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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

A SAÍDA PARA A PETROBRÁS É A VERTICALIZAÇÃO E O MERCADO INTERNO. NÃO A VENDA A PREÇO DE BANANA.

Charge Pataxó cartoons

Por Mauro Santayana

(Revista do Brasil) - Uma das principais frentes da campanha atual contra a Petrobras está no discurso de entrega aos gringos de várias porções da empresa, tanto por meio da venda de ativos como de mudanças nas regras que garantem a continuidade de seu papel de operadora nos poços da camada pré-sal, a maior descoberta da indústria do petróleo do último meio século. 

Embalados pelas acusações de desvios e prejuízos na empresa – já passou da hora de os petroleiros interpelarem a diretoria e eventualmente, a PricewaterhouseCoopers, para que provem os “desvios” de R$ 6 bilhões incorporados ao balanço do início do ano passado –, os entreguistas de sempre continuam a dizer que os estrangeiros não investem no setor do petróleo no Brasil por causa das regras do pré-sal, da lei de conteúdo nacional, do Marco Regulatório do Petróleo e da excessiva intervenção do governo. Esse discurso não passa de grosseira manipulação e de uma tentativa rasteira de se enganar desinformados e de se alimentar os trolls antinacionais em seus raivosos ataques na internet.

Com os preços atuais, as grandes empresas multinacionais de petróleo não entrariam no mercado brasileiro nem na exploração, nem na operação, mesmo que as reservas que ainda não estão em fase de exploração lhes fossem entregues de graça. Em primeiro lugar, porque não dominam, a exemplo da Petrobras, o conhecimento que permite extrair o petróleo do pré-sal a preço competitivo, mesmo com um preço internacional de US$ 30 o barril. E, depois, porque com o preço lá em baixo a ordem é enxugar a oferta para ver se a cotação volta a subir no futuro.

Essa é a tese do diretor da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, entrevistado por um jornal brasileiro, no mês passado, no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça. Birol afirmou que, embora haja expectativas “muito positivas” com relação ao aumento da produção do Campo de Lula pela Petrobras, não há espaço para a entrada de empresas estrangeiras no Brasil, em projetos futuros, até que haja uma eventual recuperação dos preços.

Levantamento feito pela consultoria britânica especializada em petróleo Wood Mackenzie, reproduzido pelo Wall Street Journal, também no início do ano, mostra que as multinacionais ocidentais estão tão propensas a investir que estão cortando 68 grandes projetos no mundo. Isso em lugares onde já estavam instaladas, contando, ao contrário do Brasil, com ampla liberdade de ação.

Em 2015, a redução de custos do setor, que inclui investimentos, foi de US$ 380 bilhões. Apenas na segunda metade do ano passado, 22 projetos foram interrompidos, relativos à produção futura de 7 bilhões de barris de petróleo e gás equivalente. A grande maioria deles fica em águas profundas – como o pré-sal – e localizada nos Estados Unidos, Canadá, Moçambique, Angola, Cazaquistão e outros países.

Do poço à bomba.

Em um cenário como esse como alguém pode falar, em sã consciência, em “abrir” o setor aos estrangeiros? O maior ativo da Petrobras não é o pré-sal. O seu principal diferencial estratégico – o que ela tem que suas concorrentes estrangeiras não têm – é o mercado brasileiro. Nenhuma outra grande empresa de petróleo possui, com o país de origem, a ligação e as possibilidades que a Petrobras tem com a quinta maior nação do planeta em população, e a oitava maior economia do mundo.

Essa é uma situação que lhe permitiria ampliar, com a adoção de um amplo cronograma coordenado, articulado, sua margem de ganho, sem aumentar o preço para o consumidor. Mas como fazê-lo? Com certeza, não vai ser com a venda atabalhoada de ativos a preço de banana, como querem alguns, principalmente o filé do negócio, situado na ponta da comercialização, como a Gaspetro.

Nem, muito menos, com o seu esquartejamento (já vimos esse filme com a Telebras), como já começam a sugerir alguns espertinhos, omitindo, como se imbecis fôssemos, que esse é, na verdade, o primeiro e quase que imprescindível passo para a total privatização da empresa.

A Petrobras já está cortando 30% de seus cargos gerenciais e extinguindo diretorias, como a de gás, mas não basta trabalhar com cortes de custos – que devem ser feitos com cuidado para não afetar o desenvolvimento de tecnologia e a sua capacidade operacional. O momento também não aconselha a venda de ativos na área petroquímica, como a participação na Braskem, que produz em mercados como o México, que só agora está se estruturando nessa área e que era atendido basicamente por importações.

