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quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

Cesta básica já responde por 67% do salário mínimo

 


Preços dos alimentos básicos, principalmente os que são commodities, seguiram elevados em 2021.

A cesta básica aumentou em todas as 17 capitais pesquisadas pelo Dieese em dezembro. Somente a compra dos itens da cesta consumia, conforme a região, entre metade e 67% do salário mínimo – que era de R$ 1.100 no mês passado.

A Constituição prevê o salário mínimo para “suprir despesas básicas de uma família de quatro pessoas com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência”. Porém, segundo o Dieese, o piso nacional dos trabalhadores deveria ser de R$ 5.800 em dezembro para cumprir esse papel constitucional.

Na prática, o salário mínimo necessário em São Paulo, por exemplo, é 5,3 vezes maior do que o oficial. Ou seja, quem ganha o mínimo tem de trabalhar mais de cinco meses para receber o que a Constituição determina para um mês.

A pesquisa do Dieese apurou em Curitiba a alta mais expressiva em um ano (16,30%). Em seguida vêm Natal (15,42%), Recife (13,42%), Florianópolis (12,02%) e Campo Grande (11,26%). As menores taxas acumuladas foram as de Brasília (5,03%), Aracaju (5,49%) e Goiânia (5,93%).

Já as capitais com cesta básica mais cara – ou seja, que exige mais horas de trabalho para comprá-la – foram São Paulo (R$ 690,51), Florianópolis (R$ 689,56) e Porto Alegre (R$ 682,90). Entre as cidades do Norte e Nordeste, onde a composição da cesta é diferente, os menores valores médios foram observados em Aracaju (R$ 478,05), João Pessoa (R$ 510,82) e Salvador (R$ 518,21).

Os preços dos alimentos básicos, principalmente os que são commodities, seguiram elevados em 2021, por dois principais fatores: o dólar alto, atraente para as exportações e influenciando negativamente os custos de produção (preços dos insumos); e os problemas climáticos, como seca e geada.

Em contrapartida, outros produtos tiveram redução de preço, uma vez que a economia seguiu em baixa, com poucos empregos criados, crescimento da informalidade e alto desemprego, o que freou o consumo. Muitos produtores não conseguiram repassar os aumentos para o preço final.

Os dados da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos mostraram que, entre dezembro de 2020 e de 2021, nove produtos tiveram alta acumulada de preços em quase todas as capitais pesquisadas: carne bovina de primeira, açúcar, óleo de soja, café em pó, tomate, pão francês, manteiga, leite integral longa vida e farinha de trigo, no Centro-Sul, e de mandioca, no Norte e Nordeste.

Com informações da RBA

Via – Portal Vermelho

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Exército se descola de Bolsonaro, defende vacina e proíbe fake news

 

Atuação do Exército durante a pandemia

Militares devem se vacinar, usar máscara e não divulgar fake news, determinam diretrizes do Exército para o combate à Covid-19. Documento é assinado pelo comandante, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira.

Por Cezar Xavier

No Portal Vermelho

O comando do Exército divulgou as diretrizes para o combate à Covid-19 e surpreendeu ao expressar abertamente posicionamento contrário ao comandante supremo das Forças Armadas, Jair Bolsonaro, não dando margem para negacionismo científico entre os militares. Entre as orientações que os militares devem seguir, estão a vacinação para quem retornar ao trabalho presencial, o distanciamento, o uso de máscaras e a proibição de espalhar fake news sobre a pandemia.

Apesar de tardias, as diretrizes revelam um descolamento dos militares do presidente que derrete nas pesquisa de opinião pública e vê seu governo sendo rejeitado pela maioria. Além de ter sua imagem arranhada pelo governo, os militares temem ser responsabilizados por crimes contra a saúde pública ao manter o negacionismo do ex-ministro general Eduardo Pazuello, denunciado na CPI da Covid no Senado. Dados revelando a alta taxa de negacionismo vacinal nas Forças Armadas, divulgados esta semana, podem ter gerado a reação entre os militares.

As Forças Armadas exigem que seus servidores se vacinem contra febre amarela, tétano e hepatite B – mas não contra a covid-19. A Marinha tem se recusado a informar dados sobre vacinação ou diretrizes sobre o assunto.

