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terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

AS FLÔ DE PUXINANÃ

Via - Folha da Manhã
Acariciando os dias que vou trilhando, a procura sempre  do bem maior  que é  a sobrevivência,  mesmo que  cercada de outros  desejos os quais engrandecem a alma  e a sede de viver.
Assim, nesse contexto, caminha a humanidade, sonhando, buscando a coerência do sentido VIVER, onde  paira a dúvida  de ter dúvida das certezas que muitos  acreditam incertas.

ASSIM, traduz  a incerteza da certeza do autor dos versos cantados abaixo, quando se apaixonou em uma de suas caminhadas pelos recantos  do mundo, sempre em busca do amor platônico e voraz.

As flô de Puxinanã  - Zé da Luz, poeta que veio ao mundo como Severino de Andrade Silva e recebeu a alcunha de Zé da Luz, das terras nordestinas, nasceu em 29 de março de 1904 em Itabaiana, região agreste da Paraíba e faleceu no Rio de Janeiro em 12 de fevereiro de 1965.. Nome de guerra e poesia, nome dado pela terra aos que nascem Josés e, também, aos Severinos, que se não for Biu é seu Zé.

As flô de Puxinanã  (Paródia de As “Flô de Gerematáia” de Napoleão Menezes).

Por Zé da Luz

Três muié ou três irmã,
três cachôrra da mulesta,
eu vi num dia de festa,
no lugar Puxinanã.

A mais véia, a mais ribusta
era mermo uma tentação!
mimosa flô do sertão
que o povo chamava Ogusta.

A segunda, a Guléimina,
tinha uns ói qui ô! mardição!
Matava quarqué critão
os oiá déssa minina.

Os ói dela paricia
duas istrêla tremendo,
se apagando e se acendendo
em noite de ventania.

A tercêra, era Maroca.
Cum um cóipo muito má feito.
Mas porém, tinha nos peito
dois cuscuz de mandioca.

Dois cuscuz, qui, prú capricho,
quando ela passou pru eu,
minhas venta se acendeu
cum o chêro vindo dos bicho.

Eu inté, me atrapaiava,
sem sabê das três irmã
qui ei vi im Puxinanã,
qual era a qui mi agradava.

Inscuiendo a minha cruz
prá sair desse imbaraço,
desejei, morrê nos braços,
da dona dos dois cuscuz!

Do Recanto das Letras - Enviado por Risonaldo Costa em 08/08/2010
Código do texto: T2426053

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Cogumelos alucinógenos 'reiniciam' cérebro de pacientes com depressão

Pesquisadores da Imperial College London usaram a substância para tratar um pequeno número de pacientes que não respondiam aos métodos convencionais, e os resultados surpreenderam.

Reportagem de O Globo

Composto alucinógeno presente em cogumelos pode ajudar no tratamento da depressão Foto: PIXABAY

A psilocibina, composto psicoativo presente naturalmente nos cogumelos alucinógenos, pode auxiliar no tratamento da depressão, sugere um estudo publicado nesta sexta-feira na revista “Scientific Reports”. Pesquisadores da Imperial College London usaram a substância para tratar um pequeno número de pacientes que não respondiam aos métodos convencionais, e os resultados surpreenderam: os benefícios duraram até cinco semanas, aparentemente porque o composto “reiniciou” a atividade de circuitos cerebrais relacionados com a doença.

Comparações das imagens cerebrais dos pacientes antes e um dia após o tratamento com o alucinógeno revelaram mudanças na atividade cerebral associadas com reduções marcantes dos sintomas depressivos. Carhart-Harris ressalta que os resultados são iniciais, limitados a um pequeno grupo de pacientes que não responderam a outros tratamentos, e não há um modelo de controle. Mesmo assim, os resultados da terapia experimental são surpreendentes.

— Nós demonstramos pela primeira vez mudanças claras na atividade cerebral de pessoas com depressão tratadas com psilocibina — explicou o líder da pesquisa, Robin Carhart-Harris. — Muitos dos nossos pacientes disseram se sentir “resetados” após o tratamento, usando analogias dos computadores. Por exemplo, um disse sentir como se o cérebro tivesse sido “desfragmentado” como um disco rígido, e outro disse se sentir “reinicializado”. A psilocibina talvez esteja dando a esses indivíduos o pontapé inicial que precisam para se livrarem do estado depressivo.

