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segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Brasil: Barbas de molho?


 

A derrota de Donald Trump nas urnas nos Estados Unidos levou o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, a se sentir inseguro e a reavaliar a estratégia a seguir com vistas à sua possível reeleição nas eleições de 2022.

Por Osvaldo Cardosa Samón

Após o retumbante fracasso de seu ídolo, o ex-militar brasileiro começou a se inquietar com a perda de território eleitoral em favor de políticos de centro ou de esquerda.

Ele comentou que a vitória do democrata Joe Biden é um claro sinal de alerta para os conservadores.

Ao colapso do candidato republicano se juntariam outros recentes da direita sul-americana, como nas votações realizadas na Argentina e na Bolívia.

Em público e em intercâmbios com apoiadores nas redes sociais, Bolsonaro admitiu temer que algo semelhante possa acontecer no Brasil.

'Não sei se serei candidato à reeleição, ainda há um longo caminho a percorrer até 2022', disse o ex-capitão do Exército após anunciar que Biden é o 46ú presidente da nação do Norte.

O governante ultradireitista pediu aos brasileiros que não parassem de votar nas eleições municipais de 15 nov e pediu para não 'desperdiçar o voto'.

O ex-chanceler Celso Amorim previu que o isolamento internacional do Brasil aumentará com a chegada do democrata à Casa Branca.

Ao mesmo tempo, denunciou que a 'submissão total' do atual governo a Trump trouxe 'grandes prejuízos' ao seu país e citou como exemplo as convulsivas relações com a China.

Além disso, nas organizações internacionais, o gigante sul-americano se afastou dos países em desenvolvimento, preferindo atuar como guardião dos interesses dos Estados Unidos.

O presidente brasileiro é conhecido como 'o Trump tropical' por sua retórica violenta e abuso das redes sociais em detrimento da imprensa tradicional.

Para analistas, o resultado das eleições nos Estados Unidos marcará o rumo dos dois anos e dois meses que Bolsonaro deixou no poder, que percorrerá passos muito incertos para uma desejada reeleição.

mem / dfm / ocs

(Retirado do Orb)

Via -  Prensa Latina

sábado, 14 de novembro de 2020

Há 70 anos, Waldir Azevedo lançava “Delicado”, baião que rodou o mundo

 

O compositor Waldir Azevedo é considerado um divisor de águas na história do cavaquinho (foto: Arquivo O cruzeiro/EM/DA PRESS)

As histórias por trás do grande sucesso de Waldir Azevedo, o baião “Delicado”. A música do mestre do cavaquinho possui mais de 60 gravações estrangeiras


Por Pedro Paulo Malta

No Portal Vermelho

O compositor Waldir Azevedo é considerado um divisor de águas na história do cavaquinho (foto: Arquivo O cruzeiro/EM/DA PRESS)

Waldir Azevedo custou a acreditar no tamanho do sucesso de “Brasileirinho”, choro de sua autoria lançado em maio de 1949, em seu primeiro disco como solista, um 78 rotações da gravadora Continental. Foram tantas as execuções em rádio, convites para shows e discos vendidos que ele, aos 26 anos, pediu demissão do emprego na Light, companhia de eletricidade em que trabalhava desde 1941, como escriturário. Embora iniciante, a carreira artística – somada ao emprego de músico contratado da Rádio Clube do Brasil – já dava conta de sustentar a família: a esposa, Olinda, e duas filhas pequenas, Mirian e Marli.

Tão improvável quanto o início avassalador foi, já no ano seguinte, o lançamento do segundo grande sucesso: o baião “Delicado”, que saiu em disco pela Continental, em novembro de 1950. Curioso é que, quando Waldir entrou no estúdio para gravar esse 78 rotações, a única música definida era o choro “Vê se gostas”, outro sucesso de sua autoria (em parceria com Otaviano Pitanga), que seria lançado no lado B do disco. Na biografia “Waldir Azevedo: um cavaquinho na história”, o autor Marco Antonio Bernardo conta que, na falta de uma música para a outra face, foi Chiquinho do Acordeom quem sugeriu: “Por que você não grava aquele baião?”

