sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
BOLIVIA
Outros olhos sobre uma Bolívia que de fato existe.
Viagem à Bolívia revela país que cultiva suas tradições ancestrais
Salar de Uyuni é exemplo de lugar que segue aliando raízes andinas a paisagem estonteante
De origem indígena, o presidente Evo Morales incentiva, nas escolas, o ensino dos idiomas quéchua e aimará
RAFAEL MOSNA
ENVIADO ESPECIAL À BOLÍVIA
A pobreza é aparente nas ruas e no povo, mas a Bolívia é dona de uma beleza única.
Um destino que alia cultura de raízes andinas e hispânicas a paisagens estonteantes, caso do Salar de Uyuni, planície repleta de sal, e do lago Titicaca, envolto em histórias reais e mitológicas.
Assim, reunindo regiões geograficamente díspares, a Bolívia encerra sítios arqueológicos como o de Tiwakanu, cujas ruínas contam a história de um povoado que viveu há três milênios.
A porta de entrada para quem chega de avião costuma ser o caos urbano de La Paz, embora, para o turista mais atento, ela se mostre muito mais como um ponto de partida -ou um corredor para fazer turismo nas diferentes partes do país.
É dali que o presidente Evo Morales comanda a Bolívia, tomando medidas que, aos olhos do resto do mundo, podem soar anacrônicas.
E só uma viagem à Bolívia é capaz de desvelar mistérios desse país andino nos assuntos da política ou da antropologia. Para o bem e para o mal, o retrado presidencial está em toda parte: nos hotéis, nos restaurantes, nos bares à beira das estradas e até no painel de alguns táxis.
De origem indígena, Evo Morales incentiva, nas escolas, o ensino dos idiomas nativos quéchua e aimará. E faz até campanha para a extensão do cultivo de coca, assunto polêmico e explosivo.
A Folha foi à Bolívia e, também, à feira Kantuta, no bairro paulistano do Pari, para mostrar uma Bolívia viva e singela, digna e passadista, que resistiu ao tempo cultivando tradições ancestrais.
Do Blog APOSENTADO INVOCADO.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
CORINTHIANS FORA DA LIBERTADORES 2011
Desta vez, com uma participação pífia o maior sonho da equipe de parque São Jorge morre precocemente.
O Corinthians deu vexame em Ibagué, na Colômbia, e caiu na fase preliminar da Libertadores. Com três volantes e o atacante Jorge Henrique responsável pela criação das jogadas, o time paulista foi presa fácil para o Tolima. Perdeu por 2 a 0 nesta quarta-feira, ouviu "olé" da torcida e, mais uma vez, adiou o sonho pelo título continental. Pior, todo o planejamento feito para a temporada foi pelo cano.
Ronaldo, que mais uma vez não fez nada em campo, se disse atordoado pela eliminação. “Estou meio atordoado ainda. É uma derrota que vamos levar para o resto do ano. Não jogamos bem. O gramado com certeza não ajudou. Inadmissível que a Conmebol aceite um campo desse. Mas isso não é desculpa. O Corinthians não jogou bem e está fora. Estamos triste e agora é levantar a cabeça e seguir adiante.”
Pelo péssimo futebol apresentado nesta temporada, o técnico Tite corre sério risco de ser demitido do cargo. E, como se não bastasse a eliminação, o Corinthians tentará se reerguer no domingo, em clássico contra o Palmeiras.
O jogo
O Corinthians começou a partida nervoso e, por pouco, não saiu atrás no marcador. Logo no primeiro minuto, Medina recebeu na área, limpou dos zagueiros e bateu cruzado para fora. Aos 8, Castillo invadiu a área livre e Julio César fez grande defesa.
O único chute ao gol do Corinthians veio aos 35 minutos do primeiro tempo, em chute de falta de Ronaldo, que isolou a bola para a arquibancada.
Na etapa final, o time paulista voltou mais ligado e teve a chance de abrir o placar aos 4. Jorge Henrique cruzou e Jucilei cabeceou com perigo. No minuto seguinte, Ronaldo rolou para Paulinho bater com perigo.
Aos 10, Ronaldo chutou para boa defesa do goleiro. No minuto seguinte, Chicão aproveitou bate-rebate, mas a bola saiu para fora.
Quando parecia que o gol alvinegro seria questão de tempo, veio o balde de água fria. Aos 20, Santoya recebeu de Chara dentro da área pela esquerda e bateu cruzado para abrir o marcador.
O resultado fez com que Tite mexesse na equipe. Tirou Dentinho para a entrada de Ramírez. No entanto, o peruano foi expulso em sua primeira participação. Em disputa pela bola no meio-campo, ele tentou dar uma cotovelada no adversário e levou vermelho.
Tite, então, trocou Paulinho por Danilo. Mas o Corinthians continuou perdido, com a zaga completamente desorganizada, e levou o segundo aos 32. Wilder Medina apareceu livre na área e marcou de cabeça.
O gol desanimou ainda mais o Corinthians, que não criou mais nada em campo e aguardou o apito do juiz para lamentar a eliminação.
