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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Direita chora e range os dentes

Avaliação do governo Dilma bate novo recorde e sobe de 59% para 62%, aponta CNI/Ibope

Camila Campanerut
Do UOL, em Brasília

O governo de Dilma Rousseff teve a aprovação de 62% dos brasileiros, índice três pontos percentuais maior que o registrado na última pesquisa, divulgada em junho deste ano. O levantamento foi apresentado nesta quarta-feira (26 ) pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) em parceria com o Ibope, em Brasília.

Na pesquisa de junho, a avaliação do segundo ano da presidente já tinha atingido patamares ainda maiores que seus antecessores, o também petista Luiz Inácio Lula da Silva e o tucano Fernando Henrique Cardoso. Em junho, o governo de Dilma teve 59% de aprovação, contra 29% de Lula, em junho de 2004, e 35% de FHC, em maio de 1996.

Via O Esquerdopata

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

MEDO

Há vários tipos de medo, medo da solidão, medo da morte, do desemprego, medo de perder um grande amor, medo da noite, da chuva, e até de assombração...

Há aqueles que tem medo da velhice, esse talvez o mais tolo de todos os medos, pois quem não envelhece, morre jovem. Outros tem medo da vida e se desfazem dela, alguns tem medo do nada, ainda há outros que tem medo de tudo. Vivemos cercados por medrosos, é unânime, cada um de nós possuímos nossos medos guardados e alimentados em nossa intimidade.

No decorrer da vida, também deixamos pra trás muitos medos, mas também conservamos muitos outros e nunca nos desvencilhamos deles.

Ser prudente não é ser medroso, é saber avaliar as conseqüências e policiar nossas ações, mas o medo desmedido, nos impede de darmos passos importantes em nossas vidas, nos tornamos limitados e presas fáceis de oportunistas que incutem em nossas mentes, medos ilusórios e desta forma nos tornamos seres dominados e sem ação.

Não podemos ter medo de mudar, não podemos ter medo de seguir nossos anseios, o medo de acreditar, de buscar novos rumos é o mais maléfico dos medos, ele nos impede de cambiarmos nossa realidade e nos deixa à mercê da monotonia e das mesmices nada convincentes e pouco sedutoras. Não podemos deixar que o medo nos escravize. As evoluções pessoais e sociais, só acontecem, quando temos a coragem de darmos os primeiros passos, enquanto tivermos medo não evoluiremos, não atingiremos nossos objetivos.

Coragem, não deixe de lutar pela materialização dos seus sonhos, a perseverança e a persistência são passos importantes para alcançarmos grandes objetivos. Desafie seus medos, a coragem te dará a liberdade.

Mateus Brandão de Souza, graduado em história pela FAFIPA

Mais vítimas da ditadura poderão ter atestados de óbito alterados

O ex-procurador-geral da República, Claudio Fonteles, membro da Comissão Nacional da Verdade, confirmou nesta terça-feira (25), no Rio de Janeiro, que a decisão da mudança do atestado de óbito do jornalista Vladimir Herzog, partiu da própria instituição.

“Por unanimidade, nós deliberamos que diante de um quadro evidente de que ele foi assassinado nas dependências do Estado, pelo serviço policial da repressão, oficial na época, e embasado por provas eloquentes, nós deliberamos, para provocar o Poder Judiciário, por meio dos juízes de registros públicos, para que fosse sanada aquela gravíssima omissão. E fizesse constar que esse digno brasileiro morreu vítima da violência arbitrária”, disse.

A mudança atingirá todos os que foram mortos pela ditadura, assegurou. ”Todos. Criamos o que se chama em direito do precedente prudencial. E todos agora, podem seguir essa linha. Acho que foi um ponto altamente positivo”.

A comissão não sabe, entretanto, quantos presos políticos poderão ser beneficiados. Fonteles ressaltou que isso vai depender muito dos parentes das vítimas. “Eles sabem. É muito fácil para todos nós. Procurem a comissão, apresentem o quadro, como fez Clarice Herzog e seu filho”.

