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sábado, 5 de março de 2011

A maior desgraça

Três séculos de escravidão vincam até hoje
os comportamentos da sociedade brasileira.
Por: Mino Carta, diretor de redação de  CartaCapital.

Escrevi certa vez que se Ronaldo, o Fenômeno, se postasse na calada da noite em certas esquinas de São Paulo ou do Rio, e de improviso passasse a Ronda, seria imediata e sumariamente carregado para o xilindró mais próximo. Digo, o mesmo Ronaldo que foi ídolo do Brasil canarinho quando adentrava ao gramado. Até Pelé, creio eu, nas mesmas circunstâncias enfrentaria maus bocados, embora se trate de “um negro de alma branca”. Aí está: o protótipo do preto brasileiro, o modelo-padrão, está habilitado a representar e orgulhar o Brasil ao lidar com a redonda ou ao compor música (popular, esclareça-se logo), mas em um beco escuro­ será encarado como ameaça potencial. Muitos, dezenas de milhões, acreditam em uma lorota imposta pela retórica oficial: entre nós não há preconceito de raça e cor. Pero que lo hay, lo hay. Existem provas abundantes a respeito e a reportagem de capa desta edição traz mais uma, atualíssima. Na origem, obviamente, a escravidão, mal maior da história do Brasil.
Há outros, está claro. A colonização predatória, uma independência sequer percebida pelo povo de então, uma república decidida pelos generais, avanços respeitáveis enodoados por chegarem pela via da ditadura de Vargas. E o golpe de 1964, último capítulo do enredo populista comandado por uma elite que, como diz Raymundo Faoro, quer um país de 20 milhões de habitantes e uma democracia sem povo. Enfim, um esboço de democratização pós-ditadores fardados ainda em andamento.
A desgraça mais imponente são, porém, três séculos de escravidão e suas consequências. A herança da trágica dicotomia, casa-grande e senzala, continua a determinar a situação do País, dolorosamente marcada pela desigualdade. Há quem pretenda que o preconceito à brasileira não é racial, é social, mas no nosso caso os qualificativos são sinônimos: o miserável nativo não é branco.
A escravidão vincou profundamente o caráter da sociedade. De um lado, os privilegiados e seus aspirantes, herdeiros da casa-grande, e os empenhados em chegar lá, e portanto ferozes e arrogantes em graus proporcionais. Do outro lado, a maioria, em boa parte herdeira da senzala, e portanto resignada e submissa. De um lado uma elite que cuidou dos seus interesses em lugar daqueles do País, embora o Brasil represente um patrimônio de valor inestimável, de certa forma único. Do outro, a maioria conformada, incapaz de reação porque, antes de mais nada, tolhida até hoje para a consciência da cidadania.
O povo brasileiro traz no lombo a marca do chicote da escravidão que a minoria ainda gostaria de usar, quando não usa, e não apenas moralmente. Aqui rico não vai para a cadeia, superlotada por pobres e miseráveis, e não se exigem desmedidos esforços mentais para localizar a origem dessa situação medieval. Trata-se simplesmente de ler um bom, confiável livro de história.
Será possível constatar que afora o devaneio de alguns poetas e a reflexão de alguns pensadores, o maior problema do Brasil, a desigualdade gerada pela escravidão, nunca foi enfrentado com o ímpeto e a determinação necessários. Nos anos de Lula, agredido por causa do invencível preconceito pela mídia nativa, na sua qualidade de perfeita representante dos herdeiros dos senhores de antanho, a questão foi definida com nitidez. Mas se o diagnóstico foi correto, os remédios aviados foram insuficientes. Poderia ser de outra maneira? Melhorar a vida das classes mais pobres não implica automaticamente a conquista da consciência da cidadania, que há de ser o objetivo decisivo.
CartaCapital confia na ação da presidenta Dilma e acredita que seu governo saberá dar prosseguimento às políticas postas em prática pelo antecessor e empenhar-se a fundo no seu próprio programa de erradicação da miséria. Sem esquecer que o alvo principal fica mais adiante.


Do Blog COM TEXTO LIVRE.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Divididos pela ganância do possuir.

Não é de hoje que o dinheiro tornou-se a causa da discórdia e da desunião entre os homens. Quanto mais se tem, mais se quer, quanto mais possuem, menos se aceita repartir.
Da fonte que gera o vil metal, onde homens se matam para possuí-la e comandá-la se proporciona, se alimenta e se gera muitos desafetos.