FICHA TÉCNICA
TOLIMA (2)
Antony Silva; Vallejo, Julian Hurtado, Arrechea e Noguera; Chará, Bolívar, Murillo (Piedrahita) e John Hurtado; Castillo (Santoya) e Medina (Closa). Técnico: Hernán Torres
CORINTHIANS (0)
Julio Cesar; Alessandro, Chicão, Leandro Castán e Fábio Santos (Edno); Ralf, Jucilei, Paulinho (Ramírez) e Jorge Henrique; Dentinho (Danilo) e Ronaldo. Técnico: Tite
Gols: Santoya, aos 20, Medina, aos 32 minutos do segundo tempo
Cartões amarelos: Jorge Henrique, Leandro Castán, Jucilei (COR); Murillo, Chará (TOL)
Cartão vermelho: Ramírez (COR)
Local: Manuel Murillo Toro, em Ibagué (COL)
Árbitro: Roberto Silvera (URU)
Auxiliares: Mauricio Espinosa (URU) e Carlos Changala (URU)
Fonte:EBAND
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
VERSOS ÍNTIMOS (Augusto dos Anjos)
Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!
Nota: Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos nasceu no Engenho Pau d'Arco, Paraíba, no dia 20 de abril de 1884. Aprendeu com seu pai, bacharel, as primeiras letras. Fez o curso secundário no Liceu Paraibano, já sendo dado como doentio e nervoso por testemunhos da época. De uma família de proprietários de engenhos, assiste, nos primeiros anos do século XX, à decadência da antiga estrutura latifundiária, substituída pelas grandes usinas. Em 1903, matricula-se na Faculdade de Direito do Recife, formando-se em 1907. Ali teve contato com o trabalho "A Poesia Científica", do professor Martins Junior. Formado em direito, não advogou; vivia de ensinar português. Casou-se, em 04 de julho de 1910, com Ester Fialho. Nesse ano, em conseqüência de desentendimento com o governador, é afastado do cargo de professor do Liceu Paraibano. Muda-se para o Rio de Janeiro e dedica-se ao magistério. Lecionou geografia na Escola Normal, depois Instituto de Educação, e no Ginásio Nacional, depois Colégio Pedro II, sem conseguir ser efetivado como professor. Em 1911, morre prematuramente seu primeiro filho. Em fins de 1913 mudou-se para Leopoldina MG, onde assumiu a direção do grupo escolar e continuou a dar aulas particulares. Seu único livro, "Eu", foi publicado em 1912. Surgido em momento de transição, pouco antes da virada modernista de 1922, é bem representativo do espírito sincrético que prevalecia na época, parnasianismo por alguns aspectos e simbolista por outros. Praticamente ignorado a princípio, quer pelo público, quer pela crítica, esse livro que canta a degenerescência da carne e os limites do humano só alcançou novas edições graças ao empenho de Órris Soares (1884-1964), amigo e biógrafo do autor.
Fonte: http://www.releituras.com
Na escolinha do professor Serra e Alckmin, gordo não pode dar aula: Professoras dizem ter sido vetadas por obesidade
Reprovada por perícia, Lídia de Souza não assumiu cargo
Candidatas a um cargo de professora da rede estadual paulista afirmam que foram impedidas de assumir o trabalho por serem obesas. A Folha recebeu reclamações de cinco docentes de três cidades diferentes da Grande SP, que dizem que seus exames clínicos não tinham alteração e, mesmo assim, foram consideradas "inaptas" pelo Departamento de Perícias Médicas de SP. As professoras participaram do concurso que selecionou 9.304 docentes para dar aulas a partir deste ano.
Elas foram aprovadas em uma prova, participaram de um curso de formação e passaram em uma segunda prova. No começo deste ano, foram submetidas à perícia. Na semana passada, ouviram dos diretores de escolas onde dariam aula que foram reprovadas no exame.
Elas afirmam que ainda não tiveram acesso ao laudo e que não foram informadas oficialmente do motivo da reprovação. Entraram com recurso e com um pedido de vistas do resultado.
Duas dizem que ouviram dos médicos, no dia da consulta, que provavelmente não seriam aprovadas pela perícia em razão do peso.
Elas têm de 90 kg a 114 kg e duas delas são obesas mórbidas, com IMC (Índice de Massa Corporal) acima de 40.
"O endocrinologista disse que eu não passaria porque estou obesa. Mas meus exames de colesterol, diabetes, eletrocardiograma estão todos bons", afirma Lídia Canuto de Souza, 30, professora de matemática da rede há três anos, como não efetiva. "Ouvi do médico que eu estava deformando meu corpo e que teria problemas de saúde no futuro. Não tinha uma alteração nos 15 exames que fiz", diz Andréia Pereira, 36, professora de artes.
Uma sexta professora obesa, que ainda não sabe se é considerada apta, diz ter ouvido o mesmo do médico.
Entre os casos ouvidos pela Folha, há o de uma professora de inglês que é concursada na rede há 12 anos. No novo concurso, buscava a possibilidade de dar aulas de português. "Nunca peguei licença por causa do peso, nunca tive problema de saúde", afirma Fátima Fernandes, 41, que diz que já era obesa.
