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terça-feira, 11 de dezembro de 2018

BNCC do ensino médio é uma ameaça aos professores, diz Callegari

O Conselho Nacional de Edução (CNE) anunciou, na terça-feira (4), a aprovação da nova Base Nacional Curricular Comum (BNCC) do ensino médio. Pelo documento, que servirá de orientação para os currículos das escolas públicas e particulares do país, apenas português e matemática terão carga horária obrigatória em todos os três anos dessa etapa final do ensino básico.

Foto: Reprodução
A proposta, de acordo com o professor e sociólogo César Callegari, representa um risco para os docentes e para o futuro do país. “Qual é o lugar numa estrutura dessa, como foi aprovada, de um professor de Geografia, de Sociologia, ou de um professor de Química ou de Biologia? São muitos os problemas que estão contidos nessa base, mas o principal deles é que ela representa uma redução de direitos educacionais da juventude. Eu acho que isso compromete até o futuro do Brasil, qualquer tipo de projeto de soberania, democracia e desenvolvimento com justiça social”, disse o professor, em entrevista ao Sinpro Minas.

Até junho deste ano, Callegari esteve à frente das discussões sobre a BNCC, como presidente da comissão encarregada de debater o tema no CNE. Deixou o cargo após discordar de propostas apresentadas pelo Ministério da Educação. “Quando percebi que havia de fato um movimento de desrespeito à sociedade brasileira e que a proposta do MEC trazia em si um atentado contra os interesses educacionais no Brasil, eu renunciei à presidência”, afirmou Callegari.

Para que passe a vigorar, a Base precisa ser homologada pelo ministro da Educação.

Confira abaixo a entrevista:

Sinpro Minas: O que a nova Base Nacional Comum Curricular do ensino médio representa para a educação brasileira?

César Callegari: Bom, sinteticamente, eu vejo com muita preocupação a aprovação dessa base, pois ela traz problemas muito sérios. O primeiro deles é que ela promove uma redução dos direitos de aprendizagem dos jovens brasileiros, e isso pode aprofundar ainda mais as grandes desigualdades educacionais que o Brasil tem hoje. A Base, conforme foi aprovada, estabelece que os direitos de aprendizagem dos jovens são aqueles que podem ficar contidos em apenas 1800 horas, o que corresponde a cerca de 60% da jornada escolar do ensino médio. Com isso, muita coisa fica de fora, muitos conhecimentos e habilidades relacionadas a várias disciplinas e matérias acabam ficando de fora. Os que podem, sobretudo aqueles que estão nas escolas particulares, vão fazer tudo que é necessário, porque têm estrutura pra isso, e a grande maioria dos jovens, que depende de escola pública no país, que são precárias, faltam alunos, internet e professores, sobram alunos por sala de aula, essas escolas vão fazer apenas o que dá e não o que é necessário para que haja desenvolvimento completo desse jovem brasileiro. São muitos os problemas que estão contidos nessa base, mas o principal deles é que ela representa uma redução de direitos educacionais da juventude. Eu acho que isso compromete até o futuro do Brasil, qualquer tipo de projeto de soberania, democracia e desenvolvimento com justiça social.

De modo geral, quais são os pontos estruturais propostos por essa nova base do ensino médio?

O problema maior é que tanto a lei [reforma do ensino médio] quanto o que foi aprovado sobre essa BNCC reduz os direitos de aprendizagem. E essa redução é muito complicada, porque, concretamente, ela apresenta uma forte ênfase no ensino de disciplinas meramente instrumentais. É o caso de Português e Matemática, que são muito importantes, mas se não forem acompanhadas de um processo que permita uma visão crítica, articulada, interdisciplinar e sobretudo criativa por parte dos jovens, essas áreas de conhecimento viram apenas disciplinas instrumentais. Isso não permite que essa juventude possa alcançar os desafios que são dados na contemporaneidade, que é ter uma visão crítica, pensar em profundidade, ter capacidade de aprender a aprender sempre.

Isso só se faz se tivermos um processo articulado entre Química, Física, Biologia, História, Geografia, Filosofia, Sociologia, Artes, Educação Física, Espanhol, esse conjunto de componentes curriculares, que está praticamente abandonado, nem citado mais ele está na BNCC. Isso traz uma possível precarização nas escolas públicas, principalmente do ensino do conjunto dessas disciplinas que não Português e Matemática. Isso fica ainda mais sério, porque hoje, na estrutura das escolas brasileiras, os professores são professores de disciplinas. E não há indicação nenhuma na BNCC de como os fundamentos conceituais que são próprios de cada uma das disciplinas podem e devem ser tratados com os estudantes. Se a gente não tiver base conceitual, nenhum de nós é capaz de pensar, de refletir, de ter visão articulada sobre as coisas. Então, tudo isso leva a uma precarização muito grande, uma ameaça aos professores, que hoje militam nas escolas públicas e privadas no Brasil, e sobretudo uma ameaça à própria formação desse estudante.

