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sábado, 14 de julho de 2018

ALESSA LOPES – A BELA DA SEMANA


Ela compõe o rol das seletas, faz parte daquele povo agraciado pela supremacia presente na condição de mulher, honrosa condição que torna tais criaturas donas de nossa admiração, somos incansáveis espectadores do espetáculo feminino, por assim ser, somos atentos a ela, ela que nasceu para brilhar, ela que de modo preciso representa todo encanto proveniente dos detalhes que se externa na realeza das morenas...

No capricho impecável da natureza que tem como propósito mostrar na mulher tudo o que a beleza encerra, qualquer definição do que é belo consta em Alessa Lopes, jovem de graciosidade imensa, dona de uma impecabilidade evidenciada nos traços magníficos da bela que evidentemente nasceu para ser louvada, ela que externa no existir, toda exuberância que se encontra em quem além de nascer mulher, também nasceu linda, por isso, seus formosos pés tem o direito de subir ao pedestal das únicas...

Porque são especiais as beldades, porque sabemos que elas estão em torno dos nossos propósitos, por isso as consideramos sumidades, pois, o mundo gira em torno destas fascinantes meninas iguais Alessa, que estando onde estiver, chamam a atenção pelo peculiar encantamento de quem tem o privilégio de ser boa referência.

Alessa... A nós é concedido o privilégio da contemplação, a honra imensurável ao nos regalar e confiar sua presença neste espaço onde a mulher é o adorno principal, do alto de sua condição feminina, receba os vivas que sempre destinamos as que propositalmente nasceram para encantar, por conta do êxito daquelas iguais a ti, este espaço tornou-se um sucesso entre aqueles que anseiam por aquilo que lhes favoreçam as pupilas, te olhar é uma prece, um culto a criatura cujo o criador fez com o maior esmero... Em ti brindamos a majestade mulher.

No mais, seria impossível ficarmos indiferentes diante de tamanha formosura, pecaríamos se não falássemos aos quatro cantos sobre a tua grandeza feminina, muito embora não encontramos palavras que possam definir tua imagem que fala por si. Tê-la no seleto grupo das belas é mais um adorno a este espaço onde a mulher tem nosso respeito...

O negrume da noite sente inveja da cor de seus cabelos, as flores doaram-lhe o perfume, as estrelas se ofuscam diante do lume de seu sorriso e a natureza inteira se curva diante da majestosa beleza desta beldade que deixa o sol envaidecido por poder tocar-lhe o rosto... Pois ela é Alessa Lopes, ela é a Bela da Semana.

*ALESSA VICTÓRIA PICINI LOPES – Nova Londrina/PR – Filha de Camila Picini Lopes e Onivalter Silva Lopes (Neno Lopes). Alessa é são paulina e cursa o 2° Ano do Ensino Médio no colégio Pequeno Príncipe.




quinta-feira, 12 de julho de 2018

Copa do Mundo e festa de caboclos na Bahia

O povo veste vermelho, estampa a foto do Lula na camisa e vai assistir jogo da Seleção.


Por - *Rodrigo Perez Oliveira

Tolos são os que rejeitam a Copa do Mundo, reivindicando para si alguma austeridade, como se negar um evento que mobiliza milhões de pessoas pudesse servir como signo de distinção.

Como a tolice é democrática, os tolos estão por todos os lados, à esquerda e à direita, passando pelo centro.

Num país como o Brasil, onde o futebol é a coisa mais importante entre as coisas mais importantes, a Copa do Mundo representa uma possibilidade única de encontro.  É isso! No Brasil, Copa do Mundo é encontro.

Escrevo, hoje, a crônica de um encontro, crônica de Copa.

Aconteceu na Bahia, em Salvador, num bar do Pelourinho. Era segunda-feira, 2 de julho, dia de jogo da Seleção.

Tenho o hábito de assistir jogos de futebol em mesa de bar, sejam jogos do Flamengo ou da Seleção. Confesso, sem nenhum pudor, que gosto mais do Flamengo do que da Seleção. Gosto da Seleção também.

