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quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Com 189 votos a favor, ONU aprova resolução pelo fim de bloqueio a Cuba

Israel e EUA foram contra; chanceler Bruno Rodríguez diz que bloqueio viola direitos humanos da população cubana.


A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou nesta quinta-feira (1) uma resolução que pede o fim do bloqueio econômico dos Estados Unidos contra Cuba, vigente desde os anos 1960.

Por 189 votos a favor e 2 contra, a resolução foi discutida e aprovada pela 26ª vez consecutiva. Votaram contra Estados Unidos e Israel, e não houve abstenções. A Ucrânia e Moldávia não votaram, tampouco se abstiveram, de forma que não entram na contagem. Todas as emendas à resolução que haviam sido apresentadas pelos EUA foram rejeitadas. O Brasil votou a favor do texto.

Em 2017, 191 dos 193 estados-membros haviam votado pelo fim do bloqueio. Em 2016, último ano do governo do democrata Barack Obama, os Estados Unidos, que estavam em rota de reaproximação com Havana, se abstiveram e não houve votos contra a resolução.

Em seu pronunciamento, o embaixador cubano na ONU, Bruno Rodríguez, afirmou que a continuidade do bloqueio é uma "violação flagrante" contra a ilha. "O bloqueio constitui uma violação flagrante, massiva e sistemática dos direitos humanos das cubanas e dos cubanos e tem sido um impedimento essencial para as aspirações de bem-estar e prosperidade de várias gerações", disse.

O chanceler ainda destacou que "o bloqueio continua sendo o obstáculo fundamental do desenvolvimento cubano" e que ameaça a liberdade das nações. "É um ato de agressão e de guerra econômica", afirmou. "O governo dos EUA não tem a menor autoridade moral para criticar Cuba nem nada sobre a matéria de direitos humanos. Rechaçamos a reiterada manipulação deles com fins políticos", concluiu Rodríguez.

A atual embaixadora norte-americana na ONU, Nikki Haley, afirmou que o órgão "não pode colocar fim ao bloqueio a Cuba", mas poderia "enviar uma mensagem" ao país e condenar supostas "violações de direitos humanos".

Discursos

Uma série de países se manifestou durante os dois dias da sessão da Assembleia Geral.

Em nome do bloco dos Países Não Alinhados, o embaixador venezuelano na ONU, Samuel Moncada, rechaçou a política dos EUA com relação a Cuba e destacou que, nos últimos 27 anos, a Assembleia Geral tem votado a favor do país caribenho.

"O bloqueio constitui uma violação do desenvolvimento de Cuba, privando o país de dialogar com o plano internacional. O dano indireto e direto afeta todos os setores vitais da economia", disse o embaixador.

Em nome do Grupo dos 77, que compreende nações do sul em desenvolvimento, o embaixador do Egito na ONU, Mohamed Fathi Ahmed Edrees, ressaltou a importância de Cuba no cenário global e disse que "o fim do bloqueio contribuiria para o desenvolvimento mundial".

Também argumentaram a favor de Cuba o embaixador do Vietnã nas Nações Unidas, Dang Dinh Quy, e o representante da Jamaica na ONU, Courtenay Rattray.

Ambos destacaram a importância do respeito à soberania dos povos e expressaram seu descontentamento com a continuidade do bloqueio norte-americano.

Veja como foi a votação:


terça-feira, 6 de novembro de 2018

Evangélicos lançam campanha pelos direitos humanos

“40 Dias de oração e serviço pelos Direitos Humanos” debate o papel das igrejas evangélicas durante a ascensão do ódio.


Via – Jornal GGN
 Por Júlia Rohden

No último domingo, quando ouviu o anúncio da eleição de Jair Bolsonaro (PSL) a presidente pela televisão, Anivaldo Padilha lembrou de uma passagem bíblica.

Referência evangélica na resistência contra a ditadura militar, Padilha, que já foi preso e torturado, pensou no relato de Jeremias sobre a invasão de babilônios a Jerusalém: “Ele começa a narrar atrocidades, mas em determinado momento escreve que quer se lembrar do que lhe dá esperança e lembra de toda a trajetória do povo hebreu no processo de libertação”, lembrou.