Outro problema sério, relacionado à Base, é que tudo aquilo que a lei 13.415 [reforma do ensino médio] estabelece como o que deveria ser apresentado como opções, os chamados itinerários formativos, a BNCC recentemente aprovada silencia sobre isso. Ela não apresenta absolutamente nada a respeito desses itinerários formativos. No meu modo de entender, mesmo nos itinerários formativos, devem ser estabelecidos quais são os direitos de aprendizagem dos estudantes. O que deve ser trabalhado deveria ser um objeto da Base. À medida em que ela nada diz sobre isso, e portanto estabelece uma espécie de terreno vazio, essa formulação acaba desobrigando as escolas de oferecerem na parte dos itinerários a educação de qualidade que os jovens têm direito. O que eu quero dizer é que nas boas escolas, sejam públicas ou privadas, que em geral atendem aos filhos das elites e parte da classe média, onde há condições, tudo que for necessário será feito. Já nas escolas públicas, que são muito precárias, onde faltam professor, laboratório, funcionários, sobram alunos por sala de aula, sobra violência, nesses casos, o que será feito é o possível e não o necessário, mais uma vez aprofundando as desigualdades educacionais no Brasil. Ou seja, a Base agora indica uma educação pobre para os pobres. E isso nós não podemos aceitar.

Em relação à BNCC ser uma ameaça aos professores, o que você quis dizer com isso, professor?

Qual é o lugar numa estrutura dessa, como foi aprovada, de um professor de Geografia, de Sociologia, ou de um professor de Química ou de Biologia? Dizer que todas essas disciplinas agora serão trabalhadas na forma de áreas de conhecimento, sem que se assegure o direito à aprendizagem dos fundamentos conceituais próprios de cada disciplina, é muito possível, em praticamente todo Brasil, que tudo isso venha a significar uma isenção da responsabilidade das escolas e do Estado de proverem os professores de cada uma dessas disciplinas. Ou seja, vão trabalhar com o que têm e não com o quadro que é necessário pra garantir a educação de qualidade. Tudo isso ainda fica muito impulsionado pelo fato de que a lei da reforma do ensino médio abre a possibilidade que ele seja oferecido à distância. E, portanto, substituindo claramente professores, laboratórios, substituindo gradativamente a própria escola como local de aprendizagens múltiplas.

Nós sabemos perfeitamente que na escola se aprende não apenas as coisas que são próprias do currículo, mas muitos dos valores fundamentais para o exercício da cidadania, que são desenvolvidos no contato, na interação própria dos estudantes consigo mesmos e com seus professores. Então, valores fundamentais de uma sociedade democrática, justa, como por exemplo o respeito à diversidade, o diálogo, a visão crítica, a solidariedade, o saber trabalhar de forma colaborativa, esses valores só podem ser desenvolvidos presencialmente, e não isolando os alunos atrás de uma tela de computador. Isso é uma atitude antieducacional e eu não conheço lugar nenhum do mundo onde a escola e seus professores são substituídos por sistemas de ensino à distância e a educação vai bem. As novas tecnologias estão aí, fazem parte da nossa vida e do nosso mundo, mas elas devem ser colocadas a favor da escola, jamais como substituição da escola. Esse é outro aspecto que está relacionado tanto à lei quanto à Base aprovada, que representa não apenas uma ameaça aos professores mas, sobretudo, uma ameaça aos direitos educacionais da juventude brasileira.

Que visão podemos depreender dessas mudanças todas que vêm ocorrendo no campo da educação?

Essas medidas atendem ao interesse de privatização do setor da educação pública brasileira. Há interesses econômicos graúdos que estão por trás desse movimento e, por outro lado, também uma ideia de submissão definitiva do Brasil à condição de um país dependente, subdesenvolvido e que na divisão internacional do trabalho vai ficando com as ocupações e a renda mais desqualificadas. Quando você desqualifica um povo, a partir da precarização do seu sistema educacional, você desqualifica a soberania nacional. Compromete a própria soberania do Brasil.

Lamentavelmente, setores hoje da sociedade brasileira vão exatamente nessa trilha. O novo ministro da Educação que virá aí, anunciado pelo presidente eleito, tem uma visão muito nessa direção. Nenhuma das suas declarações, até agora, falou a respeito de melhorar as condições de trabalho do professor, melhorar os salários do magistério, qualificar a escola, diminuir o número de alunos por sala de aula, investir em laboratórios. Pelo contrário, se fala e se dá ênfase, por exemplo, a essa chamada “Escola sem Partido”, que no fundo é uma verdadeira ameaça persecutória à liberdade de cátedra que os professores têm e que é tão fundamental para o exercício da sua atividade. Nós estamos vivendo um momento em que é muito importante que os professores se unam, deixem pra lá divergências menores. Estamos sendo chamados a um processo de união não apenas para a nossa própria defesa como profissionais da educação, mas, também, para a defesa da educação como um direito dos brasileiros e a defesa do Brasil como um país soberano, democrático e desenvolvido. É o momento de uma resistência ativa, que vai exigir de todos nós muito mais inteligência que as nossas atividades já vinham nos requerendo até agora.

Há uma questão específica, que publiquei no meu blog. Eu defendo que a sessão do Conselho Nacional de Educação que aprovou a BNCC seja anulada, pois, lamentavelmente, o CNE acabou aprovando essa Base em uma sessão que sequer foi anunciado que isso seria votado. Isso é uma obrigação. O CNE é um órgão público, tem a obrigação de dar transparência e publicização de todos os seus atos e processos decisórios. Nesse caso, contrariou tudo o que nós fazíamos – porque eu já não sou mais do Conselho. Enquanto eu estava lá, tomava as providências para garantir que tudo fosse feito com toda publicidade necessária. Isso é fundamental. É um órgão público.