A Secretaria de Gestão Pública, responsável pela perícia, não comentou caso a caso. Disse que "há casos em que a obesidade pode ser considerada doença, segundo os padrões da OMS [Organização Mundial da Saúde]".
A OAB-SP e advogados ouvidos pela Folha afirmam que a exclusão de um candidato por obesidade é considerada discriminação e fere a Constituição Federal.Endocrinologistas afirmaram que a obesidade não é fator de inaptidão para a função de professor.
"Há um preconceito contra o obeso. Isso não é motivo para ele ser excluído da seleção", diz Marcio Mancine, presidente do departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Na Folha
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
KUSSONDULOLA LEGALIZEM A BULA
O MELHOR DO REGGAE ANGOLANO.
Quem já o conhece curta novamente, quem não, é um prazer apresenta-lo.
Postagem dedicada a Gilberto Gil e Fernando Henrique Cardoso.
Os primeiros 30 dias.
Por Marcos Coimbra.
Faz sentido avaliar o primeiro mês de um governo? É possível tirar alguma conclusão de apenas 30 dias de trabalho?
Pela nossa experiência, esse começo pode ou não ser relevante. Às vezes, nele já são perceptíveis as principais características que o governo terá. Em outras, as coisas mudam tanto pelo caminho que ninguém nem se lembra do início.
O balanço deste começo de governo Dilma é claramente positivo. Ela confirma o que se esperava que faria de bom e surpreende de maneira sempre favorável. Até seus desafetos ficam com dificuldade de criticá-la.
Todos tinham a expectativa de que seu governo fosse de continuidade, mesmo quem não a desejava. Havia sido esse o compromisso que ela e Lula assumiram antes e durante a campanha, e não honrá-lo depois da eleição seria uma quebra de palavra.
A permanência de vários ministros e a ausência de anúncios bombásticos de novas políticas nunca foram problemas para a presidenta e seu governo. Apesar da incompreensão de parte de nossa “grande imprensa”, era isso que a opinião pública esperava que fizesse. Surpresa seria se ela se recusasse a continuar a trabalhar com seus antigos colegas de ministério e se achasse que era preciso começar do zero nas políticas de governo (algo que nem Serra faria se tivesse ganho).
Mas Dilma está dando à ideia de continuidade um conteúdo inesperado. Tudo que fez até agora mostra que, mantendo seu espírito, ela vai além da continuidade mecânica, em que as coisas ficam congeladas, imutáveis. Como se não pudessem ser melhoradas.
Veja-se o caso da educação, que andou na berlinda nas últimas semanas, em função das confusões do SiSU. Aparentemente, nela teríamos uma continuidade ortodoxa, pois permaneceu o ministro e foi mantida a política.
Mas o que vemos é que Dilma está fazendo, na educação, uma continuidade que se poderia chamar crítica. O ministro lá está, a política não mudou, mas, ao mesmo tempo, muita coisa ficou diferente.
Os problemas do SiSU não foram maiores que outros parecidos, na educação ou em outras áreas. Mas é possível que o MEC nunca tenha sido tão cobrado quanto neste mês de janeiro. A razão é que, no Planalto, estava alguém que não se satisfez com a explicação de que o ocorrido era “normal”.
Esse tipo de continuidade tem alguns pré-requisitos. Em primeiro lugar, exige uma instância acima dos ministros capaz de acompanhar o que cada um faz, em base cotidiana. Em segundo, que esteja disposta a intervir celeremente, antes que os problemas aumentem. Em terceiro, que tenha autoridade e energia para consertar equívocos e demitir responsáveis.
Tudo isso aconteceu no MEC em apenas 30 dias, prazo no qual, no passado recente, nada teria acontecido, pois todos (presidente, ministro e equipe) estariam ainda “tomando pé das coisas”. Ninguém cobraria de ninguém o que Dilma cobrou de Fernando Haddad e do ex-presidente do Inep (defenestrado por causa das antigas trapalhadas no Enem e das novas no SiSU0.
No episódio, temos o lado bom da continuidade (pois o fato do ministro ter permanecido tornou mais fácil a solução) e um estilo próprio de levá-la a cabo. Dilma continua com parte da equipe e o estoque de programas que herdou de Lula, aprovados pela quase unanimidade do país. Mas os dirige à sua maneira, corrigindo rumos e trocando pessoas sempre que achar necessário (e vai achar mesmo, pois se mantém informada sobre aquilo que o governo faz).
Há quem se queixe de que Dilma está “confinada” no Planalto, que só se preocupa com reuniões internas, relatórios e em sabatinar auxiliares. Que é “séria demais” e que dá pouca atenção à imprensa e ao lado festivo da Presidência.
Nada disso é problema para a opinião pública. Quem votou nela não a imaginava igual a Lula no comportamento pessoal. Quem não, apenas quer que ela trabalhe.
São apenas 30 dias, mas marcaram um bom começo.
Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi.
Do Blog Amigos da Presidente Dilma - por Helena.
Do Blog Amigos da Presidente Dilma - por Helena.
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