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quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Sujos da mesma lama, MBL, Doria e Novo querem distância de Bolsonaro

Ninguém mais está querendo sair na foto ao lado de Bolsonaro. O bonde da barbárie está descendo a ladeira sem freio, e cada vez menos gente está disposta a continuar nessa roubada. Quanto mais pessoas pularem fora, melhor. Embora seja tentador, não podemos nos dar ao luxo de ficar apontando dedos. Que os desertores sejam bem-vindos. Mas também não podemos passar pano. Nem rancor, nem flores.

Depois do oportunista Bolsodoria, o governador pode até sair do bolsonarismo, mas o bolsonarismo não sairá dele tão fácil
Por João Filho

A história precisa ser contada com precisão para que nunca mais o país tope uma proposta declaradamente antidemocrática e fascistoide. É fundamental que um país seja transparente com sua própria história. A ditadura militar no Brasil, por exemplo, foi mal contada, e os criminosos do regime não foram devidamente julgados e condenados. Esse foi um dos motivos que nos levou a eleger um defensor do legado dos anos de chumbo.

Doria, MBL e partido Novo foram apoiadores entusiasmados do bolsonarismo no segundo turno das eleições. Para tirar o PT do poder, o trio liberal calculou que valeria a pena embarcar em um projeto extremista, liderado por um ex-militar que passou a vida como um parasita na Câmara e que colocou toda a sua família para mamar nas tetas do serviço público.

Eles consideraram razoável apoiar um candidato que durante sua carreira assumiu ser homofóbico, incentivou a população a sonegar impostos, exaltou a tortura e chamou os direitos humanos de “esterco de vagabundo”. Não foi pouca coisa que eles aceitaram em nome do antipetismo. O “jeito novo de fazer política” abraçou o lado mais caquético e assombroso da velha política na primeira oportunidade. Ninguém irá pular desse barco sem ter manchado a roupa de lama e de sangue.

A afinidade ideológica entre eles não é pequena, é preciso dizer. São muitas as pautas que esses três atores políticos compartilham com o bolsonarismo. Seja na área política, econômica ou moral, há muito mais convergências do que divergências. Portanto, é impossível agora tentar remover as digitais da tragédia instaurada.

Bastou o chimpanzé fascistoide anunciar durante a campanha que Paulo Guedes seria seu futuro ministro da economia que os liberais passaram a vê-lo com outros olhos. Acreditaram que um homem respeitado pelo mercado resolveria todos os nossos problemas, e o homem-primata, devidamente adestrado e comprometido com as reformas, não seria empecilho.

Mas a crença na mão invisível do mercado como saída para todos os problemas não resistiu aos primeiros dias de governo. Bolsonaro se mostrou um desastre sob qualquer ponto de vista. O arrependimento de antigos apoiadores é bem-vindo, mas não beatifica ninguém. Eles sabiam que aquela mão invisível do mercado portava uma metralhadora e aceitaram o rolê.

Doria tem se afastado do bolsonarismo, preparando o terreno para 2022, quando provavelmente se apresentará como uma alternativa moderada à direita. O governador pode até sair do bolsonarismo, mas o bolsonarismo não sairá dele tão fácil. Ele foi o candidato a governador mais entusiasmado com a popularidade da candidatura Bolsonaro. Todos os sinais do apocalipse já estavam ali, mas o tucano não fez qualquer objeção.

O rompimento precoce com o ex-capitão não surpreende. Lealdade nunca foi uma marca de Doria, que ganhou espaço na política na base das traições, chegando a trair seu mentor Geraldo Alckmin. A impopularidade crescente do presidente despertou o apurado senso de oportunismo do tucano que, com dissimulação – essa, sim, sua grande marca –, disse que “nunca esteve alinhado com o governo Bolsonaro”.

Ainda no primeiro turno, quando o PSDB tinha seu candidato, Doria já se mostrava simpático ao bolsonarismo. No segundo, o abraçou com força e passou a propagar o voto Bolsodoria. A aliança não aconteceu apenas por uma estratégia eleitoral em busca dos votos do capitão ou por ser a única alternativa ao PT. Ela se deu por alinhamento ideológico e programático.