Essa decisão foi tomada na calada da noite, sem que isso estivesse sequer na pauta da reunião do CNE da terça passada (4/12). Foi aprovado às pressas, de uma maneira semiclandestina, para que os movimentos da sociedade, os professores, os estudantes e especialistas não pudessem acompanhar as discussões, muito menos a votação. Considero isso não apenas uma ilegalidade, mas também uma imoralidade, e estou defendendo que o CNE anule essa sessão e que o assunto da BNCC seja retomado a partir do ano que vem, com o debate necessário. Inclusive com a participação dos novos atores, principalmente no âmbito dos estados, que virão a partir do processo eleitoral que se deu.

No meu entender, é uma temeridade aprovar uma BNCC sem que haja a participação, por exemplo, dos secretários estaduais de educação que tomarão posse dia 1º de janeiro. Eles e seus conselhos estaduais de educação têm responsabilidades operacionais grandes em relação a qualquer reforma no ensino médio. É muito importante que essas pessoas participem. Estou pedindo providências do CNE nesse sentido. Agora, se isso não for feito, o meu apelo é que as entidades representativas da educação, entre elas as instituições sindicais, acionem o sistema de Justiça com a finalidade de anular essa decisão do CNE.

Professor, você esteve à frente dos debates da BNCC, não é isso?

Até junho de 2018 sim. Mas quando eu percebi que havia de fato um movimento de desrespeito à sociedade brasileira e que a proposta do MEC trazia em si um atentado contra os interesses educacionais no Brasil, eu renunciei à presidência. E fiz essa renúncia a partir de uma carta, que eu encaminhei não apenas a todos os conselheiros como também para toda sociedade brasileira, onde especifico todas as questões e denuncio todos os problemas que essa proposta apresenta. No meu blog, você pode consultar, e na minha página do Facebook, essa carta está lá. Estão marcados trechos em amarelo. Muito do que nós falamos agora já estava contido nessa carta desde o momento em que a lancei. Lamentavelmente, tenho que confirmar o que está lá. Gostaria que as coisas tivessem mudado, mas o que foi aprovado agora representa, de fato, um atentado contra os interesses educacionais do povo brasileiro.

Qual mensagem você deixaria para os professores diante da atual conjuntura?

A mensagem é de resistência ativa. A melhor maneira de proteger a educação, no meu modo de entender, é trabalhar por uma melhor coesão da própria categoria do magistério e a necessária conexão com as comunidades de cada uma das escolas. Sobretudo com as famílias. Acho que cada professor, inclusive para que se defenda em relação à “lei da mordaça”, “Escola sem Partido” e tudo mais, deve estabelecer formas ativas de buscar conexão mais forte com as famílias das comunidades. É dessa conexão que terá origem a força que a educação brasileira precisará para enfrentar os ataques que estão por vir. Ninguém solta a mão de ninguém, mas tem que dar mão para a comunidade também, e não só para nós próprios. Isso é importante.

 Fonte: Contee

O México na era López Obrador

Faz mais de uma semana que Andrés Manuel López Obrador (apelidado AMLO) tomou posse (no dia 1º) em uma cerimônia diferente de qualquer outra na história mexicana, na qual chamou o neoliberalismo de desastre. Agora ele deve desmantelá-lo.

Por Laura Carlsen*

Em mais de dois séculos de nacionalidade, o México nunca viu uma cerimônia de posse presidencial como a de 1º de dezembro de 2018. Desde a cerimônia indígena antes do amanhecer para consagrar o bastón de mando - um bastão de madeira simbolizando o governo - que os representantes dos povos indígenas do México presentearam o novo presidente, para o festival cultural que durou a noite, Andrés Manuel López Obrador quebrou a pompa e circunstância e prometeu uma nova forma de governar. Sua frase mais repetida: "Eu não vou deixar você para baixo."

AMLO começou o dia fazendo o juramento de posse no Congresso. Porfirio Muñoz Ledo, presidente do Congresso, histórico político dissidente e membro do partido Morena (Movimento pela Regeneração Nacional), de AMLO, entregou a ele a bandeira presidencial. O ex-presidente Enrique Peña Nieto ficou irritado e claramente desconfortável no pódio do Congresso, quando o novo presidente agradeceu por não ter interferido nas eleições, referindo-se às múltiplas fraudes cometidas pelo partido de Peña, o PRI, em eleições anteriores.

A esquerda teve a vitória eleitoral roubada por duas vezes na história mexicana recente. Uma vez em 1988, com a candidatura do PRI dissidente Cuauhtémoc Cárdenas, e novamente em 2006, quando as autoridades reconheceram o conservador Felipe Calderón, com meio ponto percentual a mais, e recusaram a exigência de uma ampla recontagem de votos. Manipulação, fraude, compra de votos e favorecimento da mídia foi a fórmula para ganhar a presidência no passado, particularmente durante os ininterruptos setenta e um anos de domínio do PRI. Posses presidenciais tornaram-se atos formais que inspiraram entusiasmo real principalmente entre aqueles que tomaram o poder, em um sistema projetado para transferir riqueza e poder para os já ricos e poderosos.

No sábado (dia 1º) mais de 160 mil pessoas de todo o país se reuniram na praça central da cidade do México para assistir AMLO se tornar presidente do México. Depois de uma longa transição, de cinco meses, e décadas de governo corrupto, o povo esperou muito tempo. O Zócalo (como é chamada a Praça da Constituição, no centro da cidade do México) começou a encher pela manhã, embora AMLO só chegasse depois das 17 horas.