O documento, assinado pelo comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, deixa claro que o objetivo é o retorno pleno de todas as atividades administrativas e operacionais e que isso é possível devido ao avanço da vacinação contra a Covid, desde que sejam respeitadas as normas sanitárias de estados e municípios, além das recomendações do Ministério da Saúde.

O comandante determina ações de proteção individual e a comprovação da vacinação para volta ao trabalho presencial, obrigatoriedade que Bolsonaro combate.

São 36 mil integrantes do Exército e Aeronáutica que se recusaram a receber a vacina. Além disso, quase metade dos militares não está completamente imunizada, taxa muito acima do resto da população (30%). Os dados foram obtidos pelo site Metrópoles, por meio da Lei de Acesso à Informação.

As regras foram publicadas pelo site O Antagonista.

São 52 pontos. Entre eles, o Exército determina que:

os militares e os servidores civis que retornarem de viagem internacional, a serviço ou privada, ainda que não apresentem sintomas relacionados à Covid-1 deverão realizar o teste molecular (RT-PCR) até 72 horas antes do embarque.

Para as ações de campo, como as de forças-tarefas humanitárias, e nas operações de faixas de fronteira:

estabelece que é preciso continuar adotando medidas de prevenção à contaminação pelo coronavírus;

recomenda o distanciamento social, o uso de máscaras e a higienização das mãos.

O Exército trabalha, por exemplo, na acolhida de refugiados da Venezuela, em Roraima, e também acompanha o trabalho de vacinação de indígenas. No início da pandemia, organizações de defesa dos povos originários acusavam agentes do Exército de serem os principais vetores da covid em reservas indígenas que ainda não tinham contato com o vírus.

O documento reforça que pode haver o retorno às atividades presenciais:

desde que respeitado o período de 15 dias após imunização contra a Covid-19. Os casos omissos sobre cobertura vacinal deverão ser submetidos à apreciação do DGP (Departamento Geral do Pessoal), para adoção de procedimentos específicos;

O comandante-geral determina ainda que será avaliada a manutenção das missões internacionais ainda não iniciadas e, também, a realização de seminários, palestras, solenidades, confraternizações que impliquem na aglomeração de pessoas.

Proíbe que os militares divulguem nas redes sociais qualquer informação sobre a pandemia sem antes confirmar a fonte e checar se ela é verdadeira. Diz que a prestação de informação falsa sujeitará o militar ou o servidor às sanções penais e administrativas previstas em lei.

O documento diz ainda que os militares devem orientar os parentes a agirem dessa mesma forma.

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

A morte de Mané Moreno

 Por Sálvio Siqueira

Em certa época, Mané Moreno com seu pequeno subgrupo, seguem pelos rincões sertanejos e vão com destino à Porto da Folha. Antes, porém, vão a Jaramataia, para descansarem em determinado coito.

O local em que estão é propriedade de Pedro Miguel, senhor que não está nada satisfeito com as aparições desse pequeno grupo de ‘cabras’, pois, já havia chamado a atenção das autoridades. Seo Pedro vai à busca do chefe mor, para comunicar-lhe que Mané Moreno está a abusar da estadia em suas terras. O “Rei dos Cangaceiros” diz para o coiteiro não mais preocupar-se, pois, falaria com o Mané Moreno sobre o caso. Se falou ou não, a verdade é que Mané com seu pequeno grupo, continuam a ‘abusar’ das suas acomodações.

Cangaceiro Mané Moreno

O comandante Odilon Flor, já sabedor das ‘visitas’ que fazem os cangaceiros ao sítio Jaramataia, resolve ir lá e ter uma prosa com o senhor Pedro. Nessa conversa o senhor Pedro revela ao comandante que Mané Moreno e seus ‘cabras’ estão em Poço da Volta.

Havia, naquela noite, um samba, forró, na sede do sítio Palestina. Lá, dançando, bebendo e farreando muito, estavam Mané Moreno, que se divertia bastante com sua companheira, a cangaceira Áurea, e seus cangaceiros.

O comandante Odilon Flor, de longe escuta o toque da sanfona, o bater da zabumba e o repicar do triângulo. Alerta seus homens e vão tomando chegada com cautela... Em pouco tempo, o comandante distribui seus homens e cerca aquela localidade. A volante tem tempo de escolher posição e alvos. E é o que faz. O tiroteio começa e os gritos, palavrões e pedidos de socorro substituem o som da música tocada. O chefe cangaceiro e sua companheira são os primeiros a tombarem na senda da escuridão eterna.