Ao longo das últimas décadas, vários testes clínicos foram conduzidos para determinação da segurança e efetividade dos psicodélicos em pacientes com problemas psicológicos. O estudo da Imperial College London é o primeiro a tentar tratar a depressão com o princípio ativo dos cogumelos alucinógenos, conhecidos popularmente como cogumelos mágicos.

Os 20 pacientes que não demonstraram evoluções com tratamentos convencionais receberam duas doses de psilocibina, sendo a primeira de 10 miligramas e a segunda mais forte, com 25 miligramas. O intervalo entre as doses foi de uma semana. 19 dos participantes realizaram exames de imagem no cérebro antes de receberem o composto e um dia após a segunda dose. Os pesquisadores mediram alterações no fluxo sanguíneo e na comunicação entre diferentes regiões cerebrais. Questionários avaliaram os sintomas apresentados pelos pacientes.

Imediatamente após o início do tratamento, pacientes relataram uma redução nos sintomas depressivos, o que corresponde a relatos anedóticos sobre o “brilho”, efeito caracterizado por melhorias no humor e alívio no estresse. Mas os exames de imagem revelaram redução do fluxo de sangue em determinadas áreas do cérebro, incluindo as amídalas cerebelosas, conhecidas pela relação com as respostas emocionais, o estresse e o medo. Também foi observado o aumento da estabilidade em algumas redes cerebrais.

A descoberta fornece uma nova visão sobre o que acontece no cérebro das pessoas após elas “retornarem” de uma viagem psicodélica, com uma desintegração inicial das redes neurais durante o uso dos alucinógenos, seguida pela reintegração.

— Pode ser que os psicodélicos realmente “reiniciem” as redes cerebrais associadas com a depressão, permitindo efetivamente que os pacientes se libertem do estado depressivo — sugeriu Carhart-Harris.

Contudo, os pesquisadores alertam que os resultados não são conclusivos, e pacientes com depressão não devem tentar a automedicação, já que a equipe de pesquisas fornece um contexto terapêutico seguro à experiência psicodélica. Um novo experimento, comparando a psilocibina com medicamentos antidepressivos, será iniciado ano que vem.

— Estudos maiores são necessários para ver se esses efeitos positivos podem ser reproduzidos em mais pacientes — alertou David Nutt, coautor da pesquisa. — Mas os resultados iniciais são excitantes e fornecem um novo caminho terapêutico a ser explorado.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Rádio ABC - Poema de Patativa do Assaré


Cego Oliveira - (*Crato, 1912  +Juazeiro do Norte, 1997).
Vejo que o nosso Nordeste
Ê mesmo a terra da fome,
Onde o matuto não veste,
Onde o matuto não come.
A agricurtura é sentença
E sem havê assistença
O jeito é se escangaiá.
Parece mesmo um pagode!
Seu doto, como é que pode
Este Brasi miorá?

Carsando dura apragata
O nosso pobre caboco
Se soca dentro da mata,
Pisando inriba de toco,
Bota um alarme de broca,
Depois nela fogo toca.
Depois da mesma queima
Ainda lhe dá cansêra,
Porque tem a garranchêra
Que é preciso incoivará.

Ele, naquele vexame,
Logo o terreno incoivará
Mas porém, não tem arame,
Precisa cerca de vara.
Depois da roça cercada,
De ferramenta pesada
Segue no mesmo rojão,
Pois com nada se aquebranta
E na terra seca pranta
O caroço de argodão.

Pranta com munto prazê,
Com munta sastifação,
Proque no rádio ABC
Que comprou de prestação
Todo momento que liga,
Além de munta cantiga,
Escuta uma voz falá,
Uma voz dizendo: «prante,
Que o governo garante».
E o seu desejo é prantá.

Pranta no seco a semente
E depois de tê chuvido
Ele diz munto contente:
Meu argodão tá nascido
E vai a limpa fazê
Mode o mato não cresce
Pois, pra pode dá de conta,
É preciso que se arranje,
Puxando um forte frejoge
Com uma inxada na ponta.

Vendo o prantio na linha,
Sempre de bom a mió,
Agarra demenhãsinha
Até chega o pôr do só.
A sua manutenção
Meidia é sempre fejão
E de noite muncunzá,
Mas nada de esmorece,
Uvindo o rádio ABC,
Sempre mandando prantá.

Esta roça tá firmada
Porém, tem a capoêra,
Esta aqui limpa de inxada
E aquela de roçadêra.
O seu argodão do roço
Tá se tornando um colosso,
A roça tá munto boa,
De fulo toda amarela,
Pode a gente chama ela
Um bordado de açafroa.