Conversando com as pessoas no Zócalo reafirmei a mudança surpreendente na cultura política mexicana, que ocorreu na eleição de 1º de julho. Quando perguntadas sobre o que esperavam, a maioria respondia com alguma versão de “Tudo vai mudar”. Uma mulher de Iztacalco, na Cidade do México, disse que espera um aumento no emprego. “Precisamos de emprego para todos. Com os empregos, todo o resto dá certo.” Ela disse que toda sua vizinhança veio cedo “para não perdermos nada.” Havia balões num céu azul perfeitamente claro, música, máscaras de papelão de um radiante López Obrador e um carrancudo Peña Nieto, muitas vezes usadas lado a lado. O velho e o Novo. O passado e a promessa.

López Obrador fez o que parecia impossível no sistema político mexicano: criou um senso de identificação com o povo. Para a maioria, a votação sempre foi uma escolha entre o menor dos males e a presidência, uma plataforma para o enriquecimento pessoal, possível repressão e, na melhor das hipóteses, seis meses de campanha seguidos por seis anos de negligência.
A campanha e a presidência de AMLO dissiparam a alienação em relação à política entre a maioria do povo. A multidão gritava frequentemente durante a posse: “Presidente!” “Você não está sozinho” e “É uma honra estar com Obrador”.

Através da habilidade de elaborar mensagens e imagens, e de histórias antigas em cidades, bairros e aldeias onde a maioria dos candidatos nunca se preocupou em ir, ele se projetou como um líder que escutou, com humildade e austeridade, o que ressoou entre cidadãos fartos da opulência da elite política em uma nação onde mais da metade da população vive abaixo do nível de pobreza.

López Obrador parecia satisfeito e relutante em deixar o palco no sábado à noite. Ele ofereceu um governo que representaria as pessoas e especialmente os setores mais excluídos - camponeses, trabalhadores e povos indígenas. Embora na campanha López Obrador tenha abandonado o slogan de 2006 - “Os pobres em primeiro lugar” - para não assustar os grandes negócios, repetiu a frase em seu primeiro discurso presidencial e denunciou abertamente o modelo econômico neoliberal.

Enormes estandartes que cobriam os edifícios coloniais que cercam o centro cerimonial pré-hispânico, declararam o advento da “Quarta Transformação” - a promessa de AMLO de criar mudanças a par com as três grandes transformações na sociedade mexicana - Independência da Espanha, o período Reformas e o Revolução Mexicana. Em seu discurso ao Congresso, agora controlado pela coalizão de seu partido, o presidente classificou a Quarta Transformação como uma mudança “pacífica e ordeira, mas ao mesmo tempo profunda e radical, porque acabará com a corrupção e a impunidade que impediram o avanço do México”.

Adeus ao neoliberalismo?

López Obrador rejeitou o neoliberalismo em termos mais fortes durante seu discurso de posse do que durante o período de transição. No discurso, ele acusou o sistema econômico capitalista neoliberal chamando-o de um "desastre" que falhou nos últimos trinta e seis anos, colocando-o ao lado da "desonestidade dos representantes eleitos e da pequena minoria que se beneficiou de sua influência”, como as principais causas dos problemas da nação. Ele protestou contra as privatizações e prometeu reverter a reforma educacional.

Ainda há questões não resolvidas sobre o que essas declarações significarão. AMLO ainda deve contar com o NAFTA, pois os parlamentos dos EUA, México e Canadá preparam-se para ratificar um acordo que basicamente sustenta o modelo econômico repudiado. Sua administração está muito consciente da alavancagem dos mercados financeiros internacionais e dos investidores, que puniram o México por eleger um esquerdista com um compromisso com a redução da pobreza, causando uma queda temporária no peso e no mercado de ações. Sua equipe precisará seguir uma linha fina na política macroeconômica.

Enquanto isso, ambientalistas celebravam a proibição do fracking na exploração de petróleo, o compromisso contínuo de AMLO com a extração de petróleo e o modelo extrativista em geral contradiz suas promessas de proteger o meio ambiente. Momentos críticos surgirão com a construção do trem maia no sul do México, a expansão do aeroporto da Cidade do México e a promoção de megaprojetos do setor público e privado, especialmente na parte sul do país, em grande parte camponesa e indígena. AMLO colocou esses projetos nos votos do referendo, um claro desafio para as estruturas de poder antidemocráticas da elite no país. Ao mesmo tempo, há deficiências nesses processos de votação, que colocaram as assembleias de voto em áreas que abrangem apenas 82% da população, e os votos representavam apenas 1% ou menos do total.
No entanto, o simbolismo e a substância de sua posse deram sinais de uma mudança positiva no modo como a política é praticada no México. Seu discurso no Zócalo destacou 100 compromissos da administração, nos quais enfatizou medidas para reduzir o desperdício no governo enquanto expandia os programas sociais. Como símbolo poderoso, poucas horas antes da posse, a luxuosa mansão presidencial reabriu como um museu público.

