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terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Ford anuncia fechamento de fábricas e 5 mil demissões no Brasil

 Nas plantas de Camaçari (BA) e Taubaté (SP), a linha de produção deixará de funcionar nesta terça (12).

Planta da Ford em Camaçari (BA) será a mais atingida com o encerramento da produção

Por André Cintra

No Portal Vermelho

Primeira montadora a se instalar no Brasil – onde está presente desde 1919 –, a norte-americana Ford anunciou, nesta segunda-feira (11), o encerramento de toda a produção de veículos e motores no País. Há menos de dois anos, a empresa já havia fechado sua tradicional fábrica de caminhões em São Bernardo do Campo (SP), no ABC paulista. Agora, as três fábricas remanescentes da Ford serão desativadas.

Nas plantas de Camaçari (BA) e Taubaté (SP), a linha de produção deixará de funcionar nesta terça (12) – a maioria dos trabalhadores já foi comunicada da suspensão do contrato. A fábrica da Troller, em Horizonte (CE), será fechada no quarto trimestre deste ano. Segundo a Ford, estão previstas 5 mil demissões.

Em comunicado, a montadora alegou que o encerramento da produção ocorre “à medida que a pandemia de Covid-19 amplia a persistente capacidade ociosa da indústria e a redução das vendas, resultando em anos de perdas significativas. A companhia manterá no Brasil a sede administrativa da América do Sul, o Centro de Desenvolvimento de Produto e o Campo de Provas”.

Embora a realidade descrita seja válida para toda a América do Sul, a Ford não fechará suas fábricas na Argentina e no Uruguai – o que revela sua falta de perspectiva com o Brasil. De 1999 a 2020, conforme estimativas da Receita Federal reveladas pelo jornal O Globo, a montadora recebeu cerca de R$ 20 bilhões em incentivos fiscais dos governos FHC, Lula, Dilma, Temer e Bolsonaro.

Mesmo com o apoio de todos os governantes, a Ford não fazia nenhum investimento de peso no País desde 2011. Já em 2019, num sinal emblemático de sua crise, a montadora fechou a histórica fábrica de caminhões de São Bernardo. Essa planta, a mais antiga da montadora em operação no Brasil, produzia veículos Ford fazia 52 anos e empregava 2.800 trabalhadores.

Nos últimos anos, a Ford caiu da quarta para a sexta colocação em vendas de veículos no mercado brasileiro. Entre 2019 e 2020, por exemplo, o tombo em número de unidades vendidas foi de 39,7%, segundo a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).

Com a pandemia, trabalhadores da planta de Camaçari permaneceram por meses com o contrato de trabalho suspenso (layoff). A falta de projetos alternativos para sua principal fábrica levou a Ford a propor, em setembro de 2020, um Programa de Demissão Voluntária (PDV). O ponto culminante da derrocada da montadora é o fechamento, agora, de todas as fábricas.

Sindicatos protestam

No comunicado à imprensa, a montadora declarou que vai atuar “em estreita colaboração” com os sindicatos e outras partes interessadas, para desenvolver um plano “equitativo e equilibrado”, que “minimize os impactos do encerramento da produção”. As entidades, porém, criticam duramente a decisão intempestiva da Ford, que se limitou a informar as direções sindicais em reunião de emergência na tarde desta segunda. Na conversa, Lyle Watters, presidente da Ford na América do Sul, afirmou que a decisão partia da matriz norte-americana e era irreversível.

Em Camaçari, o complexo Ford – que produz os modelos EcoSport e Ka – emprega cerca de 12 mil trabalhadores, somando montadora e fornecedoras. A ampla maioria deles tem carteira assinada e dezenas de direitos, fruto das lutas lideradas pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari. A partir desta terça, porém, milhares já estarão desempregados.

“Fomos pegos de surpresa”, disse Júlio Bonfim, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari, que é filiado à CTB. “Na reunião de hoje, eles afirmaram que não têm interesse em continuar no Brasil. Estamos num momento gravíssimo para a economia do País e mais grave ainda para a nossa região metropolitana.”

A categoria fará uma assembleia na porta da Ford Camaçari nesta terça (12), às 5h30. “É um momento de sobrevivência, e precisamos da unidade dos trabalhadores para encontrar uma solução”, enfatiza Júlio. Após a assembleia, os metalúrgicos sairão em passeata até o centro da cidade baiana, na região metropolitana de Salvador (BA). Para pressionar a Ford, o Sindicato cobrou o prefeito de Camaçari, Elinaldo (DEM), bem como o governador da Bahia, Rui Costa (PT).

Taubaté

O Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté (Sindmetau), filiado à CUT, fez uma assembleia na tarde desta segunda e convocou outra para as 8 horas desta terça. Dos cerca de 1.650 trabalhadores da fábrica de motores da Ford na cidade, 830 foram demitidos.

A Prefeitura de Taubaté lamentou o fechamento da fábrica: “A crise econômica mundial tem reflexos na cidade, mas não podemos arcar com tal monta de prejuízo. Todos os trabalhadores desligados receberão o apoio necessário da administração municipal. Ainda nesta semana, o Executivo terá reuniões com representantes do Sindicato dos Metalúrgicos e do governo do estado para buscar alternativas”.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

A história como farsa: as conclusões de Marx no 18 Brumário

É impressionante como Marx foi capaz de olhar um momento específico e tirar dele uma explicação consistente para o modo como a política é feita no capitalismo.


