sexta-feira, 26 de agosto de 2016

TALITA SANTOS A MUSA DO CORINTHIANS


A torcida fiel ao clube de coração cuja sede é Itaquera, sente-se honrada quanto as glórias e emoções corinthianas pelos gramados do Brasil e do mundo, já dizia um apaixonado torcedor deste time: “Ser corinthiano é ser brasileiro duas vezes”, tamanha é a entrega desta nação ao seu time amado.

Porém, se há outro fator para os corinthianos sentirem orgulho é a beleza de suas torcedoras... Nas arquibancadas dos duelos que o timão enfrenta, a formosura de suas fiéis é um espetáculo que dispensa apresentações, haja vista a belíssima Talita Santos, que neste ensejo chega até nós como a musa do Corinthians Paulista, um privilégio para todos os corinthianos.

Uma beleza incontestável, uma poesia delineada na sinuosidade corporal peculiar das musas e que Talita é musa isso nãohá dúvida, uma vez que uma imagem fale por mil palavras, aqui está em imagem todo fascínio desta corinthiana confessa e que tem pelo clube do formidável Itaquerão um amor imensurável.

Nossa página sente-se honrada ao externar aos quatro cantos, a beleza indescritível desta musa que enche de satisfação toda massa louca pelo Corinthians. Quando se trata de beleza feminina, ela é unanime, embora corinthiana, a beleza da beldade que veste a camisa do timão, é um presente para os olhos de todas as torcidas.

Seguimos na perfeita combinação de duas das maiores paixões deste país, nossas belas mulheres e o futebol. Para o deleite de todos os apreciadores deste bom gosto, a beleza benéfica de Talita Santos, reconhecidamente, a musa do Corinthians.








Apoio: Foto Studio D - Elias e Cristina - Fone (44) 3432-3309 - Cel (44) 9944-4568 - Nova Londrina/PR

Assassinato de vice-ministro do Interior causa comoção na Bolívia

Governo da Bolívia confirmou sequestro de vice-ministro do Interior, Rodolfo Illanes - Reprodução - Foto-O Globo

Na Agência Brasil

O corpo do vice-ministro do Interior, Rodolfo Illanes, de 56 anos, sequestrado e assassinado por mineiros em greve na região de Panduro, a cerca de 160 quilômetros de La Paz, foi recuperado nas últimas horas e enviado à capital para passar por exames. O governo da Bolívia confirmou hoje (26) o assassinato do vice-ministro.  As informações são da Agência Ansa.

Ele havia entrado em contato com o grupo, que faz uma paralisação na região de Panduro, para dar início a negociações após a morte de dois manifestantes em choques com a polícia. Visivelmente comovido, o ministro da Defesa, Reymi Ferreira, explicou que o colega apanhou e sofreu tortura antes de morrer.

O ministro do Interior do governo do presidente Evo Morales, Carlos Romero, por sua vez, definiu o crime como "homicídio covarde e brutal".
   .
 Um ajudante do vice-ministro conseguiu escapar e está internado em um hospital em La Paz.

Até o momento, mais de 100 pessoas foram detidas pelo suposto envolvimento no episódio.

Há dias, os mineiros bloqueiam uma estrada em Cochabamba. Contrários a uma reforma da lei sindical, o grupo pede mudanças nas concessões de exploração.

Com informações da Agência Ansa

Charge dos nossos dias

Por Pataxó Cartoons


Depois de cortes sociais, extrema pobreza dobrou nos EUA

Em uma segunda-feira de reuniões em Washington, D.C., um grupo de ex-funcionários do governo de ambos os partidos concordavam a respeito dos benefícios resultantes dos cortes na rede de proteção social americana.


Por Zaid Jilani, no The Intercept*

Esta semana marcou o vigésimo aniversário da “Reforma do Estado de Bem-Estar Social”, a lei de 1996 aprovada pelo Congresso americano e implementada pelo presidente Bill Clinton, que restringia a quantidade de assistência financeira oferecida às famílias americanas mais necessitadas. O programa de Auxílio a Famílias com Crianças Dependentes foi transformado em um programa mais limitado, o Auxílio Temporário para Famílias Necessitadas [que obrigou os segurados a conseguir um emprego em um prazo de 24 meses e instaurou um limite cumulativo de 60 meses de benefícios por pessoa].

Um dos principais impactos da lei foi ter dobrado o número de lares americanos vivendo em condições de extrema pobreza, o equivalente a menos de US$ 2 por dia.

