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domingo, 21 de maio de 2017

Por que a Globo quer derrubar Michel Temer?

Após defender o impeachment de Dilma, conglomerado agora orquestra a saída de Temer e aposta em eleições indiretas.

Jornal da Globo, o último noticiário do dia da emissora, teve duas edições no dia da divulgação da denúncia contra Temer / Reprodução/Jornal da Globo.
Norma Odara Fes
Brasil de Fato

Os vazamentos de áudios envolvendo o presidente golpista Michel Temer (PMDB) e Joesley Batista, um dos donos do frigorífico JBS, foram veiculados em primeira mão pelo jornalista Lauro Jardim, do jornal "O Globo", por volta das 19h da noite desta quarta-feira (17). A principal acusação era de que Temer teria autorizado a compra do silêncio de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na prisão. Em seguida, o Plantão da Globo anunciava o escândalo e prometia dar mais detalhes e informações no Jornal Nacional.

Durante a apresentação do jornal, os âncoras William Bonner e Renata Vasconcellos dividiam a escalada (abertura do jornal, elencando as principais notícias) destrinchando a denúncia do jornal impresso. Horas depois, o Jornal da Globo, que encerra a sequência de noticiários do dia da emissora, anunciou que teria duas edições por conta do furo de reportagem.

No dia seguinte, logo após Temer se pronunciar afirmando que não iria renunciar, os áudios das gravações foram liberadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e relator da operação Lava-Jato, Edson Fachin. Foi quando se percebeu que, ao fundo da gravação, Temer e Joesley ouviam CBN, emissora de rádio que também faz parte das Organizações Globo.

"A mesma emissora que apoiou o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff agora parece orquestrar a queda do presidente golpista Michel Temer", avalia o jornalista, sociólogo e professor aposentado da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), Laurindo Lalo Leal Filho:

"A linha editorial das Organizações Globo, jornal, rádio e televisão é a linha editorial de controle do poder. (…). Ela exerce o papel de partido político – ela e os outros grandes meios de comunicação no Brasil, como a Folha de S.Paulo, a Editora Abril e o Estadão formam um partido político aliado a setores do Judiciário. Nós temos um partido político que combina forças da mídia com forças do Judiciário, trabalhando articuladamente".

Na análise de Leal, a estratégia da Globo é derrubar Michel Temer e apoiar eleições indiretas, colocando a presidenta do STF, Cármen Lúcia, como próxima a assumir na linha sucessória da Constituição Federal.

Segundo o Datafolha, 61% da população avalia a gestão do governo Temer como ruim ou péssima, 28% consideram regular e 9% boa ou ótima. Frente a essa baixa popularidade e à crise econômica, Temer foi perdendo influência, como defende Lalo Leal Filho :

"Um governo com este tipo de popularidade tem muita dificuldade de implementar reformas, ainda mais reformas que foram contestadas nas ruas. A greve geral do dia 28 mostrou isso, levou talvez a Globo a perceber que este governo não tinha condições de levar essa política à frente".

O jornalista e fundador do site "Opera Mundi", Breno Altman, também acredita que a Globo está trabalhando pesado para derrubar Temer. No entanto, contrariando o clichê do "quarto poder", ele não a enxerga apenas como um partido. "A Globo atua como o principal partido das elites, mas ela também tem interesses comerciais e jornalísticos do ponto de vista de disputa de clientela. São suas contradições".

Para ele, a denúncia contra o presidente da República foi "um pacto político que surpreendeu em larga escala todas as forças políticas e sociais, econômicas e midiáticas, todos os campos políticos do país, a direita e a esquerda".

A história se repete como farsa
"Um exemplo foi o caso do ex-presidente Collor, que foi praticamente levado à Presidência [da República] pela Globo. Foi a Globo que criou o "caçador de Marajás" lá em Alagoas, o transformou em figura nacional e o colocou no poder (…) Passado algum tempo, como Collor não se mostrou tão alinhado aos interesses da Globo, ela apoiou a famosa campanha dos 'caras pintadas', e conseguiu seu impeachment", recorda o professor Lalo Leal Filho sobre um episódio recente da história.