Por Cássio Starling Carlos

Como uma obra se torna um clássico? No caso dos livros de história, alguns são elevados a essa categoria porque trazem uma pesquisa de fôlego e uma descrição reveladora da realidade. Outros viram referência porque, além da força da análise, criam um método novo e revolucionário para a compreensão da história. O 18 Brumário de Luís Bonaparte pertence ao segundo tipo.

Seu autor é o alemão Karl Marx, filósofo, sociólogo, historiador e economista que nasceu na cidade de Trier, em 1818, e ficou eternizado como o grande teórico do comunismo. Publicado em 1852, o texto descreve um golpe de Estado recém-ocorrido na França. Carlos Luís Napoleão Bonaparte, eleito presidente do país em 1848, resolveu impor uma ditadura três anos depois.

A data escolhida para o golpe foi 2 de dezembro de 1851, aniversário de 47 anos da coroação de seu tio, o general e estadista Napoleão Bonaparte, como imperador da França. Essa repetição de Napoleões no poder inspirou Marx a formular a célebre frase com que abre seu texto, citando outro importante filósofo alemão: “Hegel observa em uma de suas obras que todos os fatos e personagens de grande importância na história do mundo ocorrem, por assim dizer, duas vezes. E esqueceu-se de acrescentar: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa”.

A ironia de Marx está presente até no título do livro. Anos antes de se tornar imperador, o primeiro Napoleão também havia dado um golpe de Estado, em 9 de novembro de 1799, com o qual se tornou cônsul da França. No curioso calendário que o país havia adotado após a revolução de 1789, essa data correspondia ao dia 18 do mês de brumário. Ao chamar a obra de O 18 Brumário de Luís Bonaparte, Marx indica que o golpe dado por Napoleão III era apenas uma cópia daquele que fora dado antes por seu célebre tio.

Apesar de ter ficado famosa, essa forma de olhar para as “coincidências” históricas, em que a nova versão se transforma em caricatura, não é a ideia principal de Marx no texto. O que ele fez de mais revolucionário foi perceber, analisando aqueles fatos que haviam acabado de acontecer, que “os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado”.

Ou seja: apesar de serem atores da história, as pessoas só são capazes de agir nos limites que a realidade impõe. Os atos individuais não ocupam papel central na visão de Marx. Para ele, o motor da história é a luta entre as classes sociais, responsável por produzir as transformações mais importantes. De um lado, estão sempre os dominadores. De outro, sempre os dominados.

Os primeiros são os que detêm os “meios de produção” (terra, propriedade privada, máquinas, indústrias etc.). Já os segundos são aqueles que só possuem a própria força de trabalho e que, para sobreviver, são forçados à servidão. Na Antiguidade, esse posto tinha pertencido aos escravos. No feudalismo, aos servos. Já no capitalismo, essa classe é formada pelos trabalhadores assalariados – o chamado proletariado, que vende sua força de trabalho para a burguesia.

Ao contemplar sua própria época, Marx via um confronto revolucionário no horizonte, provocado por essa distribuição injusta das posses, opondo os burgueses aos proletários. Nem era preciso olhar muito longe para entender que sua interpretação da história fazia bastante sentido.

Para os pensadores do século 19, a Revolução Francesa era a grande referência. Segundo Marx, ela marcou a mudança de posição da burguesia no grande jogo. Voltando no tempo, essa classe social já tinha sido revolucionária, quando seus interesses econômicos, que se expandiam pelo menos desde o fim da Idade Média, encontraram no parasitismo da nobreza um enorme empecilho.

Ao derrubar a monarquia, a burguesia foi se transformando aos poucos, em toda a Europa e depois no resto do mundo, na nova classe dominante. Assim, deixou de ser revolucionária e se tornou conservadora, preocupada em manter a ordem vigente. Depois da ascensão da burguesia, o proletariado tomou seu lugar como classe oprimida e, portanto, potencialmente revolucionária.

Nessa nova situação, ficou ainda mais claro que todo processo de acumulação de riqueza exige, para se concretizar, uma usurpação. Para que existam ricos, é necessário que existam pobres – esse é, simplificadamente, o raciocínio que Marx aplica a toda a história. Difícil é discordar dele.

Três anos antes de publicar O 18 Brumário de Luís Bonaparte, Marx escrevera, na companhia de seu amigo Friedrich Engels um panfleto intitulado Manifesto do Partido Comunista. Nele, os dois explicam de forma resumida suas principais intuições sobre a dinâmica da história e interpretam as grandes transformações impostas pela burguesia. Segundo eles, para vender seus produtos, a burguesia precisava “instalar-se em todos os lugares, acomodar-se em todos os lugares, estabelecer conexões em todos os lugares”.

Por causa disso, prosseguem, “a burguesia, através de sua exploração do mercado mundial, deu um caráter cosmopolita para a produção e o consumo em todos os países”. Raciocínios como esse, de extrema lucidez, se mantêm atualíssimos sem que seja preciso alterar uma vírgula sequer. O que era fato em 1848 ainda existe.

Apesar de ser um tanto complexo para o leitor atual, o texto pretendia explicar para as massas de trabalhadores a estratégia de dominação usada pela burguesia para se perpetuar no poder. Esse “esclarecimento” era parte de um programa revolucionário: consciente de sua situação, o proletariado teria enfim condições de se rebelar contra a burguesia. Seriam, mais uma vez, os dominados se voltando contra os dominadores. A revolução proletária seria um grande passo para que se adotasse o comunismo, regime político que acabaria com a propriedade privada e com as classes sociais.