Quem se apodera do “osso”, não quer largá-lo, pois o abundante tutano, aguça a fome dos insaciáveis glutões do dinheiro. Não é de hoje que as cifras tem sido a causa da desgraça deste mundo cão, onde homens e mulheres se destroem, se difamam e se matam, não é de agora que o capital assolou valores morais e éticos, neste instante, as mentes mesquinhas, estão maquinando suas trapaças, elaborando seus planos, uns para tomar, outros para manter em suas mãos a teta açucarada que destila o leite e o mel do prazer carnal.

O dinheiro proporciona o poder, deste nasce uma ilusória sensação de imortalidade, de ser indestrutível, inatingível, inabalável. Com o poder, o homem se acha no direito de fazer e acontecer, de executar o que lhe vem na mente.

Com o dinheiro, o homem corre perigo, por este mesmo dinheiro, ele perde a sua paz, a ansiedade de possuir riquezas tem sido ao homem algo fatal para aquilo que ele tem de mais precioso, a sua própria saúde e a sua própria vida.

Mortos de sede pela posse das moedas, a ganância faz de determinados homens seres desprezíveis, nojentos e nauseantes. É impossível suportá-los, tão esganados são, que se tornam repugnantes, seu egoísmo se aflora pelos poros de suas peles. Sua voracidade é tanta, que a ninguém mais engana, todos sabem de suas intenções, que seus intuitos são unicamente em seus próprios interesses, são tidos por maléficos.

Portanto, é hora de trocá-los, de deitá-os fora e escrevermos uma história plausível num futuro que começa hoje, é hora de nos conscientizarmos que a união pelo bem comum é possível. Bons ventos podem nos soprar e que estes ventos levem para longe a ameaça da mesmice entediante em que erroneamente pensam que estamos habituados e conformados.

É preciso mudar tudo, pois também não é de hoje que temos a consciência de que nada se tem a perder quando nada se possui, quando a exclusão nos faz carentes das condições básicas de dignidade humana, é preciso nos unirmos para uma inversão da realidade.

Que venham até nós dias melhores, mas para isto, temos nós que criarmos condições que viabilizem a chegada destes melhores dias e isto só será possível com o ajuntamento de nossas forças. É grande o número daqueles que estão cansados de assistir a encenação dos cães, ladrando e brigando pela posse do mesmo osso.

O velho amado e combatido Marx dizia: “Proletários de todo mundo, uni-vos”.  
Uma nova realidade é possível, não é conto da carochinha nem histórias do faz de conta, basta trabalharmos em prol do bem comum onde juntos poderemos quebrar os grilhões desta cadeia que nos marginaliza.

Abaixo os egoístas, é possível combate-los. Pensemos nisso.

Mateus Brandão de Souza, graduado em história pela FAFIPA.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Patativa do Assaré.

Antônio Gonçalves da Silva
* Assaré, Ceará, – 05 de Março de 1909 
+ Assaré, Ceará, – 08 de Julho de 2002 


Freqüentou a escola por apenas quatro meses, em 1921, mas desde então vem “lidando com as letras”, como ele mesmo afirmou. Agricultor, em 1922 já atuava como versejador em festas, e a partir de 1925, quando comprou uma viola, deu início à atividade de compositor, cantor e improvisador.
Em 1926 teve um poema publicado no Correio do Ceará, mas seu primeiro livro, Inspiração Nordestina, seria lançado trinta anos depois, em 1956.
Em 1978 publicou o livro Cante Lá que Eu Canto Cá, e em 1979 iniciou, com Poemas e Canções, a gravação de uma série de discos, entre os quais se destacam Canto Nordestino (1989) e 88 Anos de Poesia (1997). Seu último livro, Cordéis-Patativa do Assaré , é de 1999.
A poesia de Patativa, que verseja em redondilhas e decassílabos, traduz uma visão de mundo “cabocla”, muitas vezes nostálgica e desapontada com as mudanças trazidas pela modernidade e pela vida urbana. Sua obra aborda os valores e os ideais dos camponeses do interior do Ceará, em poemas que tematizam da reforma agrária ao cotidiano dos sertanejos cearenses.

O Peixe.


Tendo por berço o lago cristalino,
Folga o peixe, a nadar todo inocente,
Medo ou receio do porvir não sente,
Pois vive incauto do fatal destino.
Se na ponta de um fio longo e fino
A isca avista, ferra-a insconsciente,
Ficando o pobre peixe de repente,
Preso ao anzol do pescador ladino.
O camponês, também, do nosso Estado,
Ante a campanha eleitoral, coitado!
Daquele peixe tem a mesma sorte.
Antes do pleito, festa, riso e gosto,
Depois do pleito, imposto e mais imposto.
Pobre matuto do sertão do Norte!