Além das afinidades na área econômica e no campo moral, Doria tem o mesmo discurso violento de Bolsonaro para a área de segurança pública, demonstrando igualmente um profundo desprezo aos direitos humanos. O número de assassinatos cometidos por policiais aumentou na gestão do tucano. A flexibilização do porte de armas do governo federal também contou com seu apoio integral.

Doria demonstrou muita indignação com o recente ataque que o presidente desferiu contra o pai do presidente da OAB, morto pelo regime militar. Considerou “inaceitável” e lembrou do seu pai deputado que foi cassado pela ditadura e teve que viver no exílio. Depois de passar muito tempo apoiando sem ressalvas a veneração do bolsonarismo à ditadura militar, Doria subitamente resolveu honrar a memória do seu pai e defender a democracia. Faria o mesmo se a economia estivesse bombando e a popularidade do presidente em alta?

A resposta é óbvia. Essa repaginação da sua imagem é só o primeiro passo para a criação de um novo produto para a próxima eleição: o direitista moderado anti-Lula que rejeitou o bolsonarismo. Como diria o poeta Vanucci, 2022 é logo ali e, portanto, é importante lembrar quem foram os arquitetos da tragédia bolsonarista.

O MBL também não quer ter mais nada a ver com isso daí. É mais um que alimentou o bolsonarismo sem nenhum pudor e que agora decide se afastar. Mas, assim como Doria, o distanciamento é apenas pragmático, porque ideologicamente continuam bastante próximos. O MBL não quer ser lembrado como o grupo liberal que atuou como linha auxiliar da extrema direita, mas como o grupo que só queria livrar o Brasil do PT.

Mas o histórico reacionário do MBL nos leva a crer que esse arrependimento seja puro oportunismo. Não é preciso dizer que eles engoliriam com tranquilidade todos os absurdos autoritários do governo se a economia estivesse bombando. Afinal de contas, estamos falando da turma que se indignou com gente pelada em museu, que foi pras ruas em favor do Escola sem Partido, que nutre um fetiche por Donald Trump e cujo um dos seus líderes é um vereador católico que quer a internação psiquiátrica compulsória de mulheres grávidas que desejam abortar. O MBL pavimentou o caminho da extrema direita. A sua alma bolsominion é inegável.

Em novembro de 2017, o líder do MBL e deputado estadual Mamãe Falei (DEM-SP) deixou claro que as afinidades do grupo com Bolsonaro eram enormes: “Concordamos muito com o Bolsonaro em diversas coisas: revogação do estatuto do desarmamento, redução da maioridade penal… Concordamos em diversas pautas. Inclusive quando ele falou mal da CLT, eu quase soltei fogos na minha casa. Quando ele fala em criar leis antiterroristas que atinjam o MST, eu acho que é um ato de extrema coragem. Eu acho uma palhaçada quando começam a chamá-lo de racista e homofóbico”.

Renan Santos, um dos fundadores do MBL, fez um mea culpa em entrevista recente à Folha. Admitiu que o grupo exagerou na retórica agressiva e que não deveria ter apoiado Bolsonaro, “mas” – sempre tem o “mas” – “não havia o que fazer. Se o PT chegasse ao poder, a gente teria guerra civil. A classe média e o centro-sul não iriam aceitar o resultado”.

Ou seja, ele está dizendo que só apoiou a extrema direita autoritária porque acreditou que a classe média não respeitaria a vontade da maioria e iniciaria uma guerra civil. Para evitar essa ruptura democrática, o MBL então decidiu apoiar um extremista de direita que defende a tortura e renega a democracia.

Não faz o menor sentido, mas nos esforcemos em ser compreensivos e pragmáticos. Que o MBL seja bem-vindo à luz depois dessa longa jornada na escuridão, mas é preciso deixar claro quem eles são e por que pularam do barco. A história mostra que o liberal brasileiro não vê problema em flertar com o totalitarismo quando lhe parece oportuno.

