quarta-feira, 8 de dezembro de 2021
Lampião e o relógio de pulso
segunda-feira, 6 de dezembro de 2021
“No Brasil, ser mulher é sinônimo de medo”, diz Luciana Santos
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| Luciana Santos é presidenta nacional do PCdoB e vice-governadora de Pernambuco i Foto: Luis Macedo |
Em 2020, o Brasil teve, oficialmente, 1.338 casos de assassinatos de mulheres por sua condição de gênero, o que caracteriza o feminicídio.
Por Priscila Lobregatte
Durante o período marcado pelos
16 Dias de Ativismo pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, a
presidenta do PCdoB e vice-governadora de Pernambuco, Luciana Santos, vem se
manifestando sobre questões importantes relativas ao tema, alertando para a
necessidade de toda a sociedade estar envolvida no combate à violência de
gênero nas mais diferentes esferas. Na terça-feira (30), ela falou, via redes
sociais, sobre o feminicídio e violência física.
“No Brasil, ser mulher é sinônimo
de medo. O país é o quinto em um ranking global de assassinatos de mulheres.
Não podemos normalizar nenhum tipo de violência. A violência física contra a
mulher é uma das formas de violência doméstica e familiar, definida, pela Lei
Maria da Penha (Lei 11.340), como qualquer conduta que ofenda a integridade
física ou a saúde corporal”, colocou.
No rol de violências listadas na
lei estão espancar, atirar objetos, sacudir, apertar os braços; estrangular,
sufocar, lesionar com objetos cortantes ou perfurantes, causar ferimentos por
queimaduras ou armas de fogo e tortura.
Em 2020, o Brasil teve,
oficialmente, 1.338 casos de assassinatos de mulheres por sua condição de
gênero, o que caracteriza o feminicídio. Na maioria dos casos, os autores são
companheiros e ex-companheiros, o que torna a mulher também vulnerável dentro
de seu próprio lar. Em relação a 2019, os números mostram um aumento de 2%,
conforme dados obtidos pelo jornal Folha de S.Paulo.
De acordo com levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do Datafolha, uma em cada quatro mulheres afirma ter sofrido algum tipo de violência (física, psicológica ou sexual), o que corresponde a 17 milhões de mulheres. E, segundo dados de dossiê feito pela agência Patrícia Galvão, entre 822 a 1.370 mulheres são estupradas a cada dia no Brasil.
Luciana destacou ainda que “para prevenir e combater as agressões e defender os direitos das mulheres, o acesso à informação, a elevação da consciência e a denúncia são essenciais”.
Muitas vezes, lembrou Luciana,
“as vítimas não denunciam seus agressores por envolvimento emocional ou algum
tipo de dependência. Por isso, entendemos que, apesar de não ser condição
suficiente, a autonomia financeira das mulheres é um pilar muito importante
para a emancipação feminina e para que elas consigam romper com o ciclo da
violência. Em várias situações, quando a violência física acontece, muitas
outras violências – como a moral e a psicológica – já aconteceram. Por isso, é
tão importante denunciar logo”.
As denúncias podem ser feitas, em
nível nacional, pelo Disque 180. Canais e instrumentos específicos também podem
ser encontrados nos níveis municipais e estaduais.
Fonte: Portal PCdoB
sábado, 4 de dezembro de 2021
Avança na Câmara dos Deputados relatório sobre combate a fake news´
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| O texto-base de autoria do deputado Orlando Silva foi aprovado pelo Grupo de Trabalho que volta a se reunir na próxima semana para concluir votação. |
O texto-base do relatório é de
autoria do deputado Orlando Silva (Paulo Sérgio/Câmara dos Deputados).
O Grupo de Trabalho (GT) que
analisa proposta de combate às fake news aprovou nesta quarta-feira (1º), por 7
votos a 4, o texto-base do relatório do deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) ao
Projeto de Lei 2630/20, do Senado, com mais de 70 apensados. A reunião do
colegiado foi encerrada antes da votação dos destaques, que deverão ser
apreciados em nova reunião marcada para a próxima semana.
O parecer busca aperfeiçoar a legislação
brasileira referente à liberdade, à responsabilidade e à transparência na
internet.
