Museu Nacional, no Rio de Janeiro, durante o trágico incêndio que destruiu coleções inteiras (Autor desconhecido/O Globo).
#1 - Museu do Ipiranga, em São Paulo
#5 - Museu do Homem do Nordeste, em Recife.


Retratar a escravidão é um elemento delicado e extremamente necessário para entender as raízes da nossa sociedade. Daquele tempo em que negros eram tratados como propriedade, restam as histórias, documentadas ou relatadas pela tradição popular. Restam também os costumes, imortalizados geração após geração. Como memória, há raríssimas fotografias, vestígios modernos de um passado sombrio que se perpetuou por séculos no nosso país. Lembranças de uma ferida que durou tempo o suficiente para ser fotografada e não apenas representada em pinturas.
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| Senhora na liteira (uma espécie de "cadeira portátil") com dois escravos, Bahia, 1860 (Fotógrafo desconhecido/Acervo Instituto Moreira Salles) |
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| Escravo não identificado parte de uma coleção chamada "Tipos Negros", do fotógrafo Alberto Henschel. Recife, circa 1869 (Alberto Henschel/Acervo Instituto Moreira Salles). |
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| Escravo em estúdio, Salvador, 1870 (João Goston/Acervo Instituto Moreira Salles). |
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| Escravos na colheita do café, Rio de Janeiro, 1882 (Marc Ferrez/Acervo Instituto Moreira Salles) |
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| Outra foto do álbum "Tipos Negros" de Alberto Henschel, Recife, 1869(Alberto Henschel/Acervo Instituto Moreira Salles) |
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| Ex escravos em frente a barraco em Porto Alegre, 1900 (Lunara/Acervo Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo). |
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| Mulher negra de Pernambuco, Recife, 1869 (Alberto Henschel/Acervo Instituto Moreira Salles). |
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| Lavagem do ouro, Minas Gerais, 1880. (Marc Ferrez/Acervo Instituto Moreira Salles). |
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| Negra com o filho, Salvador, em 1884 (Marc Ferrez/Acervo Instituto Moreira Salles). |
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| Elmita Simonetti Pires |
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| BR-116, principal rodovia brasileira / Crédito: Wikimedia Commons |
Toda rodovia guarda suas histórias sobrenaturais repletas de relatos macabros e inexplicáveis.
Por M. R. TERCI – Aventuras naHistória
A BR-116 é a principal rodovia brasileira. Tem início na cidade de Fortaleza, no estado do Ceará e término na cidade de Jaguarão, no estado do Rio Grande do Sul, na fronteira com o Uruguai. A extensão total da rodovia é de aproximadamente 4.513 quilômetros, passando por dez estados brasileiros.
No trecho entre as capitais Curitiba e São Paulo, a BR-116 ficou conhecida como A Rodovia da Morte e o título inglório não é para menos. O número de acidentes acumulados ao longo dos anos é imenso e alguns trechos da rodovia se tornaram estigmatizados por seus causos, superstições e lendas.
Causos assustadores
Rodovia Régis Bittencourt é o nome dado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes ao trecho da BR-116 entre São Paulo e a divisa entre o Paraná e Santa Catarina, no limite entre os municípios de Rio Negro e Mafra. A nomenclatura oficial é uma homenagem ao engenheiro civil e escritor Edmundo Régis Bittencourt, que teve grande destaque não apenas na construção da rodovia, como também no cenário nacional, principalmente junto ao DNER e à Polícia Rodoviária Federal.
Nos anos 1990 o jornal Notícias Populares noticiou periodicamente alguns casos fantasiosos ou de difícil averiguação ocorridos na BR-116, como a colisão fatal entre um ônibus e um disco voador ocorrida na Rodovia da Morte, gritos de operários mortos em um dos túneis da Serra do Cafezal e muitos outros assombros, cada qual mais fantástico e inacreditável que o outro.