No entanto, os 100 compromissos revelaram ausências evidentes. Apesar de conseguir uma representação quase igual das mulheres no gabinete e no Congresso, através de enormes ganhos para os candidatos do seu partido Morena nas recentes eleições, o novo presidente não mencionou os direitos das mulheres nem como acabar com a violência contra as mulheres. Ele incluiu um voto para expandir a assistência infantil, mas não para defender os direitos sexuais e reprodutivos. Ele também não mencionou especificamente os dezenas de milhares de desaparecidos, nem as famílias que os buscam desesperadamente. Ambos os problemas apontam para a raiz da violência endêmica. Existe uma preocupação generalizada de que López Obrador não os tenha abordado suficientemente e que as suas propostas relativas à continuação da Guerra às Drogas, apoiada pelos EUA, tenham uma semelhança alarmante com as dos líderes do passado. A população mexicana considera amplamente a guerra às drogas um fracasso e uma causa das taxas recordes de homicídios que o país vive desde 2007. Organizações não-governamentais e ativistas prometeram manter a pressão sobre o novo governo para desenvolver e implementar programas específicos para abordar esses problemas profundos.

A administração AMLO enfrenta enormes desafios internos e externos, e não menos importante sobre como responder a um governo branco nacionalista e anti-imigrante em sua fronteira norte, liderado pelo presidente errático e autocrático dos EUA. AMLO cumprimentou Mike Pence e Ivanka Trump cordialmente em sua posse, como fez com Miguel Díaz-Canel de Cuba, Evo Morales da Bolívia e Nicolás Maduro da Venezuela.

Entre os primeiros atos do novo governo estava a assinatura de um “Plano de Desenvolvimento Integral” com Honduras, El Salvador e Guatemala, que se uniram no êxodo migratório através do México em direção aos Estados Unidos. Embora poucos detalhes sejam conhecidos, o acordo inclui medidas de desenvolvimento para os três países para reduzir a migração forçada. Os líderes assinaram o pacto sem o governo dos EUA - um afastamento das iniciativas lideradas por Washington.

Parece haver um reconhecimento de que a melhor estratégia que o México pode ter para ter relações saudáveis com os EUA é manter seus próprios pés no chão. Em vez de enfrentar os Estados Unidos, o novo governo pretende reduzir a dependência construindo relações em todo o mundo, desenvolvendo uma diplomacia transparente e consolidando a democracia interna.
Nesse esforço, terá muitos aliados na comunidade internacional. O México está bem posicionado para se tornar um exemplo para defender as convenções de direitos humanos e as leis internacionais que o governo Trump prometeu desmantelar.


 * Laura Carlsen é analista política, comentarista de mídia e diretora do Programa das Américas do Centro para Política Internacional da Cidade do México.
Fonte: Jacobin - tradução: José Carlos Ruy

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Quando Clarice morreu


Sugestão de Gilberto Cruvinel

Por Cláudio Soares

(*) Publicado originalmente no Jornal do Brasil


"Na próxima encarnação, vou ler meus livros como uma leitura comum e interessada, e não saberei que nessa encarnação fui eu que os escrevi". (Clarice Lispector)
O “MISTÉRIO CLARICE”

“No meio havia uma barata ou um anjo?”, perguntou Carlos Drummond de Andrade no belo poema intitulado “Visão de Clarice”, que o Jornal do Brasil publicou na capa do seu famoso “Caderno B” em 10 de dezembro, dia em que Clarice completaria 57 anos. A escritora não leu, não leria, porque o poema era uma homenagem: ela havia morrido no dia anterior. Como reiterava poeta mineiro, Clarice vinha de um mistério e partia para outro. Não era preciso compreendê-la, algo que talvez nos seja quase impossível, pelo enorme e não menos misterioso fascínio que ela exerce. Quase quarenta anos depois, o mistério e o fascínio não cederam um só instante.

PEDE-SE NÃO ENVIAR FLORES

Quando Clarice Lispector morreu na desorientada manhã de 9 de dezembro de 1977, a família e os amigos mandaram publicar nos jornais do Rio de Janeiro, protocolarmente, um convite para o seu sepultamento que incluia uma orientação bastante clara: “Pede-se não enviar flores”. Mas, Clarice adorava flores (“… primavera: eu de preto, tudo de ouro, eu com uma flor no cabelo, tu com mil flores nos cabelos e assim nos reconheceremos…”, escreveu Clarice em uma crônica de 1967, aqui no Jornal do Brasil, onde manteve uma coluna entre 1967 e 1973). Como o dia seguinte era um sábado, dia sagrado para os judeus, seu sepultamento foi transferido para a manhã do domingo, 11 de dezembro, no Cemitério Comunal Israelita, do Caju. Mas, como dizia, Clarice adorava os sábados e as flores.

LÍVROS-PÁSSAROS

Clarice nasceu na distante Ucrânia (o “celeiro da Europa, pela fertilidade de suas terras), no ano de 1920, em uma aldeia que praticamente não existe no mapa, Chechelnyk, chegando ao Recife com dois meses de idade. Sua primeira língua era o português. Muitas pessoas pensavam que Clarice falava diferente, com um certo sotaque bastante característico, porque era ucraniana. Que nada, ela falava daquele jeito, porque tinha a língua presa. A vida de emigrante ucraniana não lhe foi fácil. Além da família ser muito pobre, sua mãe ficou paralítica por causa de complicações no seu parto. Quando aprendeu a ler, Clarice, começou a devorar livros que ela achava, quando criança, que nasciam, como pássaros e árvores. Era a sua fuga da realidade difícil. Quando Clarice descobriu que livros tinham autores, ela soube que também queria ser uma autora

Anúncio publicado no Jornal do Brasil sobre a morte da escritora
“POBRE MENINA RICA”

Aos nove anos, ela produziu seu primeiro trabalho literário: uma peça infantil intitulada “Pobre Menina Rica”. Seu primeiro conto, foi publicado por Raimundo Magalhães Junior, editor da revista “Vamos Ler”. Clarice tinha 14 anos. Raimundo, antes, quis se certificar que Clarice não o tinha copiado de ninguém. Mas, antes de ler e escrever, Clarice já fabulava, inventava histórias. Inventou certa vez uma história que nunca terminava. Profissionalmente, sua estreia se deu em 1944 com o livro Perto do Coração Selvagem. O último livro que lançou em vida foi A Hora da Estrela. As obras que mais lhe impressionaram foi Crime e Castigo, de Dostoiévski, e O Lobo da Estepe, de Herman Hesse.