Os conceitos lançados no Manifesto do Partido Comunista também estão presentes em O 18 Brumário de Luís Bonaparte. Mas, dessa vez, o desafio era interpretar acontecimentos recentes e bem conhecidos a partir de teorias que ainda estavam em formação. Ao analisar o golpe, Marx estava testando a solidez de suas ideias. E o que ele fez foi demonstrar que a atitude do sobrinho de Napoleão tinha sido apenas um resultado natural, quase previsível, dos rumos que a história da França estava tomando desde a revolução de 1789.

Ao falar da França de meados do século 19, Marx descreve toda a estratégia política, militar e institucional da burguesia francesa como um processo em que ela toma para si algo que, supostamente, deveria ser de todos: o Estado. Se Napoleão Bonaparte tinha imposto um Estado forte, imperial e expansionista, ele o fez não em benefício do povo, mas a serviço de uma só classe, a burguesia. Essa havia sido a “tragédia”.

A “farsa” veio quando Luís Bonaparte, com um golpe de Estado, se transforma em Napoleão III. Para conseguir o poder, ele foi beneficiado por alianças entre partidos burgueses – o que, segundo descreve Marx, significou trair as lideranças proletárias e tirá-las do governo.

A engenhosa argumentação de O 18 Brumário de Luís Bonaparte descreve a democracia como um imenso tabuleiro, em que os interesses de diferentes classes são manipulados sob o mecanismo de representação do povo por políticos – uma fórmula normalmente tida como justa. Depois de ler o livro, é difícil deixar de perceber que essa forma de governo, presente até hoje, oculta uma imensa engenharia de pequenos acordos. Olhando desse modo, as repúblicas modernas, aparentemente legítimas, serviriam apenas aos burgueses.

Ao falar de Napoleão III, Marx constrói a imagem de um herói de araque posando com a fantasia de grande estadista, governando em nome da dominação da burguesia sobre as outras classes. Segundo disse o amigo Engels ao escrever o prefácio da obra, 30 anos após seu lançamento, “essa notável compreensão da história viva da época, essa lúcida apreciação dos acontecimentos ao tempo em que se desenrolavam, é, realmente, sem paralelo”.

De fato, é impressionante como Marx foi capaz de olhar um momento específico e tirar dele uma explicação consistente para o modo como a política é feita no capitalismo. O modelo dos golpes napoleônicos estava pronto para muitos que vieram depois. E, desde então, a história continua a se desenrolar cada vez menos como tragédia e quase sempre como farsa.

Publicado originalmente na Aventuras na História.

Via – Portal Vermelho

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

VENENO NA MESA - México proíbe glifosato e milho transgênico; população tem até 3 anos para se adequar

Governo ordenou que o herbicida e o milho geneticamente modificado sejam trocados por alternativas saudáveis.

Autoridades mexicanas terão que suspender autorização para plantio de sementes modificadas geneticamente - Cleverson Beje | FAEP.

Redação - Brasil de Fato

O governo do México publicou um decreto por meio do qual proíbe o milho transgênico em território nacional e também o uso do veneno agrícola glifosato. O país terá prazo de três anos para se adequar à norma, editada no último dia de 2020 pelo presidente Andrés Manuel López Obrador.

As mudanças serão promovidas, conjuntamente, pelos ministérios do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Semanart), da Saúde (Ssa), da Agricultura e Desenvolvimento Rural (Sader) e pelo Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (Conacyt).

A partir do decreto, estão proibidas a aquisição, utilização, distribuição, promoção e importação de glifosato ou produtos que o tenham como princípio ativo por parte de órgãos públicos.

Para substituir o herbicida, Samanart e Sader serão responsáveis por promover alternativas sustentáveis e culturalmente adequadas para a saúde humana, a biodiversidade do país e o meio ambiente.

Já a Conacyt emitirá recomendações anuais às autoridades competentes que lhes permitam delimitar, quando for o caso, a quantidade de glifosato que pode ser autorizada para importação.

No caso do milho transgênico, o decreto impede que autoridades de biossegurança emitam licenças que liberam o plantio de sementes geneticamente modificadas do cereal. Além disso, a ordem é para revogar as autorizações já concedidas para o uso dos grãos transgênicos até 31 de janeiro de 2024.

Agrotóxicos no Brasil

Junto a outro herbicida, o paraquate, o glifosato foi responsável pela morte de ao menos 214 brasileiros na última década, de acordo com dados do Ministério da Saúde.

Os dois herbicidas lideram a lista de agrotóxicos permitidos no Brasil que mais intoxicaram e mataram na última década, conforme levantamento da Agência Pública e da Repórter Brasil. Um total de 92% das mortes causadas por esses produtos foram classificadas como suicídio.

Ainda conforme os dados do governo, ocorreram 45,7 mil atendimentos de intoxicações por agrotóxico entre 2010 e 2019. Em 29,4 mil foi confirmado a relação da intoxicação com o contato a um agrotóxico. Destes, 1,8 mil pessoas morreram. Cada registro é proveniente de uma ficha com 86 campos preenchidos a mão pelos médicos.

Edição: Camila Maciel

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Entenda o que é e como acontece a mutação do novo coronavírus

 Para infectologista, mundo deve estar atento a nova variação da covid-19 identificada no Reino Unido.

"O coronavírus provavelmente vai nos acompanhar pelos próximos anos", afirma infectologista Regina Valim - Foto: Kena Bentacur/AFP.


