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quinta-feira, 5 de julho de 2018

Iugonostalgia: como seria o time da Iugoslávia na Copa se o país ainda existisse

Segundo pesquisa do instituto Gallup, 81% dos sérvios acham que o fim da Iugoslávia foi ruim, e 77% dos bósnios se dizem arrependidos.

PELÉ COM OS CRAQUES IUGOSLAVOS AĆIMOVIĆ E DRAGAN DŽAJIĆ EM SEU JOGO DE DESPEDIDA, EM 1971. FOTO: REPRODUÇÃO
Por Cynara Menezes

Iugonostalgia é a saudade que afeta habitantes dos sete países que compunham a Iugoslávia, extinta em 1991, com a desintegração da União Soviética. A nostalgia do país comunista é sentida sobretudo na Sérvia e na Bósnia, segundo pesquisa divulgada pelo instituto Gallup em maio do ano passado: nada menos que 81% dos sérvios acham que o fim da Iugoslávia diminuiu a importância da região. 77% dos bósnios se dizem arrependidos da separação.

Os mais satisfeitos são os cidadãos de Kosovo: 75% acham que a separação foi benéfica. 55% dos croatas concordam. Mas os eslovenos se dividem: 41% acham que o fim da Iugoslávia foi boa, enquanto 45% acham que foi ruim.

Os ex-iugoslavos sentem saudade de coisas prosaicas, como a “coca-cola iugoslava”, Cockta, e até do carrinho Yugo, símbolo do país, que já foi considerado o pior carro da história, mas, assim como aconteceu com a Lada na União Soviética e com o Trabant, na Alemanha Oriental, se tornou objeto de culto. Na ex-Iugoslávia, assim como nos EUA, para onde foi exportado nos anos 1980, inclusive se fala em uma “Yugomania”.


E hoje o patinho feio (na verdade projetado por engenheiros da Fiat) é considerado o “mais charmoso” (pior) carro do mundo.

O YUGO NAS RUAS DE ZAGREB, CAPITAL DA CROÁCIA. FOTO: VLADO KOS/CROATIA TIMES
ANÚNCIO DA COCKTA, A “COCA-COLA IUGOSLAVA”
No Brasil, sem dúvida nosso maior saudosista da ex-Iugoslávia é o jogador Dejan Petković, de origem sérvia. Pet, que veio para cá em 1997 para jogar no Vitória, da Bahia, volta e meia aparece na televisão falando como foi feliz durante sua infância no país comunista.

Durante a Copa do Mundo da Rússia, a imprensa internacional flagrou torcedores sérvios usando, em vez da camiseta da seleção do país, a camiseta vermelha da Iugoslávia. O Washington Post encontrou esta semana na capital norte-americana gente cuja família se mudou para os EUA durante as confusões pré-fim do comunismo que torcem tanto para a Sérvia quanto para a Croácia.

“Eu apoio todas as seleções da Iugoslávia. Ontem eu estava assistindo ao jogo da Croácia”, disse ao jornal Nikola Agatic, de pai bósnio-sérvio e mãe sérvia-croata. Embora não tenham tido tanto sucesso nas Copas do Mundo (seus melhores resultados foram terceiro lugar na primeira Copa, em 1930, e quarto lugar no Chile, em 1962), os iugoslavos sempre amaram o futebol. No auge, chegaram a ser conhecidos como “os brasileiros do Leste europeu”. Foi contra a Iugoslávia o jogo de despedida de Pelé do futebol, em julho de 1971, no Maracanã.

O site Sportskeeda imaginou como seria a seleção da Iugoslávia na Rússia em 2018 se o país ainda existisse. No gol, Jan Oblak, da Eslovênia, que joga atualmente no Atlético de Madri, considerado um dos melhores goleiros da atualidade. Na defesa, os croatas Šime Vrsaljko, também do time madrilenho, e Dejan Lovren, do Liverpool, o montenegrino Stefan Savić, do Atlético de Madri, os sérvios Branislav Ivanović, do Zenit Saint Petersburgo, Matija Nastasić, do Schalke, e Aleksandar Kolarov, do Roma, e o bósnio-herzevogino Sead Kolasinac, do Arsenal.

