Por Renato Aroeira
quinta-feira, 14 de setembro de 2017
Temer e cúpula do PMDB são denunciados
Na mesma peça, Janot pediu a rescisão do acordo com os
executivos da J&F, Joesley Batista e Ricardo Saud. Temer já pediu a
suspensão da denúncia.
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou a
segunda denúncia contra Michel Temer e sua cúpula de governo, incluindo dois
ministros, dois ex-ministros, dois ex-deputados, um empresário e um executivo.
Janot sustenta que todos os políticos denunciados do PMDB arrecadaram mais de
R$ 587 milhões em propina.
Além de Temer, é acusado pela PGR o ministro da Casa Civil,
Eliseu Padilha, o ministro da Secretaria-Geral, Moreira Franco, o ex-ministro
Geddel Vieira Lima, o ex-deputado e ex-asseddor de Temer, Rodrigo Rocha Loures,
e os ex-deputados Eduardo Cunha e Henrique Alves. Eles são acusados de obstruir
a Justiça e formar parte de uma organização criminosa.
Na mesma peça, Janot denuncia o dono da JBS, Joesley Batista,
e o executivo da J&F, Ricardo Saud, ambos delatores da Operação Lava Jato,
que também tiveram seus acordos coma Procuradoria-Geral rescindidos. Ambos são
denunciados apenas por obstrução à Justiça.
Por entender que houve descumprimento dos termos do acordo
de delação por terem omitido informações, Joesley e Saud tiveram seus acordos
rescindidos a pedido de Janot. Entretanto, a decisão compete ao ministro
relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin.
Temer é apontado como o líder da organização criminosa junto
ao núcleo político do PMDB para cometer crimes contra empresas e órgãos
públicos. Entre as empresas listadas que teriam movimentado mais de R$ 500
milhões aos políticos estão a Petrobras, a Furnas, a Caixa Econômica Federal,
além do Ministério da Integração Nacional, Agricultura, da Secretaria de
Aviação Civil e da Câmara dos Deputados.
"O esquema desenvolvido no âmbito desses órgãos
permitiu que os ora denunciados recebessem, a título de propina, pelo menos R$
587.101.098,481. Além disso, os crimes praticados pela organização geraram
prejuízo também aos cofres públicos", entendeu Janot.
Para o procurador-geral, são "diversos elementos de
prova" que apontam Temer com o "papel central" nesta
organização. Para ele, foi Michel Temer que, "ao entrar na base do governo
Lula, mapeou, de pronto, as oportunidades na Petrobras".
Ao lado do atual presidente da República, Alves e Cunha eram
os principais articuladores para a obtenção de espaços para o grupo político
junto ao governo do ex-presidente, seguindo a influência que detinham sobre a
bancada do PMDB na Câmara, "instrumentalizando-a para criar as condições
necessárias ao bom posicionamento da organização criminosa".
Além deste crime, o procurador aponta a obstrução: segundo o
PGR, o "temor" fez com que os peemedebistas criassem "vários
planos e ações para obstrução" da Operação Lava Jato, incluindo a
"cooptação e tentativa de cooptação de membros do Poder Judiciário".
"Ao denunciado Michel Temer imputa-se também o crime de
embaraço às investigações relativas ao crime de organização criminosa, em
concurso com Joesley Batista e Ricardo Saud, por ter o atual presidente da
República instigado os empresários a pagarem vantagens indevidas Lúcio Funaro
[apontado como operador financeiro de políticos do PMDB] e Eduardo Cunha, com a
finalidade de impedir estes últimos de firmarem acordo de colaboração",
indica.
Por se tratar de presidente da República, a decisão de um
processo contra Michel Temer depende de aprovação da Câmara dos Deputados. A
defesa do mandatário pediu a suspensão da denúncia até a conclusão da
investigações sobre o acordo com os executivos da J&F.
Respostas
Em resposta, o mandatário disse que "o procurador-geral
da República continua sua marcha irresponsável para encobrir suas próprias
falhas. Ignora deliberadamente as graves suspeitas que fragilizam as delações
sobre as quais se baseou para formular a segunda denúncia contra o presidente
da República".
"A denúncia contra o ministro Eliseu Padilha está
amparada em delatores que, sem compromisso com a verdade, contaram as histórias
que pudessem lhes dar vantagens pessoais ante o Ministério Público", disse
em nota Eliseu Padilha.