As regras previstas no relatório
se aplicarão a provedores de redes sociais, ferramentas de busca e de mensagens
instantâneas que ofertem serviços ao público brasileiro, inclusive empresas
sediadas no exterior, cujo número de usuários registrados no país seja superior
a 10 milhões.
Entre as principais modificações
em relação ao texto aprovado anteriormente no Senado está a ampliação da
abrangência da lei para ferramentas de busca, como Google e Yahoo. Porém, as
normas não valerão para as aplicações que se destinem exclusivamente a
funcionalidades de comércio eletrônico. O texto também exclui as ferramentas de
busca de algumas das regras previstas, como as de moderação de conteúdo.
Foi excluído artigo do texto do
Senado prevendo que as empresas deveriam guardar, por três meses, os registros
dos envios de mensagens em massa. Por outro lado, deverá ser limitado o
encaminhamento de mensagens ou mídias recebidas de outro usuário para múltiplos
destinatários. As listas de transmissão só poderão ser encaminhadas e recebidas
por pessoas que estejam identificadas nas listas de contatos de remetentes e
destinatários.
Conteúdos jornalísticos
Além disso, o grupo de trabalho
incluiu dispositivo para que os conteúdos jornalísticos utilizados pelos
provedores sejam remunerados. “É lugar comum dizer que desinformação se
enfrenta com informação. Se é assim, nós devemos estimular a produção de
conteúdos do jornalismo profissional, que é feito com compromisso, ética,
especialização, com obrigação de checagem e técnica determinada”, argumentou
Orlando Silva.
Publicidade restrita
A proposta ainda proíbe a
destinação de recursos públicos para publicidade em sites e contas em redes
sociais que promovam discursos violentos destinados ao cometimento de crimes
contra o Estado democrático de direito.
A administração pública também
não poderá fazer publicidade na internet em locais que promovam discursos de
discriminação e incitação à violência contra pessoa ou grupo, especialmente em
razão de sua raça, cor, etnia, sexo, gênero, características genéticas,
convicções filosóficas ou religiosas, deficiência física, imunológica,
sensorial ou mental.
Eleições
O relatório aprovado também
classifica como crime promover ou financiar a disseminação em massa de
mensagens que contenham fato sabidamente inverídico que cause dano à
integridade física das pessoas ou seja capaz de comprometer o processo
eleitoral. A pena é de reclusão de 1 a 3 anos e multa.
Nos últimos ajustes feitos ao
texto, Orlando Silva colocou em seu relatório que a imunidade parlamentar em
relação a opiniões se estende às redes sociais.
Plenário
Após concluir a votação do
relatório, o GT entregará a proposta ao presidente da Câmara, Arthur Lira
(PP-AL). A ideia é que o texto seja analisado pelo plenário.
Fonte: Liderança do PCdoB na Câmara dos Deputados com Agência Câmara
sexta-feira, 3 de dezembro de 2021
Consórcio diz que Auxílio Brasil excluiu 5,6 milhões de famílias no Nordeste
A organização dos governadores acusa que o cenário indica que o governo brasileiro avança na contramão de políticas que transfiram renda e promovam a redução das desigualdades.
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| Pobreza no interior do Nordeste (Foto: Divulgação/Força Sindical) |
Em nota, o Consórcio do Nordeste denunciou que o Auxílio Brasil excluiu na região 5,6 milhões de famílias. De acordo com a organização, os que ficaram de fora eram contemplados por três situações: “Beneficiários do Programa Bolsa Família, pessoas com CadÚnico e que não recebiam Bolsa Família e pessoas que tiveram acesso unicamente pelo Aplicativo Caixa.”
O Consórcio ressalta ainda que o
problema atingiu todas as regiões brasileiras. No Norte foram excluídas 13.181;
na região Centro-oeste, 8.320; na região Sudeste, 50.894; e na região Sul,
18.186.
“Este cenário indica que o
governo brasileiro avança na contramão de políticas que transfiram renda e
promovam a redução das desigualdades. Assim, nos dirigimos aos parlamentares,
prefeitos e governadores da região nordeste e à toda a população nordestina,
para lhes demonstrar que o Auxílio Brasil não reduz o quadro de desigualdades e
desproteções, aprofundadas com a pandemia”, diz um trevho da nota.