E ele o trabaio fazendo,
Sempre agüentando o ripuxo,
Aqui e ali já tá vendo
Dasabrochando um capuxo,
E o caboco não descansa,
Cheio de fé e esperança
Por vê o argodão abri,
Diz, alegre e munto esperto:
Já tá chegando bem perto
Do gunverno garanti!

A roça no mês de agosto
Tá bem arva de argodão,
Tá mesmo de fazê gosto,
Tá mesmo um manapulão;
Quem de longe repara
Sabendo bem compara,
Logo em sua mente toca
Que aquilo é bem parecido
Com um lenço estendido,
Coberto de tapioca.

E o nosso honesto matuto
Sempre da roça pra casa,
Achando que o seu produto
Vai dá lucro e não atrasa.
De noite, perto da mesa,
Com a lamparina acesa,
Todo cheio de inlusão
Destranca o rádio ABC,
Proque deseja sabe
Que preço tem argodão.

Com os seus dedo grocêro

Passa ali hora e mais hora
Mexendo com o pontêro,
Em toda estação demora.
Porém seu rádio ABC
Desta vez não qué sabe
De negoço de argodão,
Derne o Sú inté o Norte
Só tá falando de esporte,
Pele, Garrincha e Tostão.

Bota o pontêro pra lá 10
é sempre uma coisa só,
Puxa o pontêro pra cá
E é o mesmo Futibó
E aquele nosso caboco
Já quage com ar de loco
Vai ficando meio brabo
E diz, bastante raivoso:
Este rádio é mentiroso!
Eu só vendendo este diabo!

Cheio de raiva e quisila,
Já de esperança perdida,
Tranca o seu rádio de pila
E fica a pensa na vida,
Dizendo a sua senhora:
É uma grande caipora
Vende argodão barato!
Perdi todo o meu serviço,
Trabaieí com sacrifico,
Pra botá tudo no mato!

Na vida de agricurtô
Não há pobre que se saia,
Pra todo lado que vou
Tem um bicho de tocaia;
É grande a desiguardade
Do campo para a cidade!
Você repare, muié,
Que grande escuiambação:
Quinze quilo de argodão
Não compra três de café!

E toca lá pra cidade
Quatro carga de argodão,
Mas, porém, mais da metade
Já tá devendo ao patrão.
Com a sobra do dinhêro,
O sobejo dos cruzêro,
Que é bem pequena quantia,
Faz uma fraca merenda,
Depois vai compra fazenda
Mode vesti a famia.

Depois que de brim barato
Compra carsa pra José,
Chico Migue, Furtunato
E uma saia pra muié
E seis vestido de chita
Pra Joana, Tereza, Rita,
Josefa, Antônia e Sinhá,
Fica coçando o bigode.
Seu doto, como é que pode
Este Brasi miorá?

Veja que negoço chato,
O que foi que aconteceu,
Vendeu o argodão barato,
Que tanto trabaio deu!
Aquele bom camponês,
Com as comprinhas que fez,
Nem um centavo sobrou,
Ficou de bôrsa vazia,
Pensando na garantia
Que o rádio tanto falou.

Sem tê no borso um tostão
Vorta o caboco da praça
Pensando em seu argodão
E incabulado, sem graça,
Quando chega na paioça,
Vai derruba nova roça
Pra ôtra safra fazê,
Bem sisudo, resmungando,
Chingando e desconjurando
Aquele rádio ABC.

No Juazeiro do Norte de Antigamente

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Como a guerra às drogas devora os pobres

Segundo novo relatório da ONG Health Poverty Action, a proibição alimenta a pobreza e a criminalidade em lugares como Brasil e Índia.

Encontrei Aqui

Por JS Rafaelli; Traduzido por Marina Schnoor

Em Nova York, o julgamento do chefão de cartel Joaquín “El Chapo” Guzmán está entrando em seu terceiro mês. A história de El Chapo é cheia de negócios de milhões de dólares, fugas mirabolantes de prisões e, claro, violência e corrupção características do comércio ilegal de drogas.

Mas o julgamento também aponta para uma estranha dicotomia em como falamos sobre a guerra às drogas. Ao olhar para os EUA e Europa, vemos como a proibição de drogas afeta muito mais comunidades marginalizadas e minorias raciais. Ainda assim, quando falamos sobre drogas no sul global (o que as pessoas costumavam chamar de “Terceiro Mundo”), a mídia se foca em chefes poderosos como El Chapo e Pablo Escobar, esquecendo que a maioria dos empregados e afetados pelo comércio de drogas são algumas das pessoas mais pobres do mundo.