Moreira Franco defendeu que "essa denúncia foi
construída com a ajuda de delatores mentirosos, que negociam benefícios e
privilégios. Responderei de forma conclusiva quando tiver conhecimento do
processo".
"Registra, desde já, o evidente excesso nas denúncias
formuladas, eis que Geddel Vieira Lima é duplamente acusado pela alegada e
jamais comprovada prática de uma única conduta", respondeu em nota o
ex-ministro de Temer.
Rodrigo Rocha Loures disse que "não participou de
nenhum acordo de pagamento ou recebimento de propinas atribuído ao PMDB da
Câmara. Rodrigo era apenas um assessor pessoal do Presidente e não tinha
nenhuma intervenção em atividades financeiras, ao contrário da recente denúncia
contra o PMDB da Câmara."
"Sobre a nova denúncia oferecida pela PGR, a defesa de
Eduardo Cunha tem a dizer que provará no processo o absurdo das acusações
postas, as quais se sustentam basicamente nas palavras de um reincidente em
delações que, diferentemente dele, se propôs a falar tudo o que o Ministério
Público queria ouvir para fechar o acordo de colaboração", disse Eduardo
Cunha.
"É lamentável a tentativa de criminalizar a atividade
política a partir de suposições baseadas em fragmentos de indícios relacionados
a atividades lícitas", afirmou o advogado de Henrique Alves, Marcelo Leal.
terça-feira, 12 de setembro de 2017
Morre Dirceu Mazzotty ex prefeito de Marilena
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| Dirceu Mazzotty na atualidade, foto do acervo pessoal de Jenner Mazzotty |
A política da comarca está de luto, faleceu Dirceu Mazzotty, o quarto prefeito a administrar o município de Marilena, antes de Dirceu Mazzotty, Marilena foi administrada respectivamente por Ernesto Mazzotty, Manoel Barbosa e na terceira gestão novamente Ernesto Mazzotty. *Dirceu Mazzotty foi eleito prefeito de Marilena no dia 15 de Novembro de 1982 com 1624 votos, a época Marilena tinha 3892 eleitores, Dirceu Mazzotty tomou posse em 01 de Fevereiro de 1983 e administrou Marilena até 31 de Dezembro de 1988. (*Fonte - TRE).
Atualmente Dirceu Mazzotty estava morando em Sinop Mato Grosso e por decisão da família lá será o sepultamento.
Minha consideração:
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| Dirceu Mazzotty quando prefeito de Marilena Foto de Jenner Mazzotty. |
Sempre gostei de politica, desde a mais terna idade, quanto
ao tempo de criança, minha memória é fiel, Dirceu Mazzotty foi minha primeira
referência na política, apesar de não votar quando se é criança, seu
Dirceu foi o primeiro político por quem torci com o mesmo entusiasmo que tenho
quando escolho a quem apoiar, sem dúvida foi por influência de meu saudoso pai,
que na ocasião em que este senhor foi candidato a prefeito de Marilena, foi
exatamente em Dirceu Mazzotty que meu pai confiou seu voto... Seu Dirceu foi o
eleito naquela ocasião, o que me entusiasmou a gostar ainda mais de pleitos
eleitorais... Cumpriu-se para ele a lei natural do existir, a morte, página de
capa dura da vida, de difícil aceitação e que muito abala aos parentes e amigos
que ficam por aqui, porém, a morte é a única certeza incontestável, não há
muito o que dizer, a não ser lamentar pela perda... Muita força aos filhos Jane
Mazzotty, Jenner Mazzotty e a todos os familiares... Vá em paz seu Dirceu.
Há vagas - Unespar abre teste seletivo para professores colaboradores
Os aprovados atenderão aos campi de Apucarana, Curitiba I (Embap), Curitiba II (FAP), Paranaguá, Paranavaí e União da Vitória. Os salários variam conforme a carga horária e formação dos candidatos podendo chegar até a R$ 8.208,58.
A Universidade Estadual do Paraná (Unespar) vai contratar
dez professores para atuarem como colaboradores da instituição. Para isso,
abriu o período de inscrição do processo para a seleção dos profissionais.
Os candidatos devem inscrever-se até 22 de setembro
exclusivamente pelo site www.unespar.edu.br/concursos. Clique Aqui. A taxa de inscrição é R$
100 e os casos de isenção podem ser solicitados até 13 de setembro.
