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quarta-feira, 13 de junho de 2018

"Trabalho infantil é uma chaga no país", diz especialista


Neste 12 de junho, Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil, o Brasil não tem muito para comemorar. De acordo com a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), em 2015, havia 2,7 milhões de crianças e adolescentes trabalhando irregularmente e, diariamente, pelo menos sete delas são vítimas de acidentes graves no trabalho. O cenário é desalentador e deve se agravar ainda mais com o corte de investimentos em educação e o aumento do desemprego.

Agência Brasil
Por Verônica Lugarini

Segundo o último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da PNAD, em 2015 o Brasil tinha 2,7 milhões de crianças e adolescentes trabalhando irregularmente. E, dessas crianças que trabalham, sete delas são vítimas de acidentes graves de trabalho.

Além disso, o Brasil não cumpriu o objetivo de eliminar as piores formas de trabalho infantil até 2016 e agora tem até 2025 para erradicá-las. Mas, um relatório elaborado pelo Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI) e pelo Ministério Público do Trabalho – divulgado no final do ano passado – aponta que o país dificilmente cumprirá o objetivo, devido aos cortes do governo de recursos para as áreas sociais.

Em entrevista ao Portal Vermelho, a advogada trabalhista e professora de direito trabalhista da PUC-SP Fabíola Marques seguiu a mesma linha e afirmou que o cenário é pessimista e que é essencial investir em educação para tentar diminuir o número de crianças que trabalham irregularmente no país.

“Vejo esse cenário com muita tristeza porque o trabalho infantil é uma chaga no país. Não adianta mexer nas legislações se você não investir na educação das crianças. Afinal, se elas não vão para a escola, elas não têm condições de ter bons trabalhos no futuro. Ou seja, sem educação não teremos futuros cidadãos. É só prejuizo”, disse.

Perspectiva

A conjuntura política e a austeridade econômica que vêm sendo praticadas no país devem piorar os números do trabalho infantil. Fatores como alto desemprego (13,1% no 1º trimestre de 2018), a reforma trabalhista e o congelamento dos investimentos públicos até 2036 impactam principalmente as famílias que estão em situação de vulnerabilidade social. A pobreza e a falta da educação são algumas das principais causas para o trabalho infantil.

Ainda segundo Fabíola Marques, frequentemente os pais que ficam desempregados ou que têm queda na renda precisam da ajuda das crianças para garantir a sua subsistência. O que, consequentemente, faz com que a criança precise trabalhar e não tenha tempo para estudar.

Tudo isso, aponta a professora, leva a um círculo vicioso onde não há emprego para os pais e não há educação para as crianças, aumentando assim o trabalho infantil e a pobreza.

“Precisamos de salários melhores e de mais investimento em educação para que tenhamos um país seguro e com crianças que tenham algum futuro pela frente”, finalizou.

terça-feira, 12 de junho de 2018

Te deixo partir


Às vezes só precisamos acreditar em nós mesmos, e não se deixar levar pelas pessoas. Talvez seja o medo da solidão ou a busca desenfreada da paixão que nos força a entrar em caminhos escuros, talvez nossas feridas passadas, os pedaços caídos do nosso coração não nos deixe seguir... A cada dia que se passa nós morremos um pouco por dentro, é um vazio inexplicável, tentamos amenizar isso buscando algumas formas para fugir, e mais uma vez o destino nos da um leve tapa na cara e voltamos a estaca zero, caímos no chão meio sem rumo, sem forças sem vontade até de sentir.

Quero te pedir perdão por desistir de nós quando na verdade eu poderia estar realizando nossos sonhos e nesse exato momento você estava lutando por nós, perdão por acreditar nas más línguas, aquelas infelizes que só olham para si, que não conseguem ver a felicidade dos outros sem sentir inveja, perdão por eu ser tão fraca a ponto de deixar de lado aquele frio na barriga que a tua presença me causava perdão por olhar fundo nos seus olhos, tocar no mais intimo do teu coração e depois partir com uma explicação sem sentido, perdão também por te decepcionar. Infelizmente a saudade e o arrependimento não trazem ninguém de volta, e sinto como se eu tivesse te perdido uma vez pra sempre e como todo ser humano, acabei falhando mais uma vez.