Gosto mesmo é de bar que tem cerveja gelada e samba. Se é quase certeza que todo bar tem cerveja gelada, pois do contrário não seria bar coisa nenhuma, o mesmo não pode ser dito para o samba.

Não é todo bar que tem samba. Acho criminoso o bar que não tem samba.

Fato é que o bar que escolhi pra assistir o jogo tinha cerveja gelada e samba. O samba começou forte e parou um pouco antes do apito inicial, quando os jogadores se perfilavam para cantarem seus respectivos hinos nacionais. Essa é a parte do jogo que menos gosto. Acho cafona, lembra quartel, escola. Passa rápido. Dá pra aguentar.

O bar tava cheio de gente vestindo o já tradicional verde e amarelo. Mas tinham muitos de vermelho também. Vermelho no jogo da seleção? Pra explicar, preciso falar um pouco sobre a Bahia.

Começo pelo 2 de Julho, feriado importante no calendário baiano.

É a “independência da Bahia”, que dizem os baianos ter acontecido antes da independência do Brasil. Tipo, primeiro ficou livre a Bahia e depois o restante da nação, que nem nação era ainda. Eu, que de bobo não tenho nada, não vou teimar com os baianos.

A Bahia ficou independente antes do Brasil e ponto final!

Feriado de 2 de julho é dia de festa religiosa. As imagens de um casal de caboclos são carregadas pela cidade.

As pessoas tocam nos caboclos, choram no pé da cabocla.

Já virou até gracejo aqui na Bahia. Quando o sujeito, ou a sujeita, reclamam muito da vida, o povo diz “Vai lá chorar no pé da cabocla”. Seria uma versão baiana pro “Não me encha a paciência com teus problemas”.

Eu não fazia a menor ideia por que um casal de caboclos é carregado num desfile cívico, de comemoração da independência. Mas como sou bom ouvinte, aprendi rápido: os tais caboclos representam os de baixo, os pobres que lutaram pela independência.

No cortejo dos caboclos tem de tudo: tem índio, milicos do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, crente segurando a bíblia e querendo exorcizar os índios, manifestação política e por aí vai.

Por isso, no bar, o da cerveja gelada e do samba, tinha um monte de gente vestindo vermelho, com foto do Lula desenhada na camisa. A galera participou do cortejo dos caboclos e depois foi pro bar, assistir jogo e beber cerveja. Justo, coerente.

É que ser lulista na Bahia não é vergonha nenhuma. No Rio de Janeiro é diferente.

No Rio de Janeiro, Lula é rejeitado tanto por uma direita desavergonhada e decadente como por uma esquerda que se convenceu de que o Brasil se resume ao território compreendido entre o Leblon e a Tijuca.

Aqui na Bahia, não!

O povo veste vermelho, estampa a foto do Lula na camisa e vai assistir jogo da Seleção.

“Aqui tem um monte de gente do PT, né?”, disse pra mim, quase num sussurro, uma mulher que parecia beirar uns 60 anos. O tom foi meio cauteloso, como quem pisa leve em terreno desconhecido. Ela tava querendo saber qual era a minha, o que eu achava daquela vermelhada toda.

Respondi de bate-pronto, como se estivesse chutando uma bola: “Graças a Deus!”.

A mulher sorriu com ar de cumplicidade e respondeu mais ou menos assim:

“Vou te contar uma coisa: eu também sou PT. Votei no Lula, votei na Dilma e vou votar no Lula de novo. Ele roubou, mas melhorou nossa vida. Antes do Lula davam leite pra gente, uma farinha pra misturar na comida dos meninos. Agora, com o Bolsa Família, a gente pode comprar um gás, um danone.”

Tem tanto sentido nessas palavras, tantas possibilidades de interpretação do Brasil, que pra não me perder nas ideias, organizo a reflexão em partes:

1º) A histeria anticorrupção que até aqui foi o fundamento semântico da crise parece não ecoar tanto na base da sociedade. O povo pobre, que vive de salário mínimo, está preocupado com a própria sobrevivência e disposto a votar em quem se mostrar mais favorável à garantia dessa sobrevivência. Nesse aspecto, Lula é imbatível. O povo tem inteligência prática, tem boa memória.