A Pró-reitoria de Gestão de Pessoas (Progesp) informa que o
objetivo é preencher as vagas abertas para atender as demandas dos cursos e garantir
que os estudantes não fiquem com as aulas comprometidas.
As vagas em oferta estão divididas entre as áreas de Serviço
Social, Libras, Clarineta, Matemática e Letras (Língua Portuguesa e Língua
Espanhola).
Os inscritos terão que fazer a prova escrita no dia 16 de
outubro, às 8h30, com duração de quatro horas. Depois ainda passam pelas provas
didática e de títulos. O resultado final será publicado a partir de 27 de
outubro.
Os aprovados atenderão aos campi de Apucarana, Curitiba I
(Embap), Curitiba II (FAP), Paranaguá, Paranavaí e União da Vitória. Os
salários variam conforme a carga horária e formação dos candidatos podendo
chegar até a R$ 8.208,58.
De acordo com a Comissão Permanente de Processo Seletivo
(CPPS), informações sobre os conteúdos exigidos e funcionamento das provas
devem ser consultadas no Edital 010/2017 no próprio site do concurso.
Todo contato referente ao processo deve ocorrer apenas pelo
e-mail cpps@unespar.edu.br.
Via - Diário do Noroeste
domingo, 10 de setembro de 2017
'Bombardeamos tudo que se movia': os ataques que ajudam a explicar o rancor histórico da Coreia do Norte com os EUA
Da BBC Mundo
"Tudo que se movia." Com essas palavras, o
ex-secretário de Estado americano Dean Rusk definiu os alvos das bombas
lançadas sobre a Coreia do Norte durante a Guerra da Coreia (1950-1953), uma
missão batizada pelo Pentágono de Operação Estrangular.
Segundo historiadores, foram três anos de ataques aéreos
contínuos e indiscriminados, que arrasaram cidades e vilarejos da república
comunista e mataram dezenas de milhares de civis.
James Person, especialista em política e história coreanas
do centro de estudos Wilson Center, em Washington, diz que essa parte da
história dos Estados Unidos não é muito divulgada no país. "Como ocorreu
entre a Segunda Guerra Mundial e a tragédia do Vietnã, a maioria do público
americano não sabe muito sobre a Guerra da Coreia."
Mas, na Coreia do Norte, nunca se esqueceram dela - e essas
lembranças continuam a ser uma das razões do rancor que impera ali contra os
Estados Unidos e o mundo capitalista. Desde então, Pyongyang sempre viu os
americanos como uma ameaça, uma rivalidade que está na raiz da tensão que
existe na região, agora em seu auge.
Mas como foi esse capítulo não resolvido da história da
península coreana?
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Só a intervenção chinesa foi capaz de frear o avanço das
tropas dos Estados Unidos e da ONU.
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No ano de 1950, tropas americanas, apoiadas por uma coalizão internacional, tentavam rechaçar uma invasão na Coreia do Sul. Kim Il-sung, avô do atual líder da Coreia do Norte, havia lançado seus homens contra o país vizinho após uma forte repressão de simpatizantes do comunismo pelo regime militar comandado por Syngman Rhee em Seul.
Apoiado por Stalin, em Moscou, Il-sung deu início ao
primeiro grande conflito da Guerra Fria. Na primeira fase de hostilidades, o
enorme poder aéreo americano havia se limitado a atingir alvos estratégicos,
como bases militares e centros industriais, mas um fator inesperado mudou tudo.
Pouco depois do início da guerra, a China, temendo o avanço
dos Estados Unidos rumo às suas fronteiras, decidiu sair em defesa da Coreia do
Norte, sua aliada. Os soldados americanos começaram a sofrer cada vez mais baixas
por conta dos ataques das Forças Armadas chinesas, que não eram tão bem
equipadas quanto as dos Estados Unidos, mas muito mais numerosas.
"Para o comando americano, era vital interromper os
suprimentos enviados por chineses e soviéticos que permitiam a Coreia do Norte
manter seus esforços bélicos", explica Person.
Foi então que o general Douglas MacArthur, herói da Segunda
Guerra Mundial no Pacífico, decidiu dar início a sua "tática de terra
arrasada".
Foi o marco do início da guerra total contra a Coreia do
Norte. A partir desse momento, todas as cidades e vilarejos passaram a receber
a visita diária dos bombardeiros americanos B-29 e B-52 e sua carga mortal de
napalm, nome dado a um conjunto de líquidos inflamáveis.
