-APRESENTADO A COMARCA PARA O MUNDO E O MUNDO PARA A COMARCA

TEMOS O APOIO DE INFOMANIA SOLUÇÕES EM INFORMÁTICA Fones 9-9986-1218 - 3432-1208 - AUTO-MECÂNICA IDEAL FONE 3432-1791 - 9-9916-5789 - 9-9853-1862 - NOVA ÓTICA Fone (44) 3432-2305 Cel (44) 9-8817-4769 Av. Londrina, 935 - Nova Londrina/PR - VOCÊ É BONITA? VENHA SER A PRÓXIMA BELA DA SEMANA - Já passaram por aqui: Márjorye Nascimento - KAMILA COSTA - HELOIZA CANDIDO - JAINY SILVA - MARIANY STEFANY - SAMIRA ETTORE CABRAL - CARLA LETICIA - FLAVIA JORDANI - VIVANE RODRIGUES - LETICIA PIVA - GEOVANNA LIMA - NAIELY RAYSSA - BIANCA LIMA - VITÓRIA SOUZA - KAROLAINE SOUZA - JESSICA LAIANE - VIVIANE RODRIGUES - LETICIA LIMA - MILANE SANTOS - CATY SAMPAIO - YSABELY MEGA - LARISSA SANTANA - RAYLLA CHRISTINA - THELMA SANTOS - ALYNE FERNANDES - ALESSA LOPES - JOYCE DOMINGUES - LAIS BARBOSA PARRA - LÉINHA TEIXEIRA - LARISA GABRIELLY - BEATRIZ FERNANDES - ALINE FERNANDA - VIVIANE GONÇALVES - MICAELA CRISTINA - MONICA OLIVEIRA- SUELEN SLAVIERO - ROSIMARA BARBOSA - CAMILA ALVES - LAIZA CARLA SANTOS - IZADORA SOARES - NATHÁLIA TIETZ - AMANDA SANTOS - JAQUELINE ACOSTA - NAJLA ANTONZUK - NATYELI NEVES - LARISSA GARCIA - SUZANA NICOLINI - ANNA FLÁVIA - LUANA MAÍSA - MILENA AMÂNCIO - LAURA SALVATE - IASMYN GOMES - FRANCIELLY KOGLER - LIDIANE TRAVASSOS - PATTY NAYRIANE - ELLYN FONSECA - BEATRIZ MENDONÇA - TAYSA SILVA - MARIELLA PAOLA - MARY FERNANDES - DANIELLE MEIRA - *Thays e Thamirys - ELLEN SOARES - DARLENE SOARES - MILENA RILANI - ISTEFANY GARCIA - ARYY SILVA - ARIANE SILVA - MAYARA TEIXEIRA - MAYARA TAKATA - PAOLA ALVES - MORGANA VIOLIM - MAIQUELE VITALINO - BRENDA PIVA - ESTEFANNY CUSTÓDIO - ELENI FERREIRA - GIOVANA LIMA - GIOVANA NICOLINI - EVELLIN MARIA - LOHAINNE GONÇALVES - FRANCIELE ALMEIDA - LOANA XAVIER - JOSIANE MEDEIROS - GABRIELA CRUZ- KARINA SPOTTI - TÂNIA OLIVEIRA - RENATA LETÍCIA - TALITA FERNANDA - JADE CAROLINA - TAYNÁ MEDEIROS - BEATRIZ FONTES - LETYCIA MEDEIROS - MARYANA FREITAS - THAYLA BUGADÃO NAVARRO - LETÍCIA MENEGUETTI - STEFANI ALVES - CINDEL LIBERATO - RAFA REIS - BEATRYZ PECINI - IZABELLY PECINI - THAIS BARBOSA - MICHELE CECCATTO - JOICE MARIANO - LOREN ZAGATI - GRAISELE BERNUSSO - RAFAELA RAYSSA - LUUH XAVIER - SARAH CRISTINA - YANNA LEAL - LAURA ARAÚJO TROIAN - GIOVANNA MONTEIRO DA SILVA - PRISCILLA MARTINS RIL - GABRIELLA MENEGUETTI JASPER - MARIA HELLOISA VIDAL SAMPAIO - HELOÍSA MONTE - DAYARA GEOVANA - ADRIANA SANTOS - EDILAINE VAZ - THAYS FERNANDA - CAMILA COSTA - JULIANA BONFIM - MILENA LIMA - DYOVANA PEREZ - JULIANA SOUZA - JESSICA BORÉGIO - JHENIFER GARBELINI - DAYARA CALHEIROS - ALINE PEREIRA - ISABELA AGUIRRE - ANDRÉIA PEREIRA - MILLA RUAS - MARIA FERNANDA COCULO - FRANCIELLE OLIVEIRA - DEBORA RIBAS - CIRLENE BARBERO - BIA SLAVIERO - SYNTHIA GEHRING - JULIANE VIEIRA - DUDA MARTINS - GISELI RUAS - DÉBORA BÁLICO - JUUH XAVIER - POLLY SANTOS - BRUNA MODESTO - GIOVANA LIMA - VICTÓRIA RONCHI - THANYA SILVEIRA - ALÉKSIA LAUREN - DHENISY BARBOSA - POLIANA SENSON - LAURA TRIZZ - FRANCIELLY CORDEIRO - LUANA NAVARRO - RHAYRA RODRIGUES - LARISSA PASCHOALLETO - ALLANA BEATRIZ - WANDERLÉIA TEIXEIRA CAMPOS - BRUNA DONATO - VERÔNICA FREITAS - SIBELY MARTELLO - MARCELA PIMENTEL - SILVIA COSTA - JHENIFER TRIZE - LETÍCIA CARLA -FERNANDA MORETTI - DANIELA SILVA - NATY MARTINS - NAYARA RODRIGUES - STEPHANY CALDEIRA - VITÓRIA CEZERINO - TAMIRES FONTES - ARIANE ROSSIN - ARIANNY PATRICIA - SIMONE RAIANE - ALÉXIA ALENCAR - VANESSA SOUZA - DAYANI CRISTINA - TAYNARA VIANNA - PRISCILA GEIZA - PATRÍCIA BUENO - ISABELA ROMAN - RARYSSA EVARISTO - MILEIDE MARTINS - RENATHA SOLOVIOFF - BEATRIZ DOURADO - NATALIA LISBOA - ADRIANA DIAS - SOLANGE FREITAS - LUANA RIBEIRO - YARA ROCHA - IDAMARA IASKIO - CAMILA XAVIER - BIA VIEIRA - JESSICA RODRIGUES - AMANDA GABRIELLI - BARBARA OLIVEIRA - VITORIA NERES - JAQUE SANTOS - KATIA LIMA - ARIELA LIMA - MARIA FERNANDA FRANCISQUETI - LARA E LARISSA RAVÃ MATARUCO - THATY ALVES - RAFAELA VICENTIN - ESTELLA CHIAMULERA - KATHY LOPES - LETICIA CAVALCANTE PISCITELI - VANUSA SANTOS - ROSIANE BARILLE - NATHÁLIA SORRILHA - LILA LOPES - PRISCILA LUKA - SAMARA ALVES - JANIELLY BOTA - ELAINE LEITE CAVALCANTE - INGRID ZAMPOLLO - DEBORA MANGANELLI - MARYHANNE MAZZOTTI - ROSANI GUEDES - JOICE RUMACHELLA - DAIANA DELVECHIO - KAREN GONGORA - FERNANDA HENRIQUE - KAROLAYNE NEVES TOMAS - KAHENA CHIAMULERA - MACLAINE SILVÉRIO BRANDÃO - IRENE MARY - GABRIELLA AZEVEDO - LUANA TALARICO - LARISSA TALARICO - ISA MARIANO - LEIDIANE CARDOSO - TAMIRES MONÇÃO - ALANA ISABEL - THALIA COSTA - ISABELLA PATRICIO - VICTHORIA AMARAL - BRUNA LIMA - ROSIANE SANTOS - LUANA STEINER - SIMONE OLIVEIRA CUSTÓDIO - MARIELLE DE SÁ - GISLAINE REGINA - DÉBORA ALMEIDA - KIMBERLY SANTOS - ISADORA BORGHI - JULIANA GESLIN - BRUNA SOARES - POLIANA PAZ BALIEIRO - GABRIELA ALVES - MAYME SLAVIERO - GABRIELA GEHRING - LUANA ANTUNES - KETELEN DAIANA - PAOLLA NOGUEIRA - POLIANY FERREIRA DOS ANOS - LUANA DE MORAES - EDILAINE TORRES - DANIELI SCOTTA - JORDANA HADDAD - WINY GONSALVES - THAÍSLA NEVES - ÉRICA LIMA CABRAL - ALEXIA BECKER - RAFAELA MANGANELLI - CAROL LUCENA - KLAU PALAGANO - ELISANDRA TORRES - WALLINA MAIA - JOYCE SAMARA - BIANCA GARCIA - SUELEN CAROLINE - DANIELLE MANGANELLI - FERNANDA HARUE - YARA ALMEIDA - MAYARA FREITAS - PRISCILLA PALMA - LAHOANA MOARAES - FHYAMA REIS - KAMILA PASQUINI - SANDY RIBEIRO - MAPHOLE MENENGOLO - TAYNARA GABELINI - DEBORA MARRETA - JESSICA LAIANE - BEATRIS LOUREIRO - RAFA GEHRING - JOCASTA THAIS - AMANDA BIA - VIVIAN BUBLITZ - THAIS BOITO - SAMIA LOPES - BRUNA PALMA - ALINE MILLER - CLEMER COSTA - LUIZA DANIARA – ANA CLAUDIA PICHITELLI – CAMILA BISSONI – ERICA SANTANA - KAROL SOARES - NATALIA CECOTE - MAYARA DOURADO - LUANA COSTA - ANA LUIZA VEIT - CRIS LAZARINI - LARISSA SORRILHA - ROBERTA CARMO - IULY MOTA - KAMILA ALVES - LOISLENE CRISTINA - THAIS THAINÁ - PAMELA LOPES - ISABELI ROSINSKI - GABRIELA SLAVIERO - LIARA CAIRES - FLÁVIA OLIVEIRA - GRAZI MOREIRA - JESSICA SABRINNI - RENATA SILVA -SABRINA SCHERER - AMANDA NATALIÊ - JESSICA LAVRATE - ANA PAULA WESTERKAMP- RENATA DANIELI - GISELLY RUIZ - ENDIARA RIZZO - *DAIANY E DHENISY BARBOSA - KETLY MILLENA - MICHELLE ENUMO - ISADORA GIMENES - GABRIELA DARIENSO - MILENA PILEGI - TAMIRES ONISHI - EVELIN FEROLDI - ELISANGELA SILVA - PAULA FONTANA CAVAZIM - ANNE DAL PRÁ - POLLIANA OGIBOWISKI - CAMILA MELLO - PATRICIA LAURENTINO - FLOR CAPELOSSI - TAMIRES PICCOLI - KATIELLY DA MATTA - BIANCA DONATO - CATIELE XAVIER - JACKELINE MARQUES - CAROL MAZZOTTI - DANDHARA JORDANA - BRENDA GREGÓRIO - DUDA LOPES - MILENA GUILHEN - MAYARA GREGÓRIO - BRUNA BOITO - BETHÂNIA PEREIRA - ARIELLI SCARPINI - CAROL VAZ - GISELY TIEMY -THAIS BISSONI - MARIANA OLIVEIRA - GABRIELA BOITO - LEYLLA NASCIMENTO - JULIANA LUCENA- KRISTAL ZILIO - RAFAELA HERRERA - THAYANA CRISTINA VAZ - TATIANE MONGELESKI - NAYARA KIMURA - HEGILLY CORREIA MIILLER - FRANCIELI DE SANTI - PAULA MARUCHI FÁVERO - THAÍS CAROLINY - IASMIM PAIVA - ALYNE SLAVIERO - ISABELLA MELQUÍADES - ISABELA PICOLLI - AMANDA MENDES - LARISSA RAYRA - FERNANDA BOITO - EMILLY IZA - BIA MAZZOTTI - LETICIA PAIVA - PAOLA SLAVIERO - DAIANA PISCITELLE - ANGELINA BOITO - TALITA SANTOS Estamos ha 07 anos no ar - Mais de 700 acessos por dia, mais de um milhão de visualizações - http://mateusbrandodesouza.blogspot.com.br/- Obrigado por estar aqui, continue com a gente

