APRESENTADO A COMARCA PARA O MUNDO E O MUNDO PARA A COMARCA

TEMOS O APOIO DE INFOMANIA SOLUÇÕES EM INFORMÁTICA Fones 9986 1218 - 3432 1208 - AUTO-MECÂNICA IDEAL FONE 3432-1791 - 9916-5789 - 9853-1862 - NOVA ÓTICA Fone (44) 3432 -2305 Cel (44) 8817- 4769 Av. Londrina, 935 - Nova Londrina/PR - VOCÊ É BONITA? VENHA SER A PRÓXIMA BELA DA SEMANA - Já passaram por aqui: Márjorye nascimento - KAMILA COSTA - HELOIZA CANDIDO - JAINY SILVA - MARIANY STEFANY - SAMIRA ETTORE CABRAL - CARLA LETICIA - FLAVIA JORDANI - VIVANE RODRIGUES - LETICIA PIVA - GEOVANNA LIMA - NAIELY RAYSSA - BIANCA LIMA - VITÓRIA SOUZA - KAROLAINE SOUZA - JESSICA LAIANE - VIVIANE RODRIGUES - LETICIA LIMA - MILANE SANTOS - CATY SAMPAIO - YSABELY MEGA - LARISSA SANTANA - RAYLLA CHRISTINA - THELMA SANTOS - ALYNE FERNANDES - ALESSA LOPES - JOYCE DOMINGUES - LAIS BARBOSA PARRA - LÉINHA TEIXEIRA - LARISA GABRIELLY - BEATRIZ FERNANDES - ALINE FERNANDA - VIVIANE GONÇALVES - MICAELA CRISTINA - MONICA OLIVEIRA- SUELEN SLAVIERO - ROSIMARA BARBOSA - CAMILA ALVES - LAIZA CARLA SANTOS - IZADORA SOARES - NATHÁLIA TIETZ - AMANDA SANTOS - JAQUELINE ACOSTA - NAJLA ANTONZUK - NATYELI NEVES - LARISSA GARCIA - SUZANA NICOLINI - ANNA FLÁVIA - LUANA MAÍSA - MILENA AMÂNCIO - LAURA SALVATE - IASMYN GOMES - FRANCIELLY KOGLER - LIDIANE TRAVASSOS - PATTY NAYRIANE - ELLYN FONSECA - BEATRIZ MENDONÇA - TAYSA SILVA - MARIELLA PAOLA - MARY FERNANDES - DANIELLE MEIRA - *Thays e Thamirys - ELLEN SOARES - DARLENE SOARES - MILENA RILANI - ISTEFANY GARCIA - ARYY SILVA - ARIANE SILVA - MAYARA TEIXEIRA - MAYARA TAKATA - PAOLA ALVES - MORGANA VIOLIM - MAIQUELE VITALINO - BRENDA PIVA - ESTEFANNY CUSTÓDIO - ELENI FERREIRA - GIOVANA LIMA - GIOVANA NICOLINI - EVELLIN MARIA - LOHAINNE GONÇALVES - FRANCIELE ALMEIDA - LOANA XAVIER - JOSIANE MEDEIROS - GABRIELA CRUZ- KARINA SPOTTI - TÂNIA OLIVEIRA - RENATA LETÍCIA - TALITA FERNANDA - JADE CAROLINA - TAYNÁ MEDEIROS - BEATRIZ FONTES - LETYCIA MEDEIROS - MARYANA FREITAS - THAYLA BUGADÃO NAVARRO - LETÍCIA MENEGUETTI - STEFANI ALVES - CINDEL LIBERATO - RAFA REIS - BEATRYZ PECINI - IZABELLY PECINI - THAIS BARBOSA - MICHELE CECCATTO - JOICE MARIANO - LOREN ZAGATI - GRAISELE BERNUSSO - RAFAELA RAYSSA - LUUH XAVIER - SARAH CRISTINA - YANNA LEAL - LAURA ARAÚJO TROIAN - GIOVANNA MONTEIRO DA SILVA - PRISCILLA MARTINS RIL - GABRIELLA MENEGUETTI JASPER - MARIA HELLOISA VIDAL SAMPAIO - HELOÍSA MONTE - DAYARA GEOVANA - ADRIANA SANTOS - EDILAINE VAZ - THAYS FERNANDA - CAMILA COSTA - JULIANA BONFIM - MILENA LIMA - DYOVANA PEREZ - JULIANA SOUZA - JESSICA BORÉGIO - JHENIFER GARBELINI - DAYARA CALHEIROS - ALINE PEREIRA - ISABELA AGUIRRE - ANDRÉIA PEREIRA - MILLA RUAS - MARIA FERNANDA COCULO - FRANCIELLE OLIVEIRA - DEBORA RIBAS - CIRLENE BARBERO - BIA SLAVIERO - SYNTHIA GEHRING - JULIANE VIEIRA - DUDA MARTINS - GISELI RUAS - DÉBORA BÁLICO - JUUH XAVIER - POLLY SANTOS - BRUNA MODESTO - GIOVANA LIMA - VICTÓRIA RONCHI - THANYA SILVEIRA - ALÉKSIA LAUREN - DHENISY BARBOSA - POLIANA SENSON - LAURA TRIZZ - FRANCIELLY CORDEIRO - LUANA NAVARRO - RHAYRA RODRIGUES - LARISSA PASCHOALLETO - ALLANA BEATRIZ - WANDERLÉIA TEIXEIRA CAMPOS - BRUNA DONATO - VERÔNICA FREITAS - SIBELY MARTELLO - MARCELA PIMENTEL - SILVIA COSTA - JHENIFER TRIZE - LETÍCIA CARLA -FERNANDA MORETTI - DANIELA SILVA - NATY MARTINS - NAYARA RODRIGUES - STEPHANY CALDEIRA - VITÓRIA CEZERINO - TAMIRES FONTES - ARIANE ROSSIN - ARIANNY PATRICIA - SIMONE RAIANE - ALÉXIA ALENCAR - VANESSA SOUZA - DAYANI CRISTINA - TAYNARA VIANNA - PRISCILA GEIZA - PATRÍCIA BUENO - ISABELA ROMAN - RARYSSA EVARISTO - MILEIDE MARTINS - RENATHA SOLOVIOFF - BEATRIZ DOURADO - NATALIA LISBOA - ADRIANA DIAS - SOLANGE FREITAS - LUANA RIBEIRO - YARA ROCHA - IDAMARA IASKIO - CAMILA XAVIER - BIA VIEIRA - JESSICA RODRIGUES - AMANDA GABRIELLI - BARBARA OLIVEIRA - VITORIA NERES - JAQUE SANTOS - KATIA LIMA - ARIELA LIMA - MARIA FERNANDA FRANCISQUETI - LARA E LARISSA RAVÃ MATARUCO - THATY ALVES - RAFAELA VICENTIN - ESTELLA CHIAMULERA - KATHY LOPES - LETICIA CAVALCANTE PISCITELI - VANUSA SANTOS - ROSIANE BARILLE - NATHÁLIA SORRILHA - LILA LOPES - PRISCILA LUKA - SAMARA ALVES - JANIELLY BOTA - ELAINE LEITE CAVALCANTE - INGRID ZAMPOLLO - DEBORA MANGANELLI - MARYHANNE MAZZOTTI - ROSANI GUEDES - JOICE RUMACHELLA - DAIANA DELVECHIO - KAREN GONGORA - FERNANDA HENRIQUE - KAROLAYNE NEVES TOMAS - KAHENA CHIAMULERA - MACLAINE SILVÉRIO BRANDÃO - IRENE MARY - GABRIELLA AZEVEDO - LUANA TALARICO - LARISSA TALARICO - ISA MARIANO - LEIDIANE CARDOSO - TAMIRES MONÇÃO - ALANA ISABEL - THALIA COSTA - ISABELLA PATRICIO - VICTHORIA AMARAL - BRUNA LIMA - ROSIANE SANTOS - LUANA STEINER - SIMONE OLIVEIRA CUSTÓDIO - MARIELLE DE SÁ - GISLAINE REGINA - DÉBORA ALMEIDA - KIMBERLY SANTOS - ISADORA BORGHI - JULIANA GESLIN - BRUNA SOARES - POLIANA PAZ BALIEIRO - GABRIELA ALVES - MAYME SLAVIERO - GABRIELA GEHRING - LUANA ANTUNES - KETELEN DAIANA - PAOLLA NOGUEIRA - POLIANY FERREIRA DOS ANOS - LUANA DE MORAES - EDILAINE TORRES - DANIELI SCOTTA - JORDANA HADDAD - WINY GONSALVES - THAÍSLA NEVES - ÉRICA LIMA CABRAL - ALEXIA BECKER - RAFAELA MANGANELLI - CAROL LUCENA - KLAU PALAGANO - ELISANDRA TORRES - WALLINA MAIA - JOYCE SAMARA - BIANCA GARCIA - SUELEN CAROLINE - DANIELLE MANGANELLI - FERNANDA HARUE - YARA ALMEIDA - MAYARA FREITAS - PRISCILLA PALMA - LAHOANA MOARAES - FHYAMA REIS - KAMILA PASQUINI - SANDY RIBEIRO - MAPHOLE MENENGOLO - TAYNARA GABELINI - DEBORA MARRETA - JESSICA LAIANE - BEATRIS LOUREIRO - RAFA GEHRING - JOCASTA THAIS - AMANDA BIA - VIVIAN BUBLITZ - THAIS BOITO - SAMIA LOPES - BRUNA PALMA - ALINE MILLER - CLEMER COSTA - LUIZA DANIARA – ANA CLAUDIA PICHITELLI – CAMILA BISSONI – ERICA SANTANA - KAROL SOARES - NATALIA CECOTE - MAYARA DOURADO - LUANA COSTA - ANA LUIZA VEIT - CRIS LAZARINI - LARISSA SORRILHA - ROBERTA CARMO - IULY MOTA - KAMILA ALVES - LOISLENE CRISTINA - THAIS THAINÁ - PAMELA LOPES - ISABELI ROSINSKI - GABRIELA SLAVIERO - LIARA CAIRES - FLÁVIA OLIVEIRA - GRAZI MOREIRA - JESSICA SABRINNI - RENATA SILVA -SABRINA SCHERER - AMANDA NATALIÊ - JESSICA LAVRATE - ANA PAULA WESTERKAMP- RENATA DANIELI - GISELLY RUIZ - ENDIARA RIZZO - *DAIANY E DHENISY BARBOSA - KETLY MILLENA - MICHELLE ENUMO - ISADORA GIMENES - GABRIELA DARIENSO - MILENA PILEGI - TAMIRES ONISHI - EVELIN FEROLDI - ELISANGELA SILVA - PAULA FONTANA CAVAZIM - ANNE DAL PRÁ - POLLIANA OGIBOWISKI - CAMILA MELLO - PATRICIA LAURENTINO - FLOR CAPELOSSI - TAMIRES PICCOLI - KATIELLY DA MATTA - BIANCA DONATO - CATIELE XAVIER - JACKELINE MARQUES - CAROL MAZZOTTI - DANDHARA JORDANA - BRENDA GREGÓRIO - DUDA LOPES - MILENA GUILHEN - MAYARA GREGÓRIO - BRUNA BOITO - BETHÂNIA PEREIRA - ARIELLI SCARPINI - CAROL VAZ - GISELY TIEMY -THAIS BISSONI - MARIANA OLIVEIRA - GABRIELA BOITO - LEYLLA NASCIMENTO - JULIANA LUCENA- KRISTAL ZILIO - RAFAELA HERRERA - THAYANA CRISTINA VAZ - TATIANE MONGELESKI - NAYARA KIMURA - HEGILLY CORREIA MIILLER - FRANCIELI DE SANTI - PAULA MARUCHI FÁVERO - THAÍS CAROLINY - IASMIM PAIVA - ALYNE SLAVIERO - ISABELLA MELQUÍADES - ISABELA PICOLLI - AMANDA MENDES - LARISSA RAYRA - FERNANDA BOITO - EMILLY IZA - BIA MAZZOTTI - LETICIA PAIVA - PAOLA SLAVIERO - DAIANA PISCITELLE - ANGELINA BOITO - TALITA SANTOS Estamos ha 07 anos no ar - Mais de 700 acessos por dia, mais de um milhão de visualizações - http://mateusbrandodesouza.blogspot.com.br/- Obrigado por estar aqui, continue com a gente

