MANGANELLI - MARYHANNE MAZZOTTI - ROSANI GUEDES - JOICE RUMACHELLA - DAIANA DELVECHIO - KAREN GONGORA - FERNANDA HENRIQUE - KAROLAYNE NEVES TOMAS - KAHENA CHIAMULERA - MACLAINE SILVÉRIO BRANDÃO - IRENE MARY - GABRIELLA AZEVEDO - LUANA TALARICO - LARISSA TALARICO - ISA MARIANO - LEIDIANE CARDOSO - TAMIRES MONÇÃO - ALANA ISABEL - THALIA COSTA - ISABELLA PATRICIO - VICTHORIA AMARAL - BRUNA LIMA - ROSIANE SANTOS - LUANA STEINER - SIMONE OLIVEIRA CUSTÓDIO - MARIELLE DE SÁ - GISLAINE REGINA - DÉBORA ALMEIDA - KIMBERLY SANTOS - ISADORA BORGHI - JULIANA GESLIN - BRUNA SOARES - POLIANA PAZ BALIEIRO - GABRIELA ALVES - MAYME SLAVIERO - GABRIELA GEHRING - LUANA ANTUNES - KETELEN DAIANA - PAOLLA NOGUEIRA - POLIANY FERREIRA DOS ANOS - LUANA DE MORAES - EDILAINE TORRES - DANIELI SCOTTA - JORDANA HADDAD - WINY GONSALVES - THAÍSLA NEVES - ÉRICA LIMA CABRAL - ALEXIA BECKER - RAFAELA MANGANELLI - CAROL LUCENA - KLAU PALAGANO - ELISANDRA TORRES - WALLINA MAIA - JOYCE SAMARA - BIANCA GARCIA - SUELEN CAROLINE - DANIELLE MANGANELLI - FERNANDA HARUE - YARA ALMEIDA - MAYARA FREITAS - PRISCILLA PALMA - LAHOANA MOARAES - FHYAMA REIS - KAMILA PASQUINI - SANDY RIBEIRO - MAPHOLE MENENGOLO - TAYNARA GABELINI - DEBORA MARRETA - JESSICA LAIANE - BEATRIS LOUREIRO - RAFA GEHRING - JOCASTA THAIS - AMANDA BIA - VIVIAN BUBLITZ - THAIS BOITO - SAMIA LOPES - BRUNA PALMA - ALINE MILLER - CLEMER COSTA - LUIZA DANIARA – ANA CLAUDIA PICHITELLI – CAMILA BISSONI – ERICA SANTANA - KAROL SOARES - NATALIA CECOTE - MAYARA DOURADO - LUANA COSTA - ANA LUIZA VEIT - CRIS LAZARINI - LARISSA SORRILHA - ROBERTA CARMO - IULY MOTA - KAMILA ALVES - LOISLENE CRISTINA - THAIS THAINÁ - PAMELA LOPES - ISABELI ROSINSKI - GABRIELA SLAVIERO - LIARA CAIRES - FLÁVIA OLIVEIRA - GRAZI MOREIRA - JESSICA SABRINNI - RENATA SILVA -SABRINA SCHERER - AMANDA NATALIÊ - JESSICA LAVRATE - ANA PAULA WESTERKAMP- RENATA DANIELI - GISELLY RUIZ - ENDIARA RIZZO - *DAIANY E DHENISY BARBOSA - KETLY MILLENA - MICHELLE ENUMO - ISADORA GIMENES - GABRIELA DARIENSO - MILENA PILEGI - TAMIRES ONISHI - EVELIN FEROLDI - ELISANGELA SILVA - PAULA FONTANA CAVAZIM - ANNE DAL PRÁ - POLLIANA OGIBOWISKI - CAMILA MELLO - PATRICIA LAURENTINO - FLOR CAPELOSSI - TAMIRES PICCOLI - KATIELLY DA MATTA - BIANCA DONATO - CATIELE XAVIER - JACKELINE MARQUES - CAROL MAZZOTTI - DANDHARA JORDANA - BRENDA GREGÓRIO - DUDA LOPES - MILENA GUILHEN - MAYARA GREGÓRIO - BRUNA BOITO - BETHÂNIA PEREIRA - ARIELLI SCARPINI - CAROL VAZ - GISELY TIEMY -THAIS BISSONI - MARIANA OLIVEIRA - GABRIELA BOITO - LEYLLA NASCIMENTO - JULIANA LUCENA- KRISTAL ZILIO - RAFAELA HERRERA - THAYANA CRISTINA VAZ - TATIANE MONGELESKI - NAYARA KIMURA - HEGILLY CORREIA MIILLER - FRANCIELI DE SANTI - PAULA MARUCHI FÁVERO - THAÍS CAROLINY - IASMIM PAIVA - ALYNE SLAVIERO - ISABELLA MELQUÍADES - ISABELA PICOLLI - AMANDA MENDES - LARISSA RAYRA - FERNANDA BOITO - EMILLY IZA - BIA MAZZOTTI - LETICIA PAIVA - PAOLA SLAVIERO - DAIANA PISCITELLE - ANGELINA BOITO - TALITA SANTOS Estamos ha 07 anos no ar - Mais de 700 acessos por dia, mais de um milhão de visualizações - http://mateusbrandodesouza.blogspot.com.br/- Obrigado por estar aqui, continue com a gente

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Sob pretexto de desburocratizar indústria, Bolsonaro pode elevar índice de acidentes

Presidente quer reduzir normas de segurança no trabalho; país registrou 4,5 milhões de acidentes de trabalho em 7 anos.

Desburocratizar normas de segurança e saúde no trabalho podem aumentar acidentes e precarização no setor / Pixabay
Luciana Console
Brasil de Fato | São Paulo (SP)

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) anunciou que o governo federal vai realizar mudanças nas Normas Regulamentadoras de Segurança e Saúde no Trabalho à partir de junho. A informação foi divulgada na última segunda-feira (13) pela rede social do presidente sob a justificativa de que as leis estariam defasadas e travando o desenvolvimento da indústria. O objetivo do governo é desburocratizar o setor e, com isso, aumentar a produtividade.

Para repercutir o anúncio do presidente e suas possíveis consequências, o Brasil de Fato conversou com o supervisor do Núcleo de Políticas Públicas do Dieese, Nelson Karam, considerado um especialista na área. Segundo ele, o discurso de que as normas regulamentadoras estão desatualizadas e brecam a indústria é equivocado.

"O primeiro esclarecimento é que isso já vem sendo feito, então não é que essas normas ficaram paradas no tempo. Elas são renovadas, atualizadas, adaptadas continuamente. Em segundo lugar, essa mudança nas normas passam sempre por um olhar tripartite, uma comissão composta por representações de governos, trabalhadores e empresários, que sentam, pactuam e discutem as características dessas normas, as modificações que necessitam ser feitas. Então, não é uma obra de governo fazer essa atualização. A menos que o governo queira quebrar uma regra na concessão dessas normas". 

O especialista aponta que o governo tem trabalhado na ideia de que uma regulação traz dificuldade para as empresas produzirem e eleva os custos de produção. Porém, em um país onde os acidentes de trabalho tem números alarmantes, a flexibilização das Normas Regulamentadoras de Segurança e Saúde trazem como principal consequência a fragilização do trabalhador e aumento da precarização do trabalho. Nos últimos sete anos, foram registrados 4,5 milhões, dos quais 16,9 mil foram fatais.

