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quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Nos próximos meses, milhões sairão em busca de emprego. Haverá vagas?

Acredita-se que o contingente de 12,8 milhões de desempregados esteja subestimado. Com a reabertura, brasileiros voltarão às ruas em busca de vagas.

Desemprego tende a aumentar - Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo

Por Mariana Branco

No Portal Vermelho

Após a destruição causada pela pandemia do novo coronavírus, como ficará o emprego? Recentemente, o governo federal comemorou dados de julho do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), indicando a criação de 131 mil vagas formais. No entanto, especialistas alertam que o emprego teria de crescer a um ritmo bem mais rápido para criar postos que absorvam toda a população que ficou sem ocupação devido à crise sanitária.

Acredita-se que o contingente de cerca de 12,8 milhões de desempregados, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) referentes ao segundo trimestre de 2020, esteja subestimado. O motivo é que, com a pandemia, muitas pessoas deixaram de procurar uma ocupação. Durante a reabertura, essas pessoas voltarão progressivamente ao mercado de trabalho.

“As pessoas durante a pandemia perderam seu emprego e agora estão regressando com a abertura. Estima-se que sejam mais de 20 milhões de pessoas. Esses 13 milhões é só o número de quem está nessa condição de desemprego estatisticamente. O que caracteriza a condição de desempregado é o que a gente chama de busca ativa por emprego”, explica Fausto Augusto Júnior, diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

A estimativa de potenciais 20 milhões de desempregados baseia-se em dado do IBGE que indica que cerca de 8 milhões de pessoas deixaram o mercado de trabalho durante a pandemia, número calculado para o trimestre encerrado em junho. Segundo o diretor do Dieese, absorver esse enorme contingente de brasileiros não será nada fácil.

“O que você perdeu, ao longo dos três meses de pandemia, foi 1,5 milhão de empregos. Agora, são 100 mil empregos [gerados segundo o Caged]. Se continuar nesse ritmo, a gente vai levar 15 meses só para voltar ao que era antes da pandemia [no trimestre até fevereiro de 2020, antes da crise do coronavírus, a taxa de desemprego no Brasil estava em 11,6%] . A gente parou de piorar. Os 131 mil fazem parte do fluxo normal. Mas está muito, muito aquém da demanda”, analisa.

Fausto Augusto Júnior ressalta também que a pandemia ainda está acontecendo. Recomendações de segurança seguem em vigor e para alguns setores, como turismo e eventos, a reabertura ou criação de postos de trabalho não acontecerá tão cedo.

A opinião é compartilhada pelo sociólogo Clemente Ganz Lúcio, consultor das centrais sindicais. “O contingente de pessoas [em busca de emprego] vai ser maior do que os postos de trabalho. Nós vamos ter um aumento do desemprego, mesmo que tenhamos um resultado positivo em termos de geração de ocupação. Tem mais pessoas ocupadas, mas, proporcionalmente, tem mais pessoas desempregadas. Depois, [a taxa] tende a parar de crescer porque as pessoas vêm procurar e depois vão para o desalento [situação caracterizada pela desistência de procurar emprego]”, avalia.

Urge reativar a economia

A prorrogação por dois meses do Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda, que permite às empresas medidas como redução de jornada e salário e suspensão do contrato de trabalho, deve evitar o agravamento da situação ainda por mais um tempo, afirma Clemente. O mesmo se aplica ao auxílio emergencial, reduzido por Jair Bolsonaro de R$ 600 para R$ 300.

A garantia do auxílio até dezembro pode retardar a saída das pessoas em busca de emprego. A forma como a prorrogação foi feita, no entanto, cortando o valor pela metade, pode se revelar uma faca de dois gumes. O auxílio insuficiente para subsistência pode levar o brasileiro às ruas mais cedo.

Segundo Clemente Ganz Lúcio, para aproveitar o tempo comprado pelo programa emergencial e pela transferência de renda do auxílio, o governo deveria investir pesado em estimular a economia.