O cavaquinista e produtor Henrique Cazes, num texto recente sobre “Delicado”, conta que Chiquinho foi responsável também por dar nome à música e por ela ter sido gravada como baião e não como bolero – como planejava Waldir. O próprio contaria ao jornal O Estado de S. Paulo (na edição de 20 de novembro de 1979) que esta definição foi decisiva para o sucesso da música: “Gravei ‘Delicado’ numa época em que Luiz Gonzaga estava no apogeu e era, de fato, o Rei do Baião. Eu, claro, quis pegar uma rebarba no sucesso e deu certo. Fui na onda do baião e me tornei o primeiro artista a gravar esse ritmo instrumentalmente.”

O livro de Marco Antonio Bernardo traz ainda um relato de Waldir Azevedo sobre a história da composição, feita numa viagem a Nova Friburgo (RJ), onde ele ia tocar num baile de carnaval. No meio da estrada, teve problemas com seu carro (“um carrinho Skoda, que andava 200 metros e descansava 15 minutos”) e precisou encostar. “Eu já tava tão cansado, um calor louco, olhei uma árvore. Eu já tinha saído de casa com aquela melodia na cabeça mas não estava ligando. Ia levar meia-hora para esfriar aquele negócio. Abri o capô do carro e fui pra debaixo da árvore com o cavaquinho. E comecei a fazer o ‘Delicado’ ali mesmo.”

Após o estouro inicial, o baião de Waldir Azevedo chegou forte ao carnaval de 1951, repetindo o feito de “Brasileirinho”, que já havia se misturado às marchinhas e sambas de 1950. Na folia de 1952, “Delicado” voltou a fazer sucesso nos bailes, agora na versão cantada, com letra de Ary Vieira, lançada em disco pela gravadora Todamérica, em abril de 1951, no canto ligeiro de Ademilde Fonseca, com acompanhamento de Guio de Moraes e seu Conjunto Melódico.

As outras regravações que constam no site da Discografia Brasileira foram todas feitas de maneira instrumental, a começar pelas lançadas em 1951: uma com Chiquinho do Acordeom, outra com Oscar Aleman e sua Orquestra e uma terceira com Washington Bertolin e Seu Sexteto de Jazz. Entre as gravações em 78 rotações há ainda uma com solo de assobio – por William Fourneaut (1952) – e outra no violino de Fafá Lemos (1956), além de uma do cravista Stan Freeman (com a orquestra de Percy Faith), gravações dos pianistas Jan August e Luciano Sangiorgi e uma do guitarrista brasileiro Laurindo de Almeida.

Segundo Henrique Cazes, este último – radicado em Los Angeles desde 1947 – foi decisivo para a trajetória estrangeira de “Delicado”, tendo presenteado o band leader Stan Kenton (com quem trabalhava) com uma gravação do baião de Waldir – que em 1952 ganharia sua primeira gravação de sucesso no exterior, pela Capitol Records, com Stan Kenton e Sua Orquestra. Depois disso vieram outras gravações nos Estados Unidos, assim como na Inglaterra, na Alemanha e na Argentina, entre outros países. Se no Brasil “Delicado” é menos conhecido que “Brasileirinho”, no exterior a história é outra, como se pode constatar pela discografia no livro

“Waldir Azevedo: um cavaquinho na história” (2004): são mais de 60 gravações estrangeiras do baião, contra 12 do famoso choro.

O próprio Henrique, na série de TV “Apanhei-te cavaquinho”, que produziu e apresentou para a RTP, de Portugal, mostra uma relíquia que dá a medida desta popularidade: uma caixinha de música que o próprio Waldir, durante uma turnê com artistas brasileiros, encontrou numa feira de rua no Egito: ao abrir-se a tampa de madeira, ouve-se o tema do “Delicado” (veja aqui).

Sem contar sua gravação mais conhecida, feita por Carmen Miranda no dia 4 de agosto de 1955, no programa “Jimmy Durante Show”, da emissora norte-americana NBC, onde dividiu com o comediante um texto em que alternava falas em inglês e português. Depois veio o baião de Waldir Azevedo, mas com uma nova letra, feita por Aloysio de Oliveira. “Eu quando escuto o ‘Delicado’ dá uma dor aqui do lado, aqui no meu coração. E é porque o ‘Delicado’ faz lembrar do meu passado, faz lembrar o meu rincão…”, cantou a Pequena Notável, que, por uma coincidência mórbida, faleceria na madrugada seguinte, em sua casa em Beverly Hills (EUA).