terça-feira, 15 de outubro de 2019

COITADAS DE SODOMA E DE GOMORRA

... "Quando eu vi nesta cidade,
Tanto horror e iniqüidade
 Resolvi tudo explodir ““...
 (Chico Buarque em Geni e o Zepelin)

Foto ilustrativa
Será que o que rolava em Sodoma e Gomorra se assemelha com aquilo que rola por trás dos bastidores deste circo ao qual se estende sobre nossas cabeças? Você é capaz de imaginar o que vem acontecendo debaixo de nossas narinas?


A promiscuidade, a orgia, a perversão que houveram por lá, eram inocentes, se comparadas com a dos nossos dias. Os maiores pervertidos de Sodoma e Gomorra se pasmariam frente ao despudor reinante do nosso tempo.

Tudo bem que para sua época, Sodoma e Gomorra eram avançadas em matéria de desobediência e andavam na contra ordem de seu tempo, porem, a maestria dos nossos dias em atender aos anseios da carne é tanta, que o menor aluno em promiscuidade daqui, serviria como reitor dos reitores da libertinagem das duas extintas cidades.

Os escândalos causados por Sodoma e Gomorra, a violação dos bons costumes de seu tempo são se comparados aos nossos algo tão inocente, que se fossemos sodomitas ou gomorritas, teríamos uma conta pequena à prestar com Deus.

As coisas por aqui estão em tal nível, que se Sodoma e Gomorra tivessem notícias de nós, seus habitantes ficariam antes de tudo escandalizados e em seguida, revoltados. Povo, povo, nem queiram imaginar o tamanho do nosso castigo, se a prestação de contas para as irmãs Sodoma e Gomorra foi a nível de fogo e enxofre, A nossa então será indizível.

Joelhos ao chão minhas criancinhas, joelhos ao chão, as coisas por aqui andam estarrecedoras, seria o mesmo que colocarmos lado a lado uma bola de basquetebol e uma cabeça de alfinete, nós somos a primeira opção, os sodogorromitas, a segunda.

Pois é, as coisas estão nestas proporções, os cananeus de Sodoma e Gomorra não querem ser um carrapato em nosso couro. Nossa divida é descomunal, nem tentem imaginar. Os mais ajuizados, começaram a rezar.

Mateus Brandão de Souza, graduado em história pela FAFIPA.

Texto originalmente publicado em 2011

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

ACADEMIA DE JUDÔ OS DRAGÕES INDEPENDENTES 45 ANOS

Era manhã de sábado, dia 12 de Outubro de 1974, Agostinho Arraes, jovem professor de artes marciais, trazia em seu coração um misto de sentimentos que ia desde a ansiedade, passando pela emoção até a felicidade plena. Era, pois, um sonho que se realizava, nascia neste dia Academia de Judô Os Dragões Independentes, um escola que fez história e consequentemente, campeões, campeões estes, liderados pelo mestre que tem como característica a sobriedade e a seriedade.

Via: Professor Osmar Fernandes

A academia de judô com prédio próprio, situado na Avenida João Venâncio da Rocha N°542 é desde sua fundação um orgulho para a pequena Nova Londrina, em suas dependências agregaram-se campeões que se evidenciaram tanto no âmbito estadual quanto no nacional, uma história que sempre conduziu seus alunos no bom caminho, com a sensatez de seu líder Agostinho Arraes, ele, referência digno de reverência aos profissionais de judô.

Uma história de tradição e longevidade não vem acompanhada unicamente de flores, a luta renhida, o trabalho árduo e a seriedade não foram suficientes para poupar de adversidades a menina dos olhos de Agostinho Arraes, a conhecida Academia de Judô Os Dragões Independentes, seguia seus dias no tempo que nunca para e antes de completar sete anos de atividades, ela sofre um golpe doído...

Foto/Vilmar Toledo
Eram as primeiras horas da tarde de uma segunda-feira , 27 de Maio de 1981, um vendaval repentino castigou a cidade de Nova Londrina, colocando abaixo muitos telhados, muitas paredes e consequentemente, muitos sonhos, o contratempo não defendeu a academia do professor Agostinho, o castelo do rei ruiu-se, e ele escapou por providência divina, pois, poucos minutos antes estivera no prédio que naquele instante viera abaixo.

Era um sonho interrompido? A princípio parecia que sim, porém, toda tempestade antecede uma bonança. Os bons ventos vieram, os ruins se foram, o impacto negativo daquele dia também passou, o bom guerreiro não se entrega antes da hora final, a fé e a perseverança faz vicejar o sonho, a vida imita a mitologia e tal qual a fênix que ressurge das cinzas, a Academia de Judô Os Dragões Independentes ressurgiu sob os escombros deixados pelo vendaval.

Com a fibra dos guerreiros, o Dragão não adormeceu e a academia seguiu adiante seus passos, na defesa de seus intentos, atento, rompendo as barreiras e os vendavais, derrubando a desesperança, golpeando as dificuldades e escrevendo sua história campeã em formar campeões.

Quarenta e cinco anos nos separam daquele 12 de Outubro de 1974, Professor Agostinho Arraes  segue de pé com sua academia, olhando com orgulho seu patrimônio e descansado na paz de consciência de seu dever cumprido e do seu sonho realizado. O Dragão não adormece, sente que não é hora, não é tempo de parar.

Outros contratempos vieram, mas, a caminhada continuou, o mestre tem seu respeito e seu legado, seu trabalho rendeu frutos e não foi em vão, Agostinho Arraes se emociona quando relembra que teve seu trabalho reconhecido pelo mestre em judô Roberto Nagahama, quando este o felicitou por ser responsável pela formação do professor em Judô Douglas Violin, filho de Nova Londrina e hoje ministrando aulas na Universidade Estadual de Maringá (UEM).

A história da Academia de Judô Os Dragões Independentes segue viva na força de vontade e no amor pela causa do Sensei Agostinho Arraes, o mestre está na ativa, exercendo seus conhecimentos e contribuindo para a perpetuação desta arte milenar aqui em Nova Londrina, hoje em nome de sua academia, Agostinho Arraes presta seu serviço atendendo no Caiuá Country Club, quarenta e cinco anos depois de ter nos enriquecido com a construção de sua academia.

Ao professor e sua escola externamos nossos parabéns, além da gratidão por nos ensinar a perseverança e o caminho do bom senso, que os bons ventos estampem em seu semblante os sorrisos da consciência tranquila do dever cumprido. Obrigado professor pelo seu trabalho e pela Academia de Judô Os Dragões Independentes.

Salve 12 de Outubro de 1974 – Viva a Academia de Judô Os Dragões Independentes do professor Agostinho Arraes.

Mateus Brandão de Souza

sábado, 12 de outubro de 2019

"Adeus à Noite": Reflexos de duas gerações

Em meio à trama familiar, cineasta francês André Téchiné discute a posição de duas gerações argelinas sobre o uso da violência contra seus inimigos.


Por *Cloves Geraldo

Em princípio o tema central deste “Adeus à Noite” brota na cabeça do espectador como o conflito entre duas gerações de argelinos radicadas no norte da França. A começar pela idosa Muriel (Catherine Deneuve) cujas raízes árabes foram amortecidas pela absorção de uma nova cultura e os negócios no campo, onde administra o haras com cavalos de raça e a escola de equitação para crianças e adolescentes. Situação adversa à do neto Alex (Kacey Mottet Klein), envolvido com um grupo de descendentes argelinos muçulmanos, adepto do extremismo do Estado Islâmico (EI). O que torna a relação deles de difícil sustentação, dada à crença dos jovens.

