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terça-feira, 9 de junho de 2020

Estátua de traficante de escravos é derrubada e jogada em rio na Inglaterra

Monumento em bronze homenageava Edward Colston, que trabalhou com a Royal African Company, empresa comercial envolvida no comércio de escravos no século XVII.

Manifestantes do Black Lives Matter derrubaram estátua de traficante de escravos.

Por Redação RBA

São Paulo – Na esteira dos protestos que tiveram início nos Estados Unidos por conta do assassinato de George Floyd por um policial branco, e que já estão no 13º dia, manifestantes na cidade de Bristol, na Inglaterra, derrubaram a estátua de um traficante de escravos erguida em 1895.

Após o monumento cair no chão, manifestantes amarraram uma corda à estátua e a conduziram enquanto a multidão aplaudia. Eles então a rolaram pela rua até o porto antes de empurrá-la para o rio Avon, que corta a cidade.

O monumento em bronze homenageava Edward Colston, que esteve envolvido na Royal African Company, uma empresa comercial envolvida no comércio de escravos no século XVII.

De acordo com o The Telegraph, a empresa transportou cerca de 84 mil homens, mulheres e crianças africanos no período em que Colston esteve envolvido. Estima-se que aproximadamente 19 mil pessoas tenham morrido nas viagens feitas para o Caribe e as Américas.

Uma petição já havia sido elaborada para que a estátua fosse retirada dali, contando com 11 mil assinaturas. “Embora a história não deva ser esquecida, essas pessoas que se beneficiaram da escravidão de indivíduos não merecem a honra de uma estátua. Isso deve ser reservado para aqueles que trazem mudanças positivas e que lutam pela paz, igualdade e unidade social”, descrevia o texto do documento.

Em resposta a um fotógrafo que disse, no Twitter, que se tratava de um “dano criminoso”, o historiador britânico David Olusoga
respondeu: “Só checando, foi isso que você disse quando derrubou a estátua de Saddam Hussein?”.

O superintendente da polícia de Avon e Somerset, Andy Bennett, afirmou que 10 mil pessoas participaram da manifestação do Black Lives Matter.


segunda-feira, 8 de junho de 2020

Maria Amélia

A noite em Lisboa, foto do Google.

Eram os meados de Abril do ano 2000, na sacada de um prédio em Portugal, mais precisamente no bairro da Parede na grande e poética Lisboa, Seis jovens permaneciam acordados naquele início de madrugada que anunciava inverno... Seis jovens brasileiros: Alexsandro, Daniel, Mateus, Darci, Adriano e Edilson.

De repente, lá da rua já deserta, o som de uma voz a cantarolar quebrara o silêncio da noite...

Era uma voz de mulher, quando a pudemos ver, além de ouvir, nos demos conta de uma senhora a beira de seus sessenta anos, seria talvez uma boêmia a cantar suas agruras motivada por aqueles tantos vinhos portugueses que alegram o coração...

Alexsandro, entusiasmado pela alegria da transeunte alheia, dirigiu-lhe a palavra em bom português de Portugal :

 -“Tais” feliz pah?

A mulher que seguia a caminhar de costas para a sacada onde estávamos, virou-se rapidamente e pudemos ver seu rosto sorridente que nos respondeu prontamente:

-Sim, estou muito feliz pah!
-Chamo-me Maria Amélia...

Alexsandro também se apresentou...

De gaiato, entrei na cena e falei com a personagem: 

Estás a cantar pah, nos cante um fado?

Ela sem demora, de forma melodiosa, e com a tristeza típica dos fados, entoou afinadamente um clássico português imortalizado pela voz de Amália Rodrigues:

”Não queiras gostar de mim, sem que eu te peça
Nem me dês nada que ao fim, eu não mereça,
Vê se me deitas depois culpas no rosto
Isto é sincero porque não quero dar-te um desgosto

De quem eu gosto nem às paredes confesso
E até aposto que não gosto de ninguém
Podes sorrir, Podes mentir, podes chorar também
De quem eu gosto, nem às paredes confesso”...