Fonte: Biografia vida e obra http://www.biografia.inf.br/

TRATAMENTO DIFERENCIADO.

Por Marcelo Saraiva Leite:

Trilhando sobre as feridas do Capitalismo, a sociedade moderna tem cada vez mais adquirido e construído valores que possam subsistir ao que chamamos de Mercado de Trabalho. Algo que retrata realmente como são traçados os perfis dos colaboradores e compradores. Seja nos produtos ou serviços, o consumidor se vê cada vez mais apertado com a alta dos preços e a facilidade de entrar em dívidas, digo, acesso ao crédito. Porém, essa máscara de parafina é algo visível para poucos e usada por muitos ultimamente.

O referido “Tratamento diferenciado” tentará mostrar uma película do que acontece atualmente. É visivelmente vergonhoso como são julgadas pessoas humildes que, ao adentrarem em estabelecimentos comercias ou de serviços, recebem um atendimento no melhor estilo: “que que cê qué?” ou ainda “pó falá, tô escutano”. O vínculo dessa tratativa de proporções gritantes está ligado principalmente ao baixo poder aquisitivo, status insignificante para muitos na sociedade e sendo desconhecido, a Estética.

Por outro lado pessoas de nome, burguesia em geral, ou ainda fardados com uniformes “importantes” são vistos a quilômetros de distância, sendo acenados e ainda cumprimentados com a maior das cortesias, logicamente que a educação é devida ao próximo, mas nem todos os próximos a recebem como deveria. Na maior parte das vezes caracteriza-se então o que chamamos de puxa-saquismo agudo ou excesso de...

De fato o que mais incomoda é o tapete vermelho estendido em favor dos tais, a abrangência da atenção prestada e a dedicação no atendimento muda conforme a roupa, cor dos olhos e vergonhosamente até com a cor da pele. Julgam indiscretamente e evidenciam os traços que marcam a diferença de um atendimento a rico e outro completamente diferente ao pobre.

Ainda insatisfeitos, indignados, podemos observar que pessoas de status financeiro e tradicional elevados, na maioria das vezes não requerem ou tão pouco fazem questão de um tratamento diferenciado vindo de um simples atendimento ou ao adquirir qualquer mercadoria no estabelecimento. Há casos que passam até por constrangimento ou ainda reflexão por saber obviamente que outra pessoa não receberá os mesmos cuidados.

A “rixa” aqui opinada, é destinada não a classe de alto poder executivo, tão pouco ao outro lado da moeda, mas sim as pessoas que executam este pré-julgamento se vendo no direito de diferenciar as pessoas no atendimento pela aparência, sexo, credo, cor, raça, esquecendo que ali está para cumprir com a função de modo igual a todos que lhe solicitarem.


Do blog: Rabisco Literal, um rascunho da realidade.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Em platéia com tucanos do primeiro escalão, Hebe rasga seda para Dilma e deixa Serra irritado.

Deu no BLOG DO SARAIVA que viu no blog do Vermelho

Diante de uma plateia com tucanos ilustres – como o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e o ex-governador José Serra (PSDB) –, a apresentadora Hebe Camargo dedicou, na noite desta terça-feira (1º), seu programa de estreia na Rede TV! à presidente Dilma Rousseff.

A atração vai ao ar no dia 15, e Hebe exibirá uma entrevista de 50 minutos com Dilma. A cada bloco, o programa mostrará pequenos trechos do depoimento. "Aos 60 anos de carreira, estou tendo o privilégio de entrevistar a primeira mulher a assumir a Presidência da República no Brasil. É uma honra que não sei explicar", derreteu-se a apresentadora para os quase 500 convidados na plateia.

Durante uma hora e 30 minutos de gravação, Hebe não poupou elogios à presidente. "Apesar de não ter votado nela, fiquei impressionada", declarou, no fim da gravação. Reconhecendo que esperava encontrar a mulher "brava" e "séria" da campanha eleitoral, Hebe diz que se deparou com um "amor de pessoa". E agregou: "Acho que ela vai fazer coisas muito boas. Ela é uma gracinha!"

Quem acompanhou a gravação do programa não pode ver a íntegra da entrevista com Dilma. Dos trechos exibidos pela produção aos convidados, ela aparece com Hebe passeando no Palácio da Alvorada, apresentando os ambientes da edificação projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer e falando sobre a fama de ter personalidade forte.