Além disso, o próprio Estado também sofre as consequências de um ambiente de trabalho inseguro, na dimensão da saúde pública com atendimento dos acidentados pelo SUS e pensões pelo INSS.

Karam também explica que ambientes de trabalho mais seguros significam a possibilidade de produção com mais eficiência e produtividade.

"O que nos preocupa neste momento é que, ao que tudo indica, a intenção do atual governo ao rever essas normas não vai na linha de proteger o trabalho, a produtividade das empresas. Ao contrário, o governo sinaliza e olha pra essas normas unicamente como uma barreira de custo para as empresas".

Recentemente, o Brasil assistiu a casos onde a diminuição dos custos empresariais se deu justamente nos setores de segurança, como é o caso do crime da Vale em Brumadinho (MG), onde mais de 200 funcionários foram soterrados pela lama do rompimento da barragem da mineradora. O caso é considerado o maior acidente de trabalho do Brasil.

Karam também dá como exemplo de acidentes trabalhistas o uso do amianto no Brasil, produto químico altamente cancerígeno e proibido em diversos países por causar morte dos trabalhadores que manipulam o material. Além disso, ele cita a liberação do uso de agrotóxicos já banidos internacionalmente por causar malefícios à saúde dos trabalhadores do campo.

Para ele, a melhor saída para a retomada da produtividade industrial está longe de ser “simplificar” as normas de segurança. Ele aponta que a manutenção é necessária para acompanhar as mudanças do mercado e das formas de trabalho, mas que é preciso debate.

“As normas regulamentadoras tem que caminhar para incorporar essa nova dimensão do trabalho, então tem que ser continuamente atualizadas. Agora simplesmente em uma canetada querer burocratizar um único sentido de reduzir custos para empresa e expor o trabalhador não é a direção correta nem mais adequada para um país que busca caminhar para retomada do crescimento”, finaliza.

 Edição: Aline Carrijo

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Cadê os “imbecis”, Bolsonaro? Avenida Paulista é tomada pelo maior protesto desde os do impeachment

Bolsonaro conseguiu, em cinco meses de governo, a maior manifestação na Paulista desde as primeiras pedindo o impeachment de Dilma.


Quem diz isso não é o DCM, mas o MBL.

Ver imagem no Twitter
Governo se embabanou todo com a história da balbúrdia, ficou uma semana em cima de uma narrativa falsa e esquerda soube aproveitar, mesmo que com distorção, a oportunidade pra fazer uma de suas maiores mobilizações de rua desde o começo do impeachment.
445 pessoas estão falando sobre isso

Publicado por Kiko Nogueira
No DCM

Os números ainda não estão fechados, mas calcula-se em pelo menos 100 mil.

Os “imbecis”, os “idiotas úteis”, a “massa de manobra” lotou a avenida de cabo a rabo, gerando imagens arrebatadoras.

O Tsunami varreu o Brasil todo, mas poucos símbolos são tão fortes quanto os que você vê neste artigo em fotos da Mídia Ninja, do artista plástico Tchelo Nogueira e do jornalista Pedro Zambarda, do DCM.

Teve até boneco do Bolsonaro, o bozoleco.

Enquanto a multidão se reunia e cantava e confraternizava, com três caminhões de som, o ministro da Educação tentava justificar os cortes na Câmara.

Atacou deputados, assassinou a concordância nominal, usou um powerpoint, fez analogias idiotas com somas de 2 mais 2.

Num piro, deu um jeito de meter Lula no meio de uma conversa maluca sobre a “carteirinha azul” que ele teve como bancário ou algo assim.

Os estudantes e professores querem Bolsonaro fora da presidência.

Noves fora tudo, estão ajudando o Brasil a se curar de uma doença.

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Protestos pela educação revelam ‘Brasil muito maior que Bolsonaro’ nas redes sociais

O Brasil emplaca no Twitter nesta quarta-feira (15) pelo menos três termos relacionados à onda de protestos contra o bloqueio nos orçamentos de institutos e universidades federais anunciado pelo Ministério da Educação (MEC). #TsunamiDaEducação, #TodosPelaEducação e #NaRuaPelaEducação alcançam os trending topics na rede utilizada como um dos principais meios de comunicação pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL).



Publicado na Rede Brasil Atual

Na esteira da repercussão de diversos atos que estão ocorrendo no país, além de outros previstos e da paralisação de escolas e universidades nesta quarta, o Ministério da Educação divulgou nota afirmando estar aberto ao diálogo para “debater sobre soluções que garantam o bom andamento dos projetos e pesquisas em curso”, e justificou-se alegando que foram cortadas “despesas discricionárias”.

A explicação foi rebatida pelo coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara. No Twitter, ele classificou a declaração como “covarde”. “Quero saber se Weintraub aceita ficar sem água, luz e segurança, por exemplo. As universidades e escolas federais logo estarão nessas condições”, apontou o coordenador, referindo-se ao ministro da Educação.

Lembrando de outra declaração de Weintraub, referente à “balbúrdia” em universidades, a cantora Maria Rita reforçou que “balbúrdia é quando não tem verba pra manutenção do laboratório, ministro”.

Outra declaração, esta do próprio presidente também causou polêmicas neste dia de protestos pelo país: Bolsonaro chamou os estudantes de “idiotas úteis”. Nas redes sociais, a deputada federal Sâmia Bomfim (Psol-SP) considerou a fala um ataque aos brasileiros: “As ruas estão cheias de brasileiros legitimamente protestando contra os cortes na educação. Que tipo de governante se refere assim ao seu próprio povo? O senhor é uma vergonha”.

Apesar das declarações do presidente, há um reconhecimento maior aos atos em defesa da Educação no país, como ressalta o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad – ministro da Educação (2005-2012) responsável por políticas como o ProUni: “Um país que se sonha grande precisa de uma educação de qualidade, republicana, precisa de ciência, de pesquisa, em todos os campos do conhecimento. Não estamos enfrentando uma batalha política. Estamos diante da defesa de um marco civilizatório”.


A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, que, como Haddad, disputou as últimas eleições presidenciais, manifestou pelas redes seu apoio ao Dia Nacional de Greve na Educação, considerando as iniciativas de Bolsonaro como “agressões ao bom-senso”. “Esse é o governo do fim: vamos acabar com isso e com aquilo, extinguir, cortar, encerrar. Nenhuma política construtiva, só o desmonte do que existia antes”, analisa.

O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, também ex-presidenciável pelo Psol, descreveu os atos como um “dia de aulas nas ruas”, e criticou a postura do presidente lembrando que “O Brasil é muito maior que Bolsonaro”.

Via - DCM



Cruz e Sousa, "Poeta Negro", um dos inventores de nossa poesia moderna

João da Cruz e Sousa nasceu numa fazenda em Nossa Senhora do Desterro (SC), em 1861, filho de escravos que receberam alforria. Poeta e jornalista, introdutor do Simbolismo no Brasil, dirigiu o jornal Tribuna Popular, no qual publicou artigos contra a escravidão e o racismo.