Ao final da canja que a nós foi ofertada, a aplaudimos, e ela nos falou:

Vejo que são brasileiros, vou cantar uma música em homenagem ao Brasil.

Logo, a simpática Maria Amélia, pôs-se a marchar e cantou de forma incrível o sucesso de Os Incríveis :

As praias do Brasil ensolaradas
Lá lá lá lá
O chão onde país se elevou
Lá lá lá lá
A mão de Deus abençoou
Mulher que nasce aqui
Tem muito mais amor

O Céu do meu Brasil tem mais estrelas
Lá lá lá lá

...

Por fim, depois de nos brindar este mimo tão distante de nossa terra mãe, Maria Amélia despediu-se com destino desconhecido, o fato é que talvez ela nunca imaginou que a cena que ela proporcionara ficara gravada pra sempre na memória daqueles seis jovens brasileiros de Nova Londrina, que estavam em Portugal em busca dos sonhos da juventude.

Por onde andará Maria Amélia? Não sei, fazem 20 anos que a vi pela primeira e última vez, sei apenas que ela segue viva em minhas lembranças...

Um brinde com sabor de vinho do Porto a esta boêmia das tantas ruas portuguesas. Obrigado Maria Amélia, que os bons ventos do mar e do Tejo, sigam a estampar sorrisos em teu rosto...

Por Mateus Brandão de Souza.

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Governo transfere R$ 83,9 milhões do Bolsa Família para propaganda


Para comparação, os R$ 83,9 milhões transferidos para Secom bancar publicidade institucional dariam para comprar 1.263 respiradores hospitalares ao custo de R$ 66,4 mil cada, um dos preços que o governo federal pagou em compras da Saúde.

O governo federal retirou R$ 83,9 milhões que seriam usados no programa Bolsa Família para destinar à Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência (Secom). A medida atinge os recursos previstos para a região Nordeste causou críticas no Congresso por ocorrer durante a pandemia do coronavírus, quando muitas famílias estão sem fonte de renda. O dinheiro será utilizado para comunicação institucional, ou seja, para fazer publicidade das ações da gestão de Jair Bolsonaro.

A portaria que prevê a transferência dos recursos do Orçamento foi publicada nno Diário Oficial da União (D.O.U) na terça-feira (2). Segundo técnicos do Congresso, como não há recurso extra, apenas realocação dentro do Orçamento, não é preciso de aval dos parlamentares. O valor total destinado ao Bolsa Família no ano inteiro é de R$ 32,5 bilhões.

Para comparação, os R$ 83,9 milhões transferidos para Secom bancar publicidade institucional dariam para comprar 1.263 respiradores hospitalares – ao custo de R$ 66,4 mil cada, um dos preços que o governo federal pagou em compras da Saúde. Ou ainda 856.164 mil testes tipo RT-PCR para detectar a infecção pelo novo coronavírus em pacientes – o preço unitário foi de R$ 98.

A Secom já havia aumentado para R$ 17,8 milhões suas despesas com propaganda durante a pandemia do novo coronavírus. Os recursos estão sendo utilizados para divulgar peças publicitárias com o mote de que é preciso “proteger vidas e empregos”. Depois do fracasso com a campanha “O Brasil não pode parar”, vetada judicialmente, a secretaria e o presidente também adotaram a frase “ninguém fica para trás”.

A campanha institucional da Secom é diferente da produzida pelo Ministério da Saúde para fins de utilidade pública, que tem objetivo de passar orientações sobre a doença Covid-19 e o novo coronavírus, bem como recomendações de higiene, etiqueta e distanciamento social e até convocar estudantes de Medicina e Enfermagem, Fisioterapia e Farmácia. O ministério já gastou R$ 61 milhões e deve ampliar a despesa com produção de mais conteúdo.

