segunda-feira, 7 de junho de 2010
Paisagem de interior - Jessier Quirino.
Nota: Jessier Quirino Arquiteto por profissão, poeta por vocação, matuto por convicção. Apareceu na folhinha no ano de 1954 na cidade de Campina Grande, Paraíba e é filho adotivo de Itabaiana também na Paraíba, onde reside desde 1983.
domingo, 6 de junho de 2010
Histórias de Trancoso ou Literatura de Cordel.

A expressão histórias de trancoso aparece com freqüência na linguagem popular nordestina, denominando histórias de encantamento, de autor desconhecido ou mesmo lendas e crendices. As histórias de trancoso independente de autores recebem esta denominação, são contadas pelos pais aos filhos e foram a fonte de inspiração para muitas obras famosas conhecidas hoje como literatura de cordel.
O nome literatura de cordel provém de Portugal e data do século XVII, esse nome deve-se ao cordel ou barbante em que os livretos ficavam pendurados. No Nordeste brasileiro mantiveram-se os costumes e o nome, e os livretos são expostos à venda nas feiras pendurados e presos por pregadores de roupa em barbantes esticados entre duas estacas fixadas em caixotes.
Pouca gente contudo sabe que, histórias de Trancoso não é apenas uma expressão popular. Trancoso foi um famoso escritor português do século XVI, natural de guarda em Portugal, seu nome completo era Gonçalo Fernandes Trancoco, este escritor foi bastante divulgado no Brasil pelo Padre Antonio Vieira, segundo alguns historiadores, Trancoso foi quem primeiro escreveu novelas em Portugal e Espanha.
Em sua obra mais conhecida, publicada em 1585, que teve o título “Contos e histórias de proveito e exemplo” conforme os usos da época procurava dar lições de moral através das narrações.
Outra particularidade interessante de Trancoso e que ainda mais o liga a literatura de cordel foi ele ter apresentado a mais de 400 anos, um ABC em prosa, não em versos. Em seu ABC, Trancoso enumerava as virtudes que se exigiam então das mulheres, como nos ABCs do cordel, cada virtude tem por sinal uma das letras do alfabeto, seguindo a ordem do abecedário.
Gonçalo Fernandes Trancoso como se vê, pode ser considerado o precursor da literatura de cordel.
Fonte: Literaturas de Cordel da Editora Luzeiro ltda. São Paulo Brasil.
Por: Mateus Brandão de Souza.
O nome literatura de cordel provém de Portugal e data do século XVII, esse nome deve-se ao cordel ou barbante em que os livretos ficavam pendurados. No Nordeste brasileiro mantiveram-se os costumes e o nome, e os livretos são expostos à venda nas feiras pendurados e presos por pregadores de roupa em barbantes esticados entre duas estacas fixadas em caixotes.
Pouca gente contudo sabe que, histórias de Trancoso não é apenas uma expressão popular. Trancoso foi um famoso escritor português do século XVI, natural de guarda em Portugal, seu nome completo era Gonçalo Fernandes Trancoco, este escritor foi bastante divulgado no Brasil pelo Padre Antonio Vieira, segundo alguns historiadores, Trancoso foi quem primeiro escreveu novelas em Portugal e Espanha.
Em sua obra mais conhecida, publicada em 1585, que teve o título “Contos e histórias de proveito e exemplo” conforme os usos da época procurava dar lições de moral através das narrações.
Outra particularidade interessante de Trancoso e que ainda mais o liga a literatura de cordel foi ele ter apresentado a mais de 400 anos, um ABC em prosa, não em versos. Em seu ABC, Trancoso enumerava as virtudes que se exigiam então das mulheres, como nos ABCs do cordel, cada virtude tem por sinal uma das letras do alfabeto, seguindo a ordem do abecedário.
Gonçalo Fernandes Trancoso como se vê, pode ser considerado o precursor da literatura de cordel.
Fonte: Literaturas de Cordel da Editora Luzeiro ltda. São Paulo Brasil.
Por: Mateus Brandão de Souza.
sexta-feira, 4 de junho de 2010
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Ler deveria ser Proibido

A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido.
Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem.
A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Don Quixote e Madame Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.
A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Don Quixote e Madame Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.
Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.
Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?
Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.
Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebida. É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.
Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência.Professores, não contem histórias, pode estimular uma curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.
Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.
O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?
É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metrôs, ou no silêncio da alcova... Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um.
Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos.
Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil.
Além disso, a leitura promove a comunicação de dores, alegrias, tantos outros sentimentos... A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.
Ler pode tornar o homem perigosamente humano.
Por Guiomar de Grammon.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
EH ANOS OITENTA.

Ouve-se dizer por aí que os anos 80 deixaram saudades, há até mesmo nos grandes centros, danceterias especializadas em tocar sucessos dessa época que de fato é gostoso lembrar. Como eram as coisas nos anos 80?
terça-feira, 1 de junho de 2010
Um Homem de consciência.