MÉTODO DE ESCRITA

Clarice explicava que o seu método de trabalho consistia em anotar frases à medida que lhe vinham à cabeça durante o dia. Depois, ela “cosia” esses pensamentos numa segunda fase do trabalho. A primeira fase era a mais divertida. A segunda, um saco. Trabalhava sentada numa poltrona com a máquina no colo por causa dos filhos, já que não queria que tivessem uma mãe fechada num quarto a que não pudessem ter acesso. Clarice, talvez poucos saibam, era formada em Direito, mas ela logo se desiludiu da profissão e começou a trabalhar no jornal “A Noite”, como repórter. Cobriu de tudo, menos crime e sociais. Não assinava essas matérias.

HOSPITAL DO INPS

O diagnóstico foi câncer no ovário com metástase. Tardiamente descoberto, já havia lhe tomado praticamente todo o corpo. Clarice foi hospitalizada em 1 de novembro quando sofreu uma cirurgia na Casa de Saúde São Sebastião. Como as despesas de hospitalização eram caras e a previsão de tratamento longa, o Ministro da Previdência na época, Nascimento e Silva, amigo de Clarice, assinou sua transferência para o Hospital do INPS da Lagoa, onde deu entrada em 16 de novembro, permanecendo internada por 23 dias no quarto número 600. Ajuda providencial, já que Clarice não tinha direito ao INPS pois não descontava para a Previdência Social. No hospital, Clarice permaneceu sob a responsabilidade da equipe chefiada pelo médico Luis Carlos Teixeira e esteve acompanhada das irmãs Elisa e Tânia, recebendo visitas frequentes das amigas Olga Borelli, Nelida Piñon e Ciléia Marchi. Em nenhum momento, a escritora perdeu a lucidez e a esperança de que fosse ficar boa. Na madrugada de quinta, dia 8, passou mal e precisou receber uma transfusão de sangue. Mas, não resistiu às complicações da implacável doença, e às 10h30m, de 9 de dezembro, sexta-feira, no Hospital da Lagoa, Clarice morreu.

LITERATURA FEMININA

Clarice foi sem dúvida alguma uma das maiores ficcionistas da literatura brasileira. Veio de longe para criar a literatura feminina (dificilmente feminista) no Brasil. Se outras escritoras lhe precederam, nenhuma outra atingiu a dimensão literária e artística de Clarice. Afetou e ainda afeta todas as escritoras que lhe sucederam. Viveu de maneira simples, quase nobre, ocupando-se ela própria dos afazeres domésticos. Assistia novelas, como qualquer outra dona de casa. Em 1976, quando recebeu o Premio Brasília pelo conjunto da obra, disse: “Foi uma dádiva de Deus, através dos seres humanos. Eu bem estava precisando desse dinheiro. Sinto-me um tanto humilde, por não merecer tanto”.

A AVENTURA DE PUBLICAR

Para Clarice, publicar um livro era sempre uma aventura, não pelo possível desinteresse do público pelas obras literárias mas pela apropriação indevida de que se beneficiavam, sistematicamente, as editoras. Dizia que as editoras deviam ser mais generosas, inclusive para receber os novos talentos que surgiam e que os contratos prendiam o escritor, que em geral desconhecia seus direitos. Ela mesma assinava cegamente os seus contratos. Lembrava que seu primeiro livro, “Perto do Coração Selvagem”, havia sido recusado pela editora José Olympio, sendo publicado por uma editora pequena com o seguinte contrato: “a autora não pagava nada, mas se houvesse algum lucro, seria todo da editora”.

ROSA SILVESTRE

Cerca de 150 pessoas compareceram ao seu enterro. A cerimônia foi simples. Clarice não era exatamente religiosa, por isso, a família dispensou o ritual completo. Seu corpo foi inumado na sepultura 123, fila G. O escritor Antonio Villaça lembrou que naquele mesmo dia, celebrava-se o centenário da morte de José de Alencar (“Tu viverás, Ceci, tu viverás”). O mesmo poderia ser dito de Clarice. Se a maioria das pessoas estão mortas e não sabem (ou estão vivas com charlatanismo), com Clarice, aconteceu o contrário: Tu viverás, Clarice, tu viverás! Clarice que sempre desejou não viver do passado, que esperou ter sempre o tempo presente e, mesmo que ilusoriamente, algo do futuro. Clarice que viveu com pressa, para que sua vida fosse eterna, para que sua morte fosse, como ela mesmo disse, “um dos atos mais importantes de sua vida”. Mas, como tudo isso tem tão pouca importância agora, Clarice. Já que, como as rosas silvestres, mesmo morta, você exala uma alma tão viva.

