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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

O ASSASSINATO DE UMA BRAVA MILITANTE


Por Mário Marona

Primeiro, mata-se a eleição direta, ao derrubar uma presidente que não cometeu nenhum crime, e fica por isso mesmo porque, afinal, metade do país não votou nela, o Congresso não vale nada e o STF não tem coragem de agir em defesa da Constituição.

Depois, começam a matar as conquistas obtidas pelo povo durante décadas, reduzindo direitos trabalhistas, previdenciários, de habitação, saúde e educação.

Em seguida, extingue-se a soberania do país sobre algumas de suas riquezas mais importantes, como o petróleo.

Elimina-se, também, a capacidade de atuação e os empregos das únicas empresas brasileiras que podiam competir no mercado global.

Mata-se o direito do povo de se manifestar e protestar livremente, nas ruas, contra as autoridades e em defesa da moradia e até mesmo dos salários, que deixaram de ser pagos.

Enquanto tudo isto acontece, busca-se a qualquer custo o assassinato político daquele que o povo ainda considera o maior presidente da história do país.

Até que a mulher dele, uma brava militante e leal companheira de todas as horas, é executada pela pressão insuportável das mentiras da imprensa, da injustiça deliberadamente produzida pela polícia política e pela máquina do judiciário, da agressão das redes sociais, da humilhação pública de seus filhos e do seu marido.

Marisa Letícia será apenas o primeiro cadáver literal.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

O bandido bom e as selfies com Eike Batista

“E, assim seguimos, bradando o horror à criminalidade e tirando selfies com acusados de crimes, enaltecendo a seletividade social de nosso ódio.”


Por Daniel Kessler de Oliveira

Recebo do amigo e brilhante professor Cássio Benvenutti uma reportagem que mostra brasileiros tirando selfies com Eike Batista no aeroporto de Nova York.

Bom, creio que todos sabem, pelo tanto que fora divulgado que o empresário brasileiro teve sua prisão preventiva decretada e embarca para o Brasil com rumo certo para um estabelecimento prisional.

Mas e por que razão brasileiros tietam um indivíduo com uma prisão preventiva decretada e que está se entregando para a polícia?

A mesma reportagem destaca provocações, xingamentos por parte de outras pessoas, mas revela, também, muitos que elogiavam o empreendedorismo do milionário brasileiro.

Pois bem, não adentrarei aqui na seara das acusações que pesam sobre ele, tampouco da decisão que decretou a sua preventiva, por não ser este o foco que pretendo trabalhar.

O que quero refletir, para tentar alcançar alguma possibilidade de compreensão, é o porquê da existência de um filtro de seletividade na definição do bandido para grande parcela de nossa sociedade.

Por que uma sociedade repleta de cidadãos de bem, que enchem a boca e estufam o peito para bradar frases como: bandido bom é bandido morto ou a clássica: direitos humanos para humanos direitos, chegando a mais nova e vergonhosa: menos corrupção e mais chacina não sente a mesma ojeriza quando se trata de um bandido do naipe de Eike Batista?

Simples. Vivemos em uma sociedade doente, por diversos fatores, mas uma sociedade extremamente dependente e escrava do capital, onde o dinheiro tudo compra, inclusive o respeito.

O mesmo cidadão capaz de enaltecer as virtudes de Eike Batista e cumprimentá-lo pelos seus feitos é capaz de vibrar com o linchamento público de um jovem que tenha sido pego furtando algum objeto ou com os números de mortos nas chacinas em prisões.

Não se trata de defender nenhuma das condutas, as pessoas que cometeram crimes devem sofrer o devido processo e receber a justa punição, independente de quem sejam.

Mas é comum vermos como o ódio ao bandido na maioria das vezes se projeta como mais uma das faces do ódio aos pobres, aos menos favorecidos.

Os ditos cidadãos de bem não se projetam no jovem da favela, mas deliram na possibilidade de se projetar em um indivíduo como Eike Batista.

Um indivíduo como Eike é o que eles querem ser. É o que sonham em representar, pelo que ele fez? Não, mas pelo que ele tem (ou teve).

Uma sociedade em que trata bem as pessoas pelo que elas têm, sendo irrelevante se o caminho percorrido fora lícito ou ilícito.

Quantas vezes ao questionarmos o ganho de alguém, não somos taxados de invejosos ou ao duvidar do ganho lícito de alguma pessoa não somos surpreendidos com frases do tipo: Mas ele tá rico e tu?