Na hora, até tentei dizer para a companheira que Lula não tinha roubado, que não existiam provas. Ela deu de ombros e continuou dizendo que não queria saber, que votaria nele assim mesmo. A moral é mais frouxa quando o estômago está vazio. Justo, coerente.

2°) O Bolsa Família foi a maior revolução social que este país já viu. Não que o Bolsa Família tenha inaugurado a assistência social aos mais pobres. Não mesmo!

Assistência social para os pobres existe desde que existe a pobreza.

A Igreja, o Coronel, o Estado, sempre tem alguém dando uma “ajudinha” aos mais pobres, seja por caridade cristã, penitência ou cálculo político.

Com o Bolsa Família é diferente e a minha amiga entendeu isso perfeitamente.

O Bolsa Família não é a farinha nutritiva, muito usada para combater a mortalidade infantil. O Bolsa Família é o dinheiro na mão do pobre, auxílio que chega pelo banco, através de política pública. Com o Bolsa Família, o pobre está empoderado, nem que seja um pouquinho, para escolher, para “comprar um gás, um danone”.

Com o Bolsa Família, pobre não depende da generosidade de pessoa física.

Por isso que parte das elites brasileiras, em sua maioria pessoas cristãs, caridosas, rejeita tanto o Bolsa Família. O Bolsa Família dispensa a caridade e gente tão ruim precisa, desesperadamente, do exercício da caridade para ingressar no paraíso cristão. Que queimem no inferno!

3°) Em nenhum momento minha amiga cogitou a possibilidade de não votar em Lula. O tempo inteiro, ela dizia: “Se Deus quiser, Lula vai voltar e ajudar a gente de novo”, numa espécie de sebastianismo preventivo, que se dá antes mesmo do desaparecimento total do salvador.

É claro que eu, pragmático por natureza, insisti, dizendo “talvez não dê pra votar nele, precisamos ficar atentos em quem ele vai indicar”. Outra vez, ela não deu muita bola, e continuou o mantra “Deus vai ajudar o Lula e ele vai voltar”.

É bonito, me emocionou. Com alguma ajuda das cervejas que já se acumulavam na minha corrente sanguínea, cheguei a marejar os olhos. Quando bebo fico mais sensível.

Confesso que também fiquei preocupado. Todos nós que acompanhamos a crônica política nacional, sabemos que a homologação da candidatura de Lula pelo TSE é quase impossível. A resistência da minha amiga em discutir uma alternativa, em pensar em outro nome, ainda que seja um nome chancelado por Lula, me deixou muito apreensivo.

A preocupação passou num instante, foi-se embora no mesmo pé em que tinha vindo. Eu tava ocupado demais pra pensar nos problemas.

Era início de tarde e os caboclos estavam animados, em festa.

Na Rússia, os caboclos chutavam bola com perícia de artista, dando uma aula de futebol. Nas ruas do Pelourinho, o casal de Caboclos passava, semeando a esperança no coração de gente tão sofrida. E no bar, ao meu lado, bem pertinho, a cabocla, com sua inteligência política prática, me ensinava a acreditar no improvável.

*Rodrigo Perez Oliveira, professor de Teoria da História na UFBA, com ilustração de Cau Gomez.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Omara Portuondo, uma diva para sempre

Se um qualificativo faz justiça a Omara Portuondo é o de diva, não importam os desafios que se proponha, sempre é capaz de os superar, e sua extensa e aplaudida obra são hoje a melhor prova.


A Portuondo não está cingida a estereótipos, pode arrancar aplausos nos mais exigentes auditórios do mundo, mas também compartilhar a magia de sua voz com seus mais singelos seguidores, fazendo de cada momento algo único, memorável e emotivo.

Os giros da vida, apostando por aquilo de que a cada situação tem sua razão, a levaram neste sábado à noite a seu lugar de origem, a barriada habanera de Cayo Osso, onde começou a lenda há 87 anos.

O pretexto foi a apresentação de seu mais recente fonograma, titulado Omara Sempre, uma entrega de duetos em circulação desde maio criada pela casa discográfica Egrem.