“Nesse momento em que estamos todos abatidos, é importante olhar para a nossa história e ver quais os sinais que nos dão esperança. Um deles é que o povo sempre resiste. Por isso não temos o direito de achar que perdemos”, disse Padilha.

O depoimento aconteceu durante o lançamento da campanha 40 Dias de oração e serviço pelos direitos humanos, que integra o projeto Usina de Valores, do Instituto Vladimir Herzog, na noite desta quarta-feira (31), em São Paulo. O debate reuniu religiosos, intelectuais e ativistas de direitos humanos para dialogar sobre o papel das igrejas evangélicas no contexto brasileiro.

Silvio Almeida, professor das universidades Mackenzie e Fundação Getúlio Vargas e autor do livro “O que é Racismo Estrutural”, ressaltou que o ódio disseminado no Brasil neste momento está relacionado a imposição de um projeto econômico que não poderia ser estabelecido sem violência institucional. “Nossa tarefa é complexa: temos que defender os direitos humanos, mas, ao mesmo tempo, ser contra a reforma da previdência, ser contra a reforma trabalhista, contra a venda do patrimônio público brasileiro”, afirmou.

O intelectual também ressaltou três dimensões da crise: econômica, institucional e civilizatória. Este último aspecto, de acordo com Almeida, está relacionado a crise de parâmetros de civilidade e de naturalização de ódio. “Eu, que não sou um homem religioso, considero a religião fundamental quando se volta para restabelecer o laço entre os seres humanos e a confiança na construção de uma utopia”, disse.

A teóloga e pastora evangélica Kátia Ezoite Teixeira, contou sobre as mortes de jovens que vê todos os dias em Duque de Caxias, Rio de Janeiro. “As pessoas pensam que direitos humanos é para defender bandidos, é isso o que eu ouço todos os dias. Mas não é. É para defender aquela mãe que fica preocupada com o filho que volta da escola em horário do tiroteio” disse. “Não adianta dizer que somos evangélicos, e pregar o ódio. O senhor Jesus Cristo nos ensinou a amar acima de tudo. O amor é difícil, mas precisamos praticar”, defendeu.

Sobre a campanha

A campanha 40 Dias de oração e serviço pelos direitos humanos foi lançada no dia que marca os 501 anos da Reforma Protestante e os 43 anos da missa ecumênica que reuniu milhares de brasileiros na catedral da Sé em memória de Vladimir Herzog, jornalista assassinado durante a ditadura militar.

Entre 1 de novembro e 10 de dezembro serão realizadas atividades em diferentes cidades do Brasil que evidenciam a relação da bíblia com a necessidade de defender a democracia e os direitos sociais. Continue lendo no Brasil de Fato.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Marighella: Exemplo de resistência e amor ao Brasil

Era pouco mais de oito da noite do dia 4 de novembro de 1969 quando Carlos Marighella foi capturado e morto por agentes da ditadura militar, a um mês de completar 58 anos. Nascido na Bahia, foi militante do Partido Comunista, deputado federal, poeta e guerrilheiro.


Por Leonardo Fernandes, no Brasil de Fato.

Marighella já havia passado pela prisão e pela tortura durante o governo de Getúlio Vargas. No ano anterior, em 1968, com a instauração do Ato Institucional nº5 (AI-5), poderia ter escolhido o caminho de muitos dos seus companheiros, o exílio, mas decidiu resistir. É o que conta o autor da biografia mais conhecida de Marighella, “O guerrilheiro que incendiou o mundo”, Mário Magalhães.

“A decisão do Marighella de resistir à ditadura, quando ele poderia ter ido para o exílio, como muita gente boa fez legitimamente, foi decisiva para esse sentimento em torno do Marighella e da memória dele, que faz com que ele seja amado e odiado como não foi nem no tempo da ditadura. E é evidente que assim como o Marighella é para quem o rejeita, combinando ideias e ação dos valores que essas pessoas rejeitam, para quem gosta do Marighella, ele é hoje uma inspiração permanente”.

Magalhães explica que, embora um dos livros mais conhecidos do escritor e político baiano tenha sido o Minimanual do Guerrilheiro Urbano, naquela época, Marighella planejava o início da luta armada no campo, prevendo que o movimento seria sufocado se permanecesse nas cidades.