domingo, 30 de agosto de 2015

Cruzeiro do Oeste/Noroeste do PR - Pesquisadores descobrem fósseis de iguana pré-histórica no sul do Brasil

'Gueragama sulamericana' habitava a América do Sul há 80 milhões de anos. Pesquisadores descobriram mandíbula de animal em Cruzeiro do Oeste.

Imagem feita pelos pesquisadores mostra como era o Gueragama sulamericana (Foto: Divulgação/ Universidade do Constestado)
Por Luciane Cordeiro
Do G1 PR

Com 15 centímetros de comprimento, pele marrom avermelhada e dentes fundidos aos ossos, a espécie de dinossauro Gueregama sulamericana é a mais nova descoberta de paleontólogos brasileiros. Os fósseis do antigo habitante do deserto da América do Sul foram encontrados em Cruzeiro do Oeste, no noroeste do Paraná, no sítio arqueológico mais importante do estado, em agosto de 2014, mas só na quarta-feira (26) a descoberta foi publicada na revista científica Nature.

O animal, que tem características de iguana e de lagarto, viveu no Deserto Cauiá – que compreendia parte do centro-oeste, sudeste e sul do Brasil- há mais de 80 milhões de anos.  A rara descoberta mostrou aos pesquisadores que esse tipo de réptil habitava a América do Sul muito antes do que se imaginava.

“Esse fóssil não é nada igual ao que já foi encontrado em outras partes do mundo. Sabíamos que o grupo desse tipo animal existia, mas não encontrávamos fósseis desse réptil na América do Sul”, explica o pesquisador e professor da Universidade do Contestado, Everton Wilner.

Antes de encontrarem esse material, especialistas em répteis acreditavam que esses animais tinham se dispersado pelo mundo há 66 milhões de anos. “Agora sabemos que a dispersão na América do Sul se deu bem antes desse período”, acrescenta o pesquisador.

O fóssil mais antigo que pertence ao mesmo grupo de animais tem entre 180 e 160 milhões de anos, e foi localizado na Índia. Vestígios também foram encontrados na Europa e África.

Pelo tamanho da mandíbula (18mm), os pesquisadores acreditam que o fóssil encontrado era de uma fêmea. “Nós sabemos que essa espécie vivia o tempo todo escondida em tocas do deserto, para evitar predadores, e também perto da água. A região de Cruzeiro do Oeste tinha essas características. E onde há água, há vida”, detalha Wilner.

A pesquisa foi feita pelos pesquisadores da Universidade do Contestado, Everton Wilner e Luiz Carlos Weinschütz, pelos especialistas em répteis da Universidade de Alberta, do Canadá, Tiago Rodrigues Simões e Michael Caldwell, e pelo paleontólogo Alexander Kellner, no Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

O exemplar da Gueragama sulamericana ficará guardado no Museu da Terra e da Vida, da Universidade do Contestado, em Mafra, Santa Catarina. “É uma peça rara e precisa ser armazenada com cuidado. Vamos tirar fotos e expor para os visitantes conhecerem”, diz o paleontólogo Everton Wilner.