“Teria que ter simultaneamente um investimento público muito forte e uma capacidade de mobilizar o investimento privado. O investimento privado observa se tem demanda. Se o governo vai comprar, se as pessoas vão consumir, se vai haver mercado externo, o que não é o caso nesse momento. Precisa ter uma política de renda das famílias. O governo tende a oferecer uma estratégia de inserção que é precarizante. Tende a trazer uma geração de renda abaixo daquilo que a gente tinha antes da pandemia, o que não é nada alvissareiro, nem estimulante para a economia”, conclui.

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

O comissário da FDA, Stephen Hahn, disse que está disposto a considerar a concessão de autorização de emergência para uma vacina contra Covid-19 antes que os testes clínicos sejam concluídos. Os comentários foram feitos cerca de uma semana depois que o presidente Trump acusou o FDA de agir intencionalmente para atingi-lo politicamente.

Hahn, chefe da agência reguladora de alimentos e medicamentos dos EUA, FDA, sob pressão de Donald Trump

Por Cezar Xavier

No Portal Vermelho

O chefe da Food and Drug Administration está preparado para contornar todo o processo de aprovação federal para disponibilizar a vacina contra Covid-19 o mais rápido possível, de acordo com uma entrevista ao Financial Times.

Insistindo que a mudança não seria devido à pressão da administração de Trump para acelerar uma vacina, o comissário da FDA, Dr. Stephen Hahn, disse ao jornal que uma autorização de emergência poderia ser apropriada antes da fase três dos ensaios clínicos serem concluídos se os benefícios superarem os riscos.

“Cabe ao [desenvolvedor da vacina] solicitar autorização ou aprovação, e nós julgamos seu pedido”, disse Hahn. “Se eles fizerem isso antes do final da fase três, podemos achar apropriado. Podemos achar isso inapropriado, vamos tomar uma decisão. ”

Os estudos de fase três testam um grande número de participantes para comparar um medicamento experimental com as terapias padrão e avaliar os riscos e benefícios gerais do medicamento.

Os comentários de Hahn foram feitos uma semana depois que o FDA concedeu autorização de emergência de plasma convalescente para tratar pacientes Covid-19 hospitalizados, apesar das preocupações entre alguns funcionários da saúde de que os dados dos ensaios clínicos eram muito fracos para apoiar a aplicação generalizada do tratamento. O anúncio foi feito um dia depois que o presidente Donald Trump acusou o FDA, sem qualquer evidência, de tentar prejudicá-lo politicamente, “arrastando o pé” na aprovação de novas vacinas e tratamentos contra o coronavírus.

Hahn disse ao FT que não iria apressar uma vacina apenas para agradar a Trump.

“Temos uma convergência da pandemia de Covid-19 com a temporada política, e vamos ter que superar isso e seguir nossos princípios básicos”, disse Hahn.

“Esta será uma decisão de ciência, medicina e dados”, disse ele. “Isso não vai ser uma decisão política.” Hahn teve muita visibilidade durante a pandemia por desmentir comentários absurdos de Donald Trump sobre a pandemia, ao prescrever medicamentos ou menosprezar a doença.

Ele disse que a autorização de emergência poderia ser usada para tornar a vacina disponível com segurança para uso por certos grupos antes que os testes clínicos sejam concluídos.

 “Nossa autorização de uso de emergência não é o mesmo que uma aprovação total”, disse Hahn. “O padrão legal, médico e científico para isso é que o benefício supere o risco em uma emergência de saúde pública.”

A entrevista já causa controvérsia. O Dr. Scott Gottlieb, ex-chefe do FDA, disse no domingo no programa “Face the Nation” da CBS que não tem certeza do que Hahn quis dizer. Há preocupações com as consequências de iniciativas que estão sendo tomadas por organismos de saúde, em relação à Covid-19, fugindo aos protocolos rigorosos normalmente exigidos devido ao impacto da pandemia. Nenhuma vacina ficou pronta para aplicação ampla na população antes de quatro anos.

“Não tenho certeza do que ele quis dizer com aprová-la mais cedo do que quando os testes forem concluídos”, disse Gottlieb. “Eles vão esperar a leitura desses testes antes de tomar uma decisão sobre a eficácia dessas vacinas.”

Ele disse que é provável que os dados dos testes de fase três saiam em novembro. No entanto, ele disse que à medida que os testes avançam, se os resultados mostrarem que a vacina é muito eficaz, pode ser outubro.

