quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Kia impõe que Palmeiras seja time vencedor
O Palmeiras surpreendeu com o patrocínio da Kia Motors, no valor de R$ 25 milhões/ano. Surpreendeu e superou os rivais da capital , Corinthians e São Paulo que ainda têm situações indefinidas nessa questão financeira.
O Corinthians só tem anunciante master garantido na camisa até o fim do Campeonato Paulista. O São Paulo usa o uniforme limpinho desde o início da temporada, ainda sem perspectiva de um grande negócio.
“Mostramos ao torcedor que o Palmeiras é grande. Largamos na frente de outros clubes que ainda não têm patrocinadores”, disse o presidente Arnaldo Tirone, que saiu fortalecido e agora está prometendo reforços.
Mas há pelo menos três aspectos que precisam ser analisados nessa operação:
Numa clausula confidencial, segundo reportagem da Folha de S.Paulo, está previsto o rompimento do contrato na hipotese de crises dentro e fora de campo. Caso a Kia considere que o patrocínio não esteja dando o retorno previsto, independentemente da razão, ela poderá interromper o acordo.
Para evitar crise dentro de campo, ainda é preciso dar a Felipão os “camarões” que ele tanto cobrou antes das férias. Mas o clube está em dúvida, por exemplo, se vale a pena repatriar o meia Wesley – ex-Santos, hoje no Werder Bremen da Alemanha – porque, segundo o próprio Tirone admitiu, ele é caro: “Não temos condições de contratá-lo, mas não vamos desistir”.
Para evitar crise fora de campo, os dirigentes do Palmeiras precisam falar a mesma língua. Ai talvez esteja a maior dificuldade. Simplesmente porque os cartolas do Palmeiras nunca souberam conviver em harmonia.
DVD de Rafinha Bastos com piadas ofensivas aos deficientes físicos e mentais é proibido pela justiça.
Piadas ofensivas em relação aos deficientes físicos e mentais: Justiça proíbe a venda de DVD de Rafinha Bastos
A Justiça de São Paulo concedeu liminar que proíbe a venda do DVD A Arte do Insultos, do humorista Rafinha Bastos.
No DVD, ele faz piadas ofensivas em relação aos deficientes físicos e mentais. A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de São Paulo (Apae São Paulo) entrou com ação cível para que a circulação e a venda do DVD fosse proibida.
Foi o secretário municipal da pessoa com deficiência e mobilidade reduzida, Marcos Belizário, quem incentivou a Apae a entrar com a ação.
A paz por um fio no Paraguai
Armados e dispostos a radicalizar, sem-terra paraguaios exigem que brasiguaios desocupem cerca de 167 mil hectares na fronteira com o Brasil
O epicentro do mais recente conflito agrário no Paraguai está localizado a 75 quilômetros de Foz do Iguaçu, no departamento de Alto Paraná. Um grupo de 6 mil sem-terra paraguaios, chamados de “carperos”, está acampado há quase um ano no município de Ñacunday, na divisa entre duas propriedades rurais de produtores descendentes de brasileiros.
Eles ameaçam tomar à força uma área de 167 mil hectares espalhados pelos departamentos de Alto Paraná, Canindeyú e Itapúa na faixa de fronteira com o Brasil e a Argentina. Armados e dispostos a radicalizar o movimento, alegam que as terras ocupadas por brasiguaios pertencem ao governo paraguaio e deveriam servir ao projeto de reforma agrária encampado pelo presidente Fernando Lugo.
Os conflitos vêm se acirrando desde o dia 11 de janeiro, logo após uma ordem recebida pelo Exército para que se encarregasse da medição e instalação de marcos nas propriedades que ficam na faixa de fronteira, área de 50 quilômetros desde o limite com os países vizinhos. Uma lei de 2005, recentemente regulamentada pelo governo, proíbe a venda a estrangeiros de terras no denominado cinturão de segurança. Soma-se à lei o interesse dos sem-terra sobre possíveis excedentes de terras que possam ser desapropriadas pelo governo.
(...) A principal notícia publicada no jornal Última Hora se refere à determinação do governo de aumentar a segurança nas áreas de conflito no Paraguai – os departamentos de Alto Paraná e Itapúa, ambas na fronteira com o Brasil. A estimativa é que 350 mil brasileiros vivam em território paraguaio – a maioria é agricultor.