O Novo também não quer mais ser associado ao chimpanzé presidencial. O presidente do partido João Amoêdo disse ao Valor que o “Novo é muito diferente do Bolsonaro”. A desfaçatez dos autoproclamados “novos políticos” é mesmo impressionante. Apesar da fachada gourmet, o Novo sempre se mostrou bastante alinhado às pautas radicais do PSL. Ou alguém considera que essa peça de campanha de Ricardo Salles incitando crime “contra a esquerda” está distante do pensamento padrão bolsonarista?

Ricardo Salles não se elegeu deputado, mas foi acomodado no seio bolsonarista com o cargo de ministro do Meio Ambiente. Na entrevista, João Amoêdo lavou as mãos diante da tenebrosa gestão do seu correligionário: “Ele tem um estilo de atuação mais parecido com o do governo Bolsonaro do que talvez de um governo do Novo”. De qualquer forma, o presidente do Novo acha que “do ponto de vista técnico ele [Salles] tem mais acertado que errado”.

Apesar de querer aparentar distância do governo, o Novo tem sido bastante fiel a ele nas votações no congresso. Luiz Philippe de Orléans e Bragança, o deputado-príncipe do PSL, falou sobre a sintonia entre os partidos: “Basicamente nós temos dois partidos que apoiam integralmente o governo: o PSL e o partido Novo. Os dois têm votado 90% das vezes em consonância com as propostas do governo.”

É compreensível que Amoêdo agora queira se descolar do bolsonarismo, mas ninguém se livra do DNA bolsominion assim tão fácil. Logo nos primeiros dias após a posse, o governador mineiro Romeu Zema, do Novo, demonstrou que o PSL e seu partido estavam alinhadíssimos: “O DNA [dos partidos] coincide 99,5%. Em pouquíssima coisa talvez não estejamos alinhados”.

A principal diferença, segundo ele, é que os bolsonaristas são “um tanto quanto mais exaltados”, enquanto “somos comedidos”, explicou. Ou seja, diferem apenas no tom do reacionarismo, o que me leva a crer que o Novo é basicamente um PSL com focinheira e gravata borboleta.

Todos têm o direito de mudar de opinião, é claro, mas toda inflexão desse tipo na política requer uma justificativa clara, contextualizada e elaborada. Mudar ao sabor dos ventos é oportunismo. Mesmo assim, é salutar esse crescente isolamento do bolsonarismo. Agora, é preciso deixar claro que esse filho feio tem pai. Os liberais precisam assumir a paternidade. Não basta sair à francesa.

Os co-autores deste projeto não podem agora simplesmente lamentar como se tivessem apenas cumprido o papel de inocentes úteis. A história precisa ser bem contada para não ser repetida. O país não pode comprar novamente a ideia de que um extremista alucinado “tinha tudo pra dar certo”, como achou a revista IstoÉ.

terça-feira, 6 de agosto de 2019

UNE e mais 186 entidades estudantis assinam nota contra o "Future-se"

A União Nacional dos Estudantes (UNE) e mais 186 entidades estudantis (entre DCEs, Centros Acadêmicos e Uniões Estaduais dos Estudantes) lançaram neste sábado (3) um manifesto contra o nefasto programa “Future-se”, anunciado pelo MEC no último dia 17 de julho. O documento ressalta a importância da autonomia das universidades federais, assim como sua independência do setor privado.


No Portal Vermelho.

Para os estudantes, o programa vai na contramão dos anseios e necessidades da educação pública brasileira, diminuindo a responsabilidade do financiamento público e sem nenhuma consulta prévia à comunidade acadêmica. “A proposta de captação própria é uma entrega das universidades à uma dependência do setor privado e uma desresponsabilização do governo de financiamento público à educação superior”, aponta a nota.

Conforme o texto, a medida “também significa retirar a autonomia didático-científica e administrativa das universidades, para ficarem cada vez mais à mercê de interesses privados que buscarão retornos de seus investimentos, acabando com a base de financiamento público da universidade”. Confira o manifesto na íntegra:

Nota da União Nacional dos Estudantes (UNE), das Uniões Estaduais dos Estudante (UEEs) e dos diretórios centrais dos estudantes sobre o programa “Future-se”

A cada dia que passa tem ficado mais nítido para a população brasileira que o Governo Bolsonaro tem colocado a Educação no centro de seus ataques. Desde o início do ano nenhuma proposta concreta de política pública para o avanço da educação e a solução dos problemas nessa área foi proposto, pelo contrário, há uma perseguição ideológica, a disseminação de ódio e mentiras contra as universidades, institutos federais, escolas, professores e estudantes, e verbas foram cortadas, tanto do ensino superior quanto do básico.