O evento em Capitol Hill, organizado por uma organização de direita, Instituto Empresarial Americano (American Enterprise Institute), e pelo Instituto de Políticas Progressistas (Progressive Policy Institute), conhecido como “fábrica de ideias” do presidente Bill Clinton, comemorou o vigésimo aniversário da lei. Seus principais idealizadores disseram não se arrepender de sua aprovação.

O ex-governador republicano do Michigan, John Engler, pioneiro dos cortes do estado de bem-estar social em nível estadual e que hoje atua como presidente do grupo de lobistas corporativos Business Roundtable (Mesa Redonda de Negócios), relembrou como o apoio de Bill Clinton foi importante para tornar possível a reforma do estado de bem-estar social.

“Foi incrível como, em 1992, tínhamos um candidato a presidente do Partido Democrata, ainda que tivesse 12 anos de experiência como governador, discutindo o 'fim do formato atual do estado de bem-estar social' ”, contou o republicano. “Foi um momento decisivo.”

Foram inúmeros os elogios vindos da direita para Bill Clinton durante o evento. Robert Rector, um intelectual da Fundação Heritage, que já foi apelidado de O Poderoso Chefão Intelectual da reforma do estado de bem-estar, declarou que Clinton defendeu a mesma causa que Ronald Robert Rector, podendo, assim, frustrar George W.H. Bush. “Na minha perspectiva, esse foi o motivo para Clinton ter chegado à Casa Branca em 1993”, contou Rector.

Thompson, que atuou como outro republicano pioneiro da reforma enquanto era governador do Wisconsin, estava irredutível quanto ao impacto da revisão do estado de bem-estar social.

“Funcionou”, disse Thompson. “A pobreza diminuiu e mais pessoas estão trabalhando.”

Mas nem todos concordam com essa avaliação positiva. Luke Shaefer, professor de Assistência Social da Universidade de Michigan e um dos pesquisadores que documentaram o aumento da pobreza extrema desde a aprovação da reforma, contou ao The Intercept que as declarações de que a pobreza extrema havia sido reduzida e que o número de empregos havia aumentado estavam corretas até 2000. “Mães solteiras arrumaram trabalho, mas não é possível dizer se isso estava relacionado à reforma do estado de bem-estar social”, contou. A expansão do Crédito Fiscal sobre Rendimentos “foi obviamente muito mais importante. E sabemos que as mães que deixaram de contar com o estado de bem-estar social não melhoraram de vida, em alguns casos, pioraram”.

Shaefer trabalhou com o sociólogo Kathryn Edin em um livro lançado no ano passado que concluiu que, antes da reforma do estado de bem-estar, mais de um milhão de lares com crianças evitavam a pobreza extrema graças à assistência federal. Em 2011, esse número havia caído para aproximadamente 300 mil. Os pesquisadores estimam que 1,5 milhão de lares americanos, incluindo três milhões de crianças, vivem hoje abaixo da linha da extrema pobreza — o dobro do número em 1996.

O impacto da reforma do estado de bem-estar foi particularmente duro em mulheres e minorias. Muitas famílias chefiadas por mulheres perderam renda e mulheres foram forçadas a trabalhar em empregos com salários baixos e sem assistência social.

Shaefer cita uma pesquisa de Jim Ziliak, um importante economista que estudou o problema para a Agência Nacional de Pesquisa Econômica dos EUA (National Bureau of Economic Research). “Em conjunto, os resultados dos estudos, análises e amostras nacionais de pessoas que deixaram o estado do bem-estar social sugerem que muitas mulheres acabaram em uma situação financeira pior depois da reforma”, diz a pesquisa. “Em especial, na parcela mais baixa da distribuição.”

Ainda assim, as pessoas consideradas mais vulneráveis não tiveram muito destaque no evento. Havia apenas duas mulheres entre os 19 palestrantes convidados.

Bruce Reed, um dos principais conselheiros de política interna de Bill Clinton e o homem por trás da proposta de campanha do ex-presidente para “acabar com o formato atual de bem-estar social”, admitiu que ainda há mais a ser feito pelos trabalhadores pobres, mas contou ao The Intercept que a reforma foi um “sucesso” de forma geral.

Na verdade, os números mais recentes da Suplemento de Segurança Alimentícia do Censo Populacional descobriu que 5,5% dos lares americanos – 6,7 milhões de lares, no total – precisaram usar os bancos de alimento ou outros órgãos de auxílio alimentação em 2014. Essa é a maior porcentagem desde que os dados começaram a ser registrados em 1995.