O terceiro vértice desta configuração dramática é a jovem argelina, Lila (Oulaya Amanra), espécie de filha adotiva de Muriel e namorada de Alex. Cuidadora de idosos numa instituição de caridade, ela é firme em seu fervor a Alá e fiel seguidora do também jovem líder local do EI, o argelino Bilal Matip (Sthéphane Bakpor). De poucas palavras e firme em suas posições, ele os orienta sobre as tarefas e posições que o grupo deve adotar. Lila, ao contrário do que se espera dela, como mulher árabe, mostra-se livre e com posições próprias em conversas com as amigas.

Mas é Alex que concentra todas as atenções de Muriel, dada às relações cada mais estreitas entre ele e Bilal. Não lhe falta vigilância e conversas com o amigo e senhorio Joseph (Jacques Notot), devido aos sumiços do neto, quando deveria estar ajudando-a na supervisão das cerejeiras a ocupar grande parte de sua propriedade. Ou mesmo em seu haras, onde dedica parte de seu cotidiano a dar aulas de equitação para as crianças da pequena cidade. Isto mostra que ela prepara Alex para se tornar seu sucessor nos negócios, sem saber que ele está ligado ao EI.

Téchiné transforma seu filme em drama familiar

Há, no entanto, o conflito interior do jovem Alex que emerge em suas aflitivas conversas com Muriel. Principalmente quando ela o pressiona para lhe explicitar suas ligações com o EI e ele prefere pressioná-la a lhe esclarecer as nebulosas razões da morte da mãe, única filha da avó. Eles terminam por se desentender, pois há algo que Muriel não lhe revela. Com estas configurações, André Téchiné (13/03/1943), transforma este “Adeus à Noite” num drama familiar, no qual não faltam as figuras do pai e da mãe para preencherem o vazio e a urgência de eles estarem presentes.

Contudo, Téchiné (A Culpa dos Inocentes, 1987) é um cineasta sofisticado, bem informado, que busca a abordagem correta sem escorregar nos fatos históricos. E além disso trafega de um eixo dramático ao outro sem perder o tema central de sua narrativa. Discute a um só tempo a posição dos imigrantes argelinos, ocorrida antes e pós-Revolução Argelina (01/11/1954/19/03/1962), na qual os franceses foram derrotados. E não deixa escapar o quanto eles se tornaram cidadãos franceses. Numa sequência emblemática para se entender isto, Alex questiona Muriel a razão de ela não retornado uma vez sequer ao seu país e ela silencia.

Este rápido diálogo elucida a diferença entre três gerações de argelinos. E justamente o neto Alex que nasceu na França é o que tende a questionar a posição do Ocidente sobre sua crença em Abul Acacim Maomé Ibne Abdalá Ibne Abdal Mutalabe Ibne Haxim (570/632), fundador da religião muçulmana e do império árabe. E notadamente sua adesão ao Estado Islâmico (EI). Ainda mais prestes a entrar em ação de envergadura que poderia redundar num atentado de grandes proporções, a marcar de vez seu grupo. Mesmo o espectador, sem qualquer cena ou sequência preparatória pode aventar tais possibilidades. Alex não é mais o mesmo.

Alex não deixa escapar nenhum dado sigiloso

Os encontros de Alex, Lila, Bilal e Fouad (Kamel Labroudi) vão nesta direção, sem entrar em detalhes sobre o que realmente farão e quem lhes dará cobertura. Bilal apenas orienta seus liderados e os estimula a rezar e seguir suas orientações. Inexistem preparativos, levantamentos de locais e o tipo de ação que irão desenvolver. Téchiné prefere não ser didático, como o cineasta australiano Anthony Maras, em “Assalto ao Hotel Taj Maral (2018)”. Nenhuma informação sigilosa é comentada ou escapa dos jovens integrantes do grupo, ainda que saibam dos mínimos detalhes.

Mesmo Alex, por mais que seja pressionado pela avó, mantém o segredo nos mínimos detalhes, mesmo quando é punido ferozmente por ela. Travam uma luta construída por Téchiné como algo inevitável para Muriel controlar todas as ações do neto, evitando o pior para ambos, em seu ponto de vista. O espectador vê nesta punição o antecipar do que ela teme, porquanto chega mesmo a dizer que:” Eu sei o que acontece, ele não vai voltar”. Tipo de premonição forçada, ainda que verdadeira em razão do envolvimento de Alex na preparação do ato de grandes proporções.

O espectador então fica intrigado, pois quem acaba se transformando em “mãe coragem” é Muriel, em razão de sua sensibilidade de mulher e avó. Seu tirocínio é provocado pelo temor do que poderia advir das ações do grupo. Daí emerge o suspense, ainda que nada se saiba das maquinações da idosa, interpretada pela enigmática e sempre contida Catherine Deneuve (22/10/1943), como o personagem exige. Seus instantes de fúria e seu modo de interiorizar seus repentes são minimalistas e construções de thriller. Tal é o modo como justifica sua atitude ao impedir que o neto chegue ao local do atentado. E ele se vê encurralado como um cão, a ponto de desforrar em Fouad (Kamel Labrouda), em acertada direção de Téchiné.

Muriel teme o ato extremista do neto

Sem perder a tipificação do tema central deste “Adeus à Noite”, Téchiné desvia sua câmera para o que também estava em jogo. Não apenas a defesa do neto, mas também a sustentação dos negócios sob o controle do que restou da família. São agora apenas dois sobreviventes. Em curtas sequências, vê-se os adolescentes em seus cavalos de raça a treinar equitação. E ainda a preocupação de Muriel com sua plantação de cerejas. É o olhar crítico do cineasta atento não só aos eixos dramáticos, mas para o outro lado da personagem: o medo do ato extremista do neto.

Não se está diante de uma história digestiva com bem estruturadas cenas de suspense. Téchiné quer ir além, fazer o espectador sentir o dilema da avó diante do extremismo de Alex, não o visto de longe, mas dentro de sua própria casa. E ademais por ato de seu único neto. É isto que leva Muriel a agir como se vê ao longo da segunda e terceira parte do filme. Os fios dramáticos do que ocorreu à mãe de Alex e o que o faz detestar o pai não se encaixam mais nas preocupações dos dois personagens, a fazer a narrativa avançar de forma acelerada.

A admirável estruturação dramática de Téchiné e seus co-roteiristas Léa Nysius e Amer Alware está na matização dos ambientes onde transcorre a ação neste “Adeus à Noite”. Deixaram de lado os ambientes urbanos com suas movimentadas ruas, cheias de veículos e pedestres. Dando a entender a carnificina antes mesmo de ela ocorrer, a partir de ambientes fechados, rotas de fugas por telhados ou em veículos em alta velocidade. Um clichê mesmo depois dos ataques em Paris, nas ruas de Londres e no atentado às Torres Gêmeas, em Nova York. Por mais realistas que sejam estes cenários, não passam hoje de repetição barata.

Cenários naturais ditam clima do filme

Em “Adeus à Noite” quem dita o clima e a beleza dos cenários naturais em luxuriantes cores é a própria natureza. Da floresta de intenso verde na primavera de 2015 à vegetação rasteira. Entre elas estão as cocheiras com os cavalos de raça, as casas de andar térreo e a pista de terra para treinamento dos jovens cavaleiros. E mesmo a cidade quando aparece é através de nesgas de portas e só. O que vale aqui são os personagens vivendo situações reais, numa dicotomia entre imigrantes argelinos e um de seus descendentes, cidadão francês, ligado ao EI. E a cocheira quando se torna cenário do embate entre avó e neto se presta a representar uma prisão quando o punido está longe de cometer o crime.

Enfim, o que Téchiné pretende não é pender para um lado ou outro, sim mostrar o quanto as questões familiares podem interferir nos rumos tomados por seus entes queridos. O desfecho de “Adeus à Noite” é emblemático ao expor esta visão em estruturação e belo enquadramento, denso clima, pouca luz e plano aproximado do diretor de fotografia Julien Hirsch. E remete ao film noir das décadas de 40 e 50, seu ápice, flagrando a atitude de Muriel em intervir numa realidade que tentou manter sob controle sem sucesso. Mas encontrou as saídas que fizeram suas intenções se tornarem realidade, mesmo que alguns viram seus planos fracassarem.

Alguma lição pode sair para Alex e seu grupo

Há, portanto, a ideia de Téchiné e de seus co-roteiristas de que as gerações não repetem suas experiências, como ocorreu com Muriel. Ela se adaptou à nova realidade e construiu seu espaço de acordo com o ditado pelo capital e o defende com os mesmos interesses. Seu neto Alex e seus companheiros, por mais radicais que sejam, buscaram outros caminhos. Pode não ser o desejável, dado ao radicalismo com que podiam destruir sem apontar novas formas de construir estruturas econômicas e sociais. A alegria de Muriel ao saber do que ocorreu a Alex e seu grupo não desfaz a construção histórica. Alguma lição para ele e seu grupo pode sair daí.

Adeus à Noite (L´Adieu à la nuit”). Drama. França/Alemanha. 2019. 103 minutos. Ficha Técnica: Trilha sonora: Alexis Rault. Montagem: Albertine Lastera. Fotografia: Julien Hirsch. Roteiro: André Téchiné, Léa Nysius, Amer Alware. Direção: André Téchiné. Elenco: Catherine Deneuve, Kacey Mottet Klein, Oulaya Amanra, Jacques Notot, Stéphane Bak, Kamel Labroudi.

*Jornalista e cineasta, dirigiu os documentários "TerraMãe", "O Mestre do Cidadão" e "Paulão, lider popular". Escreveu novelas infantis,  "Os Grilos" e "Também os Galos não Cantam".

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

O vigoroso socialismo chinês

A passagem do 70º aniversário da Revolução Socialista na China revelou o entusiasmo do povo chinês com os êxitos do sistema inaugurado com a vitória da longa marcha comandada por Mao Tse-tung, em 1949. “De hoje em diante, a China vai se colocar de pé”, anunciou o líder revolucionário. O mundo ainda respirava a atmosfera da vitória da democracia na Segunda Guerra Mundial, mas novas ameaças surgiam no horizonte.