No meio campo, o bósnio-herzegovino Miralem Pjanić, da Juventus, o croata Ivan Rakitić, do Barcelona, os croatas Mateo Kovačić e Luka Modrić, ambos do Real Madrid, o croata Marcelo Brozović, da Inter de Milão, e os sérvios Nemanja Matić, do Manchester United, e Sergej Milinković-Savić, do Lazio.

Por fim, no ataque, o bósnio-herzegovino Edin Džeko, do Roma, os croatas Ivan Perišić, da Inter de Milão, e Mario Mandžukić, da Juventus, o montenegrino Stevan Jovetić, do Monaco, e o sérvio Dušan Tadić, do Southampton.

Será que a seleção do Brasil teria sido páreo para eles?


quarta-feira, 4 de julho de 2018

Por hoje já chega de chorar...

No 1ZOMM.ME

Apesar dos pesares

Ainda sobraram alguns bares
Pra me tirar da solidão...

Escolhi a dedo um por um
Mas acabei entrado em qualquer um
Eu só queria te esquecer
E que infelicidade a minha
Naquela mesa tão simplesinha
Tinha seu nome dentro de um coração.

Uma lagrima percorreu pelo meu rosto
Sai feito louco
Eu nao queria lembrar de nós dois
Você partiu da minha vida
Deixou no meu peito uma ferida
Que só o tempo é capaz de curar...

Ainda são 09:00 da manhã
Acho que volto la só amanhã
Por hoje já chega de chorar...

Texto da lavra de Talita Fernanda.

"Os livros, em si, é que são importantes", diz Joãozito Guimarães Rosa

Imagine que você é criança e tem o imenso desafio de preparar uma apresentação em grupo sobre um grande escritor brasileiro para apresentar em sala. Trabalho para mais de metro, sabemos bem. A questão é que a criança desta história é prima de Guimarães Rosa, Lenice, que não pensou duas vezes para pedir ajuda ao diplomata considerado um dos maiores escritores do século 20. Quem se importa? É primo, oras!

"Sorôco, sua mãe, sua filha" - Ilustração de Helena Enne
Atencioso, Rosa respondeu a cada uma das perguntas da pequena Lenice com cuidado e carinho e, por fim, desejou que ela e as colegas alcançassem boa nota com o trabalho.

Reproduzimos aqui a carta de Rosa à priminha, que é, sem dúvida, uma pequena aula sobre a obra dele.

Leia na íntegra:

Rio de Janeiro, 19 de outubro de 1966

Lenice, querida Prima,

Perdoe-me, muito, a demora; mas só hoje é que estou recebendo sua cartinha, datada de 23 de agôsto! Enny me telefonou a respeito dela, quando aqui estêve, fiquei esperando… e nada. Hoje, como disse, foi que Tia (digo, Vovó) Carlotinha telefonou, também, e me mandou enfim a carta, aqui no Itamarati. Assim, tenho de responder depressa, depressa, para não deixar sem matéria Você e suas Coleguinhas. Não reparem, pois, se os quesitos vão preenchidos de modo curto e fôsco. Mas faço-o com vivo carinho e sincera alegria.

Assim:

I – Desde menino, muito pequeno, eu brincava de imaginar intermináveis estórias, verdadeiros romances; quando comecei a estudar Geografia – matéria de que sempre gostei – colocava as personagens e cenas nas mais variadas cidades e países: um faroleiro, na Grécia, que namorava uma môça no Japão, fugiam para a Noruega, depois iam passear no México… coisas dêsse jeito, quase surrealistas. Mas, escrever, mesmo, só comecei foi em 1929, com alguns contos, que, naturalmente, não valem nada. Até essa ocasião, eu só me interessava, e intensamente, pelo estudo, da Medicina e da Biologia. (Como nasci a 27 de junho de 1908, eu tinha, então, 21 anos, mais ou menos.)