Fonte: Instituto Moreira Salles (IMS)

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Covid - 19 pode causar doença mental dentro de 90 dias


Alguns pacientes infectados com Covid-19 podem desenvolver distúrbios mentais que vão desde ataques de pânico até demência dentro de 90 dias após serem confirmados com o SARS-CoV-2, uma revista científica revelou hoje.

De acordo com a Lancet Psychiatry, uma em cada cinco pessoas afetadas também pode experimentar ansiedade, problemas de ajuste, insônia e estresse pós-traumático.

Os pesquisadores da Ofxord University concluem que as pessoas com um diagnóstico mental anterior são 65% mais vulneráveis a contrair o vírus, em comparação com aquelas que não tiveram uma doença mental.

O estudo sugere acrescentar estas sequelas à lista de danos na Covid-19.

Recentemente, a revista australiana Science Alert publicou pesquisas sobre os efeitos da Covid-19 no cérebro, já que mais frequentemente os pacientes que se recuperaram da doença experimentam distúrbios como delírio, confusão e dificuldade de raciocínio.

Especialistas dizem que o novo coronavírus pode causar encefalopatia, ou seja, deterioração ou alteração da função cerebral. Por sua vez, o Imperial College London afirma que alguns pacientes recuperados do Covid-19 têm uma diminuição no QI em graus variados.

As pessoas que tiveram alta, incluindo aquelas que não mais relataram sintomas, apresentaram déficits cognitivos significativos, dizem especialistas, que alertam que o novo coronavírus pode envelhecer o cérebro em 10 anos.

mem/joe/bm

Via – Prensa Latina

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Vacina russa Sputnik V apresenta eficácia de 92% contra a Covid

Foto reprodução


A eficácia foi comprovada com base na primeira análise de dados provisória obtida 21 dias após os voluntários receberem a primeira injeção.

A taxa de eficácia da vacina Sputnik V contra a COVID-19 é de 92%, revela a primeira análise de dados provisória da terceira fase dos testes clínicos, realizados na Rússia. Segundo o site oficial da vacina russa, “a eficácia da vacina Sputnik V equivaleu a 92% (cálculo com base na distribuição de 20 casos confirmados no grupo placebo e no grupo que recebeu a vacina)”.

A eficácia foi comprovada com base na primeira análise de dados provisória obtida 21 dias após os voluntários receberem a primeira injeção. Vale ressaltar a inexistência de “evento adverso inesperado” durante os testes clínicos.

“Atualmente, 40.000 voluntários estão participando de um estudo clínico pós-registro de fase III, duplo-cego, randomizado e controlado por placebo da vacina Sputnik V, dos quais mais de 20.000 voluntários foram vacinados com a primeira dose da vacina e mais de 16.000 voluntários com a primeira e a segunda doses da vacina.”

Mikhail Murashko, ministro da Saúde da Rússia, comemorou os resultados da análise clínica: “O uso da vacina e os resultados dos estudos clínicos mostram que é um meio eficaz de impedir a propagação da infecção por coronavírus, evitando a morbidade, e esta é a forma mais bem-sucedida de derrotar uma pandemia”.

“O estudo não revelou quaisquer eventos adversos inesperados. Alguns dos vacinados apresentaram eventos adversos de curto prazo, como dor no local da injeção, síndrome semelhante à gripe, incluindo febre, fraqueza, fadiga e dor de cabeça”, revelou a análise.

Os dados da pesquisa provisória vão ser publicados pela equipe do Centro Gamaleya em uma das revistas médicas internacionais de pré-revisão científica. Após a finalização da terceira fase dos testes clínicos, o Centro Gamaleya vai prover acesso ao relatório completo do estudo clínico.

“A publicação dos resultados provisórios dos ensaios clínicos pós-registro, que atestam de forma convincente a eficácia da vacina Sputnik V, possibilita o início da vacinação em massa da população da Federação da Rússia contra a infecção por coronavírus nas próximas semanas. Aumentar a produção e conectar novos locais de produção tornará a vacina Sputnik V disponível para o público em geral. Isso tornará possível reverter a tendência atual e conseguir uma redução na incidência de infecção por coronavírus, primeiro na Rússia e depois em todo o mundo”, disse Aleksandr Gintsburg, diretor do Centro Nacional de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya.