No entanto 'A noiva do feeling', como também se conhece à estrela da Boa Vista Social Clube, rompeu com o guião estabelecido em correspondência com o álbum e presenteou o público um extraordinário repertório que em sua voz tem feito da canção cubana uma expressão de talha universal.

Entre bromas e lembranças da infância, Portuondo arrancou com Noite cubana, canção que leva o crédito do legendário compositor César Portillo de Luz, um tema que marcou época e a carreira de seus autores Orlando Fierro (letra) e Bobby Collazo (música).

Seguram-lhe clássicos como Lágrimas negras, de Miguel Matamoros; Adeus, felicidade, dela Oscar Farrill; de Ramón Espígul; Talvez, de Juan Formell; 20 anos, de Guillermina Aramburu e María Teresa; e Era-a está parindo um coração, de Silvio Rodríguez, entre outras.

Curiosamente do disco Omara Sempre a artista só interpretou Sábanas Brancas, canção do cantor e compositor Gerardo Alfonso.

A diva cubana mostrou em cada momento ser dona a plenitude dos giros de um repertório tão variado, também do talento carisma que a converteram em uma artista universal.

O público contou cada um dos temas, alguns sugeridos à artista que não pôs reparos ao pedido de seus mais fiéis seguidores, criando assim um ambiente de cumplicidade, quase mágico, ao longo de duas horas sobre o palco.

Amigas, ícone da canção cubana composta por Alberto Lado, foi a eleição da diva para pôr ponto final ao concerto, um clássico que originalmente interpretou junto a Elena Burke e Moraima Secada, suas colegas no lendário quarteto As Dââé¬Ã-Aida.

O concerto de Omara Portuondo em seu bairro natal é o primeiro de uma série dirigida a promover seu novo disco e celebrar os 500 anos de fundada Havana.

Via – Prensa Latina

terça-feira, 10 de julho de 2018

43 anos depois, Estado brasileiro terá que investigar morte de Herzog pela ditadura

Corte Interamericana de Direitos Humanos decide que Anistia não justifica omissão do Estado na investigação e punição dos assassinos do jornalista.

OBRA DE CILDO MEIRELES
Nos últimos meses do ano de 1975, o artista plástico Cildo Meireles espalhou pelo comércio do Rio de Janeiro notas de 1 cruzeiro com o carimbo: “quem matou Herzog?” Era uma ação política contra as torturas e assassinatos da ditadura militar, naquele momento personificados num caso emblemático, o do jornalista Vladimir Herzog. 43 anos depois, o Estado brasileiro é intimado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos a finalmente responder à pergunta de Cildo, da família, amigos e de milhões de cidadãos comprometidos com a verdade e a Justiça.

Aos 38 anos, Vladimir Herzog era casado e pai de duas crianças quando foi convocado pela repressão a depor sobre suas ligações com o Partido Comunista Brasileiro, do qual era militante. Diretor de jornalismo da TV Cultura, Vlado, como era conhecido, chegou pela manhã do dia 25 de outubro de 1975, um sábado, à sede do DOI-Codi, em São Paulo, foi encapuzado, amarrado a uma cadeira, sufocado com amoníaco, submetido a espancamentos e choques elétricos, e morreu. A versão oficial, amparada por uma fotografia que se revelou forjada, é que ele teria se enforcado.

Em 2012, o autor da foto, Silvaldo Leung Vieira, contou ao repórter Lucas Ferraz, da Folha de S.Paulo, que, ao chegar ao local, o cenário estava montado e ele teve de fotografar da porta. “Tudo foi manipulado, e infelizmente eu acabei fazendo parte dessa manipulação”, lamentou. “Depois me dei conta que havia me metido em uma roubada. Isso aconteceu, acho, porque eles precisavam simular transparência.”


Em decisão de março só divulgada agora, a CIDH decidiu que a Lei de Anistia, de 1979, não pode servir de justificativa para que os responsáveis pelo assassinato de Herzog não sejam punidos e que o Estado brasileiro deverá realizar uma investigação séria, independente, dentro de um prazo razoável, para determinar as circunstâncias em que ele foi morto. “O Estado deve reiniciar, com a devida diligência, a investigação e o processo penal cabíveis, pelos fatos ocorridos em 25 de outubro de 1975, para identificar, processar e, se for o caso, punir os responsáveis pela tortura e assassinato de Vladimir Herzog, num prazo razoável”, diz a decisão.