Ainda que MacArthur tenha caído em desgraça pouco depois,
sua estratégia continuou a ser aplicada. Segundo Taewoo Kim, professor de
Humanidades da Universidade Nacional de Seul, todas as cidades e vilarejos da
Coreia do Norte foram reduzidos as escombros.
O general Curtis LeMay, chefe do Comando Aéreo Estratégico
durante o conflito, declarou muito anos depois: "Aniquilamos cerca de 20%
da população".
Cálculos assim levaram o jornalista e escritor Blaine
Harden, autor de várias obras sobre a Coreia do Norte, a qualificar como
"crime de guerra" a ação militar americana. Person não enxerga assim:
"Aquilo foi uma guerra total em que todas as partes envolvidas cometeram
atrocidades".
As estimativas de pesquisadores dão conta que, nos três anos
de guerra, foram lançadas 635 mil toneladas de bombas contra a Coreia do Norte.
De acordo com Pyongyang, 5 mil escolas, mil hospitais e 600 mil residências
foram destruídos. Um documento soviético redigido pouco antes do cessar-fogo de
1953 fala em 282 mil civis mortos pelos bombardeios.
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As bombas fizeram milhares de civis deixarem suas casas para
se salvar.
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É impossível confirmar esses números, mas ninguém nega a magnitude da devastação. Uma comissão internacional que percorreu a capital norte-coreana após a guerra atestou que não havia restado um único edifício que não tenha sido afetado pelo bombardeios.
Como havia ocorrido com os habitantes de cidades alemãs como
Dresden na ofensiva final dos Aliados contra o Terceiro Reich, os
norte-coreanos viram suas ruas e casas devorados por chamas, ao ponto de a
maioria ter de ir para os minúsculos abrigos subterrâneos improvisados para se
salvar.
Medo nuclear
Enquanto o mundo inteiro estava atento à península coreana,
temendo que os Estados Unidos e a União Soviética acabassem travando uma guerra
nuclear, o então ministro de Relações Exteriores norte-coreano, Pak Hen En,
denunciava na ONU o "bestial extermínio de civis pacíficos pelos
imperialistas americanos".
Seu relato contava que, para garantir que Pyongyang ficasse
sempre cercada por incêndios, os "bárbaros transatlânticos" a
bombardeavam com artefatos de ação retardada que detonavam de forma alternada,
"impossibilitando que as pessoas saíssem de casa".
Infraestruturas essenciais, como barragens, usinas elétricas
e ferrovias, foram sistematicamente atacadas. Taewoo Kim destacou que, "em
todo o país, ficou impossível levar uma vida normal na superfície".
As autoridades comandaram uma mobilização nacional para que
fossem erguidos mercados, acampamentos militares e outras instalações sob a
terra para que o país pudesse funcionar. A Coreia do Norte virou uma nação
subterrânea e em permanente estado de alerta.
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Bombardeios reduziram cidades inteiras a escombros e
deixaram milhares de vítimas.
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Durante a noite, os norte-coreanos recrutados pelo Estado
trabalhavam freneticamente para reparar as vias de comunicação e as usinas
destroçadas pelas explosões durante o dia. O fruto desse trabalho causava
surpresa e frustração no comando americano, que viam alvos de ataques sendo
restaurados em pouco tempo.
Uma vez que o conflito em terra se estabilizou, diante da
incapacidade de ambos os lados de se imporem, a campanha aérea tornou-se uma
luta de desgaste em que os norte-coreanos levaram a pior.
Finalmente, em 1953, após longas negociações, veio o
cessar-fogo. O então presidente americano Harry S. Truman sempre quis evitar
uma escalada do conflito que pudesse levar a um confronto direto com os
soviéticos.
Seu sucessor, Dwight D. Eisenhower, também compreendeu de
partida que o país não poderia manter indefinidamente seus esforços bélicos na
península. A morte do líder soviético Stálin em março daquele ano mudou o clima
político em Moscou, o que facilitou o fim das hostilidades.
A historiadora Kathryn Weathersby, da Universidade da Coreia
em Seul, explica que "sabemos pelos arquivos soviéticos que Stálin
insistia que as duas Coreias e a China continuassem a lutar para que as forças
americanas seguissem ali por ao menos dois ou três anos e, assim, os países do
bloco comunista na Europa continuassem a atuar sem medo de uma
intervenção".
Sem ele, o armistício foi mais fácil. O acordo de paz
definitivo e a reunificação das Coreias seguem pendentes, mas tudo isso
cimentou o mito que continua alimentando a retórica oficial norte-coreana.