A Nova China, nascida da maior revolução anticolonial do século XX, foi importante também para o equilíbrio de forças na geopolítica do pós-guerra. Logo em seguida, em junho de 1950, com a intervenção norte-americana na península coreana, outro grande conflito começava a se desenvolver na região. À época, o sistema capitalista, já sob a batuta do governo dos Estados Unidos, enfrentava dificuldades para dominar alguns territórios, entre eles a China.

A União Soviética saíra da guerra ainda mais poderosa. Uma série de países da Europa — Alemanha Oriental, Polônia, Tchecoslováquia, Hungria, Bulgária, Romênia e Albânia — deixara a órbita das potências capitalistas. Além dos mais de 70 milhões de europeus, 475 milhões de chineses passaram para o campo da democracia popular e do socialismo. Esses acontecimentos eram tidos como obras de uma “conspiração moscovita”.

O mundo capitalista, que se debatia nas garras da crise desde antes do início da Segunda Guerra Mundial, armava-se febrilmente para impedir o avanço do socialismo. O mito-propaganda da “ameaça comunista” trazia de volta velhos chavões que inundaram o mundo pelas ações do nazi-fascismo no entreguerras. A Ásia e a América Latina foram as regiões priorizadas pela política de Washington para impedir o avanço das forças progressistas.

Além do cerco norte-americano — que voltaria a promover uma guerra de grandes proporções na região ao invadir o Vietnã —, a China se deparava com imensos desafios internos. O país enfrentava a constante ameaça externa e precisava de um rápido desenvolvimento. Após um período de ziguezague, com êxitos e revezes no aprendizado da Revolução desbravando um terreno novo, o socialismo com características chinesas chegou ao advento da reforma e abertura, criado por Deng Xiaoping.

O desenvolvimento rápido – essa livrou centenas de milhões de chineses da pobreza e passou por um acelerado ritmo de urbanização, com a superfície urbanizada se elevando de 17,9% para 50% do território nacional – trouxe também contribuição significativa para diferentes regiões do planeta. O país se integrou a várias economias, entre elas o Brasil. Outro fenômeno chinês de grande relevância foi a definição dos princípios de sua política externa, a busca do desenvolvimento pacífico estabelecido no 11º Congresso do Partido Comunista Chinês, de 1978. Hoje, a China tem importante protagonismo no multilateralismo internacional.

A construção da indústria básica e da infraestrutura também foi reforçada, dando suporte crescente ao desenvolvimento econômico e social do país. O salto educacional foi outro ponto relevante, considerado pelos chineses como um dos principais eventos que modernizaram a China nesse período, priorizado pelos camaradas de Mao Tse-tung e Deng Xiaoping que desenvolveram a reforma e a abertura.

Com seu feixe de tradições preservado, a China inventou seu próprio modelo de desenvolvimento, seu próprio estilo de fazer a roda da economia girar, baseado na alta tecnologia e no controle cambial – a razão principal da guerra comercial movida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump –, condição que coloca o país em primeiro lugar no mundo em termos de paridade de compra de sua população. Essa flexibilidade inteligente é um dos aspectos mais notáveis do sistema chinês. Ao mesmo tempo, o país reforça sua posição unitária e as garantias da sua soberania.

O presidente Xi Jinping, discursando no 150º aniversário de nascimento de Sun Yat-sen – o pioneiro da China republicana – em 2016, disse que era promessa solene do povo e da história nunca mais deixar o país ser despedaçado. “Todas as formas de atividades separatistas serão resolutamente opostas por todo o povo chinês", acrescentou. "Nunca permitiremos que qualquer pessoa, organização ou partido político remova uma parte do território da China, sob qualquer forma e em qualquer momento”, enfatizou.

Ao discursar no desfile dos 70 anos da Revolução, o presidente afirmou que “nenhuma força pode parar o progresso do povo chinês e da nação chinesa”. A Nova China, sob a direção do Partido Comunista, emancipou o país e sua população, dando-lhes novo destino, ao mesmo tempo que proporcionou à humanidade um gigantesco salto civilizatório.


quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Outubro Rosa: Prevenir o câncer, investir na saúde da mulher

Desde os anos 1990, o Outubro Rosa vem chamando a atenção para a necessidade de maior atenção à saúde da mulher. O mês foi associado a essa cor para reforçar o controle do câncer da mama, o segundo de maior incidência sobre as mulheres no Brasil e no mundo, só atrás do câncer de pele não melanoma.

Material da Contee sobre o Outubro Rosa: valorização da saúde da mulher 
Por Marcos Aurélio Ruy

“Todas as conquistas dos últimos anos”, afirma Elgiane Lago, secretária de Saúde da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), “estão indo por água abaixo com os cortes promovidos pelo governo de Jair Bolsonaro”. Segundo Elgiane, os retrocessos na saúde pioraram com o golpe de 2016 e ganham ênfase no atual governo. “O Ministério da Saúde tem projetos para passar o dinheiro público para empresas privadas de saúde e isso pode acabar com o SUS (Sistema Único de Saúde), o que liquida com a medicina preventiva e com os programas de atendimento à população”.

A começar pelo “teto de gastos” – a Emenda Constitucional 95 –, que congela os investimentos públicos por 20 anos. “Temos assistido à queda de participação federal na Saúde, como proporção na receita corrente líquida. Ela foi 15,77% em 2017, caiu para aproximadamente 14% em 2018 e agora, no orçamento de 2019, era 13,8%”, afirmou o economista Francisco Funcia, assessor técnico do Conselho Nacional de Sáude para orçamento do SUS, em entrevista à repórter Beatriz Mota, numa publicação da Fiocruz.

Ele explica ainda que esse parco recurso sofreu um corte de 3% pelo governo Bolsonaro. “O que é grave para estados e, principalmente, municípios. Um estudo que a gente fez mostra que os municípios aumentaram até 2,5 vezes a participação no financiamento da saúde no Brasil, entre os anos de 1991 e 2017. Eles participavam com 12% no total (1991) e passaram a participar com 31% (2017). E a contribuição da União, neste tempo, caiu de 72% para 43%. Com qualquer queda do gasto federal, os municípios não têm mais condições materiais e objetivas de compensar”.

Em números absolutos, o Ministério da Saúde teve o congelamento de R$ 599 milhões, 3% do que foi orçado para 2019. “Considerando que o SUS tem enfrentado processo de subfinanciamento crônico desde a sua constituição, que se agravou fortemente a partir da EC 95, em 2017 – com um processo que a gente tem denominado hoje como ‘desfinanciamento’ –, tirar qualquer recurso previsto significa um grave problema. Não há como manter um sistema único de saúde como o nosso, retirando a cada ano mais recurso. Se nada for feito, o SUS vai morrer por asfixia financeira”, assinala Funcia.

Por isso, acentua Elgiane, “defender o SUS é a prioridade das prioridades”. Para a sindicalista gaúcha, “o congelamento dos investimentos públicos em todas as áreas afeta sobremaneira a saúde porque deteriora as condições de vida das pessoas, provocando número maior de adoecimentos. Tanto que estamos vendo a volta de doenças já dadas como extintas, principalmente relacionadas às condições de salubridade”.

Artigo publicado no periódico BMC Medicine mostra que os cortes de gastos federais para o programa Estratégia da Saúde da Família por causa da EC 95 podem levar a 27,6 mil mortes evitáveis até 2030. A quase extinção do programa Mais Médicos acarreta um possível aumento de 8,6% na mortalidade, o que representa cerca de 48,5 mil óbitos evitáveis em decorrência do abandono de políticas públicas fundamentais para a maioria da população sem acesso ao atendimento privado na saúde.

Os especialistas realçam a necessidade de políticas públicas de saúde para valorização da medicina preventiva. Daí o fundamento do Outubro Rosa. “É neste mês que as mulheres podem valorizar sua saúde, exigindo seus direitos”, acentua Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB. É sabido que as mulheres sofrem mais as consequências da precariedade na saúde. “São as mulheres que, em geral, têm sobre os seus ombros a responsabilidade de cuidar da saúde da família, sobrando pouco tempo para si mesma”, garante.

Prevenção ao câncer da mama

“A prevenção ao câncer de mama é essencial para mostrar à mulher a necessidade de ela se cuidar e se respeitar para ser respeitada em sua vida como qualquer pessoa”, diz Ivânia Pereira, vice-presidenta da CTB. Segundo ela, a mamografia anual para mulheres acima dos 40 anos é fundamental para a prevenção dessa doença. “Os cortes efetuados em diversas áreas e o congelamento de investimentos no setor público causam transtornos à vida de todo mundo.”

Não por acaso, a Sociedade Brasileira de Mastologia, o Colégio Brasileiro de Radiologia e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia divulgaram um comunicado conjunto em defesa da mamografia anual. “As principais sociedades médicas do mundo são unânimes em recomendar o rastreamento mamográfico com uma periodicidade anual ou bienal, a depender do país. No Brasil, as sociedades médicas recomendam o rastreamento mamográfico anual para as mulheres entre 40 a 75 anos”, explica o comunicado à sociedade.

“A deposição da presidenta Dilma em 2016 trouxe consequências drásticas para o País. As pessoas estão mais doentes porque estão trabalhando em condições cada vez mais precárias e sem descanso adequado. A saúde pública está retrocedendo décadas por falta de atendimento adequado”, explica Ivânia.

“Cortar investimentos em áreas fundamentais para a melhoria da vida da população – como saúde, educação, transportes, habitação e saneamento básico –, aliados à liberação de agrotóxicos na agricultura e corte de bolsas de estudos, afeta pesquisas em saúde, em prejuízo para a população mais necessitada”, diz Elgiane. “Acabar com o SUS é outro fator que provoca aumento da incidência da doença, porque ainda existe tratamento para câncer de mama proporcionado pelo SUS.”