Lu Sudré - Brasil de Fato

A notícia de que uma nova versão do coronavírus teria aumentado exponencialmente os casos de infecção no Reino Unido, divulgada na semana do Natal, gerou preocupação em nível global.

Segundo artigo publicado na revista Virology, a variante do coronavírus nomeada como linhagem B.1.1.7, possui 17 mutações no código genético do vírus. Alguns deles estariam relacionados à velocidade de transmissão.

Isolada pela primeira vez no fim de setembro no sudeste da Inglaterra, essa variante se tornou, em poucas semanas, responsável por 60% das infecções em Londres. O que levou o Reino Unido a adotar medidas mais rígidas contra a proliferação do vírus mutado.

Pelo menos 18 países já detectaram a nova linhagem do vírus, que foi identificado no Brasil no dia 31 de dezembro, pelo laboratório Dasa.

Em entrevista ao Brasil de Fato, a infectologista Regina Valim, docente da Universidade Federal de Santa Catarina e da Universidade do Vale do Itajaí, afirma que as mutações são processos naturais da microbiologia.

"A capacidade de mutação do vírus é uma capacidade adaptativa. Às vezes essas mutações não são boas para ele e acabam levando a sua extinção. Já existiram várias outras mutações ao longo da pandemia que o vírus foi fazendo, mas essa [registrada na Inglaterra] foi uma mutação adaptativa benéfica a ele. Porque fez com que a nova linhagem tivesse uma capacidade de transmissão extremamente eficiente. Essa é a diferença", diz Valim.

A exemplo do alto poder de contágio que a nova variante indica possuir e dos casos de infecção que continuam a crescer dez meses após o início da pandemia, Valim alerta que a sociedade deve se preparar para continuar lidando com o novo coronavírus pelos próximos anos.

"Vamos ter que incluir a vacina do coronavírus no calendário vacinal anual como incluímos a da Influenza. É o que nós falamos: 2020 não vai acabar com o vírus. Vamos ter que aprender a conviver com ele".

Confira a entrevista na íntegra.

Brasil de Fato - Com essa notícia da mutação, novos termos surgiram e gostaria de começar aqui pelo básico. Dados iniciais indicam que a chamada cepa veio da África do Sul e também tem maior poder de contágio. O que seria a cepa e de fato já há comprovação dessa transmissibilidade maior?

As cepas virais são, na verdade, os tipos de vírus. Quando um vírus novo surge, ele vem de uma família. E os vários membros dessa família são classificados conforme seu código genético. Quando se fala de uma cepa viral, é uma unidade viral identificada.

Essa nomenclatura que utilizamos. Quando soubemos que estava acontecendo uma infecção por um tipo específico da família do coronavírus, ele foi classificado de acordo com sua identificação genética. Por isso o Sars-Cov-2 é uma nova cepa viral.

Então a linhagem B117 é uma variante dessa cepa?

Isso. A partir da cepa identificada, classificamos as linhagens de acordo com as mutações do código genético. Quando eu digo que é a B117, ou B112, vai de acordo com as linhagens que vão surgindo com as mutações, onde há uma reclassificação das linhagens virais.

Os vírus, de modo geral, têm essa capacidade de mutação, uma capacidade adaptativa. Às vezes essas mutações não são boas para ele e acabam levando a sua extinção. Já existiram várias outras mutações ao longo da pandemia que o vírus foi fazendo, mas essa [registrada na Inglaterra] foi uma mutação adaptativa benéfica a ele.

Porque fez com que a nova linhagem tivesse uma capacidade de transmissão extremamente eficiente. Essa é a diferença.

Não é que as mutações não vinham acontecendo. Só que essa foi muito eficiente e por isso ganhou a mídia e a comunidade científica.

Essa potencial ameaça já está comprovada? O fato de transmitir mais rápido significa que o vírus mutado traz as versões mais graves da doença ou aumentaria a letalidade?

Essa é a grande dúvida que está sendo estudada. Se viu que ele tem uma capacidade de transmissão maior mas ainda não foi possível comprovar se isso leva a casos mais graves da doença. Esse link não foi feito ainda, é algo que precisa ser estudado.

O que se viu foi a capacidade de transmissibilidade maior. Mas em termo de doença potencialmente mais grave, ainda não se conseguiu comprovar.

Estamos falando de um vírus que já veio com uma característica de transmissibilidade alta. O que aconteceu com essa variação é ele aumentou essa capacidade no Reino Unido. Mas aqui no Brasil nenhuma das linhagens que foram identificadas mostrou importância epidemiológica.

Considerando o perigo dessa variante encontrada no Reino Unido, tem algo a se fazer em relação aos protocolos sanitários para que a contaminação seja evitada?

Não. A única coisa que se tem que fazer é dar ênfase nas recomendações atuais. Se é um vírus com uma capacidade de transmissão aumentada, então todo o regramento de isolamento social, de evitar aglomeração. Enfatizar as recomendações de higiene. Uso de máscara.

Tudo isso toma uma importância maior para tentar evitar que uma população maior acabe se contaminando.

Também temos que perceber isso. No Reino Unido, eles estão em plena campanha de vacinação. Então os regramentos em termos de não aglomeração e uso de máscara tomam uma importância maior para justamente conseguir vacinar mais rapidamente a população e evitar que o vírus com essa capacidade de transmissão alta tenha uma circulação grande nesse meio.

Eles têm um protocolo de vacinação a ser implementado lá. Isso tudo tem que ser respeitado.