Dois conhecidos retratos de Cruz e Sousa: Poeta foi reconhecido pelas principais vozes de nossa historiografia literária

Por Claudio Daniel

Casou-se com Gavita Gonçalves, com a qual teve quatro filhos, todos mortos precocemente, de tuberculose, o que levou a mãe à loucura. A vida trágica do poeta, que revolucionou a literatura brasileira, encerrou-se em 1898, com apenas 36 anos de idade.

Cruz e Sousa, considerado o maior poeta do movimento simbolista no Brasil, publicou em 1893 o livro Broquéis (1893) introduziu na poesia brasileira o novo estilo. Esse livro estranho, inventivo, de uma beleza nervosa, é diferente de tudo o que foi publicado antes, entre nós. Conforme José Aguinaldo Gonçalves, o poeta simbolista, “fascinado pelo mistério e pelo caráter fluídico das coisas, aprofundou o universo das sugestões, da ambiguidade, da abstração mística, do sentimento sensorial do mundo. Para isto, vai criar um universo vocabular próprio, voltado para a neblina, o onírico, o vaporizante, o lactescente, o litúrgico, o etéreo, o plangente, o soluçante, o errante, o luminoso, as brumas e o encantatório transcendente”.

O poeta se voltava contra a objetividade naturalista, a descrição minuciosa de detalhes, em favor de uma construção de imagens “vagas, fluidas, cristalinas”, próximas a um certo abstracionismo. Cruz e Sousa seguiu, em sua mirada de miragens, a pista indicada por Mallarmé: “Nomear um objeto significa eliminar três quartos do prazer de adivinhá-lo. Sugerir, eis o sonho”. Essa é uma linha paralela à técnica de acordes isolados na música de Débussy e ao pontilhismo de Pissaro e Seurat, na pintura, que prenunciavam a superação da tonalidade e do figurativismo por novos modos de composição.

O talento plástico de Cruz e Sousa é evidente sobretudo em Missal, coletânea de poemas em prosa publicada no mesmo ano que Broquéis. Assim, na peça intitulada Navios, o poeta nos diz: “Praia clara, em faixa espelhada ao sol, de fina areia úmida e miúda de cômoro. Brancuras de luz da manhã prateiam as águas quietas, e, à tarde, coloridos vivos de ocaso as matizam de tintas rútilas, flavas, como uma palheta de íris”. Em outra peça, Bêbado, lemos: “O mar tinha uma estranha solenidade, imóvel nas suas águas, com uma larga refulgência metálica sobre o dorso. Da paz branca e luminosa da lua caía, na vastidão infinita das ondas, um silêncio impenetrável. E tudo, em torno, naquela imensidade de céu e mar, era a mudez, a solidão da lua...”. O efeito cromático é mais eficaz com o recurso de sonoridades raras, pois é a música que melhor expressa o sentimento de vago, difuso, diáfano, despertando a intuição e o sonho. Para Edgar Allan Poe, poesia é a “construção precisa do impreciso”, “criação rítmica da Beleza”, e, seguindo nessa trilha, Verlaine irá reivindicar “a música antes de tudo”. Cruz e Sousa, afinado com seus mestres espirituais, irá fazer da melopéia um dos pilares de sua filosofia da composição e o fio condutor de todas as relações sinestésicas.

Em Outras Evocações, o poeta nos diz: “O estilo é o sol da escrita. Dá-lhe eterna palpitação, eterna vida. Cada palavra é como que um tecido do organismo do período. No estilo há todas as gradações de luz, toda a escala dos sons. (...) A palavra tem a sua autonomia; e é preciso uma rara percepção estética, uma nitidez visual, olfativa, palatal e acústica apuradíssima para a exatidão da cor, da forma e para a sensação do som e do sabor da palavra”. As palavras, em sua corporalidade, e não apenas como conceitos, têm força de expressão mágica, evocatória, como notou Mallarmé; por essa razão, diz o autor de Brise Marine, o poeta deve buscar “o verso que, de diversos vocábulos, refaz uma palavra total, nova, estranha à língua e como que encantatória”. É dessa construção do estranhamento, do inusitado, que advém a experiência do êxtase estético, que Joyce chamava de epifania. Cruz e Sousa, como um taumaturgo morfológico, criou, em seu cadinho de quintessências, um novo vocabulário, mesclando termos em neologismos insólitos, tais como: absíntica, nirvânica, pantérico, tantálico, beethovínica, estradivário, torcicolosamente. Além disso, assimilou um léxico luxuoso e alucinado, com laivos gongorinos: neblinoso, alampadário, flamívona, alabastrino, espumaroso, empurpuresce. Com esse livro mágico de sortilégios e encantações, Cruz e Sousa conduziu aliterações (“suspira, sofre, cisma, sente, sonha”), anagramas (“areia úmida e miúda”), paronomásias (“torvas e turvas”, “gralha, grasma e grulha”), assonâncias (“Das tuas asas serenas”), anáforas (“só fúria, fúria, fúria, fúria, fúria”) e outras magias com a habilidade de um mestre consumado.

A poética de Cruz e Sousa não teve uma evolução estética linear; ela oscilou entre a abstração e a caricatura, a elipse e o discurso, a brevidade e o jorro verbal, o gosto refinado e o kitsch. De Broquéis a Faróis, o poeta mudou a sua maneira de olhar para os objetos, e o resultado é uma nova forma de fanopéia, menos etérea, mais densa. Como nos diz Roger Bastide, o poeta “tinha começado pela dissolução das formas exteriores dos objetos, diluindo-os na bruma do sonho, e termina pela volta à matéria, porém matéria sutilizada e preciosa, cintilação de cristal ou de joia, certamente encarnação da Forma inteligível, mas encarnação em algo que nada mais tem de sensual e que nada retém do calor do concreto. Destruição das formas (no plural) nas cerrações da noite, cristalização da Forma (no singular) ou solidificação do espiritual numa geometria do translúcido, tais são, afinal, os dois grandes processos antitéticos e complementares ao mesmo tempo, que permitiram a Cruz e Sousa trazer aos homens a mensagem da sua experiência e apresentá-la em poesia de beleza única, pois que é acariciada pela asa da noite e, todavia, lampeja com todas as cintilações do diamante”.

Faróis, publicado em 1900 (edição póstuma), é um livro de imagens sombrias que têm a marca do triste fado do poeta: Cruz e Sousa, o filho de escravos, nascido na cidade de Desterro (hoje Florianópolis), sofreu o preconceito racial, a miséria e, nos seus últimos anos, a morte do pai e a loucura da esposa, Gavita. O pessimismo do autor, seu “tantalismo dantesco”, expressou-se aqui em poemas longos, narrativos, retórico-discursivos, com tinturas expressionistas que recordam por vezes a poesia de Trakl e a pintura de Munch: “Os miseráveis, os rotos/ são as flores dos esgotos./ São espetros implacáveis/ os rotos, os miseráveis”; “Coalha nos lodos abjetos/ O sangue roxo dos fetos”; e, com a terrível veemência dos freaks, dos danados: “Vermes da inveja, a lesma verde e oleosa,/ Anões da Dor torcida e cancerosa,/ Abortos de almas a sangrar na lama”.