Para Breno Altman, há três hipóteses dos próximos passos. A primeira divide os meios de comunicação para uma certa recomposição para manter Temer:

"O principal veículo a sustentar isso é o Estadão, ainda que aceite a gravidade das denúncias. Mas há setores empresariais, dos meios de comunicação, das forças armadas, que acham melhor preservar Temer mesmo que ele seja investigado pelo STF. Seria melhor carregar o mandato dele até o final do que reabrir a disputa pelo comando do Estado".

A segunda hipótese é um outro setor, que envolve a  Globo, querer se livrar do presidente golpista rapidamente. "Eles vão forçar sua denúncia e, imediatamente, encontrar uma saída por via indireta, pelo Congresso Nacional, para que essas reformas possam ter continuidade e para que o projeto político do golpe tenha seguimento".

A terceira é que a campanha de "Diretas Já" ganhe força, e a saída para restabelecer a democracia seja pelo campo popular. "É uma divisão, portanto, das classes dominantes e dos meios de comunicação e uma tentativa do meio popular de criar um clima de mobilização", conclui Altman.

Para o membro da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) Gilmar Mauro, a melhor saída também são as Diretas Já:

"A Globo está numa crise econômica há bastante tempo e perdendo audiência. Além de tudo, também está perdendo o debate político na sociedade. Por isso, eles estão desembarcando, mas querendo construir uma alternativa por via indireta – e nós não podemos admitir. Vamos conseguir superar o golpismo não só com a saída do Temer, mas com a derrota política da Globo e a convocação de eleições diretas".

Edição: Camila Rodrigues da Silva

Povo enfrenta o golpe dentro do golpe


Por Paulo Moreira Leite.

Três dias depois que a TV Globo deu a impressão de que seria capaz de derrubar o presidente da República com uma simples denúncia no Jornal Nacional, a excitação na cúpula da pirâmide que manda no país desde o golpe de maio-agosto parece ter diminuído.

Verdade que, marcados para este domingo, os protestos "Fora Temer, Diretas-Já", irão retomar a luta necessária em defesa da democracia, no combate a reforma trabalhista e pela defesa da Previdência.

A novidade não se encontra na base da sociedade, cuja mobilização contra Michel Temer e seu governo avança num crescendo desde o carnaval, atingindo seu ápice na greve geral de 28 de abril. A mudança ocorreu na cúpula.

Em 72 horas, o ambiente de apocalipse - a palavra favorita era tsunami - foi substituído por uma postura de calmaria, dúvida e ponderação. As especulações em torno de possíveis sucessores de Temer também silenciaram.

Uma explicação é que os diálogos gravados por Joesley Batista não produziram a bala de prata que, supunha-se, deveria fulminar o presidente.

Falso. Mesmo reconhecendo que o Jornal Nacional não foi capaz de entregar um golpe de misericórdia contra Temer, apresentou diálogos comprometedores, que denunciam uma postura de conivência com esquemas vergonhosos de corrupção no governo. Coisa mais do que suficiente para justificar - como ocorre - uma investigação sobre três crimes, de corrupção passiva, obstrução da Justiça e participação em organização criminosa. Denúncias graves, em qualquer lugar. Particularmente sérias quando se recorda que Dilma Rousseff foi afastada por uma manobra contábil, as "pedaladas fiscais," que sequer são classificadas como crime de responsabilidade que a Constituição exige para o afastamento de quem ocupa a presidência da República.

A explicação real é outra e não se encontra num possível tropeço do jornalismo da TV Globo, mas numa questão política maior.