Mesmo com as reformas, o estigma de receber ajuda do governo permanece – e os contrários ao auxílio continuam a atacar os programas restantes, como o vale-refeição para os necessitados. O Governador do Maine, o republicano Paul Lepage, declarou recentemente que os beneficiários de vale-refeição em seu estado encontram-se em uma “dieta constante de barras de chocolate e refrigerante”.

Ao fim do evento, os palestrantes e o público atenderam a um banquete de bebidas alcoólicas, bolo de queijo, carnes finas e queijo gourmet.

*Tradução de Inacio Vieira

Presidente da Colômbia entrega acordo de paz ao Congresso

Depois de encaminhar o acordo definitivo de paz ao Congresso, Juan Manuel Santos ordenou cessar-fogo definitivo

O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, entregou nesta quinta-feira (25) ao Congresso Nacional o texto final do acordo de paz do governo com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo), assinado na quarta-feira (24) em Havana, Cuba, após quatro anos de negociações.

Durante o ato de entrega do texto ao presidente do Congresso, Mauricio Lizcano, Santos anunciou que a partir da próxima segunda-feira (29/08) estão suspensas as ações militares ofensivas e defensivas contra a guerrilha.

“Como comandante-chefe das Forças Militares da Colômbia, ordeno o cessar-fogo definitivo com as FARC a partir das 00:00 do dia 29 de agosto”, declarou o presidente. “Termina assim o conflito armado com as Farc.”

Além do texto final do acordo de paz, Santos entregou também uma carta em que informa o Congresso que deseja realizar o “plebiscito pela paz” no dia 2 de outubro, quando a população do país deverá referendar o acordo para que ele entre em vigor. Os legisladores colombianos devem analisar e aprovar o texto do acordo de paz e autorizar a convocação do plebiscito.

Santos afirmou que o acordo “deve ser referendado pelo povo para que tenha mais legitimidade”. “Sou consciente de que não tinha essa obrigação legal, mas sim a obrigação moral, porque sou um democrata e porque creio que o povo deve ter a última palavra”, disse.

Os dois lados assinaram um cessar-fogo bilateral em junho, um dos pontos mais complexos do acordo e que abriu caminho para a conclusão das negociações. As condições sobre como será a anistia aos guerrilheiros, sua futura participação política e reincorporação à vida civil foram os últimos temas a serem acordados.

Segundo o acordo de paz, as Farc irão pôr fim à luta armada e buscar seus objetivos políticos por meio da atuação partidária na democracia representativa colombiana.

Espera-se que, com a vitória do “sim” ao fim do conflito segundo o texto do acordo no referendo popular em outubro, o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, e o líder das Farc, Timoleon Jimenez, assinem o texto final até o fim deste ano, o que colocaria em vigor o acordo de paz.
Para além destes passos, a verificação e o respeito aos pontos da agenda discutida nos últimos quatro anos em Havana são as garantias para a paz duradoura na Colômbia. Em janeiro, os dois lados concordaram na participação da ONU como monitora do cessar-fogo e da resolução das eventuais disputas que possam surgir da desmobilização de pelo menos 7 mil guerrilheiros armados.

Em agosto, foram anunciados os critérios para escolha dos juízes que atuarão na Jurisdição Especial para a Paz, um tribunal estabelecido no processo de diálogo entre as partes e que julgará delitos cometidos durante o conflito entre a guerrilha e as forças colombianas.

O conflito entre diversas guerrilhas, entre elas as Farc, e o governo colombiano já deixou mais de 220 mil mortos e pelo menos um milhão de pessoas desalojadas desde 1964. O governo Santos e as Farc estão desde 2012 negociando um acordo de paz que dê fim ao conflito entre as duas partes e trate de justiça e reparação para as vítimas e de reinserir as pessoas envolvidas na guerrilha na sociedade civil.

Do Portal Vermelho, com Opera Mundi

"No passado procuraram os militares; hoje, os juízes"

Por Pedro Serrano

Professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, Pedro Estevam Serrano dedicou seu pós-doutorado ao estudo de processos de ruptura democrática na América Latina. A pesquisa agora é lançada como livro - Autoritarismo e golpes na América Latina: breve ensaio sobre jurisdição e exceção (Alameda Editorial).
Na obra, o autor aponta que, entre os séculos 20 e 21, há uma mudança de paradigma nos métodos pelo quais ocorre a escalada autoritária na região. "No passado, procuraram os militares. Hoje, procuram os juízes, promotores e delegados", afirma Serrado.

