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terça-feira, 2 de maio de 2017

Prefeitura de Loanda abre processo de seleção para estagiários


A Prefeitura Municipal de Loanda abriu processo de seleção para estagiários em vários setores da administração pública. As inscrições deverão ser feitas exclusivamente pelo site do CEBRADE.

Ao todo são 80 vagas, a carga horária é de 30 horas semanais (08:00 as 11:00 e das 13:00 as 16:00) e a remuneração é R$ 678,00.

Vagas para ensino superior:

Farmácia – 02 vagas
Pedagogia – 32 vagas
Administração – 11 vagas
Artes/Artes Visuais – 01 vaga
Educação Física – 10 vagas
Enfermagem – 13 vagas
Arquitetura – 01 vaga
Serviço Social – 01 vaga
Ciências Contábeis – 03 vagas
Sistema de Informação – 02 vagas

Vagas para ensino médio:

Técnico – 02 vagas
Magistério – 02  vagas

Via - Portal Loanda

Charge dos nossos dias

Renato Aroeira: "Sim, todos nós desenhamos esse rapaz latinoamericano. Ele merece".

A sua benção mestre Belchior


Magoei: chilique do Doria é frustração com o Datafolha


Por Fernando Brito
No Tijolaço

A atitude de João Dória, nas manchetes dos sites, atirando fora, pela janela do carro, as flores que uma ciclista lhe deu pelo crescimento das mortes nas marginais tem certamente outras razões além dos eu  desprezo pela vida humana. Não, claro, que ele não as mereça, depois que  liberou o aumento de velocidade nas vias – veja aqui o gráfico da Folha sobre o número de atendimentos do Samu naquelas rodovias .

Mas o que mexeu com os nervos do rapaz quase sessentão, foi o resultado do Datafolha, divulgado hoje.

Tocou no ponto G da sua existência.

Doria é um homem que se nutre da própria vaidade e aparecer como um quase nada na corrida presidencial,depois de sua entrada triunfal no cenário político, foi um bater de frente com a realidade de sua pouca significação política.

Afinal, depois de por de joelhos, na mídia, os “seniores”  Aécio Neves e Geraldo Alckmin, aparecer estatisticamente tão mal quanto eles é de atirar fora o suéter de cashmère, o macacão de gari e o de pedreiro.

Surgir léguas atrás daquele bronco do Jair Bolsonaro, um Doria que limpa a boca  na toalha e palita os dentes depois de comer comunistas, então, é mortal para seu ego.

O lugar onde dói ao Doria é a sua razão de viver: a vaidade, a egolatria.

É por isso que ele dá chiliques.

Doria é uma piada tão ridícula quanto aquilo que a elite paulistana – que não é um lugar geográfico mais, mas um stupid way of  life, que se reproduz em todos os estados – se tornou.

Eles se acham, creem  que o dinheiro e os chavões  primários que repetem os tornam admiráveis, modelos incontestáveis.

São todos patos da Fiesp, a demonizar o Estado, justo o Estado que querem dirigir e controlar, por uma única razão: a de não permitir que alguém o controle em benefício público.

Afinal, não precisamos mais que a caridade, do que algumas doações de empresa em troca de merchandising, para alcancemos a justiça social, não é?

A política brasileira não é apenas podre. É uma podriça onde os vermes usam black-tie.

Comprado em Miami, naturalmente.

Belchior, uma morte anunciada

Foto: Gustavo Pellizzon/ Rádio Verdes Mares 810
Por *Jorge Hélio Chaves de Oliveira

Morreu, aos 70 anos e meio, o cantor e compositor cearense Belchior, o mais complexo letrista da MPB. E o corpo do autor de “Coração selvagem” cumpre um estranho ritual de volta. Sai de Santa Cruz do Sul, no interior dos Pampas, para a Sobral de sua infância, na região norte do seu Ceará natal. Faz o caminho inverso daquele que as charqueadas empreenderam no final do século XVIII, quando um certo Pinto Martins tangeu suas últimas cabeças de gado rumo às campinas do extremo sul da então colônia portuguesa. Foram, ele e seu gado, os precursores da BR-116.