Antes de partir gostaria de fazer um pedido...  Não se torture tanto, não se oprima, não sofra, não pare de viver, você não merece isso, muito pelo contrario. Você merece um amor que não te prenda! Do que adianta ser um belo pássaro e viver preso a uma gaiola? Você merece a companhia de alguém que te toque sem usar as mãos, que te acompanhe que queira estar perto, que participe da sua vida te faça sorrir, aquele que te chame para sair em lugares loucos, e também a mesma que fique em casa contigo assistindo a um filme de comedia ou romance, que te receba com carinho te de atenção, quando você chegar estressado depois de um longo dia de trabalho, que seja sua esposa sua amiga que compreenda seus pensamentos te de conselhos que valorize o teu coração, te permita sonhar e que sonhe contigo.

Teu sorriso é tão bonito que te faria sorrir às 24 horas do dia,

Do fundo do meu coração, vou torcer pra que o seu coração sinta paz, que você possa respirar aliviado e seguir em frente de cabeça erguida. Seja feliz. O acaso vai te proteger enquanto andares distraído...


domingo, 10 de junho de 2018

Davi enfrenta Golias: a luta das tubaínas contra a Coca-Cola e a Ambev

Indústrias pequenas apoiam decreto de Temer que reduz de 20% para 4% o desconto no IPI na compra de concentrados na Zona Franca.

STEVE CUTTS
Por Cynara Menezes

Pouca gente soube, mas, em plena greve dos caminhoneiros, Michel Temer deu uma dentro: atendeu ao pedido das pequenas produtoras de refrigerantes e reduziu, por meio de um decreto, de 20% para 4% o desconto no IPI da Coca-Cola e da Ambev na compra, na Zona Franca de Manaus, dos concentrados que utilizam para fazer suas bebidas açucaradas. A redução irá representar uma arrecadação extra para o país de 740 milhões de reais até o final do ano.

A demanda dos fabricantes das chamadas tubaínas, os refrigerantes regionais, é antiga, e basicamente pede que a Coca-Cola e a Ambev atuem em situação de paridade, porque, por incrível que pareça, as duas gigantes bilionárias pagam menos imposto do que fábricas minúsculas do interior do país. “Não estamos pedindo nem incentivo, como poderíamos, já que somos pequenos. O que não é justo é eles praticarem concorrência desleal, pagando menos imposto do que nós”, disse ao site o presidente da Afebras (Associação dos Fabricantes de Refrigerantes do Brasil), Fernando Barros.

Nos últimos dez anos, cerca de 160 fábricas de tubaína fecharam no Brasil porque não aguentaram a concorrência dos gigantes do setor. Populares no Brasil na década de 1970, as tubaínas foram aos poucos sumindo das prateleiras dos supermercados e ganharam uma fama de “refrigerante de pobre” impulsionada pela própria Coca-Cola, que, na década de 1990, lançou uma campanha publicitária em que chamava todas as outras marcas de “refrigereco”.


Atualmente, são 136 fábricas, em geral empreendimentos familiares que se mantêm graças à relação afetiva que os habitantes da região têm com o sabor e com a marca. Um exemplo é o Guaraná Pureza, produzido há 113 anos em Rancho Queimado, cidade com 2 mil habitantes em Santa Catarina. “O dono da fábrica se orgulha de empregar 1% da população da cidade e de nunca ter tido uma ação trabalhista”, conta Fernando. O mesmo não pode se dizer da Coca-Cola ou da Ambev.