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

China: 70 anos de avanços sem dogmas preservando uma cultura milenar

Nos 70 anos de República Popular da China, a abertura e modernização de 1978 é o marco de um país que sabe avançar sem dogmas preservando sua essência


Por Luiz Rodrigues*

Uma das belezas da vida é aprender a usar as novas tecnologias, se adaptar aos novos tempos, mas ainda assim sermos capazes de preservar a nossa essência. Ser quem verdadeiramente somos. Mudar aquilo que nós queremos mudar em nós e não somente “ir na onda”. Autoconsciência e serenidade são qualidades que muitos gostam de cultivar em si mesmos. Também olhando por este ângulo, os 70 anos da República Popular da China merecem ser motivo de comemoração pelo povo chinês. Neste período pós-revolução de 1949, o país sob a liderança do Partido Comunista não somente alcançou progresso material e econômico em velocidade recorde, mas soube também manter suas características chinesas respeitando as condições e realidades do seu povo.

A mudança nunca é um processo fácil. Sejam as grandes revoluções ou as reformas esporádicas, mudar causa complicações. Por exemplo, o primeiro dia na escola pode ser o passaporte para uma vida mais independente e com mais amigos, mas as crianças choram ao ter que deixar seus pais no portão de entrada. Sobre as mudanças, nestes 70 anos de República Popular da China, um dos marcos mais mal compreendidos no Ocidente é a chamada Reforma e Abertura de Deng Xiaoping de 1978, que no fim do ano passado completou 40 anos. Àquela época, a China fez um balanço das primeiras décadas de revolução, avaliou os avanços e os gargalos, avaliou a conjuntura, e decidiu apostar no socialismo de mercado e numa maior inserção de sua economia no comércio internacional.

Este processo de grandes mudanças iniciado no fim da década de 70 foi interpretado superficialmente por alguns ideólogos ligados às potências ocidentais como uma “transição ao capitalismo”. Esta narrativa logo se tornou dominante no Ocidente. Prisioneiros de uma mentalidade dual típica de guerra fria, seria difícil explicar que alguns mercados ficariam abertos à República Popular da China em troca de rearranjos geopolíticos de redução de rivalidades. Não combinava com a grande narrativa que vinha sendo contada de tentar isolar o bloco soviético com alegações acerca de divergências de ideologia. Ficaria escancarado que os interesses eram mais complexos. Assim, o Ocidente optou por explicações que se mostrariam insuficientes.

Deng Xiaoping era uma figura emblemática. Tendo se juntado ao Partido Comunista Chinês nos anos 20 em seus estudos na França, foi mandado à Moscou quando a NEP (Nova Política Econômica) de Lênin dava os seus primeiros frutos na aceleração do crescimento econômico da recém-criada União Soviética. Tendo vivido experiência da NEP, para Deng, o socialismo que cria condições materiais para a realização dos trabalhadores pressupunha mercados. Mercados coordenados sob um planejamento estatal vigoroso e com controle do Estado em setores estratégicos. Ainda assim, mercado. O próprio capitalismo em seu estágio avançado nos mostra alguns limites: por questões técnicas nem todos os setores são monopolizados ou oligopolizados no capitalismo. Se a produção agrícola e o pequeno comércio estão pulverizados num determinado momento no capitalismo, é porque provavelmente não existem condições técnicas de fazer a coordenação. Se a siderurgia está oligopolizada, provavelmente há maior capacidade de o Estado ter meios técnicos de fazer coordenação mais direta.

Com base na vivência e na análise, o processo chinês de abertura econômico foi planejado para manter a soberania. A partir dos anos 80, diversas empresas estrangeiras foram admitidas a produzir na China, mas somente em joint-ventures com empresas chinesas, a quase maioria, estatais. Por exemplo, as primeiras montadoras, costumavam ser participação de meio-a-meio entre a estrangeira, Volkswagen ou GM e a estatal chinesa SAIC. O governo chinês participava dos lucros, dos riscos, mas principalmente, ia aprendendo a fazer carros fazendo carros. Joseph Stiglitz, economista americano detentor de prêmio Nobel tem uma obra que explica a importância do aprendizado no ambiente de negócios chamado “Creating a Learning Society”. A China soube fazer bem esse aprendizado e décadas depois, engenheiros e executivos experientes da SAIC passaram a produzir diretamente automóveis pela SAIC ou se juntaram a outras empresas estatais que passavam da produção de motos e mobiletes para automóveis ou fundaram empresas com recursos dos bancos estatais chineses. Esse processo da indústria automotiva se repetiu em diversos outros setores.


A administração da abertura econômica, no entanto, não se deu só com as “joint-ventures” e o impulsionamento a indústrias chinesas que disputavam e disputam mercados importantes. Também se deu com o controle estatal direto sobre setores estratégicos. No petróleo, por exemplo, extração, refino e distribuição estão na mão de empresas estatais. Com a telefonia celular e internet, ocorre a mesma coisa: várias operadoras estatais. A multiplicidade de empresas estatais tem explicação: no fim dos anos 70, estudos prospectivos chineses apontavam os problemas da falta de competição na União Soviética como um dos fatores da estagnação econômica daquele país. Temendo seguir pelo mesmo caminho, a resposta chinesa, ainda nos anos 80 foi criar empresas estatais espelho para que competissem umas com as outras. Três empresas de petróleo, por exemplo. Posteriormente, a venda de algumas ações minoritárias em bolsas de valores para que o mercado precificasse o desempenho das empresas. Afinal, se a empresa é do povo, ela precisa trabalhar para o desenvolvimento do país, não só para melhorar as condições de trabalho de seus próprios trabalhadores.

Todo esse processo de abertura e modernização teve também um forte componente de investimento estatal em pesquisa e desenvolvimento. Inicialmente para alcançar competência em indústrias maduras como automotiva, mas depois para competir em setores de ponta, como trens de alta velocidade e painéis solares. Seja com controle direto das empresas, no caso de indústrias de bens mais homogêneos, seja por meio do crédito (num país que quase todos os grandes bancos têm controle estatal), no caso das indústrias de pesquisa de maior risco em que a participação privada é maior, o Estado tem um papel fundamental no avanço tecnológico. Como explica a economista Mariana Mazzucato, professora da Universidade de Sussex, o Estado é fundamental como tomador de riscos.

Assim, a China soube avançar nas reformas, soube colocar o mercado para trabalhar e construir condições materiais melhores sem perder a ampla capacidade de coordenação para o desenvolvimento. Esse período de Reforma e Abertura é especialmente representativo dos 70 anos de República Popular da China. Com uma liderança que não se prende a dogmas ou a copiar modelos (até porque conforme nos explica o professor Elias Jabbour, ao fim e ao cabo modelos não existem, porque cada condição é única), a China soube avançar mantendo sua essência. A República Popular da China trabalha para implantar o socialismo, mas com características chinesas. Apesar de um choque inicial com alguns valores confucionistas, soube fazer as mudanças necessárias, mas preservar a essência, que é a essência da sociedade chinesa. Soube inserir o mercado na equação econômica sem sacrificar o planejamento socialista. Soube fazer abertura mantendo a soberania. Talvez a China tenha muito a nos ensinar, especialmente a avançar sem dogmas, sem medos e sem apego a modelos pré-fabricados. Indo na essência.

* Luiz Rodrigues é gestor público da carreira de Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental. É acadêmico do Mestrado Profissional em Desenvolvimento e Governança pela Escola Nacional de Administração Pública. É Especialista em Relações Internacionais pela UnB e engenheiro formado pela USP.

terça-feira, 8 de outubro de 2019

STF decide pela anulação de condenação da Lava Jato; Lula é favorecido

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quarta-feira (2), por 7 votos a 4, que o réu delatado tem o direito a fazer as alegações finais durante as manifestações no processo antes do réu delator. Isso pode levar à anulação de 32 condenações da operação Lava Jato, inclusive a do ex-presidente Lula no processo do sítio de Atibaia, no qual ele levou a pena de 12 anos e 11 meses de prisão.

 O ministro Celso de Mello discordou da formulação de tese para orientar o alcance da decisão
Por Iram Alfaia

Após aprovarem a necessidade de adoção de uma tese para “orientar” as instâncias inferiores sobre o alcance da decisão, o presidente da Corte, Dias Toffolli, suspendeu a sessão para retornar nesta quinta-feira (3).

Com isso, foi concedido o habeas corpus pedido pela defesa do ex-gerente da Petrobras Márcio de Almeida Ferreira, condenado pela 13ª Vara Criminal Federal em Curitiba no processo oriundo da Lava Jato.

Adotou-se o mesmo entendimento no julgamento em agosto passado, pela segunda turma, quando anulou a sentença do ex-presidente da Petrobras Aldemir Bendine, condenado por Sergio Moro então juiz da Lava Jato.

A decisão pode fazer retroagir em nove meses a sentença por corrupção e lavagem de dinheiro do ex-presidente Lula no processo do sítio de Atibaia (SP) que já se encaminhava para a fase decisiva na segunda instância.

A favor da tese que pode anular sentenças votaram os ministros Dias Toffolli, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia, Rosa Weber e Celso de Mello. Contra estiveram o relator Edson Fachin, Marco Aurélio, Luís Barroso e Luiz Fux.

O presidente da Corte, Dias Toffolli, que votou com a maioria, apresentou a proposta para “orientar” as instâncias inferiores sobre alcances da decisão. São elas:

1) Em todos os procedimentos penais é direito do acusado delatado apresentar as alegações finais após o acusado delator que, nos termos da lei 12.850, de 2013, tenha celebrado acordo de colaboração premiada devidamente homologado, sob pena de nulidade processual, desde que arguido até a fase do artigo 403 do CPP ou o equivalente a legislação especial, e reiterado nas fases recursais subsequentes.

2) Para os processos já sentenciados, é necessária ainda a demonstração do prejuízo, que deverá ser aferida no caso concreto pelas instâncias competentes

Votaram contra a adoção de tese Alexandre de Moraes, Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio.

Lewandowski entendeu que no caso concreto existe “nulidade absoluta”, ou seja, pode beneficiar todos os réus que se encontram na mesma situação.