II – Meu primeiro livro publicado foi o Sagarana, em 1946. (O livro tinha sido escrito em 1937.)

III – A sensação que eu tive ao ver o meu primeiro livro sair, foi de deslumbramento, alegria… e susto.

IV – É difícil dizer qual o livro (da gente) preferido. A gente sempre gosta mais de um livro futuro, que se pensa ainda escrever. De qualquer modo, entretanto, posso dizer sinceramente que, de tudo o que escrevi, gosto mais é da estória do Miguilim (o título é “Campo Geral”), do livro Corpo de Baile. Por quê? Porque ela é mais forte que o autor, sempre me emociona; eu choro, cada vez que a releio, mesmo para rever as provas tipográficas. Mas, o porquê, mesmo, a gente não sabe, são mistérios do mundo afetivo.

V – Acho o Sagarana um “filho” igual aos outros, apesar de ser o mais velho.

VI – Falo: português, alemão, francês, inglês, espanhol, italiano, esperanto, um pouco de russo; leio: sueco, holandês, latim, e grego (mas com dicionário agarrado); entendo alguns dialetos alemães; estudei a gramática: do húngaro, do árabe, do sânscrito, do lituânio, do polonês, do tupi, do hebraico, do japonês, do tcheco, do finlandês, do dinamarquês; bisbilhotei um pouco a respeito de outras. MAS, TUDO MAL. Eu acho que estudar o espírito e o mecanismo das outras línguas ajuda muito a compreensão mais aprofundada do idioma nacional. Principalmente, porém, estudo-as por divertimento, gôsto, distração.

VII - Sagarana e Corpo de Baile já estão editados também em Portugal. Nos Estados Unidos, já saíram Sagarana e Grande Sertão: Veredas (The Devil to Play in the Backlands), e traduzem agora o Primeiras Estórias. Na França, já se publicaram Corpo de Baile e Grande Sertão: Veredas (Diadorim) e está sendo traduzido o Primeiras Estórias. Na Alemanha saíram já o Grande Sertão: Veredas e o Corpo de Baile (Corps de Ballet), a tradução do Primeiras Estórias já está pronta, traduzem agora o Sagarana. Na Itália, saíram o Corpo de Baile (Corpo di Ballo) e o Sagarana, traduzem agora o Grande Sertão: Veredas e a tradução espanhola do Primeiras Estórias já está pronta. No Canadá saíram os mesmos que nos Estados Unidos. O Sagarana está sendo traduzido no Japão. O Grande Sertão: Veredas está sendo traduzido: na Suécia, na Iugoslávia, na Tcheco-Eslováquia; sua publicação está em estudos na Hungria, Romênia, Holanda, etc.

VIII – Seu Colégio é ótimo, e sei que aí procuram sempre melhorar o nível cultural das alunas. Como poderia eu, afastado do vivo dêsses problemas, dar sugestões nesse sentido? Diria apenas a vocês que procurem ler os livros. Vocês mesmas; os livros, em si, é que são importantes. Os autores, não. O autor é uma sombra, a serviço de coisas mais altas, que às vêzes êle nem entende. O autor é sempre “bananeira que já deu cacho”.

IX – A juventude? É uma maravilha. A juventude é quase tudo. É a humanidade e a esperança, recomeçando.

X – A melhor colaboração que a juventude pode dar para melhorar a situação da sociedade? A meu ver, é estudar, aprender, aplicar-se à disciplina e à paciência; e, principalmente, não pensar, por enquanto, em querer melhorar a situação atual da sociedade. Mas procurar, apenas, melhorar a si mesma.

Aqui estão, meu Bem, as respostas – espero que sirvam e que Você e suas Coleguinhas tirem boa nota. Beijo cada uma.

Lembranças afetuosas a Enny e Evaristo.

