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domingo, 31 de janeiro de 2021

Brasil já tem quase 27 milhões de miseráveis após fim do auxílio emergencial

 

Foto reprodução

Os dados são preocupantes. Pelo levantamento, o número de brasileiros vivendo na extrema pobreza é maior que a população da Austrália.

Segundo projeções da Fundação Getúlio Vargas (FGV), já são quase 27 milhões de brasileiros que vivem na miséria após o fim do pagamento do auxílio emergencial. Com base nos dados das Pesquisas Nacionais por Amostra de Domicílio (Pnads), neste janeiro, 12,8% da população passaram a viver com menos de R$ 246 ao mês (R$ 8,20 ao dia).

“Com o fim do auxílio emergencial em dezembro, 2021 começou com um salto na taxa de pobreza extrema no Brasil. O país tem hoje mais pessoas na miséria do que antes da pandemia e em relação ao começo da década passada, em 2011”, diz reportagem de Fernando Canzian no jornal Folha de S.Paulo deste domingo (31).

Os dados são preocupantes. Pelo levantamento, o número de brasileiros vivendo na extrema pobreza é maior que a população da Austrália.

“Trata-se de um aumento significativo na comparação com o segundo semestre de 2020, quando o pagamento do auxílio emergencial a cerca de 55 milhões de brasileiros chegou a derrubar a pobreza extrema, em agosto, para 4,5% (9,4 milhões de pessoas) —o menor nível da série histórica”, revela a reportagem.

Segundo o estudo, a taxa neste começo de década é maior que a do início da anterior (12,4%) e que a de 2019 (11%). “O efeito negativo da pandemia sobre a renda dos mais pobres já tenderia a ser prolongado levando-se em conta a recuperação difícil que o Brasil tem à frente (quase sem espaço no Orçamento público para novas rodadas de auxílio emergencial), o aumento das mortes pela Covid-19 e o atraso no planejamento da vacinação”.

Com informações do jornal Folha de S.Paulo

Via – Portal Vermelho

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Meus trabalhos

 

Nessa vida aperreiada
De excluído do sistema
Eu já fiz de tudo um pouco
Já fui frentista de posto
Fui poeta e fui poema

Já trabalhei de padeiro
Oreia seca em construção
Já fui vendedor de foto
Fui colhedor de algodão

Já vendi móvel e eletro
Trabalhei de almoxarife
Fui vigilante noturno
Trabalhando no escuro
Sem ter na mão faca ou rifle

Eu também já fui porteiro
Fui professor de História
Fui atendente de mesa
Já fui mão a palmatória

Sou vapor que move a máquina
Usado na mais valia
Fui entregador de compra
Balconista em padaria

Já quebrei milho na roça
No sol quente o dia inteiro
Conduzi carro de som
Propaganda e difusão
Mas nunca tenho dinheiro... 


quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Agora um verso

 


Desde que me candidatei
Minha vida tem mudado
Virei mito, presidente
Querido por muita gente
Sou ídolo adorado
Gosto de falar besteira
Conversa sem eira nem beira
Dou coice pra todo lado
Não aliso os inimigo
Bajulo quem tá comigo
De civil até soldado
Gosto muito da função
Tô amando minha gestão
Tô me sentindo honrado
Mas o que eu gosto mesmo
Calculando ou a esmo
Na caixinha ou enlatado
Digo sem titubeá
Gosto muito de comprá
O tal leite condensado...

quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Projeto internacional mostra Brasil entre piores fracassos da pandemia

 Projeto internacional, liderado pelas Universidades de Harvard e de Cornell, compara como países de 5 continentes vêm atuando em termos de saúde pública, economia e política. Controvérsias entre ministros da saúde e presidente da República revelam a gravidade do fracasso brasileiro.

A transferência arriscada e cara às pressas de pacientes de hospitais em colapso para outros estados foi uma das imagens mais trágicas da gestão da pandemia no Norte do país. Marco Santos

Por Cézar Xavier

No Portal Vermelho

Brasil, Índia, Itália, Reino Unido e Estados Unidos representam os maiores fracassos de resposta à Covid e, por isso, foram classificados como países “caóticos” pelo projeto Comparative Covid Response: Crisis, Knowledge, Politics (CompCoRe). China, Singapura, Coreia do Sul e Taiwan como países “de controle” e Alemanha, Austrália, Áustria, França, Japão, Holanda e Suécia como “de consenso”. Pesquisadores de cada um desses países colaboraram com estudos de caso para a comparação.