O que lemos que publicaram sobre essa variante é que, em princípio, não há impacto na vacina. Mas isso tudo tem que ser avaliado com muita calma e muito bem avaliado. A variação do vírus parece não impactar a vacina. Mas, veja bem, parece. Vamos precisar aguardar estudos maiores para ver isso melhor.

Então a ciência ainda não consegue assegurar que a vacina contra a covid-19 que está sendo distribuída e aplicada em dezenas de países, a exemplo da Pfizer na União Europeia, protege contra todas as variantes?

As vacinas são feitas de componentes virais. O que chegou de relato é que a mutação  foi na spike do vírus, a spike são tipo "agulhaszinhas" que são componentes no vírus. Então, as variações ficam fora dos componentes presentes na vacina. Por isso se faz essa alusão. Realmente parece que não haverá impacto para a vacina mas precisa ser melhor estudado realmente.

Considerando que a mutação é um fator natural na microbiologia, quais fatores podem intensificar ou frear essas mudanças? O comportamento humano, por exemplo, pode ter influenciado a propagação dessa variante sul-africana?

Parece que sim. Primeiro temos que entender que as mutações que os vírus em geral fazem são mutações adaptativas. Ele muda para tentar se adaptar ao ambiente. Uma parte disso é inata do vírus. Ou seja, o vírus faz as mutações a cada multiplicação deles para se adaptar, para sobreviver.

Há algumas mutações que são originadas pelo ser humano. Alguns medicamentos, tabaco... existem vários relatos de ações de interferência do homem que gera mutação em vírus ou em outros agentes infecciosos, bactérias e tudo mais.

Nesse sentido, as mutações mostram que o coronavírus é uma preocupação de longo prazo para a sociedade?

Sim. Em termos de vírus respiratórios sempre nos preocupamos mais com o Influenza, até porque historicamente o Influenza teve uma importância maior na humanidade. Foi responsável pela gripe espanhola, por inúmeras outras pandemias e epidemias que temos relato.

Mas o interessante é que quando olhamos para o passado vemos que o coronavírus já existia. Ele é bastante antigo também. Já foi responsável por algumas epidemias, principalmente no Oriente do mundo. Temos o Sars-Cov e o Mers-Cov, que surgiram no Oriente e foram epidemias com conotação importante.

Porém, o que vemos agora, é que com a proporção que o coronavírus tomou, ele provavelmente vai ficar nos acompanhando nos próximos anos. Por isso a importância da vacina. E provavelmente vamos ter que incluir a vacina do coronavírus no calendário vacinal anual como incluímos a da Influenza.

É o que nós falamos: 2021 não vai acabar com o vírus. Vamos ter que aprender a conviver com ele.

Edição: Camila Salmazio

sábado, 2 de janeiro de 2021

Fim do auxilio emergencial agravará desemprego e pobreza. ‘Cenário triste em 2021’

 Após resistir a benefício de R$ 600, reduzir a R$ 300 e decretar fim do auxílio emergencial, governo levará economia a mais desemprego e castigará informais.

Filas para saque do benefício em Caruaru (PE). Fim do auxílio emergencial vai agravar desemprego e condição de vida, sobretudo dos informais

Por Redação RBA

O desemprego tem batido recordes e já atinge mais de 14 milhões de brasileiros. Segundo dados do IBGE, de maio a novembro houve um acréscimo no número de desempregados na ordem de 4 milhões. E o legado de 2020 será muito negativo, apontando para um triste cenário nas condições do mercado trabalho, particularmente no desemprego.

“A gente olhando os dados do IBGE nota que a partir de setembro piora a taxa de desemprego e aumenta, portanto, a desocupação. E isso deve permanecer em 2021”, alerta o diretor-adjunto do Dieese, José Silvestre. Segundo ele, dois aspectos fundamentais devem influir nessa questão. Um, a perspectiva do fim do auxílio emergencial; e outro o afrouxamento do isolamento social, que faz com que as pessoas voltem a procurar emprego.

A taxa de desemprego manteve-se estável até por volta de agosto, setembro também em razão disso: as pessoas não tinham perspectiva, e enfrentavam restrições para sair e para procurar emprego. “À medida que tem esse afrouxamento do isolamento social, as pessoas voltam a procurar, e evidentemente com muitas dificuldades para encontrar”, diz Silvestre, em entrevista à Rádio Brasil Atual. “Então, esses dois aspectos – fim do auxílio e aumento da procura – contribuem em muito para o aumento do desemprego. E os indicadores e projeções de crescimento da economia para 2021 apontam para uma insuficiência na capacidade do país de criar empregos na magnitude necessária para amenizar a situação, sobretudo das pessoas que estão no mercado informal.”

Fim do auxílio emergencial e endividamento

A situação de informalidade é estrutural do mercado de trabalho brasileiro, se agravou após a “reforma” trabalhista de 2017 e, como mostram os dados do IBGE, ficou escancarada com o crescimento maior do desemprego entre os trabalhadores informais. “Quando ela (reforma) entra em vigor, em novembro de 2017, a gente observa uma piora das condições de trabalho e uma precarização do mercado de trabalho, que vai se aprofundando com a crise da pandemia a partir de março, quando a gente vê uma evolução informalidade”, diz o técnico do Dieese, observando que o home office é um recurso restrito essencialmente aos trabalhadores do mercado formal com ocupações que permitem o trabalho remoto.