O tom realista, sarcástico, que abusa do grotesco, aproxima-se, por vezes, do kitsch. O uso excessivo de adjetivos, por sua vez, é outro aspecto a ser observado: em Música da Morte, por exemplo, há nada menos que 20 adjetivos nos 14 versos do soneto! Faróis é um livro irregular; não tem a mesma alta qualidade de Broquéis. É o testemunho dramático dos insucessos de seu autor, mais do que ninguém, um “gauche na vida”. Deve-se destacar, no entanto, o poema de abertura, Recolta de Estrelas, dividido em dísticos de sete sílabas, em que o poeta usou nada menos que 42 rimas diferentes; o poema de construção semelhante intitulado Litania dos Pobres; Tédio, talvez seu poema mais próximo ao expressionismo; o conhecido Violões que Choram; e Flores da Lua, em que há ecos distantes de Laforgue (que escreveu Fauna e Flora da Lua). Faróis, apesar dos desníveis de escritura, é um livro que merece ser lido, pois é a gênese da mórbida e bela antiepopéia de Augusto dos Anjos.

Em Últimos Sonetos, talvez a mais bem acabada de suas obras, o poeta, já fatigado da existência, aborda o anseio de união mística com o Absoluto, Nirvana búdico, que representa o fim do ciclo de intermináveis transmigrações. Neste livro admirável, Cruz e Sousa levou à perfeição o soneto como gênero literário, com uma precisão técnica impecável e uma pureza de expressão raramente igualadas por outros nomes da poesia de língua portuguesa. É notável, nesta obra formalmente tão rica, a reconciliação do poeta com o quinhentismo camoniano e os modos do barroco, em versos como: “Almas vis, almas vãs, almas escuras”, “O infinito gemido dos gemidos” e, sobretudo, o quarteto inicial de Flor Nirvanizada: “Ó cegos corações, surdos ouvidos,/ Bocas inúteis, sem clamor, fechadas,/ Almas para os mistérios apagadas,/ Sem segredos, sem eco e sem gemidos”. Precisamos citar, também, Alucinação, soneto que é quase uma antecipação de Pessoa: “Ó solidão do Mar, ó amargor das vagas,/ Ondas em convulsões, ondas em rebeldias,/ Desespero do Mar, furiosa ventania,/ Boca em fel dos tritões engasgada de pregas”. O Poeta Negro, aqui, transcendendo as cortinas neblinadas do Simbolismo, alcançou um timbre universal.

A fortuna crítica do poeta é póstuma, mas ele foi reconhecido pelas principais vozes de nossa historiografia literária. Sílvio Romero considerou Cruz e Sousa “o melhor poeta que o Brasil tem produzido” e “o ponto culminante da lírica brasileira após quatrocentos anos de existência” (e, portanto, superior a Castro Alves, Gonçalves Dias e Olavo Bilac). Também José Veríssimo expressou seu respeito pela “flor singular, de rara distinção e colorido, de perfume extravagante mas delicioso” da poesia de Cruz. Por fim, obteve o reconhecimento internacional, como demonstra o ensaio O Drama de Cruz e Sousa, de Bastide, que coloca o Poeta Negro ao lado de Mallarmé e Stefan George como a tríade máxima do Simbolismo.

A poesia de Cruz e Sousa é a retorta alquímica de onde provêm as líricas saturnais de Alphonsus de Guimaraens, Pedro Kilkerry, Ernâni Rosas, Maranhão Sobrinho e Augusto dos Anjos; e está presente na primeira fase de Manuel Bandeira, no místico surrealismo de Murilo Mendes e Jorge de Lima e nas modernas experiências intersemióticas, que levaram o princípio da sinestesia, filtrado pelas teorias de Charles Peirce, aos meios eletrônicos de comunicação, como o vídeo e o computador. João da Cruz e Sousa, o poeta do Desterro, não é um esqueleto esquecido na tumba de seus ancestrais, mas um dos inventores de nossa poesia moderna.

Via – Portal Vermelho

terça-feira, 14 de maio de 2019

Conselho de igrejas cristãs inicia campanha nacional contra a reforma da Previdência

Ação também promove atos em todo o país no dia 14 de maio


Michele Carvalho - Brasil de Fato | São Paulo (SP)

Na próxima segunda-feira (06), o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic) deram início a uma campanha nacional contra a reforma da Previdência, proposta pelo governo de Jair Bolsonaro.

A instituição fará publicações diários na sua página do Facebook com argumentos contra o texto que modifica as regras da aposentadoria no Brasil.

A ação também contará com a parceria da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE) e da Cáritas Brasileira.

Além da mobilização nas redes sociais, a campanha também promoverá, no dia 14 de maio, uma Vigília Nacional contra a reforma da Previdência. Igrejas, comunidades de fé, sindicatos, associações de trabalhadoras e trabalhadores, professores, militantes em geral devem sair às ruas de diferentes cidades do Brasil para protestar contra a retirada de direitos.

Confira aqui o roteiro proposto para a Vigília

Participação

A entidade convida toda a sociedade a participar dessa iniciativa por meio da hashtag #EuNãoAceitoEssaReformaDaPrevidência.

Edição: Luiz Albuquerque

segunda-feira, 13 de maio de 2019

UNE prevê dia 15 grandes atos no país em defesa das universidades

Nos últimos dias, as redes sociais foram tomadas por vídeos e fotos das mobilizações organizadas nas universidades públicas e Institutos Federais (IFs). O motivo é o corte de 30% na verba da educação, suspensão de bolsas de pós-graduação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e ataques ao ensino no país, promovidos pelo presidente Jair Bolsonaro e seu ministro da Educação, Abraham Weintraub.

Via http://www.politicacomk.com.br/
Por Bruna Caetano, do Brasil de Fato

Jessy Dayane, vice-presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), falou ao Brasil de Fato sobre as expectativas para o Dia Nacional em Defesa da Educação, 15 de maio, quando acontecerão atos em todo o país.

Até esta sexta-feira (10), já eram cerca de 80 manifestações e assembleias marcadas em universidades públicas de vários estados, organizadas por estudantes universitários, docentes, técnicos das universidades, IFs, secundaristas e professores da educação básica.

“Esse corte coloca em risco a universidade pública e, consequentemente, a possibilidade de vários jovens que estão na educação básica de acessar o ensino superior. Esse corte acaba com o sonho de uma geração, de estudar em uma universidade pública, gratuita e de qualidade”, disse Dayane.

Ela também lembrou que, além dos estudantes, a sociedade civil também é fortemente impactada, já as universidades públicas produzem pesquisas que visam o desenvolvimento social, científico e tecnológico.

Algumas universidades já iniciaram suas mobilizações, como a Universidade Federal da Bahia (UFBA), que reuniu aproximadamente 3 mil estudantes, professores e funcionários em um ato no dia 6 de maio. No dia 8, cerca de 5 mil da Universidade Federal Fluminense (UFF) foram às ruas contra o corte de verbas.

Já nos Institutos Federais, foi criada a campanha #TiraAMãoDoMeuIF, que mobilizou alunos dos IFs em todo o país.

No dia 15, a efervescência estudantil gerada nos últimos dias deve chegar em seu auge.

“A nossa expectativa é que a mobilização seja muito grande. Sem dúvida será o maior ato desde que o governo Bolsonaro foi eleito, e há uma tendência de envolvimento do conjunto da sociedade” acredita Dayane.