Esta informação foi divulgada pela publicação de resultados preliminares de um estudo comparativo entre 16 países do impacto às respostas governamentais relacionadas a saúde pública, economia e política durante a pandemia da Covid-19. A publicação do estudo foi feita pela Universidade de Cornell e a Universidade de Harvard, ambas nos Estados Unidos.

Um dos dados mais reveladores do fracasso brasileiro foi a controversa demissão do popular ministro da saúde após a defesa de medidas de quarentena impostas por governadores e prefeitos, mas criticadas como economicamente ruinosas por Bolsonaro. Seu sucessor renunciou poucos dias depois, tornando o Brasil o único país do mundo à deriva em termos de gestão da pandemia durante algum tempo. Seguindo a deixa da postura pública de Donald Trump, o presidente Jair Bolsonaro zombou do vírus e defendeu uma política inviável de “isolamento vertical”, visando atingir os que correm mais risco e ao mesmo tempo manter a economia aberta. O número de mortos da Covid-19 no Brasil subiu para o segundo maior do mundo.

O projeto CompCoRe foi financiado pela National Science Foundation, agência governamental americana que promove o progresso da ciência, e pelo Schmidt Futures, instituição privada que busca aproximar cientistas da política pública. Os docentes e pesquisadores que participaram do estudo brasileiro foram Marko Monteiro e o pesquisador de pós-doutorado Alberto Urbinatti, da Unicamp, Gabriela Di Giulio, Ione Mendes e Felipe Reis, da USP, e Philip Macnaghten, da Universidade de Wageningen, na Holanda.

O Brasil está entre os países que mais chamaram atenção no estudo. Para Alberto Urbinatti, “a Covid-19 explicitou e aprofundou questões pré-existentes em cada país. Isto fica bastante evidente no caso brasileiro: uma intensa polarização política pré-existente deu o tom das respostas à pandemia, principalmente no que diz respeito às controvérsias que surgiram em torno das responsabilidades federal, estadual e municipal com as medidas de combate à Covid-19”. O relatório preliminar do estudo apresentou 3 tipologias diferentes de pensar as relações entre as respostas à pandemia e a forma como a sociedade aceitou ou reagiu a elas.

Mitos desmascarados

Os resultados preliminares do projeto indicam falácias comuns aos diferentes países analisados que, segundo os pesquisadores, precisam ser evitadas.

Os cinco principais lugares comuns que se mostraram falhos como referência para o combate à pandemia foram:

1) uma pandemia pode ser gerenciada por um “manual”. São poucas as normas que se aplicariam a todos os casos, realidades e novos eventos. Alguns países abandonaram manuais de pandemia para aplicar políticas públicas novas e bem sucedidas, assim como outros não entraram em consenso sobre seus manuais e acabaram fracassando;

2) em situações de emergência, as políticas públicas são mais importantes do que o contexto político; ou seja, o contexto político se mostrou definidor das políticas públicas ou ausência de sua aplicação, como nos casos em que polarizações raciais e econômicas se acentuaram e criaram desconfianças da elite governante ou no caso de sociedades consensuais em que se reforçaram os laços de solidariedade para o sucesso do enfrentamento;

3) os indicadores de sucesso e fracasso são sempre nítidos e os resultados podem ser bem definidos e medidos objetivamente. A pandemia mostrou que os dados podem ser escolhidos politicamente e valorados de forma diferente; especialistas divergem sobre quais indicadores são mais importantes e que decisões foram mais importantes para definir um quadro.

4) o assessoramento por cientistas permite que os formuladores de políticas definam as melhores políticas públicas em todos os casos. Em muitas localidades, as recomendações de cientistas se confrontaram com as dificuldades e desigualdades enfrentadas pelos gestores, pelas disputas político-ideológicas, assim como com o cansaço da população em lidar com o prolongamento de quarentenas; Cientistas não falam com uma única voz, divergem em diagnósticos e resultados, como demonstram as experiências de Brasil, Holanda, Reino Unido e Estados Unidos, por exemplo.