Fonteles participou da audiência pública Memória e Verdade, organizada pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão do Rio de Janeiro (PRDC-RJ). Indagado se o médico-perito que assinou o atestado de Herzog à época, Harry Shibata, poderia ser acusado de crime de falsa perícia, esclareceu que, criminalmente, o fato prescreveu. “Tem mais de 70 anos, a prescrição conta pela metade”.

Ele declarou que o Brasil, “lamentavelmente, no direito penal, ainda é um país que estimula muito a impunidade”. Para Fonteles, crimes graves não deveriam prescrever nunca. Acrescentou que o fator idade não deve também ser elemento de diminuição de culpa, mesmo havendo prescrição. “Reitero isso fortemente. Crimes graves não podem prescrever”.

Até o momento, a comissão ouviu cerca de oito depoimentos, informou. O grande trabalho, porém, a seu ver, é a pesquisa documental. O próprio Fonteles faz com a sua equipe uma pesquisa, toda semana, no Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro. Na próxima quinta-feira (27), ele vai pesquisar documentos secretos de órgãos oficiais que a lei impôs o acesso ao público. “Então, eu estou trabalhando fortemente lá”.

Admitiu que a comissão já está investigando também os empresários que financiaram a ditadura. Mas não quis adiantar detalhes. “Posso dizer só isso: já temos alguns documentos para montar o quadro. Mas deixa a gente trabalhar um pouquinho mais. Nada será oculto”. Previu que haverá novidades para relatar mais para o final do ano.

Em resolução publicada na edição do Diário Oficial da União do dia 17 de setembro, a comissão decidiu apurar os crimes cometidos pelo Estado durante a ditadura militar, restringindo as investigações aos crimes cometidos por agentes públicos ou a serviço do Estado. A resolução indica, portanto, que supostos crimes atribuídos a opositores do regime ditatorial, que vigorou no Brasil de 1964 a 1985, não serão alvo de análise. De acordo com a assessoria de imprensa da comissão, a decisão atende a regras já previstas em lei e em acordos internacionais em que o Brasil é signatário.

A comissão concluiu que a queima de documentos e atas referentes ao período da ditadura pelos militares foi ilegal, oficiou a decisão ao Ministro da Defesa, Celso Amorim, para que os comandos militares se manifestem, o que não ocorreu até agora. Embora exista um crime no ato cometido, Fonteles ponderou que uma apuração de culpabilidade remeteria aos comandantes anteriores, que atuavam à época da ditadura, e não aos atuais.

Segundo ele, o grande desafio da Comissão Nacional da Verdade é criar uma linha de trabalho permanente. Ou seja, criar “um tecido protetetor da democracia, para que nunca mais venhamos a experimentar soluções do arbítrio, da ditadura, do assassínio por parte do Estado e seus agentes públicos”, disse. “Temos que manter esse tecido vivo. Senão, vira notícia de jornal”.

Fonteles insistiu que, para isso, há necessidade de se formar uma grande rede protetor da democracia no país, integrada por comissões estaduais e da sociedade civil organizada. Lamentou, nesse sentido, que o governo fluminense ainda não tenha constituído a sua Comissão da Verdade, por falta de quórum na Assembleia Legislativa (Alerj). “Eu lamento. E sou carioca e vascaíno. Eu gostaria muito que isso fosse feito aqui no Rio de Janeiro. Nós temos incentivado fortemente”. O Pará deverá anunciar a sua comissão nos próximos 30 dias, revelou. Lembrou que os membros da comissão nacional estão permanentemente dialogando nas várias unidades da Federação.

Avaliou que audiências como a realizada nesta terça-feira no Rio de Janeiro vão servir para “mais do que pontuar” as violações de direitos humanos ocorridas durante a ditadura. “Eu insisto que todos os brasileiros internalizemos, você, eu, as gerações futuras, as gerações presentes, que a democracia é o melhor dos regimes. Que é insuportável qualquer solução arbitrária. Isto é o grande objetivo nosso”.

Afiançou que para os casos que não foram resolvidos, a Comissão Nacional da Verdade vai fazer “um esforço enorme” de tentar descobri-los, “para tentar satisfazer não só a sociedade, mas os próprios parentes”.

Agência Brasil

BRASIL ALCANÇA O SEU MENOR NÍVEL DE DESIGUALDADE DESDE 1960

O ex-presidente Lula em um comício recente, disse que o Brasil não seria o mesmo sem o PT no governo nos últimos 10 anos.