Após a publicação da análise sobre eficácia da Sputnik V, a vice-primeira-ministra russa, Tatiana Golikova, informou que em novembro deste ano se planeja produzir 500 mil doses, 1,5 milhão em janeiro, três milhões por mês a partir de fevereiro e seis a partir de abril. Além disso, a autoridade informou que em 15 de novembro começam os ensaios pós-registro da vacina do Centro Vektor, em um trabalho paralelo de introdução na circulação civil.

Em 11 de agosto deste ano, a Rússia registrou a vacina Sputnik V contra COVID-19, desenvolvida pelo Centro Nacional de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya. O medicamento é produzido em cooperação com o Fundo Russo de Investimentos Diretos (RFPI, na sigla em russo).

A vacina Sputnik V foi criada na plataforma estudada e testada de vetores adenovirais humanos, cujas principais vantagens são segurança, eficácia e ausência de consequências negativas de longo prazo, confirmadas em mais de 250 estudos clínicos conduzidos no mundo ao longo de duas décadas (o histórico de uso de adenovírus humanos em vacinas começou em 1953). Mais de 100.000 pessoas foram vacinadas com medicamentos aprovados e registrados com base em vetores adenovirais humanos.anos.

Fonte: Sputnick Brasil

Via -  Portal Vermelho

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Fidel e Ho Chi Minh, encontro além da morte


Por Alberto Salazar Hanói (Prensa Latina) Ho Chi Minh morreu em 2 de setembro de 1969 e Fidel Castro só pôde visitar o Vietnã quatro anos depois, mas nem mesmo a fatalidade poderia impedir o encontro entre aqueles dois homens que professaram uma imensa amizade.

Os líderes políticos, oficiais militares, ministros, embaixadores, tradutores, jornalistas e outros que tiveram a oportunidade de falar com eles ou testemunhar expressões uns dos outros, afirmam que seus pontos de concordância foram tantos que transcenderam o mero contato físico.

Seus escritos e oratória também refletiam um respeito e admiração mútuos e profundos, tanto pessoalmente quanto para com aqueles dois povos cuja epopeia moveu o mundo por causa dos sacrifícios que eles fizeram para esculpir um destino digno diante do mesmo inimigo.

Na primeira de suas três visitas ao Vietnã (12-17 de setembro de 1973), o então primeiro-ministro cubano não fez uma única aparição pública onde o grande ausente não brilhasse. E em suas conversas com os líderes vietnamitas, como eles disseram, a mesma coisa aconteceu.

Algumas horas depois de chegar a Hanói, Fidel fez um atento e respeitoso passeio pelos lugares onde Ho Chi Minh trabalhou e passou seus últimos dias.

Uma delas, talvez a mais cativante, era a pequena casa onde o tio Ho morava em preferência ao suntuoso palácio que ele tinha o direito de habitar por causa de sua posição.

Em estilo colonial, o edifício havia sido a residência particular do governador francês e, após a independência do Vietnã (1954), o Partido e o Estado o consideraram o local apropriado para abrigar o presidente e seus escritórios.

Mas embora possa parecer contraditório, Ho Chi Minh não se sentiu à vontade no meio de tanto espaço e disse que não podia viver rodeado de luxo enquanto seu povo sofria tantas privações e calamidades.

Assim, perto do palácio, ele tinha uma pequena casa de madeira construída sobre palafitas e sem mais espaço do que o necessário.

Lá, em 13 de setembro de 1973, na companhia do Primeiro Ministro Pham Van Dong e do General Vo Nguyen Giap, Fidel ficou emocionado com a austeridade com que o tio Ho vivia.

No andar térreo, a mesa onde ele costumava se reunir com o Bureau Político e numa prateleira cheia de livros, um imperdível: 'Guerrilla Warfare', de Ernesto Che Guevara.

Lá em cima, no quarto, a cama ascética, arrumada, tipo apóstolo, onde o arquiteto da independência do Vietnã disse adeus a quem sabe quantas noites sem dormir.

Em um simples guarda-roupa de madeira, as sandálias e alguns trajes tradicionais. E sobre uma pequena mesa, as últimas cópias do jornal Nhan Dan (O Povo), um ventilador e um despertador.

