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sexta-feira, 19 de agosto de 2022

Brasileiros defendem sua democracia em atos históricos

 


Prensa Latina

Centenas de representantes de movimentos sociais, estudantis e sindicais, além de juristas, acadêmicos, artistas e políticos ouviram hoje um manifesto pró-democracia no Brasil, em ato histórico central na Universidade de São Paulo.

“Queremos eleições livres e tranquilas, um processo sem notícias falsas ou intimidações”, disse Carlos Gilberto Carlotti, reitor do centro de ensino superior, da Faculdade de Direito, ao ler a carta intitulada Carta aos brasileiros e brasileiras em defesa do Estado Democrático da lei.

De acordo com movimentos populares, articulados na campanha Fora Bolsonaro, estão previstos 86 eventos em 49 cidades, incluindo as 26 capitais e o Distrito Federal.

Nos eventos, defende-se o respeito aos resultados das próximas eleições, como resposta da sociedade civil aos ataques que o líder de extrema-direita Jair Bolsonaro emite contra o sistema eletivo nacional.

Sem apresentar indícios e muito menos provas, o ex-militar questionou a segurança das urnas eletrônicas instaladas para a votação, marcada para 2 de outubro.

Em decorrência da carta pró-democracia e da data, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Edson Fachin, afirmou que “a defesa da ordem constitucional e, consequentemente, da dignidade humana, impõe o repúdio categórico ao flerte com o retrocesso. ”

Com isso, especifica em sua nota, “a rejeição incondicional e a coabitação improvável de práticas de desinformação que buscam, com perfumaria retórica e pretextos inventados, justificar a rejeição injustificável do julgamento popular”.

Fachin destaca que desde sua implantação em 1996, as urnas eletrônicas permitiram “a circulação do poder”, sem fraudes ou traumas sociais e de acordo com a vontade do povo.

O sistema de votação eletrônica é, observa ele, um exemplo de “integridade para todos”.

Reitera o cumprimento da Constituição Federal e exige “defender obstinadamente a posição soberana e sagrada dos cidadãos. Defender as eleições é preservar o núcleo vital da agenda democrática”, conclui.

A data de 11 de agosto comemora o aniversário da criação dos cursos de Direito no país e coincide com a leitura de um manifesto na mesma universidade, em 1977, para denunciar a ditadura militar (1964-1985) que violou direitos e censurou o Brasil.

Na ocasião, o professor Goffredo da Silva Telles Junior, professor de Direito, leu a Carta aos Brasileiros que denunciava a ilegitimidade do então governo militar e o estado de emergência.

A comunicação pedia o restabelecimento do estado de direito e a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte.

quinta-feira, 18 de agosto de 2022

Bolívia tem a inflação mais baixa da região

 


Via – Prensa Latina

O presidente boliviano Luis Arce destacou hoje em um tweet a força econômica da Bolívia apesar da crise internacional "sem precedentes" que está afetando principalmente os preços dos alimentos.

“A Bolívia continua a se mostrar forte e estável aos olhos do mundo”. A partir de julho de 2022, nossa inflação atingiu 1,6%, mantendo o nível mais baixo da região”, escreveu ele em sua conta no Twitter.

Em maio deste ano, a Economist Intelligence Unit (EIU) publicou um relatório concluindo que a Bolívia é o país mais bem posicionado na América Latina para resistir aos efeitos globais de milhares de sanções aplicadas pelos EUA e seus aliados contra Moscou após o início de sua operação militar na Ucrânia e a pandemia de Covid-19.

O Fundo Monetário Internacional, a Trading Economics, a Bloomberg e a British Broadcasting Corporation concordaram todos.

Em junho passado, o Ministro da Economia e Finanças Públicas, Marcelo Montenegro, assegurou que a nação montanhosa havia reduzido o desemprego aberto urbano para 5,3% no primeiro trimestre deste ano e mostrou um crescimento de 6,1 pontos percentuais do produto interno bruto (PIB). De acordo com a manchete, no país andino-amazônico, a taxa de desemprego urbano aberto caiu de 8,1% em março de 2021 para 5,3 unidades em 100 no mesmo mês de 2022, graças às medidas implementadas pelo governo do Presidente Arce.