Imaginada como uma operação política de emergência, quando chefes de governo são destituídos com tanta rapidez que a população só consegue saber o que aconteceu no dia seguinte, quando nada mais pode ser feito, os articuladores da queda de Temer se esqueceram do essencial - combinar com o povo, o mesmo que estará nas ruas amanhã neste domingo e parece não sossegar há algum tempo.

Explica-se. Uma mudança desse tipo, às costas do eleitor, só pode dar certo quando se limita aos salões exclusivos do poder. Essa situação, que exige controle absoluto de cada movimento e de cada personagem da cena política, permite uma troca de guarda sem atropelos nem inconveniências.

Possivelmente por ignorar o grau de descontentamento real dos brasileiros contra o governo Temer, a operação começou a dar errado em poucos minutos.

Na própria noite de quarta-feira, antes do tradicional "Boa Noite" dos apresentadores do Jornal Nacional, já era possível ouvir os primeiros gritos de "Fora Temer" nas grandes cidades do país inteiro. Logo, também se ouviria o batuque de panelas nas janelas dos edifícios.

Na avenida Paulista, um ato público do Povo Sem Medo, liderado por Guilherme Boulos, logo seria engrossado por militantes ligados à Central de Movimentos Populares, da CUT, do Partido dos Trabalhadores, do PSOL e do PSTU.

Outros protestos se espalharam pela madrugada e também pelos dias seguintes, demonstrando uma situação clássica das grandes crises políticas que podem gerar mudanças ainda maiores. Ao descobrir um sinal de ruptura nas cúpulas, o movimento popular aproveita o espaço para expressar sua insatisfação, levantar seus direitos e reivindicações. Não só exigiu diretas-já mas também deixou clara a disposição de lutar na rua contra reformas que ameaçam seus direitos e o futuro de suas famílias.

Em grandes montadoras do ABC paulista, referência de resistência operária desde os tempos da ditadura militar, operários gravaram vídeos onde gritam "Fora Temer, Diretas-já!"

Para quem esperava responder à queda de Michel Temer - vista como inevitável - numa sucessão fechada, entre sócios do clube da elite brasileira, ocorreu o pior cenário possível.

Mesmo apanhado de surpresa, o povo foi à rua, inconformado em ser deixado para trás numa decisão que diz respeito a sua existência, seu futuro e sua soberania.

Aliados de primeira hora do golpe que derrubou Dilma, como Ronaldo Caiado, pularam do barco e engrossam o coro pelas diretas-já.

Foi assim que o golpe dentro do golpe transformou-se em fiasco. Na origem, o movimento tinha dois objetivos conectados. Um deles, trocar de presidente. O outro, escolher o sucessor por via indireta, atalho para preservar o plano de reformas que prevê duas décadas de austeridade, corte nos programas sociais e desnacionalização em toda linha.A reação popular, mesmo embrionária, em alguns casos simbólica, mostrou que até se poderia derrubar Temer - mas seria impossível adivinhar o que viria a seguir.

Foi assim - e não porque haja convicção quanto a sua inocência - que o próprio Michel Temer foi duas vezes a TV no prazo de 24 horas. Na primeira, defendeu-se. Na segunda, atacou. Mas foi um esforço inútil. Ao examinar um habeas corpus em que Temer pedia o trancamento das investigações que podem produzir sua ruína, o ministro do STF, Luiz Roberto Barroso, rejeitou o pedido. "Não enxergo nenhuma ilegalidade flagrante ou abuso de poder que autorize a concessão do pedido," escreveu Barroso.

Via - Brasil 247

sábado, 20 de maio de 2017

GABRIELA CRUZ – A BELA DA SEMANA


Definir o amor de mãe requer sobriedade, pois, quem o recebe só fica ciente de sua imensidão depois de certa idade, quando crianças ou jovens demais, não sabemos mensurar, não temos ciência de todo esse amor que uma mãe reserva aos seus filhos, é o divinal amor nascido da alma e do coração de quem já deu a luz... É provável que nem mesmo a mais extremosa mãe saiba medir o amor que ela tem por um filho.