Às vezes, os meios de comunicação do regime recordam os
cidadãos da enorme dor infringida pelos aviões estrangeiros. Tanto Kim Il-sung
como seus sucessores Kim Jong-il e Kim Jong-un se apresentam como
representantes da heróica resistência que livrou a nação de sucumbir à
"agressão" estrangeira.
De alguma maneira, o legado da guerra funciona como
combustível ideológico para o regime dos Kim. Também é uma das razões que
explicam sua insistência em desenvolver um arsenal nuclear, apesar das
constantes críticas internacionais. "Eles decidiram usar a história para
justificar a opressão do povo e a miséria", diz Person.
De acordo com especialistas, em seu afã propagandístico, as
autoridades de Pyongyang não têm dúvidas em deformar o passado já
suficientemente brutal.
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Os americanos também recorreram à propaganda para justificar
seu papel no conflito.
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Para ela, uma divisão da península nunca resolvida
definitivamente e o potente poderio militar que o Pentágono mantém na Coreia do
Sul e no Japão explicam por que a Coreia do Norte segue ainda sob uma espécie
de estado de exceção permanente.
E explicam também, como destacou recentemente em um artigo
da BBC o analista Justin Bronk, o fato de suprimentos e munição do exército
serem guardados próximos da fronteira sul, em silos sob a terra, para fazer
frente a uma hipotética invasão.
A guerra e o fogo que choviam do céu fizeram da Coreia do
Norte um Estado-bunker. Mais de 70 anos depois, isso não mudou.
sábado, 9 de setembro de 2017
ARIANE SILVA – A BELA DA SEMANA
Beleza sem igual, sua formosura supera dizeres, ela, autêntica musa a ter para si a nossa atenção, a atenção daqueles que se sentem seduzidos por um encanto proveniente dela, ela, sonho incontestável de muitos, porém, privilégio único daquele afortunado que ela julgar merecedor de seus fascinantes adjetivos. Tê-la neste rol de desejáveis, nos é uma honra, a honra de poder propagar sua condição de criatura suprema.
Sim, uma vez mulher, à ela é
concedida a supremacia, majestade mulher de infindos encantos, não há noutras a
beleza que provém dela, insuperável dama de indizíveis caprichos, ela,
escultura ímpar que contemplada nos favorece, fitá-la é o mesmo que termos
acariciadas nossas retinas.
Ariane Silva por direito, compõe
o rol das imortais beldades que nesta página recebem o culto de tantos súditos
que fatalmente rendem-se pela formosura escultural de uma mulher, mulher esta
que tem a beleza daquelas sumidades que deixam menores as atenienses, Ariane
Silva autoridade, ícone e exemplo daquelas que se tornam referência.
Que seja cultuada, pois, a
majestade feminina, que seja exaltada sua magnificência, magnificência
externada em Ariane, que seja reverenciada aquela que ao ser mulher já se faz
suprema, mas, sobretudo, em virtude de ser bela e morena, que seja enaltecida
sua condição superior.
E assim seguimos, colocando em evidência
a beleza destas mulheres, cada uma donas de suas virtudes, mostrando aos quatro
cantos do mundo que de onde estamos podemos provar que a beleza de Deusas
alheias ao nosso meio, não torna menor a formosura destas do nosso convívio.
Aqui está Ariane Silva, assegurando que este pedaço de chão é um recanto de
belas...
Desta forma, somos cativos aos
fascínios contidos na magnificência de seres que nasceram para fazer diferença,
assim sendo, Ariane nos cativa, ela compõe aquele grupo seleto que foge a regra
do que é comum e tornam-se donas de nossa admiração.
Apreciemos, pois, a flor morena
de encantos infindos, que sua beleza seja reconhecida, que as delícias cabidas
às Deusas, assistam esta que tem em si a deidade das belas. À ela nosso
respeito além da gratidão pela honra que nos concede em estar neste pedestal de
únicas.
Sendo assim, que a beleza desta
beldade, seja propagada em benefício de todos os olhos carentes do efeito
causado por uma bela mulher.
Para isto ela existe, para poder
fazer-nos súditos da realeza das musas... Um toque de classe se faz presente
nesta página, somos grandemente gratos, Ariane Silva é a Bela da Semana.