Outra estudiosa da vida de Marighella, sua sobrinha, Isa Ferraz, foi buscar conhecer mais a fundo a história do tio para a produção do documentário que leva o nome do guerrilheiro.“A minha relação com ele é de sobrinha, mas também de alguém que quis entender porque uma pessoa tão carinhosa, afetiva, que eu tinha tanta adoração como tio, era considerado como o inimigo número um da ditadura militar e perseguido até a morte”.

Ferraz conta que no processo de pesquisa, se surpreendeu ao descobrir o amplo apoio internacional recebido pelo tio. “Eu aprendi um monte de coisas que eu nem imaginava. Por exemplo, o apoio dos artistas europeus à luta armada do Marighella, como Jean-Paul Sartre, [Roberto] Rosselini mandou dinheiro, o [Jean-Luc] Godard fez um filme… vários intelectuais importantíssimos que eu tenho o maior respeito apoiaram e mandaram dinheiro, recursos. Esse interesse internacional eu não sabia que era tão grande”.

Para a documentarista, a opção de Marighella pela luta armada como forma de resistência ao regime militar se explica pelo contexto internacional ao qual estava inserido. “Só dá para entender o Marighella e as opções dele se olharmos para o contexto mundial e nacional. Quer dizer, o Marighella vai para a luta armada no momento em que estava ocorrendo o conflito na Argélia, os movimentos negros nos Estados Unidos, a guerra do Vietnã, a Revolução Chinesa, a Revolução Cubana, quer dizer, era um contexto. Todas as lutas identitárias começando a surgir, os movimentos estudantis, então era um contexto mundial”.

Com uma trajetória recheada de fatos tão relevantes para a história do Brasil e do mundo, Magalhães lamenta que a luta de Carlos Marighella tenha ficado por tanto tempo à margem dos livros.

“Cada um tem o direito de achar o que quiser do Marighella. Esse é um preceito democrático e de liberdade intelectual essencial. O problema foi que certa historiografia brasileira tentou criminosamente eliminar o Marighella da história nacional. E por muito tempo, esse projeto foi bem-sucedido, apesar do bravíssimo esforço das pessoas que nunca deixaram de lembrar a trajetória do Marighella”.

Mário saúda o fato de 49 anos depois, nome do líder estar tão presente no imaginário do povo brasileiro. “Houve grandes militantes e dirigentes comunistas na história do Brasil. Algo que destaca o Marighella é o que está nas pichações das cidades pelo país afora: Marighella vive. O Marighella não parece um personagem que morreu pouco depois das oito da noite, na Alameda Casa Branca, no dia 4 de novembro de 1969. Ele vive hoje. O Marighella hoje vive e perturba. Ele incomoda uns e estimula outros”.

Fonte: Brasil de Fato

sábado, 3 de novembro de 2018

VIVIANE RODRIGUES – A BELA DA SEMANA


Um brinde aos seres maravilhosos, compostos pela grandeza de sua importância social, um viva às gloriosas mulheres, necessárias, absolutas e indispensáveis, um viva à elas que igualmente a esta que hora exaltamos, estão como testemunho da divindade feminina...

São formidáveis estas moças, donas da beleza cativante, portadoras, possuidoras da nossa atenção...

Diferindo-se do que é comum, e compondo o seleto grupo das belas, Viviane Rodrigues possui beleza admirável e tal formosura, da-lhe o direito de por os pés no pedestal das notáveis, das fascinantes criaturas que nasceram com o dom natural da sedução, Viviane é aquela dádiva que nos agracia os olhos, é mescla de sentimentos bons, proporcionados pelo encanto procedente de sua apreciável imagem.

A beleza feminina é aceita em qualquer lugar, qualquer terra sente-se honrada ao ser pisada pelos pés de uma bela, por isso, a mulher quando bonita ela é apátrida, não há fronteiras, todas as limitações geográficas e humanas cedem espaço para elas e este espaço onde difunde-se a formosura feminina, não poderia deixar de apresentar a formosura que se destaca em Viviane Rodrigues.