Neste ensejo falamos destas mães, destas criaturas que desde o primeiro momento em que souberam da concepção em seu ventre, arregaçaram as mangas e chamaram para si a responsabilidade requerida a uma mãe... A partir daquele momento, seu coração não era mais o mesmo, transformara-se num reservatório de amor infindo, assim se passou com Gabriela Cruz, e na pessoa dela reconhecemos todas aquelas mães que partiram pra luta, driblando toda sorte de obstáculos para criar com dignidade a vida que dela foi gerada...

Ser mãe... Somente elas podem dizer algo que se aproxime do real significado deste nome, se um dia quisermos a definição do amor de mãe, perguntaremos a Gabriela, ela dirá com os olhos marejados o que ela sente por sua filha, mesmo assim, ela não dirá tudo, o amor de mãe não cabe em palavras...

São estas mães amorosas que homenageamos em maio, em justiça a estas mulheres indizíveis que tem o instinto materno e o dom de criar e educar, homenageando Gabriela, estendemos nosso reconhecimento a todas as mães que desempenham múltiplos papéis na vocação maternal.

Mãe e Bela, assim é a mãe da Isabella, mostrando a sua força e realeza, pois ao tornar-se mãe ela está entre as rainhas, rainha no amor e na dedicação, esteio forte na construção de uma vida, no preparo de sua filha para o mundo...

Nosso viva a quem tem merecimento, a quem mostra a garra da mulher, a beleza e a feminilidade dela, nossa gratidão a estas que nos servem como exemplo, mostrando-nos que ir a luta é a lei da vida...

Nossa homenagem a quem ao nascer mulher já se fez suprema, feito mãe ela tornou-se luz e rumo a ser seguido, em nome dela falamos de todas as mães, que a cada dia vencem barreiras e preconceitos... Muita saúde a nossas mães, a estas mães... Gabriela Cruz é a Bela da Semana.

*GABRIELA CRUZ – Nova Londrina-Pr – Filha de Ana Maria Cruz e Gilmar Oliveira Silva (In Memorian) – Gabriela é mãe da Isabella Fernanda Pereira Cruz.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Lula: a visão de uma anarquista


Por Dora Incontri.

Nunca votei no Lula. Também não votei em Dilma. Nem em Fernando Henrique, nem em Collor. Não votei, porque sou anarquista. O que é ser anarquista? É ter consciência de que os sistemas de governo – todos, incluindo a democracia e incluindo os sistemas pretensamente socialistas que tivemos na história recente – estão sempre a serviço de alguma classe, de alguns privilegiados. O Estado é mantido pela violência militar e policial, que pode ser usada a qualquer momento contra o próprio povo ou contra outros povos. E sempre a serviço de interesses de grupos. No caso da democracia atual, ela está a serviço dos bancos, das corporações, dos lobbies, das elites locais e das elites internacionais. Em momentos menos ruins, sobram alguns direitos a mais para o povo. Em algumas tradições de construção estatal, com mais tempo sob influência de ideias sociais e igualitárias, como alguns países da Europa, houve maior oportunidade para o povo adquirir mais educação e um tanto mais de direitos – mas que agora estão sendo retirados em toda parte.

Em todas as democracias do planeta, é o dinheiro do capital que financia os políticos que, portanto, estão a serviço do capital. Se aqui temos uma Odebrecht, nos EUA, temos por exemplo uma indústria bélica, com que os governos “eleitos democraticamente” estão comprometidos até o pescoço. Já o grande anarquista norte-americano Henry Thoreau, no século XIX, negava-se a pagar impostos, porque o dinheiro seria usado para armamentos e guerras expansionistas, que desde aquela época era a política externa do seu país.

Para entrar no jogo político, portanto, ser eleito, governar e fazer acordos, usa-se dinheiro. O dinheiro corrompe princípios, compra pessoas, atende a interesses de grupos e não aos interesses da coletividade.