Confira abaixo a entrevista completa de Serrano ao Brasil de Fato:

Brasil de Fato - Qual a diferença dos ataques à democracia nos séculos 20 e 21?

Pedro Serrano - No século 20, havia o estabelecimento de governos de exceção, ou seja, ditaduras. No século 21, se passa a ter medidas específicas de exceção no interior da democracia, com roupagem de Estado Democrático de Direito, a título de cumprir a Constituição, mas a desrespeitando. Isso é uma mudança incrível.

No Estado de Direito, os militares não têm por função o controle dos comportamentos e da vida. Quem tem é o sistema de Justiça, que envolve o Judiciário, o Ministério Público, as polícias e a advocacia. Na América Latina, é esse sistema de Justiça o principal agente da exceção.

No passado, procuraram os militares. Hoje, procuram os juízes, promotores e delegados.

O que muda com isso?

Muda a forma e a intensidade, mas não a estrutura. Há uma relação autoritária, não de autoridade, que implica na suspensão de direitos a título de combater um "inimigo", com finalidade política.

Como se configura esse "novo" autoritarismo?

Na América Latina, há dois fenômenos de exceção. Existe, por um lado, um Estado de Exceção permanente que governa os territórios pobres, por meio de uma força de ocupação territorial que é a Polícia Militar, que é menos polícia e mais militar.

Você vai nas periferias das grandes cidades e se sente em um território ocupado pelo inimigo, no qual as pessoas não podem circular após um determinado horário sem sofrer agressões (da polícia ou dos bandidos). Sem direitos garantidos, basta uma suspeita para ser torturado ou morto. Não existe de fato um Estado de Direito governando a vida dessas pessoas.

Há também medidas de exceção no interior do Estado Democrático, como no caso do Mensalão, da Lava Jato e, aparentemente, no caso do impeachment de Dilma. Segmentos incluídos da sociedade são tratados com a exceção que o o pobre é tratado, com finalidade estritamente política. A seletividade é inerente à exceção. Quando ela ocorre, não há previsibilidade.

Como isso se dá concretamente?

Em Honduras e no Paraguai se produziram medidas contra governos de centro-esquerda, por atos do Judiciário ou com o apoio e a legitimação por parte dele.

No Brasil, essa atuação do sistema de Justiça se dá a partir da ação penal 470, conhecida como 'Mensalão'?

Sim. A ação penal 470 foi um marco. Eu disse antes do julgamento que os principais réus seriam condenados e que o ministro [do STF] que ousasse discordar disso seria trucidado pela mídia. Foi o que houve. E um processo que se inicia já se sabendo o resultado não é um julgamento.

Ali se torna evidente, mas há um processo anterior, nas últimas décadas, de crescimento da jurisprudência punitivista, aqui e no mundo. É um fascismo judicial, um discurso que restringe intensamente direitos fundamentais e humanos, através de uma forma democrática, mas com conteúdo autoritário.

A ideia de fraude no direito é a que melhor descreve [esse processo]. A fraude é uma ilegalidade cometida com aparência de legalidade.

A delação premiada é uma continuidade disso?

A delação premiada em si não é inconstitucional ou inadequada como instrumento de apuração. O equivocado é ser realizada por quem está preso provisoriamente, sem estar condenado, com objetivo de sair. É uma confissão obtida mediante tortura psicológica intensa.

A própria ONU considera nossas prisões medievais. Não dá para passar por cima do fato de que se pegam pessoas do mundo incluído, que têm certo hábito de vida, e jogam na prisão, o que se configura um método de tortura. É um sinal dos mecanismos de exceção produzidos pelo Judiciário.

A lógica no Estado Democrático é a de universalizar os direitos fundamentais dos incluídos para os excluídos. O que se tem construído é a universalização da injustiça que é praticada contra os excluídos para parte dos incluídos. É o caminho inverso, e é perverso.

Às vezes, o rico ser preso é injustiça, no caminho contrário da generalização dos direitos.

A partir de sua análise, é possível considerar que ainda vivemos em uma democracia?

Nós estamos retroagindo. Nossa relação com o Estado está cada vez mais permeada pelo autoritarismo. Quando se fala em aprovar as dez medidas que o Ministério Público propôs no Congresso, todo mundo apoia, mas ninguém enxerga que aquilo reduz o direito de cada um de nós.

O meu direito de defesa e a minha presunção [de inocência] saem diminuídos. O meu, o seu, o da sociedade toda. As pessoas não estão tendo esta dimensão.

