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quinta-feira, 16 de abril de 2020

O mundo ficará novamente iluminado


Por Perpétua Almeida

Renasceremos novas mulheres e novos homens pós-quarentena. Não haverá escuridão. Esperancemos!

Nasci em um seringal no interior do Acre e somente aos 14 anos descobri o que era energia elétrica. Quando chegava a noite, nossa casa era iluminada por um lampião. Era uma luz tênue, sem esplendor, mas ao mesmo tempo, cumpria bem seu papel e não nos deixava ficar no breu. O alaranjado tímido que se espalhava entre as paredes de madeira era também um clarão de esperança.

Nesses últimos dias, mesmo com luz elétrica em casa, me senti de volta aos anos em que eu usava lampião: vi uma luz fraca ser acesa em meio à escuridão. É perceptível que com a chegada do novo coronavírus ao mundo, muita coisa se apagou. Nossos planos precisaram ser refeitos, novas rotas foram traçadas, outros jeitos de seguir a vida foram desenhados. Entretanto, não à toa, consigo ver o candeeiro mais forte agora com o isolamento. Vejo que muitas famílias se reaproximaram, estão se conhecendo mais, se ajudando nas tarefas diárias, se redescobrindo.

A saudade também tem visitado muitos lares, é verdade. Pais e filhos que não podem se ver, netos que não podem visitar os avós, casais que estão em casas diferentes, primos que não brincam juntos no fim de semana. Quem mora sozinho tem aproveitado da própria companhia e aguarda ansiosamente a oportunidade de um abraço. Nesse momento, precisamos ficar distantes uns dos outros para voltarmos a ficar perto mais rápido.

Como uma ironia do destino, esse período de quarentena coincidiu com a quaresma e com a Páscoa. Nos 40 dias que Jesus passou sozinho no deserto, viveu muitas dificuldades e teve seu lado humano colocado à prova. No coração do homem que também era Deus, havia o entendimento de que era preciso passar por aquelas provações. No nosso coração, feito apenas de carne e sem nenhuma divindade, pode surgir vez ou outra o questionamento do porquê de enfrentarmos toda essa batalha.

Cada um encontrará dentro de si mesmo essa reposta, mas eu me adianto e ouso dizer que ela só será descoberta se vista com os olhos da esperança. Esperança de uma nova vida, de um novo mundo, de nossa humanidade transformada. Esperança de que o bem vencerá o mal, de que juntos somos mais fortes e de que precisamos cuidar a todo o momento de quem a gente ama – especialmente do planeta.

Este cuidado, inclusive, aprendi desde muito cedo com a minha família e depois no convento das Irmãs Dominicanas. Mais tarde, ao me tornar deputada, tendo vivido na pele as dores e as necessidades dos mais simples, passei a ter a oportunidade de lutar pelo bem da população. E sigo neste caminho até hoje.

Desde o dia em que tomamos conhecimento de que o novo coronavírus era uma ameaça para nosso país, eu, juntamente com a bancada dos deputados do meu partido, o PCdoB, nos unimos a outros parlamentares que querem trabalhar em prol dos brasileiros. Tornar a vida dos mais necessitados menos difícil nesses tempos é o que me guia.

Com muita luta, nós, do Congresso Nacional, aprovamos o Auxílio Emergencial de até R$ 1.200. Tenho batalhado por mais médicos nas cidades, tenho me esforçado para garantir o mínimo de dignidade às pessoas e tenho me dedicado a encontrar saídas para que trabalhadores e empresas atravessem esse período turbulento com mais tranquilidade. No que depender de mim, tenham certeza, ninguém sairá prejudicado. Estamos todos juntos.

Hoje é Páscoa, dia de celebrar a ressureição de Jesus e de renascermos junto a Ele, dia de perdoar (aos outros e a si mesmo), de ressignificar, de deixar para trás pesos e dores desnecessárias. O momento pede união. Aos que podem estar em família, que vejam o amor renascer dentro de casa. Aos que estão sozinhos, que se sintam acompanhados por aqueles que os amam e encurtem a distância física por meio de ligações, videochamadas ou mensagens de texto.

Renasceremos novas mulheres e novos homens pós-quarentena. A luz do lampião, que um dia também foi a luz da esperança em minha vida, iluminará novamente o mundo. Não haverá escuridão. Esperancemos!