“Os fatos ocorridos contra Vladimir Herzog devem ser considerados crime contra a humanidade, de acordo com a definição dada pelo Direito Internacional. Em vista do exposto, o Tribunal concluiu que o Estado não pode invocar a existência da figura da prescrição ou aplicar o princípio ne bis in idem, a lei de anistia ou qualquer outra disposição semelhante ou excludente de responsabilidade para escusar-se de seu dever de investigar e punir os responsáveis.”

A Corte cita as várias tentativas de se elucidar o crime. Ainda em 1975, a Justiça Militar fez uma “investigação” que confirmou o “suicídio”. Em 1992, nova investigação foi iniciada, mas acabou arquivada por causa da Lei de Anistia. Em 2007, após a publicação do relatório oficial da “Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos”, apresentou-se um novo pedido de investigação ao Ministério Público Federal, que também acabaria arquivado.

“A sentença da Corte Interamericana é histórica, pois reconhece que o caso está inserido em um contexto sistemático e generalizado de ataques à população civil pelo regime militar instaurado no Brasil a partir de 1964, configurando assim os chamados crimes contra a humanidade”, disse Beatriz Affonso, diretora do CEJIL (Centro pela Justiça e o Direito Internacional) no Brasil. O CEJIL representa a família de Vladimir Herzog desde 2009 no Sistema Interamericano.


Segundo o CEJIL, a condenação do Estado brasileiro pelo caso de Herzog abre ainda precedente para que outros assassinatos cometidos pela ditadura sejam punidos. No entendimento da instituição, tanto os crimes cometidos contra Vladimir Herzog quanto os demais crimes de Estado deste período não se submetem a um prazo de prescrição e outras excludentes de responsabilidade. Isto porque a sentença da CIDH coloca a própria Lei de Anistia em xeque, ao incluí-la nas razões para a falta de investigação e punição aos assassinos do jornalista.

“O Estado brasileiro é responsável pela falta de investigação, de julgamento e de punição dos responsáveis pela tortura e pelo assassinato do jornalista Vladimir Herzog, bem como pela aplicação da Lei nº 6.683/79 (“Lei de Anistia”) neste caso”, diz a decisão. Para a Corte, citando decisão anterior, “as disposições da Lei de Anistia brasileira que impedem a investigação e sanção de graves violações de direitos humanos carecem de efeitos jurídicos”.

Ao contrário do Uruguai, da Argentina e do Chile, que esta semana condenou oito ex-militares pelo sequestro e assassinato do cantor Victor Jara após o golpe, em 1973, o Brasil nunca prestou contas pelas brutalidades da ditadura, que matou em sua maioria jovens com menos de 30 anos, além de camponeses, indígenas e cidadãos comuns, sem nenhuma ligação com a luta armada. A sentença da CIDH pode ser o começo do fim da impunidade.

Nesta quinta-feira, o Ministério Público Federal em São Paulo denunciou o suboficial da reserva do Exército Carlos Setembrino da Silveira pelo assassinato do dirigente do Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT) Dimas Antônio Casemiro. O caso ocorreu em 17 de abril de 1971, em São Paulo, mas os restos mortais do militante só foram identificados em fevereiro deste ano. Também foi denunciado, por falsidade ideológica, o ex-médico legista Abeylard de Queiroz Orsini, que omitiu informações no laudo necroscópico da vítima.

Na próxima quarta, 11 de julho, a diretora do CEJIL, Beatriz Affonso, a viúva, Clarice, e o filho de Herzog, Ivo, darão uma entrevista coletiva na sede do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo onde detalharão cada ponto da sentença e os próximos passos.

Com informações da Agência Brasil

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Inflação sobe e custo de vida dobra em junho para consumidores de renda mais baixa

Alta na cesta básica, reajuste do botijão de gás e manutenção da tarifa vermelha de energia penalizam mais pobres.