O dinheiro para bancar a publicidade institucional do governo Bolsonaro tem saído do orçamento de “Enfrentamento da Emergência de Saúde Nacional”, de dois dos ministérios mais envolvidos em ações diretas para atendimento à população, Saúde e Cidadania. A Secom centralizou a produção das peças publicitárias.

Na terça-feira, relatório produzido pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Congresso apontou que governou veiculou 2 milhões de anúncios em canais com conteúdos considerados “inadequados”. A lista inclui páginas que disseminam fake news, propagam jogos de azar ilegais e até sites pornográficos.

A Secom disse que a escolha de onde os anúncios seriam veiculados coube ao Google, mas a empresa rebateu e informou ser possível bloquear que propaganda institucional seja publicada neste tipo de site.

Fonte: Estadão


quinta-feira, 4 de junho de 2020

Luta e resistência: a origem de camponeses que doaram 50 toneladas de alimentos no PR

Conflitos agrários meio a disputa entre apropriação individualista da terra e convivência dos povos nas “terras livres."


"Distribuindo o fruto multiplicado através da luta pela terra: toneladas de alimentos, solidariedade e amorosidade" - Wellington Lenon.
*Thais Giselle Diniz Santos
No Brasil de Fato - Curitiba (PR)

Conflitos fundiários que se prolongam e resistência popular. As famílias rurais do centro-sul paranaense já viveram momentos de desespero pela violenta expropriação de suas terras. Em 2017, a comunidade de posseiros Alecrim, de Pinhão (PR), ficou conhecida por sofrer um despejo violento e repentino, que destruiu 23 anos de trabalho concretizado nas terras ocupadas. Com bravura, a comunidade retornou para suas terras e se reconstruiu do chão, podendo hoje colher de suas roças e doar mais de 500 quilos de alimentos saudáveis. Este não foi um fato isolado na região.

A resistência camponesa e cabocla e as sistemáticas apropriações desiguais de seus territórios fazem parte da história do centro-sul do Paraná. Assim como a comunidade do Alecrim, outras milhares de famílias rurais, de 30 comunidades, entre posseiros, acampados, assentados e faxinalenses se unem pela solidariedade e juntas doam mais de 50 toneladas de alimentos, demonstrando na prática que um modelo sustentável de uso da terra é possível e garante alimentação saudável, respeito à natureza e trabalho digno no meio rural.

As ocupações da região de Guarapuava não foram espontâneas, as ações estatais e o ideal de desenvolvimento econômico tiveram papel essencial, refletindo a ilusão da disjunção entre terra e povos, tratados, por vezes, como inconciliáveis. O entrelaçamento de movimentos de povoamento e a avidez gerada pelos ciclos de exploração econômica são o plano de fundo nos dissensos que parecem apenas refletir um poder sobre a terra, mas que expressam também intolerância com as diferentes culturas de vida. É uma questão de gentes.

Na região centro-sul do estado do Paraná, onde se localizam Pinhão e Guarapuava, uma área de campos e florestas, foram registrados movimentos de expansão de povoamento do interior do estado, tendo desde os primórdios da reocupação, decorrente da chegada europeia, presença significativa de população tradicional e de povos indígenas, como se verifica pelos relatos de ancestrais da região.

As pesquisadoras Liliana Porto e Dibe Ayoub, em publicação no livro “Memórias dos Povos do Campo no Paraná Centro-Sul”, remontam aos escritos de Padre Francisco das Chagas Lima, ao tratar da presença de vários grupos indígenas na região de Guarapuava nos anos de 1820. Conforme as pesquisadoras, estas populações passam a ser desconsideradas nos relatos oficiais da região, mediante a total expropriação que sofrem e a mobilização da categoria “caboclo”, responsável por diluir os grupos no universo “mestiço”.

Caboclo, por vezes um termo usado de forma pejorativa, representa, sem dúvidas, o desprezo dos europeus à ancestralidade não europeia (dos nativos e negros), mas também é uma categoria que concretiza uma potente resistência, que permitiu a sobrevivência da herança indígena nas gerações que se seguiram, através de suas práticas.