Uma feliz e abençoada Páscoa a todos nós!




quarta-feira, 15 de abril de 2020

Itaú Unibanco doará R$ 1 bilhão para combate ao coronavírus


Recursos serão administrados pela fundação do banco e por um grupo de especialistas em saúde, diz site


O Itaú Unibanco doará 1 bilhão de reais para combater a pandemia de coronavírus, informou a agência Reuters neste domingo (12).

Segundo o site, os recursos serão administrados pela fundação do banco e por um grupo de especialistas em saúde.

Um e-mail do banco indicou que seu presidente-executivo, Candido Bracher, fez o anúncio por teleconferência na segunda-feira (13).


terça-feira, 14 de abril de 2020

segunda-feira, 13 de abril de 2020

Paraná registra 62 novos casos e quatro óbitos por coronavírus


Em caso de dúvida, ligue para a ouvidoria do SUS no Paraná: 0800 644 4414 ou pelo WhatsApp (41) 3330-4414.

A cidade de Santa Mônica registrou um caso positivo da Covid -19.

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) confirmou neste domingo (11) 62 novos casos de coronavírus e quatro óbitos no estado. Agora o Paraná tem 750 confirmações e 31 óbitos.

As novas confirmações foram registradas nos municípios de Ibema (10), Jussara (1), Guaraniaçu (1), Cascavel (2), Curitiba (23), Almirante Tamandaré (2), Assis Chateaubriand (1), Londrina (7), Araruna (1), Campina Grande do Sul (2), Santa Mônica (1), Cianorte (1), Verê (1), Maringá (1), Terra Boa (1), Campo Mourão (1), São José dos Pinhais (2), Campo Largo (1), Santa Fé (1), Paranaguá (1) e Bandeirantes (1).

As mortes ocorreram nos municípios de Jussara, Campo Largo, Londrina e Curitiba. Um homem de 72 anos de Jussara, Norte do Paraná, foi internado no dia 29/03 em um hospital em São Paulo, fora do Estado, vindo a óbito na última terça-feira (7). Uma paciente de 95 anos residia em Londrina, possuía comorbidades e veio a óbito neste sábado (11). Já em Campo Largo, um homem de 53 anos, faleceu na última quarta-feira (8), tendo o resultado positivo para a doença neste sábado (11). No município de Curitiba, uma senhora de 94 anos faleceu nesta terça-feira (7), o resultado positivo para a Covid-19 saiu na sexta-feira (10) segundo o Laboratório Central do Estado (Lacen/PR).

DADOS – Dos 750 casos confirmados no Paraná, 12 não residem no Estado. Dos 31 óbitos, um não residia no Estado. Outros  6.202 casos foram descartados e 472 estão em investigação.

São 117 pacientes internados, 69 em Unidades de Terapia Intensiva (UTI’s) e 48 em leitos clínicos. O número de pacientes já liberados do tratamento será atualizado no início da próxima semana.


domingo, 12 de abril de 2020

No domingo de Páscoa, Papa escreve aos movimentos populares: "Continuem a luta"

Papa Francisco durante sua primeira visita à Bolívia, em 2015, ao lado de crianças bolivianas e do então presidente Evo Morales - Vincenzo Pinto / AFP
Em carta, o líder ressalta o papel das organizações sociais de cultivar a esperança e a solidariedade durante a pandemia.

Redação

"Continuem a luta e se cuidem como irmãos. Rezo por vocês, rezo com vocês", expressa o Papa Francisco em carta destinada às e aos integrantes dos movimentos populares e organizações sociais de todo o mundo, divulgada neste domingo de Páscoa (12).

Na data em que milhões de cristãos celebram a Ressurreição de Cristo, o pontífice destina suas orações àqueles que dedicam suas vidas à transformação social, atuando a partir de suas comunidades.

"Penso nas pessoas, sobretudo nas mulheres, que multiplicam o pão nos restaurantes comunitários, cozinhando com duas cebolas e um pacote de arroz um delicioso refogado para centenas de crianças; penso nos doentes, penso nos idosos. Nunca aparecem nos grandes meios de comunicação. Tampouco aparecem os camponeses e agricultores familiares que seguem lavrando para produzir alimentos saudáveis sem destruir a natureza, sem monopolizar ou negociar com a necessidade do povo. Quero que vocês saibam que nosso Pai Celestial olha por vocês, os valoriza, reconhece e os fortalece em sua escolha", escreve.