Ele disse que a pobreza moderada na Bolívia caiu de 39,0% em 2020 para 36,2 pontos percentuais em 2021, enquanto a pobreza extrema caiu de 13,7% de 100 para 11,1% nos 12 meses analisados. Segundo Montenegro, devido a medidas governamentais para reconstruir e reativar o setor produtivo, o país registrou um crescimento do produto interno bruto de 6,1%, superior às projeções das agências internacionais e do Programa Financeiro Fiscal previsto para 2021.

Por outro lado, o Ministro do Planejamento Sergio Cusicanqui informou em 1º de julho que a Bolívia está relatando um superávit comercial de mais de um bilhão de dólares este ano, graças às estratégias de exportação e ao apoio à produção nacional.

Especificou que as exportações atingiram 5.715 milhões de dólares, enquanto as importações totalizaram 4.633 milhões de dólares, resultando em um superávit comercial avaliado em1.082 milhões de dólares.

Estes dados confirmam que entre janeiro e maio, as exportações cresceram 37,5% e as importações 36,7 pontos percentuais, disse ele.

quarta-feira, 17 de agosto de 2022

Um em cada quatro municípios não reajustou salário de professores

 


Estudo da CNM ainda mostra que parcela corrigiu salário diferente do piso. Municípios enxergam “insegurança jurídica” para aumento, especialistas da educação comentam.

Por Murilo da Silva

No Portal Vermelho

A Confederação Nacional dos Municípios (CNM) realizou estudo e constatou que 75,1% dos municípios concederam reajuste de salários aos professores em 2022, mas entidade fala em falta de base legal para reajustes.

Assim, os números indicam que um em cada quatro municípios não ofereceu reajuste ao magistério público mesmo com portaria do governo federal que estabeleceu aumento para 2022 de 33,2%. Portanto, não houve aumento em 16,2% dos municípios e 8,7% não havia decidido sobre o reajuste.

Entre os municípios que deram reajuste, 42,9% foi diferente do valor corrigido de 33,2%. Parte reajustou os valores com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) calculado em 10,16%.

O cálculo da correção é baseado no valor anual destinado por aluno com base no Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica). Por consequência, o piso passou de R$ 2.886,24 para R$ 3.845,34 (correção de 33,2%). No entanto, a CNM enxerga que o mecanismo que reajusta o valor perdeu eficácia com as mudanças na lei do Fundo.

Isso acontece mesmo com o presidente Jair Bolsonaro (PL) tendo oficializado em portaria o reajuste, após pressão do setor.

Ao promover o estudo e alegar “insegurança jurídica” no pagamento do reajuste, a confederação indica aos municípios estudarem as condições de caixa para não incorrerem em risco fiscal.

A avaliação é de que podem ter problemas na prestação de contas municipais junto ao Tribunal de Contas pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

O estudo da Confederação ainda mostra que em pelo menos 314 municípios ocorreram ações na justiça para o cumprimento do piso.

Luta pelo piso do magistério

De acordo com Berenice D’Arc Jacinto (Berê) da direção da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Educação), a posição da entidade em relação a lei do piso é de que nada mudou.

“Nós continuamos defendendo que seja pago o piso em todos os municípios. Achamos que utilizar dessa questão do Tribunal de Contas e de outros órgãos reguladores, como forma de pressionar o não pagamento, não é válido”.

Segundo Berê, toda a educação realizou uma grande luta para que o piso fosse estabelecido no Brasil, portanto a posição da CNM “não contribui para o diálogo”.

“Vamos continuar nessa luta para que possamos atingir uma igualdade em todos os municípios. Estabelecer o piso para os trabalhadores da educação é estabelecer minimamente uma condição de vida. Não abrimos mão desse debate. Vamos continuar fazendo luta nos estados e municípios para que este mínimo seja pago”, reafirma Berê.

Educação não é gasto

De acordo com a professora Francisca Pereira da Rocha Seixas, dirigente licenciada da Apeoesp, “a argumentação da Confederação Nacional dos Municípios não procede, porque educação não dever ser vista como gasto, mas sim como investimento para a sociedade evoluir e o país crescer com justiça social”.

A professora Francisca, que também é dirigente da CNTE e da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), explica que o Piso Nacional Salarial dos Professores é uma conquista fundamental para a valorização dos profissionais da educação. Inclusive para que possam aprimorar os seus conhecimentos.