A venda da participação na BR Distribuidora também pode ser um tiro no pé, principalmente se for feita em um momento como este. Depois da queda no preço de suas ações, em janeiro, o valor da Petrobras tende a se recuperar, já que está extraordinariamente baixo com relação aos seus ativos.

Para a maior empresa brasileira, o melhor caminho para enfrentar com sucesso a crise internacional que o setor de petróleo está vivendo neste momento pode ser, invertendo o raciocínio, investir na verticalização, aprofundando-a do “poço ao posto”, eliminando o que puder ser eliminado em custos e em intermediários, na cadeia que leva da produção à venda de combustíveis e lubrificantes para o consumidor final, para maximizar – sem aumentar o preço na bomba – seus ganhos.

No Brasil, a margem de lucro dos donos de postos de gasolina é absurda, embora todo mundo – muitos por razões que não têm nada a ver com o interesse dos consumidores – ponha a culpa na Petrobras e no governo. Em Brasília, segundo recente levantamento, postos cartelizados ganham R$ 0,64 por litro de gasolina ou de etanol comercializado.

Quantos clientes param para calcular quantos litros de combustível são vendidos por hora no posto em que abastecem? De quantas horas de funcionamento um desses postos de gasolina precisa, para pagar, com folga, com uma margem de lucro dessas, os salários de seus funcionários? O descaramento dos cartéis é tão grande – e eles se repetem em várias metrópoles brasileiras – que depois de reiteradas denúncias o Conselho Administrativo de Defesa Econômica interveio no setor, no Distrito Federal.

Com as reservas do pré-sal consolidadas e a produção em franco crescimento, a Petrobras deve se voltar agora para o seu objetivo final, o consumidor interno, investindo na compra de distribuidoras e postos próprios de gasolina. A Petrobras aumentou em 5% a sua produção no ano passado. Os preços do petróleo tendem a se recuperar com o recuo da produção, em países onde é mais caro extraí-lo, como os Estados Unidos, um dos principais mercados consumidores do mundo.

Os petroleiros – e os setores mais importantes da sociedade civil – têm de se organizar para evitar o desmonte, o esquartejamento e a entrega da Petrobras a qualquer preço. O governo precisa voltar a analisar a possibilidade de capitalização da empresa, com a ampliação da participação pública, aproveitando o atual preço das ações.

É preciso aproveitar que os gigantes do petróleo não podem investir em produção neste momento e nem querem dar ouvidos aos entreguistas – deixando-os latindo ao vento – para consolidar, e não diminuir, o fortalecimento da Petrobras no mercado nacional, em benefício do país e da população brasileira.

Paraíso do Norte - Homem espancado por populares acusado de estupro morre na santa casa de Paranavaí

Foto-PalotinaPress

O homem que foi espancado, suspeito de abusar sexualmente de duas crianças em Paraíso do Norte, teve morte confirmada pela Polícia Civil daquela cidade.

O suspeito de 58 anos foi linchado por moradores após ser surpreendido dentro da cabine do caminhão com uma menina de seis anos e um garoto de três.

Após as agressões na terça-feira (23) ele foi encaminhado para a Santa Casa de Paranavaí, falecendo na manhã de ontem (25).

As crianças passam bem e foram submetidas a exames para comprovar se houve, de fato, violência sexual nesta quarta-feira, de acordo com a Polícia Civil. O laudo ainda não foi divulgado

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

25 de Fevereiro na história

1981 - Dia do Lula condenado   

A foto de Lula na ficha do Dops

A Justiça Militar condena Lula e mais 10 sindicalistas do ABC, com base na Lei de Segurança Nacional, pela greve de 1980. As penas mais tarde serão revogadas.

 
1684: 
A revolta de Beckman prende o governador do MA, extingue o monopólio comercial e expulsa os jesuítas. A Coroa reage levando Manuel Beckman e Jorge Sampaio à forca, outros à prisão e degredo.
  
1888: 
Graças à Campanha Abolicionista, já não há escravos na capital de SP.
  
1964: 
Cassius Clay (mais tarde Mohamed Ali) derrota Sonny Liston e sagra-se campeão mundial de box peso-pesado. Vincula seu sucesso à causa negra nos EUA.
  
1984: 
Passeata de 5 mil flagelados em Afogados da Ingazeira, PE, contra o salário nas frentes de trabalho.
  
1985: 
A favela vila Socó, Cubatão, SP, pega fogo devido a vazamento em oleoduto; 90 mortos.
  