Para Silvestre, é provável que o fim do auxílio emergencial agrave o endividamento das famílias. “Isso certamente vai afetar a rendimento das famílias, e o consumo. Assim, deve aumentar o endividamento dessas pessoas, porque elas não têm perspectivas. Com o fim do auxílio emergencial, e sem emprego, há uma situação crítica. Vai também aumentar também a desigualdade, vai aumentar a miséria. Não há dúvida que o auxílio emergencial teve contribuição importante inclusive para que a queda na economia não fosse tão acentuada. Porque esses recursos foram fundamentalmente destinados ao consumo. As pessoas precisam comer. Certamente vamos assistir a uma piora da miséria e da pobreza, como já está sendo projetado.”

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

De Olho no Mundo – Retrospectiva 2020

 A cientista política e analista internacional Ana Prestes faz um balanço dos principais acontecimentos de 2020, ano marcado pela maior crise sanitária em mais de um século provocada pela pandemia de Covid-19 e que teve grandes impactos econômicos, políticos e sociais.


Por *Ana Prestes

No Portal Vermelho

Além da pandemia da Covid-19, o ano foi marcado pelas eleições presidenciais nos Estados Unidos que levaram à não reeleição de Donald Trump, fato que não ocorria desde a derrota de George Bush para Bill Clinton, em 1992. Merecem ainda destaque em relação aos EUA os protestos antirracistas sob a consigna Black Lives Matter e efeito avassalador do coronavírus no país. A China aumentou seu protagonismo internacional da China, ao conter a expansão da Covid-19 em seu território, ajudar a combater a doença em vários países, contribuir para o desenvolvimento da vacina e ainda por cima retomar seu crescimento econômico. Na América Latina se sobressai a vitória de Luis Arce contra as forças golpistas da Bolívia, mas também Argentina, Chile, Equador, Peru, Venezuela, Colômbia, Guatemala e Cuba foram palcos de importantes acontecimentos. No Oriente Médio, Irã, Israel, Líbano e Síria foram destaque. Na Europa a pandemia da Covid-19 causou estragados assustadores entre a população, em especial na Itália, Espanha e Inglaterra, mas também agravou a difícil situação econômica de vários países do continente. O Brasil acabou sendo destaque negativo no cenário internacional devido a conduta irresponsavelmente negativista em relação à Covid-19 e à destruição do meio-ambiente, com destaque para os incêndios no Pantanal.

Janeiro

Lü Jun (à esquerda), um profissional da UTI do Hospital Nº 1, afiliado à Universidade Médica de Xinjiang, se despede da esposa antes de partir para Wuhan / Foto de Wang Fei – Agência de Notícias Xinhua

O general iraniano Soleimani é assassinado por norte-americanos no Iraque. Surto de uma doença desconhecida irrompe na China após ter iniciado em dezembro de 2019. Descobre-se que a doença, mais tarde batizada de Covid-19, era provocada por um novo tipo de coronavírus e a OMS dá o primeiro alerta mundial de que o vírus estava matando pessoas em Wuhan, província de Hubei, na China. As bolsas de valores tiveram quedas brutais com as notícias. Naqueles dias, Bolsonaro visitou a Índia e voltou a falar da transferência da Embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém. O Peru realizou eleições legislativas e o fujimorismo foi o grande derrotado. Protestos cresceram na França contra o projeto de reforma da previdência de Macron. O mundo celebrou os 75 anos da abertura dos portões de Auschwitz. A Casa Branca avisou sobre um novo Plano de Paz para Israel e Palestina, logo rechaçado por palestinos e iranianos. Processo de impeachment contra Trump no Congresso. O Brexit foi aprovado pela União Europeia.

Fevereiro


Trump escapou do impeachment e esquentou a corrida para a escolha do candidato democrata à Presidência dos EUA. Bem posicionado, Bernie Sanders virou alvo dos democratas mais conservadores. O novo coronavírus se espalhou pela Ásia e chegou à Europa. Brasil, EUA, Hungria e Polônia lançaram a Aliança pela Liberdade Religiosa. O Brasil nomeou novo Embaixador nos EUA: Nestor Foster. Militares tomaram a Assembleia Nacional em El Salvador. Os conflitos na Síria, na região de Idlib, criaram tensão entre as potências com interesses na região (Rússia, Turquia, Irã e EUA). Primeiro caso oficial de coronavírus no Brasil. Eleições legislativas no Irã. O aumento vertiginoso dos casos de coronavírus na Itália assustou o mundo inteiro.

Março

Após visita à Trump, Bolsonaro voltou ao Brafsil com uma comitiva infectada pela Covid l Foto: Alan Santos/PR

A OMS decretou pandemia global pelo novo coronavírus. Bolsonaro foi aos EUA, desdenhou do vírus como uma “gripezinha” e voltou ao Brasil com vários infectados em sua comitiva oficial. Começou a narrativa de Trump do “vírus chinês”. Tomou posse no Uruguai o neoliberal Lacalle Pou e logo retirou seu país da Unasul. Lula virou cidadão honorário de Paris. A queda nos preços dos barris levou a uma crise histórica do preço do petróleo. Os EUA assinaram acordo com o grupo afegão Talibã. Ocorreram eleições em Israel. EUA acusam Nicolás Maduro formalmente por narcotráfico e sua captura passa a valer o prêmio de 15 milhões de dólares.  Golpe militar na Guiné-Bissau. O Reino Unido informou que não faria restrições sanitárias e de convívio social com o objetivo de criar uma “imunidade de rebanho” contra o coronavírus. O vírus chegou com força nas Américas.