Mas foi também, a partir do setor da educação, especialmente dos estudantes, que se levantaram as principais manifestações de oposição às medidas do governo e sobretudo em defesa da nossa educação, de mais investimentos, de maior cuidado com nossas instituições, e de um projeto educacional que possa garantir um futuro de desenvolvimento social a nossa nação com formação de qualidade, ciência e tecnologia para um país soberano.

É nesse cenário que recebemos com grande indignação e repudiamos a proposta do programa “Future-se” apresentado pelo Ministério da Educação no último dia 17 de Julho, estamos elaborando estudos mais apurados e detalhados acerca de todos os pontos desse projeto, mas inicialmente podemos destacar alguns motivos em geral que nos levam a essa posição:

1- O governo nem sequer dá respostas sobre o problema imediato das universidades e institutos federais e quer criar um programa para o futuro (qual futuro?). Ao apresentar esse projeto, o MEC pretende jogar para as universidades e institutos federais a responsabilidade de captação via setor privado, reduzindo as responsabilidades do financiamento público, em um momento que essas instituições sofreram um corte de 30% em seu orçamento e correm sérios riscos de terem suas atividades paralisadas no próximo semestre, além de diversas pesquisas que já estão paradas por falta de bolsas para que os estudantes continuem trabalhando.

2- O programa “Future-se” foi construído sem nenhum debate prévio com os setores que compõem a universidade: estudantes, professores, técnico-administrativos, reitores e pró-reitores. Fala-se em discussões com especialistas e empresários, mas em nenhum lugar se explícita quem são. Isso demonstra a que interesses servem a implementação desse projeto, certamente não são os da educação e do povo brasileiro. A criação da consulta virtual é, portanto, uma mera formalidade para apresentar um caráter democrático, mas que é notoriamente uma ferramenta superficial e insuficiente para esse debate, inclusive porque não se explica como será a análise das opiniões coletadas.

3- Não há transparência no debate público do projeto. Na apresentação feita aos reitores, à imprensa e também no documento disponível para a consulta pública, faltam alguns elementos importantes que constam na minuta do projeto de lei do “Future-se” e outros que o próprio ministro só expôs depois através de entrevistas à imprensa, como por exemplo a possibilidade de contratação de professores sem concurso público e por regime da CLT.

4- Um dos principais elementos omitidos é referente às responsabilidades das Organizações Sociais. O que não fica claro nas apresentações do MEC e no documento do “Future-se” é como as OSs poderão exercer atividades fim nas universidades, como contratação de professores, e gestão nas áreas de ensino, pesquisa e extensão, e não só na gestão de serviços como energia, água, limpeza, etc. como se apontava inicialmente. Essa é a principal característica de uma verdadeira terceirização com rumo à privatização da universidade pública brasileira, pois cria uma verdadeira organização paralela dentro das instituições que atende a outros interesses, é o fim da autonomia universitária.

5- A proposta de captação própria é uma entrega das universidades à uma dependência do setor privado e uma desresponsabilização do governo de financiamento público à educação superior. Isso também significa retirar a autonomia didático-científica e administrativa das universidades, para ficarem cada vez mais à mercê de interesses privados que buscarão retornos de seus investimentos, acabando com a base de financiamento público da universidade. O que pode reduzir as áreas de pesquisa, ensino e extensão somente àquelas que agradem mais aos mercados que tenham interesse em financiar determinadas universidades.

6- É o fim da expansão das universidades e pode significar o desaparecimento das federais no interior. Justamente porque uma dependência do setor privado irá forçar a concentração dessas instituições próximas dos grandes centros industriais e financeiros, criando inclusive grandes distorções regionais.