A coisa fica feia e o reboliço é medonho. Ninguém é de ninguém numa hora dessas. Correm para um lado e para outro, feito barata tonta, enquanto o fogo, tiroteio, toma conta da noite, numa melodia fúnebre.

Algumas literaturas, trazem como sendo o terceiro cangaceiro morto nessa investida, o cabra “Gorgulho”. Há, no entanto, registro que Gorgulho foi baleado, porém, consegue chegar em casa de amigos, um senhor chamado Lisboa, da família Félix. Ficando nessa casa até sua total recuperação. Depois, deixa o cangaço e lasca-se no meio do mundo, até voltar para sua terrinha natal, Salgado do Melão. Também, alguns livros trazem de como sendo o “Fogo do Poço da Volta”, ficando esclarecido que o embate deu-se na fazenda “Palestina”. (“LAMPIÃO ALÉM DA VERSÃO – MENTIRAS E MISTÉRIOS DE ANGICO” – COSTA, Alcino Alves.)

A volante do comandante Odilon Flor teve êxito total nesse embate. 

Adentram na casa e deparam-se com três cadáveres, Mané Moreno, Áurea, sua companheira e Cravo Roxo, um de seus asseclas... numa noite escura, em um forró, nas quebradas do Sertão.

Sálvio Siqueira - 

Fonte Ob. Ct.

http://cariricangaco.blogspot.com/2016/05/a-morte-de-mane-moreno-porsalvio.html

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Apenas uma informação: Quem faleceu neste combate juntamente com Mané Moreno e sua companheira Áurea, foi o cangaceiro Cravo Roxo, segundo o escritor e pesquisador do cangaço Alcino Alves Costa em seu livro: "Lampião Além da Versão - Mentiras e Mistérios de Angico".

A legenda foi um equívoco de quem postou esta foto pela primeira vez. O cangaceiro Gorgulho foi ferido no momento do ataque da volante policial, mas conseguiu fugir. Fez tratamento, ficou bom, e posteriormente voltou ao convívio social. 

A minha informação sobre a foto dos cangaceiros acima não menospreza de forma alguma o trabalho do pesquisador do cangaço Sálvio Siqueira.

Via - Blog do Mendes & Mendes

segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

CASO Guarujá 1978

 


O litoral paulista é um dos locais que têm a maior e mais diversificada incidência ufológica.

Desde agosto de 1985 o litoral do Estado de São Paulo conta com o Grupo Ufológico do Guarujá (GUG) para investigar a rica casuística da região.

Existe uma alta incidência de objetos não identificados entrando e saindo do mar, o que sugere que possa haver nas suas profundezas alguma base de operações submarina.

Um dos casos investigados pela GUG na cidade do Guarujá (SP) aconteceu na praia do Guaiuba, no dia 23 de março de 1978, tendo como testemunha João Inácio Ribeiro.

 Ribeiro, na época com 47 anos de idade, relatou que por volta das 18:00 h estava passeando pela praia, quando viu surgir do horizonte uma nave circular de 10 m de diâmetro, o objeto metálico possuía na parte superior uma espécie de cabine ou cúpula. Segundo ele, aquilo ficou imóvel a uns 80 m da praia sobre o mar, não produzindo nenhuma agitação nas águas, embora estivesse próximo. Também não fazia ruído algum. Amedrontado, Ribeiro viu aparecer dois seres baixos, de mais ou menos 1 m de altura, que trajavam roupas colantes acinzentadas e andavam por cima do objeto.

Ele disse ainda que os alienígenas eram calvos, possuíam boca e nariz pequenos e grandes olhos negros. Um deles portava uma espécie de bastão, enquanto que o outro segurava algo parecido com um aspirador, com um cabo e uma caixa preta embaixo. Eles operaram este aparelho, passando-o sobre a água do mar, por cerca de 10 minutos e ao final entraram na nave. No momento seguinte, o UFO decolou e se posicionou a 10 m do nível do mar e, subitamente, mergulhou nele, sem produzir nenhuma turbulência, espuma ou ondas. Apenas se ouviu um barulho semelhante a um chiado. Ribeiro foi embora assustado e comentou o ocorrido em sua casa. Hoje, está convencido de que aquele objeto não era deste mundo.