*ARIANE DA SILVA – Marilena/PR – Filha de Maria Nilda Diniz e José Pedro da Silva
*ARIANE DA SILVA – Marilena/PR – Filha de Maria Nilda Diniz e José Pedro da Silva
Ariane cursa Nutrição na UNINGÁ.
quarta-feira, 6 de setembro de 2017
A vida dos norte-coreanos que os meios de comunicação não mostram
Consultor Internacional visitou recentemente o país e
desconstrói imagem produzida pela mídia.
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"Pudessem, os coreanos prefeririam investir os escassos
recursos do país em setores produtivos", afirma Ferreira. / Rafael Stedile.
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Muito se ouve falar e pouco se conhece sobre a Coreia do
Norte. O país é constantemente apresentado pela maior parte dos meios de
comunicação no Brasil enquanto uma ditadura belicista sob o comando de Kim
Jong-Un, a quem costumam caçoar por conta de seus penteados e vestimentas, e
supostamente responsável por manter um povo faminto e oprimido.
No entanto, o relato realizado ao Brasil de Fato pelo
consultor em Relações Internacionais, Rodrigo Ferreira, retrata uma outra
realidade pouco conhecida pelos brasileiros do povo norte-coreano. Ferreira
esteve no país no final de julho junto a uma delegação da Via Campesina
(organização que aglutina um conjunto de movimentos populares do campo) e
apresenta suas impressões sobre um país extremamente estigmatizado pelos meios
de comunicação. Confira:
Você esteve numa delegação em recente visita à República
Democrática Popular da Coreia. Qual foi o objetivo de sua visita?
Fomos a convite da Embaixada da Coreia em Brasília, em
articulação com o Ministério do Comércio da Coreia e com a Associação Coreana
de Ciências Sociais. O objetivo era a promoção dos laços comerciais (o Brasil é
o oitavo parceiro comercial da Coreia), sobretudo em tempos de ampliação das
sanções impostas ao país, pelas Nações Unidas, em decorrência do programa de
desenvolvimento e testes dos mísseis balísticos intercontinentais.
Em paralelo, buscamos também uma melhor compreensão da
realidade coreana, independente da visão filtrada pelos grandes meios de
comunicação, com o objetivo de trazer esta realidade à militância brasileira e
latino-americana, por relatos como este e pelas lentes do fotógrafo Rafael
Almeida, que acompanhou a viagem.
No ocidente, todos os dias saem noticias de uma provável
guerra entre a Coreia e os Estados Unidos. Como vocês viram o clima no país,
nas cidades, entre a população em geral? Eles querem guerrear mesmo?
A visão que se tem no ocidente, de um estado beligerante,
principalmente a partir da adoção explícita da política de Songun (priorização
do setor militar) é bastante parcial. Não se comenta, ao menos suficientemente,
que se trata de um território estratégico cobiçado pelos Estados Unidos desde o
fim da Segunda Guerra Mundial, sobretudo pela sua capacidade de fechar o cerco
à China, somando-se a bases já estabelecidas no Japão, Coreia do Sul, Guam,
Taiwan, Singapura, para citar apenas algumas.
Não tivesse a liderança coreana tomado este rumo, é muito
possível que encontrassem a mesma sorte de Hussein e Gadaffi, mencionando
somente exemplos mais recentes de governos que não se submeteram à hegemonia
americana. Em geral, a população vê o Songun e o programa nuclear como única
forma de defesa possível, e não de ataque. Pudessem, prefeririam investir os
escassos recursos do país em setores produtivos, mas não lhes é dada esta opção
quando há dezenas de ogivas estacionadas ao outro lado da fronteira, pronto a
serem disparadas.
Em uma conversa bastante aberta, em um momento de
descontração em um jantar, nos foi dito que o povo coreano deseja a paz e a
reunificação do país, tanto é que abominam a expressão "Coreia do
Norte", pois se consideram uma só Coreia, e que tentou por muitas vezes
construí-la, mas que a revolução surgiu exatamente em razão da liberação do
país, e que todo coreano está disposto a dar a vida para não cair novamente em
subjugação estrangeira, seja do Japão como no passado, ou agora dos Estados
unidos.
Quais foram tuas impressões sobre as condições de vida da
população?
A primeira impressão que se tem ao chegar é a de que o lugar
parou no tempo, em algum momento nos anos 70. Os carros são modernos (em geral
modelos chineses) e há alguns prédios de arquitetura mais recente, mas a
impressão do todo é de certo anacronismo estético. E este é um ponto central da
contrapropaganda, sobretudo na Coreia do Sul, para associá-los a um atraso
econômico.