 Louvemos a luz refletida em seus olhos, na cor loira dos cabelos formidáveis de quem nasceu na condição de mulher, louvemos a supremacia feminina, destas formosas damas cheias de graça, destas criaturas divinas das quais Viviane Rodrigues representa com maestria, louvada seja a majestade feminina ricamente detalhada na imagem desta que nos agracia a oportunidade de enaltecer a mulher em sua incontestável vocação de seduzir.

A beleza feminina tem o poder terapêutico de desocupar-nos a mente dos problemas... Quando presenciamos uma bela, somos abduzidos, ficamos fora da órbita dos reclames do nosso universo, é como se tudo fizesse silêncio em respeito a superioridade proveniente de uma bela, essa mesma sensação é sentida quando contemplamos a beleza de Viviane.

Assim, que seja dela os louvores e os vivas, que para Viviane esteja reservada a boa sorte e a longevidade de dias a inebriar olhares, segue nossa gratidão pela permissão ao nos deixar externar a grandeza da mulher tão bem detalhada em sua imagem.

A nós é dada a honra em apreciar o que é louvável, ela é um privilegio ao sentido da visão, ela é adorno a qualquer espaço, viva o fascínio proveniente dela, Viviane Rodrigues é a bela da Semana.

*VIVIANE RODRIGUES – Marilena – PR – Filha de Gerson Rodrigues e Clarice Alves Rodrigues – Viviane é torcedora do Palmeiras.






sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Cármen Lúcia: 'A única força legitimada a invadir universidade é a das ideias'

A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, relatora da ação contra as medidas da Justiça Eleitoral em universidades do país, afirmou durante sessão plenária nesta quarta-feira (31) que "a única força legitimada a invadir uma universidade é a das ideias livres e plurais".

AFP
"Qualquer outra que ali ingresse sem causa jurídica válida é tirana, e tirania é o exato contrário da democracia", reforçou a ministra durante sessão que julga se mantém a sua decisão que suspendeu 'atos de fiscalização' da Justiça Eleitoral que determinaram o ingresso de agentes eleitorais e de policiais em universidades públicas e privadas de diferentes estados.

As medidas foram determinadas por órgãos locais da Justiça Eleitoral sob o argumento de combater suposta "propaganda eleitoral irregular", mas críticos apontaram censura nas ações e disseram que muitos dos atos nas universidades não citavam diretamente nenhum candidato.

Entre os atos de censura está a interferência da Justiça Eleitoral em palestra realizada na UnB (Universidade de Brasília) sobre a ascensão do fascismo. O evento, organizado pelo Centro Acadêmico de Filosofia e pelo movimento Brigadas Populares, foi considerado propaganda eleitoral por órgãos estaduais.

Ações de ingerência da Justiça Eleitoral em universidades públicas e privadas ocorreram em todo o país, promovendo a retirada de faixas "contra o fascismo", interromperam aulas e debates, interrogaram professores e alunos, além de terem realizado buscas e apreensão de documentos.

A ministra endossou a crítica e em seu voto defendeu a manutenção de sua decisão. "Não há direito democrático sem respeito às liberdades, não há pluralismo na unanimidade, pelo que contrapor-se ao diferente e à livre manifestação de todas as formas de pensar, de aprender, apreender e manifestar uma compreensão do mundo é algemar liberdades, destruir o direito e exterminar a democracia", disse.

"Impor-se a unanimidade universitária, impedindo ou dificultando a manifestação plural de pensamento, é trancar a universidade, silenciar estudantes e amordaçar professores", afirmou a ministra.

Cármen Lúcia afirmou que a "universidades são espaços de liberdade e libertação social e política" e reforçou que "sem manifestação garantida, o pensamento é ideia engaiolada".

"Liberdade de pensamento não é concessão do estado, é direito fundamental do indivíduo -- que pode até se contrapor ao Estado", diz a ministra, reforçando que a as medidas tomadas teriam ferido também a autonomia das universidades e a liberdade de docentes e discentes, sendo um "abuso não de quem se expressa, mas de quem limita a expressão".

"Sem liberdade de manifestação, a escolha seria inexistente. O que é para ser opção, teria se transformado em simulacro de alternativa. O processo eleitoral seria transformado num enquadramento eleitoral -- o que é próprio das ditaduras, muito longe do quadro brasileiro", defende Cármen Lúcia.