Com palavras emocionantes, que expressam sua proximidade com os movimentos populares, recordando encontros ocorridos no Vaticano e em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, o Papa Francisco enaltece o trabalho realizado por essas organizações em meio à pandemia do novo coronavírus.

"Se a luta contra a covid-19 é uma guerra, vocês são um verdadeiro exército invisível lutando nas perigosas trincheiras. Um exército que conta apenas com as armas da solidariedade, da esperança e do sentido de comunidade que renasce nestes dias nos quais ninguém se salva sozinho. Vocês são, para mim, como lhes disse em nossos encontros, verdadeiros poetas sociais que, a partir das periferias esquecidas, criam soluções dignas para os problemas mais urgentes dos excluídos", afirma.

No documento, ele recorda a situação de vulnerabilidade enfrentada pela população mais pobre, sem-teto, presos, migrantes, trabalhadores informais, para os quais, em suas palavras, "as quarentenas se tornam insuportáveis" por não contarem com garantias legais que os protejam.

Para o líder da Igreja Católica, a crise desencadeada pela pandemia é uma oportunidade da humanidade repensar seus padrões de produção e consumo, orientados pela competição, individualismo e "lucro desmedido para poucos".

"Quero que pensemos no projeto de desenvolvimento humano integral que almejamos, centrado no protagonismo dos Povos em toda a sua diversidade e o acesso universal a esses três T que vocês defendem: terra, teto e trabalho. Espero que este momento de perigo nos tire do piloto automático, agite nossas consciências adormecidas e permita uma transformação humanista e ecológica que coloque fim à idolatria do dinheiro e coloque a dignidade e a vida no centro", suplica.

Na mensagem, o pontífice ainda direciona suas críticas ao mercado e aos "paradigmas tecnocráticos" que, segundo ele, orientam muitos governos ao redor do mundo e "não são suficientes para abordar esta crise nem os outros grandes problemas da humanidade".

Para Francisco, neste contexto em que a epidemia traz à tona e acirra as desigualdades, os movimentos e organizações populares devem ser reconhecidos, porque são os responsáveis por transformar as crises e privações "em promessa de vida para suas famílias e comunidades", com modéstia, dignidade, esforço e solidariedade.

Devido às medidas sanitárias recomendadas pela Organização Mundial da Saúde para combater a propagação da doença, neste domingo (12), as celebrações litúrgicas do Vaticano serão realizadas sem os fiéis na Praça de São Pedro devido à pandemia do novo coronavírus.




quarta-feira, 8 de abril de 2020

BOLÍVIA - "Foi um golpe ao índio, à população e pelo lítio", denuncia Evo Morales

Em entrevista à Fórum, ex-presidente boliviano fala sobre golpe contra seu governo e interesses estadunidenses no país.

"Tenho certeza que o partido vai voltar ao governo e vamos voltar a implementar políticas que priorizam o povo", afirma Evo Morales. - ABI
Marina Duarte de Souza
Brasil de Fato | São Paulo (SP)

O ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, afastado por um golpe de Estado no final de 2019, participou na manhã deste sábado (4) do programa Fórum Onze e Meia para falar sobre o golpe de Estado que sofreu no final de 2019.

O líder popular boliviano relembrou que desde que seu partido político, Movimento para o Socialismo-Instrumento Político pela Soberania dos Povos (MAS-IPSP), foi eleito, houve sucessivas tentativas de golpe da direita à democracia do país, todas elas com “mãos dos Estados Unidos por trás”.

“Os últimos movimentos não são diferentes de outros golpes de direita e fascistas insuflados pelos Estados Unidos. Na verdade, o golpe foi contra um outro modelo econômico da Bolívia sem FMI, sem capital estrangeiro, que mostrou que outra Bolívia é possível. Essa independência foi uma afronta ao imperialismo”, explica o ex-presidente.