O conto abaixo é de autoria de Monteiro Lobato, faz parte do livro “Cidades Mortas” e pertence à era pré-modernista da literatura brasileira.
Monteiro Lobato é nome de irrefutável destaque em obras relacionadas ao regionalismo e à denúncia da realidade brasileira. vele a pena a leitura.
Nunca fora nada na vida, nem admitia a hipótese de vir a ser alguma coisa. E por muito tempo não quis nem sequer o que todos ali queriam: mudar-se para terra melhor.
Mas João Teodoro acompanhava com aperto do coração o desaparecimento visível de sua Itaoca.
"Isto já foi muito melhor", dizia consigo. "Já teve três médicos bem bons - agora um e bem ruinzote. Já teve seis advogados e hoje mal dá serviço para um rábula ordinário como o Tenório. Nem circo de cavalinhos bate mais por aqui. A gente que presta se muda. Fica o restolho. Decididamente, a minha Itaoca
está se acabando..."
João Teodoro entrou a incubar a idéia de também mudar-se, mas para isso necessitava dum fato qualquer que o convencesse de maneira absoluta de que Itaoca não tinha mesmo conserto
ou arranjo possível.
"É isso", deliberou lá por dentro. "Quando eu verificar que tudo está perdido, que Itaoca não vale mais nada de nada, então arrumo a trouxa e boto-me fora daqui."
Um dia aconteceu a grande novidade: a nomeação de João Teodoro para delegado. Nosso homem recebeu a notícia como se fosse uma porretada no crânio. Delegado ele! Ele que não era nada, nunca fora nada, não queria ser nada, se julgava
capaz de nada...
Ser delegado numa cidadezinha daquelas é coisa seríssima. Não há cargo mais importante. É o homem que prende os outros, que solta, que manda dar sovas, que vai à capital falar com o governo. Uma coisa colossal ser delegado - e estava ele, João Teodoro, de-le-ga-do de Itaoca!...
João Teodoro caiu em meditação profunda. Passou a noite em claro, pensando e arrumando as malas. Pela madrugada botou-as num burro, montou seu cavalo magro e partiu.
- Que é isso, João? Para onde se atira tão cedo, assim de
armas e bagagens?
- Vou-me embora - respondeu o retirante. - Verifiquei que Itaoca chegou mesmo ao fim.
- Mas, como? Agora que você está delegado?
- Justamente por isso. Terra em que João Teodoro chega a delegado eu não moro.
Adeus.
E sumiu.
Monteiro Lobato,
Um homem de consciência,
In Cidades mortas, Brasiliense.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Arte de Satanás.
Conta-se, e esta história jamais encontraremos em livros religiosos, que Deus quando resolveu criar o mundo o fez de forma maravilhosa, belo e sem defeito algum, porém Satanás que rodeava e caminhava pela terra, em sua maldade e astúcia, fez por onde estragar a obra do criador. E assim se deu na forma extra-bíblica a história da criação do mundo:
Criou Deus o mundo, terra, água e tudo que nele há e desta feita dividiu o mundo em países, todos os países eram perfeitos, uma vez que foram criados pelas mãos de Deus. O diabo, sorrateiro, ficava às escondidas e quando Deus terminava de construir um país saindo para construir outro, o diabo fazia um jeito de estragar a obra recém-criada do criador.
Deus criou Cuba, linda, paradisíaca, banhada pelo pacífico oceano Atlântico, mas o diabo foi lá e com sua mão colocou no destino de Cuba colonizadores espanhóis e após esses, achando pouco, colocou ainda homens estado-unidenses impondo um tal bloqueio econômico que não permitiria o sucesso total de uma determinada revolução que ali aconteceria.
Deus também criou a Argentina, e era um ótimo país, mas o diabo descontente de ver essa terra venturosa, além de colocar lá o próprio argentino, amaldiçoou uma pequena ilha próxima que este país julgava lhe pertencer, uma ilhota que fez a Argentina se humilhar para a Inglaterra, e deu o diabo o nome de Malvinas para esta determinada ilha.
E por aí foi o desenrolar da criação do mundo."Deus dava a farinha, o diabo carregava o saco". Na África, era tudo maravilhoso, fauna indescritível, berço da humanidade, o diabo não deixou por menos, foi até aquele local, espalhou guerra e fome por todo aquele continente.
Em Portugal e Espanha, o diabo não tendo mais nada diabólico para fazer, infiltrou na cabeça daquele povo que eles iriam ser grandes navegadores e o foram, o que resultou mais tarde, na desgraça de outros continentes e países que foram então pegos de surpresa pela chegada desavisada destes inesperados viajantes das águas.
O diabo não se esqueceu também do Japão, país de tradição forte, arte milenar, detentor de conhecimento tecnológico, senhores em artes marciais, mas o diabo determinou que justamente ali um outro povo muito “gente boa” de um outro país, jogaria uma bomba que cobriria pra sempre de luto a história daquela terra do sol nascente.
No oriente médio, já que era terra escolhida para a passagem terrena do filho do homem, o diabo colocou tanto desentendimento, tanta guerra que estas se perduram até os nossos dias.
E desta feita, todos os países foram molestados pela mão do excluído Satanás. Porém o Brasil, parecia intacto, sem sofrer dano algum, um dos anjos caídos, talvez o que tivesse a função de encarregado dos ajudantes de produção no inferno, indagou ao Temeroso Tinhoso.
- “Senhor rei das profundezas, eis que estragamos e amaldiçoamos todos os países criados pelas mãos de Deus, de uma forma ou de outra colocamos nossa maleficência em cada um deles, e por que tu ó excomungado mestre ainda não tocastes no Brasil? veja, é um país gigantesco, repleto de belezas naturais, clima bom, terra fértil, o que acontece que poupamos este país”?
E Satanás friamente perverso respondeu:
-“Estás redondamente enganado meu desgraçado súdito, para todos os países eu coloquei aflições, eu não poupei nenhum se quer, para o Brasil, para esta terra linda e hospitaleira eu pensei sadicamente, aguarde e verás a conduta de determinados políticos que eu criei para governar e sacanear este país tão nobre”.
Esta foi então a história da criação do mundo da forma que poucas vezes ouvimos contar, a arte de satanás no mundo. Qualquer semelhança com a realidade, talvez seja a prova de que esta história aqui contada não seja uma mentira absoluta.
Mateus Brandão de Souza.
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