Assim, nunca me iludi que o PT pudesse manter uma pureza de vestal, ao entrar no jogo do poder e realmente governar. Por isso, nunca votei no PT.

Mas, dentro dessa realidade de como funciona a democracia, por que se escolheu agora fazer uma cruzada inquisitorial, para varrer a corrupção na política? Por que se derrubou o governo Dilma e se persegue com voracidade a pessoa do Lula? Por que Lula está sendo acusado (ainda sem nenhuma prova e com uma orquestração odienta da mídia em peso) de ter um apartamento triplex no Guarujá e Fernando Henrique, sob cujo governo havia os mesmos esquemas de corrupção endêmica no Brasil, não está sendo investigado por seu apartamento em Paris?

Por que há uma multidão no Brasil espumando de ódio contra um homem de 70 anos, querendo sua prisão, como fanáticos inquisidores queriam eliminar as bruxas? Por que se cuspiu na dignidade de uma mulher como Dilma, que não teve até agora nenhum crime comprovado – quando o congresso nacional e esse governo ilegítimo estão tomados de corruptos já mencionados em todas as investigações em curso?

Por três motivos principais:

1) Porque por mais que os governos do PT tivessem adotado a famosa governabilidade – que significa a composição com as forças econômicas e políticas que desde sempre comandam o país, ainda havia nesses governos uma preocupação com o social e um impedimento de se implementar plenamente o programa neoliberal selvagem a que estamos sendo submetidos desde o golpe. Acabar com todos os direitos trabalhistas, esvaziar ainda mais a já combalida educação pública, arrancar dinheiro da saúde, da previdência e da educação, sem mexer um milímetro com os juros exorbitantes dos bancos e com os impostos devidos pelos ricos… Isso só poderia ser feito por um governo que não foi eleito e que está a serviço desse projeto de neoliberalismo selvagem, que aliás é um projeto internacional.

2) Porque enquanto esses direitos são tirados do povo, a mídia, alimentada em primeira mão pela republiqueta de Curitiba e em conluio com ela, montou um circo inquisitorial, em que o principal bode expiatório é o Lula, com seu suposto e patético triplex. Oferece-se alguém ou um grupo para se odiar, com linchamentos públicos diários, e o povo deixa vir à tona seus instintos mais primitivos, enquanto lhe surrupiam os direitos e a nação. Técnica muito conhecida pelos nazistas e descrita por George Orwell em ‘1984’! Não por acaso, nesse livro é que aparece a figura mediática do Grande Irmão (Big Brother)… Lembra alguma coisa?

3) Porque o Brasil era uma economia ascendente – participante do Brics (grupo composto pelas chamadas economias emergentes, Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul) e economias emergentes devem ser cortadas pela raiz pelo Império dominante no planeta. Gera-se então uma crise artificial, produz-se descontentamento popular e faz-se cair o governo que causa incômodo àqueles que de fato mandam no mundo. E mais, o Brasil, com seus recursos naturais de petróleo e água, não pode crescer com seus recursos. Eles devem ser transferidos aos donos do mundo. Entre as primeiras ações do governo golpista foi a de entregar o pré-sal ao capital estrangeiro.

E toda essa trama que parece maquiavélica e é maquiavélica sim (aliás, uma leitura esclarecedora é ‘O Príncipe’ de Maquiavel, para vermos como o poder se comporta em todos os tempos) é possível pela alienação do povo e por seu desejo de odiar alguém, em que pode depositar suas frustrações e sua agressividade. Lula é o objeto perfeito para esse ódio, porque muita gente jamais aceitou que um operário, um “analfabeto”, chegasse ao poder…. Por isso tantos acham normal Fernando Henrique ter um apartamento em Paris, mas babam de raiva com um suposto triplex de Lula no Guarujá. Esse menino nordestino saiu do lugar da senzala a que são destinados os de sua classe social. E não vi ninguém espumando contra a Odebrecht, que participou da corrupção de todos os governos….