Morales enfatiza que “foi um golpe ao índio, à população e pelo lítio”, ao explicar que o governo estadunidense “nunca perdoou” o fato de o governo boliviano ter definido uma política econômica de produção autônoma e independente em torno da exploração das jazidas da matéria prima para as baterias de equipamentos eletrônicos e veículos elétricos. O país possui a maior área do mineral do mundo.

:: As multinacionais, o valioso lítio da Bolívia e a urgência de um golpe ::

Morales afirmou que a renúncia à presidência e a posterior saída da Bolívia foi uma medida de proteção ao povo boliviano, uma vez que as forças golpistas da polícia militar, forças armadas e extrema direita, apoiadas pelos Estados Unidos, ameaçavam “derramar sangue”.

“Até o momento das eleições não havia irmão e irmã que tivesse sido baleado. Para mim, o direito à vida está acima de tudo. Mas a partir do dia seguinte das eleições aumentou a violência e começaram a aparecer os casos de mortes a bala, quando 35 pessoas foram assassinadas nas ruas. Houve uma conversa entre as lideranças politicas do governo e do partido para que de fato renunciasse, deixasse o país para tentar conter a violência da extrema direita”.

Após narrar os episódios que se seguiram para que conseguisse sair do país, o ex-presidente conta que atualmente, as pesquisas indicam que se houvesse eleições hoje o MAS-IPSP teria mais de 50% dos votos. Ele considera que a população que apoiou o golpe já se arrependeu e que há incertezas sobre os próximos dias, já que com a epidemia do novo coronavírus, as eleições, marcadas para 3 de maio, foram canceladas.

“Esperamos que os políticos no poder tenham consideração pela população e tentem cuidar da sua saúde e necessidades. Tenho certeza que o partido vai voltar ao governo e vamos voltar a implementar políticas que priorizam o povo, os índios, os trabalhadores, contra o poder imperialista”, reafirma Morales.

Enquanto a Bolívia espera por eleições, o governo golpista segue violando direitos humanos e a legislação do país.


Edição: Mauro Ramos


terça-feira, 7 de abril de 2020

Preocupação de Bolsonaro com o combate a fome é falsa

Capitão reformado diz que isolamento social causará falta de alimentos, mas governo nunca pautou o assunto.

Combate à fome nunca foi prioridade do governo de Jair Bolsonaro. - Agência Brasil/ Arquivo
Nara Lacerda
Brasil de Fato | São Paulo (SP)

Quem escuta as afirmações de Jair Bolsonaro contra o isolamento social para controle do coronavírus pode imaginar que o combate à fome, de alguma forma, seja pauta do governo federal. A temática, no entanto, nunca fez parte do repertório do capitão reformado, nem mesmo durante a campanha eleitoral. Se hoje Bolsonaro fala que “A Fome mata mais que o vírus”, há menos de um ano ele negava o problema no Brasil. Em julho do ano passado, chegou a dizer que, com base “no que a gente vê por aí” não há pessoas que sofrem com a escassez de alimentos no país.

“Falar que se passa fome no Brasil é uma grande mentira. Você não vê gente, mesmo pobre, pelas ruas com um físico esquelético como a gente vê em alguns outros países aí pelo mundo”

A falta de preocupação com uma das parcelas mais vulneráveis da população vem sendo traduzida em um desmonte de órgãos e políticas sociais para o combate ao problema. No primeiro mês ocupando o Palácio do Planalto, Bolsonaro extinguiu o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional a partir de uma Medida Provisória. O órgão fazia parte do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional  e contava com a participação da sociedade civil na formulação de políticas públicas de acesso à nutrição adequada. 

A nutricionista e pesquisadora Elisabetta Recine, indicada pela sociedade civil como presidenta do Consea em 2017, afirma que foi feita uma análise dos planos de governo durante a campanha eleitoral  e que o planejamento de Bolsonaro não contemplava o assunto.  Ela ressalta que dados do IBGE vem mostrando que a curva de retirada das pessoas da pobreza e da extrema pobreza no Brasil está caindo e atualmente 35 milhões de brasileiros encaram o problema.

“Quando esses programas e essas políticas são enfraquecidos, a estrutura desigual do Brasil se recompõe rapidamente. As pessoas que estavam, ao longo de uma década e meia, saindo da faixa da pobreza e da extrema pobreza, voltam imediatamente, porque não dá tempo de elas estruturem as suas vidas para terem resiliência diante de uma situação como essa.”