Para ele, está se propondo um "contra HC". “Ainda que se chame um gato de cachorro, ele não deixará de miar”, falou. O ministro diz que a tese fará com que a decisão "não atinja aqueles que não se manifestaram no momento oportuno" e prejudicar quem não tenha bom advogado.

Lava Jato

O ministro Gilmar Mendes fez duras críticas a operação Lava Jato é ao ex-juiz Sergio Moro. Disse que sempre teve preocupação com abusos agora revelados pelo The Intercept Brasil. Ele citou casos em que defendeu a excepcionalidade da prisão preventiva e afirmou que o instrumento foi usado como "elemento de tortura".

"Isto aparece hoje. Feitas por gente como Dallagnol (Deltan). Feitas por gente como Moro. É preciso que se saiba disso. O Brasil viveu uma fase de trevas. O resumo é: ninguém pode combater crime cometendo crime”, disse.

"Hoje se sabe de maneira muito clara, e o Intercept está aí para provar, que usava-se prisão provisória como elemento de tortura. Custa-me dizer isto no plenário E quem defende tortura não pode ter assento nesta corte constitucional", criticou.


segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Feminino Cangaço – (Documentário)


O Centro de Estudos Euclydes da Cunha apresenta o documentário “FEMININO CANGAÇO” dirigido por Lucas Viana e Manoel Neto, propõe uma reflexão crítica sobre a entrada das mulheres no cangaço, suas motivações, as superstições em torno delas, seus papeis dentro dos bandos, seus costumes, crenças e dramas pessoais. Trata-se de melhor compreender a importância das mulheres na construção do que hoje entendemos como o fenômeno do cangaço e as destacar como sujeitos ativos desta história, mulheres que transgrediram os valores sociais de sua época e cuja força surpreende ainda nos dias atuais.

sábado, 5 de outubro de 2019

Definindo Lampião


Virgulino Ferreira da Silva - Lampião - Por Benjamin Abrahão
A história de Virgulino Ferreira da Silva (Lampião) remonta a 1897, na cidade de Serra Talhada, Pernambuco, mas foi a partir de 1920 que ele começou a se tornar o maior cangaceiro do Brasil, Foi uma figura controversa, um enigma, uma lenda que persiste na história sertaneja, Sabemos que foi bastante temido e que também foi fruto das injustiças sociais, foi valente, foi um malfeitor fortemente armado, e andava em bando pelos sertões do nordeste e que onde tinha morte com rituais macabros, certamente Lampião e sua trupe estavam pelo meio, foi saqueador de fazendas e o maior inimigo da polícia.

Foi um misto de justiceiro, forasteiro, herói, vilão, para alguns Robin Hood do Sertão, para outros um bandido assassino, cruel, sanguinário.
Sua história é mesmo controversa e dá margens para pessoas comuns e conhecedores da história do cangaço criar suas próprias hipóteses, a partir da literatura, da pesquisa, de documentos e de depoimentos que surgiram de pessoas que conviveram com o mesmo, através de registros e vídeos publicados.

E partindo pro lado subjetivo, te pergunto. Em suas palavras, o que Lampião significou pra você e pra história do sertão nordestino?

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Da série a beleza feminina no cangaço


Devido sua beleza, ela era motivo de atenção, no mínimo descuido de seu companheiro sempre atento aos oponentes cobiçosos, não teve quem não embebedasse as retinas ao contemplar seus traços delicados de moça bonita naquele ambiente de machismo extremo.
Tal qual Durvinha, outra beldade que agraciou o cangaço, ela também arrancou suspiros e admiração. Foi assim em seus verdes tempos o que caracterizou a bela Dulce de Criança..

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

LAMPIÃO E UMA PROSTITUTA! EM CAPELA SERGIPE EM 1929.


Foi por volta de 1929 em sua primeira ida a cidade de Capela Sergipe... Depois de passear e até ir ao cinema da cidade, Lampião sempre dominado pelo erotismo, foi até a casa da Prostituta por nome Enedina. Ordenou-lhe que deixasse as portas da frente e dos fundos abertas, e disse-lhe: "Se aparecê os macacos (policiais) por uma ou por outra eu tenho que sair por cima deles" No quarto cuja porta Lampião a trancou por dentro, desfez se todos os embornais, cartucheiras, armas e roupas, ficando apenas de alpercatas e de camisa de meia a tal da camiseta. Ao se despir a rapariga quis ser gentil, e quis ajuda-lo. Ele e deteve a com um gesto:

Não pegue em nada: Minhas armas e neste borná só pode alguém pegar depois de morrer o Capitão Lampião. Pôs o fuzil e o parabellum ao alcance das mãos, sobre a cama ele colocou seu longo punhal... Depois do rala e rola Lampião suspirou e falou uma frase digna de um super amante ( Este quarto não cabe a metade dos cabras que este aqui tem sangrado, levantando o punhal em direção aos céus) Deu setenta mil réis a Enedina" e lamentando falou? é uma pena que o comercio não estar aberto para eu comprar para você um vestido e um perfume dos bons!!!

Obs. a fotografia da prostituta que aparece na matéria não é a de Enedina... A foto é da Prostituta Amélia Mendes da Silva, que viveu em Campina Grande PB. e teve com vários Cangaceiros.

Fonte: Do livro O incrível mundo do Cangaço vol.2 autor: Antonio Vilela de Souza.




quarta-feira, 2 de outubro de 2019

SEXO NO CANGAÇO

Maria Bonita - Por Benjamin Abrahão
Sabemos que mesmo na sociedade contemporânea o sexo é um tabu, nossas relações em alguns lugares ainda tem resquício de uma sociedade eurocentrica do século 19, isto é, conservadora, agora, imagine como seria as relações de amor e sexo nos anos 20 e 30 no sertão nordestino, sobre tudo no cangaço.

Os cangaceiros não andavam aos beijos e abraços aconchegados de mãozinha dadas, a vista dos companheiros e do público, tinham o desejo de demonstrar seu afeto, mas eram acanhados, como sabem o sertanejo é rude e grosso, por uma questão de ambiente não é carinhoso, a mulher pra ele é uma procriadora, sim, os bandidos eram jovens e totalmente sexuais, ainda mais com cangaceiras adolescentes, quase mulheres com seus seios rígidos e corpos sensuais, a entrada das mulheres no bando serviu um pouco pra amansar as feras, os estupros diminuíram bastante, as relações sexuais eram chamadas de "cobrir uma fêmea:, avistarem mulheres chorando era fetiche para os cangaceiros, isso era interessante para eles.

Quando iam dormir com suas companheiras forravam o chão com folhas e mantas, em qualquer parte e as vezes a vistas dos companheiros, porém eles não olhavam, as relações eram barulhentas, os cabras ouviam e compreendiam início meio e fim, ouviam os estalidos dos beijos, dos gravetos e o toque em algum objeto, o vento soprava e espalhava o sereno naqueles casais sujos, suados, com a roupa que passaram os dias e muitas vezes sem nenhum asseio pessoal.

 imagino que as cangaceiras eram lindas mesmo, até porque é muito difícil serem feias nas idades que tinham quando entraram no bando, na sua maioria adolescentes quase mulheres e nas idades de 13 a 19 anos, dizem que a mais bonita delas foi Lídia, na descrição de alguns autores, morena, dentes perfeitos, seios grandes e rígidos, cabelos negros e lisos, lábios carnudos, corpo sensual e bastante simpatica, na sua instabilidade amorosa teve o azar de ser mulher do Zé Bahiano, o mais feio do bando e também o mais cruel. Bom, o resto da história de Lidia já conhecemos, traiu o cangaceiro e teve uma morte cruel a cassetadas, seu belo rosto ficou desfigurado, Zé Bahiano enterrou em uma cova rasa e chorou feito criança por uma semana mas cumpriu o código de honra do cangaço, infelizmente Lídia teve um fim triste.

No Grupo do Facebook - Lampião - Governador do Sertão

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Desconstruindo Maria Bonita (e os cangaceiros)

"Uma visão romântica do cangaço não é compatível com um momento em que discutimos feminicídio", diz biógrafa da mulher de Lampião.

MARIA BONITA EM CENA DO FILME DE BENJAMIN ABRAHÃO. FOTO: REPRODUÇÃO

Entrevista para o site Socialista Morena

A série da Rede Globo que eternizou, em 1982, a imagem de Maria Bonita para a geração que hoje está com mais de 40 anos, trazia a mulher de Lampião como uma sertaneja coquete, sexy, ciumenta e que atirava de pistola nos “macacos” da polícia, lado a lado com os homens do bando. Era a mesma época em que programas como Malu Mulher e TV Mulher desafiavam a censura do fim da ditadura militar falando em divórcio, sexo e feminismo. A Maria Bonita de Tânia Alves tinha tudo a ver com a nova mulher brasileira que nascia com a redemocratização.

Nas imagens em preto e branco feitas pelo fotógrafo sírio Benjamin Abrahão entre 1936 e 1937, Maria Bonita (que aliás só ganharia este nome após se tornar uma lenda) surge como uma moça brejeira e algo tímida, mas com um semblante maroto, e esposa dedicada do cangaceiro, a quem serve água do cantil e penteia os cabelos lustrados com brilhantina.


Maria de Déa foi, na verdade, uma das poucas mulheres do cangaço a escolher aquela vida errante sob o sol do sertão. Na biografia de Maria Bonita escrita pela jornalista Adriana Negreiros, se está longe de ser a pioneira do feminismo que tantos pintaram, Maria Bonita é uma mulher “arretada” que foge dos maus tratos do marido para seguir Lampião, movida pelo desejo de aventura e pelo amor a Virgulino.

Bem ao contrário de suas contemporâneas de cangaço, que se assemelham a vítimas de Síndrome de Estocolmo, afeiçoando-se aos sequestradores e estupradores que se tornariam seus companheiros. Libertam-se de pais e irmãos opressores, é verdade, mas se dobram ao jugo dos amantes cangaceiros e são, no fundo, tão invisibilizadas quanto suas mães e avós: nas notícias sobre o bando de Lampião, os cronistas dedicam parcas linhas às mulheres, preocupando-se mais em descrever (e menosprezar) sua aparência.