E por fim, como anarquista e como espírita e cristã, não me apraz ver ninguém, nem Lula, nem qualquer outro político, de qualquer partido, seja José Dirceu, Sérgio Cabral ou Eduardo Cunha (de quem tinha verdadeiro horror quando comandava o Congresso), nenhum ser humano, seja criminoso ou não, ser humilhado, com sua dignidade arrancada. Esse sistema de suposta justiça que temos no mundo, e ainda mais no Brasil com seu sistema carcerário indecente, é na verdade um sistema de vingança social. Não se quer consertar a ação maléfica e melhorar quem a praticou, mas punir sadicamente o indivíduo, satisfazendo um anseio de extermínio do outro. Pessoas diante de um tribunal, culpadas ou não, e pessoas encarceradas, em prisões decentes ou não, me causam compaixão e empatia e não satisfação.

Por tudo isso e mais um pouco, digo o seguinte:

Nunca votei no Lula e nunca votei em nenhum presidente. Mas se esse homem, que cresceu aos meus olhos, pela perseguição implacável que vem sofrendo, conseguir sobreviver ao massacre e se levantar de novo como candidato em 2018, terá finalmente meu voto.


Jogador brasileiro é vítima de racismo por parte de capitão da Bulgária

Capitão da seleção do país europeu teria chamado Eli Marques de “macaco” durante partida da segunda divisão.

Eli Marques, zagueiro do Oborishte Panagyurishte, denunciou o caso em carta aberta à imprensa da Bulgária / Reprodução Twitter.
Redação
Brasil de Fato

Em carta aberta para à imprensa da Bulgária, o zagueiro brasileiro Eli Marques denunciou ter sido vítima de racismo por parte do capitão da seleção do país, no dia 13. Na ocasião, o jogador  Svetoslav Dyakov teria xingado Marques: “Macaco, você está vindo da floresta do Brasil para fingir que é humano”.

O episódio aconteceu durante uma partida na segunda divisão do campeonato búlgaro, quando os times Oborishte Panagyurishte – onde joga o brasileiro – e o time B do Ludogorets se enfrentavam na cidade de Razgrad.

Dyakov participou da partida apenas porque foi suspenso do time principal do Ludogorets, onde também atua como meio-campo.

No texto divulgado à imprensa e nas redes sociais, o zagueiro natural de Minas Gerais desabafou: “Quero que as pessoas saibam que tipo de pessoa é o capitão da seleção da Bulgária e qual é sua mentalidade”.

Racismo recorrente

Essa não é a primeira vez que um caso de racismo é atribuído à equipe da Bulgária. Em 2011, a União de Associações Europeias (Uefa) multou a Federação Búlgara em 40 mil euros por episódio racista em jogo contra a Inglaterra. Na ocasião, parte do público imitou sons de macaco quando jogadores negros da seleção inglesa tocavam na bola.

 Edição: Brasil de Fato PR

Charge dos nossos dias

Por Carlos Latuff


Rocha Loures: a “família tradicional paranaense” no seio das denúncias contra Temer

Deputado do PMDB foi flagrado recebendo uma mala com R$ 500 mil enviados por Joesley Batista, da JBS.

Quando o escândalo veio à tona no Brasil, parlamentar estava em Nova Iorque com o prefeito de São Paulo, João Doria / Reprodução – Facebook.
Daniel Giovanaz
Brasil de Fato

Rodrigo Santos Rocha Loures (PMDB) foi um dos nomes mais citados no noticiário brasileiro esta semana. Pivô do escândalo que abalou o governo Michel Temer (PMDB) na noite da última quarta-feira, a partir da delação dos donos da JBS à operação Lava Jato, o deputado federal teria sido indicado pelo presidente da República para receber propina e favorecer a empresa.