5) a desconfiança no assessoramento dado pelos especialistas em saúde pública reflete um “analfabetismo científico”. Este lugar comum se choca com a politização do debate e a estratégia intencional de gestores em desinformar a população desacreditando os cientistas para impor suas vontades políticas. Na experiência internacional se observa o estrelismo de certos cientistas que se confronta com ideias divergentes de pares, assim como a evolução da pandemia altera as percepções e decisões de especialistas, como Fauci, nos EUA, que mudou sua posição sobre uso de máscaras ou cientistas que mudaram sua posição sobre imunidade de rebanho e lockdowns. Muitas desconfianças sobre vacina derivam de países desiguais e conflituosos onde diferenças sociais definiram a marginalização e exploração de grupos sociais.

“Esses pontos derivam do debate sobre casos bastante diversos. Não são pontos que buscam delimitar ‘regras’, mas indicam fortemente uma necessidade de levar em conta que os fracassos de política pública e resposta à pandemia, cujos casos mais paradigmáticos são os Estados Unidos e o Brasil, devem-se não necessariamente à ausência de boas políticas públicas ou a uma ausência de bons cientistas e conhecimento, mas pela forma como tais conhecimentos e protocolos sanitários conhecidos foram ignorados ou preteridos por conta de disputas políticas, como no caso brasileiro”, aponta Marko Monteiro.

Um dos objetivos do projeto foi justamente dar soluções rápidas, bem fundamentadas e que pudesse ajudar a orientar a própria resposta dos países à pandemia. Os resultados reforçam a importância de se proteger a economia e os empregos a longo prazo e identifica que as melhores respostas de saúde pública estão relacionadas tanto a fatores biológicos, como biologia molecular, clínica médica e epidemiologia, quanto a fatores sociais, como o comportamento humano. O contexto político de cada país também é responsável pelos avanços ou retrocessos em políticas públicas.

Segundo Alberto Urbinatti, o projeto aponta nas suas conclusões questões necessárias para pensar um ‘novo globalismo’ do século XXI. As vacinas, por exemplo, “evidenciaram questões de ética e ciência em um palco global, criando novas redes de interação e conflitos políticos”. Para Marko Monteiro, dados os problemas em produzir vacinas, destaca-se a “necessidade de produzir um novo pacto global, além de um pacto social internamente a esses países, a respeito do papel da ciência nas tomadas de decisão. Um novo globalismo pode representar uma forma de reorganizar tanto cadeias de produção e relações comerciais, quanto as instituições de alcance global que participam da governança desses eventos, como a Organização Mundial da Saúde (OMS). São questões centrais para os anos futuros”.

Estados Unidos: Apesar das impressionantes conquistas dos EUA em biomedicina e extenso planejamento para preparação para pandemia, o histórico dos EUA em lidar com a crise de saúde pública da Covid-19 está entre os piores do mundo, conforme evidenciado pela incidência absoluta de fatalidades, perturbação econômica contínua, e extrema desordem política.

Alemanha: Uma resposta eficaz em nível nacional manteve a incidência per capita na Alemanha mais baixa do que em muitos de seus vizinhos em todas as ondas de transmissão que atingiram a Europa. Em contraste com os EUA e o Brasil, a resposta econômica alemã enfatizou a preservação de empregos e relações econômicas, o que resultou na preservação da estabilidade e da ordem social. As medidas de emergência foram amplas e inclusivas e não produziram controvérsias significativas em torno da ciência ou das políticas do tipo visto em muitas outras nações.

Taiwan: uma ação rápida de um oficial júnior do ministério da saúde que ouviu falar do surto de Wuhan no Twitter em 31 de dezembro de 2019 levou as autoridades de saúde a interceptar voos de chegada naquele mesmo dia e ajudou a impedir a propagação da Covid-19 em Taiwan, um país insular, quase imediatamente. As autoridades identificaram até o momento 776 casos de Covid-19 e 7 mortes. O crescimento esperado do PIB para 2020 caiu de 2,5% para 1,1%, mas ainda deixou Taiwan na rara posição de projetar crescimento positivo para o ano.