(...) A principal notícia publicada no jornal Última Hora se refere à determinação do governo de aumentar a segurança nas áreas de conflito no Paraguai – os departamentos de Alto Paraná e Itapúa, ambas na fronteira com o Brasil. A estimativa é que 350 mil brasileiros vivam em território paraguaio – a maioria é agricultor.
No jornal Diário Popular, o destaque é a ordem do presidente paraguaio, Fernando Lugo, ao ministro do Interior, Carlos Filizzola, para que garanta segurança aos brasiguaios e aos sem-terra do Paraguai, evitando o agravamento da crise. O apelo ocorre no momento em que homens da Polícia Nacional apelam por reajuste salarial.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Eduardo Galeano: O Haiti que Dilma visita
“Os escravos negros do Haiti deram uma tremenda surra ao Exército de Napoleao Bonaparte; e em 1808 a bandeira dos livres se alçou sobre as ruínas.
Por Eduardo Galeano, no blog do Emir Sader
Mas o Haiti foi, desde ali, um país arrasado. Nos altares das plantações francesas de açúcar se tinham imolado terras e braços, e as calamidades da guerra tinham exterminado um terço da população.
O nascimento da independência e a morte da escravidão, façanhas negras, foram humilhações imperdoáveis para os brancos donos do mundo.
Dezoito generais de Napoleão tinham sido enterrados na ilha rebelde. A nova nação, parida em sangue, nasceu condenada ao bloqueio e à solidão: ninguém comprava dela, ninguém lhe vendia, ninguém a reconhecia. Por ter sido infiel ao amo colonial, o Haiti foi obrigado a pagar à França uma gigantesca indenização. Essa expiação do pecado da dignidade, que esteve pagando durante um século e meio, foi o preço que a França lhe impôs para seu reconhecimento diplomático.
Ninguém mais o reconheceu. Nem a Grande Colômbia de Simón Bolívar, mesmo se ele lhe deveu tudo. Navios, armas e soldados o Haiti tinha lhe dado, com a única condição que libertasse os escravos, uma ideia que não tinha ocorrido ao Libertador. Depois, quando Bolívar triunfou na sua guerra de independência, negou-se a convidar o Haiti ao congresso das novas nações americanas.
O Haiti continuou sendo o leproso das Américas.
Thomas Jefferson tinha advertido, desde o começo, que tinha que confinar a peste nessa ilha, porque dali provinha o mal exemplo.
A peste, o mau exemplo: desobediência, caos, violência. Na Carolina do Sul, a lei permitia prender qualquer marinheiro negro, enquanto o seu navio estivesse no porto, pelo risco de que pudesse contagiar a febre antiescravista que ameaçava a todas as Américas. No Brasil essa febre se chamava haitianismo.
Intolerância religiosa: MPF acusa Testemunhas de Jeová de discriminação religiosa e social
O Ministério Público Federal no Ceará ingressou com recurso contra a sentença da Justiça Federal que extinguiu o processo sem julgamento do mérito movido contra as associações que representam as Testemunhas de Jeová no Ceará e no Brasil. As entidades são acusadas de prática de discriminação religiosa e social.
De acordo com a procuradora da República Nilce Cunha Rodrigues, autora da ação civil pública ajuizada contra a Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados e Associação Bíblica e Cultural de Fortaleza, os membros da congregação são incentivados a não se relacionarem com desassociados e dissociados, mesmo que sejam familiares, sob pena de também serem expulsos.
Na ação, que tramita perante a 8ª Vara Federal da Seção Judiciária do Ceará, foi pedido que as entidades se abstenham de expedir e divulgar, no Brasil, por qualquer meio de comunicação (pregação oral, livros, panfletos, internet, rádio, televisão etc.) orientações ou comunicados doutrinários que digam respeito à forma de tratar com discriminação os desassociados e dissociados, no sentido de fomentar a total exclusão da convivência familiar e com amigos que permanecem congregados.
A decisão judicial entendendo que se trataria de "livre exercício de culto religioso" amparado pela Constituição Federal, é contestada. Na apelação, o MPF afirma que defende a dignidade da pessoa humana, consistente na liberdade de consciência e de crença, na liberdade de expressão e de informação, além do direito à convivência familiar e social com amigos e conhecidos, ainda que a pessoa tenha deixado de pertencer à dita organização religiosa.
Defende também, em última análise, "a liberdade de alguém ingressar e se desligar de uma congregação religiosa sem sofrer qualquer punição e tampouco ser satanizado para que os amigos e familiares dele se afastem e o ignorem".