Os fabricantes de tubaína reclamam dos benefícios fiscais recebidos pelas grandes produtoras de bebida, que nem mesmo recolhem IPI, o que impossibilita a adequação do Brasil à sugestão da OMS de aumentar os tributos dos refrigerantes como forma de combater a obesidade. “Nós aceitamos aumentar, mas eu falei para o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) que isso só vai atingir os pequenos, porque os grandes não pagam”, critica o presidente da Afebras.


O Idec, integrante da Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável, aplaudiu o decreto de Temer. “Na prática, essa medida diminui os benefícios de crédito tributário que alguns fabricantes de bebidas açucaradas recebem e acaba arrecadando mais”, afirmou Igor Britto, advogado do instituto. Ele explicou que, além de não pagar vários impostos, a AmBev e a Coca-Cola recebem hoje um crédito de 20% sobre o que produzem na Zona Franca, o que acaba causando a absurda distorção de o governo brasileiro subsidiar a produção de bebidas danosas para a saúde.

Um decreto parecido chegou a ser editado em 2013, durante o governo Dilma, mas foi derrubado em três dias pelo lobby das duas gigantes do setor, que já estão agindo no Congresso novamente, infelizmente com o apoio de nomes de esquerda, como a senadora Vanessa Grazziotin, do PCdoB, que saiu em defesa da Zona Franca e consequentemente da Ambev e da Coca-Cola, em vez dos pequenos fabricantes nacionais. “Não é só uma questão pontual em relação a um segmento, porque isso abre um precedente perigoso para outros setores e é inconstitucional, afinal de contas, a Zona Franca é um modelo baseado na Constituição e, ao mexer nos incentivos, você mexe indiretamente com a Constituição Federal”, disse a senadora.

O problema é que a Zona Franca de Manaus se transformou numa “nascente” tributária para as multinacionais do refrigerante. Lá nascem todas as vantagens da Ambev e da Coca-Cola. Um exemplo é a isenção sobre “produtos da Amazônia”, que caberia em relação ao guaraná (embora hoje a maior parte da produção esteja na Bahia) e nunca sobre a “cola”, o concentrado do refrigerante. Outra distorção é, por exemplo, a erva mate para o Mate Leão ser produzida no Rio Grande do Sul, transformada em líquido na fábrica da Coca-Cola no Paraná, e enviada a Manaus apenas para se beneficiar da moleza tributária.


“Os empresários têm que parar de correr atrás do Estado”, critica o presidente da Afebras. “Se a Coca-Cola e a Ambev não pagam impostos, qual o efeito social de uma empresa dessas no Brasil? Gerar empregos nós também geramos, 4800 empregos diretos. Somos responsáveis por 45% de toda a mão-de-obra do setor, porque somos mais artesanais, eles fazem tudo mecânico. E poluímos menos porque nosso volume é menor e só utilizamos dois tipos de embalagem, garrafa PET e vidro.”

Quem vai vencer essa disputa entre Davi e Golias? Temer irá ceder? Abra uma tubaína e espere pelo resultado.

sábado, 9 de junho de 2018

Colômbia e México: seria o começo de um novo ciclo na América Latina?

Muito se falou nos últimos anos sobre o “fim do ciclo” dos governos nacional-populares, progressistas e de esquerda da região.

Gustavo Petro e López Obrador, candidatos à presidência da Colômbia e do México, respectivamente
Por Juan Manuel Karg*

Este anúncio recorreu os principais editoriais dos meios de comunicação hegemônicos do continente, em um misto de informação e desejo: mesmo que Maurício Macri e Michel Temer tenham chegado ao poder político na Argentina e no Brasil, respectivamente, existiam (e existem) uma série de governos que, apesar das novas circunstâncias, resistem ao neoliberalismo: Bolívia, Uruguai, El Salvador, Nicarágua e Venezuela, entre outros, ainda que com suas diferenças e situação internas complexas.

Entretanto, o primeiro turno eleitoral da Colômbia e a campanha mexicana sugerem um elemento de análise: a direita poderia (e tem pensado nisso, considerando a situação peculiar eleitoral de ambos os países) chegar a perder nas duas eleições para os candidatos nacional-populares Gustavo Petro (Colômbia) e Andrés Manuel López Obrador (México).