Para reverter essa situação, o
Consórcio propõe diálogo com todos os agentes públicos e com a população que
sofre com a negação dos seus direitos.
Confira a íntegra do documento:
Nós, Secretários e Secretárias
que integramos a Câmara Temática da Assistência Social do Consórcio Nordeste,
vimos a público expressar a nossa preocupação e indignação diante da exclusão
de beneficiários do Programa Bolsa Família e do Auxílio Emergencial, do direito
à renda, com a implantação do Programa Auxílio Brasil.
A pandemia tem aprofundado as
desigualdades no Brasil e explicitado as graves consequências sociais advindas
do cenário de restrição fiscal, de redução de recursos e de congelamento nas
pactuações do SUAS em âmbito nacional. Este cenário exige ampliar direitos
sociais, garantindo acesso a serviços e benefícios.
Em seus aspectos operacionais, o
Programa Auxílio Brasil traz graves implicações para a gestão pública. Mas é na
exclusão da população mais vulnerável, no que se refere ao direito à segurança
de renda, e no seu caráter temporário, em consequência da ausência de recursos
para o seu financiamento continuado, é onde residem os impactos mais negativos
do novo programa. Observa-se que o Auxílio Brasil não garante a manutenção da
renda para as 39 milhões de pessoas atendidas pelo Auxílio Emergencial, sendo
12,7 milhões da região nordeste.
Dados do VISDATA, referente ao
mês de outubro/2021, indicam que houve exclusão de 5.627.523 beneficiários do
Auxilio Emergencial no Nordeste, com a instituição do Programa Auxílio Brasil.
Considera-se neste total o somatório de beneficiários das três situações:
Beneficiários do Programa Bolsa Família, pessoas com CadÚnico e que não
recebiam Bolsa Família e pessoas que tiveram acesso unicamente pelo Aplicativo
Caixa.
A meta de expansão anunciada pelo
governo federal, e não confirmada, contemplaria apenas a fila dos que esperam
por inclusão no Bolsa Família (pessoas que já tinham direito, de acordo com os
critérios do programa). No caso do Nordeste, ultrapassa 800 mil famílias. O
Auxílio Brasil, além de não atender ao desafio urgente de responder à grave
realidade social do país, diante das desigualdades, da fome, da pobreza e da
desproteção, intensificada com a pandemia, desconsidera as desigualdades
regionais.
O número de famílias do Bolsa
família, excluídas pelos critérios do novo Auxílio Brasil é muito preocupante.
Observa-se que no Brasil essa exclusão foi de 148.482 famílias, sendo que desse
total, 57.901 famílias são da região Nordeste,a mais prejudicada. O Nordeste
possui as maiores taxas de desocupação e de pobreza extrema entre as cinco
regiões do país, chegando a 16,7% em 2020. Cenário que é desconsiderado pelo
governo federal.
Em todas as regiões brasileiras
observa-se exclusão de famílias beneficiárias do Bolsa Família: na região Norte
foram excluídas 13.181; na região Centro-oeste, 8.320; na região Sudeste,
50.894; e na região Sul, 18.186. O quadro a seguir apresenta esta exclusão, por
estado, na região nordeste.
Este cenário indica que o governo
brasileiro avança na contramão de políticas que transfiram renda e promovam a
redução das desigualdades. Assim, nos dirigimos aos parlamentares, prefeitos e
governadores da região nordeste e à toda a população nordestina, para lhes
demonstrar que o Auxílio Brasil não reduz o quadro de desigualdades e
desproteções, aprofundadas com a pandemia. Nesse contexto de desproteção, é
preciso considerar o cenário de maior gravidade social da região Nordeste, com
o aumento exponencial da fome e da precarização das condições de trabalho e de
vida; a demanda reprimida, inscrita no CadUnico; e o histórico de inserção
desigual da população nordestina no Bolsa Família, em relação às demais regiões
do país.
É fundamental que tenhamos capacidade política para uma ampla mobilização que reverta o processo de implantação de um programa que desestrutura políticas sociais, reduz a capacidade de gestão interfederativa e não responde às demandas imediatas por proteção social universal que priorize a população mais vulnerável. Defendemos, portanto, que seja realizado um amplo diálogo com todos os agentes públicos e com a população que sofre com a negação dos seus direitos, com vistas a potencializar esforços coletivos pela superação do cenário de crise, com fortalecimento do papel central do Estado Democrático de Direito.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2021
Projeto de privatização dos Correios não será mais votado pelo Senado neste ano
Presidente da Comissão de Assuntos Econômicos disse que a matéria foi retirada a pedido da liderança do governo.