“As cangaceiras eram submetidas à mesma lógica que aprisiona as mulheres na vida privada (no caso delas, os coitos, onde se escondiam da polícia e realizavam tarefas domésticas convencionais, como cozinhar e costurar), ao passo que aos homens era destinada a vida pública, o espetáculo”, afirma Adriana. Dadá, a mulher de Corisco, é o caso mais evidente de sequestrada que se liga emocionalmente ao sequestrador: aos 12 anos, foi deflorada pelo cangaceiro e trazida para o convívio no bando anos mais tarde, quando Lampião se une a Maria Bonita e abre a possibilidade de os cabras terem companheiras.

Lampião também se dedicava à costura e ao bordado de suas roupas e acessórios, como revelou o historiador Frederico Pernambucano de Mello em Estrela de Couro: A Estética do Cangaço –o que não significa, para a biógrafa, que os cangaceiros dividissem as tarefas domésticas. Mas é fato que o “rei do cangaço” costurava e bordava à máquina, com perfeição, seus bornais coloridos, cinturões, as capas dos cantis, seu chapéu de couro… Lampião teria inclusive alcançado alguma fama como alfaiate de couro antes de entrar para o cangaço.

Lampião na máquina de costura
“No sertão do começo do século 20, o manejo de linhas e agulhas não era uma atividade exclusivamente feminina. Os vaqueiros produziam os próprios gibões e chapéus e primavam pela beleza, além do aspecto utilitário da indumentária. Cangaceiros também se dedicavam à produção de seus trajes –mais do que simples vestimentas, verdadeiros uniformes de guerra. Se Lampião apreciara o bordado de Dadá era porque dominava o assunto e sabia reconhecer a sofisticação de uma trama. Entre os sertanejos, costurar e bordar não era ocupação que denunciasse pouca macheza”, conta Adriana no livro.

A vida familiar no cangaço era sofrida, o que não transparece nas imagens feitas por Abrahão, com as mulheres atirando e se divertindo a valer diante da câmera. Na realidade, de acordo com a jornalista, Maria Bonita não participava das ações do bando, assim como a maior parte das cangaceiras – ao que consta, Dadá era a única mulher a carregar um fuzil. “Raras foram as bandoleiras que pegaram em armas. Ao contrário do que propõe uma visão romanceada do cangaço, as mulheres não participavam dos combates”, diz. Apesar de ter sido aparentemente feliz ao lado do amado, Maria foi obrigada, como as demais, a dar à adoção sua filha, Expedita.

Leia abaixo a entrevista com a biógrafa de Maria Bonita. De bônus, o documentário Feminino Cangaço, de Lucas Viana e Manoel Neto, do Centro de Estudos Euclydes da Cunha, sobre a presença das mulheres entre os cangaceiros.


Socialista Morena – Percebi que você teve muita dificuldade em encontrar informações sobre Maria Bonita. As cangaceiras foram invisibilizadas pelos cronistas da época?

Adriana Negreiros – Sim. Os cronistas da época mal se referiam às mulheres. A presença das cangaceiras só começou a ser noticiada mais de um ano depois do ingresso delas no bando –e, ainda assim, de maneira bastante fantasiosa. As primeiras notícias davam conta de que as moças –ou meninas, porque algumas delas tinham 11, 12 anos– compunham um harém de Lampião. Posteriormente, quando a dinâmica no interior do bando começou a se mostrar mais clara (com casais em relação tradicionais), os cronistas pouco se interessariam pelas mulheres. Quando muito, referiam-se à sua aparência. Sobre Maria de Déa (a futura Maria Bonita), um escritor comentou que tinha ‘mãos de unhas sujas, descuidadas’ e o ‘semblante sem a beleza de um sorriso meigo’. Como acontece ainda hoje, as mulheres eram reduzidas à aparência. E exigia-se que fossem lindas, limpinhas e fofas.

SM – As cangaceiras não pegavam em armas? Só ficavam nos bastidores? Quais as principais funções delas?

AN – Raras foram as bandoleiras que pegaram em armas. Ao contrário do que propõe uma visão romanceada do cangaço, as mulheres não participavam dos combates. As cenas que vimos em séries e filmes, de cangaceiras atirando contra homens das forças volantes (os ‘caçadores’ de cangaceiros), não passam de licença dramatúrgica. Os combates eram importantes demais para serem delegados às mulheres –tratava-se de tarefa de ‘macho’, algo que exigia valentia, senso de estratégia e força, atributos que não eram considerados femininos naquele ambiente extremamente machista. As cangaceiras eram submetidas à mesma lógica que aprisiona as mulheres na vida privada (no caso delas, os coitos, onde se escondiam da polícia e realizavam tarefas domésticas convencionais, como cozinhar e costurar), ao passo que aos homens era destinada a vida pública, o espetáculo.

SM – Mas Lampião também era um exímio bordador, não é?

AN – Era, mas não porque fosse um homem delicado, e sim porque essa é uma tradição do vaqueiro, que produzia os próprios gibões. Lampião é um herdeiro dessa tradição.

SM – Você mostra uma história bem pouco heroica dos cangaceiros, onde havia muitos estupros. Inclusive as cangaceiras foram sequestradas por seus futuros maridos. Você acha que, ao longo da história, a imagem dos cangaceiros foi mitificada como espécies de Robin Hood do sertão sem sê-lo?

AN – Sim. Ainda com Lampião em vida, criou-se uma narrativa segundo a qual ele era uma espécie de camponês revolucionário, quase um comunista, homem empenhado em arrancar dos ricos e distribuir entre os pobres. Trata-se de uma visão, a meu ver, bastante ingênua. Lampião era muito mais chegado à elite política e econômica do que ao sertanejo simples. Este, aliás, era a grande vítima do cangaço –sofria violência por parte dos bandoleiros e, ao mesmo tempo, da polícia. O estupro, arma utilizada tanto pelos cangaceiros quanto pelas forças volantes, atingia sobretudo as mulheres pobres. E se Lampião tocou o terror durante quase duas décadas, sem ser capturado, não foi porque tivesse pacto com o sobrenatural ou proteção de Padre Cícero, como se comentava no sertão, mas porque era protegido por coronéis e políticos. Um de seus melhores amigos era o interventor de Sergipe, Eronides de Carvalho, homem da confiança do então presidente Getúlio Vargas. Não vejo Lampião como herói, embora não o considere um bandido comum. Nisso, concordo com Ariano Suassuna. O escritor diz que, a despeito de ter sido um sanguinário, Virgulino ‘não era uma alma pequena e vulgar’. O cangaço é um fenômeno complexo demais para ser preso em categorias simples, como o herói versus o bandido, o bem contra o mal. Como quase tudo, não comporta maniqueísmos.

SM – No livro Bandidos, Eric Hobsbawm chega a chamar o cangaço de “banditismo social”, por ser “contra os opressores”. Você leu o livro dele? Discorda dessa visão?

AN – Li o livro do Hobsbawm e tenho a opinião de que o conceito de ‘bandido social’ não foi compreendido por parte de seus leitores. A meu ver, Hobsbawm não enaltece a figura de tipos como Lampião, tampouco sugere que sejam revolucionários sedentos por igualdade. Ao contrário, apresenta como uma de suas características a ausência de consciência política. Contudo, reconhece que a atuação criminosa tem um componente de protesto por uma situação crítica dada –no caso dos cangaceiros, a vida dura no sertão, enfrentando a seca, a fome e a falta de perspectivas (a não ser que fosse um estoico, um sertanejo pobre dos anos 30 tinha todos os motivos para ser revoltado). Acredito que quem melhor explicou essa questão foi o historiador Frederico Pernambucano de Mello, ao referir-se ao “irredentismo” do cangaço. Para Mello (sem qualquer dúvida, a maior autoridade no tema), Lampião é o arquétipo do ‘irredento’ brasileiro, um homem que não se subordinou aos valores do colonizador. Mas isso não o torna um socialista, digamos assim. Seu sonho era ser rico, dono de fazendas.

TÂNIA ALVES E NÉLSON XAVIER, O LAMPIÃO E MARIA BONITA DA GLOBO EM 1982
SM – E as cangaceiras? Você vê algum “feminismo” nelas?

AN – Nenhum. No interior do bando, vigorava um código de conduta extremamente machista, que previa pena de morte para as mulheres em caso de adultério –embora aos homens fosse dado o direito de envolver-se em toda sorte de aventuras sexuais. Não há notícias de que as mulheres se opusessem a essas normas, muito pelo contrário. Dadá costumava conclamar suas colegas de bando a ‘respeitar’ os homens aos quais pertenciam, o que significa obedecer cegamente a tudo o que eles determinassem. Também não havia no bando o que hoje chamamos de sororidade –as mulheres não se apoiavam. Maria de Déa e Dadá, por exemplo, se detestavam. Antes de ser morta por apedrejamento por ‘trair’ Zé Baiano, Lídia pediu ajuda de Maria de Déa, que se recusou a intervir a favor da colega. Depois de assassinadas, essas mulheres ainda eram vistas, pelas próprias companheiras, como assanhadas. A mensagem era: se tivessem respeitado seus homens, estariam vivas. Como se tivessem feito por merecer a punição.

SM – Ao contrário de Dadá, Maria de Déa foi para o cangaço por vontade própria, fugindo de um marido abusador. Você acha que ela foi feliz ao lado de Lampião?

AN – Acredito que ela tinha uma vida compatível com seu espírito aventureiro e transgressor –comportamento muito valorizado nos homens, mas sempre reprimido nas mulheres. Maria era, de fato, uma mulher arretada e amava Lampião. Conseguiu algo que muitas não conseguem até hoje, que é dar fim a uma relação abusiva e começar uma vida nova. A despeito disso, Maria enfrentou uma existência miserável, em meio ao sertão, passando fome, sede, dormindo ao relento e tendo que abrir mão da própria filha, entregue a uma família de vaqueiros. Certamente foi feliz em muitos momentos e extremamente infeliz em outros.