O ex-prefeito de Bogotá obteve 5 milhões de votos e conquistou algo histórico para a história da esquerda colombiana que é disputar o segundo turno presidencial. Contra ele está Iván Duque, candidato de Álvaro Uribe, ex-presidente que se recuperou depois de uma forte derrota de 2014 ao emplacar o ‘não’ no plebiscito para a paz em 2016.

Um governo uribista – ou até um pós-uribismo como é o de Juan Manuel Santos, no caso de Duque o trair – seria uma péssima notícia, mas não uma novidade para a política interna colombiana: o país já sofreu no passado este (des)governo. A novidade seria a chegada e Petro ao Palácio Nariño [sede do governo], fato inédito que significaria um verdadeiro realinhamento da Colômbia com o cenário regional, por exemplo, no que se refere à Unasul.

Não será fácil para um ex-líder do M-19: ele precisa conquistar 7 de cada dez votos de Sérgio Fajardo, que chegou perto de ir para o segundo turno. O cenário está aberto e nada está definido.

No caso mexicano, López Obrador parece pisar até mais firme: até a revista Forbes o cita como encabeçando as pesquisas de intenção de voto com comodidade, longe de seus adaversários Ricardo Anaya (PAN) e José Maede (PRI). López Obrador esteve perto de chegar à presidência duas vezes: em 2006 – quando denunciou uma fraude eleitoral – e em 2012. Daí vem um de seus slogans de campanha “na terceira é a vitória”, recorrendo a uma perseverança que lembra a do hoje preso Lula, que perdeu três eleições antes de chegar à presidência do Brasil.

Obviamente isso gera resistências: o segundo homem mais rico do país, Germán Larrea, acaba de convocar os eleitores para votarem contra “o modelo econômico populista”, para rebater o crescimento de López Obrador, a quem tentam incansavelmente relacionar a Hugo Chávez, tanto os meios de comunicação como os spots de campanha dos partidos tradicionais.

Colômbia e México são dois países pivôs da direita continental. Ambos formaram a Aliança do Pacífico em 2011, junto ao Peru e Chile, com os Estados Unidos – com quem os dois países tem Tratados de Livre Comércio em plena vigência – como convidado com caráter observador. Ambos formam parte do autodenominado Grupo de Lima, um foro político cujo único tema de discussão atual é a situação da Venezuela. Uma hipotética mudança de governo em um deles significaria um duro golpe na restauração conservadora que tenta se formar na América Latina. Representaria um “fim de ciclo”, sim, mas para dois países que são emblemas da direita regional, que jamais fizeram parte do bloco de países nacional-populares, progressistas e de esquerda. O tempo, grande juiz, dirá se isto vai acontecer ou se, pelo contrário, vai se aprofundar a orientação neoliberal em ambos.


*Juan Manuel Karg é Cientista político pela Universidade de Buenos Aires e analista de política internacional, publica, entre outros portais, no Russia Today

Fonte: Página/12
Tradução: Mariana Serafini
Via - Portal Vermelho

BEATRIZ FERNANDES – A BELA DA SEMANA


Apreciar a beleza feminina é um prazer sem medida, os olhos que anseiam pelo que é belo deleitam-se em olhar minuciosamente tudo que compõe o espetáculo Mulher, cada gesto, cada detalhe é um ato que satisfaz a plateia sempre atenta e pronta a aplaudir em demasia a impecável performance da feminilidade...

A supremacia que vemos na moça que hora homenageamos, serve para dar sequencia ao show da beleza feminina que semanalmente apresentamos, eis que do recanto das belas vem Beatriz Fernandes, ela que absolutamente linda, ocupa o pedestal das impecáveis que aqui prestamos culto. Ela que no fragor de sua juventude, escreve história, onde a formosura de sua imagem deixa claro o quanto ela ainda tem a encantar aos que se deixam seduzir pela formosura da mulher.