Com outro beijo, para Você, do

(Joãozito)

Do Portal Vermelho

terça-feira, 3 de julho de 2018

Norte-americanos protestam contra separação de famílias imigrantes

Milhares de norte-americanos e imigrantes foram às ruas neste sábado (30), em várias cidades dos Estados Unidos, para protestar contra a política de Donald Trump de "tolerância zero" que separou mais de 2.000 crianças de seus familiares na fronteira com México.

Em Nova York foi realizada a maior manifestação do país
Em Washington, o protesto reuniu mais de 30 mil pessoas. Ela foi uma das cerca de 750 marchas programadas por todo o território norte-americano.

Os protestos pressionam Trump a resolver a situação e colocar as crianças perto dos pais. Os manifestantes lançaram também uma campanha nas redes socais com a hashtag #familiesbelongtogether.

Entre 5 de maio e 9 de junho, ao menos 2,3 mil crianças foram separadas de seus pais, imigrantes ilegais detidos quando tentavam cruzar a fronteira dos EUA. Os menores de idade foram colocados em abrigos, com gaiolas de ferro e sem atendimento especializado.

O governo Trump alegou que a medida de "tolerância zero" serve para desencorajar imigrantes de tentarem entrar nos EUA sem documentação com seus filhos e para reduzir o número de "coiotes" que se aproveitam de crianças para imigrar.

Porém, a política de Trump foi duramente criticada dentro dos EUA e fora, levando o republicano a assinar uma ordem que impede novas separações. Ele prometeu manter as famílias unidas, nos mesmos centros de detenção.

Fonte: Opera Mundi

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Com a flexibilização da Lei dos Agrotóxicos querem envenenar você

A aprovação na Comissão Especial da Câmara Federal do Projeto de Lei 6299/2002, que flexibiliza a Lei dos Agrotóxicos, é um crime patrocinado por parte da base do Governo Temer. Como médica e militante do PCdoB, que tem como marca a defesa de um projeto nacional, mas com desenvolvimento sustentável, é inadmissível aceitar sua aprovação.

A Câmara dos Deputados não pode permitir esse crime contra o povo brasileiro
Por Jandira Feghali*

Aqueles que defendem a mudança na Lei dos Agrotóxicos põem a saúde do povo submetida aos interesses por lucro de poucos, no geral, grandes latifundiários e grandes empresas estrangeiras de produção agroquímica.

Estar contra o PL 6299 não é estar contra o desenvolvimento de nosso país. Sabemos da participação do agronegócio na economia, como também da agricultura familiar, responsável por 70% do consumo interno brasileiro. Mas vale lembrar que ONU, OMS, Anvisa, Inca, Fiocruz, MPT e diversos órgãos públicos e mais de trezentas entidades rejeitam o texto do projeto, observando a saúde humana e a preservação ambiental.

Para ter ideia do impacto no país, o projeto retira os órgãos de saúde e meio ambiente, como a Anvisa e Ibama, como mandam a Constituição e leis infraconstitucionais, da análise de risco toxicológico dos produtos a serem utilizados na agricultura, passando a competência exclusivamente ao Ministério da Agricultura, na perspectiva de uma liberação irresponsável e produtivista. Mudança sustentada por interesses de mercado, colocando em grave risco a saúde do povo, dos trabalhadores e trabalhadoras rurais, alimentos, recursos hídricos e reflexos por todo ecossistema.

É o vale tudo pelo lucro? É o custe o que custar, mesmo em detrimento da saúde de crianças, algumas ainda na barriga da mãe, idosos e trabalhadores rurais?

Pelo menos nove substâncias proibidas no mundo (Endossulfam, Cihexatina, Tricloform, Monocrotofós, Pentaclorofenol, Lindano, Metamidofós, Parationa Metílica e Procloraz) serão autorizadas caso o Parlamento incorpore o projeto aprovado na Comissão Especial. Segundo a Anvisa, os efeitos na população podem ser de aumento cancerígeno, desregulação dos hormônios, ativação de mutações e danos ao aparelho reprodutor. Acrescente aí a contaminação do leite materno com a exposição de trabalhadoras grávidas como benesse da reforma trabalhista e o aumento de má formação de fetos e abortos espontâneos.