O Projeto de Lei (PL) 591, que permite a privatização dos Correios, não irá mais a votação neste ano. Foi o que adiantou o senador Otto Alencar (PSD-BA), presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) da Casa, durante sessão nesta terça-feira (30). O relatório esteve para ser votado três semanas atrás, mas saiu da pauta.
O presidente do colegiado lembrou que o projeto foi retirado a pedido da liderança do governo. Segundo ele, “o governo percebeu que tanto na Comissão de Assuntos Econômicos, como também na votação do plenário, não haveria voto suficiente para aprovação da matéria”.
Audiência pública e relatório
Alencar afirmou ainda que tanto ele como o relator, Marcio Bittar (PSL-AC), cumpriram sua obrigação regimental. “Fizemos audiência pública e coloquei em votação o relatório (…) Mas a retirada do relatório foi por solicitação da liderança do governo. (…) E eu retirei. Diante desse fato, não houve mais nenhuma provocação para que a matéria retornasse. Diante do fato, devo esclarecer que não colocarei mais o projeto de privatização na Comissão de Assuntos Econômicos este ano, diante dos fatos que aqui relatei”, declarou o senador, que pessoalmente é contrário à proposta. “Em nenhum momento houve má vontade de postergar essa decisão”, acrescentou.
Ele lembrou que se prevê para este ano que a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) tenha lucro líquido acima de R$ 2,5 bilhões, ainda maior que o de 2020 (R$ 1,53 bilhão). O senador avaliou que ainda faltam “números confiáveis” que balizem o processo. Ainda mais considerando uma empresa estruturada em todo o país. “Os Correios chegam no fundão do Brasil, nos distritos, nos povoados”, afirmou, destacando o aspecto social dos serviços prestados pela companhia.
Na mesma sessão, o senador Paulo Paim (PT-RS) cumprimentou o presidente pelo “cuidado” com que cuida do assunto, “tratando com a grandeza que a questão exige”. Para ele, o adiamento do projeto de privatização dos Correios “vai possibilitar um debate bem mais amplo, quem sabe com audiência pública na CCJ”. Paim defende a inclusão do PL 591 na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Casa. “A demora às vezes é uma questão de sabedoria, para saber o momento certo de tomar a decisão”, emendou.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2021
Antigo polo escravocrata, Barbados rompe laço colonial britânico e se declara república
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Sandra Mason é a primeira presidenta da ilha caribenha - Governo de Barbados
Rainha Elizabeth 2ª não é mais a chefe de Estado da nação caribenha, embora país continue na Commonwealth.
Barbados retirou nesta terça-feira (30/11) o título de chefe de Estado da rainha Elizabeth 2ª e proclamou-se oficialmente uma república, numa cerimônia na qual esteve presente o filho e herdeiro da monarca britânica, príncipe Charles.
Como símbolo da mudança de regime, o estandarte real do Reino Unido foi retirado e a governadora-geral Sandra Mason prestou juramento como primeira presidente da nação do Caribe.
A troca de regime, da monarquia constitucional para a república, encerrou 396 anos de reinado da coroa britânica na ilha caribenha.
"Nossa nação deve sonhar alto e lutar pelos seus sonhos", afirmou a presidente na cerimônia.
O príncipe Charles disse que a proclamação de república é um recomeço para Barbados. "Dos dias mais sombrios de nosso passado e da terrível atrocidade da escravidão, que manchará para sempre a nossa história, o povo desta ilha forjou seu caminho com uma força extraordinária", declarou.
A cantora barbadiana Rihanna esteve presente à cerimônia e foi declarada heroína nacional.
Ex-colônia britânica
Barbados é uma antiga colônia britânica com cerca de 280 mil habitantes que se tornou independente em 1966, também no dia 30 de novembro, mas ainda mantinha laços com a monarquia britânica. A ilha pretende permanecer como membro da Commonwealth, a comunidade de nações que pertenceram ao império britânico.