Pesquisadores coletaram fóssil de dinossauro em área rural de Cruzeiro do Oeste (Foto: Divulgação/ Universidade do Constestado)

Local rico em história

Essa não foi a primeira descoberta de fósseis em Cruzeiro do Oeste. Em 2014, os mesmos pesquisadores encontraram ossos de uma nova espécie de pteurossauro. Os paleontólogos nomearam o pequeno réptil voador de Caiuajara Dobruskii, que viveu na região há aproximadamente 80 milhões de anos.

Os fósseis foram descobertos por moradores na década de 1970, mas somente em 2011 os materiais foram estudados.

"Foram retiradas aproximadamente cinco toneladas de rochas de arenito de Cruzeiro do Oeste, e todo conteúdo possui material fóssil. Acreditamos que vamos encontrar mais espécies de dinossauros dos fósseis que retiramos do local", constata Everton Wilner.

Associação de rádios comunitárias pede mais apoio e menos burocracia

Durante os dias 21, 22 e 23 de agosto, a Associação Brasileira de Rádios Comunitárias realizou seu 8° Congresso. As dificuldades que as emissoras enfrentam para apresentar um modelo de comunicação mais plural e democrático foram a linha principal dos debates no evento.

As dificuldades enfrentadas no Brasil não são muito diferentes daqueles que as comunitárias de outros países da América Latina enfrentam,

Em um momento do país em que a mídia promove de forma irresponsável um quadro de caos econômico e social, representantes de rádios comunitárias de diversas regiões brasileiras se reuniram em Brasília para discutir estratégias que visam fortalecer a comunicação democrática e a atuação dessas emissoras como contraponto à manipulação da informação. Mas os caminhos não são fáceis.

Coordenador da associação até o Congresso, José Sóter, defendeu a necessidade de alterar a regras urgentemente, entre elas, as que tratam da publicidade. Por lei, as emissoras não podem veicular espaço publicitário de forma mais detalhada. "A propaganda da padaria não pode falar que o pão é gostoso, nem seu preço", exemplifica. O único formato permitido é o chamado apoio cultural, pelo qual só se divulga o nome do estabelecimento.

Criminalização

Outro ponto destacado foi a descriminalização do setor que enfrenta regras impostas pela Lei 9612, de 1998, responsável por regulamentar a radiodifusão comunitária no país e dificultar a tramitação dos documentos.

Para a Secretária Nacional de Comunicação da CUT, Rosane Bertotti, é fundamental a prioridade para as rádios comunitárias nas políticas públicas de comunicação, eliminando a burocracia e as restrições impostas atualmente. “O fim da criminalização é fundamental para garantir a anistia aos milhares de comunicadores perseguidos e condenados pelo exercício da liberdade de expressão e do direito à comunicação”, definiu.

Como resposta à pressão da Abraço, o coordenador-geral de Radiodifusão Comunitária do Ministério das Comunicações, Samir Nobre, apresentou novas regras, que valerão a partir do Plano Nacional de Outorgas, a ser lançado em breve. Segundo ele, as mudanças representam o início de uma nova relação entre as emissoras e o governo e diminuirão a quantidade de documentos necessários para outorgas.

Conforme já destacado na abertura do Congresso, o controle de veículos de comunicação por políticos e religiosos não está somente no circuito comercial. Ocorre também nas comunitárias. Samir relatou casos em que as autorizações de emissoras não foram renovadas por serem controladas por políticos ou pastores de igrejas, situação que foge dos princípios básicos de radiodifusão comunitária, apontou.

Para José Sóter, as propostas apresentadas representam um avanço, mas não suficientes ainda para desenvolver o setor de forma justa. Um primeiro passo, segundo ele, seria as comunitárias assumirem a manutenção da estrutura da Abraço para que a entidade reforce sua voz. A associação oferece apoio, inclusive jurídico, para que as rádios entrem no ar sem receber nada por isso.

Segundo o dirigente, o financiamento é ponto crítico. “Com cinco mil rádios no ar graças à atuação da Abraço, é hora das emissoras assumirem o protagonismo da entidade. Mas para isso a captação de recursos deve avançar. Seja por meio do espaço publicitário, seja por meio de recursos públicos. Se tem recurso para salvar banco de quebradeira, nós queremos benefícios também”.

Outro ponto que Sóter questiona é a exigência da representatividade. Para que a autorização seja concedida, é necessário que a associação apresente uma lista de assinaturas, a chamada lista de apoio. José Sóter explica que o correto é verificar o quadro de associados da entidade que pleiteia a autorização. “Fica fácil para igrejas, por exemplo, passarem uma lista em seus cultos ou qualquer um ir até um local público e colher assinaturas, aleatoriamente”, explica.

Diálogo

Para que as questões que envolvem o relacionamento entre poder público e comunitárias avancem, um dos caminhos é a "participação social", defendeu o secretário nacional de participação social da Presidência da República, Renato Simões. “Rádios comunitárias são parte da política de participação social e o governo tem como prioridade a participação por intermédio de meios digitais. O Congresso da Abraço é o espaço para uma reflexão sobre novos passos a serem dados no futuro, com a atuação das comunitárias”, afirmou.