SM – O que aconteceu com as crianças das cangaceiras?

AN – Foram criadas por famílias sertanejas e tocaram suas vidas, quase todas sem nenhum contato com os pais biológicos.

SM – No livro, você fala que Lampião se enfurecia ao ser ligado a estupros. Ele não participou das violências sexuais?

AN – Sim. Algumas delas, inclusive, estão relatadas no livro, como o estupro coletivo do qual foi vítima a esposa de um senhor de 80 anos. Lampião achou uma sem-vergonhice tremenda aquela situação, um idoso casado com uma mocinha (a esposa era bem mais jovem do que o senhor), e decidiu dar um corretivo no homem –obrigou-o a presenciar sua mulher sendo violentada por todos os cabras de seu bando (ele, como chefe, foi o primeiro a penetrar a jovem).

SM – Se você roteirizasse “Lampião e Maria Bonita”, da Globo, hoje em dia, após a pesquisa para o livro, como mostraria os protagonistas?

AN – Esse é um desafio que transfiro para o Heitor Dhalia, o Manoel Rangel e o Egisto Betti, da Paranoid, produtora que comprou os direitos audiovisuais do meu livro. Estou segura de que eles irão dar ao tema o tratamento que os tempos atuais exigem –uma visão romântica do cangaço não é compatível com um momento em que discutimos feminicídio, relacionamentos abusivos e os perigos da exaltação de figuras autoritárias e justiceiras.






segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Reforma tributária que unifica impostos "é um remendo", critica deputada

Em paralelo, Câmara e Senado discutem medidas para sistema de impostos; oposição e Anfip pedem mudanças estruturais.

Atualmente, 50% da carga tributária no Brasil incidem sobre o consumo, 18% sobre a renda e apenas 4% sobre o patrimônio / Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil.
Cristiane Sampaio

Anunciada como prioridade do governo de Jair Bolsonaro (PSL) neste segundo semestre na Câmara dos Deputados, a reforma tributária que tramita na Casa, chamada de Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 45/2019, vem recebendo críticas de parlamentares do campo progressista.

De autoria do deputado Baleia Rossi (MDB-SP), a medida basicamente unifica cinco impostos federais, estaduais e municipais, que devem ser convertidos no chamado “Imposto sobre Bens e Serviços (IBS)”.

Para a criação do novo imposto, deixarão de existir a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e a contribuição dos Programas de Integração Social (PIS).

A ideia é que o IBS seja de adoção nacional, estabelecendo uma alíquota que soma os percentuais relativos a cada nível federativo, com estados e municípios definindo suas próprias alíquotas em lei. A PEC prevê um período de transição de dez anos, sem redução de carga tributária. 

Aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a medida está em discussão em uma comissão especial. Caso receba aval do colegiado, irá a plenário. Deputados de oposição se articulam atualmente para sugerir alterações na proposta, que recebeu, até o momento, 114 emendas.

Para a deputada Fernanda Melchiona (RS), vice-líder da bancada do Psol e integrante da comissão que avalia a PEC, a medida tem caráter superficial porque não interfere na lógica regressiva de tributação, que impõe altas taxas sobre o consumo e sobre as camadas mais baixas da população. Tradicionalmente, essa é a crítica central que recai sobre o sistema tributário brasileiro na voz de especialistas e segmentos populares.  

Como contraponto, o Psol, por exemplo, propõe, entre outras coisas, medidas que ampliam a arrecadação para os municípios a partir da criação de uma Contribuição Social Extraordinária sobre o Lucro Líquido (CSLL) dos bancos, redução da alíquota de impostos sobre bens e serviços e ainda tributação sobre o patrimônio, como taxação de juros e dividendos, grandes fortunas e impostos sobre heranças. 

“A gente está há cinco anos nessa recessão e o que se vê é que o topo no Brasil está ficando mais rico. Estudos mostram que os que estão no topo da pirâmide [social] acumularam 3,3% a mais de capital e 10% da população entraram na linha da pobreza. Não pode ser que esses casos não possam ser sobretaxados pra gente poder investir em geração de emprego, renda, saúde, educação e reverter essa pirâmide.  O Brasil precisa de uma revolução tributária, e o que está tramitando na comissão especial é um remendo”, argumenta Melchiona.  

Articuladores da oposição na Câmara dos Deputados preparam atualmente uma emenda substitutiva global para ser apresentada como opção à PEC 45.

Senado

O tema também está em discussão no Senado, por meio da PEC 110/2019. A proposta tem amplo apoio na Casa, sendo assinada por 66 dos 81 parlamentares. A lista inclui membros de vários partidos, como DEM, PSDB, MDB, PSD, PSL, Cidadania, Podemos, Republicanos, Rede, Pros, PSC, PDT, PSB e PT. 

A medida é encampada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e copia uma proposta do ex-deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), que foi aprovada numa comissão especial da Câmara dos Deputados no final de 2018. Nos bastidores do Poder Legislativo, Acolumbre disputa com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a liderança em torno da pauta da reforma tributária.

De caráter semelhante ao texto que tramita na Câmara, a PEC 110 extingue nove tributos (ISS, ICMS, IPI, IOF, Cofins, PIS/Pasep, salário-educação, Cide-combustíveis, CSLL), sendo o primeiro municipal, o segundo estadual e os demais federais.  A ideia é criar, em compensação, um IBS para tributar os valores agregados sobre bens e serviços na esfera estadual e o chamado “imposto seletivo” para bens e serviços específicos no âmbito federal.

Em fase de avaliação na CCJ, a medida deverá receber o parecer do relator, senador Roberto Rocha (PSDB-MA), na próxima quarta-feira (18). Alguns parlamentares da Casa entoam críticas à medida, como é o caso do senador Jean Paul Prates (PT-RN), vice-líder da minoria no Congresso Nacional. 

“Na verdade, é uma não reforma. Essas duas reformas são meramente burocráticas, pra diminuir a quantidade de impostos, facilitar o pagamento e a fiscalização, etc. Ok, aplausos, mas isso é totalmente insuficiente”, afirma, acrescentando que parlamentares da minoria deverão apresentar em breve uma proposta paralela. 

Assim como deputados de oposição na Câmara, Prates e outros senadores pedem alterações mais profundas no sistema de impostos do país, com a implantação de um modelo de tributação progressiva por meio da imposição de alíquotas maiores para as classes mais altas e taxas mais módicas para a população de baixa renda. 

Em conversa com o Brasil de Fato, ele afirmou que a minoria pretende apresentar o que chama de “uma proposta tecnicamente mais abalizada”. O objetivo é tratar de pontos como tributos sobre fortunas, lucros e dividendos e sobre acionistas que agem no exterior. 

“Não queremos uma reforma que trate só do ato de pagar impostos, e sim uma que aproxime a nossa tributação daquela dos países da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico]. Queremos uma que garanta que o Estado tenha, de fato, as condições de um Estado de bem-estar social, ou seja, países que promovem saúde, educação, segurança gratuitas e de qualidade para todos os cidadãos. Pra isso, você precisa tirar o foco do imposto sobre consumo e sobre a atividade econômica e tributar a renda”, defende.

Anfip

A defesa do senador se assemelha ao que tem sido proposto pela Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Anfip), para a qual as PECs 45 e 110 trazem como vantagem a simplificação do sistema de impostos, mas sem promover uma intervenção estruturante no modelo vigente.  

Em relatório produzido pelo Banco Mundial, o Brasil foi apontado como o país onde as empresas mais gastam tempo com a burocracia do sistema tributário, investindo mais de 1.958 horas por ano no pagamento de impostos. Na Bolívia, que figura em segundo lugar no ranking, a marca é de 1.025 horas, enquanto a média dos 190 países pesquisados pela instituição é de 206 horas.

 “Tudo isso é muito complicado pras empresas. Então, de fato, quando se junta tudo num único tributo e faz uma única legislação, isso é muito bom, é excelente, mas isso está longe de ser o grande problema do nosso sistema tributário”, pontua o vice-presidente da Anfip, César Roxo Machado, acrescentando que a disfunção do sistema atual reside na alta tributação sobre o consumo e que uma mudança nessa lógica traria ganhos multilaterais, impactando de forma positiva na economia nacional.

“O problema é que a tributação sobre consumo acaba penalizando quem ganha menos e retira da população o poder de compra. No momento em que se reduz isso, as pessoas passam a ter mais poder aquisitivo. Isso aquece a economia porque as pessoas vão consumir mais, o que aumenta a demanda de produção e faz as empresas produzirem mais, contratarem mais trabalhadores e ainda competirem melhor com o produto que vem de fora do país. O produto nacional passa a ter vantagem, diferentemente do que ocorre hoje”, argumenta.  

Atualmente, 50% da carga tributária no Brasil incidem sobre o consumo, 18% sobre a renda e apenas 4% sobre o patrimônio.

Outras

Apesar de estar no foco da agenda econômica neste semestre, o debate sobre a reforma tributária tem se dado de forma pulverizada e ainda sem muita popularização. Além das PECs que tramitam na Câmara e no Senado, outras medidas orbitam no entorno. Entre elas, está a que vem sendo formulada pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL). 

Apesar de ainda não ter sido oficialmente apresentada, as articulações caminham para uma proposta de unificação entre PIS e Cofins, além da alteração da tabela do Imposto de Renda (IR) e outros pontos. O ministro da Economia, Paulo Guedes, também flerta com a volta da CPMF, imposto aplicado na esfera federal sobre movimentações financeiras de pessoas físicas e jurídicas. Polêmica, a medida foi adotada pelo Brasil entre os anos de 1997 e 2007 para cobrir despesas da União na área de saúde. 

Também estão no cenário outras ideias de reforma, como é o caso de uma projeto protocolado na semana passada no Senado pelo Comitê de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz). De modo geral, o texto propõe a unificação dos tributos, mas traz ainda outros pontos, como a criação de um fundo de desenvolvimento regional para ajudar estados com menor índice de desenvolvimento na área industrial. A medida ainda não foi oficialmente debatida na Casa.
Edição: Rodrigo Chagas

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...