Por fim, entendemos que esse projeto se apresenta com uma máscara de muitas complexidades, entupida de conceitos empresariais, mas vazio de qualquer citação à projetos pedagógicos, categorias científicas e outros elementos fundamentais para uma universidade forte e que sirva ao povo brasileiro. Mas primeiro, por ignorância, repete uma série de atividades que já existem nessas instituições, como os reitores tem insistido, e em segundo propõe descaradamente, embora o ministério tente esconder, um projeto liberal e privatizante para a universidade brasileira, que inverte a lógica que seguimos em toda história da educação brasileira e que tem feito, com investimento público, das nossas universidades federais as melhores do país, responsáveis por grande parte da pesquisa brasileira e referências no mundo todo.

Seguiremos exigindo a devolução imediata das verbas da nossa educação e em defesa da universidade pública e gratuita, com garantia do tripé do ensino, pesquisa e extensão e que tenha um profundo enraizamento com a sociedade na garantia de melhorias para o nosso povo e a soberania do nosso país.

ASSINAM

UEB- UNIÃO DOS ESTUDANTES DA BAHIA

UEE-SP

UEP- União dos Estudantes de Pernambuco Cândido Pintor

UEE – RJ

UCE

UEE LIVRE RS

UPE

UEE – AM

UEE – MG

UEE livre Maranhão

DCE LIVRE DA USP

Diretório Central das e dos Estudantes Livre Carlos Marighella – UESC

DCE UNIJUI Santa Rosa

DCE UFRN

DCE UFOB

-DCE UFBA

-DCE UFF

-Dce UFMT/Rondonópolis

DCE UFOP

DCE UNESPAR

DCE UNICAP

CEU IFRS Viamão

CEU IFRS Rio Grande

DCE IFRS Bento Gonçalves

DCE IFRS Caxias do Sul

DCE IFRS Feliz

DCE IFRS Rolante

DCE UFPel

CEC Unipampa Alegrete

DCE Feevale

DCE UCS

DCE Unicruz

DCE Ulbra

DCE IFRS Porto Alegre

– DCE SOPECE

– DCE Uninabuco Paulista

– DCE Faculdade Nova Roma

– DCE UNIRIO

– DCE UNIMONTES

– CAHIS UFPEL

DCE UNIP

DCE Livre UNINOVE

DCE FMU FIAM FAAM – Dina do Araguaia

DCE MACKENZIE

CES (Centro dos Estudantes de Santos e Região)

DCE UNIITALO

DCE UNICID

DCE Livre da USP – Honestino Guimarães

DCE FATEC

DCE UFABC

DCE UNIFESP

DCE UNISO – Alexandre Vanuchi Leme

DCE UNITAU

DA CASPER LIBERO – Vladmir Herzog

DA FDSBC

DCE ANHANGUERA Campinas & Região

DCE UNICAMP

DCE UESPI

DCE UFRJ

DCE UFPI

DCE UFGD

Diretório central dos estudantes da UFRPE – Odjas Carvalho de Souza

Diretório Central dos estudantes da UPE- Prof Paulo Freire

DCE UFPA

DCE UFOPA

DCE UFRA

DCE UNIFESSPA

DCE UEPA

DCE UNAMA

DCE UFMA

DCE UEMA

DCE Estácio

DCE UFAC

DCE UFMT/SINOP

DCE UFMT/VARZEA GRANDE

DCE UNIFOR

DCE UFC

DCE Estacio CE

DCE UFOP

DCE UFU

DCE UFJF

DCE UFMG

DCE UFRPE

DCE UPE

DCE Facig

DCE Estácio Recife

DCE Famasul

DCE Unicap

Diretório Central dos Estudantes da Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL) campus Grande Florianópolis

Diretório Central dos Estudantes da Universidade federal da Fronteira sul

DCE Fabeja

DCE Facho

DCE Fafire

DCE UFERSA

DCE UFES

DCE da Unilab-Ce

DCE José Montenegro de Lima-IFCE

DCE Centec- Quixeramobim

DCE Ciswal Santos – Fatec Cariri

DCE da Faculdade de Juazeiro do Norte

DCE IFRS Osório

DCE UniCruz

DCE ULBRA RS

DCE Ideau Caxias do Sul

DCE UFRN

– DCE UFPI

– DCE UFABC

-DCE IFPI

– DCE UFFS Erechim

– DCE UFRGS

DCE UFG

Centro Academico de Letras – Francês UFAM

Centro Acadêmico da Escola de Comunicação UFRJ (CAECO)