Abril

Corpos de vítimas da Covid-19 foram recolhidos nas ruas do Equador

Bernie Sanders abandonou a corrida interna dos democratas e assim selou a candidatura de Joe Biden. A CEPAL fez projeções terríveis de queda (9%) da economia na América Latina com o impacto do coronavírus. Após eleições acirradas (terceira em um ano), Netanyahu aceitou dividir o poder com Benny Gantz, em Israel. Colômbia virou membro da OCDE. O Brasil foi criticado na ONU pela condução na pandemia. Novo Embaixador dos EUA, Todd Chapman, chegou ao Brasil. Na Hungria, Orban usou a pandemia para governar por decretos. No Equador, a cidade de Guayaquil colapsou sem conseguir atender as vítimas do coronavírus e enterrar seus mortos. Grupo de Lima pressionou a Venezuela para criar um governo de transição. Países da União Europeia não conseguiram um acordo sobre medidas a tomar contra a pandemia, econômicas, sobretudo. Boris Johnson foi infectado pelo coronavírus e mudou completamente a política do Reino Unido frente à pandemia depois de deixar o hospital.

Maio

Mural em homenagem a George Floyd, morto em uma ação policial nos EUA – Reprodução

O Brasil voltou a pressionar a Venezuela para retirada de funcionários diplomáticos do país, mas STF interviu. O coronavírus chegou à África. Argentina e Paraguai fecharam fronteiras terrestres com o Brasil para se isolar do coronavírus. Cidadãos brasileiros impedidos de voar para vários países do mundo pelo mesmo motivo. Enfermeiros e enfermeiras morreram de Covid no Brasil como em nenhum lugar do mundo. Foi criado um fundo mundial para a vacina (Covax) com intuito de não deixar populações descobertas. Seis ex-chanceleres brasileiros assinaram carta pela reconstrução da política exterior. Aumentou a pressão do governo Trump sobre a Palestina com anúncio do “Acordo do Século”. Homem negro, George Floyd, morreu asfixiado por policiais brancos nos EUA e a imagem rodou o globo. Mercenários armados tentaram entrar na Venezuela pela costa (Guaíra), mas a operação foi frustrada. Os Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Japão foram adiados.

Junho

Desfile na Praça Vermelha, em Moscou l Foto: © Sputnik / Kirill Yasko

Grandes protestos antirracistas ocorreram nos EUA e se espalharam para a Europa. A força do movimento Black Lives Matter surpreendeu o mundo. Tensão na Líbia e aprofundamento da guerra civil. Autoridades brasileiras começaram uma ofensiva contra o 5G da Huawei. Ataques à diplomacia chinesa por membros do governo Bolsonaro. Protestos contra o governo cresceram no Líbano. Ocorreram conflitos entre as duas Coreias e entre Índia e China na fronteira do Himalaia. Os EUA decidiram disputar a presidência do BID pela primeira vez na história. A Suécia, que não adotou políticas de contenção do coronavírus, destoa dos outros países nórdicos pelo aumento vertiginoso no número de óbitos e infectados. Um desfile em Moscou marcou os 75 anos da vitória sobre os nazistas. África do Sul, Nigéria, Egito e Argélia são os países africanos mais afetados pelo coronavírus. Nuvem de gafanhotos gigante atinge o cone sul (Argentina, Paraguai, Uruguai e sul do Brasil).

Julho

EUA pressionam aliados a barrarem equipamentos da Huawei em suas redes 5G

A Alemanha assumiu a presidência da União Europeia. O Uruguai assumiu a presidência do Mercosul. Foi aprovada na China uma nova Lei de Segurança Nacional para Hong Kong. Na Polônia o ultraconservador Andrzej Duda foi reeleito. Referendo popular na Rússia aprova mudanças constitucionais feitas pelo Governo Putin e votadas na Duma (parlamento). O NAFTA foi enterrado e passou a valer o T-MEC (tratado México, EUA e Canadá). O Vietnam virou exemplo no mundo por ausência de mortes e poucos infectados pelo coronavírus seis meses após o início da pandemia na China. Reino Unido bane a Huawei de sua infraestrutura 5G e suspende acordo de extradição com Hong Kong. A República Dominicana elege novo presidente: Luis Abinader. A União Europeia conseguiu aprovação de pacote econômico de reconstrução pós-pandemia. No Irã, Trump e outras 35 pessoas são acusadas pelo assassinato do general Soleimani em janeiro no aeroporto de Bagdá.

Agosto


Explosão destruidora no porto de Beirute, no Líbano. Temer foi ao Líbano representando o Brasil. Busca pela vacina virou o tema mundial predominante. Cresceram os conflitos dos EUA com China e Irã. Um supermercado iraniano começou a funcionar em Caracas (depois de navios iranianos terem levado combustível ao país sul-americano). Argentina anunciou a reestruturação de sua dívida. O ex-presidente da Colômbia Álvaro Uribe é preso em caso de suborno e fraude processual e ele renuncia ao cargo de Senador. Kamalla Harris foi a democrata escolhida para ser vice de Biden. A Rússia registrou a vacina Sputnik V. Israel e Emirados Árabes assinaram acordo de estabelecimento de relações diplomáticas sob os auspícios dos EUA. A oposição na Bielorrússia não aceitou o resultado eleitoral que deu vitória a Lukashenko. Golpe militar no Mali.