Na cozinha e na sala de estar, nada a mais para quem precisava de tão pouco...

Ao lado de uma das janelas, a velha poltrona onde eu costumava ler e meditar sobre o presente e o futuro de um país que vinha lutando por sua independência há centenas de anos... Quantas vezes ele sonhou lá com um Vietnã 10 vezes mais bonito!

Perto da casa de madeira há outra sólida alvenaria onde os líderes do país aconselharam Ho Chi Minh a se mudar quando o bombardeio americano de Hanói fez o presidente temer por sua vida.

Em uma das salas há uma mesa com 10 cadeiras, e em uma das paredes há um grande mapa do Vietnã - do Norte e do Sul, porque o país era um só - com marcas sobre o desenvolvimento da guerra.

Lá, o General Giap explicou a Fidel que os últimos sinais refletiam a situação no momento da morte de Ho Chi Minh, e o atualizou sobre como as coisas estavam indo. Faltavam apenas 19 meses para a vitória final.

Fidel também estava no pequeno lago localizado ao lado das duas casas. Em alguns passos que levavam às águas calmas, o tio Ho os acenava ou batia palmas para avisar as barracas que lhes trazia sua comida diária.

Não é preciso muito para imaginar que a visita a esses lugares sagrados foi um momento de reencontro espiritual entre os líderes históricos dos dois países.

Na época da visita de Fidel, os restos mumificados de Ho Chi Minh ainda não descansavam no mausoléu onde se encontram hoje. Na verdade, a construção do monumento começou 10 dias antes de sua chegada e só foi inaugurado quase dois anos mais tarde, em 29 de agosto de 1975.

Mas o líder cubano não precisava de nada mais para segurar seu peito do que uma crescente admiração por Ho Chi Minh.

Algumas horas antes de retornar a Cuba, após visitar cenários de guerra no centro do país, conversar por longas horas com líderes vietnamitas e ver uma vitória que era 'simplesmente uma questão de tempo', Fidel sintetizou suas impressões daqueles dias em um discurso.

'Viemos para esta terra heróica com grande admiração pelo povo vietnamita e partiremos com ainda maior admiração. Somos encorajados por suas vitórias e seu extraordinário exemplo, e somos infinitamente gratos a eles pela hospitalidade e amor com que nos receberam', disse ele.

E enfatizou que estava partindo com apenas um arrependimento, 'o de não ter tido o privilégio de conhecer o Presidente Ho Chi Minh na vida, a quem tanto admiramos'.

Algo, porém, o consolou: 'Mas somos compensados pelo fato de termos visto e conhecido o povo vietnamita de perto e vermos refletido neles sua obra, seus ensinamentos, seu trabalho, sua educação, seu exemplo, seu heroísmo, sua modéstia.

Fidel Castro visitou novamente o Vietnã em 1995 e 2003. E sempre, antes e depois, ele sentia o mesmo respeito e admiração pelo amigo, pelo irmão que ele só podia encontrar no caminho das ideias.

Um caminho pelo qual agora, em 2 de dezembro, o 60ú aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas, as duas nações continuam a caminhar.

arb/asg/bm

*Correspondente de imprensa latina no Vietnã

Via – Prensa Latina

terça-feira, 10 de novembro de 2020

O ex-presidente Evo Morales retorna à Bolívia


O ex-presidente Evo Morales (2006-2019) voltará hoje da Argentina, o país que lhe deu asilo após o golpe de Estado, para a Bolívia.

O líder indígena reiterou sua gratidão ao governo de Alberto Fernández e ao povo argentino por recebê-lo no contexto da crise na Bolívia, fomentada pela Organização dos Estados Americanos e grupos extremistas.

'Nestes dias, lembramos que o líder indígena Tomás Katari teve que voltar a pé de Buenos Aires para Potosí para ter seus direitos como autoridade original restaurados, e também aos exilados, como Juan José Torres, que não puderam retornar. Nossa homenagem a eles', escreveu Morales em sua conta no Twitter.

Ele lembrou que o governo de facto chamou os membros do Movimento ao Socialismo (MAS) de bestas, selvagens e violentos, e advertiu que eles jamais retornariam à Bolívia, enquanto matavam, perseguiam, detinham e ateavam fogo em casas e estações de rádio.