Isto são faces de mais uma dentre tantas doenças sociais que as redes sociais não criam, mas escancaram, os fins justificam os meios e tudo é válido nesta corrida insana em busca do dinheiro e do poder.

Obviamente que aqui não tem nenhum discurso hipócrita de ódio ao dinheiro, todos queremos conquistas em nossas profissões e não é feio almejar uma boa ou ótima condição financeira, mas como nos ensinou Frejat: é preciso dizer, ao menos uma vez, quem é mesmo o dono de quem.

Ou seja, nesta sociedade submissa ao dinheiro, o bandido pobre merece a morte, o ódio, a prisão apodrecida, enquanto o bandido rico, no fundo recebe minha inveja, minha ira por não ter sido eu a viver aqueles momentos e obter aqueles ganhos.

Um vizinho traficante, corrupto, sonegador, que me convidar para passear no seu iate e me proporcionar alguns momentos de pura felicidade ganhará o meu respeito e tudo o que ele tenha feito de errado será secundário e aqueles que tentarem me alertar, serão recalcados que não tiveram os méritos deles.

E, infelizmente, assim segue a vida em terrae brasilis, com argumentos e jargões carregados de doses cavalares de hipocrisia e contradição entre eles próprios.

Esta reflexão não tenta bradar a pena de morte ao Eike Batista, como não a defende em nenhuma outra hipótese, também não acho que ele deve ser recolhido ao presídio nas condições dos nossos estabelecimentos e sofrer com uma chacina, apenas não aceito o seu trato como herói, justamente pelas pessoas que tanto querem matar os bandidos.

Esta reflexão serve mais uma vez para que não nos deixemos cair na sedução do discurso pronto e falacioso do cidadão de bem.

Primeiro, quem define quem é o cidadão de bem? O bandido bom é o bandido morto, mas quantos cidadãos de bem também não são bandidos. Ah, mas o meu crime é diferente, dirão eles. Sim, sempre é diferente, sempre há uma justificativa.

O problema, que precisamos enxergar, é que tudo não passa de uma forma de punir e de esconder através de uma política encarceradora: o pobre.

Uma leitura atenta do Código Penal e das leis dos crimes tributários nos permite ver qual o bem jurídico que recebe maior tutela, porque um furto recebe um tratamento mais severo do que uma enorme sonegação, dentre tantas outras passagens que evidenciam isto.

O Direito Penal foi feito para punir o pobre e esta grande parcela da sociedade ou não enxerga isso ou, pior, enxerga e concorda, mas por falta de coragem de defender em voz alta, finge que não vê.

E, assim seguimos, bradando o horror à criminalidade e tirando selfies com acusados de crimes, enaltecendo a seletividade social de nosso ódio.

Via - Carcará

Latinos e judeus se unem contra Trump: “Somos todos muçulmanos”

Diversas organizações aderem à luta da minoria muçulmana do sul da Califórnia contra Trump. A principal organização islâmica dos EUA inicia ação contra o presidente.


A organização muçulmana Conselho de Relações Islâmico-Americanas (CAIR, na sigla em inglês), anunciou, nesta segunda-feira, a abertura de um novo processo contra o Governo de Donald Trump por causa da ordem executiva que veta a entrada nos Estados Unidos de imigrantes e refugiados de sete países com maioria muçulmana. A denúncia de inconstitucionalidade, apresentada em um tribunal federal da Virgínia em nome de 20 imigrantes legais dos países afetados pelo veto, se soma à que foi apresentada pela União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU, na sigla em inglês), que conseguiu a suspensão temporária das deportações desde sábado, e a outra apresentada pelo Estado de Washington.

Obama rompe o silêncio e diz que Trump ameaça os valores norte-americanos
Trump demite secretária interina de Justiça que se negou a sustentar veto migratório
Ao mesmo tempo que anunciavam o processo, os muçulmanos do sul da Califórnia, onde vive a maior comunidade iraniana do mundo fora do Irã, receberam o apoio de organizações de defesa dos imigrantes latinos, sindicatos e vários rabinos judeus. Trata-se de um exemplo da quantidade de grupos e sensibilidades que se juntaram nos protestos em todo o país contra a ordem de Trump.

“Hoje somos todos muçulmanos”, disse Ana Briceno, do sindicato de serviços Local 11 e membro de uma rede de colaboração entre latinos e muçulmanos formada assim que Trump assumiu a presidência. Briceno participava de um ato conjunto com os líderes do CAIR, em sua sede, em Anaheim. “Trump envergonhou a herança dos Estados Unidos”, afirmou.