Apenas divulgada a notícia, o advogado do parlamentar, José Luis Oliveira Lima, lançou uma nota oficial: "Tão logo se conheça o teor da investigação, todos os esclarecimentos devidos serão apresentados". A situação de Rocha Loures complicou de vez quando, na mesma noite, descobriu-se que o Supremo Tribunal Federal (STF) teve acesso a um vídeo em que o deputado é flagrado recebendo uma mala com R$ 500 mil enviados por Joesley Batista, da JBS.


O Rodrigo fez um belíssimo trabalho em atenção a todo o Brasil (Michel Temer)
Segundo a delação de Joesley, o deputado teria aceitado receber aquela quantia semanalmente pelos próximos 20 anos. Em troca, chegou a oferecer à JBS cargos estratégicos no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), na Comissão de Valores Monetários (CMV), no Banco Central e na Procuradoria Fazendária Nacional.

Família tradicional paranaense

Pelo lado paterno, a família Rocha Loures remete aos clãs fundadores de Curitiba: Carrasco do Reis e Mateus Leme. Pelo lado materno, são descendentes de Joaquim de Almeida Faria Sobrinho, duas vezes presidente da Província do Paraná, de Lourenço de Sá Ribas, ex-presidente da  Câmara de Curitiba, e de Didio Costa, deputado no Congresso Legislativo Paranaense e prefeito de Paranaguá na década de 1920.

Os Rocha Loures acumularam terras no final do século XIX com a abertura de caminhos pelos tropeiros na região de Palmas e Guarapuava, o que permitiu estabelecer laços com os “donos do poder” nos municípios do interior. Após a revolução de 1930, enquanto parte da família migra para Curitiba, o clã passa a se concentrar em maior número em Londrina, Norte paranaense, assumindo cargos no Judiciário, na imprensa escrita e em cartórios locais.

Nascido em Curitiba há 50 anos, o deputado estadual do PMDB é filho de Rodrigo Costa da Rocha Loures, fundador da empresa alimentícia Nutrimental em 1968 – aquela, das barrinhas de cereal.

A Nutrimental foi uma das quatro fornecedoras investigadas durante o governo Fernando Collor por suspeita de superfaturamento na venda de merenda escolar, em 1989. Após o cancelamento do contrato com o governo, a empresa mergulhou em uma crise da qual só conseguiu sair quando se dedicou ao mercado de consumo e se tornou uma das líderes de venda no varejo brasileiro.

Primeiras suspeitas de fraude

Ex-professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), o pai do parlamentar investigado na Lava Jato é vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), esteve à frente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP) de 2003 a 2011 e preside, até o final do ano, o Conselho Superior de Inovação e Competitividade (Conic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), uma das entidades apoiadoras do golpe de 2016.

Nos anos em que foi presidente da FIEP, Rodrigo Costa da Rocha Loures chegou a ser indiciado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por supostas fraudes na gestão. A maioria delas, segundo o TCU, eram relacionadas a “despesas amparadas em documentos inidôneos (…), que teriam beneficiado funcionários das entidades sem comprovação da prestação de serviços”, além de “repasse de R$ 265 mil e R$ 561 mil ao Instituto Paraná de Desenvolvimento (IPR), presidido por Rodrigo da Rocha Loures, sem qualquer comprovação de despesas” e de “ressarcimento de despesas pessoais da filha de Rodrigo Rocha Loures, Larissa, tais como faturas telefônicas, restaurante, táxi; diversos pagamentos à empresa LWL Comunicações, de propriedade de Luiz Henrique Weber e Luciana Rocha Loures, sobrinha de Rodrigo; despesas com viagens para Cleveland [nos Estados Unidos] para Luciana, sem comprovação de despesas ou justificativas; pagamento de passagens aéreas com destino ao Canadá para Dídio Costa Rocha Loures, irmão de Rodrigo, entre outras”.