“Em 2021, o valor aluno-ano (Valor Anual Mínimo por Aluno) foi de R$ 4.462,83. Em 2020, R$ 3.349,56. A diferença percentual entre os dois valores é de 33,23% de reajuste. Este é o valor que foi aplicado depois de muita luta do movimento sindical do magistério. O atual presidente não queria conceder reajuste nenhum”, afirma Francisca.

Para completar, ela lembra que no relatório “Education at a Glance 2021”, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil paga o menor salário aos professores dentre os 40 países analisados.

Com informações Estadão

terça-feira, 16 de agosto de 2022

Varíola dos macacos: secretários de Saúde pedem emergência nacional

 


Proposta do Conass acontece em meio ao aumento exponencial de casos da doença no país. OMS e Estados Unidos já adotaram decisão semelhante.

Por Bárbara Luz

No Portal Vermelho

O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) enviou um ofício ao Ministério da Saúde nesta quarta-feira (10) propondo que a Monkeypox, popularmente conhecida como Varíola dos Macacos, seja reconhecida como Emergência de Saúde Pública de Interesse Nacional (Espin). Assinada pelo presidente do Conass, Nésio Fernandes, a proposta enviada ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, ocorre em meio ao aumento exponencial de casos no país.

O conselho observa, no documento enviado a Queiroga, que os casos da doença subiram de 813 infectados, no dia 25 de julho, para 2.293 casos na última segunda-feira (8). Um aumento de 182% em 2 semanas, sendo que até esta data, os dados da pasta apontavam 2.458 casos confirmados; 3.251 suspeitos e uma morte.

“Consideramos muito importante a implementação por este Ministério do Centro de Operações de Emergência em Saúde (COE) para tratar deste tema, assim como outras medidas que vem sendo desencadeadas para aumentar a sensibilidade da vigilância em saúde, a capacidade de resposta laboratorial e a organização da atenção aos casos.”, diz o documento.

Os secretários de saúde se baseiam na decisão da Organização Mundial de Saúde (OMS), que declarou a emergência em 24 de julho, elevando o nível de preocupação com a doença e apontando a necessidade de ampliação da capacidade para contenção da sua transmissão nos países, e no fato de ainda não haver vacinas em território nacional. Além da entidade, os Estados Unidos também chancelaram a medida.

“Diante do exposto, propomos que a Monkeypox seja reconhecida como Emergência de Saúde Pública de Interesse Nacional”, diz o ofício.

Os casos foram registrados nos estados de São Paulo (1.748), Rio de Janeiro (278), Minas Gerais (102), Distrito Federal (92), Paraná (52), Goiás (53), Bahia (25), Ceará (9), Rio Grande do Norte (8), Espírito Santo (7), Pernambuco (13), Tocantins (1), Acre (1), Amazonas (5), Pará (1), Paraíba (1), Piauí (1), Rio Grande do Sul (29), Mato Grosso (2), Mato Grosso do Sul (8), e Santa Catarina (22).

Nível máximo de alerta no Brasil

O COE Monkeypox, órgão que monitora o avanço da doença no país, classificou a varíola dos macacos com nível máximo de emergência no território nacional. O nível III é estabelecido em cenários de “excepcional gravidade” e admite que a situação pode culminar em declaração da Espin. A classificação está no Plano de Contingência Nacional para Monkeypox, lançado nesta terça-feira (8). Os níveis de emergência variam de I a III.

O documento fixa diretrizes para que os gestores de saúde atuem para prevenir, tratar e combater a doença, além de trazer orientações a respeito do isolamento de casos suspeitos, identificação de sintomas, realização de campanhas de conscientização, testagem, entre outros pontos.

De acordo com o plano, a situação da doença no país foi classificada como nível III pois já existem casos confirmados da doença no Brasil, com transmissão comunitária, e ainda não há disponibilidade de medidas de imunização e tratamento. O texto explica também que este grau de alerta estabelece:

“Nível III: ameaça de relevância nacional com impacto sobre diferentes esferas de gestão do SUS, exigindo uma ampla resposta governamental. Este evento constitui uma situação de excepcional gravidade, podendo culminar na Declaração de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional- ESPIN”.

O Plano de Contingência foi elaborado pelos profissionais que compõem o COE Monkeypox, como, representantes do Ministério da Saúde, Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e inclui informações baseadas nas evidências disponíveis, buscando a contenção e controle da doença no país.


segunda-feira, 15 de agosto de 2022

MANÉ LARANJEIRA

 

Foto ilustrativa

Um ancião octogenário foi para mim, um dos melhores amigos que tive na infância. Não havia outro alguém mais caricato por aquelas paragens do meu tempo de menino.