Contudo, um dos locais de maior incidência ufológica e envolto em lendas e histórias curiosas no litoral norte é a cidade de Ilha Bela. Os moradores mais antigos relatam vários casos de UFOs, como o ocorrido com Manuel Felipe, há 40 anos residindo no lugar. Ele conta que em uma noite escura, ao se aproximar de uma cachoeira, surpreendeu-se com a aparição de algo em forma de bastão de fogo, com 2 m de altura. Ao tentar chegar perto, o objeto deslocou-se, iluminando toda a área com sua luz azulada. Felipe, estonteado, caiu adormecido e quando acordou o local estava silencioso, como se nada tivesse acontecido.

Via - Contatos Imediatos

quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

A PEDRA DE INGÁ

 


No Cosmos

Localizada no Brasil, é uma maravilha arqueológica mundial. Tem mais de 6 mil anos e centenas de símbolos estranhos.

Cientistas de todo o mundo tentaram decifrá-la sem sucesso, a única coisa que se conhece é que possui caracteres egípcios, fenícios, sumérios também semelhantes ao rongorongo da Ilha de Páscoa e principalmente símbolos da linguagem nostrática, o mais antigo e raro da humanidade.

Na pedra aparece a constelação de Órion, a via láctea, mensagens de um desastre mundial que virá no futuro, métodos para abrir portas mentais e viajar para mundos dimensionais, fórmulas matemáticas, equações e muitas outras coisas impactantes.

Quem deixou escrito há 6 mil anos tal conhecimento nesta pedra? Como é possível que eles soubessem tudo isso no passado?

A Pedra de Ingá é um monumento arqueológico, identificado como "itacoatiara", constituído por um terreno rochoso que possui inscrições rupestres entalhadas na rocha, localizado no município brasileiro de Ingá no estado da Paraíba.

O termo "itacoatiara" vem da língua tupi: itá ("pedra") e kûatiara ("riscada" ou "pintada"). De acordo com a tradição, quando os indígenas potiguaras, que habitavam a região, foram indagados pelos colonizadores europeus sobre o que significavam os sinais inscritos na rocha, usaram esse termo para se referir aos mesmos.

A formação rochosa em gnaisse cobre uma área de cerca de 250 m². No seu conjunto principal, um paredão vertical de 50 metros de comprimento por 3 metros de altura, e nas áreas adjacentes, há inúmeras inscrições cujos significados ainda são desconhecidos. Neste conjunto estão entalhadas figuras diversas, que sugerem a representação de animais, frutas, humanos e constelações como a de Órion.

O sítio arqueológico fica a 109 km de João Pessoa e a 38 km de Campina Grande. O acesso ao local se dá pela BR 230, onde há uma entrada para a PB 90, na qual após percorrer 4,5 km chega-se ao núcleo urbano de Ingá. Atravessando a avenida principal da cidade, percorrem-se mais 5 km por estrada asfaltada até se chegar ao Sítio Arqueológico da Pedra do Ingá. No local há um prédio de apoio aos visitantes e as instalações de um museu de História Natural, com vários fósseis e utensílios líticos encontrados na região onde hoje fica a cidade.

O sítio arqueológico está numa área, outrora privada, que foi doada ao Governo Federal e posteriormente tombada como Monumento Nacional pelo extinto Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (atual IPHAN), a 30 de novembro de 1944."

Crédito: Pri Betelgeuse

Via – Adalberto Marlon Azevedo

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Da série Rádios antigos

 


Nessa postagem irei inserir fotos de receptores de rádio Russos,  que não chegaram para nós e que venho descobrindo e me encantando com a qualidade e beleza dos equipamentos produzidos na era Soviética.

( Busco o enriquecimento cultural, não vamos deturpar com interpretações ideológicas.)

Nos comentários irei deixando fotos e texto sobre cada modelo.

Aos interessados, recomendo fazer uma pesquisa de imagem com o nome do receptor, em Russo, encontrarão muitas fotos e informações sobre eles.

Por isso eu irei deixar o nome em Russo, para essa pesquisa.