O causo mais famoso, entretanto, diz respeito ao acidente automobilístico que causou a morte de uma bailarina em 1970. Muitos motoristas relatam, até os dias de hoje, que nas altas horas da madrugada, uma aparição vestida de bailarina é vista dançando próxima à estremadura rosa – cruz de beira de asfalto – que marca o local do acidente. O leitor curioso poderá averiguar essa lenda, consultando comerciantes locais ou motoristas em qualquer parada de caminhão no trecho Paraná/São Paulo.
Se a BR-116 é considerada a artéria rodoviária do Brasil, pois o desenho de seu imenso trajeto percorre praticamente toda a extensão do país, ligando o Nordeste ao Sul, possibilitando o transporte de insumos e mercadorias essenciais ao desenvolvimento da indústria e comércio, a BR-101, sua irmã translitorânea, pode ser tida como a carótida do sistema rodoviário brasileiro.
Tem início no município de Touros, no Estado do Rio Grande do Norte e termina em São José do Norte, no Rio Grande do Sul. Assim como a BR-116 é um dos principais eixos rodoviários do país com 4.650 km. Em tese, seria a maior rodovia brasileira, mas alguns trechos são interpostos ou intercalados por outras rodovias federais, incluindo a BR-116.
Construída pelo Exército brasileiro entre os anos 1950 e 1960, passa por doze Estados, ela segue no sentido norte-sul por praticamente todo o litoral leste brasileiro, ligando cidades importantes como Florianópolis, Vitória, Maceió, Recife e Natal.
Apesar de alguns trechos estarem mal conservados, é um dos mais belos percursos rodoviários do Brasil e provoca grande deslumbramento por suas paisagens praianas e vistas oceânicas magníficas, mas também é motivo de grande sobressalto para os motoristas em alguns trechos nevoentos.
Em meados de 2012, a Polícia Rodoviária Federal chegou a interditar um trecho da BR-101 em Alagoinhas, na Bahia, pois os motoristas que trafegavam pelo local relatavam estranhos avistamentos no meio da rodovia. Vultos fantasmagóricos e até mesmo animais que morreram atropelados há muito tempo, saltavam à frente dos veículos causando acidentes.
O que podemos afirmar com toda certeza, é que toda estrada guarda suas histórias de assombração, seus mitos funestos e seus causos de botar medo. Todo mito reivindica audiência e para saber-lhes as querências, basta assuntar com os locais.
Na época, um repórter local chegou a entrevistas um dos policiais envolvidos na ocorrência. A entrevista foi conduzida num tom bem-humorado, no qual o repórter finalizou: “Assombração ninguém segura, e nenhum policial quer ficar naquela estrada, então a solução é interditar e criar um desvio pra segurança de todos nós”.
Outra menção frequente nas rodas de caminhoneiros do trecho, conquanto seja levada mais a sério, é a aparição da Menina Fantasma, uma garota que morreu há coisa de 115 anos e que supostamente é avistada nos acostamentos da BR-101.
Só no ano de 2013 foram emitidos mais de 40 boletins de ocorrência, registrados ao longo de vários pontos da rodovia. A história é sempre a mesma; às 2 horas da madrugada, uma menina, em trajes do século passado, pedindo carona e quando o caminhoneiro sinaliza para parar, ela desaparece.
Seu primeiro avistamento foi na Bahia, em 1996, outros registros, contudo, foram feitos nos Estados do Rio grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Espírito Santo.
Um tour macabro pela translitorânea, fruto provável da combinação de jornadas de trabalho excessivas e todas essas distâncias infindáveis e fantásticas da multifacetada paisagem brasileira. Certamente, uma combinação que afeta a imaginação de qualquer um de nós.
M.R. Terci é escritor e roteirista; criador de “Imperiais de Gran Abuelo” (2018), romance finalista no Prêmio Cubo de Ouro, que tem como cenário a Guerra Paraguai, e “Bairro da Cripta” (2019), ambientado na Belle Époque brasileira, ambos publicados pela Editora Pandorga.