O que vai ao ar

O encontro tratou ainda da produção do conteúdo. A ideia defendida pelos participantes foi a criação de uma rede a partir da qual o material seria compartilhado pelas emissoras não necessariamente sendo veiculados nos mesmos horários, mas estabelecendo uma linguagem comum às comunitárias.


Essa seria uma forma de driblar a falta de orçamento ou dificuldades técnicas e de equipe para produção de reportagens. A proposta é utilizar material público e de outras entidades como CUT, TVT, EBC, Ministérios da Educação e da Cultura, entre outras fontes.

América latina

As dificuldades enfrentadas no Brasil não são muito diferentes daqueles que as comunitárias de outros países da América Latina enfrentam, Isso ficou evidente na intervenção do jornalista Beto Almeida, conselheiro da Telesur, rede de televisão pública multiestatal.

Ele apresentou casos em que as comunitárias exercem um papel importante em processos democráticos, como a cobertura alternativa de processos eleitorais em países como Venezuela, Bolívia e Equador.

Beto Almeida ainda citou a questão do financiamento como fator fundamental para a sobrevivência das comunitárias: “A Veja tem 14 páginas de patrocínio da Petrobrás, ou seja, dinheiro público. Com o valor investido em uma publicação como essa, que ‘avacalha’ com o governo, muitas comunitárias poderia ter sua produção incrementada, em prol de uma comunicação mais democrática e plural”.

Mulheres nas rádios comunitárias

Outro momento de destaque do Congresso foi o 2° Encontro do Coletivo de Mulheres da Abraço. Com o objetivo de debater e fortalecer a atuação das mulheres na gestão das emissoras, o econtro contou com a participação de Rose Scalabrin, secretária de articulação institucional e ações temáticas da Secretaria de Políticas para Mulheres da Presidência da República. Em sua apresentação, ela afirmou que "a participação das mulheres na política deve começar na própria comunidade". Ressaltou que uma Reforma Política que acabe com o financiamento privado de campanha é o caminho mais curto para o empoderamento das mulheres. Ela citoui que o "perfil masculino" de candidatos é o preferido dos financiadores de candidatos.

Nova coordenação:

Em eleição no último dia do Congresso, Valdei Borges, de Goiás foi eleito novo coordenador executivo da entidade. José Sóter prossegue como coordenador da Agência Abraço , que tem a função de assessorar e prover conteúdo às emissoras associadas e como consultor da entidade.


Do Portal Vermelho, com informações da CUT


Lei das Cotas garante mais de cem mil vagas para estudantes negros

Sancionada pela presidenta Dilma Rousseff, exatamente há três anos, a Lei de Cotas garantiu mais de 111 mil vagas para estudantes negros nas universidades federais, institutos federais de educação. E esse número pode chegar a 150 mil até o fim deste ano. Conforme dados divulgados nesta semana pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) A Lei nº 12.711 foi criada com o intuito de ampliar o acesso da população negra, indígena e de baixa renda ao ensino superior e técnico.


Levantamento realizado pela Seppir apontou que, em 2013, 51 mil vagas das instituições federais de ensino superior e técnico foram ocupadas por estudantes negros. No ano passado, o número subiu para quase 61 mil. A estimativa da secretaria é que até o fim 2015, 40 mil vagas sejam ocupadas por negros, totalizando 150 mil vagas. Os números definitivos deste ano só serão conhecidos em 2016.

Reparação histórica

Para a ex-reitora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e ex–ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), Nilcéa Freire, a legislação visa corrigir uma distorção histórica na sociedade brasileira que remonta à escravidão, que fez com que estes grupos ficassem praticamente relegados, quase sem acesso ao ensino superior.

“Eu diria que estamos pagando, de certa forma, a dívida com os nossos ancestrais que padeceram na escravidão. Até hoje podemos ver resquícios desse processo. Basta olhar, nas universidades, o conflito que houve para implantar o sistema de cotas. E se você olha para determinadas categorias, como as trabalhadoras domésticas, só agora, depois de tantos anos é que elas começam a conquistar o seu status de trabalhadoras como as demais”, disse Nilcéa, em entrevista ao programa de rádio Viva Maria.

A Uerj foi a primeira instituição de ensino superior no país a adotar o sistema de cotas, em 2001. Na época, Nilcéa era a reitora da instituição, onde se formou em Medicina. Ela destaca que um dos efeitos mais positivos da legislação foi ter possibilitado que estudantes negros de escolas públicas, jovens da periferia e das favelas tenham chance de sonhar com uma carreira. “Quando eu vejo na minha universidade de origem a foto da formatura da primeira turma de médicos que prestou vestibular já no regime de cotas eu fico muito feliz. É uma turma colorida que tem a diversidade do povo brasileiro”, disse.

Ela lembra que o debate sobre a legislação gerou muita polêmica e resistência por parte de alguns segmentos. Nilcéa comparou a resistência ao que chamou de “lógica do ônibus cheio”. “Depois que você entra, não quer mais que ele pare em nenhum ponto e essa lógica permanece na sociedade brasileira. Nós ainda temos um caminho longo a trilhar na construção de uma sociedade mais solidária. Porque, na verdade, trata-se de ampliar os laços de solidariedade para que a sociedade toda possa avançar junto e não somente parte da sociedade”, afirmou.