Através das instituições democráticas e de suas formas, está se liquidando os conteúdos e os valores democráticos.

Edição: Camila Rodrigues da Silva
No Portal Vermelho.

Os sujos e os mal-lavados

Festa acabada, músicos a pé, diz conhecido provérbio português. Vencida a quinzena olímpica e amortecido por horas o complexo de vira-lata, o país, mal refeito da ressaca cívica, se reencontra com seu drama cotidiano: a degradação da política, magnificando todos os nossos problemas, expondo nossas misérias sob lente de aumento.


Por Roberto Amaral*, na Carta Capital

E não sem razão – mais uma ironia da história? – seu epicentro se encontra em Brasília e se instala no Senado Federal onde ínclitos pais-da-pátria como Cristovam Buarque e Romero Jucá (antigos colegas de Luiz Estevão, Demóstenes Torres e Delcídio do Amaral) se aprestam a consagrar o defenestramento da presidente Dilma Rousseff, que, dentre muitas incompatibilidades com o trato parlamentar, tem a de ser, ou haver sido, pouco indulgente com as vaidades e os pleitos grandes e pequenos e quase sempre pouco republicanos de nossos Brutus.

A Câmara Alta está atenta ao clamor dos interesses dos rentistas da avenida Paulista e suas adjacências; assim, dos capitães do agronegócio voltados para a renovação anual das anistias de débitos com os bancos oficiais. Seus nervos sensíveis captam as apreensões das multinacionais ante o risco de o Brasil persistir em ter para si e seu povo os recursos do pré-sal. Suas antenas auscultam os sempre atendidos interesses do atraso tão bem representados pela conjunção formada pelas bancadas da bala, do boi, da bíblia (leia-se neopentecostais) e dos bancos, afinal vencedores e governantes, após haverem sido rejeitados, quatro vezes, pela manifestação eleitoral, a única legítima nas democracias.

Mas essa tragédia é, tão-só, uma das muitas manifestações da degradação geral que pervade, como erva daninha, como cupim que lavra madeira de má qualidade, as instituições que sustentam nossa República sereníssima e nossa jovem e injusta democracia. Não se trata, pois, de simples acaso o encontro da decomposição ética, política e representativa do Poder Legislativo (de que é simbólico o fato de o presidente da Câmara Federal haver sido, até bem pouco tempo, o ainda deputado Eduardo Cunha), com a degradação do Poder Executivo, chefiado por um politico sem voto e sem honra de que se despedem todos os perjuros.

Grita em manchete de primeira página a Folha de S. Paulo do dia 25 deste agosto, data de instalação do justiçamento da presidente Dilma: “Temer diz ter votos para o impeachment” e o novo presidente da Câmara dos Deputados, áulico do titular afastado por corrupção, anuncia o adiamento do julgamento do correntista suíço, que assim vai fugindo do processo que visa à cassação de seu mandato.

Os poderes degradados se abraçam ao Poder Judiciário, de cuja decadência (que a todos deve assustar) fala alto a lamentável circunstância de seu mais notório e destacado membro (ministro do STF e presidente do TSE) ser useiro e vezeiro em agredir o Código de Ética da Magistratura, pertinaz na antecipação de julgamento de processos, notório serviçal de uma sigla partidária, empresário conhecido do ensino privado-comercial. É o mesmo Mendes que reteve por quase dois anos decisão do STF sobre a proibição do financiamento empresarial das campanhas eleitorais, que defende com unhas e dentes. É o mesmo que condena a chamada ‘lei da ficha limpa’ que o Tribunal que em má hora preside terá de fazer respeitada.

Trata-se, o Judiciário, de poder que não julga, que abriu mão da isenção e da imparcialidade, amante dos altos salários, dos convescotes e das vilegiaturas. Esse poder Judiciário, desde os Moros ao ministro Mendes, está assumidamente a serviço da sociedade de classe e nela é instrumento de uma fração da classe dominante, esta que, à margem da soberania popular, está prestes a consolidar-se como senhora da República.

Entre os poderes, como se fosse um deles, planeta solitário em seu próprio e imaginário sistema, circunavega o Ministério Público, esse exótico ‘quarto poder’ (como a mídia monopolizada), reinante numa ordem constitucional que só conhece três.

Talvez seja este o momento mais crucial dessa crise que vem de longe, pois não há esperança de boa saúde para uma sociedade sem Poder Judiciário confiável.