Apropriação da terra e conflitos com os povos

As sesmarias estão nas origens do acesso à terra no estado do Paraná, durante período de reocupação (1650), modelo pelo qual a apropriação da terra pela posse convive com uma titulação concentrada e patrimonialista. Entre 1822 e 1850, as posses foram usadas amplamente no estado do Paraná, período entre a extinção das sesmarias e o surgimento do procedimento de compra e venda, pela Lei de Terras (Lei 601, de 1850), responsável por consolidar as investidas de parcelas que aproveitaram historicamente para se apropriar de extensas áreas. Após a Lei de Terras, o Estado promove a colonização de terras vendendo títulos para grandes companhias colonizadoras, maioria estrangeira. Consolida-se o legado histórico de violentos conflitos e revoltas.

Política, direito e movimentos sociais são tangíveis quando olhamos para os desdobramentos das formas institucionais de apropriação da terra sobre a região centro-sul do Paraná, a qual possui especificidades que dizem muito sobre o atual perfil da ruralidade paranaense. Ali, articularam-se importantes ciclos da economia regional, o tropeirismo, a exploração da madeira e da erva-mate, desenvolvida, curiosamente, de forma atrelada aos povos tradicionais. Esta região conviveu com grande diversidade de processos de luta pela terra, diante da apropriação individualista ali verificada pela atuação institucional, porém ao lado de sistemas de uso comum da terra, em uma grande diversidade.

As lutas pela terra e seus povos

Ainda durante o tropeirismo, os arredores das fazendas dos Campos Gerais concentraram um grande aglomerado de escravizados. Nessa região de campo, em que as fazendas se conjugam ao agronegócio, reside uma elite proprietária, com forte histórico de escravidão, razão pela qual também se torna território de ligação e memória da ancestralidade dos povos negros. A comunidade quilombola Paiol de Telha, cujo reconhecimento de domínio coletivo foi determinado pela 11ª Vara da Justiça Federal em Curitiba, permite proteção e acesso às memórias da existência e resistência negra naquela região.

Para além das áreas de campo, a região do centro-sul paranaense abriga as áreas de floresta, que passaram por movimentos de colonização menos sistemáticos, com população diversa que se dispersou em busca de “terras livres”, meio às matas mistas de araucária. Nessas áreas, consolidou-se o chamado sistema dos faxinais, no qual a posse se consolidava com a simples construção de uma moradia, trabalho na terra e participação nos criadouros comum. Muitas dessas famílias compartilham um histórico de fugas e lutas de seus antepassados por um lugar para viver e uma terra para trabalhar, tendo passado por guerras, como a do Contestado (1912-1916) e a Revolução Federalista (1893-1895).

O ciclo madeireiro e os posseiros

O ciclo da madeira deixou muitas marcas para as populações que habitam essas áreas de floresta, que se prolongam no tempo. A empresa João José Zattar S/A é um grande personagem nesta dinâmica. Chegou em Pinhão em 1940 e apropriou-se das áreas de floresta. Por algum tempo, a empresa conviveu com os habitantes, sem imediata expulsão generalizada de seus povos. Porém, na década de 1970, os conflitos entre moradores e a empresa Zattar S/A se exacerbaram, criando o reconhecimento de uma nova categoria social: os posseiros.

Os posseiros unem-se na região na medida em que se consideram lesados, em alguma medida, pela empresa, pois desenvolveram uma posse no trabalho sobre as áreas, que é histórica, pelo que reconhecem seu direito sobre a terra, entrando em conflito com o título do proprietário da empresa. É um movimento amplo que engloba até mesmo novos sujeitos que adentram o local a partir de 1990, mediante a venda das propriedades pelas Indústrias Zattar.

Em meio a tantos poderes e vivências nestas áreas, os conflitos assumem tamanha amplitude, que a Assembleia Legislativa do Paraná instaura uma Comissão Parlamentar de Inquérito, concluída em 1991, em seguida, em 1994, pela criação da equipe de trabalho ELEPIÃO (Programa Especial de Regularização Fundiária do município de Pinhão).