O professor de Ciência Política da Uerj e da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, João Feres Júnior afirma que a quantidade de pretos e pardos nas universidades mais do que triplicou entre 2012 (ano da lei) e 2014, ao saltar de 13 mil para 43 mil estudantes.

USP disse "não" às cotas

Enquanto todas as universidades federais e a grande maioria das estaduais aderiram à reserva de vagas, a Universidade de São Paulo disse não às cotas. O professor Feres Júnior cita universidades estrangeiras como Harvard, Princenton e Berkeley para dizer que a USP erra ao ignorar as cotas. “A USP representa o elitismo contraproducente porque as universidades mais bem avaliadas no mundo são ardorosas defensoras.”

O professor menciona pelo menos duas razões para aumentar o número de pretos, pardos e indígenas nos cursos de graduação. Ele defende a reparação aos negros, escravizados por séculos e ainda hoje tratados pela condição de pele. Além disso, “as universidades são o principal instrumento de ascensão social”.

Por unanimidade STF aprova sistema de cotas

O Supremo Tribunal Federal decidiu, em 2012, pela constitucionalidade da reserva de vagas em universidades públicas com base no sistema de cotas raciais. Os dez ministros que participaram da votação se manifestaram a favor da constitucionalidade do sistema, seguindo o voto do relator, Ricardo Lewandowski. À época, o ministro lembrou que em 2012 [antes da aplicação da Lei] apenas 2% dos negros conquistavam um diploma universitário no Brasil e afirmou que “aqueles que hoje são discriminados têm um potencial enorme para contribuir para uma sociedade mais avançada".

“Para possibilitar que a igualdade material entre as pessoas seja levada a efeito, o Estado pode lançar mão, seja de políticas de cunho universalista – que abrangem um número indeterminado de indivíduos, mediante ações de natureza estrutural – seja de ações afirmativas, que atingem grupos sociais determinados, de maneira pontual, atribuindo a estes certas vantagens, por um tempo limitado, de modo a permitir-lhes a superação de desigualdades decorrentes de situações históricas particulares”, afirmou Lewandowski.

Estatuto da Igualdade Racial

O debate polêmico sobre a adoção das cotas nas universidades ocorreu com mais intensidade a partir de 2010, quando o Estatuto da Igualdade Racial entrou e vigor, pois, a partir dele foram criadas uma série de políticas públicas em prol dos afro-brasileiros, como a inclusão dessas comunidades em programas do governo e outras áreas da sociedade.

A Lei 12.711 de 2012

Apelidada de Lei das Cotas, a regra garante a reserva de 50% das matrículas por curso e turno nas 59 universidades federais e 38 institutos federais de educação, ciência e tecnologia a alunos oriundos integralmente do ensino médio público, em cursos regulares ou da educação de jovens e adultos. Os demais 50% das vagas permanecem para ampla concorrência.

Pelo Decreto, a implementação acontece gradativamente. Em 2013 foram reservadas, pelo menos, 12,5% do número de vagas ofertadas e isso acontecerá de forma progressiva ao longo dos próximos quatro anos, até chegar à metade da oferta total do ensino público superior federal.

Ainda segundo a Seppir, atualmente a Lei de cotas é cumprida por 128 instituições federais de ensino.

Do Portal Vermelho, Eliz Brandão, com agências

Professor negro americano é barrado em hotel nos Jardins em SP

O professor titular da Universidade de Columbia, em Nova York, Carl Hart.

Convidado pelo Instituto Brasileiro de Ciências Criminais para falar sobre como a guerra às drogas tem sido usada para atingir certos grupos sociais mais vulneráveis, entre eles, jovens pobres e negros, em lugares como o Brasil e os EUA, o professor titular da Universidade de Columbia, em Nova York, Carl Hart, foi barrado na última quinta-feira (27), na entrada do hotel Tivoli Mofarrej, nos Jardins, em São Paulo.

Resolvido o imbróglio, Hart percebeu que era o único negro no auditório no qual falou para advogados criminalistas e juízes. "Vocês deveriam ter vergonha disso", disse ele à plateia. Em entrevista à Folha, Hart, que pesquisa drogas há 20 anos, disse que sua percepção sobre o assunto mudou drasticamente quando começou a "olhar para quem estava preso por crimes ligados às drogas nos EUA".

"Apesar de os negros serem menos da metade dos usuários de drogas nos EUA, eles compõem muito mais da metade dos presos por causa de drogas. Um em cada três jovens negros americanos serão presos pelo menos uma vez na vida por causa das leis de drogas", explicou. "Ou seja, a guerra às drogas tem sido usada para marginalizar os pobres."

Fonte: Brasil 247

sábado, 29 de agosto de 2015

Michel Carvalho da Silva: A viralização do senso comum

Quem já recebeu alguma mensagem via whatsapp informando que o governo vai confiscar a caderneta de poupança ou que o Congresso vai votar um projeto que acaba com o 13º salário? Outro conteúdo falso que “viralizou” no Facebook nos últimos tempos se refere ao auxílio-reclusão, que seria pago diretamente ao criminoso, ou ainda que o benefício se multiplicava conforme o número de filhos do preso ou da presa.