“Estamos juntos com nossos irmãos muçulmanos”, declarou Angélica Salas, diretora da CHIRLA, a organização de defesa de imigrantes mais ativa do sul da Califórnia. “Nós sabemos o que é ser perseguido pela imigração e o que é não te deixarem entrar no país. Defenderemos os direitos de nossos irmãos muçulmanos com a mesma ferocidade que os nossos”, disse Salas, que fez uma advertência sobre as futuras medidas de Trump: “Se isso está acontecendo com as pessoas que têm visto, podem imaginar o que vai acontecer com quem está ilegal?”.

O rabino Steve Einstein disse que “este país deveria ser um lugar seguro para aqueles que fogem”. “Sou neto de imigrantes que vieram para cá porque o Governo do país deles não os queria por causa de sua religião”, afirmou Einstein, para quem “a oposição ao fanatismo é um ato sagrado”. A cena na sede do CAIR, onde também estavam a ACLU e o sindicato de serviços SEIU, resumia a enorme oposição que a ordem de Trump gerou na Califórnia, das instituições mais altas a todo tipo de organizações de base.


Essa oposição foi traduzida em manifestações espontâneas durante todo o fim de semana. Milhares de pessoas tomaram o terminal internacional do aeroporto de Los Angeles desde a noite da sexta-feira, quando se conheceram os primeiros casos de pessoas retidas ao tentar entrar nos Estados Unidos apesar de contar com vistos ou com carteiras de residência permanente em dia. Dezenas de advogados voluntários passavam pelo terminal perguntando às pessoas se estavam esperando por alguém dos sete países afetados pela ordem executiva de Trump: Irã, Iraque, Somália, Sudão, Iêmen, Síria e Líbia.

A advogada da ACLU, Caitlin Sanderson, que passou todo o fim de semana no aeroporto, afirmou que de sete pessoas retidas, seis foram liberadas antes da noite de domingo. Uma delas foi deportada, mas uma ação da ACLU obrigou o Departamento de Segurança Nacional a devolver o deportado aos Estados Unidos. Sanderson disse ao EL PAÍS que não se sabe qual era a situação no terminal internacional do aeroporto na segunda-feira, já que a polícia de fronteiras se negou a dar informações. Segundo as conversas que voluntários da organização tiveram com familiares que esperam alguém vindo dos países proibidos, a ACLU acredita que os agentes de fronteiras estão usando ameaças para obrigar alguns passageiros a renunciar a seus vistos ou permissões de residência, para assim poder deportá-los.

O caso dos iranianos é especialmente preocupante no sul da Califórnia, já que é onde está a maior comunidade dessa nacionalidade fora do Irã, estimada em 500.000 pessoas. Em Los Angeles vivem cerca de 70.000, a maioria de judeus iranianos que se estabeleceram em Beverly Hills há décadas fugindo da perseguição da Revolução Islâmica. Entre a comunidade iraniana muçulmana, especialmente os que chegaram mais recentemente, é normal ir e voltar do Irã ou ter familiares de visita.

 Fonte; El Pais


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Artesãos que moldam o rico cotidiano nordestino

Mestre Manoel Eudócio em seu ateliê no Alto do Moura, bairro da cidade de Caruaru, PE

Por Arthur Maciel Nunes. Fotos: Jesus Carlos
No RBA

O trabalho com o barro, muito presente na cultura e na economia especialmente no Nordeste, é uma das atividades mais primitivas do país. Tem influências diversas, originárias de África e Europa, mas aqui configura uma produção e organização social de natureza essencialmente indígena – mais antiga, portanto, que a própria criação do Brasil. De peças para o uso doméstico, ainda essenciais no abastecimento de água potável e no preparo de alimentos, a objetos modelados para retratar o cotidiano do povo nordestino, o barro é matéria-prima vital na cultura e na economia da região.

Contam os mestres que o boneco de barro contemporâneo surgiu da visão de Vitalino Pereira dos Santos, nascido em 10 de julho de 1909, no Sítio Campos, zona rural de Caruaru (PE). Ele traçou o caminho do reconhecimento dessa arte dentro e fora do Brasil e influenciou o trabalho de outros artistas no estado. A primeira obra de sucesso de Mestre Vitalino, um gato maracajá acuado em uma árvore por um cachorro e um caçador, até hoje é modelada pelos seus descendentes.