Estamos no ano de 2020 e a maior parte dos conflitos permanece. Processos de reintegração de posse têm andamento sem a busca pela regularização fundiária, direitos fundamentais são negados e uma grande parte da população rural do município de Pinhão permanece como posseira, como é o caso das famílias que habitam o “Faxinal dos Ribeiros”. As famílias rurais da região convivem com os riscos de viver outra expropriação, assombrados pelas fugas e perdas geradas das guerras históricas de apropriação das terras e pelo recente trauma dos despejos das comunidades do Alecrim (2017).

A região centro-sul é paradigmática, representa uma encruzilhada que expressa diversidade da luta pela terra e impactos de ciclos econômicos, legislações e política estatais na apropriação e vida sobre o território. Um caldeirão de mobilizações, intensificado com a presença de outros grupos políticos de luta pela terra, como Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Articulação Puxirão dos Povos Faxinalenses.

Todos esses sujeitos, cada qual de forma muito especial, compartilham em comum uma antiga luta, a busca por uma terra livre para viver com suas famílias, produzindo alimentos e construindo comunidades vivas. Nesse final de maio, são estas famílias, faxinalenses, caboclas, quilombolas, posseiras, que se unem para fazer algo que sabem bem: com bravura, colher suas roças e compartilhar a comida boa fruto do trabalho familiar, abraçando as comunidades urbanas de Pinhão e Guarapuava, distribuindo o fruto multiplicado através da luta pela terra: toneladas de alimentos, solidariedade e amorosidade.


*Thais Giselle Diniz Santos é advogada e assessora da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Paraná


quarta-feira, 3 de junho de 2020

Bancários estão preocupados com a exposição da população em filas da Caixa

Pagamento da segunda parcela do auxílio emergencial começou ser paga sábado; Fenae critica medida.

Filas nas agências da Caixa preocupam bancários - Foto: Antônio Cruz | Agência Brasil


Por Igor Carvalho

O governo federal determinou que o pagamento da segunda parcela do auxílio emergencial começasse no último sábado (30/05) feito nas agências da Caixa Econômica Federal. Sindicalistas alertam que a centralização do benefício na estatal pode trazer prejuízos à população e aos bancários, que estarão expostos ao contágio por coronavírus, por conta das longas filas.

A Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae) criticou a medida do governo e lamentou que as 2.213 agências da Caixa estejam abertas neste sábado - metade das unidades da estatal - já que os bancos estão funcionando normalmente nos dias úteis.

Saiba mais.: Renda básica só é possível porque "ainda não privatizaram tudo", diz Tereza Campello

“Questionamos a necessidade de as agências continuarem abrindo aos sábados nesta fase em que os dias úteis estão atendendo a demanda. Os empregados estão no limite físico e mental porque, desde o início, somente a Caixa vem fazendo o pagamento do auxílio”, afirma Sérgio Takemoto, presidente da Fenae.

Ainda de acordo com os sindicalistas, foram feitos 101 milhões de cadastramentos (metade da população brasileira), e cerca de 60 milhões de pessoas vão receber o benefício. Takemoto pede que o governo federal estabeleça uma comunicação efetiva com a população sobre o processo burocrático para a aquisição do benefício.

“Que esclareça, de forma clara a abrangente, os procedimentos para o cadastro e a concessão do benefício. É por isso que as pessoas ainda acabam recorrendo às agências para o cadastramento ao auxílio, por exemplo (que só pode ser feito pela internet ou por aplicativo de celular), ou para situações que poderiam ser resolvidas por telefone", encerra o sindicalista.

Saiba mais.:Demissões, perda salarial e redução de jornada: como ficam os trabalhadores formais?::

O calendário de saques obedecerá um cronograma de acordo com o mês de nascimento do trabalhador. A primeira etapa será o pagamento do benefício aos trabalhadores que nasceram no mês de janeiro, que a Caixa estima serem 2,6 milhões do total de cadastrados para receber o auxílio emergencial.