A viralização do senso comum nas redes sociais

Por Michel Carvalho da Silva*, no Observatório da Imprensa

Muitas mensagens circulam pela internet e nem sempre elas são verdadeiras. Mas como pode o cidadão comum distinguir, num volume pulverizado de informação, entre aquela confiável, verídica e relevante, e aquela errônea, imprecisa e falsa? É evidente que essa questão está relacionada ao nível de empoderamento do indivíduo, que varia de acordo com o grau de instrução, a consciência política e os hábitos midiáticos de cada um.

Uma pesquisa divulgada recentemente pelo Pew Research Center mostra que cresceu nos últimos dois anos a influência das redes sociais na tarefa de manter os cidadãos informados. Os sites de notícias, antes tradicionais fontes de informação, foram descritos no estudo como fontes secundárias na hora de saber sobre um assunto ou acontecimento.

As redes sociais podem impulsionar o engajamento cívico devido à sua flexibilidade ao permitir aos usuários acessar informações sob demanda, receber notícias de maneira instantânea, aprender sobre diversos temas, personalizar conteúdo de acordo com seus interesses e aprofundar a discussão em torno de assuntos mais complexos.

Acesso à informação é um direito

No entanto, o potencial da internet para ampliar o grau de informação do indivíduo ainda é limitado por fatores como o desinteresse da coletividade ou a inabilidade das pessoas em assimilar grandes volumes de dados e relacionar fatos. Daí a importância de uma educação que subsidie o cidadão a entender a burocracia governamental e o funcionamento do sistema político (conhecimento das regras gerais, familiaridades com as estatísticas e as plataformas de governo). Só uma pessoa que reúna essas competências poderá acompanhar e fiscalizar as políticas públicas implementadas pelos agentes públicos.

A desinformação, fruto da imprecisão, da mentira ou do ruído informacional, contribui para a ignorância das pessoas e inviabiliza o debate democrático. Aliás, é preocupante quando observamos que uma informação é manipulada simplesmente com o propósito de causar pânico ou revolta com vistas a beneficiar um segmento político. Não podemos nos esquecer também do triste episódio, ocorrido no ano passado no Guarujá, em que uma mulher foi espancada até a morte após boato espalhado em rede social que a acusava de sequestro e bruxaria.

Diante disso, é preciso verificar se a informação veiculada é de uma fonte confiável, como sites institucionais, páginas de jornais conhecidos e blogues de profissionais respeitados. Também é importante pesquisar se mais de uma fonte publicou a notícia, isso denota maior credibilidade à mensagem. Outro aspecto relevante é identificar se o conteúdo divulgado não é oriundo de um site de notícias falsas ou de conteúdo exclusivamente humorístico, como o Sensacionalista.

A informação tem relevância para o exercício pleno da cidadania e a formação de opinião. Por isso, o acesso à informação é um direito que antecede os demais, pois quem está bem informado tem maiores possibilidades de reivindicar outros direitos. As redes sociais oferecem oportunidades significativas para a politização da sociedade e um maior engajamento do cidadão no processo de deliberação pública, mas é preciso, antes de tudo, discernimento para não reproduzir o senso comum “viralizado” na internet.

*Michel Carvalho da Silva é jornalista, professor e mestre em Ciências da Comunicação.

Via - Portal Vermelho

29 de Agosto na história

1983 - Dia da CUT          

Finda o congresso de fundação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em São Bernardo, SP. Reuniu 5.059 delegados de 912 entidades e elege Jair Menegueli presidente (até 1994). A unidade aludida na sigla não se efetiva, mas a CUT se afirma como maior e mais longeva central da história do sindicalismo brasileiro.

Protesto da CUT, 1985  
1730:
Nasce em Vila Rica, filho de escrava, alforriado ao batizar-se, Antonio da Silva Lisboa, o futuro Aleijadinho. Mestre em arrancar beleza da pedra e do lenho, gênio do nosso barroco, será o inventor da brasilidade nas artes plásticas.
Profetas de
Congonhas
1825:
Portugal cede ao inglês G. Canning e acata a independência do Brasil, que aceita se endividar para pagar contas da ex-metrópole.
1842: 
Tratado de Nankin. A China, vencida na Guerra do Ópio, cede Hong Kong à Inglaterra.
1852:
Início das obras da 1ª ferrovia, Mauá-Raiz da Serra, Rio de Janeiro.
1871:
A Câmara vota (61 votos a 35) a Lei do Ventre Livre. Filho de cativa, cativo não é, mas fica até os 21 anos sob tutela do senhor.
1943:
O ocupante nazista impõe o estado de sítio na Dinamarca, face à recusa do governo em aplicar lei marcial contra a Resistência.
1966:
Os Beatles fazem sua última apresentação pública, em São Francisco, EUA. Cresce a legenda irrequieta e contestatória da banda.
1968:
PM e PF invadem a UnB e prendem o líder estudantil Honestino Guimarães.
1971:
Manifestação de 20 mil hispano-americanos em Los Angeles, contra a guerra do Vietnã.
1975:
Golpe militar no Peru depõe V. Alvarado.

Primeiro presidente negro, Obama fracassou no combate ao racismo

Uma democracia multirracial onde as pessoas são julgadas pelo caráter, e não pela cor da pele – este era o sonho do movimento dos direitos civis nos Estados Unidos. Quando Barack Obama foi eleito presidente, em 2008, muitos americanos ficaram extasiados. O sonho havia se tornado realidade?