Via - Jornal GGN

Ruralista de direita e réu por improbidade assumirá o Meio Ambiente

O ruralista Ricardo Salles foi indicado, neste domingo, por Jair Bolsonaro para o Ministério do Meio Ambiente. Para Observatório do Clima, Salles “é o homem certo no lugar certo” já que o presidente eleito demonstrou que não valoriza as questões ambientais e seu indicado pensa e age do mesmo modo. Fundador do Endireita Brasil, o futuro ministro defendeu, em sua frustrada campanha para deputado federal, a eliminação esquerda.

O então secretário de Meio Ambiente de São Paulo é também presidente do movimento Endireita Brasil.
Último ministro indicado para a equipe de Bolsonaro, Ricado Salles foi Secretário Estadual de Meio Ambiente de São Paulo no governo de Geraldo Alckmin. Como secretário, alterou de maneira ilegal o plano de manejo na área de proteção ambiental Várzea do Tietê para beneficiar empresários – o que levou a Justiça paulista torná-lo réu em um processo por improbidade administrativa.

"É o homem certo no lugar certo. O presidente eleito, afinal, já deixou claro que enxerga a agenda ambiental como entrave e que pretende desmontar o Sistema Nacional de Meio Ambiente para, nas palavras dele, 'tirar o Estado do cangote de quem produz'. Nada mais adequado do que confiar a tarefa a alguém que pensa e age da mesma forma", lamentou em nota a coordenação do Observatório do Clima, uma rede brasileira de ONGs e movimentos sociais sobre mudanças climáticas.  Ainda segundo o Observatório do Clima, ao nomeá-lo Bolsonaro faz exatamente o que prometeu na campanha e o que planejou desde o início: subordinar o Ministério do Meio Ambiente ao Ministério da Agricultura.

"Se por um lado contorna o desgaste que poderia ter com a extinção formal da pasta, por outro garante que o MMA deixará de ser, pela primeira vez desde sua criação, em 1992, uma estrutura independente na Esplanada. Seu ministro será um ajudante de ordens da ministra da Agricultura".
"O ruralismo ideológico, assim, compromete o agronegócio moderno – que vai pagar o preço quando mercados se fecharem para nossas commodities", adverte a carta do Observatório.

Um nome da extrema-direita

Ricardo Salles é também mais um nome de profundas convicções direitistas. É um dos fundadores e presidente do Movimento Endireita Brasil, foi candidato a deputado federal pelo Novo. Segundo matéria do The Intercept Brasil, Salles postou nas redes sociais, antes do início da campanha deste ano, um vídeo em que falava sobre o movimento que preside e apresentava seu currículo. “Tratava-se claramente de uma peça de campanha eleitoral disfarçada, feita para driblar a legisl
ação eleitoral, que proíbe propaganda extemporânea”, afirmou João Filho, em The Intercept.

Numa peça de campanha (imagem ao lado), Salles, que usou o número 3006 – uma referência ao calibre de bala 36 – incitava o crime contra “a esquerda e o MST”. Pouco antes de ser exonerado da Secretaria de Meio Ambiete de São Paulo, o futuro ministro  mandou retirar um monumento em homenagem a Carlos Lamarca no Parque Estadual de Jacupiranga, na região do Vale do Ribeira. O ruralista, portanto, estará no “lugar certo, junto a outros personagens de extrema-direita que comporão o ministério de Jair Bolsonaro, que o indicou cumprindo o compromisso com os ruralistas de não lhes criar dificuldades por questões ambientais.

Do Portal Vermelho, com informações da RBA  e do Observatório do Clima

sábado, 8 de dezembro de 2018

JAINY SILVA – A BELA DA SEMANA


Uma beleza autêntica, aquela que procede do encanto feminino, beleza incontestável, suprema beleza digna de louvores...  Como não nos encantarmos? Como não atermos nosso olhar quando ela surge provida de todos os quesitos que definem a beleza feminina? No céu das beldades ela é estrela de primeira grandeza. Que seja dada reverência a quem é referência, por isso a louvamos, por isso é direito dela compor este rol de apreciáveis...

Jainy Silva nasceu assim, divinamente linda, naturalmente bela, geneticamente escolhida para estar entre as que fascinam nosso olhar, e por falar em olhar, como não notá-la? A natureza tem seus caprichos, seus esmeros, Jainy foi moldada, desenhada e esculpida com o propósito de fascinar-nos, deste modo, ela é encantadora, por seus méritos ela ocupa o pedestal das belas, por um direito que lhe assiste, ela tem para si uma infinidade de admiradores...

Sendo, pois, detentora da arte de encantar com naturalidade, Jainy Silva tem para si a atenção daqueles que inevitavelmente deixam-se seduzir pela beleza da musa que hora prestamos homenagem no panteão das deusas, pois, sendo bela e morena, definição mais adequada não há, do que reconhecer a deidade em mulheres comparáveis à Jainy que para nosso privilégio, aqui está confiando-nos seu nome e sua imagem para que possamos seguir louvando a supremacia da mulher.

Quisera poder expressar todo encanto traduzido na imagem de uma bela, porém, as palavras tornam-se insuficientes, uma vez que tal criatura está além das nossas definições.

Assim é Jainy Silva, definição exata no quesito beleza feminina, reverenciável beldade que hora recebe os vivas aos quais destinamos a todas aquelas que fazem deste lugar um recanto de belas.

E assim seguimos, colocando em evidência o fascínio destas beldades, cada qual com suas virtudes, mostrando aos quatro cantos do mundo que de onde estamos podemos provar que a beleza de Deusas alheias ao nosso meio, não torna menor a formosura destas do nosso convívio. Aqui está Jainy Silva, testemunho verdadeiro de que tal beleza está entre nós...