Dela provém a certeza da supremacia feminina, a incontestável grandeza da mulher, é percebida em cada traço, em cada linha caprichosamente delineada pela natureza com o propósito de mostrar a excelência proveniente dela... Olhá-la é um prazer, assistir sua beleza é presentear nossas retinas, falar sobre sua formosura, uma necessidade.

Em torno das mulheres estão nossos propósitos, é em torno de beldades com a grandeza de Beatriz que o mundo torna-se belo, é diante de musas de beleza envolvente que a humanidade se prostra, pois, a sedução está de maneira fiel, retratada na imagem da mulher formosa, e semelhante a isto, a imagem de Beatriz é testemunho desta verdade.

Por este motivo Beatriz Fernandes está aqui, por conta disto, seus pés pisam o pedestal das belas, em virtude de sua beleza, ela vem adornar esta vitrine de únicas neste tradicional e semanal evento onde enaltecemos a superioridade das belas, somada ao privilegio de vê-la neste espaço, está a honra em poder descrevê-la, embora nossas palavras fiquem aquém de sua real beleza.

Portanto, nesta sequencia de honras a elas, a mulher morena está mais uma vez em evidência, ela que com charme e elegância única, é capaz de acumular elogios. Beatriz Fernandes faz parte de um impecável grupo de belas, Beatriz nasceu para ser admirada, sendo assim, louvemos o fascínio que ela representa, engrandecida seja por sua magnificente e incontestável condição de bela.

Prezado observador destas maravilhosas mulheres, seguimos na prazerosa tarefa de apresentar ao mundo o encanto destas inefáveis criaturas, desta vez, eis que diante de nós posa mais uma admirável, assim, que seja dela os louvores, os brindes, que para ela esteja reservada a boa sorte e a longevidade de dias, que ela continue encantando olhares, segue nossa gratidão pela permissão ao nos deixar externar a grandeza da mulher tão bem representada em sua imagem... A beleza tem cor morena, Beatriz Fernandes é a Bela da Semana.

*BEATRIZ FERNANDES DE LIMA – Nova Londrina/PR – Filha de Valmir Pereira de Lima e Maria Alice Fernandes Romão de Lima. Beatriz estuda o 2° semestre do Curso Técnico em Administração no Colégio Estadual Ary João Dresch.




sexta-feira, 8 de junho de 2018

FUP: Pré-sal está sendo apropriados pelas multinacionais

Mergulhado em escândalos de corrupção e sem apoio algum da população, o governo Temer entregou mais oito bilhões de barris de petróleo às multinacionais, ao concluir nesta quinta-feira (07) a 4ª Rodada de Licitações do Pré-Sal, onde cada barril saiu ao preço médio de R$ 0,26.


Os três campos leiloados - Dois Irmãos (na Bacia de Campos), Três Marias e Uirapuru (na Bacia de Santos) - contêm reservas estimadas de 12,132 bilhões de barris de petróleo. A Petrobrás, mesmo pagando o maior valor em bônus do leilão (R$ 1 bilhão do total de R$ 3,150 bilhões arrecadados) e exercendo a preferência dos 30% de participação mínima nos consórcios, como prevê a lei, terá direito apenas a 3.999 bilhões de barris. Ou seja, 33% das reservas licitadas.

A petrolífera norueguesa Statoil foi a grande vencedora do leilão, ao abocanhar 2.783 bilhões de reservas de petróleo com participações estratégicas nos blocos de Uirapuru e Dois Irmãos. A norte-americana ExxonMobil, que estreou como operadora no Brasil em setembro passado e já havia sido beneficiada com blocos da franja do Pré-Sal nas 14ª e 13ª Rodadas, avançou consideravelmente sobre as reservas do país, ao garantir mais 2.184 bilhões de barris de petróleo com os 28% de participação no valiosíssimo campo de Uirapuru, que está estrategicamente localizado ao lado de Carcará. Na gestão Pedro Parente, a Petrobrás entregou à Statoil 66% da participação que tinha nesse mega campo da Bacia de Santos. Agora, a Statoil e a Exxon terão juntas 56% de Uirapuru, após pagarem em média R$ 0,30 por cada um dos 7,8 bilhões de barris de reserva do campo.