Nestes tempos de profunda apreensão nacional - para ficar apenas no território do eufemismo -, a morte de um pensador urbano, um contumaz leitor de clássicos da literatura nacional e mundial, um cronista musical da migração Nordeste-Sudeste, um repórter das inquietações típicas da juventude universal soa emblemática em ambiente de tanta desesperança. Partiu, sendo o mais importante de seus parentes, sem dinheiro no banco, de volta pro interior. “Acreditou no sonho da cidade grande e, enfim, se mandou um dia. E (v)indo, viu e perdeu”, como vaticinou em “Notícia de terra civilizada”, parceria sua com Jorge Mello, o mais presente de seus parceiros em sua discografia.

Suas composições foram gravadas por mais de 150 artistas, rol que inclui Gigliola Cinquetti, que gravou uma versão italiana de sua “Paralelas” em seu disco de 1978, no qual há, também, outra raridade, esta desconhecida no Brasil: a música “Frutaflor matutina” (originalmente, “Tu sei di me”), a única versão de que se tem conhecimento que Belchior fez para a língua de Camões e Guimarães Rosa.  Os cearenses Fagner, Ednardo e Amelinha, além de Elis, Roberto, Erasmo, Vanusa, Antonio Marcos, Jessé, Zé Ramalho, Elba, João Bosco, Zélia Duncan, Ivan Lins, Margareth, Daniela, Cidade Negra, Engenheiros do Hawaii, Los Hermanos, Jair Rodrigues, Ana Carolina, Sergio Mendes, Nelson Gonçalves, Simonal, Oswaldo Montenegro, Ney Matogrosso, Guinga e Leila Pinheiro, Anna Ratto, Renata Arruda, Zé Geraldo, Djavan, Emílio Santiago, Guadalupe, Chitãozinho & Xororó, Carol Saboya, Luli e Lucina, Trio Esperança… é uma imensidão de cantores e cantoras que registraram músicas como “A palo seco”, “Na hora do almoço”, “Mucuripe”, “Como nossos pais”, “Velha roupa colorida”, “Comentário a respeito de John”, “Paralelas”, “Senhoras do Amazonas”, “Todo sujo de batom”, “Notícias de terra civilizada”, “Alucinação”, “Coração selvagem”, “Galos, noites e quintais”, “Espacial”, “Incêndio”, “Noves fora”, “Sensual”, “Do mar, do céu, do campo” etc.

Um capítulo especial, no quesito parcerias, é o encontro de Belchior com Toquinho. Saíram dali sete composições, seis das quais gravadas pelo eterno parceiro de Vinícius de Moraes, em seu disco de 1978, Toquinho Cantando - Pequeno perfil de um cidadão comum. Em seu sítio oficial, Toquinho demonstra profundo respeito pelo autor de “Tudo outra vez”, mas deixa claro que a parceria não deu certo. Para ele, as letras muito elaboradas e cheias de mensagens filosóficas não fizeram um bom casamento com sua música. “Meu cordial brasileiro” e “Pequeno perfil de um cidadão comum” foram registradas por Belchior em seu disco “Era uma vez o homem e o seu tempo”, de 1979.

Andava recluso, nos últimos anos. O cansaço do convívio com o incômodo civilizacional pareceu preceder a autorreclusão. Sabia e avisou: “Eu estou sempre em perigo e a minha vida sempre está por um triz” (em “Brincando com a vida”).

Contou, em já distante aparição pública, por volta de 2009, que estava traduzindo para o português A Divina Comédia, de Dante D’Alliguieri. Em sua “Divina Comédia Humana”, revelava-se um ser angustiado “como um goleiro na hora do gol”, pouco depois de reconhecer ser um “sujeito de sorte, porque, apesar de muito moço,”(sentia-se) “são e salvo e forte”: “Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro. Ano passado eu morri, mas este ano eu não morro.”