Índia: com o segundo maior número de casos e o terceiro maior número de mortes no mundo, a Índia foi duramente atingida pela Covid-19. No entanto, os números absolutos não contam a história completa, o que teria que ser responsável por grandes diferenças regionais nas taxas de letalidade relatada. Um elemento único da resposta indiana foi um bloqueio repentino e drástico que levou dezenas de milhões de trabalhadores migrantes de volta para suas vilas, enfrentando graves dificuldades na estrada e enfrentando perspectivas econômicas de longo prazo incertas. A recuperação econômica da Índia pode ser muito mais problemática do que a recuperação da doença, onde a Índia, como grande fabricante de vacinas, desfruta de vantagens tecnológicas.

Holanda: O primeiro-ministro holandês anunciou um “bloqueio inteligente” com o objetivo de controlar o vírus, mas não o cidadão, que poderia ser considerado razoável e seguir os conselhos de especialistas de maneira adequada. Essa resposta contrastou com os bloqueios totais do Sul da Europa e a abordagem sem bloqueio da Suécia. Esse “bloqueio inteligente” funcionou bem no início, mas na segunda onda de casos no outono, o progresso foi em grande parte desfeito, fazendo com que a Holanda mudasse drasticamente sua resposta, especialmente com relação às máscaras.

China: após inação desastrosa durante as primeiras semanas cruciais do surto, quando as autoridades em Wuhan suprimiram informações e autoridades sanitárias internacionais não foram bem-vindas, o CDC central chinês implementou uma política de contenção com precisão militar. A máquina avançada de vigilância digitalizada foi mobilizada e milhões de cidadãos foram testados e examinados diariamente para febre. O tratamento em hospitais designados, combinado com o rastreamento de contato parcialmente eletrônico, controlou a doença e, subsequentemente, pequenos surtos locais foram suprimidos com sucesso.

Reino Unido: Apesar de ter um sistema de saúde público universal

amado e confiável por seus cidadãos, a contagem de casos per capita do Reino Unido permanece entre os mais altos do mundo e seu próprio primeiro-ministro foi hospitalizado com Covid-19 em um momento de imenso debate sobre políticas de contenção apropriadas. A fonte oficial de aconselhamento científico do governo, o Science Advisory Group for Emergencies (SAGE), foi contestado por um grupo não oficial que se autodenominou Independent SAGE, ou “indieSAGE” para abreviar, que se tornou uma voz de oposição clamando por uma ação de saúde pública mais rigorosa do que o governo conservador perseguia.

Austrália: Em contraste com outros sistemas federais, especialmente os EUA, o governo australiano reuniu uma resposta nacional unificada à pandemia. Pela primeira vez, o primeiro-ministro estabeleceu um Gabinete Nacional que incluía os chefes de todos os estados e territórios, sem levar em conta a filiação partidária para coordenar uma resposta de “tempo de guerra”. Bloqueios rígidos, restrições a viagens internacionais e domésticas, distanciamento social e testes, rastreamento de contatos e isolamento mantiveram a incidência e a mortalidade (908 mortes) em níveis baixos.

Repercursão

O relatório foi divulgado no evento global “Schmidt Futures Forum“, que ocorreu de forma online nos dias 12 e 13 de janeiro, no qual Tedros Adhanon, diretor-geral da OMS, fez a fala de abertura Adhanom ressaltou as disparidades globais no processo de vacinação que se iniciou em dezembro de 2020, além das diferenças de aderência às recomendações de saúde púbica mapeadas no estudo. Ele destacou também o papel central de sistemas públicos de saúde diante dessa e de futuras pandemias e clamou pelo envolvimento de toda sociedade nessas ações.

O jornal americano The New York Times citou o projeto em uma matéria publicada em 15 de janeiro, na qual ressalta a noção de “condições pré-existentes” sugerida no estudo para entender as diferenças de resposta dos países no mundo.

Com informações do Jornal da Unicamp

terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Empresários reconhecem necessidade de volta do auxílio; Guedes resiste

 

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Tanto Bolsonaro quanto Paulo Guedes adotam discurso ambíguo. Não descartam a possibilidade de volta do auxílio, mas juram fidelidade ao mercado.