Na verdade, o que fica cada vez mais claro é que a proibição internacional de drogas é o maior combustível da pobreza global. Semana passada, a ONG Health Poverty Action (HPA) divulgou um relatório observando o tráfico de drogas no Brasil e Índia. O documento explorou duas frentes: como gangues de traficantes tomaram as favelas brasileiras e como a produção ilícita de ópio formou uma economia alternativa no norte rural da Índia.

“Venho trabalhando em grandes campanhas de desenvolvimento há anos – cancelamento de dívidas, justiça comercial, AIDS; todas as coisas de que ONGs falam. Mas a maioria desses movimentos, mesmo fazendo o bem, eram campanhas pensadas no norte global, depois exportadas”, diz o CEO da HPA, Martin Drewry. “Aí um grupo de líderes políticos da América Latina veio para Londres e virou tudo de cabeça para baixo. A prioridade deles é lutar para acabar com a proibição das drogas – como uma questão de pobreza e desenvolvimento global! É nisso que eles querem que nos foquemos. Eles colocam isso na frente de muitas das nossas ideias de comércio injusto, evasão fiscal e mudanças climáticas. Foi um momento de lâmpada na cabeça.”

À primeira vista, ver a proibição de drogas como igual a, digamos, a estrutura do comércio mundial em termos de desenvolvimento global pode parecer exagero. Mas olhe os números. Lutar a guerra às drogas custa ao mundo US$ 100 bilhões por ano apenas em policiamento – e isso nem leva em conta os custos absorvidos em saúde pública, renda não-taxada e desperdício de potencial humano. O total anual do orçamento de ajuda global é de US$ 146 bilhões. Coloque esses números lado a lado e a escala da questão começa a ficar clara.

O mercado ilícito de drogas é a galinha dos ovos de ouro da corrupção criminal internacional. Nenhum outro ramo da criminalidade tem o potencial de gerar a renda necessária para a corrupção endêmica e industrializada da polícia e políticos. No sul global, segundo o relatório da HPA, isso desestabiliza estados inteiros, destruindo o funcionamento básico do governo enquanto esvazia camadas das instituições da sociedade civil. Mais amplamente, você pode ver esses efeitos nas guerras civis colombianas financiadas pela cocaína como as FARC até as fronteiras sem lei da China e Myanmar, onde contrabandistas de anfetaminas e heroína formaram estados paralelos.

Martin Drewry destaca essas questões básicas. “Muitos desses são países pobres em recursos, onde o comércio de drogas forma grandes seções da economia – tudo isso sem pagar impostos. E enquanto os governos estão ocupados, basicamente lutando um conflito armado contra sua própria população, eles não estão fornecendo serviços básicos como saúde, educação e infraestrutura.”

E o problema vai mais fundo que essa análise ampla. Uma das coisas mais interessantes do relatório da HPA é que ele expande a conversa para além de como “países produtores”, como a Colômbia e Afeganistão, ficaram presos na guerra às drogas para atender as necessidades de consumidores ocidentais. O documento também explora como o comércio de drogas funciona dentro dos países do sul global.

“Há um círculo de pobreza que se autoperpetua", diz Drawry. "As pessoas se envolvem com drogas para ter acesso a coisas essenciais e básicas da vida porque não têm outras opções. Aí elas são presas e suas chances na vida ficam ainda mais prejudicadas. Então há famílias inteiras onde esse ciclo vem sendo passado de uma geração para a seguinte. Uma garota em São Paulo nos contou como teve que começar a vender drogas porque a mãe tinha sido presa, e ela precisava sustentar as irmãs mais novas. Ela tinha 12 anos. Sessenta e quatro por cento das mulheres nas prisões do Brasil foram presas por ofensas relacionadas a drogas.”

Os dados da Índia também enfatizam como mulheres comandam plantações de ópio em pequena escala porque essa é uma fonte de renda flexível que elas podem ter enquanto cuidam de deveres domésticos mais tradicionais e sua educação. Isso as deixa vulneráveis para exploração de gangues criminosas e para o assédio constante da polícia.

Crucialmente, a natureza particular do comércio de drogas tem como alvo os mais pobres de uma maneira especialmente perniciosa. “Os caras no topo dessas gangues nesses países podem pagar subornos e geralmente têm poder de fogo para se proteger", diz. "Mas os governos ainda lidam com uma pressão extrema dos EUA para parecerem 'duros com as drogas', então a polícia e o exército precisam mostrar atividade – e o machado inevitavelmente cai sobre os mais pobres."