Para os trabalhadores que optaram por receber o benefício em suas contas digitais em outros bancos, não adianta ir até a Caixa para tentar sacar os R$ 600. O resgate do auxílio deve ser feito diretamente na agência em que o beneficiário possui conta.

Confira o calendário de saques:

Nascidos em janeiro: 30 de maio

Nascidos em fevereiro: 1º de junho

Nascidos em março: 2 de junho

Nascidos em abril: 3 de junho

Nascidos em maio: 4 de junho

Nascidos em junho: 5 de junho

Nascidos em julho: 6 de junho

Nascidos em agosto: 8 de junho

Nascidos em setembro: 9 de junho

Nascidos em outubro: 10 de junho

Nascidos em novembro: 12 de junho

Nascidos em dezembro: 13 de junho

Edição: José Eduardo Bernardes

terça-feira, 2 de junho de 2020

Leite, um símbolo do ódio neonazista

Bolsonaro tomando leite como um gesto político
No Portal Vermelho

Dentro de sua permanente guerra cultural, Bolsonaro faz live tomando leite com ministros sob a alegação de estar participando de um desafio de ruralistas, que também remete ao desmatamento para criação de gado. Vários elementos nazifascistas explícitos já marcaram o governo causando reações, agora elas são subliminares. Saiba porque o presidente se exibiu tomando leite, sempre imitando tardiamente os supremacistas americanos.

O movimento supremacista branco dos EUA, que se autodenomina “alt-right”, adotou recentemente o leite como um símbolo. Em fevereiro, manifestantes neonazistas sem camisa dançaram do lado de fora da instalação de arte anti-Trump de Shia LaBeouf, He Will Not Divide Us, engolindo galões de leite que pingavam desordenadamente em seu queixo.

Mais tarde, eles alegaram que esse ato simbolizava sua oposição à “agenda vegana”.

Um poema apareceu em um site de notícias da extrema direita, insistindo: “as rosas são vermelhas, o barack (sic) é meio preto; se você não pode beber leite, precisa voltar.”

Outros tópicos de discussão da supremacia branca apresentam um mapa do mundo rastreando a intolerância à lactose e estudos acadêmicos sobre intolerância à lactose em uma população eslava.

Novo emoji, símbolo antigo

O leite como símbolo da supremacia branca também entrou no reverso do Twitter. No início de 2017, substituiu Pepe the Frog como o mais novo emoji simbolizando a superioridade do branco.

Os infames supremacistas brancos Richard Spencer, presidente do think tank nacionalista branco, National Policy Institute e Tim Treadstone, a personalidade de extrema direita da mídia social que se chama Baked Alaska, acrescentaram símbolos de leite aos seus perfis no Twitter.

Na bilheteria do filme Corra, um comerciante de escravos branco lentamente toma um copo de leite em um momento tranquilo.

Sou um estudioso crítico da raça e professor de direito na Faculdade de Direito Richardson da Universidade do Havaí. No meu artigo de revisão da lei, A Insustentável Brancura do Leite, discuto a associação entre leite e superioridade branca.

Não é um novo relacionamento. Em vez disso, remonta aproximadamente 100 anos. Na década de 1920, um panfleto do Conselho Nacional de Laticínios dos EUA explicou: “As pessoas que têm usado quantidades liberais de leite e seus produtos …” – significando pessoas brancas – “… são progressivas na ciência e em todas as atividades do intelecto humano”.

Da mesma forma, a História da Agricultura do Estado de Nova York, de 1933, declarava: “Um olhar casual sobre as raças das pessoas parece mostrar que aqueles que usam muito leite são os mais fortes mental e fisicamente, e os mais duradouros do mundo. De todas as raças, os arianos parecem ter sido os bebedores mais pesados de leite e os maiores usuários de manteiga e queijo, um fato que pode em parte explicar o rápido e alto desenvolvimento dessa divisão de seres humanos.”