Vitalino, que chegou a ter uma banda de pífanos, mudou-se da zona rural nos anos 1940 para Alto do Moura, lugar que se tornou referência em cerâmica figurativa, a apenas cinco quilômetros do centro de Caruaru. Lá formaria a grande escola da arte na região ao lado de Manoel Eudócio, que partiu em fevereiro último, aos 85 anos, José Antônio da Silva, o Zé Caboclo (1921-1973), e Manoel Galdino (1929-1996).

Sobrinha de Manoel Eudócio e filha de Zé Caboclo, Marliete Rodrigues, 59, é especialista na produção de peças em miniatura, de dois a três centímetros. A maior parte é destinada a colecionadores e a exposições, como o Salão de Arte de Pernambuco, onde já foi premiada tanto pelo público como pelos jurados. Segundo Marliete, uma de suas peças figura no acervo particular da ex-presidenta Dilma Rousseff. "Gosto de retratar momentos vividos em família. Às vezes também sou pega por um sonho que me marca e retrato isso no barro", diz.

A artesã começou a trabalhar aos 6 anos, observando os gestos do pai. Tradição mantida pela artista. "A gente estimula as crianças a brincar com o barro. Foi assim que eu comecei. Quando a gente gosta muito do trabalho, quando faz o trabalho com amor, ele faz parte da vida da gente o tempo todo. Desde criança eu descobri isso. Comecei copiando, mas depois percebi que também tinha que criar algo que representasse o que eu sinto e penso", conta Marliete.

Nascido na vizinha cidade de São Caetano, Manoel Galdino, o Mestre Galdino, como é referendado na cidade, distingue-se dos demais pelo surrealismo de sua obra. Solte Meu Burrico, Ladrão!, A Raposa Come o Macaco, A Viagem de Maria ao Egito, Mané Pãozeiro, são alguns dos títulos dados pelo artista a suas peças. Conta Joel Galdino, filho de Manoel que dá continuidade ao talento do mestre: "Disseram numa exposição em São Paulo que ele não era um artista. Ele ficou muito irritado e resolveu fazer uma peça de improviso. Lembrou de um primo em São Caetano, vendedor de pão, que quando era indagado sobre a vida botava uma mão na cabeça e estendia a outra dizendo: ‘Ah, meu Deus, me ajude!’ Assim nasceu o Mané Pãozeiro".

A obra é um marco do estilo de Mestre­ Galdino. Lábios enormes e destacados, boca e lábios agigantados, barriga protuberante, um misto de gente e bicho. Tais quais os dentes serrilhados, as escamas, os totens, uma gama de elementos que encontra acolhimento justamente na diversidade carnavalesca de Pernambuco e é sempre presente na composição dos Galdino, pai e filho.

Dizem os outros mestres que foi Vitalino Pereira dos Santos quem traçou o caminho do reconhecimento dessa arte dentro e fora do Brasil
Tracunhaém
A 67 quilômetros de Recife, na zona da mata, o tamanho das peças e a cor púrpura do barro distinguem os personagens retratados pelos mestres da arte figurativa. Caruaru é feita das cores de tantos são seus folguedos e diversa é sua cultura e a sua gente. Já Tracunhaém é quase lívida, com seus campos queimados e sua agricultura familiar expropriada pela monocultura da cana-de-açúcar.

Aqui rareiam as árvores, mais ainda os frutos, em um império de cinzas que caem do céu sem trégua, rangendo no ar em estalos quentes de folha carbonizada, fruto das queimadas de cana que resistem aos avanços da tecnologia agrícola. É uma cidade extremamente quente, a 10 quilômetros do centro da vizinha Nazar­é da Mata, um dos berços do maracatu rural de Pernambuco.

O Caboclo de Barro de Mestre Sussul­a, Edvaldo José de Andrade, é uma das poucas peças originais dos artesãos de Tracunhaém que recebem acabamento de pintura. É um retrato fiel do colorido e das formas que compõem a fisionomia e a indumentária do caboclo de lança do maracatu rural. Mas a maioria é da cor pura do barro cozido, tons que variam entre o vermelho, o marrom e o amarelo. Os artistas têm predileção por santos, de 50 centímetros a 1,5 metro ou mais, como São Francisco, e também outros personagens religiosos como Moisés, ou ainda a Maria Grávida, imagem que consagra a obra do mestre Joaquim José da Silva, o Zezinho de Tracunhaém.