E os deputados, muitos da bancada ruralista, usam a Ciência como mote para defender tal absurdo. Que autoridade tem esses senhores, que são base do atual Governo, uma gestão responsável por destruir os centros de ciência, as universidades públicas e os institutos de pesquisa do país? Cientistas, pesquisadores, professores e estudantes de todo o Brasil gritam por socorro, asfixiados sem orçamento. E isso graças à emenda constitucional 95, do Teto de Gastos, patrocinada pelos mesmos que votaram o PL 6299, numa hipocrisia e desfaçatez sem limites.

Depois de, na calada da noite, entregarem 15 bilhões de barris de óleo cru às multinacionais estrangeiras – no chamado capitalismo sem risco – os deputados agora entregam a saúde do brasileiro para as empresas estrangeiras que produzem agrotóxicos. Não serão eles que irão aspirar o veneno diariamente em seus pulmões, atingindo os tecidos de seus corpos, contaminando órgãos, gerando câncer de mama, de próstata e metástase no cérebro.

E mesmo com tanto risco alertado, irão esperar 10 anos para provar que estavam errados? A Câmara dos Deputados não pode permitir esse crime contra o povo brasileiro. Vamos continuar nossa resistência contra o pacote do veneno nas próximas etapas de tramitação do parlamento brasileiro. Avisem seus amigos, familiares e mobilizemos juntos contra o PL 6299/2002.

*Jandira Feghali é deputada federal pelo PCdoB-RJ

domingo, 1 de julho de 2018

TALVEZ...

Foto: Adenáuer Novaes

Texto de Talita Fernanda


Procuro alguns defeitos em mim

A falta de alguns sentimentos me impedem de viver uma paixão

Talvez seja a falta de rancor e ódio

Ou também a falta de desprezo e ingratidão

Talvez eu seja um turbilhão de bondade em um mundo repleto de maldade

Talvez me falte coragem para uma mudança radical

Talvez eu seja flor, quando o espinho tem o domínio de toda beleza

Talvez eu tente ajudar, enquanto todos preferem viras as costas sem olhar para traz

Talvez eu me importe demais, as pessoas até zombam disso

Eu poderia não me preocupar, mas é impossível

Talvez eu atire um diamante e receba de volta uma pedra de concreto, Afinal cada um procura dar o que tem de melhor para oferecer.

“Cada um colhe aquilo que planta”

Desconheço essa frase, pois na minha horta nunca existiu maldade, e é oque eu tenho colhido ate então

Talvez eu esteja colhendo aquilo que plantaram para mim

Talvez o amor seja isso

Ou talvez não exista amor

Só exista solidão

Eu poderia não me preocupar, mas é impossível

Talvez eu atire um diamante e receba de volta uma pedra de concreto, Afinal cada um procura dar o que tem de melhor para oferecer

“Cada um colhe aquilo que planta”

Desconheço essa frase, pois na minha horta nunca existiu maldade, e é oque eu tenho colhido ate então

Talvez eu esteja colhendo aquilo que plantaram para mim

Talvez o amor seja isso

Ou talvez não exista amor

Só exista solidão...

México realiza a maior eleição de sua história neste domingo

Em sua primeira eleição geral depois da reforma política de 2014, país irá escolher candidatos para 18.299 cargos.

Cerca de 86 milhões estão aptos a votar; no México, o voto não é obrigatório / Foto: Rádio W/México
Fania Rodrigues

Além de escolher o próximo presidente da República, neste domingo (1º) o México também irá eleger 18.299 candidatos, entre governadores, senadores, prefeitos e deputados, na primeira eleição unificada pela reforma política de 2014. As urnas foram abertas às 8h (10h, no horário de Brasília) e fecham às 18h (20h, no Brasil). Ao todo, 86 milhões de mexicanos estão habilitados a votar, e o voto não é obrigatório no país.