1986:
Sob forte protesto, o ditador Ferdinand Marcos foge das Filipinas para os EUA. A oposicionista Corazón Aquino chega à presidência. Na fuga, revela-se que Imelda, esposa de Marcos, tem 3 mil pares de sapatos.
  
1987:
Ato contra a violência e pela reforma agrária em Caxias, MA.
  
1990:
Violeta Chamorro, com apoio dos EUA, derrota a Frente Sandinista nas urnas da Nicarágua.
  
1999:
Acordo de conciliação põe fim ao movimento antidemissões dos metalúrgicos da Ford/São Bernardo, SP.
Votação na
assembléia

PARAÍSO DO NORTE - Inquéritos vão investigar abuso de criança e espancamento de caminhoneiro

O primeiro inquérito investigará se houve estupro de vulnerável. Clóvis Papa já solicitou que a menina passe por um exame no IML de Paranavaí que constatará a eventual violência.


A Polícia Civil abriu dois inquéritos para apurar suposto abuso contra uma criança e uma tentativa de homicídio por espancamento, cuja vítima é o suspeito de ter cometido a violência contra a menor.

Os fatos foram registrados anteontem no Conjunto Santa Terezinha em Paraíso do Norte, conforme publicado na edição de ontem do DN.

Na noite de ontem, o homem agredido permanecia internado na Santa Casa de Paranavaí, com traumatismo craniano. Por volta das 20h, foi informado que seu estado era considerado como gravíssimo. De acordo com o delegado Clóvis Papa, o homem de 56 anos é tio-avô de uma menina de seis anos. A criança estava na cabine do caminhão junto com um menino de três anos.

Um vídeo postado nas redes sociais mostra o momento em que as crianças foram retiradas do interior do veículo. Nas imagens é possível ver o acusado fugindo do local. Outro vídeo, também postado nas redes sociais, mostra o homem depois de ter sido agredido. Ele está caído no chão e agonizando.

ESTUPRO - O primeiro inquérito investigará se realmente houve estupro de vulnerável. Clóvis Papa já solicitou que a menina passe por um exame no Instituto Médico Legal (IML) de Paranavaí que constatará a eventual violência. A criança também deverá passar por um psicólogo que emitirá parecer sobre os fatos. Como o caso envolve uma criança, os inquéritos correrão em segredo de justiça.

Um policial militar está junto com o acusado no hospital para evitar uma possível fuga. Quando o caminhoneiro receber alta deverá ser conduzido para a delegacia. “Assim que tiver condições iremos ouvi-lo para saber sua versão para os fatos”, disse Papa.

TENTATIVA DE HOMICÍDIO - O segundo inquérito aberto pela Polícia Civil servirá para descobrir quem agrediu o caminhoneiro. As pessoas envolvidas serão indiciadas por tentativa de homicídio.

O delegado disse que intimará as pessoas que fizeram os vídeos postados nas redes sociais. “Preciso saber os nomes das pessoas que estavam no local. As intimaremos para que prestem informações com o objetivo de chegar até os autores da agressão”, afirmou o delegado.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Presidente Maduro critica campanha da mídia contra homólogo boliviano

Evo é o líder mais honesto conhecido na América, um líder íntegro e acusam-no de coisas inqualificáveis. Uma campanha todos os dias para arruiná-lo e destruir o projeto dos povos, declarou.


O chefe de Estado venezuelano também advertiu sobre ameaças para os processos progressistas de vários países porque a direita latino-americana, unida ao Império norte-americano, não respeita nada.

Maduro destacou que Morales venceu as oito eleições que participou durante os últimos dez anos com um apoio eleitoral superior a 60 por cento, o que demonstra o amplo apoio popular a seu governo.

Declarou que a direita na Bolívia pretende voltar aos tempos do neoliberalismo, enquanto o governo do Movimento Ao Socialismo (MAS) conseguiu revigorar a economia da nação andina, resultado que foi exaltado tanto personalidades e instituições de esquerda e de direita.

Em 21 de fevereiro cerca de 6,5 milhões de cidadãos foram convocados às urnas para pronunciar sobre uma modificação à Carta Magna que permita a reeleição ao presidente Evo Morales e ao vice-presidente Álvaro García Linera nas eleições de 2019.

Nesta segunda-feira, o presidente Evo Morales chamou os líderes e as forças opositoras para desistir de cantar vitória sem que se conheça os dados finais, enquanto reiterou que a luta do Movimento Ao Socialismo (MAS) continuará seja qual for o resultado.