O relatório é enfático que seu pedido de legalização das drogas é só o primeiro passo; o mais importante é a natureza da regulamentação das drogas. Drewry terminou nossa conversa insistindo que simplesmente entregar o comércio de drogas para multinacionais não vai ajudar os pobres. "É preciso envolvimento sério e transparente dos governos", diz. ˜Não há um modelo padrão para todos os casos, mas iniciativas como garantir emprego na indústria legal visando aqueles já envolvidos, e limitar a formação de monopólios, como está sendo tentando na Califórnia e Bolívia, com certeza são positivas. Tem até uma oportunidade aqui – temos a chance de criar um setor legítimo inteiramente novo de base. Com o tempo, isso pode até servir como modelo para outras partes das economias em desenvolvimento que sofrem com corrupção séria.”

O sistema atual de proibição de drogas é um combustível crucial da pobreza global. Uma visão de futuro alternativo em que um mercado legal regulado de drogas se torna um modelo para abordar a corrupção e aliviar a pobreza é particularmente inspirador.

E isso também pode servir como um lembrete de olhar menos para o chefe de drogas bilionário El Chapo e mais para o garoto miserável de Badiraguato, no México. É preciso mudar a lei agora para proteger outras crianças pobres de dar os primeiros passos nesse mesmo caminho.


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

13 de Fevereiro - Dia Mundial do Rádio

A data tem o objetivo de conscientizar os grandes grupos radiofônicos e as rádios comunitárias da importância do acesso à informação, da liberdade de gênero e expressão dentro deste setor da comunicação.

Mateus Brandão de Souza - Interpreta o o Velho Procópio nas manhãs e tardes no rádio de Nova Londrina - Pr,.


Entre os meios de comunicação tecnológicos que existem na atualidade, o rádio continua a ser o que atinge as maiores audiências, continuando a adaptar-se às novas tecnologias e aos novos equipamentos. O rádio funciona seja como uma ferramenta de apoio ao debate e comunicação, na promoção cultural ou em casos de emergência social.

A rádio esteve presente acompanhando os principais acontecimentos históricos mundiais e hoje continua a ser um meio de comunicação fundamental.

Origem do Dia Mundial do Rádio
O Dia Mundial do Rádio é comemorado em 13 de Fevereiro em homenagem a primeira emissão de um programa da United Nations Radio (Rádio das Nações Unidas), em 1946. A transmissão do programa foi em simultâneo para um grupo de seis países.

A data foi criada e oficializada em 2011, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO). O primeiro Dia Mundial do Rádio foi celebrado apenas em 2012.


Holocausto brasileiro: 60 mil morreram nesse manicômio

Um dos maiores horrores da nossa história aconteceu em Minas, em Barbacena. Pouco conhecido hoje, o hospício de Barbacena foi cenário de horror, dor e morte, local comparado aos piores campos de Concentração Nazista. As pessoas, eram enviadas para Barbacena em vagões de carga, amontoados, como os Nazistas faziam com os Judeus quando os enviavam para seus Campos de Concentração. Dai a semelhança.Nesse hospício foram mortos 60 mil pessoas durante seu funcionamento, uma média de 16 por dia. Foi constatado que a maioria dos que lá foram internados, não eram loucos, eram pessoas normais. Foram parar no hospício pela maldade humana. Eram...


Meninas que perderam a virgindade, bem como mulheres solteiras que engravidavam eram internadas pelas famílias para esconderem a "vergonha";

Homossexuais, prostitutas, negros, jovens rebeldes, pessoas tímidas, alcólatras e mendigos eram internados a força por serem incômodos para a sociedade;

Gente rica e poderosa internavam lá seus adversários políticos e quem os prejudicasse;

Maridos, para ficarem com as amantes, internavam suas esposas. Ou internavam as amantes que lhes davam problemas.

Internados, acabavam ficando loucos de verdade. Viviam num ambiente de solidão, humilhações e sofrimentos constantes. Andavam nus, bebiam água de esgoto. Comiam fezes, bebiam urina e eram constantemente submetidos a altas descargas de energias elétricas. Muitos viviam acorrentados pelos pés e mãos ou mesmo trancados em jaulas, como animais, sem sequer sair para tomar sol. Os choques no hospício eram tão altos que até derrubava os muros das casas. Ao longe se ouvia gritos de dor e de socorro, mas ninguém fazia nada.