Júlia Dolce.
A empregada doméstica Luciene Ferreira, moradora de Queimados, na região metropolitana do Rio de Janeiro, tem feito compras em um supermercado popular no bairro de Copacabana, onde trabalha, e carregado as sacolas no transporte público até a sua casa. Ela afirma que lá encontra algumas promoções que não acha perto de seu bairro.

"Está tudo muito caro, é absurdo. Tenho deixado de comprar, principalmente carne. Até os legumes que estão muito caros, tem que ficar procurando promoção. Os legumes entram na promoção quando estão começando a ficar; aí eu compro. Mas a carne não tem jeito", lamentou.

Já Elisângela Lima, que vive na periferia de São Paulo, reclama que não tem conseguido fechar as contas com o salário que recebe como gari. "Está tudo mais caro. Antes, um pacote de cinco quilos de arroz custava 5 reais, agora é 10, tem até de 18. Feijão, que antes o quilo era de 1 real, agora chega a 7 reais. As coisas aumentam, mas o salário que é bom nada. Quando aumenta um pouquinho, os preços vão lá para cima", disse.

No caso da professora Kátia Rejane Lopes, moradora de Ouricuri, no sertão pernambucano, o preço que tem mais impactado no orçamento tem sido o do botijão de gás. Ela afirma que, na região, os moradores têm trocado o botijão e o gás encanado por fogão a lenha.

"A gente consegue sentir na pele. Quando tem uma crise, uma dificuldade no país, normalmente quem sofre primeiro são as classes desfavorecidas, as mulheres, os jovens, o Nordeste. Se você for pensar, o que você comprava há um ano com determinada quantidade de dinheiro, hoje você não consegue mais comprar. Do golpe para cá aumentou bastante. O gás era 50 reais e agora está por 85 reais. Aqui na região estão até vendendo fogões à lenha adaptados para a cidade", contou.

Custo de vida deve subir ainda mais

As três mulheres ouvidas pelo Brasil de Fato revelam os impactos do aumento no custo de vida e da inflação na rotina dos brasileiros em diferentes estados. Nesta semana, diversas pesquisas, índices e anúncios do governo expuseram que essa situação continuará se intensificando nos próximos meses.

Divulgado nesta sexta-feira (6) o IPCA, índice oficial de inflação do país, cresceu para 1,26%, a maior alta para o mês de junho desde o ano de 1995. Considerando todos os meses do ano, foi o maior índice desde janeiro de 2016.

Já a pesquisa do Índice do Custo de Vida do município de São Paulo, produzido pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), e também divulgada na sexta-feira, mostrou uma variação de 1,38% de maio para junho. No último ano, o custo de vida na região aumentou em 4,24%.

Outro estudo, divulgado na quinta-feira (5) pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre FGV), mostrou que o Índice de Preços ao Consumidor - Classe 1 (IPC-C1), que abrange famílias que ganham até 2,5 salários mínimos por mês, teve um aumento de 0,60% para 1,52% entre maio e junho deste ano, indicando que a inflação para os mais pobres teve sua maior taxa desde janeiro de 2016.

A queda na inflação vinha sendo uma das principais bandeiras do governo de Michel Temer (MDB), que comemorou, na virada de 2018, a inflação anual em 2,95%, abaixo do piso estipulado de 3%. De acordo com o economista Pedro Lapa, no entanto, a inflação relativamente baixa do governo Temer vem no mesmo cenário de uma austeridade fiscal.

"O governo não investe, os empresários não investem, e a inflação apenas assegura o ganho financeiro e não a atividade produtiva. O que a gente tem encontrado, a partir da solução conservadora, é inflação baixa e atividade produtiva baixa. Para quem pode corrigir os preços, ela não representa ameaça, mas para quem compra é sempre uma perda", afirmou.

Preços administrados

A recente alta na inflação e no custo de vida tem sido justificada por veículos de imprensa, como os jornais Valor Econômico e Folha de S. Paulo, como uma consequência da paralisação dos caminhoneiros, que aconteceu na última semana do mês de maio. Para Lapa, no entanto, o principal culpado é a política de aumento dos preços administrados, caracterizados pelos preços fixados pelo Estado, como o GLP (gás liquefeito de petróleo), a luz, o álcool, o diesel e as tarifas de transportes públicos.