Sem a luta da FUP, nem 30% a Petrobrás teria

“É bom lembrar que os 30% de participação que a Petrobrás garantiu nos campos leiloados só foram possíveis em função da resistência da FUP em 2015 e em 2016, quando a Shell e outras multinacionais, através do projeto de Serra, conseguiram alterar a Lei da Partilha, e tiraram da nossa empresa a exclusividade na operação do Pré-Sal. A resistência da FUP e de seus sindicatos que garantiu à Petrobrás exercer pelo menos a preferência dos 30%, pois o projeto original era acabar também com a participação mínima da empresa”, recorda o coordenador geral da FUP, Simão Zanardi, se referindo ao PLS 131/2015 do senador José Serra (PSDB/SP), que foi aprovado no Congresso Nacional, em outubro de 2016, logo após o golpe do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. “Se não fosse a luta da FUP, nem esses 30% a Petrobrás teria”, ressalta Zanardi.

Em dois anos de golpe, cinco leilões de petróleo

Em dois anos do golpe, o governo Temer já realizou cinco leilões de petróleo, onde entregou às multinacionais áreas preciosas do Pré-Sal, enquanto o povo brasileiro é obrigado a pagar preços absurdos pela gasolina, diesel e gás de cozinha. Considerada a maior descoberta de petróleo da atualidade, o Pré-Sal com pouco mais de dez anos de exploração, já representa cerca de 55% de toda a produção brasileira. Somente um poço produz em média 50 mil barris por dia, o que representa 63% de toda a produção da Itália e 35% da Dinamarca. Muitos países sequer conseguem produzir a quantidade que um único poço do Pré-Sal produz.

“A entrega dessas reservas está condenando gerações futuras a não poder desfrutar da riqueza desse recurso natural que foi descoberto pela Petrobrás e está sendo apropriado pelas multinacionais”, afirma Simão Zanardi. “Estamos vendendo petróleo para depois importar derivados, isso significa exterminar com a produção nacional. Voltamos ao colonialismo dos tempos de Fernando Henrique Cardoso”, alerta, ressaltando que a Petrobrás faz o jogo do mercado e dos golpistas ao exportar óleo bruto do Pré-Sal para que as empresas estrangeiras lucrem com a importação de produtos refinados.

“A atual gestão da Petrobras está vendendo ao mercado internacional um petróleo que vai fazer falta ao Brasil. Saiu Pedro Parente e entrou Ivan Monteiro, mas a política de privatização continua”, declara o coordenador da FUP, avisando que os petroleiros seguirão mobilizados na luta em defesa da soberania nacional e contra o desmonte da Petrobrás.


quinta-feira, 7 de junho de 2018

As duas vidas de Aécio: a que poderia ter sido e a que ele mesmo escolheu

O que teria acontecido com o neto de Tancredo se ele tivesse simplesmente aceitado o resultado da eleição em que foi derrotado?


Por Cynara Menezes

O que poderia ter acontecido:

26 de outubro de 2014. Derrotado na eleição por uma margem estreita de votos, o senador Aécio Neves saúda a presidenta reeleita Dilma Rousseff e anuncia que irá tirar alguns meses de férias com a família. Afinal, tem um casal de filhos gêmeos nascidos durante a campanha.

“Vou aproveitar para tirar um tempinho para mim, para a Letícia e pros meus bebês. Família em primeiro lugar”, diz Aécio, sorridente, ao embarcar para uma temporada de férias em Cancún, seguida de uma temporada de estudos na Califórnia. Durante a estadia nos EUA, Aécio é flagrado em cenas cotidianas, comprando fraldas no supermercado, andando de bicicleta e a pé, e concede inúmeras entrevistas aos jornais brasileiros, sedentos por estampá-lo em suas páginas, e também à imprensa estrangeira.