Vencida esta impressão inicial, no entanto, é importante
notar que há mais dignidade na vida da população, inclusive rural, que na
maioria dos países, inclusive economias centrais, hoje em crise. As cidades são
limpas e o coisa pública é muito bem cuidada; com todas as limitações de
recursos, os serviços básicos são gratuitos e de acesso universal; e até mesmo
o problema urbano mais comum, acesso a moradia, é inexistente. Ao casar, todos
recebem do governo uma residência que pode não ser luxuosa, mas é sem dúvida
digna.
É preciso que se diga, boa parte da visitação, e isso ficou
bastante claro, foi a hospitais modelo, escolas modelo, orfanatos modelo, que
certamente ilustram onde a Coreia gostaria de chegar, mas não é a realidade de
todo o país. Em dado momento, no entanto, pedimos para parar o carro em uma
pequena comunidade rural, à nossa escolha, a cerca de 200 km de Pyongyang, e
não há dúvidas de que o que vimos estava bem além das condições de moradia em
nosso meio rural não organizado e na quase totalidade da periferia de nossas
cidades.
Pudemos constatar que não há, diferentemente do que se prega
na contrapropaganda ocidental, um problema grave estrutural de fome e
desabastecimento. Se houve logo após do desmembramento soviético ou em
decorrência de grandes cheias no meado dos anos 90, hoje estes problemas
parecem estar superados, ao menos nas regiões visitadas.
Quais são os principais problemas que eles enfrentam, e qual
é a aspiração da maioria da população?
O maior problema é que a autorresiliência, em um mundo
globalizado, é quase impossível. Gostariam muito de não ser ameaçados, de
reunificar o país por meio de um processo de paz, mas todas as vezes em que se
avançou nesse sentido o processo foi sabotado pelos Estados Unidos. Não apenas
isso, as sanções impostas ao país, em resposta à única alternativa que lhes é
dada de resguardo à soberania nacional, são sanções desumanas. Não levam em
consideração a crise humanitária que causam. Não há distinção, por exemplo, se
determinada limitação a importação de ferro se refere a ligas para a fabricação
de mísseis ou do conteúdo de um medicamento ou equipamento hospitalar. Isso é
cruel, pois atinge diretamente a população civil apenas.
Ainda, o país tem grandes desafios em passar sua opinião ao
ocidente e contrapor acusações genéricas de violações a direitos humanos. Não
importa quantos vídeos de tortura aparecerem ou quantas denuncias surgirem de
prisões ilegais, inclusive de menores, praticadas no ocidente, a mídia
ocidental sempre dará mais destaques a denúncias contra países como a Coreia do
Norte, ainda quando desacompanhada de evidências. Vencer este tipo de ataque
ideológico é um grande desafio ao país.
Aqui no ocidente sempre se coloca como folclore o
comportamento do presidente da Coreia e também se diz que o povo tem verdadeira
adoração pelos seus dirigentes. Como você explica ou viu esse fenômeno?
A relação entre o povo e seu representante é bem diferente
da nossa, nas democracias ocidentais. A adoração à liderança não é nem uma
particularidade de governos de esquerda, ou da Coreia, como faz pensar a propaganda ocidental, nem
do oriente. Ainda que se encontra no
Oriente vários outros exemplos de verdadeira adoração às autoridades imperiais,
como no próprio Japão, na Tailândia, etc. No ocidente, o nazismo é outro
exemplo disso. Mas o culto à imagem, sobretudo de líderes em vida, toma sem
dúvida proporções ainda maiores em sociedades de base confucionista, onde há
uma personificação do Estado, na figura de seu líder. A relação entre
governantes e governados é uma das cinco relações principais do confucionismo.
Enquanto a revolução burguesa representou também uma insurreição contra a
figura do monarca absolutista no ocidente, o Juche não só é uma ideologia de
autoria atribuída individualmente à liderança, como prega abertamente a
confusão entre Estado, Partido e Líder.
A expressão mais clara, talvez, seja o exagerado número de
estátuas, fotos e nos broches que todos carregam ao peito. Há um uma adoração à
imagem que talvez não encontre paralelo em outra lugar ou tempo. Um tema
interessante de debate é a contradição disso com a construção do material pelo
coletivo, no marxismo.
Você acha que a
população quer a reunificação com o sul? Por quê?