Com a nova onda de contágio da pandemia em meio a um cenário de desemprego e inflação, fica cada vez mais clara a necessidade da continuidade de alguma forma de proteção à população, seja por meio de uma reedição do auxílio emergencial ou outro programa de transferência de renda. Segundo Pesquisa Datafolha realizada nos dias 20 e 21 de janeiro, 69% dos brasileiros que receberam o auxílio emergencial ainda não têm fonte de renda que substitua o benefício.

Matéria publicada nesta terça-feira (26) pela Folha de S. Paulo mostra que a necessidade de renovação do auxílio já é reconhecida por entidades empresariais. Representantes da Fecomércio SP, Confederação Nacional de Serviços (CNS) e Associação Brasileira de Varejo Têxtil (Abvtex) reconheceram a necessidade da ação do poder público, com retorno do benefício. Edmundo Lima, da Abvtex, defendeu ainda o resgate do programa do governo federal que permitiu a redução de jornada e salário para evitar demissões.

O representante da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) disse que é preciso ainda esperar o desenvolvimento da pandemia para avaliar se o retorno do auxílio será necessário. Os representantes da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecções (Abit) e Confederação Nacional dos Transportes (CNT) defenderam, respectivamente, ajuda dos governos estaduais e uma campanha de conscientização sobre o vírus em vez de fechamento do comércio.

A discussão de um novo auxílio emergencial é também um ponto de concordância entre os dois candidatos mais cotados para levar a presidência da Câmara dos Deputados, o bolsonarista Arthur Lira (PP-AL) e Baleia Rossi (MDB-SP), candidato de Rodrigo Maia (DEM-RJ) que tem o apoio dos partidos de oposição.

Em resposta às pressões, tanto Jair Bolsonaro quanto Paulo Guedes têm adotado um discurso escorregadio. Não descartam a possibilidade, mas buscam assegurar ao mercado a manutenção do teto de gastos públicos e que qualquer benefício concedido será temporário.

Nesta segunda (25), Jair Bolsonaro disse que “auxílio emergencial não é aposentadoria” a apoiadores na porta do Palácio da Alvorada. “A palavra é emergencial. O que que é emergencial? O que não é duradouro, não é vitalício, não é aposentadoria. Lamento muita gente passando necessidade, mas a nossa capacidade de endividamento está no limite”, declarou.

Hoje, em evento virtual com investidores internacionais, Paulo Guedes disse que a recriação do auxílio implicaria no congelamento de despesas em áreas como educação e segurança pública. “Nós temos que ter muito cuidado. Quer criar o auxílio emergencial de novo, tem que ter muito cuidado, pensa bastante. Porque se fizer isso não pode ter aumento automático de verbas para educação, para a segurança pública”, afirmou.

No mesmo evento, Jair Bolsonaro se comprometeu com o teto de gastos e prometeu acelerar privatizações, em uma tentativa de de acalmar o mercado após seu candidato à presidência do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) não ter garantido a votação da privatização da Eletrobras e o presidente da estatal, Wilson Ferreira Júnior, ter anunciado sua demissão.

Jair Bolsonaro tem interesse pessoal na questão do auxílio emergencial, principalmente após perder a guerra da vacina contra a Covid-19 para seu maior adversário político, o governador de São Paulo, João Doria. Ele sabe que deve o aumento de sua popularidade ao benefício, cujo encerramento já começou a refletir em perda de apoio em pesquisas de opinião.

No entanto, também lhe é cara a sustentação do empresariado, que, por enquanto, ainda dá um voto de confiança à agenda liberal de Paulo Guedes. Em uma sinuca de bico, Bolsonaro vai acendendo uma vela para Deus e outra para o diabo. Caso reedite o auxílio, está claro que será em moldes liberais – um valor bem menor do que os R$ 600 ou mesmo R$ 300 anteriores, direcionado a uma parcela menor da população. Caberá, portanto, ao Congresso Nacional lutar para que os brasileiros tenham a proteção adequada para atravessar mais uma onda da pandemia.

Via Portal Vermelho

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

A pandemia piora a situação global do trabalho infantil

 

A situação do trabalho infantil piorou hoje devido à pandemia de Covid-19, por causa do aumento da pobreza que reverte o progresso na luta contra este flagelo, advertiu a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

O fechamento de escolas e medidas restritivas estão agravando a situação em que os menores devem trabalhar para contribuir com a renda familiar, disse Guy Ryder, diretor-geral da OIT, referindo-se aos 152 milhões de crianças que trabalham em todo o mundo.