No processo foi incluída documentação dando conta dos fatos atribuídos às associações. Há, segundo o MPF, depoimentos de vítimas de discriminação, em que relatam sofrimentos e angústias e as dificuldades enfrentadas para retomarem suas vidas. Foi, inclusive, a denúncia de um ex-associado à congregação que motivou a abertura, pelo MPF, do procedimento administrativo que apurou o caso e serviu de base para a ação.
Para Nilce Cunha Rodrigues, a prática adotada pelas Testemunhas de Jeová em relação ao desassociado revela-se como ostensiva e intolerável discriminação religiosa, que afronta os princípios constitucionais da dignidade humana, da igualdade, da solidariedade, da liberdade de associação e da liberdade de consciência e de crença, o que não pode ser tolerado pelo Estado Brasileiro. A procuradora enfatiza ainda que "a ninguém é dado o direito de discriminar pessoas por motivos religiosos e, tampouco, exercer qualquer tipo de pressão para manter alguém filiado a uma entidade religiosa". Com informações da Assessoria de Comunição do MPF.
Pressão arterial deve ser medida nos dois braços, mostra revisão de estudos.
Valores diferentes podem indicar risco de doença vascular periférica no paciente
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No Brasil, diferença-limite na medição de pressão entre os braços é de |
SÃO PAULO - Uma revisão de 28 estudos publicada nesta segunda-feira, 30, na versão online da revista The Lancet aponta que os médicos deveriam medir a pressão arterial nos dois braços do paciente - e não apenas em um, como ocorre na maioria dos consultórios. Isso porque medidas diferentes de pressão nos braços podem indicar risco aumentado de doença vascular periférica.
Medir a pressão nos dois braços já é recomendado nas diretrizes de hipertensão da Sociedade Brasileira de Cardiologia - a última atualização foi publicada em 2010. A norma orienta que na primeira consulta os médicos meçam a pressão nos quatro membros do paciente: nos dois braços e nas duas pernas - o que nem sempre acontece.
A revisão de estudos foi conduzida pelo médico Christopher Clark, da Universidade Exeter (Grã-Bretanha), e demonstrou também que uma diferença de pressão sistólica acima de 15 milímetros de mercúrio (mm Hg) entre os dois braços está associada ao maior risco de ter uma das artérias parcialmente obstruída.
Seria o caso, por exemplo, de um paciente ter a pressão arterial de 120 mm Hg por 80 mm Hg (12 por 8) em um dos braços e de 140 mm Hg por 80 mm Hg (14 por 8) no outro. A diferença de 140 para 120 é 20. Segundo o estudo, nesses casos o paciente deveria ser encaminhado para exames mais específicos.
Aqui no Brasil, as diretrizes recomendam uma investigação mais aprofundada apenas nos casos em que a medição da pressão apresentar uma diferença superior a 20 mm Hg entre os dois braços. Para o cardiologista Luiz Aparecido Bortolotto, diretor da Unidade Clínica de Hipertensão do InCor, esse é um ponto que poderá ser reavaliado no País.
“Uma das coisas mais importantes desse estudo é que a diferença de pressão entre os dois braços a ser considerada perigosa é de 15, enquanto aqui no Brasil o valor é 20. Talvez a gente tenha de rever as diretrizes e também baixar esse número”, diz.
Exame clínico.
Para o cardiologista Marcelo Ferraz Sampaio, chefe do Laboratório de Biologia Molecular do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, a revisão de estudos vem reforçar a necessidade de os médicos fazerem um exame clínico bem feito e mais demorado.
“Medir a pressão nos dois braços faz parte do bom exame clínico e faz parte da diretriz. O problema é que no sistema acelerado de atendimento muitos médicos não fazem o exame corretamente por pressa”, avalia.
A mesma opinião é compartilhada pela cardiologista Fernanda Consolim Colombo, diretora da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp). “Os resultados chamam a atenção para a necessidade de os médicos fazerem o melhor exame físico possível no paciente, independentemente da queixa. Esse exame é o momento em que o médico pode surpreender uma doença assintomática como a hipertensão”, diz Fernanda.
Para medir a pressão corretamente, o paciente deve estar sentado, descansado, de bexiga vazia e não deve ter fumado.
Fernanda Bassette
No O Estado de S. Paulo. Via Com Texto Livre.
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