A paz e a reunificação, como dito, foi sempre um sonho
coreano. Em um resumo rápido sobre o processo histórico, a primeira
iniciativa se deu a partir do norte, em 4 de julho e 1972, quando se assinou o
programa de Paz, Independência e Reunificação. Para o norte, o término do
conflito estaria condicionado a estes três fatores, o que a pressão americana
sobre o governo no sul nunca permitiu que fosse possível. Veja, a questão
independência propunha inclusive o respeito à diferença entre os dois regimes,
em um projeto de reunificação aos moldes do modelo adotado posteriormente pela
China, na reanexação de Hong Kong, de ˜um país, dois sistemas.
Em 15 de julho de 2000, houve o primeiro encontro
pós-guerra dos dois chefes de Estado, na Zona Desmilitarizada em Panmunjom,
inclusive com a criação de um parque industrial conjunto (hoje desativado) e,
em 4 de dezembro de 2007, a primeira visita de um presidente do sul a
Pyongyang. Ocorre, a cada tentativa histórica de reaproximação, há sempre
uma intervenção americana massiva no processo eleitoral para impor um governo
nacionalista e conservador ao sul que boicotasse o processo.
Vale lembrar, não só a presença militar americana na Coreia
do Sul com mais de 300 mil soldados, já
seria motivo suficiente para a gravidade da situação geopolítica. Mas também
entre no jogo a disputa com outras potências como a China e a Rússia.
Você poderia destacar algum fato pitoresco que lhe chamou
atenção na sua visita, e que possa interessar a militância do Brasil e da
América Latina?
Há muitos. O sistema de tomadas de decisões coletivas por
voto e até a palavra voto eram desconhecidos de uma representante do governo
responsável por nossos cuidados. Em outra ocasião, ao perguntá-la o que ouvia
ao fone de ouvido, mencionou que era uma música relacionada ao amor materno.
Ficamos admirados, depois de tantos dias de viagem, onde todas as referências
artísticas eram relacionadas à doutrinação, eis que ela emenda: “…amor de mãe,
ou seja, o Partido.”
Aliás, essa onipresença da propaganda e construção
ideológica é algo que impressiona. É difícil criticá-los quando o mundo
ocidental desenvolveu formas tão sofisticadas de dominação cultural, mas ao
mesmo tempo me questiono qual seria a opinião de Paulo Freire sobre ilustrações
infantis de tanques e ogivas nucleares em jardim de infância.
Um ponto importante à nossa militância, a política
isolacionista fez com que a mentalidade em relação a determinados assuntos
seja comparável à nossa média nos anos 50/60. Isso se percebe sobretudo na
defesa de interesses de minorias, como é o caso de assuntos relacionados a
questões de gênero. Ao tratar de feminismo ou homossexualismo, por exemplo,
não há muita diferença entre conversar com um coreano ou um conservador
brasileiro.
Se por um lado houve grandes avanços em freiar
individualismos e restabelecer o coletivo perdido com a revolução burguesa,
isso se deu ao preço de absolutamente se ignorar os direitos das minorias e
não a partir da construção de uma "unidade na diversidade",
utilizando de um termo de nosso querido Houtart. Não houve, sequer
minimamente, uma preocupação em superar o caráter extremamente patriarcal da
sociedade coreana.
A Coreia já participou da Copa do Mundo de futebol no Brasil
e parece que estão bem na classificação do grupo da Ásia. O futebol é também
muito popular por lá? Eles ficaram perguntando de nosso futebol brasileiro?
Durante a nossa estada, a Coreia acabou se classificando
para a Copa Asiática Sub-23, após ganhar contra Hong Kong, Taiwan e Laos. O
futebol é o segundo esporte mais admirado no país, perdendo apenas para o
vôlei. Há um campeonato nacional e escolas de ensino primário e secundário que,
ao mesmo tempo, são preparatórias de jogadores, e pudemos visitar uma delas. A
relação entre o esporte e o espectador, no entanto, parece diferente da nossa.
No campeonato Sub-23, por exemplo, toda a torcida era de jovens universitários,
saídos há poucos minutos de suas classes. Nos pareceu mais uma forma de
promoção da identidade nacional e do patriotismo que uma relação expontânea com
a torcida.
A admiração pelo futebol brasileiro é uma unanimidade. Há,
no entanto, menos programas de intercâmbio com clubes brasileiros do que com
europeus, o que eles gostariam de melhorar.
Edição: Luiz Felipe Albuquerque
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