"Você já ouviu falar que algum político homem é durão? Eu nunca ouvi. Então, conclui que só existem homens meigos e a única pessoa brava sou eu", ironizou a presidente. À vontade, Dilma disse ser fã da Jovem Guarda e contou que gosta da música Amigo, do cantor e compositor Roberto Carlos. "Não tenho voz para cantar.... Você é meu amigo de fé, meu irmão camarada.... Tá vendo, desafinei."

A exaltação de Hebe à Dilma constrangeu Serra, candidato derrotado nas eleições de 2010. Na metade do programa, o ex-governador, visivelmente irritado, levantou-se, deixou a mulher, Mônica Serra, à mesa que ocupavam e não foi mais visto até o fim da gravação.

Mas Serra parecia ser o único convidado efetivamente desconfortável. "O governo dela já é um sucesso. Ela é uma mulher extremamente séria, tenho plena confiança no trabalho dela. Todo brasileiro tem de fazer isso (confiar em Dilma)", afirmou o cantor sertanejo Sérgio Reis.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também foi evocado. "Tenho certeza que ela (Dilma) vai dar continuidade a esse trabalho bonito do Lula. Tenho certeza absoluta que vai dar certo", emendou o cantor sertanejo Daniel. "Minha esperança é que a Dilma continue com isso aí", comentou o ídolo adolescente Luan Santana, sem se aprofundar no tema.

Enquanto a cantora Paula Fernandes chamou Dilma de “uma fortaleza", o ator e cantor Daniel Boaventura espera que a presidente dê continuidade à política externa do governo Lula e “possa manter a credibilidade do Brasil no mundo". Questionada sobre um "deslumbramento" com Dilma, a apresentadora negou que tenha feito uma homenagem a ela. "Quem recebeu homenagem fui eu", rebateu.

NOSSA HOMENAGEM A GREGOS E TROIANOS.


Em tempos de alfinetadas anônimas onde após o acontecido, os atingidos empregam a verdadeira caça as bruxas e onde muitos suspeitos voltam a ser apontados, estamos postando a letra de uma música que é sugestiva para este momento de insultos e xingamentos em nossa cidade. A postagem a seguir é dedicada tanto aos agressores quanto aos indignados agredidos, de autoria do mestre Chico Buarque,

QUE SERÁ.

O que será, que será?

Que andam suspirando pelas alcovas
Que andam sussurrando em versos e trovas
Que andam combinando no breu das tocas
Que anda nas cabeças anda nas bocas
Que andam acendendo velas nos becos
Que estão falando alto pelos botecos
E gritam nos mercados que com certeza
Está na natureza
Será, que será?
O que não tem certeza nem nunca terá
O que não tem conserto nem nunca terá
O que não tem tamanho...
O que será, que será?
Que vive nas idéias desses amantes
Que cantam os poetas mais delirantes
Que juram os profetas embriagados
Que está na romaria dos mutilados
Que está na fantasia dos infelizes
Que está no dia a dia das meretrizes
No plano dos bandidos dos desvalidos
Em todos os sentidos...
Será, que será?
O que não tem decência nem nunca terá
O que não tem censura nem nunca terá
O que não faz sentido...
O que será, que será?
Que todos os avisos não vão evitar
Por que todos os risos vão desafiar
Por que todos os sinos irão repicar
Por que todos os hinos irão consagrar
E todos os meninos vão desembestar
E todos os destinos irão se encontrar
E mesmo o Padre Eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno vai abençoar
O que não tem governo nem nunca terá
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem juízo...
Lá lá lá lá lá……..

Mateus Brandão de Souza, graduado em história pela FAFIPA.

terça-feira, 1 de março de 2011

Globo X Record - A briga pelo brasileirão.


Do Vermelho  - 28 de Fevereiro de 2011 - 13h00

A novela da disputa pelos direitos de transmissão dos Brasileirões de 2012 a 2014 terá capítulos eletrizantes já no início desta semana. Nos próximos dias, a Globo começa a negociar com cada um dos 20 clubes que integram o esfacelado Clube dos 13 — e com mais alguns times hoje na Segunda Divisão, mas que poderão subir no campeonato do ano que vem.
A negociação é a consequência mais direta da brigalhada que estava latente nos últimos meses, mas que eclodiu espetacularmente somente na semana passada. Não se trata de uma querela qualquer. Mobiliza duas paixões dos brasileiros – os times de futebol e as duas maiores emissoras de TV do país. E envolve valores bilionários: tanto no montante a ser pago por emissoras, operadoras de telefonia e portais pelos direitos de transmissão, quanto nos patrocínios que as grandes empresas passaram a despejar de forma crescente nos clubes de futebol nos últimos anos.