O Instituto Nacional Eleitoral (INE), a máxima autoridade eleitoral mexicana, informou que os primeiros resultados preliminares devem ser divulgados por volta das 23h (1h, na hora de Brasília). Como o voto no México é em cédula de papel, esse resultado representa uma contagem preliminar feita pelos mesários e testemunhas locais, em seguida comunicada via telefone. Depois, as urnas são enviadas para o INE e é feita uma nova contagem.

As pesquisas prévias apontam favoritismo de Andrés Manuel López Obrador, do Movimento de Regeneração Nacional (Morena), legenda de centro-esquerda com pouco mais de três anos. Obrador aparece 24 pontos à frente do segundo colocado, Ricardo Anaya, do Partido de Ação Nacional (PAN). Se vencer, López Obrador quebrará um com quase 89 anos de apenas dois partidos comandando o México, o PAN e o Partido Revolucionário Institucional (PRI).

Nestas eleições, serão escolhidos 500 deputados federais,128 senadores e o presidente da República, para um mandato de seis anos. Além disso, 30 estados irão realizar eleições locais para prefeitos e vereadores. E oito estados também vão escolher seus governadores. Cada unidade federativa possui seu próprio calendário eleitoral, por isso as datas de alguns processos não coincidem.

Outra novidade dessas eleições são as candidaturas independentes. Os candidatos já não precisam estar filiados a um partido político para concorrer aos cargos representativos. Para presidente, é preciso, no entanto, apresentar um abaixo-assinado com 1% do total de eleitores. Um dos atuais candidatos à presidência fez essa opção, trata-se de Jaime Rodríguez, conhecido como El Bronco.

Com a reforma, o México também passou a adotar o financiamento público de campanha, com objetivo de diminuir a corrupção e a influência política de grupos do crime organizado na política.

Violência e fraude

As eleições de 2018 foram marcadas pela violência. Cerca de 130 candidatos foram assassinados nos últimos oito meses, segundo dados da imprensa mexicana. Essa já é considerada a campanha política mais violenta da história do México. Além disso, o mês de maio representou uma alta histórica nos índices de violência no país, com um número recorde de assassinatos.

O jornalista Luis Hernandez Navarro afirma que a política mexicana “está permeada pela violência”. “O México vive uma situação de violência extrema, provocada pelo crime organizado, pela delinquência comum e pela intervenção dos atores armados estatais no conjunto da política”, disse, em entrevista ao Brasil de Fato.

Para o escritor mexicano Paco Ignácio Taibo II, um dos fundadores do Morena, partido de Andrés Manuel López Obrador, a violência política tem diferentes origens, mas se concentra sobretudo nas disputas locais e regionais. “Em alguns casos, os assassinatos de políticos têm o objetivo de frear o avanço do Morena. Essa é uma pequena parte dos casos. Portanto, a enorme maioria é um reflexo da intervenção direta do narcotráfico em situações em que eles identificam ‘traições’ de políticos locais”, afirma o escritor.

“Vamos supor que um grupo narcotraficante tem ligações com um candidato do PRI, que vai ser prefeito de uma pequena cidade, em uma das rotas-chave para a saída de drogas do país, e esse candidato negocia com outro cartel de drogas. Então, esse candidato é assassinado”, explica Taibo, que nessas eleições é presidente de mesa eleitoral, na Cidade do México, capital federal do país.

Taibo, que é um dos maiores escritores mexicanos, faz questão de ser mesário. O INE informou que mais de 1,4 mil voluntários serão responsáveis por fiscalizar o processo. As últimas duas eleições, em 2006 e 2012, foram marcadas por denúncias de fraude eleitoral. Centenas de observadores internacionais também estão no país, na capital e em 23, dos 32 estados, para acompanhar esse processo eleitoral.

Edição: Pedro Ribeiro Nogueira

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