Segundo a presidenta do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE), Katia Uriona, as pesquisas preliminares estabelecem 54,2 por cento para a opção Não e 45,8 para o Sim, sem levar em conta as atas dos votos dos residentes bolivianos no exterior.

Via – Prensa Latina

24 de Fevereiro na história

1932 - Dia do voto feminino     

 Novo Código Eleitoral; voto secreto e obrigatório, pela 1ª vez admite o voto aos 18 anos (antes eram 20) e o das mulheres. Vargas é convertido ao sufrágio feminino por sua filha Alzira, de 17 anos.

1821: 
Independência do México.
1878: 
Seca Grande de 77-78: para o jornal O Cearense, "os pobres declararam guerra sem mercê contra os ricos".
1891: 
A Constituinte promulga a 1ª Constituição republicana.
1927: 
O Bloco Operário e Camponês, ligado ao PCB, elege um vereador do Rio.
1930: 
2 mil jagunços do cel. José Pereira iniciam a Guerra de Princesa, PB, detonador da Revolução de 30.
1930: 
A CGTB lança em S. Paulo o jornal O Trabalhador Agrícola.
1946: 
Perón é eleito pres. da Argentina, graças ao voto dos trabalhadores descamisados.
"El Descamisado",
projeto de estátua
nunca erguida em
Buenos Aires
1956:
20º Congresso do PCUS: Kruschev ataca Stalin em informe secreto.
1969:
Golpe no Panamá.
1971:
Os guerrilheiros Tupamaro do Uruguai libertam, após 6 meses de seqüestro, o cônsul brasileiro A. Dias Gomide.
1997:
Decretada prisão de José Rainha e mais 4 líderes do MST.
1984:
Comício pró-Diretas de 250 mil em Belo Horizonte.
1997:
1.500 sem-terra tentam reaver o que plantaram em Sandovalina, SP. Recebidos à bala, recuam; 8 feridos.

Os jornais, assim na ditadura como na Lava Jato


Por ALEX SOLNIK*

Tal como aconteceu na ditadura, quando os maiores jornais do país em tiragem assumiram o papel de porta-vozes do DOI-Codi, publicando, sem questionar, notícias de "atropelamento" e "fuga" de militantes da esquerda que na verdade tinham sido mortos em tortura, colaborando, assim, para ocultar os crimes e desinformar seus leitores, os mesmos jornais estão assumindo, neste momento, o papel de porta-vozes da "Lava Jato" publicando, sem questionar, ordens de prisão dessa nova "República do Galeão" baseadas em "talvez", "é provável", "há uma probabilidade", como se fossem acusações provadas, colaborando, assim, com o clima de inquisição que pretende arrancar do poder uma presidente eleita pelo voto direto e de conduta ilibada e lançar o país de volta ao passado.

O "talvez" indica 50% de possibilidade de culpa e 50% de inocência. No entanto, na manchete do jornal vira 100% de culpa.

Embora jornalistas não sejam médicos, e não façam o juramento de Hipócrates que implica em se sacrificar para salvar vidas, eles assumem, desde a primeira vez em que pisam numa redação o compromisso implícito de se sacrificar para salvar a verdade e jamais abrir mão do direito e da obrigação de questionar.

O que estamos assistindo hoje são episódios escabrosos que dão vergonha a jornalistas. Uma ordem de prisão expedida contra o jornalista e publicitário João Santana, justificada pela "probabilidade" de ele haver cometido crime, em vez de ser contestada e questionada, porque "probabilidade" não é "certeza" e ninguém era preso nesse país por "probabilidade", a não ser na ditadura, é aplaudida, é comemorada, e já é meio caminho andado para de novo acender o rastilho de pólvora que o jornal espera explodir o Palácio do Planalto.

Não há dúvida que aqueles mesmos grandes jornais – grandes em tiragem, não em posição editorial – que colaboraram com a ditadura estão agora colaborando com a "Lava Jato" e renunciando ao seu papel de tudo fiscalizar, inclusive a "Lava Jato", desinformando seus leitores, os mesmos que "tentam proteger" das mentiras do governo.

Tal como em relação à ditadura, talvez somente daqui a muitos anos vamos saber quantos "atropelamentos" eram mortes na tortura. E será tarde demais.

* Alex Solnik é jornalista. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os quais "Porque não deu certo", "O Cofre do Adhemar", "A guerra do apagão", "O domador de sonhos" e "Dragonfly" (lançamento setembro 2016).

Via - Brasil 247
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