Ressaltou que 'desde o início deste século, quase 100 milhões de crianças deixaram de trabalhar', entretanto, ele lembrou que situações de conflito e fragilidade como as vividas pela humanidade devido à pandemia de Covid-19 aumentam um problema que afeta uma em cada 10 crianças no mundo.

Atualmente existem 152 milhões de crianças afetadas pelo trabalho infantil, apesar de este número ter diminuído 38% na última década, de acordo com dados da OIT.

Quase metade dos casos de trabalho infantil são registrados na África (72 milhões), seguida da Ásia e do Pacífico (62 milhões), enquanto 70% dos menores que trabalham o fazem no setor agrícola, de acordo com várias organizações internacionais.

Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), 108 milhões de crianças entre cinco e 17 anos são identificadas como trabalhadores agrícolas, um setor considerado um dos mais perigosos em termos de mortes relacionadas ao trabalho.

O diretor executivo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Henrietta Fore, disse que o trabalho infantil tem sido exacerbado pelo aumento da pobreza, leis de proteção fracas e práticas culturais em alguns países.

Na última quinta-feira, 2021 foi inaugurado como o Ano Internacional para a Erradicação do Trabalho Infantil, aprovado pela Assembleia Geral da ONU em 2019, dentro das metas propostas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) que exortam os governos a erradicar o trabalho infantil até 2025.

É um apelo para proibir e eliminar as piores formas de trabalho infantil - em particular, o recrutamento e uso de crianças soldados - e para acabar com todas as formas deste problema social.

Via – Prensa Latina

domingo, 24 de janeiro de 2021

Japão persiste em sediar suas Olimpíadas

 


O comitê organizador dos XXXII Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 ratificou hoje seu compromisso de celebrá-los com sucesso de 23 de julho a 8 de agosto de 2021, com segurança e rigorosos padrões higiênico-sanitários.

O anúncio foi feito pela referida comissão em seu site, garantindo que os preparativos para o evento continuem, apesar do surto de Covid-19 no mundo e no país, especificamente em sua capital.

A nota chega à arena pública, horas depois de o jornal britânico The Times publicar um trabalho no qual cita uma fonte próxima ao governo japonês, atestando que este havia determinado o cancelamento definitivo da justa olímpica.

De acordo com o artigo do jornal britânico, o Japão buscaria então se inscrever em Tóquio para sediar os Jogos de 2032, a próxima edição disponível após Paris-2024 e Los Angeles-2028.

A este respeito, também se apresentou a governadora de Tóquio, Yuriko Koike, que negou o trabalho do The Times e garantiu que não há ideia de desistir da celebração dos Jogos de verão.

'Trabalhamos em coordenação estreita com o governo, o comitê organizador e o COI, e a verdade é que não houve discussão sobre anulação ou adiamento', disse Koike à mídia.

Os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 foram adiados meses atrás devido ao surgimento e disseminação da pandemia causada pelo coronavírus SARS-CoV-2, que ainda mantém a comunidade internacional em alerta.

Porém, esta semana o diretor-geral da Tokyo-2020, Toshiro Muto, afirmou que a comemoração dos Jogos não tem um plano B, e que trabalharão para desenvolver a luta com sucesso, mas obedecendo a fortes protocolos sanitários.

A este respeito, o primeiro-ministro Yoshihide Suga, durante uma sessão do parlamento japonês, ratificou o compromisso de seu país de realizar a reunião de verão, enquanto o presidente do COI, alemão Thomas Bach, observou que não há motivos para cancelá-la.

Em declarações à agência Kyodo japonesa, o chefe do COI disse que ele e seu executivo, junto com o comitê organizador e as autoridades 'japonesas' estão totalmente focados em tornar os Jogos seguros e bem-sucedidos.

No entanto, alertou que há possibilidades de que a frequência dos adeptos do estádio seja limitada de forma a evitar possíveis infecções pela Covid-19, já que a prioridade, disse, é preservar a saúde dos envolvidos e dos adeptos.

Via – Prensa Latina

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