Segundo a vice-presidenta, a mobilização sobre a pauta da educação brasileira deve dar fôlego também para a greve geral contra a reforma da Previdência, no dia 14 de junho.

Via – Portal Vermelho

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Governo gastará 40 milhões para convencer população sobre reforma

Para convencer a população que a proposta de reforma da Previdência é necessária e acabará com privilégios, o governo Bolsonaro anunciou que gastará R$ 40 milhões na nova campanha publicitária que fará a defesa da proposta de reforma da Previdência. As propagandas devem ser lançadas na segunda quinzena de maio e serão veiculadas em rádio, televisão, jornais e internet, com o slogan "Nova Previdência, pode perguntar".


A propaganda tentará convencer a população de que a reforma da Previdência "promoverá justiça social e ampliará a capacidade de investimentos do país, com geração de emprego".

A campanha foi formulada pela Secretaria Especial de Comunicação (Secom), a Secretaria de Governo, e produzida pela agência Artplan.

A linguagem visual terá a predominância das cores verde e amarelo da bandeira brasileira.

Para a televisão, as peças serão em formato de pergunta e resposta e terão um selo com a frase "Essa é a verdade". Foi informado ainda que terão outdoors, mas não foi anunciado em quais cidades serão exibidos.

A nota do governo diz que as mensagens da propaganda abordaram "a redução de privilégios históricos do sistema previdenciário brasileiro, que inclui a diminuição da contribuição de quem ganha menos e o aumento da contribuição de quem ganha mais; a manutenção das regras vigentes para quem já está aposentado; o aumento dos recursos para a Educação; e a economia promovida a Estados e municípios, o que vai auxiliar no equilíbrio das contas públicas", informou.

Segundo cálculos do governo, com a reforma na Previdência serão economizados mais de R$ 1 trilhão em dez anos.

A população que pagará a conta

Dificilmente será apresentado tal como são os pontos principais da proposta de reforma, como o "benefício de prestação continuada", onde o aposentado deverá continuar pagando até completar 70 anos, após isso, receberá um salário-mínimo de aposentadoria, ou a implantação do "Sistema de Capitalização", onde os benefícios serão pagos baseado nas contribuições feitas pelo próprio trabalhador aos bancos.

A proposta de reforma ainda inclui o aumento da idade mínima para se aposentar, com aumento para homens e mulheres (62 anos para mulheres e 65 anos para homens), com contribuição mínima de 20 anos e ainda há mudança na aposentadoria rural: 60 anos tanto para homens quanto para mulheres, com contribuição de 20 anos. E essa idade mínima vai aumentando. Com o passar dos anos, nessa proposta, não haverá mais aposentadoria por tempo de contribuição.


quarta-feira, 8 de maio de 2019

Contag denuncia impactos da reforma da Previdência na área rural

Trabalhadores rurais estão entre os principais afetados pela PEC 6/2019 e também pela MP 871/2019, que excluirá milhões da cobertura previdenciária e levará à falência milhares de municípios brasileiros.

Reforma vai aumentar pobreza no campo e comprometer segurança alimentar da população brasileira.
No RBA

São Paulo – “A proposta de reforma da Previdência apresentada pelo governo (PEC nº 06/2019 e Medida Provisória n.º 871/2019) afeta duramente os trabalhadores e trabalhadoras rurais e tem o viés de excluir a maioria desses segurados do sistema de proteção social vigente.” A denúncia é da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais e Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), em artigo publicado em 29 de abril, no Valor.

No texto, o presidente da entidade, Aristides Santos, e a secretária de Políticas Sociais, Edjane Rodrigues, lembram que estudos feitos com base no Censo Agropecuário apontam que a renda monetária líquida anual da agricultura familiar é muito baixa.

“Em 61% dos estabelecimentos agropecuários, caracterizados como agricultura familiar, a renda monetária líquida anual identificada foi em valor inferior a R$ 1.500, sendo que em aproximadamente 50% dos estabelecimentos essa mesma renda não chega a R$ 300 ano. Isso demonstra que a maioria dos agricultores familiares, denominados segurados especiais, não tem capacidade de contribuir com regularidade para a Previdência”, informa o artigo.

A Contag questiona a proposta do governo Jair Bolsonaro, de instituir uma contribuição anual fixada, inicialmente, em R$ 600 por grupo familiar. “Desde a Lei Complementar nº 11/71 e mesmo após a Constituição de 1988, os trabalhadores rurais que exercem a atividade agropecuária por contra própria têm acesso à proteção previdenciária mediante a comprovação do trabalho rural, e participam do custeio mediante a aplicação de uma alíquota de 1,5% incidente sobre a venda da produção rural.”

Desigualdade e violência: reforma de Bolsonaro fará do Brasil um país de miseráveis
A razão para isso, explicam os agricultores, deve-se ao fato de a produção de alimentos ser atividade de alto risco, “sendo comum o agricultor familiar perder a produção devido a situações de emergência ou de calamidade, como secas, excesso de chuva, ataque de pragas na lavoura, ou ainda ter de vender o produto rural por um preço que não paga o custo de produção por não dispor de sistemas de armazenagem”.

O artigo critica, ainda, a elevação do período de carência para a aposentadoria por idade para um mínimo de 20 anos de contribuição, que deixará enorme contingente de segurados rurais longe do acesso ao benefício, especialmente os rurais que vendem sua força de trabalho a terceiros. “De acordo com a Pnad/IBGE (2015), dentre os 4 milhões de assalariados rurais, aproximadamente 60% trabalham na informalidade... Exigir desses trabalhadores 20 anos de contribuição para acesso à aposentadoria significa excluí-los desse direito protetivo, não só pela informalidade das relações de trabalho, mas também pela dificuldade que terão para manter-se executando um trabalho penoso e exaustivo por período superior a 40 anos.”

A reforma tem também aspectos nocivos para as trabalhadoras rurais: a elevação de 55 anos para 60 anos para ter direito à aposentadoria, diante da penosidade do trabalho e o início precoce da atividade laboral. Sete em cada 10 mulheres do campos começaram a trabalhar antes de completar 15 anos de idade.

“Isso significa, pelas regras atuais, que a aposentadoria no valor de um salário mínimo é acessada após longos e exaustivos 40 anos de trabalho rural. Ao elevar a idade de aposentadoria para 60 anos, as trabalhadoras rurais que conseguirem ter acesso a tal direito terão cumprido 45 anos de trabalho penoso, em dupla ou tripla jornada, muitas vezes sem finais semana, feriados e férias para descansar, pois o labor rural não permite.”

Exclusão, pobreza e êxodo rural

Para os representantes da Contag, a Medida Provisória 871/2019 afeta a Previdência rural e aumenta a exclusão, diante da intenção do governo de, a partir de 2020, reconhecer direitos apenas dos trabalhadores rurais segurados especiais que estiverem cadastrados e com informações atualizadas no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS-Rural).

“Tais medidas dificultarão o acesso aos benefícios previdenciários rurais, tendo em vista que a maioria dos segurados especiais não tem informações cadastrais atualizadas nas bases de dados do governo. Tampouco os segurados conseguirão comprovar o recolhimento de contribuição previdenciária devido à dificuldade que enfrentam para formalizar a venda da produção rural.”