A partir desta segunda-feira (28), os negociadores da família Marinho — Marcelo Campos Pinto, diretor da Globo Esporte, à frente — começam a se reunir com os presidentes de todos os vinte clubes que compõem o Clube dos 13. Vão pôr em prática a estratégia definida na quinta passada, em reunião que só terminou na madrugada seguinte. Partirão para o ataque imaginando flechar ao menos 15 dos 20 clubes que integram o Clube dos 13.

Os times de maior torcida são escancaradamente simpáticos à Globo — que, aliás, jogou de forma inédita para seduzi-los. Até Roberto Irineu Marinho, presidente das Organizações Globo, se meteu diretamente no tema: chegou a falar ele mesmo com Patrícia Amorim, presidente do Flamengo.

O que a Globo vai propor, além de mais dinheiro do que paga hoje, é o estreitamento do que chama de parceria entre a emissora e os clubes. E que essa parceria já dura mais de uma década. Vai lembrá-los que sua audiência é quase três vezes maior do que a da Record — um argumento que sensibiliza os clubes. Enfim, a emissora vai apelar para o “em time que está ganhando não se mexe”.

Afinal, quem vai vencer esse cabo-de-guerra? O Clube dos 13 imagina que, o temporal tende a cessar agora que o edital está nas ruas, embora a Globo não vá participar (o que não é pouca coisa). Os dirigentes da entidade acham que, quando no dia 11 de março os clubes derem de cara com a proposta da Record em torno dos R$ 500 milhões pelos direitos da TV aberta, cairão na real e desistirão de qualquer veleidade de negociar diretamente com as TVs.

Os tais R$ 500 milhões correspondem ao dobro do que hoje é pago. E, afirmam esses dirigentes nos bastidores, seriam suficientes para adoçar a boca e cofres dos cartolas. O Clube dos 13 aposta também que o Cade vetará qualquer negociação direta entre as partes. Argumenta que o acordo assinado no ano passado lhe dá plenos poderes para a negociação.

A Globo tem, naturalmente, outra visão. Considera que as duas principais exigências do Cadê podem ser cumpridas quando sentar-se à mesa com os clubes: um acordo sem cláusula de preferência para nenhuma emissora e que seja dividido por plataformas (TV aberta, fechada, pay per view etc.). Conselheiros do Cade afirmam que uma negociação direta não é proibida. Mas que, claro, analisarão os eventuais contratos fechados com lupa.

Talvez o Clube dos 13, hoje rompido com a Globo, esteja simplificando demais esse xadrez futebolístico-televisivo. Mas a Globo tem bala para saciar a sede dos clubes? Cartolas têm dito aos quatro ventos que negociarão direto com a Globo para conseguir valores maiores do que o que o Clube dos 13 acena para eles.

Neste ponto, o Clube dos 13 argumenta que a conta não fecha. Se a Globo não quer pagar os R$ 500 milhões estabelecidos no edital, como pagaria mais a cada um dos clubes? (Fora os valores também mais altos das outras plataformas, tais como pay per view, TV por assinatura, internet)

A Globo não diz publicamente, nem é hora para isso, mas os tais R$ 500 milhões não seriam o grande problema – embora também o seja. O que de fato a Globo não admite são outras condições que aparecem no edital do Clube dos 13. A emissora não quer, por exemplo, que as imagens sejam geradas pelo Clube dos 13, nem que a transmissão pela internet possa acontecer com um delay de apenas 45 minutos após o início da partida (mataria o pay per view, alega a Globo).

Impossível prever quem ganhará essa parada. A Globo aparentemente leva vantagens — tem poder, tradição no futebol. Mas é apenas um favoritismo momentâneo, que pode evaporar no momento seguinte. Não se pode menosprezar também a possibilidade de parte dos times fechar com a Record e parte com a Globo. Ainda que a Globo leve os clubes de maior torcida, o que parece mais lógico, em algum momento eles enfrentarão os de menor torcida – e, neste caso, as emissoras donas desses direitos de transmissão terão de se entender.

O que fica patente, no entanto, é que de modo atabalhoado ou não, a concorrência chegou para valer num campo em que a Globo sempre reinou absoluta. Se a líder de audiência ganhar, terá sido despendendo um suor nunca imaginado por ela e pelos telespectadores — se expondo como nunca e mostrando uma perda relativa de poder.

E talvez seja a última vez que conseguirá vencer a concorrência em várias plataformas de mídia. Os tempos, se não mudaram ainda, estão mudando. Mas isso a Globo sabe – o que importa para ela, neste momento, é vencer. Mesmo que de 1 a 0 e com gol na prorrogação.

Da Redação, com informações do Radar Online
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