"Quando alguém acha que pode invadir qualquer espaço, privado ou público, e, nesse caso, uma universidade, instituição plural em seu nome, universitas, e mesmo assim alega estar a interpretar o direito, impõe-se sinal de alerta para restabelecimento do Estado Democrático no Direito mais justo", disse a ministra, salientando que não há meia democracia, e que ela não deve valer apenas para um grupo. "Democracia não necessita de justificativa porque o marco civilizatório atingido pela humanidade deveria ter superado todas as formas ditatoriais, estatais e sociais", afirma a ministra.

A ministra Cármen Lúcia, relembrando fala de Ulysses Guimarães, disse que "traidor da Constituição é traidor da pátria", e que "conhecemos o caminho maldito a que se conduz quando se trai a Constituição".


quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Centrais Sindicais debatem ação nacional contra reforma da Previdência

As principais centrais sindicais brasileiras (CTB, CUT, Força Sindical, CSB, UGT, Nova Central e Intersindical) se reúnem às 10 horas desta quinta-feira (1º) na sede do Dieese, em São Paulo, com o objetivo de organizar uma mobilização nacional contra a reforma da Previdência que Temer e Jair Bolsonaro querem ver aprovada ainda neste ano.


“É hora de fortalecer a unidade do movimento sindical. Bolsonaro quer aprofundar a agenda golpista imposta pelo governo ilegítimo de Michel Temer. Os dois compartilham objetivos semelhantes em relação à Previdência e ambos querem o fim do sistema público de aposentadorias”, afirma Adilson Araújo, presidente da CTB.

Adilson lembra que a mobilização social conseguiu impedir o avanço desta proposta este ano. “Com unidade e luta impedimos que o golpista Temer aprovasse sua proposta. A defesa das aposentadorias agora passa pela luta para barrar o projeto Temer/Bolsonaro”.

Agenda: Reunião das centrais sindicais sobre mobilizações contra a Reforma da Previdência

Data: 1º de novembro
Horário: 10 horas
Local: sede do Dieese
Endereço: Rua Aurora, 957, Santa Ifigênia – São Paulo-SP.


Após protestos de estudantes, votação da Lei da Mordaça é adiada

Estudantes e professores lotaram os corredores da Câmara nesta quarta-feira (31) contra o Projeto de Lei (PL) 7180/14, conhecido como Escola sem Partido. Com palavras de ordem, cartazes e mordaças, os manifestantes deram o tom da resistência à proposta que pretende censurar professores em sala de aula. Os protestos duraram enquanto parlamentares aguardavam quórum para analisar a proposta. No entanto, com o início das votações no Plenário da Casa, a reunião foi encerrada.

Por Christiane Peres

O presidente da comissão, deputado Marcos Rogério (DEM-RO), anunciou que o colegiado voltará a se reunir na próxima semana para analisar o relatório e votar a matéria.

Para a vice-líder do PCdoB e membro do colegiado, deputada Alice Portugal (BA), a proposta inviabiliza a liberdade de cátedra e deve ser barrada. “São sete projetos. Todos inviabilizam a liberdade do professor exercer o magistério na forma da lei. Aciona gatilhos fundamentalistas em um país que tem orientação laica na educação para partir de premissas religiosas de cada aluno. Eles querem forçar a barra, mas nós precisamos reagir”, disse a parlamentar.

A medida, entre outros pontos, pretende alterar o art. 3º da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 20 de dezembro de 1996, aplicando entre os princípios do ensino o “respeito” às convicções do aluno, de seus pais ou responsáveis, dando precedência aos valores de ordem familiar sobre a educação escolar nos aspectos relacionados à educação moral, sexual e religiosa.

Para a presidente nacional do PCdoB, deputada Luciana Santos (PE), o que está por trás da proposta é a imposição de uma ideologia. “Eles querem a ausência de pensamento crítico na escola, e isso é uma desfaçatez. Escolas e faculdades são e precisam ser locais para debate de ideias, onde se tem acesso a todo tipo de pensamento”, disse.

Além da obstrução feita por partidos contrários à matéria, ainda há a possibilidade de um pedido de vista adiar novamente a votação.

Fonte: PCdoB na Câmara

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