Se as propostas do governo passarem, avaliam os agricultores, “além da exclusão de milhões de trabalhadores e trabalhadoras rurais da proteção previdenciária, haverá aumento da pobreza no campo, saídas em massa de pessoas do campo para a cidade, podendo ainda comprometer a segurança alimentar da população brasileira já que o benefício previdenciário é um estímulo para que os agricultores familiares mantenham-se no campo e na produção de alimentos – o que reduzirá a quantidade produzida e o consequente aumento dos preços, gerando inflação”.

E isso não afetará apenas os trabalhadores rurais, mas a economia de pequenos e médios municípios, dada a importância que os benefícios previdenciários rurais têm no PIB per capita dessas cidades, afirmam os dirigentes da Contag.

terça-feira, 7 de maio de 2019

Evento em Nova Londrina arrecadou 2.800 quilos de alimentos


No feriado de 1º de maio, o Grupo de Amigos da entidade ecumênica “Amor ao Próximo” fez um evento beneficente no Estádio João Venâncio da Rocha, em Nova Londrina, e arrecadou 2.800 quilos de alimentos, que serão doados ao Hospital do Câncer de Maringá.


Teve disputa de jogos de futebol e show de prêmios, onde a população respondeu positivamente. No futebol feminino, a equipe da Escolinha de Futsal venceu por 1x0 a equipe Amigas da Sirley. O gol foi anotado pela Aline. No masculino, a equipe Sociedade Esportiva Máster venceu a Seleção de Nova Londrina por 1x0, gol do Deci.


Charge dos nossos dias

Por Carlos Latuff


segunda-feira, 6 de maio de 2019

4,8 milhões de desempregados já deixaram de buscar trabalho, diz IBGE

Últimos dados sobre emprego no Brasil mostram que, das 13,4 milhões de pessoas sem emprego, 37,8% desistiram da procura.

Entre desempregados, subocupados, desalentados e pessoas que não estão ocupadas por outros motivos, Brasil tem 28,3 milhões de subutilizados / José Cruz / Agência Brasil.

O número de pessoas aptas ao trabalho mas sem emprego no Brasil superou a marca dos 13,4 milhões no primeiro trimestre de 2019. Isso significa dizer que 12,7% dos brasileiros e brasileiras estão desempregados. Os dados atualizados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na última terça (30).

"Os dados confirmam o indicativo do aumento do número do desemprego. Talvez o mais importante seja o volume desse aumento de desocupados. São 1,2 milhões de pessoas, comparando com o trimestre anterior. A taxa aumentou mais de um ponto percentual, o que é muito significativo em um primeiro trimestre", comenta Patrícia Pelatieri, coordenadora de pesquisas do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

:: "Trabalho precário, intermitente, é a antessala do desemprego", diz Ricardo Antunes ::

Uma análise mais aprofundada sobre os dados do IBGE revela outros recortes que permitem avaliar a evolução do cenário laboral brasileiro: 6,8 milhões de pessoas estão subocupadas. Tratam-se, em geral, de trabalhadores informais ou que se dedicam aos chamados bicos, trabalhando menos horas do que poderiam.

O sociólogo Ricardo Antunes, um dos maiores estudiosos brasileiros sobre o mundo do trabalho, explicou em entrevista ao Brasil de Fato que este tipo de trabalho, informal, intermitente é a "antessala do desemprego".

Os números apontam também para um grupo crescente de trabalhadores desalentados, ou seja, desempregados que deixaram de procurar emprego, cresceu 3,9% no último trimestre. No total, 180 mil pessoas desistiram de encontrar um trabalho, somando 4,8 milhões de brasileiros.

Antunes interpreta que a condição de desalento não significa que o trabalhador ou a trabalhadora não queira mais buscar emprego porque não precisa. "Eles não buscam mais emprego porque estão fazendo isso há um, dois anos. Para buscar emprego você tem que acordar cedo, ter dinheiro para condução, para alimentação. É muito custoso", analisa.

Somados os trabalhadores sub-ocupados, os trabalhadores que poderiam trabalhar mas não o fazem por diversos motivos – uma mãe que não pode trabalhar por ter que cuidar de um filho pequeno sem acesso a creche, por exemplo –  e os trabalhadores desalentados, o Brasil atingiu o recorde de 28,3 milhões de pessoas classificadas pelo IBGE como subutilizadas.

"É muito preocupante olhar esse quadro, principalmente ao verificarmos o perfil dos desalentados, dos sub-ocupados e desempregados. São, em sua maioria, mulheres jovens entre 18 e 24 anos. Trabalhadores de ocupações elementares, com baixa escolaridade. Estamos falando de um empobrecimento da classe trabalhadora muito significativo", alerta Pelatieri.

:: "Qualquer vaga serve": paulistanos saem às ruas em busca de emprego ::

De acordo com Antunes, a criação de bolsões de desempregados é servil ao sistema capitalista. Sobretudo no cenário atual, em que as políticas sociais estão em retração, e com os efeitos da reforma trabalhista, tornando trabalhadores cada vez mais reféns às condições degradantes impostas pelos empregadores.

"O desemprego é o flagelo mais brutal. E cada vez mais esse bolsão de desempregados se confunde com o bolsão de subempregados, de informais intermitentes, porque todos esses vivenciam muitos horários de suas vidas em que deveriam trabalhar para sobreviver, na condição real de desemprego", concluiu Antunes.

*Colaboração Lu Sudré e Rodrigo Chagas
Edição: Rodrigo Chagas

sábado, 4 de maio de 2019

CNBB critica "reformas" previdenciária e trabalhista

A mensagem, divulgada durante a missa de abertura, foi reforçada pelo presidente da CNBB, dom Sérgio da Rocha.


Matéria do jornal O Estado de S. Paulo informa que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) criticou o projeto de “reforma” da Previdência do governo de Jair Bolsonaro (PSL) por "desconstitucionalizar" as regras da Previdência, durante a abertura da sua 57.ª Assembleia Geral da Conferência Nacional, nesta quarta-feira, 1º, em Aparecida, interior de São Paulo.

A mensagem, divulgada durante a missa de abertura, foi reforçada pelo presidente da CNBB, dom Sérgio da Rocha, durante a homilia. "Os trabalhadores são os mais fragilizados na sociedade, os que sofrem com o desemprego e com a falta de condições dignas de trabalho", disse.

Já na mensagem, cujo texto ele também assina, a CNBB pediu que trabalhador e sindicatos participem da discussão para preservar "sua justa e digna" aposentadoria. A Assembleia Geral reúne mais de 400 bispos para discutir, até o próximo dia 10, os desafios e diretrizes da Igreja brasileira até 2023. O conclave também elegerá a nova presidência da CNBB para os próximos quatro anos.

A mensagem destaca que a Previdência é fundamental para garantir a dignidade do trabalhador que se aposenta. "Reconhecer a necessidade de avaliar o sistema não permite desistir da lógica da solidariedade e da proteção social através da capitalização, como propõe a PC 06/2019. Também não é ético desconstitucionalizar regras da Previdência, inseridas na Constituição de 1988", afirma o texto.