Trajava roupas surradas, um surrado conga azul nos pés e um velho embornal onde fazia questão de guardar um mistério jamais revelado.

Alagoano de nascimento, adotou Marilena como sua terra, e lá entrou para o rol das personalidades típicas e peculiares daquele pedaço de chão.

Um timbre de voz forte e os termos nordestinos que proferia, o velho Mané Laranjeira prendia a atenção de muitos, mesclava em sua personalidade, lucidez e loucura, características típicas dos grandes gênios que não saíram do anonimato.

Exímio contista das histórias de assombração em noites enluaradas onde na varanda de casa, ele as narrava para meu pai e minha mãe, e eu, dominado pela curiosidade, tudo ouvia apavorado de medo.  Falava de casas mal assombradas, do padre que virou porco, de lobisomens, do bravo João soldado. Em uma dessas noites, confidenciou-nos que fez parte da volante do tenente Bezerra, aquela que matou Lampião e seu grupo em Angicos no Sergipe.

Amante do futebol tinha em Pelé seu maior ídolo e jamais perdoou Zico por ter perdido no tempo normal, um pênalti nas semifinais do mundial de 1986 contra a França de Platini.

Locomovia-se auxiliado por um cajado. Paupérrimo e sem dentes, o velho amigo desdenhava da morte e sorria para a vida. Beleza ausente, outros tantos meninos tinham medo de sua presença, porém a mim, era um prazer tê-lo e ouvi-lo  declamar literaturas de cordel.

Zombava de fantasmas e espíritos do outro mundo, a noite, freqüentava o cemitério em busca de paz e reflexão, respeitador das famílias, Laranjeira era uma figura comum, mas ao mesmo tempo única.
Vivia em um casebre sem água nem luz elétrica, quase solitário, não fosse a companhia de leão, seu fidelíssimo cão vira-lata. . .

Hoje depois de tanto tempo, ainda reconheço que Laranjeira foi uma das personalidades mais brilhantes que conheci, lamento apenas ele ter feito parte de minha história em tão verde época de minha vida, eu teria aprendido muito com o velho das Alagoas, se eu não fosse tão menino.

Deixou-nos em meados de junho do ano 1987, saiu de cena o velho artista da vida real, o mundo nunca mais produziu outro igual.

Deixo aqui registrada essa homenagem em memória do memorável Manoel Alves da Silva.

Muitas saudades, a  sua benção meu velho e querido MANÉ LARANJEIRA.

Mateus Brandão de Souza – Graduado em História pela FAFIPA.

sábado, 13 de agosto de 2022

A INTRIGA DO CACHORRO COM O GATO

 Quando eu era criança, eu tive o privilégio de ter um amigo octagenário que atendia pela alcunha de Mané Laranjeira, ele, ancião sábio e de mente impecável, declamava para eu e outras crianças, várias histórias em versos e uma das mais memoráveis era a fábula em cordel "A INTRIGA DO CACHORRO COM O GATO" de autoria do gigante dos cordéis José Pacheco. 


Repasso aqui a história que várias vezes ouvi nas rodas de infância quando nos reuníamos e o centro das atenções era o meu saudoso e inesquecível amigo Mané Laranjeira - Um viva a infância do meu tempo:


A intriga é mãe da raiva
O mau pensamento é pai
Da casa da malquerença
O desmantelo não sai
Enquanto a intriga rende
A revolução não cai.

Quando cachorro falava
Gato falava também
Gato tinha uma bodega
Como hoje os homens têm
Onde vendia cachaça
Encostado ao armazém.

Com a balança armada
Para comprar cereais
E na bodega vendia
Bacalhau, açúcar e gás
Bolacha, café, manteiga
Miudezas e tudo mais.

Quando no tempo de safra
Comprava mercadoria
Chegada no armazém
Que todo bicho trazia
Vou dizer pela metade
Esta grande freguesia.

O peru vendia milho
O porco feijão e farinha
Com um cacho de banana
Mais tarde o macaco vinha
Raposa também trazia
Um garajau de galinha.

Carneiro passava a noite
Junto com sua irmã
Descaroçando algodão
E quando era de manhã
Para o armazém do gato
Botava sacos de lã.