O receptor de rádio transistor portátil Sokol foi produzido pela fábrica de rádio de Moscou desde o primeiro trimestre de 1963. O receptor de rádio transistor portátil Sokol da 4ª classe é um super-heteródino de sete transistores operando nas bandas LW e MW. A sensibilidade do receptor é de 1,2 mV / m na faixa LW e 0,6 mV / m na faixa MW. A frequência intermediária é 465 kHz. Seletividade no canal adjacente - 26 ... 30 dB. A potência nominal de saída do receptor no alto-falante 0.1GD-6 é 100 mW, a máxima é 180 mW. A energia é fornecida por uma bateria Krona ou uma bateria 7D-01.

As dimensões do receptor de rádio são 152x90x35 mm, o peso é de 420 G. O conjunto do receptor de rádio inclui um estojo de couro. Para aumentar a atratividade do modelo, o rádio foi produzido em diversas variantes de design externo e cores. Os estojos de couro para o rádio também foram decorados de maneiras diferentes. O receptor de rádio Sokol se tornou o modelo mais massivo da fábrica, foi produzido até 1971, inclusive para exportação. Juntas, a fábrica produziu um conjunto de rádios construtores para automontagem e sintonia do receptor de rádio Sokol, semelhante a um industrial, mas em uma carcaça de design diferenciado. Separadamente, a fábrica também produzia o próprio prédio, que podia ser encontrado nas lojas de produtos culturais do país até o final de 1975.

Por Zé do Mato

No Rádios Fundo de Quintal

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

Economistas preveem péssimo cenário para o Brasil em 2022

 


Ano será marcado por estagnação econômica, desemprego elevado e dólar próximo a R$ 6.

Via – Portal Vermelho

O último ano do governo Jair Bolsonaro – a exemplo dos três anteriores – será de más notícias para a economia brasileira. Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil preveem um péssimo cenário para o País em 2022, com estagnação econômica, desemprego elevado e dólar próximo a R$ 6.

Para o PIB (Produto Interno Bruto) – indicador que soma todos os bens e serviços produzidos no país –, a expectativa dos economistas é de estagnação. Analistas divergem se o número vai ser um pouco negativo ou um pouco positivo, mas todos concordam que, no azul ou no vermelho, o desempenho deve ficar muito próximo de zero. Com isso, o mercado de trabalho tende a perder ímpeto, com a taxa de desemprego caindo mais devagar e a geração de vagas formais se mantendo fraca. A

A crise cambial também deve continuar. O câmbio – relação entre o valor da moeda brasileira e as moedas de outros países – terá um ano bastante volátil e inconstante, reagindo à corrida eleitoral e à provável alta de juros para conter a inflação nos mercados desenvolvidos. Esse movimento tende a atrair investimentos principalmente aos Estados Unidos, enfraquecendo as moedas de países emergentes, como o Brasil, e já há quem aposte em um dólar encostando nos R$ 6 ao longo do próximo ano.

Com dois resultados negativos no segundo e terceiro trimestres de 2021, a economia brasileira entrou este ano em “recessão técnica” – termo usado pelos economistas quando são registrados dois trimestres seguidos de PIB em queda. No quarto trimestre, houve retração na indústria (-0,6%), no varejo (-0,1%) e nos serviços (-1,2%).

As vendas da Black Friday em novembro e do Natal em dezembro, com crescimento fraco em relação a 2020, reforçaram a sensação de falta de ímpeto da economia. É em meio a esse desânimo que o país adentra 2022, ano que os economistas preveem que será de estagnação para o PIB brasileiro.

Segundo o boletim Focus do Banco Central (de 27/12), que reúne as expectativas de diversos analistas do mercado, o PIB brasileiro deve crescer apenas 0,4% em 2022, após avançar cerca

de 4,5% em 2021. O País mal se recuperou da queda de 3,9% de 2020, quando a pandemia fez seu maior estrago, e já voltará à estagnação.

Os empregos serão afetados pela crise econômica. O ano de 2021 já foi de recuperação insuficiente para o mercado de trabalho, após o forte baque registrado no ano anterior. A taxa de desemprego, que começou o ano em 14,5%, chegou a outubro em 12,1%, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Conforme dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério da Economia, há chances de o Brasil retomar, no primeiro trimestre de 2022, aos números do pré-pandemia. Ainda assim, o País, sob a política ultraliberal do governo Bolsonaro, vai continuar com o desemprego na faixa dos dois dígitos. Em fevereiro de 2020, quando foi identificado o primeiro caso de coronavírus no Brasil, a taxa de desemprego estava em 11,8%.