Também anunciou que estaria vertendo sua seleta obra para o espanhol. Em 1990, já gravara Eldorado, um álbum com os uruguaios Eduardo Larbanois e Mario Carrero. Algumas das pérolas de seu cancioneiro já se ouviam, ali, em castelhano, como “Na hora do almoço”, “Galos, noites e quintais”, “Como nossos pais” e “Quinhentos anos de quê?” - esta, uma ácida homenagem ao quinto centenário do descobrimento da América pelos espanhóis.

Antonio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes foi um escorpiano do Pós-guerra que viveu em conflito, que defendeu ser viver melhor que sonhar, mas que passou a vida sonhando de olhos abertos e mente ligada, sintonizada com o próprio umbigo, com sua oca original, com seu país e com o mapa mundi, cujo centro de preocupações sempre foi a Latino-América. “El Condor passa sobre os Andes e abre as asas sobre nós. Na fúria das cidades grandes, eu quero abrir a minha voz” (em “Voz da América”).

Sempre quis ser ouvido e assobiado pelo povão, sempre desejou tocar em rádio AM, nos alto-falantes das quermesses do interior do Brasil. Nunca curvou-se ao sucesso fácil, contudo, ressalvado o “Medo de Avião”, que mereceu críticas ásperas (e exageradas, convenhamos) de seu “alter guru” e parceiro de Robertinho do Recife em “Baby doll de nylon” Caetano Veloso. Ironicamente, “Medo..” ganhou uma versão-balada, com pequenas alterações na letra, e a parceria de… Gilberto Gil. Sim, existe “Medo de avião II”, insólita parceria do autor de “Conheço o meu lugar” e do compositor de “Pai e mãe”.

Belchior gravou 22 discos de carreira (além dos dois compactos simples - hoje, seriam “singles” - lá no início do início), alguns dos quais com regravações de sua obra e um deles em que interpretava canções de outros colegas de ofício.  Teve seu auge de público e crítica entre 1976 (ano do lançamento do cultuado “Alucinação” - um dos dez discos da minha vida) e 1980, período em que emplacou, em sequência, cinco discos espetaculares. A partir dali, os altos e baixos, vencendo finalmente estes, passaram a ser sua marca.

Em 2002, gravou Pessoal do Ceará, com Ednardo e Amelinha. Tirando os colecionadores, como eu, um disco dispensável, apesar das duas inéditas, uma dele e uma do criador de “Pavão mysteryozo”.

Em 2004, em parceria com a Editora Caras, o rapaz latino-americano fez publicar um combo com 31 retratos que ele mesmo pintara de Carlos Drummond de Andrade e 31 poemas musicados. “As várias caras de Drummond” foi o nome do projeto.

Particularmente, na condição de estudioso da produção discográfica de Belchior, desenvolvi idêntico interesse com relação a seus CDs mais desconhecidos e de menor sucesso. Coincidem com parcerias mais frequentes e gravações de canções alheias. Escassearam, neste período, as obras-primas, embora as haja, a exemplo de “Senhoras do Amazonas”, esplêndida parceria com João Bosco.

Tomara que Belchior vire moda, ao menos neste período. É uma figura cult da nossa música. Uma figura “Brasileiramente linda”.

Mas a imensa maioria das pessoas está muito pouco, quase nada, nada mesmo preocupada com reflexões existenciais e já optou por manter “o ar condicionado no 15”, como vocifera um certo conterrâneo do autor de ”Princesa do meu lugar”, que, modestamente, se avalia “99% anjo, perfeito, mas aquele 1% é vagabundo.” “E que tudo o mais vá para o céu”. E, chegando lá, ouça, ainda, “Ipê”, “Aguapé”, “Dandy” e “Em resposta a carta de fã”, e, por último, e por quantas vezes for possível, “Pequeno mapa do tempo”.