No entanto, ele espera que as primeiras aprovações sejam feitas em caráter de emergência e direcionadas a grupos que podem estar em maior risco de infecção ou um mau resultado.

“Uma aprovação total para a população em geral – quando as pessoas podem ir ao Centro de Vigilância Sanitária e tomar uma dose – isso é realmente um evento para 2021”, disse Gottlieb.

O Financial Times relatou na semana passada que a administração Trump estava considerando uma autorização de uso de emergência antes da eleição de 3 de novembro para uma vacina experimental contra o coronavírus desenvolvida no Reino Unido pela Universidade de Oxford e a AstraZeneca.

Na época, um porta-voz do Departamento de Saúde e Serviços Humanos, que inclui o FDA, disse que quaisquer relatórios sobre uma autorização de emergência para uma vacina antes da eleição eram “absolutamente falsos”. A AstraZeneca disse que não discutiu tal movimento com o governo dos EUA.

A China e a Rússia já aprovaram vacinas sem esperar pela conclusão da fase três dos testes, que vêm com os testes mais rigorosos para um novo medicamento em potencial. Autoridades de saúde pública nos Estados Unidos e em outros lugares alertaram que a mudança pode ser insegura.

O coronavírus infectou mais de 5,9 milhões de pessoas nos EUA até segunda-feira, representando cerca de um quarto dos casos relatados no mundo, de acordo com dados da Universidade Johns Hopkins. O número de mortos nos EUA chegou a mais de 182.000.

 

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Governo reduz de R$ 1.079 para R$ 1.067 salário mínimo em 2021

O argumento para a redução é que o governo prevê uma inflação menor para 2020.

Governo reduziu salário mínimo em R$ 12 em relação a valor divulgado em abril – Reprodução.

Por Mariana Branco

No Portal Vermelho

O Ministério da Economia divulgou nesta segunda-feira (31) valor de R$ 1.067 para o salário mínimo em 2021. O valor é R$ 22 maior que o salário mínimo atual, de R$ 1.045. A proposta é parte do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para 2021.

A equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, reduziu em R$ 12 o valor em comparação aos R$ 1.079 que haviam sido informados em abril, no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias Anuais (PLDO). O argumento para a redução é que o governo prevê uma inflação menor para 2020.

Em abril, o Ministério da Economia projetava variação positiva de 3,19% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), índice pelo qual é corrigido o salário mínimo. Agora, a previsão mudou para 2,09%.

Já para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a pasta previa variação positiva de 3,65% em abril, agora alterada para 3,24%.

Vale lembrar que, com a correção pela inflação, a remuneração mínima da economia fica sem aumento real.

Fim da política de valorização

Com a nova política de correção para o salário mínimo, prevendo apenas o ajuste pelo INPC, o governo de Jair Bolsonaro pôs fim à política de valorização do salário mínimo iniciada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Até o ano passado, a correção se dava pela inflação mais o Produto Interno Bruto (PIB) do ano anterior. Caso o modelo estivesse vigente este ano, por exemplo, o aumento teria de considerar, além da inflação, o crescimento de 1,1% do PIB em 2019. O PIB é a soma dos bens e riquezas produzidos em um ano.

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Estoquista é chamada de ‘escrava’ por gerente em shopping no Leblon

 

Janine trabalhava como estoquista numa loja do Shopping Leblon Foto: Arquivo pessoal


De
Diego Amorim no Extra

“Ela apontou para mim e me chamou de escrava, como se fosse algo natural. Resolvi denunciar porque não podemos mais aceitar isso. É hora de abrir a boca e expor o racismo”. O relato de mais um caso de preconceito e injúria racial é da assistente de vendas Janine de Oliveira Monteiro, de 27 anos, que trabalhava como estoquista na loja Rosa Chá, no Shopping Leblon, Zona Sul do Rio. De acordo com ela, no último dia 14 de julho, a gerente da loja a chamou de escrava durante uma reunião de trabalho na presença de outros funcionários.

— Estávamos conversando, eu e outro colega de trabalho, sobre uma receita de bolo de chocolate chamado de “Nega maluca” quando ela começou a abordar temas de judeus e escravos, algo que nada tinha a ver com o assunto. Num determinado momento, ela me usou como exemplo e disse “assim como você, escrava”. Foi horrível. Custei a acreditar que ela estava me chamando dessa forma — relata Janine.