"Eu acho que a greve dos caminhoneiros foi muito importante e teve uma influência grande no funcionamento da economia, mas não acredito que seja responsável por essa variação. Isso porque, tanto as estruturas produtivas quanto comerciais estão na mão de um número muito pequeno de grandes corporações. Parte do preços são administrados pelo Estado e outra parte por grandes corporações. Nesse sentido podemos afirmar que o consumidor é um expectador do aumento de preços", afirmou o economista.

A Petrobras anunciou na quarta-feira (4) um aumento de 4,4% no preço médio dos botijões de até 13 kg, para uso residencial, o chamado gás de cozinha. A alta é sobre o preço cobrado nas refinarias, e já começou a valer no dia seguinte do anúncio. Desde o início deste ano, a estatal passou a adotar uma regra de reajuste trimestral para o GLP. Desde outubro de 2016, a Petrobras adotou o pareamento de GLP com os preços internacionais, política que vem sendo amplamente criticada pelos petroleiros.

Em nota, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) destacou que a atual ordem da Petrobrás é reduzir o processamento das refinarias e comprar GLP do mercado estrangeiro. A FUP também anunciou uma greve de abastecimento, principalmente do Nordeste, região mais afetada.

"O governo Temer está desabastecendo o país com essa política de desmonte que reduziu a carga das refinarias e elevou os preços dos combustíveis e do gás de cozinha, obrigando milhões de brasileiros a voltarem a cozinhar com lenha e carvão. Nossa greve é para que as refinarias voltem a operar com carga máxima, e a Petrobrás, a cumprir a sua missão", destaca a nota.

Conta de luz mais cara

Paralelamente, também nesta semana, A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) comunicou que a conta de luz dos brasileiros ficará ainda mais cara em julho, já que a bandeira tarifária vermelha patamar 2, nível mais alto dentro do sistema criado para sinalizar aos consumidores os custos da energia, será mantida. Com a bandeira nesse nível, os consumidores terão que pagar 5 reais a mais a cada 100kWh (quilowattz-hora) de energia elétrica consumido. Com a chegada do inverno e seus dias mais curtos, o aumento da demanda por energia tende a prejudicar ainda mais as contas. Já nas cidades da região metropolitana de São Paulo, a AES Eletropaulo divulgou um reajuste médio de 15,84% nas tarifas de energia a partir da quarta-feira (4).

De acordo com a economista Patrícia Lino Costa, responsável pela pesquisa do ICV no Dieese, os preços administrados e seus constantes aumentos representam a maior preocupação para o custo de vida.

"Quando olhamos para a inflação e vimos ela tão baixa a sensação que dá, e o que o governo coloca, é que o brasileiro está ganhando poder de compra. Mas a inflação está baixa porque é uma média. Quando você abre esse número, vê que os preços administrados sobem muito acima da inflação, em patamares de 20%. Se a população tem uma renda limitada e gasta mais da metade dela apenas para pagar os serviços essenciais, sobra muito pouco para comer, para viver. Em algumas capitais, as famílias de baixa renda gastam 40% de sua renda apenas para comprar um botijão de gás, como você vive assim?", questionou.

Para Pedro Lapa, além da política de preços, a ameaça de privatização do setor energético no país colabora para a instabilidade dos preços. "No último caso você tem uma mudança na tarifa mas também tem o anúncio e um forte processo de privatização. Então estamos vendo uma transição de uma política pública de preço para energia para uma política privada', afirmou.

Cesta básica

O aumento dos preços administrados impactam, direta e indiretamente, em diversos serviços, como a produção de alimentos, o que impacta nos custos do cidadão.  Lançada na quinta-feira (5), a Pesquisa Nacional de Cesta Básica de Alimentos do Dieese, que mede a variação da cesta básica em 20 capitais brasileiras, mostrou um aumento nos alimentos pelo segundo mês consecutivo. Em junho, houve uma elevação do conjunto de alimentos essenciais em 16 capitais. Em maio, a cesta básica mais cara era a do estado do Rio de Janeiro, custando R$446,03, o que representa 50,82% do salário mínimo. Já no mês de junho, a cesta básica em Porto Alegre ficou em primeiro lugar na lista (R$452,81), seguida por São Paulo (R$451,63) e o estado fluminense (R$445,58).