Conforme o presidente se aproxima do final do seu mandato de oito anos, o país está acordando. Mais de 60% dos americanos – negros e brancos – acreditam que, em geral, as relações entre raças são ruins, de acordo com uma pesquisa de opinião recente encomendada pela rede CBS e pelo jornal The New York Times.

Recentes mortes de afro-americanos desarmados por policiais provocaram uma onda de agitação social. Manifestantes pacíficos tomaram as ruas com o grito de ordem “vidas negras importam!”. As tensões escalaram em protestos e confrontos contra uma força policial que muitas vezes mais parece uma organização militar.

Obama falou à Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (NAACP, na sigla em inglês) pela segunda vez desde que assumiu a presidência. Ele propôs reformas no sistema judicial americano, como reduzir longas sentenças obrigatórias (em que os juízes são obrigados por lei a estipular uma pena mínima) para crimes não violentos, as quais afetam desproporcionalmente os negros.

Mas muitos afro-americanos acreditam que o presidente tem respondido vagarosamente a pedidos de reformas e que ele não tem ido longe e rápido o suficiente.

“O presidente só lidou com o tema das questões raciais quando foi absolutamente obrigado a fazê-lo”, afirma Ronnie Dunn, professor de estudos urbanos na Universidade Estadual de Cleveland. “Houve uma relutância para responder de maneira franca a essas questões.”

Políticas de respeitabilidade

Harold McDougall, professor de direito na Universidade de Howard, em Washington, acredita que a relutância de Obama em se expressar sobre raça tem relação com a chamada “política de respeitabilidade”, uma filosofia sobre o método de inclusão dos afro-americanos que prevalece há várias gerações. Essa filosofia estipula que os afro-americanos têm que alterar seu comportamento e sua cultura para que finalmente consigam ser aceitos pelo mainstream branco.

Durante a campanha de 2008, o então senador Obama foi obrigado a se desfiliar da Igreja Unida da Trindade de Cristo, em Chicago, após ser pressionado publicamente. Na ocasião, o reverendo Jeremiah Wright, que liderava a igreja e foi o responsável por batizar os filhos de Obama, havia feito uma série de comentários julgados "controversos" sobre as relações raciais, o cenário político americano e a política exterior do país.

“Parece-me um cenário em que as políticas de respeitabilidade foram responsáveis por sua eleição”, diz McDougall. “Foi isso que o guiou através do seu primeiro mandato e a metade do segundo.”

“Realmente não há limite sobre o quanto você tem que se submeter a outras pessoas para conseguir ser aceito quando as condições são impostas por essas pessoas em vez de por você mesmo”, afirma.

Mudança de tom

Tanto McDougall quanto Dunn concordam que o presidente se tornou mais ousado quanto às questões que envolvem justiça racial somente nos últimos tempos. Ele não está mais concorrendo à reeleição, e acontecimentos como os de Ferguson, no estado do Missouri, e de Baltimore criaram um novo senso de urgência. “É como se ele estivesse bem mais liberdade para discutir esses assuntos”, diz Dunn.

Na sequência dos confrontos em Ferguson, no último verão, Obama montou uma força-tarefa para implementar uma reforma na polícia. A força-tarefa pediu um basta para a mentalidade “guerreira” que prevalece em muitos departamentos de polícia no país. Em vez disso, a ideia é que a polícia aborde e coopere com as comunidades para desescalar conflitos.

O Departamento de Justiça também iniciou inquéritos federais contra os departamentos de polícia de Ferguson, Cleveland e Baltimore e divulgou relatórios arrasadores sobre as duas primeiras cidades.

“A atmosfera gerada por esses acontecimentos com certeza fez com que todo mundo – e não só a comunidade afro-americana – ficasse mais propenso a falar sobre esses assuntos”, afirma McDougall.

Era pós-racial não existe

As tensões raciais têm estado em alta nos Estados Unidos nos últimos meses. Então, em junho, um supremacista branco de 21 anos entrou numa histórica igreja negra em Charleston, na Carolina do Sul, abriu fogo e matou nove fiéis.

“Até mesmo os brancos ficaram horrorizados”, diz McDougall. “Não era para ser assim. Não existem Estados Unidos pós-raciais.”

Dias após o massacre na igreja, Obama concedeu, em Los Angeles, uma entrevista para o comediante Marc Maron. Ele falou sobre o massacre sobretudo em termos da necessidade de maior controle sobre armas de fogo. Mas ao longo da entrevista, o presidente falou sobre a questão racial de uma maneira tão franca que surpreendeu alguns ouvintes.

“Não é só uma questão de se é educado falar nigger [preto] em público”, disse Obama. “Isso não é um parâmetro para determinar se o racismo ainda existe ou não.”

Quando o presidente fez esses comentários, a bandeira Confederada ainda estava tremulando na área do capitólio de Columbia, capital da Carolina do Sul. Mas na semana passada, o estado votou pela remoção da bandeira sob a qual os soldados sulistas lutaram para preservar a escravidão durante a guerra civil americana.

“Só agora estamos retirando a bandeira confederada. De um ponto de vista metafórico, é como se ainda estivéssemos lutando na guerra civil”, aponta Dunn.

Fonte: DW

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...