O ex-presidente da FIEP sempre negou as acusações. O parecer final do processo, embora não comprove a inocência de Rodrigo Costa da Rocha Loures em todos os casos, permitiu que ele continuasse exercendo cargos daquela natureza.

Homem de confiança

Rodriguinho, o filho, além de executivo e um dos herdeiros da Nutrimental – que mantém uma média de faturamento anual de R$ 280 milhões – passou a ocupar cargos públicos no Paraná em 2003. Por dois anos, foi chefe de gabinete do então governador Roberto Requião (PMDB). Ao deixar o gabinete, tornou-se vice-tesoureiro nacional do partido. Eleito deputado federal em 2006, foi o vice-líder do bloco PMDB, PSC e PTC na Câmara, durante o segundo governo Lula (PT).

Foi naquela época que o vínculo com Michel Temer tornou-se mais estreito. O então vice-presidente da República escolheu Rocha Loures para chefiar seu gabinete em 2011. O paranaense exerceu o cargo até o final do primeiro mandato de Dilma Rousseff (PT).

Em uma conversa entre um fiscal e um funcionário da Seara, do grupo JBS, gravada pela Polícia Federal no âmbito da operação Carne Fraca, Loures é citado como “braço direito” de Temer.

Quando Temer nomeou o então deputado federal ruralista Osmar Serraglio (PMDB-PR) como ministro da Justiça, em 7 de março, possibilitou que Loures, primeiro suplente do PMDB do Paraná, voltasse à Câmara e obtivesse, novamente, foro privilegiado.

Se o atual presidente da República questiona a qualidade dos áudios gravados por Joesley Batista e alega inocência no caso JBS, a proximidade com Rocha Loures, o homem da mala de R$ 500 mil, é um elemento indiscutível. Em julho de 2014, Michel Temer gravou um vídeo elogiando a atuação de Rocha Loures: “Ele veio aqui para o meu gabinete e me ajudou enormemente. Aliás, ele aqui operava não só auxiliando a mim no Brasil todo, mas basicamente como uma espécie de embaixador do Paraná. (…) O Rodrigo fez um belíssimo trabalho em atenção a todo o Brasil”.

Aos abraços com João Doria

Quando o escândalo veio à tona no Brasil, Rocha Loures estava em Nova Iorque. Fora convidado para um jantar de gala, onde seria entregue ao prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), o prêmio Person of the Year (Personalidade do Ano), pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos.

Rocha Loures esteve com Doria em diversas ocasiões, inclusive como participante em eventos promovidos pela organização Lide, encabeçada pelo prefeito de São Paulo – por exemplo, no 16º Fórum Empresarial, em Foz do Iguaçu. Em uma foto postada nas redes sociais antes do escândalo, o parlamentar paranaense descreve Doria como “amigo”.

O deputado desembarcou no Brasil hoje (19) pela manhã aos gritos de “ladrão”.

Próximos passos

O ministro do STF, Edson Fachin, determinou o afastamento de Rodrigo Rocha Loures do cargo na Câmara Federal. A Procuradoria-Geral da República pediu a prisão do paranaense no dia seguinte (18).

Além dos manifestantes favoráveis à condenação de Rocha Loures, estava no saguão do aeroporto um dos advogados de defesa, Daniel Kignel, que informou à imprensa que precisaria conversar com o parlamentar para definir os próximos passos.

Em sua conta oficial no Facebook, João Doria afirmou que “a única certeza, neste momento, é que temos que ter serenidade e respeito à Constituição para protegermos o Brasil”. A reportagem tentou entrar em contato com o deputado Rocha Loures, mas não obteve retorno.

Fonte: CRUZ, K. M.; VANALI, A. C. Um exemplo de old money no Paraná: a família Rocha Loures. Revista Núcleo de Estudos Paranaenses, Curitiba, v.2, p. 1-26, de maio de 2016.

Edição: Redação BdF Paraná
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