*Jorge Hélio Chaves de Oliveira é advogado e pesquisador musical. Estuda há alguns anos a obra de Belchior e trabalha em uma "não-biografia"

Via - Jornal GGN

Grupo de indígenas Gamelas é atacado por pistoleiros no Maranhão

Povo Gamela tem sido sistematicamente ameaçado e sofreu ofensas racistas de deputado na última sexta-feira.

No momento, os indígenas se encontram dispersos na mata e têm dificuldade em acessar hospitais, sob risco de novos ataques. / Reprodução do CIMI.
Um grupo de indígenas Gamelas foi atacado por pistoleiros na tarde deste domingo (30), no povoado de Bahias, município de Viana (MA). Segundo dados parciais do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), ao menos cinco foram atingidos com arma de fogo, estando internados em estado grave no hospital Socorrão 2, em São Luís, sendo que dois tiveram também as mãos decepadas. Chega a 13 o número de feridos a golpes de facão e pauladas. Não há, até o momento, a confirmação de mortes.

Entre os indígenas internados está a liderança Kum`Tum Gamela, ex-padre e ex-coordenador da Comissão Pastoral da Terra (CPT) no estado, que vem sendo ameaçado de morte há tempos.

Na última sexta-feira (28), os indígenas retomaram uma área próxima à aldeia Cajueiro Piraí, localizada no interior do território tradicional reivindicado pelos Gamela, que é utilizada para a criação de gado e búfalos. A ação foi parte da Greve Geral e em sincronia com o 14o Acampamento Terra Livre (ATL), que ocorria em Brasília.

De acordo com os indígenas, os fazendeiros e pistoleiros promoveram um ataque em seguida, de forma premeditada. Em entrevista ao CIMI, um indígena afirmou que os pistoleiros realizaram um churrasco e atacaram os Gamela logo na sequência, quando estavam bêbados. Os indígenas tentavam se retirar da área retomada quando sofreram as investidas.

Os indígenas não são aceitos como tais pela população local, que divulgou em grupos de Whatsapp um texto na última sexta-feira marcando a reunião que premeditou o ataque e caracterizando os Gamela como ladrões e invasores de propriedade.

O envolvimento do Deputado Federal Aluísio Guimarães Mendes Filho (PTN/MA) também foi denunciado pelos Gamela, devido a uma entrevista concedida por ele a uma rádio local, logo após a retomada do território, se referindo aos indígenas de forma racista e incitando à violência. Aluísio foi assessor presidencial de José Sarney e Secretário de Segurança Pública na última gestão do governo de Roseana Sarney.

A participação da Polícia Militar, que segundo os Gamela já estava no local e não interveio, também foi denunciado. Uma série de áudios, acessados pelo CIMI e encaminhados às autoridades públicas, mostram os policiais afirmando que não iriam intervir no ataque.

O conflito também é relacionado ao movimento de "corta de arame" protagonizado pelos Gamela, que diz respeito à destruição das cercas levantadas pelos fazendeiros. No momento, os indígenas se encontram dispersos na mata e têm dificuldade em acessar hospitais, sob risco de novos ataques.

Nos últimos anos o povo indígena Gamelas tem sido sistematicamente perseguido por pistoleiros, fazendeiros e autoridades locais. Em 2015, um ataque a tiros foi realizado contra uma área retomada por eles. Em agosto de 2016 três homens armados invadiram outra área e ameaçaram os indígenas. 

Edição: Luiz Felipe Albuquerque
Via - Brasil de Fato.

Atos do 1º de maio dão continuidade à Jornada de Lutas contra desmontes sociais

Dois dias após Greve Geral, centrais sindicais voltam a ocupar as ruas no Dia do Trabalhador.

Manifestação do Dia da Trabalhadora e do Trabalhador em São Paulo (SP) / Rute Pina.
Por Rute Pina
No Brasil de Fato

Dois dias após a greve geral que mobilizou quase 40 milhões de pessoas em todo o país, movimentos populares e centrais sindicais voltaram a ocupar as ruas nesta segunda-feira (1). A data marca o Dia Internacional das Trabalhadoras e dos Trabalhadores.