DCE UFPR

DCE UNIFACS

CA de engenharia ambiental e sanitária do IFCE – Maracanaú

CA de engenharia de controle e automação do IFCE – Maracanaú

Centro Acadêmico Luísa Mahin – Pedagogia UFF/Angra

Centro Acadêmico Manoel Moraes – Políticas Públicas UFF/Angra

Centro Acadêmico do Bacharelado Interdisciplinar em Humanidades- Unilab/Ce

Centro acadêmico de letras da Unilab/Ce

Centro Acadêmico de Engenharia Mecânica do IFBA – Jequié

DCE UESB – Jequié

Centro Acadêmico de Letras Pedro Rodrigues Salgueiro – IFCE Campus Umirim

Centro Acadêmico de Tecnologia em Alimentos-Fatec Cariri

Centro acadêmico Batista Neto – Ciências sociais – UFC

DCE FJN – Faculdade de Juazeiro do Norte

Centro Acadêmico Nilo Peçanha – Gestão Pública IFSP

Centro Acadêmico Centro Acadêmico de História Maurício Manoel de Albuquerque (CAMMA/UFRJ)

Centro Acadêmico de Ciências Sociais – Heloísa Manzano UFT – Porto Nacional

Centro Acadêmico Cândido de Oliveira – (FND/UFRJ)

Centro Acadêmico de Gestão de Turismo- DE TODAS AS VOZES- IFCE CAMPUS CANINDÉ.
DCE UPF

– Diretório Acadêmico América Latina Livre IFCH UPF

– Diretório Acadêmico Santo Agostinho Faculdade de Educação UPF

– Centro Acadêmico de História Assentamento 10 de Abril – Universidade Regional do Cariri

– DCE UFV

– Centro Acadêmico de Pedagogia UPE – Campus Garanhuns

– Centro Acadêmico de Psicologia UPE – Campus Garanhuns

-Centro acadêmico de História, CAHIS UFPI, Teresina.

– CACOS Vladimir Herzog – UEPB

– Centro acadêmico de Ciências Sociais UFPI

– CAXIM|UFG

– DCE UFRJ

– CAFIL UFCG

– CA de Pedagogia UFCG

– CA de Nutrição UFCG Cuité

– DCE UFMT Cuiabá

– CA de Ciência e Tecnologia da UFBA

– DA de História da UNEB Campus IV (Jacobina)

– Diretório Acadêmico Carlos Gomes – Faculdade de Artes e Comunicação UPF

– Diretório Acadêmico de Física da UNICAP – Padre Machado

– Diretório Acadêmico de História da UNICAP – Maria da Glória Dias Medeiros

– DAFA U

FRGS

– CA Xico Sá de Jornalismo UFCA

– CA de Matemática UFCG

– Centro Acadêmico de Pedagogia – CAPED/UFPI

– Centro Acadêmico de Letras Torquato Neto – CALTNe/UFPI

-Centro Acadêmico de Moda, Design e Estilismo, CAMDE/UFPI

-Centro Acadêmico de Enfermagem, CAENF/UFPI

-Centro Acadêmico de Biologia, CABIO/UFPI

– Diretório Acadêmico de História Tamires Suriel (DAHIS UFRRJ – Seropédica)

– Diretório Acadêmico de Geografia (DAGEO- UFPE)

– DCE UNISUAM

– Federação do Movimento Estudantil de História – FEMEH

– Centro Acadêmico Cromwell de Carvalho (CACC), Direito/UFPI

– Centro Acadêmico de Física – CAFIS/UFPI

-Centro acadêmico de História, CAHIS UFMG

– DCE Unisãomiguel

– Centro acadêmico de educação física, CAEF/UFPI.