Trabalho de pintura no ateliê do mestre Sussula, em Tracunhaém, PE
Até os 19 anos, Mestre Zezinho trabalhava no corte da cana na cidade próxima de Vitória de Santo Antão, até ter sua arte figurativa elogiada pela cronista Marliete Pessoa, no jornal Gazeta de Nazaré, nos anos 1960. Foi quando tomou coragem e resolveu investir na arte profissionalmente. O sucesso veio com um São Francisco em tamanho natural e com a peça que é tida pelo artista como a sua predileta, uma imagem de Maria grávida, sentada e aconchegada pelo marido José, este com um pássaro pousado em seu ombro esquerdo.

Mais antiga representante da arte figurativa em Tracunhaém, Maria Amélia da Silva, 92 anos, celebrizou as bonecas como a marca de seu trabalho no barro. No papel de santas canonizadas ou de mulheres simples do cotidiano da cidade, as imagens têm em comum as mãos espalmadas, a cabeça inclinada sobre um dos ombros e a face invariavelmente erguida para o céu. Além da delicadeza e harmonia dos traços e formas alcançadas. Arte que começou a desenvolver "ainda menina", segundo os cálculos dela entre os 6 e os 8 anos, por incentivo do pai.

Das figuras humanas simples e bíblicas à figura feroz e mítica do leão, foi nesse ponto que se destacou o talento de Manoel Borges da Silva, ou Mestre Nuca, morto em fevereiro de 2014. O Leão ­Cacheado é a peça que distingue a obra do artista, produção que hoje é mantida pelos filhos Guilherme e Marcos Borges e pelo sobrinho Zenildo Gomes. É uma das peças mais difundidas em Pernambuco, presentes em praças de Recife e coleções particulares espalhadas por todo o Brasil.

Mais antiga representante da arte figurativa em Tracunhaém, Maria Amélia da Silva celebrizou as bonecas como marca de seu trabalho no barro
Goiana

"Minha mãe, Joana Isabel de Assunção, artesã, fazia boneco de barro, arte culinária, comida típica do Nordeste, em panela de barro que ela mesma confeccionava. Costureira, bordadeira, desenhava à mão livre qualquer modelo de vestido para as madames da alta sociedade de Goiana. Artesã completa, católica praticante da igreja dos Homens Pretos de Goiana, queria que eu fosse padre. Meu pai, Manoel de Souz­a dos Santos, padeiro, nas horas vagas fazia máscaras de barro, principalmente para brincar o carnaval. Graças a Deus eu sou filho de artesãos." A fala é do mestre ceramista José do Carmo Souza, representante de Goiana como Patrimônio Vivo da Cultura de Pernambuco.

"Todos nós somos anjos", difunde Zé do Carmo. Dessa filosofia construiu seu arsenal de anjos e santos nas garras e traços de personagens típicos do Nordeste, como cangaceiros, tocadores de pífano, triângulo, sanfona e zabumba. "Um dia, enquanto caçava, era moleque ainda, tinha uns 12 anos, vi um passarinho e observei bem as asas dele, pensei em botar aquelas asas nos bonecos que eu fazia. Comecei a fazer anjos e santos com a cara das pessoas que via nas ruas. Minha mãe não gostou, achou errado e mandou que eu fizesse as imagens com jeito de santo europeu. Eu fiz e foi bom que vendeu bem, todo mundo queria santo com cara bonita. Quando ela faleceu, em 1972, voltei a desenvolver minhas peças com a cara de gente da terra", conta o artesão.

As peças de todos esses mestres do barro encontram-se espalhadas por várias cidades do Brasil, em museus e coleções particulares, principalmente.

Em Pernambuco, um acervo público pode ser apreciado no Museu do Barro de Caruaru, no centro da cidade. Neste espaço, apenas de Mestre Vitalino existem 66 peças originais do artista. É raro e lindo de ver.

Filha e sobrinha de mestres, Marliete Rodrigues é especialista na produção de peças em miniatura



Governo Temer inicia maior ataque contra o funcionalismo público

O governo ilegítimo e golpista Temer (PMDB) iniciou, essa semana, o maior ataque ao funcionalismo público jamais visto na história do Brasil. Em setembro do ano passado 20 estados brasileiros assinaram uma carta, pedindo ajuda financeira à União, alegando colapso em suas finanças. De lá para cá, a situação só piorou, e vai piorar ainda mais.