“A desaceleração da atividade que sofremos no segundo semestre de 2021, que foi bem forte, deve começar a ter um impacto no emprego a partir do primeiro trimestre de 2022. A renda do trabalho deve continuar bem baixa, sofrendo com os efeitos da inflação e com reajustes nominais abaixo da alta de preços”, avalia o pesquisador Daniel Duque, do Ibre-FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).

Em 12 meses até novembro de 2021, 19,4% das negociações salariais entre sindicatos patronais e de trabalhadores resultaram em reajustes acima da inflação, enquanto para 50,8% os reajustes foram inferiores e 29,8% conseguiram ao menos repor a alta de preços. Os dados são do boletim Salariômetro da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas)

Já conforme o IBGE, em outubro, o rendimento médio dos brasileiros caiu 11,1% na comparação anual, para R$ 2.449. Com isso, a renda no país descontada a inflação se encontra no menor patamar da série histórica, que tem início em 2012. Ainda de acordo com Duque, a recuperação modesta do emprego que deve ocorrer em 2022 tende a ser puxada pelos trabalhadores informais e por conta própria.

A inflação será outro fantasma para os brasileiros neste ano, mesmo ficando provavelmente inferior às taxas de 2022. “Dado que a nossa economia ainda é muito indexada, boa parte da inflação de 2022 vai ser influenciada pela inflação de 2021”, diz André Braz, coordenador de índices de preços na FGV. É o caso do salário mínimo, que passou de R$ 1.100 para R$ 1.212 neste ano, acompanhando a alta da inflação.

Também os aluguéis, mensalidades escolares e impostos como IPVA e IPTU devem ser influenciados pela inflação do ano passado em seus reajustes, cita o economista. Segundo Braz, boa parte da pressão inflacionária só deve perder forçar a partir do segundo semestre, já que a alta da taxa básica de juros leva de seis a nove meses para ter efeito sobre a economia.

“O efeito colateral disso vai ser um crescimento menor”, prevê Braz. “Isso vai bater direto no mercado de trabalho e nas oportunidades de emprego, contribuindo de forma mais aguda no segundo semestre para diminuir a demanda, que já está enfraquecida, mas que tende a se enfraquecer ainda mais.”

Para Silvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria, dois fatores principais devem influenciar a cotação da moeda brasileira em 2022: as eleições presidenciais no Brasil e a alta dos juros nos Estados Unidos. “A perspectiva de que o Fed [Federal Reserve, o banco central norte-americano] eleve as taxas de juros por lá é um sinal de dólar forte no mundo todo”, diz Campos Neto.

Nos últimos anos, o real teve comportamento atípico em relação às moedas de países emergentes, como o peso mexicano, colombiano e chileno, o rand sul-africano e o rublo russo. Embora todas essas moedas tenham perdido valor com a pandemia, o real não se recuperou, ao contrário das demais. “Em 2022, esperamos pressões renovadas [sobre o câmbio]. Ao longo do ano, podemos perfeitamente observar novos picos, até próximos de novo a R$ 6”, prevê. Ao fim do ano, o economista avalia que o câmbio deve ceder de volta aos R$ 5,70.

Por fim, os juros em alta. Em dezembro, o Copom (Comitê de Política Monetária) elevou a taxa básica de juros da economia brasileira em 1,5 ponto percentual (p.p.), para 9,25%. Foi o sétimo aumento seguido da Selic, que ao fim de 2020 estava em 2%, menor nível da história. O

Copom também indicou mais um aumento de 1,5 p.p. para sua próxima reunião, em fevereiro de 2022.

No entanto, os sinais de fraqueza da atividade e os últimos dados de inflação abaixo do esperado fazem alguns economistas acreditarem que a autoridade monetária pode optar por subir menos os juros no início deste ano. “Temos visto diversos sinais de desaceleração da economia, na indústria, nos investimentos e nos indicadores de confiança, que mostram um empresário mais cauteloso para 2022”, diz Rafaela Vitoria, economista-chefe do Banco Inter. No boletim Focus, o mercado também aposta em um início do corte de juros já no próximo ano, mas mais modesto, para 11,5%.

Com informações da BBC News Brasil

 

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