De fato, existe uma base biológica para o Twitter de Richard Spencer, dizendo que ele é “muito tolerante… tolerante à lactose!”

Enquanto a maior parte do mundo não consegue digerir confortavelmente o leite, uma parcela da população branca, originária de países escandinavos frios, onde beber o leite de outras espécies era uma ferramenta de sobrevivência, pode digeri-lo com facilidade.

No entanto, a intolerância à lactose não é o pior dos danos do leite. Pesquisas vinculam o consumo de leite a uma porção de sérios problemas de saúde, incluindo câncer e doenças cardíacas. Existem disparidades raciais significativas nessas doenças relacionadas ao leite, com grupos incluindo [afro-americanos, latinos], americanos nativos e havaianos nativos sofrendo os piores efeitos.

Captura de tela da gravação no YouTube do protesto de fevereiro – fora da instalação de arte anti-Trump de Shia LaBoeuf – em Nova York.

As diretrizes alimentares dos EUA podem ser racistas

No entanto, o projeto de lei agrícola dos EUA continua a subsidiar a indústria de laticínios, resultando em um excedente de leite. Por sua vez, os Departamentos de Saúde e Serviços Humanos e Agricultura exortam os indivíduos a consumir porções diárias de produtos lácteos nas Diretrizes Dietéticas federais.

O USDA também descarta o excedente através de seus programas de nutrição. Distribui o leite na forma de fórmula gratuita para mães do programa WIC (Assistência a Mulheres e Crianças) e para estudantes de escolas públicas que se qualificam para almoços gratuitos. Nos dois programas, as pessoas negras são desproporcionalmente representadas.

O USDA também fez parceria com empresas de fast-food para criar produtos com quantidades maiores de queijo, como a lendária linha americana de pizza de sete queijos da Domino e a quesalupa da Taco Bell. O USDA concebeu e promoveu esses produtos, lançando-os por meio de anúncios caros e cobiçados do Super Bowl.

Embora os brancos comam mais fast-food em geral, as pessoas que vivem em comunidades negras urbanas pobres consomem desproporcionalmente fast-food em suas dietas. A decisão de introduzir mais leite em produtos de fast-food, portanto, tem um impacto díspar na saúde das comunidades negras. Essas comunidades estão muito distantes da formulação de políticas alimentares federais, com pouco ou nenhum acesso ao processo político, que está sujeito à captura regulatória.

A crença generalizada na responsabilidade pessoal pela saúde agrava o problema, fazendo com que a reforma regulatória pareça irrelevante ou fútil. O paradigma do “saúdeismo” insiste que a saúde é uma questão de bom caráter, não determinantes estruturais.

Os estereótipos raciais populares colocam afro-americanos e latinos como gordos e preguiçosos, sem a força de vontade necessária para afastar a obesidade e outras doenças relacionadas à alimentação.

Esses mitos culturais mascaram as desigualdades sistêmicas que levam a disparidades de saúde racial e o fato de que a regulamentação pode alterá-las. O governo e a indústria de laticínios, portanto, podem ganhar com esses tropos raciais.

Neste momento da história, tanto os supremacistas brancos quanto a política federal de alimentos nos Estados Unidos estão se oprimindo através do leite.

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Recessão causada pela pandemia atinge mulheres e negros com mais força

Mulheres são maioria no trabalho doméstico - Filipe Castilhos/Sul21

As mulheres são impactadas principalmente por estarem ligadas ao trabalho doméstico e serviços de beleza. Já o trabalho informal atinge mais negros e pardos do que brancos.

O quadro recessivo gerado pelo isolamento social atingiu quase todos os setores da economia e trabalhadores. Mas grupos que ocupam, historicamente, posições menos favoráveis no mercado de trabalho têm sido impactados com maior intensidade, como é o caso das mulheres e da população negra.