A frase foi ironizada por diversos jornalistas/colunistas. O deboche de uns e a contestação de outros, evidencia como parte da elite e dos poderosos do nosso país é incapaz de ver as mudanças que estão ocorrendo. Pior é que eles não se dão conta, ou não querem admitir, que essas mudanças estão intimamente ligadas com a forma como o governo Lula e agora o governo Dilma, enfrentam as crises econômicas (INTERNACIONAIS) que a ganância tem produzido, e implantam programas de governo na área social.

A combinação de geração de EMPREGO, melhoria da renda, fortalecimento do mercado interno e proteção da nossa indústria, contribuíram para que milhões de brasileiros deixassem a pobreza extrema. Falta muito, sem dúvida, mas, se o povo brasileiro tiver 'juízo' e der mais tempo para que essa visão de que é preciso governar priorizando os mais pobres continue em vigor, nós chegaremos mais rápido ao Brasil que queremos e temos direito.

Ipea: desigualdade nunca foi tão baixa no país

O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcelo Neri, analisou hoje os dados da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (PNADs), divulgados na última sexta-feira, e disse que o Brasil tem hoje o menor nível de desigualdade desde que as estatísticas começaram a ser documentadas, em 1960.
Neri frisou que a desigualdade ainda é alta no país, mas a queda ocorreu entre a pesquisa de 2009 e a atual.

“A queda da desigualdade aconteceu durante dez anos consecutivos, sem interrupção, o que é algo inédito. De junho de 2011 a junho de 2012, a desigualdade está caindo tanto quanto estava caindo antes, ou seja, não está desacelerando. Nos últimos 12 meses terminados em junho de 2012 a desigualdade caiu 3,2%, que é uma média muito forte”, acrescentou o presidente do Ipea.

Ele afirmou que a meta do milênio é diminuir a pobreza à metade em 25 anos, mas o Brasil fez mais que isso, reduziu mais de 50% em dez anos.

Segundo os dados do PNADs, de 2003 a 2011, 23,4 milhões de pessoas saíram da pobreza – sendo que 3,7 milhões só entre 2009 e 2011.

Via BLOG DO SARAIVA

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Atestado de óbito de Herzog dirá que ele morreu por maus-tratos

O juiz Márcio Martins Bonilha Filho, da 2ª Vara de Registros Públicos do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), determinou ontem (24) a retificação do atestado de óbito do jornalista Vladimir Herzog, que morreu em 1975 na capital paulista. O atestado, emitido no período da ditadura, indicava que sua morte foi  consequência de suicídio. Porém, por ordem da Justiça o atestado de óbito informará que a morte dele foi causada por maus-tratos.
O juiz determinou que, a partir de agora, passe a constar no documento a seguinte informação:  “A morte [de Herzog] decorreu de lesões e maus-tratos sofridos em dependência do 2º Exército – SP (DOI-Codi)”. O DOI-Codi era a sigla conhecida do Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna subordinado ao Exército, que atuava como órgão de inteligência e repressão do governo.
A retificação foi um pedido da Comissão Nacional da Verdade, representada pelo coordenador, ministro Gilson Dipp. A solicitação foi encaminhada a pedido da viúva Clarice Herzog. Na decisão, o juiz Bonillha Filho elogiou a atuação da comissão.
“[A comissão] conta com respaldo legal para exercer diversos poderes administrativos e praticar atos compatíveis com suas atribuições legais, entre as quais recomendações de ‘adoção de medidas destinadas à efetiva reconciliação nacional, promovendo a reconstrução da história’”, disse o magistrado na sua decisão.
Nascido na Croácia, Vlado Herzog passou a assinar Vladimir por considerar seu nome exótico. Naturalizado brasileiro, ele se tornou um dos destaques do movimento pela restauração da democracia no Brasil, depois do golpe militar de 1964. Era militante do Partido Comunista e sofreu torturas em São Paulo.
Em 25 de outubro, Vladimir foi encontrado morto. Segundo informações fornecidas na época, o jornalista foi localizado enforcado com o cinto que usava. Porém, a família e os amigos jamais aceitaram essa versão sobre a morte dele. Nas fotos divulgadas, o jornalista estava com as pernas dobradas e  no pescoço havia duas marcas de enforcamento, indicando estrangulamento. No período da ditadura, eram comuns as versões de morte associadas a suicídio.