"Reforma" trabalhista

A CNBB criticou também a "reforma" trabalhista, por ter agravado o problema do desemprego. "A flexibilização de direitos dos trabalhadores, institucionalizada pela lei 13.467 de 2017, como solução para superar a crise, mostrou-se ineficiente. Além de suscitar questionamentos éticos, o desemprego aumentou e já são mais de treze milhões de desempregados. O Estado não pode abrir mão do seu papel de mediador das relações trabalhistas, numa sociedade democrática", afirma.

O texto do clero reafirma o princípio orientador da doutrina social da Igreja na primazia do trabalho e do bem comum sobre o lucro e o capital. "Nos nossos dias, difunde-se o paradigma da utilidade econômica como princípio das relações sociais e, por isso, de trabalho, almejando a maior quantidade possível de lucro, imediatamente e a todo o custo, em detrimento da dignidade e dos direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras."

A mensagem cita o papa Francisco, para quem o desemprego juvenil é a primeira e mais grave forma de exclusão e marginalização dos jovens. "A impossibilidade de trabalho gera a perda do sentido da vida e, consequentemente, leva à pobreza e à marginalização. Incentivamos os trabalhadores e trabalhadoras e as suas organizações a colaborarem ativamente na construção de uma economia justa e de uma sociedade democrática."

sexta-feira, 3 de maio de 2019

Há 22 anos, Brasil perdia Paulo Freire

Apesar do renome internacional do pedagogo, Jair Bolsonaro tenta apagar legado do patrono nacional da educação.


Lu Sudré

No dia 2 de maio de 1997, o filósofo e educador Paulo Freire falecia vítima de infarto no miocárdio. Foram 75 anos de vida, a maior parte dedicada à criação de métodos inovadores de educação com foco na transformação social. Essa militância tornou a imagem do senhor de barbas brancas e óculos arredondados, assim como sua obra, reconhecida internacionalmente.

Brasileiro mais homenageado da história, o pernambuco autor de quase 40 obras ganhou dezenas de títulos de doutor honoris causa de universidades da Europa e América. Em 1986, recebeu o prêmio da Unesco de Educação para a Paz. 

Seu modelo de educação, utilizado no mundo todo, parte do princípio da humanização do ensino e do reconhecimento da história e da cultura do aluno que, junto com o professor, passa a construir o processo de aprendizagem. Um ensino horizontal, onde todos ensinam e aprendem.

:: Por que as ideias de Paulo Freire ainda incomodam? ::

Durante a ditadura civil-militar brasileira, o método de alfabetização do pedagogo foi considerado uma ameaça à ordem. Para fugir da perseguição dos militares, Paulo Freire permaneceu exilado durante 16 anos.

Mesmo passadas mais de duas décadas de sua morte, as ideias do educador ainda incomodam. Por ser considerado um “propagador de ideias perigosas” e “doutrinador marxista”, em 2017, o Movimento Brasil Livre (MBL) organizou um abaixo-assinado online pela revogação da lei 12.612, de 2012, sancionada pela presidenta Dilma Rousseff, que concedeu o título a Freire.

O documento atingiu as 20 mil assinaturas necessárias para se converter em sugestão legislativa e foi debatido no Senado Federal. No entanto, após análise da proposta, a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) da Casa manteve a honraria à Paulo Freire.

Mesmo com o pedido negado pelo Senado, o educador continua sendo alvo de ataques. Em declarações recentes, Jair Bolsonaro (PSL) disse que pretende alterar o patrono da educação brasileira, título concedido a Paulo Freire em 2012. O desejo do presidente é acompanhado de muitos outros. A deputada Caroline de Toni (PSL-SC), já havia apresentado um projeto de lei na Câmara para revogar o título.

Na contramão do bolsonarismo, nesta quinta-feira (2), em memória, o governador Flávio Dino (PCdoB), concedeu ao educador a condecoração máxima do Estado do Maranhão por “Reconhecimento à importância de sua monumental obra para a educação em todo o mundo”.

:: Paulo Freire, 97 anos: o legado do brasileiro que ensinou o mundo a ler a si mesmo ::

Em entrevista à revista argentina La Garganta Poderosa, da organização de vilas e favelas La Poderosa, a também educadora Sofia Freire Dowbor, neta de Paulo Freire, criticou as ofensivas do governo contra a imagem de seu avô.

“Bolsonaro propôs entrar com um lança-chamas no Ministério da Educação para destruir até o último vestígio do que meu avô nos deixou. Quer anular o pensamento crítico e o trabalho em grupo”, disse Dowbor.

“Hoje, mais do que nunca, a educação popular é fundamental para gerar um ser coletivo, porque como bem dizia meu avô, ‘quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor’”, afirmou, exaltando o legado do pedagogo.

Autor do livro “Comunicação e cultura: As ideias de Paulo Freire”, publicado em 2011, Venício Artur de Lima explica ainda que o pedagogo também deixou um marco na área da comunicação.

Venício estuda os conceitos de Freire desde a década de 70, quando estava exilado e fez doutorado na área de comunicação social no exterior. “Ele deu uma contribuição teórica e prática para quem se interessa pelo campo da comunicação que, do meu ponto de vista, é válida até hoje. Já havia uma tradição anterior a ele de se estudar a comunicação, mas ele introduziu uma dimensão política nesse estudo”, comenta o especialista.

:: Para esse novo golpe, tentam exilar de novo Paulo Freire ::

O professor emérito da Universidade de Brasília (UNB) também destaca as contribuições de Freire na área dos estudos da cultura. “Ele introduziu o conceito de cultura do silêncio, que se aplica até hoje. Faz parte da história dos oprimidos, dos excluídos no Brasil. A contribuição dele para a comunicação e para a cultura é absolutamente fundamental”, ressalta Venício.

Referência internacional

Lançado em 1968, o livro "Pedagogia do Oprimido", sua principal obra, completou 50 anos ano passado e se mantém como único livro brasileiro citado na lista dos 100 títulos mais pedidos pelas universidades de língua inglesa.

Venício de Lima relembra que, em dezembro do ano passado, a “Revue Internationale D’Éducation”, importante publicação da área de educação desenvolvida pela Universidade de Sorbonne, na França, produziu um dossiê sobre as figuras mais importantes da educação de todos os tempos.

:: Paulo Freire entre os maiores educadores de todos os tempos ::

Entre os nomes de Confúcio, Platão, Sócrates, Rousseau e Freud, estava o de Paulo Freire. “É no mínimo paradoxal que haja esse reconhecimento universal sobre a obra e importância do Paulo Freire e no Brasil esteja acontecendo o que está acontecendo. Eu só posso atribuir isso ao desconhecimento”, argumenta.

Sobre os ataques à figura do educador, Lima afirma concordar com a opinião de Ana Maria Freire, viúva do filósofo, cedida em entrevista ao jornal O Globo no início do mês passado.

“Aqueles que, inclusive o senhor presidente da República, combatem Paulo Freire hoje desconhecem o que ele escreveu, o que ele fez, o que ele pensou e o que ele era. Basta ver o reconhecimento dele fora do Brasil”, critica.

Permissão para desmatar - de moto serra nas mãos

Projeto de lei de Flávio Bolsonaro e Márcio Bittar elimina proibição do desmatamento.