Quem era levado para o Hospício de Barbacena nunca mais voltava. Morriam pelas altas voltagens dos choques, de fome, de frio, por doenças causadas pela falta de higiene e de dor, muita dor. As familias dos que lá morriam eram informadas(quando eram informadas) da morte dos parentes internados meses depois, por carta ou telegrama. Nem tinham notícias de onde foram sepultados ou o que fizeram com os restos mortais dos que lá morriam.

Hoje o Hospício foi desativado. Virou museu que conta a história da loucura. A dor, os gritos, choques, choros e mortes ficaram no passado e na alma de Minas e do Brasil. Era um hospício do Governo e escolheram Barbacena para sediá-lo. Nesse local, milhares de pessoas, em sua maioria, foram internadas a força, vindas de todos os lugares de Minas e do Brasil. Uma mancha vergonhosa na história de Minas e de nosso país e um ar de assombro em perceber como o ser humano por ser tão mal a ponto de cometer e permitir tanta desumanidade, tanta maldade para com seu próximo.Essa é uma história triste, história essa que muitos não querem que venha a tona, que seja discutida e que seja mostrada.


Holocausto brasileiro: 60 mil morreram em manicômio

“Milhares de mulheres e homens sujos, de cabelos desgrenhados e corpos esquálidos cercaram os jornalistas. (...) Os homens vestiam uniformes esfarrapados, tinham as cabeças raspadas e pés descalços. Muitos, porém, estavam nus. Luiz Alfredo viu um deles se agachar e beber água do esgoto que jorrava sobre o pátio. Nas banheiras coletivas havia fezes e urina no lugar de água. Ainda no pátio, ele presenciou o momento em que carnes eram cortadas no chão. O cheiro era detestável, assim como o ambiente, pois os urubus espreitavam a todo instante”.

A situação acima foi presenciada pelo fotógrafo Luiz Alfredo da extinta revista O Cruzeiro em 1961 e está descrita no livro-reportagem Holocausto Brasileiro, da editora Geração Editorial, que acaba de chegar às livrarias de todo o País. Ainda que tenha semelhanças com um campo de concentração nazista, o caso aconteceu em um manicômio na cidade de Barbacena, Minas Gerais, onde ocorreu um genocídio de pelo menos 60 mil pessoas entre 1903 e 1980.

Apesar de ser uma história recente, o fato de um episódio tão macabro permanecer desconhecido pela maioria dos brasileiros inspirou a jornalista Daniela Arbex. “Eu me perguntei: como minha geração não sabe nada sobre isso?”. A obra conta a história do maior hospício do Brasil, que ficou conhecido como Colônia e leva este nome por ter abrigado atos de crueldade parecidos com os que aconteceram na Alemanha nazista, durante a Segunda Guerra Mundial.

“Dei esse nome primeiro porque foi um extermínio em massa. Depois porque os pacientes também eram enviados em vagões de carga (ao manicômio). Quando eles chegavam, os homens tinham a cabeça raspada, eram despidos e depois uniformizados”, explica a autora. Daniela não foi a única a comparar Colônia ao holocausto. No auge dos fatos, em 1979, o psiquiatra italiano Franco Basaglia visitou o hospício com a intenção de tentar reverter o que ocorria no local. “Estive hoje num campo de concentração nazista. Em nenhum lugar do mundo presenciei uma tragédia como essa”, disse na ocasião.

A Colônia foi inaugurada em 1903 e continua aberta até hoje, mas o período de maior barbárie aconteceu entre 1930 e 1980, quando pessoas eram internadas sem terem sintomas de loucura ou insanidade. Segundo o livro-reportagem, cerca de 70% das pessoas não tinham diagnóstico de doença mental. “Foi o momento mais dramático. A partir de 1930, os critérios médicos desapareceram. Em 1969, com a ditadura, o caso foi blindado. Não gosto de chamar assim, mas (entre 1930 e 1980) foi um período negro. Foi criado para atender pessoas com deficiência mental, mas acabou sendo usado para colocar pessoas indesejadas socialmente, como gays, negros, prostitutas, alcoólatras”, contou.

Internação e sobrevivência

Daniela contou ainda que a ordem para internação das pessoas na Colônia vinha dos mais influentes da sociedade na época. “Quem decidia é quem tinha mais poder. Teve pessoas que foram enviadas pela canetada de delegados, coronéis, maridos que queriam se livrar da mulher para viver com a amante. Não tinha critério médico nenhum. Tem documento que mostra que o motivo da internação de uma menina de 23 anos foi tristeza”, criticou.