Entretanto, Morales enfatizou que 'voltamos, pacificamente, para recuperar a pátria democrática apenas com a consciência do povo'.

Em 10 de novembro de 2019, Evo Morales renunciou ao seu posto sob pressão de altos funcionários militares e policiais, no contexto do golpe de Estado que foi justificado por uma suposta fraude nas eleições de 20 de outubro daquele ano, que foi negada por diversas análises. Dois dias depois, ele chegou ao México, onde lhe foi concedido asilo.

Um mês depois ele viajou para a Argentina, cujo governo lhe deu refúgio para proteger sua integridade física diante de ameaças e de onde continuou sua liderança do MAS.

Os líderes golpistas na Bolívia, após usurparem o poder, cometeram massacres que deixaram mais de trinta pessoas mortas e centenas feridas, levaram a cabo perseguição política contra membros do MAS e desencadearam o racismo e a discriminação contra diferentes povos indígenas.

Neste domingo Luis Arce e David Choquehunca foram investidos como presidente e vice-presidente do Estado Plurinacional após a retumbante vitória nas eleições de 18 de outubro passado.

agp/otf/bm

Via - Prensa Latina

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Vitória de Biden é saudada pela oposição a Bolsonaro

 

Democratic presidential candidate Joe Biden speaks to supporters in Philadelphia, Pennsylvania, on November 3, 2020. - The United States started voting Tuesday in an election amounting to a referendum on Donald Trump's uniquely brash and bruising presidency, which Democratic opponent and frontrunner Joe Biden urged Americans to end to restore "our democracy." (Photo by Angela Weiss / AFP)

Com o resultado da Pensilvania, o candidato Democrata alcançou 284 votos dos delegados, 14 votos a mais dos 270 de que ele precisava. Até agora o democrata alcançou 290 votos.

A confirmação da vitória do candidato democrata Joe Biden nas eleições dos Estados Unidos teve ampla repercussão mundial. No Brasil, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) disse estar “muito feliz” com a derrota de Donald Trump. “Com ele, caem os que fazem apologia à violência, os que negam as mudanças climáticas, os irresponsáveis no combate ao coronavírus, os defensores do racismo. Ou seja, Bolsonaro está ainda mais isolado nas suas absurdas posições”, afirmou.

Muito feliz com a derrota de Trump. Com ele, caem os que fazem apologia à violência, os que negam as mudanças climáticas, os irresponsáveis no combate ao coronavírus, os defensores do racismo. Ou seja, Bolsonaro está ainda mais isolado nas suas absurdas posições.

— Flávio Dino 🇧🇷 (@FlavioDino) November 7, 2020

Flávio Dino disse ainda que “consolida a terrível fama de pé frio de Bolsonaro na arena internacional”. Agora mesmo que em reunião da Cúpula do G-20 ninguém vai querer tirar foto e posar de ‘melhor amigo’. O Brasil merece destino e imagem melhores”, agulhou.

A presidenta do PCdoB, Luciana Santos, afirmou que com a eleição de Biden os Estados Unidos dizem não às fake news, ao ódio, ao racismo, à homofobia e ao terraplanismo “representados por Trump lá e por Bolsonaro aqui”. “É um resultado a favor da vida, da ciência e da democracia, destacou.

Com a eleição de Biden, os EUA dizem NÃO às fake news, ao ódio, ao racismo, à homofobia e ao terraplanismo representados por Trump lá e por Bolsonaro aqui. É um resultado a favor da vida, da ciência e da democracia.

— Luciana Santos (@lucianasantos) November 7, 2020

Também no campo da oposição ao presidente brasileiro Jair Bolsonaro, fiel aliado de Trump, manifestaram-se diversos representantes políticos. Foi o caso do governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, que aviou a vitória de Biden como uma derrota do que chamou de “politicamente incorreto”. “Um sinal de que a maioria dos americanos estão preocupados com o fortalecimento das instituições democráticas, meio ambiente, direitos humanos e cultura de paz. Um bom sinal para a política mundial”, disse ele no Twitter.

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, afastado por um processo de impeachment, afirmou que “a vitória de Joe Biden representa o fim do extremismo nos Estados Unidos, país que tem forte poder de influência sobre as democracias do mundo”. “Que os ventos do fim do extremismo cheguem ao Brasil também”, afirmou.