Barbados não é a primeira ex-colônia britânica no Caribe a se tornar uma república, seguindo os exemplos da Guiana (1970), de Trindade e Tobago (1976) e Dominica (1978).
Também naquela época o debate sobre o racismo e a escravidão foram o pano de fundo da troca de regime, então motivada pelo movimento Black Power, e hoje pelo movimento Black Lives Matters.
A transição, mesmo pacífica, é marcada por um crescente repúdio à monarquia britânica entre a população barbadiana, no contexto de uma campanha mais ampla que inclui também reforçar os laços com a África, de onde a maior parte da população é originária, e cobrar reparações dos britânicos por crimes históricos na ilha.
Centro das plantations no Caribe
Barbados foi um dos centros no Caribe do modelo de produção baseado na escravidão e conhecido como plantation, que resultou em riqueza para os britânicos e escravidão para os negros trazidos da África.
As plantations de cana de açúcar foram introduzidas na América pelos portugueses, nos anos 1500, na costa do Brasil, e cerca de um século depois levadas pelos britânicos para Barbados e o Caribe.
terça-feira, 30 de novembro de 2021
Pesquisa do IBGE: setor rural e negros sofrem mais com perda de qualidade de vida no país
Em zonas rurais, o resultado é quase duas vezes pior. Nos domicílios que têm negros como referência, perda é quase 50% m

Indicador lançado nesta sexta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sobre qualidade de vida, aponta situação pior entre pessoas que vivem em áreas rurais e em família cuja pessoa de referência é negra.
O chamado índice de perda de qualidade de vida (IPQV) foi de 0,158 entre 2017 e 2018 – quanto mais perto de zero, melhor o resultado. Segundo o instituto, o IPQV “leva em conta moradia, acesso aos serviços de utilidade pública, saúde e alimentação, educação, acesso aos serviços financeiros e padrão de vida e transporte e lazer”.
Assim, na área urbana, esse índice ficou em 0,143, enquanto na rural subiu para 0,246. “Isso significa que na área rural, onde viviam cerca de 15% da população do país, a perda era 1,7 vez maior do que na área urbana”, diz o IBGE.

Brancos e negros
Ainda de acordo com a pesquisa, nas famílias que têm o homem como referência, o índice é de 0,151, enquanto no caso das mulheres sobe para 0,169. Essa diferença é mais expressiva no recorte de cor. Nos domicílios onde a pessoa de referência se declarou branca, o IPQV foi de 0,123. Naqueles em que a pessoa de referência era preta ou parda (classificação usada pelo instituto), sobe para 0,185.
“Isso quer dizer que a perda de qualidade de vida do grupo em que a pessoa de referência é preta ou parda é praticamente 50% acima do que se observa no grupo em que a pessoa de referência é branca”, observa o analista da pesquisa, Leonardo Oliveira. “E essa diferença não é pequena, pois faz com que esse grupo em que a pessoa de referência é preta ou parda concentre 66% das perdas reportadas no Brasil”, acrescenta.
Regiões e faixas de renda
Entre as regiões, Norte (0,225) e Nordeste (0,209) apresentaram os piores resultados. Sul (0,115) e Sudeste (0,127) tiveram o índice abaixo da média nacional, E o do Centro-Oeste foi quase igual (0,159). Segundo o instituto, embora a população seja 35% menor, o Nordeste contribui proporcionalmente mais que o Sudeste para o resultado geral: 35,9% e 33,8%, respectivamente.
A discrepância é notória também entre faixas de renda. No caso dos 10% com menor rendimento, o IPQV foi de 0,260. Na outra ponta, os 10% com maior renda, o indicador cai para 0,063. “Isso significa que a perda de qualidade de vida entre aqueles com menor renda foi mais de quatro vezes superior à do grupo com maior renda”, compara o IBGE.
O instituto apresentou também o índice de desempenho socioeconômico (IDS): o indicador que apresenta a capacidade de a sociedade produzir recursos e convertê-los em qualidade de vida. Assim, o IDS do Brasil, no mesmo período, foi 6,201. Entre as unidades da federação, Distrito Federal (6,970) e São Paulo (6,869) registraram os maiores valores. Os menores foram apurados no Pará (5.099) e no Maranhão (4,897).