O canal de contágio da atual crise sobre o trabalho feminino tem sido, principalmente, o trabalho doméstico, com muitas dessas trabalhadoras – a maioria negras – sendo dispensadas por seus empregadores com pouca ou sem remuneração.

As mulheres também são atingidas pelo modo como se inserem no mundo do trabalho: elas ainda são minoria nos postos ligados à produção, como a indústria, transportes e construção, atividades consideradas essenciais nos decretos governamentais de isolamento social. Já entre os serviços não essenciais estão os salões de beleza e estética – ocupados majoritariamente por mulheres.

A população negra, por sua vez, tem sido afetada por compor a maioria dos trabalhadores informais, que são os primeiros a serem demitidos em momentos de crise. Além disso, eles são a maior parte dos brasileiros que trabalham nos comércios de rua, como vendedores ambulantes, por exemplo, que tiveram que ir para as suas casas com as medidas de confinamento.

A análise sobre como a pandemia impacta mulheres e negros, com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi feita pelo Portal G1.

Trabalho doméstico

O trabalho doméstico, composto em maior número por mulheres, é um dos principais canais de impacto no emprego feminino, no contexto da pandemia.

O terceiro boletim da Rede de Pesquisa Solidária, coordenado por Rogério Barbosa do CEM-USP, – “Covid-19: Políticas Públicas e as Respostas da Sociedade”, – aponta que os trabalhadores domésticos foram os mais impactados com as medidas de isolamento social, seguidos dos prestadores de serviços pessoais de beleza.

Dados disponíveis de abril já captam uma parte importante desse efeito: no trimestre móvel encerrado em abril, o Brasil sofreu a maior perda de trabalhadores domésticos em nove anos. No período, 727 mil pessoas deixaram de trabalhar nesse serviço, uma queda de 11,8% em relação ao período imediatamente anterior. Para os sem carteira, a queda foi maior, de 12,6%, segundo a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Tem sido comum, durante o período de isolamento, relatos de diaristas que foram dispensadas pelos patrões sem suporte financeiro ou que estão vivendo com o pouco dinheiro pago por alguns deles.

“Essas mulheres acabam dependendo do voluntarismo do patrão, sem poderem contar com uma política pública que as assegure”, diz Rogério.

A economista e professora da Unicamp Marilane Teixeira diz que as mulheres representavam 92,4% das trabalhadoras domésticas no 4º trimestre de 2019, das quais 73,2% não tinham registro em carteira.

Ela explica que esse recorte referente ao primeiro trimestre de 2020 e até abril ainda não pôde ser calculado, mas que os números disponíveis dão um retrato desse mercado no pré-pandemia e uma ideia de como as mulheres, principalmente as mulheres negras, podem ter sido impactadas pelas medidas de isolamento.

Serviços de beleza

Depois dos trabalhadores domésticos, o segmento mais afetado pelo isolamento foram os serviços pessoais de beleza, segundo a pesquisa coordenada por Rogério. Compostos em maior número por mulheres, esses serviços foram considerados como “não essenciais” nos decretos governamentais de isolamento social.

Em maio, o presidente Jair Bolsonaro chegou a incluir os salões de beleza na categoria de “serviços essenciais”, porém governos de 17 estados se posicionaram e disseram que não iriam reabrir esses estabelecimentos.

Vínculo informal

Já o impacto da atual crise sobre a população negra, seja para os homens ou para as mulheres, se dá pela característica do vínculo empregatício que muitos ocupam no mercado de trabalho. Segundo o último informativo de Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil do IBGE, a informalidade atinge 47,3% do total de pretos e pardos no Brasil, enquanto entre os brancos, esse percentual é de 34,6%.

A maior vulnerabilidade dos trabalhadores informais já foi sinalizada nos dados do trimestre encerrado em abril. Enquanto, no período, a população ocupada total teve queda de 5,2%, entre os informais essa redução foi de 9,7%. No total, foram 4,9 milhões de pessoas a menos na ocupação, das quais 3,7 milhões eram informais.

Fonte: G1

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