Logo após, a vítima conta que a gerente prosseguiu falando como se nada tivesse acontecido. Os outros funcionários que testemunharam a cena apoiaram Janine. Ela registrou ocorrência na 14ª DP (Leblon). (…)

E esse não foi o primeiro caso de racismo vivido por ela. Por isso, espera que todas as vítimas também tenham coragem de denunciar.

(…)

Via - DCM

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

País tem mais beneficiários do auxílio do que trabalhadores formais

 

O presidente da CTB, Adílson Araújo (Foto da Karla Boughoff)

“Brasil beira uma depressão”, diz Adilson Araújo, da CTB

Por André Cintra

A crise econômica, agravada pelo bolsonarismo e pela pandemia, provocou um cenário desalentador no mercado de trabalho brasileiro. Conforme levantamento do Poder360, o País tem hoje 65,4 milhões de pessoas que recebem o auxílio emergencial – mas somente 37,7 milhões de trabalhadores formais (com carteira assinada). Em 25 estados, o número de beneficiários do auxílio supera o de empregados formalizados – as únicas exceções são Santa Catarina e Distrito Federal.

“Os indicadores econômicos revelam que o Brasil beira uma depressão e apontam o tamanho do drama social em que o País está mergulhado”, afirma Adilson Araújo, presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil). O sindicalista critica a política ultraliberal que domina o Ministério da Economia, sob as ordens do ministro Paulo Guedes.

Com a crise, nada menos que 68% da força de trabalho no Brasil está recebendo o auxílio emergencial. Hoje, essa força de trabalho – que inclui empregados e desempregados – abrange 96,1 milhões de trabalhadores. Dez estados contam até com mais benefícios do Bolsa Família do que vagas preenchidas de emprego formal.

O cenário mais crônico é o do Nordeste, onde 21,3 milhões de moradores recebem o auxílio emergencial e apenas 6,3 milhões têm carteira assinada. Nos nove estados nordestinos, há pelo menos três vezes mais beneficiários do auxílio do que trabalhadores formais.

“Paulo Guedes e sua equipe econômica precisam pedir para sair. A sua receita para a grave crise sanitária e econômica – a agenda de redenção ao mercado e de privatizações – está levando o País para o fundo do poço”, diz Adilson. Ele lembra que até mesmo o trabalho informal – “que crescia de forma vertiginosa no pré-coronavírus” – agora estagnou.

Na contramão do governo Jair Bolsonaro, o Maranhão lançou, na semana passada, um Plano Emergencial de Empregos, que prevê investimentos de R$ 558 milhões em obras e compras públicas. De acordo com Adilson, é preciso seguir o exemplo do governador Flávio Dino (PCdoB-MA) e apostar na valorização da vida, do emprego e da renda.

“Precisamos, urgentemente, construir um pacto em defesa da vida e do Brasil. As insuficiências da pandemia explicitaram o quanto o Brasil precisa desenvolver forças produtivas e retomar com celeridade a rota do desenvolvimento sustentável e solidário”, afirma Adilson. “Este é o caminho a ser percorrido pelo conjunto da sociedade, em aliança com prefeitos e governadores e o Congresso Nacional.”

Via – Portal Vermelho

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Tem nome de índio o meu Ceará

O Ceará, é o estado da federação que faz em nome de seus municípios uma alusão aos nativos de nossa terra, aos quais os invasores portugueses denominaram índios, é plausível o apreço deste estado ao povo indígena, uma das maiores obras da nossa literatura é criação do cearense José de Alencar, onde ele enaltece a beleza da índia Iracema, a virgem dos lábios de mel... 

Tenho afinidade com um dos maiores cearenses que conheço, um cidadão fictício nascido no Crato e que atende pelo nome de Procópio Torquato da Silva, através dele recebi este cordel falando do estado do Ceará e sua ligação com o povo genuinamente nacional. Tem nome de índio o meu Ceará.

Poema de Manoel Leandro

Música: Kassio Soares e Rosy Silva

Edição de vídeo: Ana Cristina Leandro





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