Ao chegarem ao manicômio, os internados tinham uma rotina “desumana”. Eles dormiam juntos em salas grandes sem cama. Todos tinham que se deitar sobre o chão do cômodo, que era coberto apenas por capim. Acordavam por volta das 5h da manhã e eram enviados para os pátios, onde ficavam até 19h, todos os dias. “Barbacena é uma cidade muita fria. Até hoje tem temperatura muito baixa para os padrões brasileiros. Pessoas eram mantidas nuas nos pátios em total ociosidade. Pensa bem que condição sub-humana”, disse a jornalista.

Além disso, a alimentação na Colônia era precária, o que causou a desnutrição e, consequentemente, o desenvolvimento de doenças em vários dos “pacientes”. “Eles tinham uma alimentação muito pobre, de pouca qualidade nutritiva. Muitas pessoas passavam fome. Tem histórias de gente que em momento de desespero comeu ratos ou pombas vivas. (...) As pessoas acabavam tendo sede e bebiam urina ou esgoto porque tinha fossas no pátio. Não tinha nenhuma privacidade. Até 1979 era assim, faziam xixi e coco na frente de todo mundo", explicou.

O fato dos homens, mulheres e até crianças ficarem pelados o tempo todo criava um clima de promiscuidade no manicômio. Há relatos de mulheres que foram estupradas por funcionário. “Consegui depoimentos nesse sentido de (estupro e abuso sexual), mas não consegui provar. Tem um caso de uma mulher que disse ter engravidado de um funcionário. Certo é que havia uma promiscuidade incrível. As pessoas eram mantidas nuas, dormindo juntas nessas condições. Crianças eram mantidas no meio dos adultos”, lamentou.

Além das condições insalubres, o hospício chegou a ter 5.000 pessoas ao mesmo tempo, enquanto a capacidade original era para 200 pacientes. Nesses períodos de maior lotação, 16 pessoas morriam todos os dias. “Não era uma coisa determinada, não existia uma ordem (para matar). As coisas foram se banalizando. Um funcionário via que outro fazia tal coisa com o paciente e repetia. As pessoas deixaram as coisas acontecerem. Não tinha essa coisa de vamos fazer com essa finalidade. Era exatamente por omissão”, comentou.

Venda de corpos

Mas a morte dava lucro. A autora do livro conta que encontrou registros de venda de 1.853 corpos, entre 1969 e 1980, para faculdades de medicina. “O que a gente não sabia e conseguimos descobrir, com a ajuda da coordenação do Museu da Loucura, foi que 1.853 corpos foram vendidos para 17 faculdades de medicina do País. O preço médio era de 50 cruzeiros. Dá um total de R$ 600 mil reais, se atualizarmos a moeda. Tem documento da venda de corpos. De janeiro a junho de um determinado ano, por exemplo, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) recebeu 67 peças, como eles mencionavam os corpos”, afirma.

Depois de algum tempo, o mercado deixou de comprar tantos cadáveres. Os funcionários passaram, então, a decompor os corpos dos mortos com ácido no pátio da Colônia, diante dos próprios pacientes, para comercializar também as ossadas.

O caos estabelecido na Colônia foi descoberto pela revista O Cruzeiro, que publicou em 1961 uma reportagem de denúncia de José Franco e Luiz Alfredo, entrevistado por Daniela Arbex no livro. A autora conta que, na época, houve comoção em torno do caso, mas as condições continuaram as mesmas no hospício. “Na época, o (ex-presidente) Jânio Quadros estava no poder. Ele falou que ia mandar dinheiro para a Colônia, falaram que ia fazer acontecer e nada. Não foi feito nenhum tipo de intervenção que fizessem os absurdos cessarem. De 1961 até 1979, a situação continuou tão grave quanto”, explica.

As “atrocidades” no hospício só começaram a diminuir quando a reforma psiquiátrica ganhou fôlego em Minas Gerais, em 1979. Hoje, o manicômio é mantido pela Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMIG) e conta com 160 pacientes do período em que o local parecia mais um “campo de concentração”. Ninguém nunca foi punido pelo genocídio.