Portanto prezados apreciadores, embriaguem-se, temos uma fonte onde a beleza feminina jorra aos cântaros, atestando a isso, semanalmente aqui estamos com uma bela deleitando-nos os olhos, neste ensejo, para ocupar o pedestal das únicas, entronizamos Jainy Silva, para que à ela sejam dados os vivas destinados àquelas que são impecáveis.

Ela é o charme e a elegância que dá ao ambiente um toque de classe, ela é referência em matéria de formosura, ela é, pois, apreciável... Em suma, ela é Jainy Silva, dona de nossa atenção e Bela da Semana.

*JAINY SILVA SANTOS – Nova Londrina – PR – Filha de Aparecida de Fátima e Jackson dos Santos – Jainy é torcedora do São Paulo e estuda no Colégio Estadual Ary João Dresch.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Ketchup de acerola criado pela Universidade Federal do Ceará é premiado na França

Natchup será comercializado por empresa cearense em parceria com a UFC; lucro será revertido para a universidade e entidades sociais.


Por Edwirges Nogueira, da Agência Brasil

Imagine um molho denso, vermelho e levemente adocicado para saborear com seu sanduíche favorito ou batata frita. Rapidamente pensamos em ketchup. Agora, imagine esse molho com as mesmas características, mas feito com frutas e legumes naturais e livre de aditivos químicos e corantes. Essa é a proposta do Natchup, desenvolvido pela UFC (Universidade Federal do Ceará). No lugar do tomate, são usadas a acerola, a beterraba e a abóbora, que são abundantes no Nordeste.

A professora Lucicléia Barros, chefe do Departamento de Engenharia de Alimentos da UFC, conta que a ideia nasceu em 2016, quando os estudantes de graduação Bárbara Denise, Carolinne Filizola e Thiago Tajra queriam desenvolver um produto saudável e funcional, rico em vitamina C e livre de defensivos agrícolas, como atividade da disciplina Aspectos Básicos do Processamento de Frutos Tropicais.

“Pensamos em fazer um molho parecido com o ketchup, que é muito popular principalmente entre os jovens, mas que fosse feito a partir de um fruto e tivesse as mesmas características sensoriais. De imediato, a acerola foi a primeira cotada por ser antioxidante e rica em vitamina C. A abóbora entrou no sentido de dar a consistência do produto e por ser rica em fibras. Ficou faltando a cor e chegamos à beterraba pelo potencial corante e por também ser rica em antioxidantes.”

A ideia virou projeto de pesquisa a partir de uma bolsa do PIBIC (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica) e passou por 21 formulações para resultar no produto atual. Os três estudantes se formaram, mas a pesquisa continuou com outros professores e estudantes da UFC.

O Natchup é um dos dois alimentos brasileiros que receberam o selo Innovation Sial 2018, concedido em outubro durante o Salão Internacional de Alimentação, realizado em Paris, e será comercializado pela empresa cearense Frutã durante cinco anos, conforme parceria estabelecida com a universidade. Parte dos recursos arrecadados com a venda do Natchup será revertida para a UFC e para entidades sociais.
A aliança entre a universidade e a empresa aconteceu no início da pesquisa. “Quando provei o molho, pensei: ‘esse produto vai estourar no mundo’. Ele é à base de acerola, que pode ser cultivada toda de forma orgânica, com menos da metade do açúcar e sódio presentes no ketchup. Ou seja, é um produto para consumir sem culpa e, além de tudo, é muito gostoso”, aposta Ana Patrícia Diógenes, sócia-diretora da Frutã, que aconselha ainda que outras empresas façam parcerias com instituições de ensino e pesquisa para o desenvolvimento de produtos inovadores.

O Natchup fará parte do portfólio da empresa, que comercializa seus produtos para parte do Brasil e Alemanha, Bélgica, Portugal, Espanha, França e EUA. Segundo Ana Patrícia, durante o salão de alimentação em Paris, dez países já encomendaram o Natchup. O molho já está à venda online e deverá ser disponibilizado nos supermercados a partir do início de 2019.


quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

México deve fechar acordo com Cuba para contratar médicos que estavam no Brasil

Cubanos do Mais Médicos se despedem do Brasil

CIDADE DO MÉXICO – O novo presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, está prestes a fechar um acordo para receber pelo menos 3 mil médicos cubanos que vinham trabalhando no Brasil. A negociação entre o primeiro representante da esquerda a chegar à presidência mexicana e o regime cubano começou em setembro, segundo apurou o Estado. Cuba anunciou que retiraria seus médicos do Brasil no dia 14.

As tratativas foram mantidas em sigilo, até agora. Obrador tem um plano de austeridade que pretende reduzir o salário de servidores públicos, entre eles os médicos. Os cubanos que passaram pelo Brasil, portanto, ajudariam a cobrir cortes nos gastos públicos. “É austeridade, não vingança”, repetiu Obrador como um slogan durante sua campanha.

Lázaro Cárdenas Batel, o novo coordenador de assessores da presidência mexicana, tem sido o elo entre os representantes do regime cubano, presidido por Miguel Díaz-Canel, e colaboradores dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. O objetivo: uma adaptação mexicana do Mais Médicos, um programa que envolveu cerca de 15 mil especialistas cubanos designados para 1,6 mil municípios em algumas das áreas de mais difícil acesso do Brasil.

(…)

Via DCM

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