De acordo com a economista Patrícia Lino Costa, com o alto preço dos alimentos e a alta taxa de desemprego —  são 13 milhões de desempregados e um crescimento de 6% do trabalho informal, de acordo com dados divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 29 de junho — as famílias brasileiras estão precisando substituir os hábitos de consumo para fechar as contas no fim do mês.

"Para as famílias de baixa renda, a estratégia de sobrevivência está ficando cada vez mais complicada, porque você não gera empregos de longa duração, e sim intermitentes, então não dá a segurança para a família conseguir o crédito, e de outro lado, a renda do cotidiano é gasta toda para pagar preços administrados. Elas vêm em processo de empobrecimento. Você tem a opção da substituição de alimentos, mas com isso, há uma queda na qualidade da própria vida dos brasileiros, que vão se alimentar mal, menos e com produtos mais baratos que são pagos depois de que todos os preços administrados são pagos", afirmou.

O economista Pedro Lapa conclui afirmando que "o golpe tornou a cesta básica mais cara e menor para o cidadão, e em muitos casos, prendeu muitos brasileiros na pobreza".

Edição: Daniela Stefano

domingo, 8 de julho de 2018

"A única garantia da liberdade de Lula é a mobilização popular", afirma advogado

Na avaliação de Ney Strozake, a pressão popular é essencial para que a decisão da Justiça seja cumprida.

Lula está preso na Polícia Federal de Curitiba desde abril / Ricardo Stuckert
A decisão do desembargador federal plantonista Rogério Favreto, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), publicada neste domingo (8), determinou a soltura imediata do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e deu início a um impasse jurídico de repercussão internacional.

O documento definia que a decisão fosse cumprida em regime de urgência. Após questionamento da competência de Favreto pelo juiz de primeira instância Sérgio Moro, que está de férias em Portugal, mas foi notificado pela Polícia Federal da decisão, o alvará de soltura foi cassado pelo relator da Lava Jato no Tribunal, o desembargador João Pedro Gebran Neto.

Em resposta à cassação de Gebran Neto, Favreto voltou a determinar a soltura de Lula em despacho publicado às 16h12.  "Não há qualquer subordinação do signatário a outro colega, mas apenas das decisões às instâncias judiciais superiores, respeitada a convivência harmoniosa das divergências de compreensão e fundamentação das decisões, pois não estamos em regime político e nem judicial de exceção", escreveu o desembargador.

O juiz ainda decidiu que o petista seja solto no prazo máximo de uma hora, dado que a Polícia Federal já estaria ciente da decisão desde às 10h. O prazo se esgota antes das 18h. "Eventuais descumprimentos importarão em desobediência de ordem judicial, nos termos legais”.

Estado de Exceção

Em entrevista ao Brasil de Fato, Wadih Damous, um dos autores do habeas corpus de Lula que foi acatado neste domingo, condenou a cassação da decisão do desembargador por Gebran Neto.

“O que aconteceu aqui foi um atentado da Lava Jato contra o Poder Judiciário brasileiro. Isso é Estado de Exceção, isso é fascismo”, afirmou.

O deputado federal também comentou que nunca viu algo parecido com o que está acontecendo hoje acontecer na Justiça brasileira.

“Na época da ditadura militar, quando um perseguido político conseguia uma medida judicial para se libertar, os militares cumpriam. Em plena ditadura. O que está acontecendo aqui em Curitiba fugiu a qualquer resquício de razoabilidade”.

Na avaliação do advogado Ney Strozake, a pressão popular é essencial para garantir a liberdade de Lula.

“A pressão popular é a única saída diante do Estado de Exceção. A decisão do Gebran confirma mais uma vez que Lula é um prisioneiro político. E diante das circunstâncias, a única saída é o povo na rua. A única garantia da liberdade de Lula é a mobilização popular”, concluiu Strozake.

Edição: Cecília Figueiredo

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