*Por Diógenes Júnior

A política econômica que o governo Temer (PMDB) tem aplicado deu errado em todos os países em que foi implementada, porque erra totalmente em sua concepção. O problema portanto não tem porque dar certo aqui.

Mas a crise para a qual essa política econômica nefasta arrasta o país é útil para os propósitos desse governo ilegítimo, pois serve de pretexto para fazer o que jamais um governo legítimo teria força, ou mesmo apoio popular, para tentar implementar, quiçá esse governo postiço, que não conta com nenhum apoio popular.

A crise é a justificativa, o pretexto que esse governo precisa para aprovar um ataque sem precedentes ao funcionalismo público do Brasil. Se o Supremo Tribunal Federal decidir pela legalidade da redução de jornada e salários, ao acordo que o Rio de Janeiro inaugurará seguirão outros acordos similares em boa parte dos estados, como por exemplo em Minas Gerais e também aqui, no Rio Grande do Sul.

Se esse governo pode atacar com tamanha violência os direitos dos servidores públicos estaduais, porque não atacaria da mesma forma o funcionalismo público da União, ou também o funcionalismo público municipal?

Essas possibilidades expostas têm grande chance de serem postas em prática, efetivamente, assim como foi aprovada a PEC do teto de gastos, (PEC 57).

É como o governo ilegítimo pretende aprovar a Reforma da Previdência, e no mesmo bojo um pacotaço de privatizações de empresas públicas e bancos estatais, como o nosso Banrisul.

A mídia oficial tem desempenhado seu papel no golpe, fazendo parte de uma conspiração cujo objetivo é sequestrar o ideário coletivo da população, veiculando diariamente em sua programação discussões pseudo-técnicas, sempre usando a premissa de que o Brasil não tem dinheiro, que o Estado “está quebrado” e que “tem de ser enxugado”, repetindo uma espécie de mantra no qual os governantes precisam fazer cortes nas despesas.

Todavia omitem que tais cortes representam diminuição na qualidade dos serviços prestados, corte nos serviços sociais e nos investimentos públicos capazes de tirar o Brasil dessa situação de carência de infraestrutura, abrindo assim novos caminhos para seu desenvolvimento econômico.

A verdade concreta é que os brasileiros mais ricos seguem sem pagar impostos, que as grandes empresas pegam dinheiro público com juros baixíssimos e em condições especiais, e ainda por cima seguem sonegando impostos.

A política econômica do governo ilegítimo Temer (PMDB) é explicitamente violenta contra o funcionalismo público, e também ser para com toda a população.

Esse ataque ao funcionalismo público, o pior ataque jamais visto em nossa história, é mais um ataque à população brasileira mais pobre.

Quem pagará por essa política econômia serão apenas os funcionários públicos e suas famílias, mas todos brasileiros, os mais necessitados, idosos, crianças, doentes.

Nenhum direito a menos!

*Diógenes Júnior é Assessor de Comunicação do Núcleo de Educação da CTB - RS e assessor sindical no CPERS/Sindicato - Centro dos Professores do Rio Grande do Sul.

Via - Portal Vermelho

Dilma é entrevistada pelo líder do Podemos na Espanha


Na última semana, a ex-presidenta Dilma Rousseff esteve em tour pela Europa onde denunciou as razões que levaram ao seu impeachment no Brasil. Em Madri, Dilma foi entrevistada pelo líder do Podemos, o cientista político Pablo Iglesias, que mantém, desde antes da criação do seu partido, um programa de entrevistas semanal conhecido como Otra Vuelta de Tuerka.

Na entrevista de cerca de 50 minutos, a presidenta Dilma fala de sua infância, do período de torturas na prisão, da chegada ao poder, das razões que levaram ao impeachment, entre vários assuntos relacionados com a história política do Brasil, da América Latina e do mundo.

Dilma Rousseff confirmou que seu pai era comunista e que a partir de seu exemplo sentiu a solidariedade que se deve ter com as pessoas que eram mais frágeis.

Sobre o golpe, Dilma falou de seus algozes: “Os perdedores, principalmente o PSDB, que é um partido pretensamente social-democrata, mas que é na verdade um partido conservador, de direita, golpista, ficou inconformado com a derrota”.

O Podemos, partido recém-criado que tem alterado a correlação de forças na Espanha, foi um dos que pediram no Parlamento Europeu o não reconhecimento do governo de Michel Temer.


Assista abaixo a íntegra da entrevista:


Via Portal Vermelho

Charge dos nossos dias

Por Renato Aroeira


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