Para o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, a eleição de Biden representa uma “vitória da ponderação sobre o extremismo”. “É vitória da civilidade sobre a irracionalidade. Que a mudança semeada pelos americanos sirva de exemplo e pavimente novos e mais felizes caminhos para a democracia e o respeito à diversidade no mundo”, afirmou.

Perpétua Almeida, líder do PCdoB na Câmara dos Deputados, disse que o mundo ficará melhor sem Trump. “A derrota de Trump é a vitória da civilização, da democracia. Daqui a 2 anos, será a nossa vez, Brasil, se Deus quiser!”, considerou. Segundo ela, o resultado “significa a derrota de um extremista autoritário e a vitória da civilização e da democracia. “De nossa parte, não podemos nos permitir uma relação servil nem com Estados Unidos e nem com nação nenhuma, porque as nações não têm amigos, elas têm interesses, que devem ser defendidos por seu povo e seus representantes. Daqui pra frente, espero que o governo Bolsonaro estabeleça relações sadias e de cooperação entre as duas nações”, afirmou.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, avaliou a vitória de Biden como um processo que “restaura os valores da democracia verdadeiramente liberal, que preza pelos direitos humanos, individuais e das minorias”. “Parabenizo o presidente eleito e, em nome da Câmara dos Deputados, reforço os laços de amizade e cooperação entre as duas nações”, disse.

Felipe Santa Cruz, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) afirmou que “a derrota de Trump é um símbolo”. “Será estudada como o início da decadência da política que nasceu decadente e se alastrou breve, porém duramente, por vários cantos do mundo. É o marco da queda do negacionismo. Da era em que foi preciso defender a Terra Redonda”, ironizou

José Guimarães (PT-CE), líder da Minoria na Câmara dos Deputados, avaliou que a vitória de Biden representa não só a derrocada de Trump, mas também uma duríssima derrota para Bolsonaro. “O governo brasileiro se aliou aos interesses norte-americanos e, hoje, está isolado internacionalmente. É também uma derrota do autoritarismo, do ódio, de toda a perversidade que Trump representa”, destacou.

Segundo ele, “os ventos democráticos sopram na América”. “As eleições na Bolívia, o plebiscito no Chile e a derrota de Trump mudam a correlação de forças no mundo. É a vitória da decência, da democracia. Que o novo presidente restabeleça as relações diplomáticas com as nações. Não há mais espaço para a atual subserviência do Estado brasileiro que tanto tem comprometido a nossa soberania. Trata-se de grande vitória que deve ser comemorada por todos os democratas do mundo!”, disse.

O senador José Serra afirmou que a vitória de Biden traz alívio para um mundo submetido à dupla ameaça da pandemia e da competição hegemônica. “Seu compromisso com a democracia, com instituições e acordos internacionais, será bem-vindo por aliados e adversários. Um perfil conciliador e longa experiência de missões diplomáticas limitam riscos de impulsos belicosos, com ameaças à paz mundial. O Brasil só tem a ganhar reiterando sua tradição de cooperação independente com o futuro governo Biden”, afirmou.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) avaliou que a derrota de Trump é uma vitória da humanidade, põe freio ao populismo fascista, devolvem os Estados Unidos para o acordo de Paris, restabelecem a convivência civilizatória e aumenta a pressão por um novo modelo de desenvolvimento no planeta. “Que os ventos do norte cheguem ao Brasil”, destacou.

Alessandro Molon, líder do PSB na Câmara dos Deputados, disse que a derrota de Trump é uma vitória de todo o planeta. A volta dos Estados Unidos ao Acordo de Paris vai aumentar a pressão no mundo pela redução do desmatamento e investimento em energia limpa e sustentável. No Brasil não será diferente, avaliou

Marina Silva, ex-ministra e ex-candidata à Presidência, afirmou que a vitória de Biden “é um sopro de esperança para aqueles que acreditam que a crise civilizatória pode ser superada”. “Ao mesmo tempo, aumenta a responsabilidade de todos aqueles que defendem a democracia e seus valores como essenciais para a construção de caminhos que nos levem a um mundo menos desigual, que valorize a diversidade como força-motriz do desenvolvimento humano e comprometido com o combate à emergência climática”, disse.

Via – Portal Vermelho

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