FONTE: IG

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Freonízio Valente, prefeito de Santa Isabel do Ivaí é o novo presidente da AMUNPAR

A nova diretoria da Amunpar é composta pelos seguintes prefeitos(a):

Presidente - Frionízio Valente, prefeito de Santa Isabel do Ivaí
1º Vice-presidente - Adir Schmidtz, prefeito de Nova Aliança do Ivaí
2º Vice-presidente - Laércio de Freitas, prefeito de Paraíso do Norte
Secretária Técnica - Leurides Sampaio Ferreira Navarro - prefeita de Paranapoema
Secretária Administrativa - Terezinha Fumiko Yamakawa, prefeita de Amaporã
Conselheiro junto a AMP - Otávio Henrique Grendene, prefeito de Nova Londrina.

Freonízio Valente assume em lugar de Carlos Henrique Rossato Gomes - Foto: Fabiano Fracarolli
Freonízio Valente quer união para região Noroeste voltar a crescer“Serão agora reuniões de serviço, vamos discutir e ver as possibilidades que temos, quais são as deficiências, trocar idéias, experiências, e se organizar para reivindicar aquilo que nosso povo precisa”, disse o novo presidente da Amunpar.

Freonízio Valente, prefeito de Santa Isabel do Ivaí, falou em união como forma da região Noroeste voltar a crescer. “Precisamos atrair investimentos e isso só será feito com união. Se a gente não se unir, vamos ficar como estamos, um puxando de um lado, um querendo ser isso, outro querendo ser aquilo. Se fossemos unidos, a região não teria eleito dois ou três deputados estaduais e dois federais?”, perguntou.
Valente tomou posse ontem no cargo de presidente da Associação dos Municípios  do Noroeste do Paraná (Amunpar) em substituição a Carlos Henrique Rossato Gomes (Caique), prefeito de Paranavaí.
“Precisamos buscar alternativas para segurar os jovens na cidade. Precisamos segurar nossa juventude, temos que nos preocupar com muitas coisas que aconteceram e tentar buscar novos rumos. Vamos fazer um trabalho voltado à união. Precisamos nos unir”, acrescentou.

O novo presidente da Amunpar adiantou que as próximas encontros dos prefeitos integrantes da entidade serão reuniões de serviços. “Serão agora reuniões de serviço, vamos discutir e ver as possibilidades que temos, quais são as deficiências, trocar idéias, experiências, e se organizar para reivindicar aquilo que nosso povo precisa no âmbito estadual e nacional”.

Valente pediu a cada prefeito um levantamento de seus convênios suspensos ou cancelados pelo governo, isso porque pretende agendar na próxima semana uma reunião com o novo governador, Ratinho Junior, e com  secretários para tratar dessas questões.

PREFEITO DE PARANAVAÍ - Carlos Henrique Rossato Gomes (Caique) deixou a presidência da Amunpar, lembrando que por mais de 30 anos o cargo não era ocupado por um prefeito de Paranavaí. “Agradeço a confiança, e tão importante quanto isso foi, agora, essa transmissão de posse, sem bate-chapa, eleição por aclamação, o que mostra a unidade que a gente tem no Noroeste do Paraná”.

Os deputados estaduais Tião Medeiros e Maria Victória enviaram representantes. O pronunciamento de Nivaldo Garcia, representantes de Medeiros, chamou atenção.

“Temos uma dificuldade em segurar nosso jovem, estamos perdendo habitantes a cada ano. Algumas cidades estão se mantendo, outras perdendo habitantes. Se a gente persistir nesse erro, acreditamos que daqui a 20 anos várias cidades da Amunpar vão virar ´cidade de asilo´, porque estão ficando apenas as pessoas velhas. Essa é a nossa realidade. Não podemos se apequenar mais, precisamos voltar a crescer”.

RICARDO BARROS - Se os deputados estaduais estavam ausentes, o deputado federal e ex-ministro da Saúde, Ricardo Barros prestigiou a posse da nova diretoria da Amunpar.

“Nesse mandato estarei mais perto dos amigos. Por decisão minha, não vou assumir responsabilidades maiores no Congresso Nacional. Depois de dois anos como ministro da Saúde, agora ficarei mais perto dos prefeitos”, disse Barros, que foi líder dos governos FHC, Dilma, de Lula, e ministro de Michel Temer.
O deputado deu sugestões aos prefeitos, principalmente que “façam projetos, porque dinheiro tem bastante” e sugeriu a construção de uma rodovia margeando as represas existentes no Noroeste, permitindo acesso integrado a vários condomínios.

Prefeitos e autoridades na reunião na sede da Amunpar em Paranavaí - Foto: Fabiano Fracarolli

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