Em São Paulo (SP), o Ato Político de Resistência do 1º de Maio reuniu milhares de pessoas na Avenida Paulista. O evento foi organizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e Intersindical, além de contar com o apoio das entidades que compõem as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo.

Para Raimundo Bonfim, coordenador geral da Central de Movimentos Populares (CMP) e da Frente Brasil Popular, a programação deste 1º de Maio é uma continuação de uma jornada de luta, que também engloba a greve geral da última sexta-feira (28).

"O ato dese primeiro de maio está dentro do contexto dessa jornada. Estamos começando a reconectar dos movimentos sociais e das centrais sindicais com a classe trabalhadora, então foi um dia histórico. No dia 28 tivemos a maior greve da história do país, onde quase 40 milhões de pessoas se envolveram e participaram das atividades da greve", afirmou.

Assim como nas mobilizações da semana passada, os movimentos populares pautam nesta segunda-feira o desmonte dos direitos trabalhistas, previdenciários e sociais por meio das reformas enviadas ao Congresso Nacional pelo governo golpista de Michel Temer (PMDB).

"Esse 1º de maio é pra coroar esse mês de março e abril, dois meses importantes, o que demonstra que classe trabalhadora está de pé, lutando e combatendo o ataque aos seus direitos", disse Bonfim.

Já o Deputado Federal Ivan Valente (PSOL-SP) afirma que as fortes mobilizações desmonta a retórica do governo federal. Temer reduziu as ações da Greve Geral a "pequenos grupos que bloquearam rodovias e avenidas" e disse que os protestos não terão impacto na discussão da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 287, que altera, entre outras coisas, as regras da aposentadoria no Brasil.

"Hoje a própria Datafolha falou que 87% é contra a idade mínima e o tempo de contribuição, e que a esmagadora maioria é contra a reforma trabalhista. Os trabalhadores estão sabendo que é uma proposta para retirar direitos, estão se mobilizando e na medida que conhecem mais a proposta haverá uma paralisação maior. Os deputados não querem morrer politicamente. Por mais que haja compra de votos eles vão medir o grau de impopularidade da medida", acredita.

A pesquisa citada por Valente, realizada pelo Instituto de Pesquisa Datafolha antes da Greve Geral e divulgada nesta segunda-feira, mostra que sete em cada dez brasileiros se dizem contrários à reforma da Previdência.

Segundo o Deputado Federal Orlando Silva (PCdoB-SP), o resultado da votação da PEC 287 ainda pode ser mudado. "O Congresso estava tão preocupado com a Greve que manobraram para poder antecipar a votação. Mas a batalha ainda não acabou porque o Senado Federal ainda vai analisar a matéria e nós temos dialogado com vários senadores. Então nós não fizemos apenas a greve, estamos preparando mobilizações e penetrando na consciência das pessoas"

Shows

Por volta das 16h, o ato político em São Paulo seguiu em caminhada até a Praça da República, onde apresentações culturais encerraram a mobilização do 1º de maio. O cortejo foi conduzido pelo grupo Ilú Obá de Min.

A programação cultural também contou com a participação do rapper Emicida, Mc Guimê, Leci Brandão, As Bahias e a Cozinha Mineira, Bixiga 70, Mistura Popular, Marquinhos Jaca e Sinhá Flor. Para as entidades organizativas, as atrações são "um instrumento de formação política, em especial com a juventude".

Proibição

Após um impasse com a Prefeitura de São Paulo, As entidades conseguiram permanecer com as atividades convocadas, com poucas alterações. No domingo (30), em uma audiência com o Tribunal de Justiça de São Paulo, a CUT conseguiu reverter a decisão da Prefeitura de São Paulo que proibia as atividades do 1º de Maio na Avenida Paulista.

Antes de a CUT entrar com um recurso, o TJSP havia determinado o pagamento de R$ 10 milhões em multa caso a central decidisse realizar os shows na avenida Paulista. As atividades foram transferidas para a Praça da República.