Guariba vendia escova
Que fazia do bigode
Urubu vendia goma
Porque tem de lavra e pode
A onça suçuarana
vendia couro de bode.

Então todo bicho tinha
No armazém seu contrato
Porém vamos deixar isto
Para tratar de outro fato
Relativo à intriga
Do cachorro com o gato.

Rei leão mandou cachorro
Efetuar uma prisão
O cachorro passando
Na venda do gato então
Pediu para beber fiado
E o gato disse: pois não.

Subiu na pratileira
Uma garrafa desceu
Um cruzado de cachaça
O cachorro ali bebeu
Botou fumo no cachimbo
Pediu fogo e acendeu.

E disse compadre gato
Eu vou prender o preá
Porque carregou a filha
Do coronel cangambá
E mesmo já deve a honra
Da filha do seu guará.

E tornou dizer compadre
Bota mais uma bicada
Eu só sei prender valente
Depois da gata esporada
O gato sorriu e disse:
Esta não lhe custa nada.

O gato bebeu também
O cachorro repetiu
Botou o copo na banca
Saiu na porta e cuspiu
O gato puxou um lenço
Limpou a barba e tossiu.

Embebedaram-se os dois
Garrafas secaram 3
Cachorro fez um discurso
Falava em língua inglês
Gato embolava no chão
Também falando francês.
A gata mulher do gato
Saiu do quarto veio cá
E disse muito zangada
Vocês dois procedem mal
O gato disse: mulher
Da porta do meio pra lá.

O gato ficou deitado
O cachorro foi embora
Ouviram dizer: ô de casa
A gata disse: ô de fora
E quem é respondeu raposa
Sou eu que cheguei agora.

Disseram entre comadre
O gato levantou-se
Sentou-se numa cadeira
Esposa também sentou-se
Ele contou à raposa
De que forma embebedou-se.

A raposa disse: compadre
Você não pensou direito
Bebendo com o cachorro
Um safado sem respeito
Se seus amigos souberem
O senhor perde o conceito.

Beba com os seus amigos
Seu irmão maracajá
O tenente porco-espinho
E o capitão guará
Major porco e doutor burro
E o coronel cangambá.

Eu também gosto da troça
Bebo, danço e digo loas
Mas com gente igual a mim
Civilizadas e boas
Que não vou andar com gente
De qualidade à-toa.

Só me dou com gente boa
Como compadre urubu
Dona ticaca de souza
E dona surucucu
A professora jibóia
E o meu primo timbu.

Você é conceituado
Da roda palaciana
Cachorro vive na rua
Tanto furta como engana
Com o baralho no bolso
Jogando e bebendo cana.
E ele compra fiado
Porque quer mas ele tem
Uma muchila de níquel
Que por detrás se vê bem
Pindurada balançando
Porque não paga a ninguém.

O gato se pôs em pé
Perguntou admirado
Comadre, isto é verdade?
Ele me deve um cruzado
Eu não dei fé na muchila
Por isto vendi fiado.

Porém eu vou atrás dele
Daquele cabra estradeiro
Dou-lhe um bote na muchila
Arranco e tiro o dinheiro
Sendo eu disse a raposa
Passava o granadeiro.

O gato se preparou
Amarrou o cinturão
Correu as balas no rifle
Passou lixa no facão
Botou um quarto e bebeu
De aguardente com limão.

Chegou lá disse ao cachorro:
É triste o nosso progresso
Você paga o meu cruzado
Ou quer que eu pague um processo
Cachorro afastou o pé
E lhe disse eu não converso.

Ali deu um tiro e disse:
É assim que eu despacho
Porém o gato abaixou-se
Passou-lhe o rifle por baixo
Deu-lhe uma balada certa
Que quase derruba o cacho.

O cachorro que também
Tem pontaria fiel
Tornou passar a pistola
A bala deu um revel
Cortou-lhe o rabo no tronco
Que descobriu o anel.

Depois que trocaram tiros
Divertiram no punhal
Pulava o gato de costas
E dava salto mortal
Cachorro por sua vez
Também traquejava igual.

E ali trancou-se o tempo
Na porta do barracão
Da baronesa preguiça
Comadre do rei leão
E ela telegrafou
Pedindo paz na questão.

O leão passou depressa
Um telegrama pra trás
Minha comadre alevante
A bandeira e grite paz
Ela não tinha bandeira
Levantou a macaxeira
E ali ninguém brigou mais
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