Em janeiro de 2015, mais magro e com aspecto saudável, Aécio volta à cena política como o grande líder da oposição. De forma republicana, rejeita as investidas de Eduardo Cunha para ajudá-lo a derrubar a presidenta eleita. “Tenho DNA de democrata, que herdei do meu avô Tancredo. Quero a vitória, mas quero nas urnas. Não me unirei a corruptos”, afirma o senador, repelindo também os chamados do vice de Dilma, Michel Temer, à conspiração.

Na liderança da oposição, Aécio torna a vida de Dilma difícil, barrando todas as iniciativas do governo. Monta um governo paralelo onde analisa e rebate imediatamente cada medida anunciada pelo Planalto. Pede uma CPI sobre a política de preços da Petrobras, se junta aos caminhoneiros e faz brilhantes discursos semanais da tribuna do Senado contra a presidenta. O objetivo é transmitir aos cidadãos a eficiência de seu projeto diante do petista, que classifica como “antiquado”, “ultrapassado”.

Em viagem pelo exterior, se apresenta como o “novo”, ao lado de outros próceres liberais no mundo. Na Argentina, posa ao lado do presidente Macri. Na França, com Macron. No Uruguai, se encontra com Lacalle Pou, também derrotado, para um chimarrão. Fica íntimo do líder venezuelano Henrique Capriles. A imprensa os saúda como os “garotos de ouro” da nova direita.

Milhões de brasileiros identificados com o liberalismo enxergam no mineiro o seu modelo: dinâmico, audacioso, playboy. Embora nunca tenha dado duro na vida e deva a carreira ao sobrenome do avô, Aécio encanta os pobres de direita com seu discurso sobre meritocracia. Atlético, bronzeado, é constantemente fotografado nas praias do Rio de Janeiro nos dias de folga, sempre ao lado da família e de jogadores de futebol. Cada vez mais celebridades da música, da TV e do esporte viram “aecistas”. A atriz Luana Piovani lança uma coleção de camisetas infantis com a frase: “Não tenho culpa, mamãe votou no Aécio”.

O candidato derrotado à presidência se torna colunista de todos os jornais do país, de O Globo ao Diário do Amapá. Durante os quatro anos posteriores à eleição, o tucano soma mais de 50 horas de notícias positivas no Jornal Nacional, superando inclusive as notícias negativas dedicadas ao ex-presidente Lula. Aécio é convidado a opinar sobre política, economia e até sobre amenidades, como as últimas tendências da noite carioca. “Acho a batida do funk um barato, só não sei rebolar”, declara, gargalhando, ao lado da cantora Anitta.

Com o governo Dilma ainda mal avaliado pelos eleitores, Aécio Neves chega a outubro de 2018 em sua melhor forma e é um dos candidatos favoritos à sucessão presidencial, empatado tecnicamente com Lula nas pesquisas.

O que de fato aconteceu:

Inconformado com a derrota, Aécio pede a recontagem dos votos apenas quatro dias após o segundo turno, o que não dá em nada. Alia-se a Eduardo Cunha, a Temer e à Rede Globo para derrubar Dilma, e consegue. Em vez de honrar o mandato de senador como um político sério, dedica-se a pedir dinheiro ao empresário Joesley Batista, que chega a falar pelo amor de Deus para ele parar. Gravações com os pedidos vêm à tona, Aécio cai em desgraça e é limado da disputa à presidência. Aecistas de primeira hora começam a pregar que querem vê-lo preso. Como um fantasma em vida, o neto de Tancredo raramente aparece em Brasília. Às vésperas da eleição de 2018, não sabe nem se vai conseguir continuar no Senado, ameaçado de perder a vaga para… Dilma Rousseff.

FIM.

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