Estados

As centrais sindicais e as frentes Brasil Popular e Povo sem Medo também organizaram mobilizações em outras capitais neste 1º de maio. No Rio de Janeiro, um ato ecumênico teve início às 11h na Praça da Cinelândia. O local foi marcado por forte repressão policial aos manifestantes que vinham da Assembleia Legislativa durante os atos da Greve Geral da última sexta-feira.

No Distrito Federal, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) deu início às celebrações e luta do dia dos trabalhadores a partir das 9h, na Torre de TV. Além dos debates políticos, as bandas Bossa Greve e Samba de Tapera realizaram apresentações musicais durante o evento.

Já no Rio Grande do Sul, centrais sindicais e partidos progressistas se reuniram a partir das 10h em um ato de resistência junto ao Monumento do Expedicionário, no Parque da Redenção, em Porto Alegre. Em Belém do Pará, um ato político e cultural teve início às 9h na Praça da República. Em Goiânia um ato festivo-político e cultural reuniu lideranças religiosas, políticos e artistas com shows ao vivo na Praça do Trabalhador.

Edição: Luiz Albuquerque

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Belchior é Paranapá

O Brasil é um sujeito-nação de sorte por ter tido, do Pará ao Paraná-pá, o cearense Belchior entre os seus!

A totalidade de Belchior sempre foi vivida com muita angústia, rebeldia e juventude / Reprodução.
Ricardo Prestes Pazello
Brasil de Fato

A data de 30 de abril de 2017 cai como um avião no meio da metrópole chamada MPB. A partida de Belchior para outro plano faz do Ceará sinônimo de Brasil; e podemos buscar em Belchior um pouquinho do Paraná.

Em 20 de setembro de 1979, por exemplo, ele era entrevistado por Aramis Millarch, pesquisador musical paranaense. Era véspera da estréia da peça “Rasga coração”, de Vianninha, em Curitiba, a qual concluía com a música mais famosa do compositor cearense – “Como nossos pais”.

Na entrevista, Belchior menciona sua concepção de “canção”, nem só poesia nem apenas som. A totalidade era o que lhe interessava. Dizia-se influenciado por Décio Pignatari, poeta concretista, que, aliás, vivera a parte final de sua vida na capital paranaense.

A totalidade de Belchior, porém, sempre foi vivida com muita angústia, rebeldia e juventude. A poesia lancinante de seu canto torto, paralela a linhas melódicas nem muito limpas nem muito leves, fazem de sua obra uma ode à crítica social em todos os seus níveis.

Enquanto durou sua viagem nesse mundo, deixou suas marcas na história de um Brasil que transitou da ditadura à reconstitucionalização. Aliás, sua música “Pequeno Mapa do Tempo” o exemplifica, por ter sido censurada, a ela se imputando crítica ao regime e aos exílios (por causa de o poeta expressar seu medo de avião), bem como à realidade social do país. É nela que encontramos o Paraná.

O rastro de Belchior deixado neste pequeno mapa é o do medo, qualificado de Brasil. Um Brasil geral, de várias capitais. O poeta, assim, volta ao tema de sua “Alucinação” – o medo da solidão e de sua violência. Por isso, Belchior cita, para expressar seu medo, os nomes das grandes cidades brasileiras na sua música. No meio delas, um “Paranapá”, meio Paraná, metade Paranapanema. Portanto, um conflito de terras no meio do medo urbano já estourava na crítica de Belchior: pá!

Na madrugada de 29 de abril (data histórica da lutas dos professores paranaenses contra a repressão da democracia burguesa) para o dia 30, Belchior nos deixa, como um Concorde abatido pelo tempo. Mas se nesse ano ele morreu, daqui para frente não morre mais. Mesmo abrindo a porta que dá pro sertão da nossa solidão, o Brasil é um sujeito-nação de sorte por ter tido, do Pará ao Paraná-pá, o cearense Belchior entre os seus!

Edição: Ednubia Ghisi
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