Setembro

Livro de Bob Woodward revela bastidores do governo Trump

No Japão, o primeiro-ministro Shinzo Abe renunciou. O Brasil assumiu a presidência do Banco do BRICS. Imagens dos incêndios no Pantanal brasileiro correram o mundo. Começou o julgamento de extradição de Julian Assange. O maior campo de refugiados da Grécia foi incendiado. O jornalista Bob Woodward lançou o livro “Fúria”. China e Índia aplacaram conflito armado no Himalaia. EUA assumiram presidência do BID. Israel assinou acordo com Bahrein. Pompeo visitou a América do Sul e “passou” pelo Brasil (Roraima). Celebrados os 50 anos da vitória de Allende no Chile. A Assembleia Geral da ONU foi marcada por discursos com referências aos seus 75 anos e ao desafio mundial de combater o coronavírus. Carolina Cosse do partido Frente Amplio do Uruguai venceu as eleições para o governo de Montevidéu. Ocorreu o primeiro debate entre Trump e Biden. Anúncio histórico de declaração conjunta das chancelarias da China e da Rússia. Começou a guerra entre Armênia e Azerbaijão pelo controle da região de Nagorno-Karabakh.

Outubro

O presidente boliviano, Luis Arce / Foto: Freddy Zarco-AFP

Luis Arce do MAS venceu as eleições presidenciais na Bolívia. Chile aprovou em plebiscito popular a realização de uma nova Constituição. Trump teve Covid e foi internado. Caravana de 3 mil centro-americanos marchou em direção aos EUA, mas foi detida na Guatemala. A OMS apontou esperança de chegada de vacinas ainda em 2020. Cuba eleita para o Conselho de Direitos Humanos da ONU. PIB chinês foi recuperado (único país do mundo com curva econômica em “V” em 2020). A China concluiu o debate sobre o 14º. Plano Quinquenal (2021-2025) e anunciou a erradicação da pobreza extrema no país. O Brasil assumiu a presidência da ACNUR. Argentina e Bolívia tomaram medidas para reativar a Unasul. Mujica renuncia a seu cargo no Senado uruguaio. Cessar fogo entre Armênia e Azerbaijão. Professor francês foi decapitado após mostrar charges com alusões a Maomé e cresceu debate sobre o radicalismo islâmico na França. Jacinda Ardern reeleita na Nova Zelândia. Aumentou a tensão no mar do sul da China com o reposicionamento de embarcações militares dos EUA.

Novembro

Concluídas as eleições nos EUA. Biden venceu e Trump não reconheceu a derrota. A Rússia sediou (virtualmente) a reunião anual do BRICS. Bolsonaro disse na reunião do BRICS que Brasil vende madeira ilegal.  Bolsonaro e Alberto Fernandez fizeram sua primeira reunião. O Movimento San Isidro tentou desestabilizar o governo cubano. Morreu Diego Maradona na Argentina. Completaram-se 4 anos dos acordos de paz na Colômbia em cenário de violência crescente.  Ocorreram manifestações contra o governo na Guatemala e um incêndio suspeito ocorreu no Congresso. O Parlamento peruano cassou o mandato presidencial de Vizcarra, assumiu Merino, que também foi derrubado e substituído por Sagasti. Muitos protestos nas ruas do Peru. Jeanine Añez e ex-ministros tentaram fugir da Bolívia (alguns conseguiram). A Cúpula do G20 teve foco na Covid e meio ambiente. Protestos na França contra a lei que proíbe filmar operações policiais. Conflito armado na Etiópia (premiê é Nobel da Paz). Evo Morales voltou para a Bolívia. Físico nuclear do ministério da Defesa do Irã foi executado e o governo iraniano acusou Israel e EUA pelo crime. Marrocos invadiu o território do Saara Ocidental. Frente Polisário reagiu com levante armado. Conflito armado na Etiópia contra o separatismo da região do Tigré (país é presidido pelo prêmio Nobel da paz, Abiy Ahmed).

Dezembro

Tabaré Vásquez – Andres Stapff / Reuters

Foi assinado o acordo comercial asiático RCEP. Começou a vacinação contra o novo coronavírus em vários países do mundo, enquanto no Brasil não se tem ainda perspectiva de vacinação. Argentina assumiu presidência pró-tempore do Mercosul. Nova variante do coronavírus passou a preocupar o mundo. Biden se viu pressionado por setores pró e contra as tratativas para retorno dos EUA ao acordo nuclear com o Irã e países europeus de 2015. Eleições legislativas na Venezuela. A consulta popular de Guaidó fracassou e ele perdeu apoio da União Europeia. O Acordo de relações diplomáticas foi assinado entre Israel e Marrocos e Trump mudou o mapa do Marrocos a seu bel prazer. Toda a oposição se uniu contra Orban na Hungria. Colégio Eleitoral dos EUA ratificou eleição de Biden. O Brasil foi excluído do evento de 5 anos do Acordo de Paris. Reino Unido e União Europeia fecharam acordo comercial pós-Brexit no prazo. Argentina aprovou lei do aborto legal na Câmara (votação no Senado em 29 de dez). Faleceu o ex-presidente Tabaré Vázquez no Uruguai. Cuba anunciou unificação de moedas. O Governo de Israel foi dissolvido e novas eleições foram convocadas. Trump fez suas últimas maldades com Cuba antes de deixar o governo. Trump dá indulto a corruptos assassinos de civis em massacre de Bagdá (2007). Pacote de 900 bilhões de dólares foi aprovado pelo Congresso dos EUA e sancionado por Trump.

 

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