Por José Carlos Ruy*

Os senadores de direita Márcio Bittar (MDB-AC) e Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do capitão-presidente Jair Bolsonaro (PSL), aparecem hoje, no noticiário, como se tivessem nas mãos uma moto-serra e um isqueiro para aumentar o desmatamento que, desde o golpe de 2016, está praticamente sem controle no Brasil - que, só em 2018, diz o Global Forest Watch, perdeu irregularmente 130.000 quilômetros quadrados de florestas - área quase do tamanho do estado do Ceará, cuja área alcança 148 mil quilômetros quadrados.

Aqueles senadores querem, agora, rasgar a lei que cria as áreas de proteção ambiental nas fazendas.

A notícia foi publicada pelo jornal Folha de São Paulo, nesta quinta-feira (2), sob o título "Projeto de F. Bolsonaro quer revogar proteções e pode agravar desmatamento", de autoria do jornalista Alex Tajra.

O projeto de lei daqueles senadores quer revogar as normas referentes à proteção de vegetação nativa das propriedades rurais, podendo aumentar a margem de desmatamento desses imóveis. A proposta tramita na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado e desfigura o capítulo 4 do Código Florestal - que os grandes proprietários rurais rejeitam desde a aprovação do Código Florestal, há mais de uma década.

Aqueles senadores investem contra a proteção do meio ambiente alegando ser preciso abdicar da proteção da vegetação nativa para "garantir o direito constitucional de propriedade".

É o mesmo argumento contra a libertação dos escravos usado pelo conservador Barão de Cotegipe no Parlamento, em 13 de maio de 1888, na histórica sessão que aprovou a Lei Áurea: a defesa do direito de propriedade!

É o mesmo argumento conservador usado agora a favor de grandes latifundiários, contra a lei que impede o desmatamento sem regra.

O Código Florestal, considerado um dos mais avançados do mundo, fixa a área do imóvel rural definida como reserva, na qual é proibido o desmatamento, e só permite o "uso sustentável dos recursos naturais". Estabelece percentuais mínimos, de acordo com a extensão da propriedade, que devem ser preservados. Na Amazônia Legal (que abrange Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e parte de Mato Grosso, Tocantins e Maranhão), o mínimo é de 80% da vegetação nativa; nas áreas de cerrado, essa porcentagem é de 35%; e nas áreas de campos gerais, 20%; nas demais regiões do país, 20% da vegetação nativa.

O capítulo que o filho de Bolsonaro e Bittar querem revogar ainda trata das punições para quem descumprir estas determinações - o inciso terceiro do artigo 17, que ordena a "suspensão imediata das atividades em área de Reserva Legal desmatada irregularmente após 22 de julho de 2008".
Outro artigo regulamenta a exploração das reservas, com práticas "de manejo sustentável sem propósito comercial".

Os senadores justificam sua proposta anti-ambiental dizendo que o Brasil "é um dos [países] que mais preservam sua vegetação no mundo". "Não é demais reafirmar que o Brasil é o país que mais preserva sua vegetação nativa e o produtor rural é personagem central desta preservação, ao bancar do próprio bolso a conservação de um quarto do território nacional".

Esquecem que Brasil já não ocupa há alguns anos a vanguarda no combate ao desmatamento, situação acentuada desde o golpe de 2016.

Em seu projeto malsão, os senadores argumentam que a maior exploração das terras pode "transformar os recursos naturais em riquezas", aumentando a produtividade das fazendas. Não é verdade, diz o pesquisador do Inpe, Carlos Nobre. "A pecuária, por exemplo, emprega pouquíssima gente", diz ele. E este atentado contra o meio ambiente pode piorar a as relações econômicas do Brasil com outros países, dificuldades que também estão atreladas a fatores como preservação e reflorestamento.

No Brasil, diz ele, "vejo como uma volta a 1987, quando os ruralistas desmataram tudo o que podiam desmatar por que sabiam que a Constituição iria limitá-los. De repente, um governo entra e ecoa a cultura da posse da terra, da expansão infinita. Eles não abrem mão do discurso expansionista, e isso gera uma reação internacional muito ruim para o Brasil".

Análise feita pelo pesquisador Gerd Sparovek, da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), e publicada pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF) mostra que o projeto anti-ambiental dos senadores direitistas pode resultar no desmatamento de 1,6 milhões quilômetros quadrados - ou o equivalente a três vezes o tamanho do estado da Bahia.

"Essa lei representa um retrocesso ambiental. O Código Florestal já passou por uma mudança em 2012 e diminuiu seu grau de efetividade. Naquele momento se criou um consenso de implementação da lei pela parte mais moderna do setor. Essas áreas de reserva garantem a resiliência climática, ciclo de chuvas. Abrir esse precedente é um tiro no pé do próprio setor produtivo", diz o engenheiro agrônomo Edegar de Oliveira Rosa, gerente do programa Agricultura e Alimentos do WWF.


 *José Carlos Ruy é jornalista, escritor e colunista do Portal Vermelho.

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Bolsonaro veta propaganda do Banco do Brasil que celebra a diversidade

Educafro promete recorrer à ONU contra censura a vídeo com protagonistas negros e negras. Parlamentares também reagem a mais um "absurdo" do governo Bolsonaro.

Via - RBA


São Paulo – Uma propaganda do Banco do Brasil que retratava jovens negros e negras e celebrava a diversidade foi retirada do ar depois de uma interferência direta do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Ele ligou para o presidente do banco, Rubem Novaes, que diz ter "concordado" com a sugestão de derrubar a peça publicitária.

A campanha, que começou a ser veiculada em 1º de abril, incentivava a abertura de contas digitais pelo público jovem e trazia personagens  com ares "descolados", cabelos coloridos, uma mulher trans, dentre outros, emulando trejeitos utilizados em fotos postadas nas redes sociais, e foi retirada há cerca de duas semanas.

A Educafro, entidade que luta pela inclusão da população negra no ensino superior e no mercado de trabalho, pretende entrar com denúncia na ONU contra a retirada da propaganda. Segundo o coordenador da Educafro, frei David Santos, a população negra há muito tempo luta pelo respeito à diversidade. "Essa propaganda consolida uma conquista dos excluídos. A decisão é muito equivocada, um retrocesso", afirmou ao jornal O Globo.

A ingerência de Bolsonaro também levou à saída do diretor de Comunicação e Marketing do banco, Delano Valentim. Em nota, Novaes diz que a demissão do diretor foi tomada em "consenso" – supostamente com Bolsonaro – com "aceitação" de Valentim. O Planalto disse que não vai comentar. 

Sobre o vídeo censurado, a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) classificou o episódio de censura como "mais um absurdo" protagonizado pelo governo. "Desta vez, Bolsonaro censurou uma campanha publicitária do Banco do Brasil estrelada por atores e atrizes negros. O motivo? Ao que tudo indica, a diversidade incomoda."

Já a deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) questionou a atitude do presidente. "Onde já se viu um presidente tomar uma atitude dessas sem apresentar nenhum motivo plausível?! Bolsonaro não suporta ver a pluralidade de corpos e sotaques do Brasil."

O jornalista Leonardo Sakamoto, da organização não-governamental Repórter Brasil, destacou que a ação de Bolsonaro, além de ser "absurda e violenta" contra negros e LGBTs, representa uma interferência indevida do governo numa empresa de economia mista.

Assista ao vídeo:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...