Este último traço salta à vista na série de irregularidades que vieram à tona com o vazamento, para a mídia de sempre, para a revisa de sempre, de uma pré-delação premiada ditada para membros do MPF, em termos e sob condições desconhecidas, por um empreiteiro interessado em trocar anos de prisão por denúncias contra quem quer que seja. Desse vazamento resultou a resposta encrespada do líder do STF e, no mesmo e lamentável tom, a resposta do chefe do MPF, falando para seu público interno, e tomando suas dores.

Por que a gritaria de hoje?

Desses vazamentos, dos vazamentos passados, são, reconhecidamente, responsáveis ora membros inominados do MPF, ora agentes da Polícia Federal, ora mesmo juízes de direito, como o notório Sérgio Moro, este agindo principalmente no episódio do grampo criminoso que registrou diálogos entre a presidente Dilma e o ex-presidente Lula e, ainda criminosamente vazados, repito, pelo juiz Sérgio Moro.

É justificada a estranheza diante da inesperada sensibilidade de ministro e procuradores. Ora, desde seu primeiro dia, a Operação Lava Jato é cediça no vazamento selecionado de delações, que violenta direitos. Até aqui sob os aplausos da mídia, o silêncio do Conselho Nacional de Justiça (e por silente, cúmplice), a omissão do Conselho Nacional do Ministério Público. Não há registro de qualquer iniciativa, seja do STF, seja do MPF para apurar essas irregularidades que alimentam os escândalos e movem a Lava Jato e seus justiceiros que tudo se permitem porque se dizem e se julgam portadores de uma missão divina: salvar o país da corrupção.

Essa é, porém, história passada. Pois, não mais que de repente, o STF se viu cobrado em seus brios e o procurador Rodrigo Janot partiu em defesa de seus colegas de corporativismo. Foram todos para a mídia (em busca de seus minutos, horas, dias de vedetes), a grande imprensa que deles se alimenta cevando as vaidades de quem deveria preservar a imagem das instituições que simbolizam, e – praz aos céus! –, trocaram mútuas e graves acusações. Acusações com as quais, lamentavelmente, somos levados a concordar.

Qual fato novo a justificar a algaravia dos príncipes? O vazamento atinge um membro da Suprema Corte e, pior!, trata-se, a vítima, de querido pupilo do ministro Mendes! O ministro-protetor, assim testado em seus brios, deu vaza à sua reconhecida incontinência verbal, e os jornalões escancararam as portas já abertas de suas páginas explorando o escândalo: o líder da direta no STF dirigiu suas baterias contra o MPF e os procuradores, contra a Lava-Jato, contra a ‘lei da ficha limpa’, contra a delação premiada e, evidentemente, contra os vazamentos.

Há informações de acusados sendo orientados a dirigir o depoimento contra notórios desafetos do situacionismo de hoje como condição, para celebração de acordos, e o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro (FSP. 24.08.16) refere-se a indicações de que investigadores não raro pedem para que sejam mencionadas pessoas do Poder Judiciário em depoimentos.

O que se discute à margem da reação naturalmente destemperada do ministro Mendes é a indignação seletiva. Como pôr na mesma balança o silêncio conivente de ontem com a reação emocional de hoje? Por que o silêncio conivente quando as vitimas são o ex-presidente Lula e seus correligionários ou pessoas próximas? Por que o silêncio diante dos vazamentos anteriores, por definição ilegais e moralmente covardes? Por que, por exemplo, o silêncio diante dos vazamentos das delações de Sérgio Machado e do ex-senador Delcídio do Amaral? Por que o aplauso ao juiz Moro quando do vazamento do grampo criminoso que atingia a presidente Dilma e o ex-presidente Lula?

O procurador Janot, pego de calça-curta no episódio, atribui o vazamento ao próprio depoente, o que é inverossímil, pois o vazamento pode interessar a muitos, mas inequivocamente não interessa ao delator, e, agora, intempestivo, resolve, suspender a delação do empresário. Na verdade, esse Léo Pinheiro, o dono da famosa empreiteira OAS, foi defenestrado porque não disse o que os procuradores queriam ouvir. E, silenciado, não poderá falar sobre aqueles que os procuradores não querem que fale.

Por que, para pelo menos limpar a imagem de parcialidade, não apurar todas as delações até aqui?

*Cientista político, ex-ministro da Ciência e Tecnologia e ex-presidente do PSB. Autor de Socialismo, morte e ressurreição (ed. Vozes)

Via – Portal Vermelho
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