Via Dag Vulpi

25 DE SETEMBRO - DIA DO RÁDIO

MEU NOME É RÁDIO - POR HELIO RIBEIRO

” Meu nome é rádio, minha mãe é dona Ciência, meu pai é Marconi.
Sou descendente longínquo do telégrafo, sou o pai da televisão.
Fisicamente sou um ser eletrônico.
Meu cérebro foi formado por válvulas, minhas artérias são fios por onde corre o sangue das palavras.
Meus pulmões são tão fortes que consigo falar com pessoas dos mais distantes pontos deste pequeno planeta chamado Terra.
Minha vitamina chama-se kilowatt. Quanto mais kilowatts me dão, mais forte eu fico e mais longe eu falo.
Hoje, graças as baterias que me alimentam eu posso simultaneamente levar informações aos contrafortes das cordilheiras, às barrancas dos rios, ao interior de veículos que trafegam no centro nervoso das grandes cidades, à beira plácida dos lagos, à cabeceira dos doentes nos hospitais, aos operários nas fábricas, aos executivos nos escritórios, aos idosos que vivem só e às crianças que só vivem.
Eu falo aos religiosos, aos ateus, às freiras, às prostitutas, aos atletas, aos torcedores, aos presos, aos carcereiros, banqueiros, devedores. Falo aos estudantes e professores…
Seja você quem for, eu chego lá, onde quer que você esteja!
Ao meu espírito resolveram chamar “ondas”.
Eu caminho invisível pelo espaço para oferecer ao povo a palavra, a palavra nossa de cada dia.
Mas estou sempre sujeito a cair em tentação e às vezes não consigo me livrar de todo mal.
Quando eu nasci, meu pai me disse que eu tinha uma missão: ajudar a fazer o mundo melhor, entrelaçando os povos de todas as partes deste planeta.
Meu nome é rádio.
Eu não envelheço, me atualizo.
Materialmente eu sou aperfeiçoado a cada dia que passa.
As grandes válvulas do meu cérebro foram substituídas por minúsculos componentes eletrônicos.
Os satélites de comunicação, gigantescos engenhos girando na órbita deste planeta, permitem hoje que eu seja mais universal, mais dinâmico e menos complicado, como meu pai Marconi queria que eu fosse.
Minha forma técnica tem sido aperfeiçoada a milhares de anos luz, mas eu acho que no todo, o meu conteúdo ainda necessita ser burilado e melhorado, e trabalhado e aperfeiçoado.
Tenho noção, mas eu já perdi a conta, do número de pessoas que eu ajudei indicando caminho, devolvendo a esperança, anulando a tristeza, conseguindo remédios, sangue, documento perdido, divulgando nascimentos e passatempos.
Mas eu não sou tão sério assim como eu posso estar parecendo.
Na verdade, um dos meus principais interesses é fazer com que as pessoas vivam mais alegres.
Por isso, passo grande parte do meu tempo ensinando as pessoas a cantar e a dançar, minha grande vontade é a de ser amigo, sempre.
O amigo que todos gostariam de ter: útil nas horas sérias, alegre nas brincadeiras e responsável… sempre!
No esporte tô sempre em cima do lance; nos dois lados da rede das bolinhas de tênis ou de voleibol, e lá vem bola, na área do futebol, jogou na cesta tô lá, nadou, pulou, saltou, pegou, virou, driblou…
Pode ser no pequeno clube da periferia ou nos grandes estádios Olímpicos.
Tenho noção de minha força política. Com uma notícia que dou, eu posso ajudar a eleger o diretor de um clube ou derrubar um presidente.
Entendo minha grande responsabilidade de agente acelerador das modificações sociais.
E morro de medo, que me transformem em um mentiroso alienador.
Sem querer ser vaidoso, eu posso até afirmar que se eu não tivesse nascido, o mundo não seria o mesmo.
Meu nome é rádio.
Eu não quero ser mal entendido.
Eu sou apenas um instrumento.
Para fazer tudo isso que eu disse que faço eu preciso de uma equipe, de seres humanos, humanos!
Que não tenham medo do trabalho, que entendam de alegria, emoções, fraternidade, que saibam sentir o pulso do campo e o coração da grande cidade.
E que tenham noção básica de tudo aquilo que fazemos é para conquistar ouvidos.
O que jamais conseguiremos, se nos esquecemos, que minha existência se deve ao número dos que me ouvem.
O rádio vale pelo volume e a qualidade dos seus ouvintes.
Eu podia fazer muito mais, mas às vezes falta dinheiro pra fazer tudo o que quero.
Eu sei que posso realizar o sonho do meu pai e mudar o mundo pra melhor.
Outro dia fiquei muito triste quando ouvi um tal de Hélio Ribeiro dizer que eu, o rádio, sou “a maior oportunidade perdida de melhorar o mundo”
Eu sou apenas o instrumento.
Eu preciso de gente que me entenda, me respeite e que me ajude a cumprir a minha missão.
Ah, com alegria, muita alegria… Se possível. ”