Ela explica que, mesmo as políticas emergenciais para transferência de renda que vem sendo anunciadas terão dificuldades de implementação.

“Quando a pandemia chega ao Brasil, ela chega em um momento de extrema fragilidade de políticas públicas. O que já era ruim chegam em um contexto em que o Brasil não tem margem de manobra para lidar com isso. O conjunto de conselhos de políticas públicas foi extinto. Ele é a ponte do poder público com a sociedade. É dentro do espaço de participação e de controle social que a sociedade civil tem condições de colocar suas demandas, suas propostas, seus olhares da realidade. Foi aprovada a proposta de renda mínima, por exemplo, mas há  um monte de gente fora do cadastro único e o governo não consegue acessar essas pessoas porque ele não tem canais.”

O professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e coordenador da Rede Brasileira de Pesquisa, Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, Renato Maluf, afirma que o governo não tem compromisso com o combate à fome. Ele cita a postura adotada diante da lei de transferência de renda emergencial, aprovada pelo congresso. A equipe de Bolsonaro chegou a sugerir metade do valor proposto pelos parlamentares. Não houve esforço para aprovação imediata do texto, no que parece ser uma estratégia da área econômica.

“A questão é que fomos assaltados por grupos, alguns até com feições de gangue. É mais do que desmontar programas, estão desmontando o Estado. Essa é a intenção última e maior. Olha esse episódio da renda básica. É escandaloso ver o governo dizer que não consegue liberar o dinheiro. A imagem que eu tenho é o Paulo Guedes e sua turma  se apegando até onde puder em um dos últimos instrumentos de poder que eles tinham. Um ministro da economia que teve uma proposta aprovada contra a vontade dele, em um processo do qual ele não participou e vai ser obrigado a assinar o cheque? Isso para ele é a morte.”

Segundo Renato, a pandemia expõe o desmonte das diversas políticas sociais, praticado pelo governo do capitão reformado. O coronavírus mostra que a atuação do poder público é essencial e que a lógica privatista cai por terra diante de crises desse porte

“O que a pandemia está mostrando é que o estado é absolutamente essencial e que a lógica privada ou privatista é capaz de produzir muitos danos e não é capaz de enfrentar problemas públicos (...) Não venha o Bolsonaro dizer que está sensibilizado com a fome. Se estivesse mesmo não teria feito as maldades ele fez ao longo do governo.”

Sociedade civil apresenta propostas

Frente à crise, cerca de 150 organizações da sociedade civil elaboraram um documento com propostas de ações emergenciais (Clique aqui para ler o documento na integra).  A agilidade na implementação da renda básica emergencial está entre elas. O texto cita também a necessidade de criação de comitês emergenciais para o combate à fome, a recomposição imediata do orçamento da saúde e a garantia do abastecimento alimentar.

Sem a disposição do governo federal para o diálogo, a proposta será apresentada para o Congresso Nacional e enviada para que conselhos estaduais e municipais discutam o tema com os governos locais.

Elisabetta afirma que a pandemia dá visibilidade a escolhas feitas pelo governo de maneira brutal.

“O governo federal, do ponto de vista da sua hierarquia maior, está de costas para a agenda de segurança alimentar e nutricional desde que a presidenta Dilma Rousseff foi retirada da presidência. Durante um certo tempo cumprimos a nossa função de manter o diálogo, mas a medida provisória que extinguiu o Consea foi um recado único e não há diálogo com o governo federal.”

O documento propõe também a revogação da emenda do teto de gastos, a Continuidade e adequação das estratégias do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), por meio da distribuição direta de alimentos às famílias, políticas emergenciais para agricultura familiar e pescadores artesanais. As organizações ressaltam  que a solução passa necessariamente pela recomposição dos mecanismos de assistência social, desmontados pelo governo.

“Essa emergência deixará graves consequências e ninguém mais poderá fechar os olhos frente a essa realidade. Os danos serão maiores ou menores dependendo da vontade política e capacidade de resposta dos governantes e de cada um de nós.” Ressalta o texto.

Edição: Marina Selerges



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