*Escrito para a Rádio Excelsior no Dia do Rádio em 1989.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

O corpo na berlinda: Cirurgia Íntima

Por Tággidi Ribeiro -  Subvertidas

E eis que chegamos ao tempo em que há um padrão para a vagina. Não basta mais que esteja depilada, limpa e cheirosa, é necessário também que pareça uma vagina jovem, virgem (pois é), clara e magra (sim, magra). Essas vaginas-padrão vemos aos montes nos filmes pornográficos - completamente depiladas, lembram a genitália infantil, o que nos remete à questão da pedofilia, que não vou explorar nesse post. Além disso, essas vaginas-padrão nos dizem o quanto ainda somos preconceituosos, hipócritas e, claro, machistas. A vagina deve ser clara e magra, seguindo o padrão ariano. A vagina deve parecer virgem, pois a liberdade sexual feminina ainda não foi aceita e assimilada pela maioria dos homens (e, talvez, nem pelas mulheres). É evidente e essencial aqui, penso, a relação entre esses padrões e o mito da beleza e da eterna juventude.

Para alcançar a vagina perfeita, as mulheres se submetem, fora as sessões de depilação total, a clareamentos e à labioplastia. Nenhum desses 'tratamentos' é exatamente novo, mas todos estão se popularizando cada vez mais, com fins estéticos. A labioplastia é também chamada de cirurgia íntima e consiste basicamente em cortar ou inchar com gordura pequenos e/ou grandes lábios vaginais, de acordo com o 'defeito' que se julgue ter. O pós-operatório dura quase dois meses e, segundo os médicos, a cirurgia pode diminuir a sensibilidade dos lábios vaginais, o que leva à diminuição do prazer sexual.

O risco é alto mas, atendendo à demanda, por receio de ficarem sozinhas e por isso infelizes (outro mito), muitas mulheres deixam-se ao escrutínio do olhar alheio, o bisturi imaginário que as retalha constantemente nas revistas femininas, novelas, propagandas, nas ruas e dentro de casa. É certo que, se há submissão feminina aqui, há sobretudo muita pressão e muito poder masculinos, pois os homens são os donos das mídias (e também da rua). De toda forma, é difícil pensar em alguma parte do corpo feminino que não tenha sido avaliada e para a qual não haja um padrão: cabelos, olhos, pernas, barriga, joelhos, cotovelos, boca, nariz, bunda, peitos, costas, tornozelos, pés, mãos,ânus... e também nosso templo (?).

Se me permitem a divagação: penso que assim se delineia o corpo pós-contemporâneo, por excelência feminino, já que da mulher se exige a manutenção e/ou 'conquista' da juventude e beleza. Esse é o corpo torturado, o corpo retalhado, costurado e cheio de cicatrizes . Não é a guerra, entretanto, nem o trabalho, que o torturam, mas a gama virtualmente infinita de intervenções estéticas que cortam, secam, incham, serram, enxertam... transformando-o em escultura sempre passível de remendos ou mesmo de refazimento. O corpo do nosso tempo é uma mulher em pedaços, permanentemente imperfeita.

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