– DCE CEFET/RJ

– CA de Linguas Estrangeiras Aplicadas às Negociações Internacionais CALEA CEFET/RJ

– CAEng CEFET/RJ Campus Nova Iguaçu

– Centro Acadêmico de Turismo – CAT CEFET/RJ Campus Petrópolis

– Centro Acadêmico Afonso Ricardo Vaz – Física CAARV CEFET/RJ Campus Petrópolis

– CA de Gestão de Turismo – CATur CEFET/RJ Campus Nova Friburgo

– CA de Fisica – CAFIS CEFET/RJ Campus Nova Friburgo

– Centro Acadêmico de Pedagogia – UFPA

– Centro Acadêmico de Educação do Campo, CA – LEDOC/UFPI.

– DCE UEZO

– Centro acadêmico de farmácia – GALENOS DO OESTE/UEZO

– CAHIS USP

– CAHIS UEPA CAMPUS XI

– Centro acadêmico de Engenharia Florestal, CAEF UFPI/CPCE, Bom Jesus-PI.

– DCE Luis Travassos – UFSC

– Centro Acadêmico de Arqueologia – CAARQ/UFPI

– Diretório Acadêmico das Licenciaturas do IFSP – DALC

– Centro Acadêmico de História- CAHIS UFF

– Centro Acadêmico de História (CAHIS) – UFF NITERÓI

– Cahis Unimontes – MG

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Queda no índice de vacinação revela risco de propagação do sarampo na região

A única forma de prevenção contra o sarampo é a vacinação. A doença vem acompanhada de uma série de sintomas e pode deixar sequelas neurológicas graves e até mesmo levar à morte. Mesmo assim, o índice de imunização tem caído gradualmente nos últimos anos.


Por Reinaldo Silva
reinaldo@diariodonoroeste.com.br

Um estudo feito pela 14ª Regional de Saúde de Paranavaí, entre 2015 e 2018, analisou o comportamento da população do Noroeste do Paraná em relação a oito vacinas distribuídas gratuitamente na rede pública, entre as quais, a que garante proteção contra o sarampo.

Nesse período, 50% dos municípios da região alcançaram a cobertura vacinal entre as crianças menores de um ano de idade, na primeira dose. O índice caiu para 34,8% entre a população de até um ano e três meses.

A situação identificada no Noroeste do Paraná é reflexo do que acontece em todo o Brasil. De acordo com a 14ª Regional de Saúde, o número de pessoas sendo vacinadas diminui de maneira exponencial, especialmente a partir de 2016.

Vários fatores influenciaram para esse cenário. Um dele é a erradicação de doenças, como o sarampo, que provoca na população a falsa sensação de que a vacina é desnecessária. A divulgação massiva de notícias e publicações em redes sociais contrárias à vacinação também contribui para isso.

PREOCUPAÇÃO COM O SARAMPO – O Paraná não tem confirmações de sarampo, mas se trata de uma doença altamente contagiosa que atinge o estado vizinho, São Paulo, onde foram registrados 567 casos positivos.
De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), cinco pessoas com suspeita da doença vindas de São Paulo passaram pelo Paraná. Por isso, a preocupação é com a possibilidade de contágio entre os paranaenses. Sendo assim, estão sendo discutidas estratégias de prevenção nos municípios.

Entre as orientações da 14ª Regional de Saúde para as equipes técnicas está a intensificação de buscas ativas, ou seja, a identificação de pessoas que não tenham sido vacinadas e que precisam ser encaminhadas para a unidade básica de saúde para receberem imunização.

À população, a Regional de Saúde destaca a necessidade de se proteger contra o sarampo, doença que pode provocar cegueira, retardo mental, otite grave (que pode levar à meningite) e morte. Na dúvida sobre o quadro vacinal, o ideal é procurar a UBS e se informar. Se houver necessidade, tomar a vacina.

sábado, 3 de agosto de 2019

Das normalidades: fascismo e o Brasil sob Bolsonaro

Há projeto a partir da desagregação? Por que ainda temos tanta polidez no uso do conceito de fascismo, quase sempre prenhe de prenomes latinos, aspas e constrangimentos os mais diversos?

Por Carlos Eduardo Rebuá – Blog Boitempo


“O tempo é uma construção social.
Toda ordem social é marcada, à sua maneira, pelo controle do tempo;
essa talvez seja a face mais invisível e mais onipresente do poder.”
[Maria Rita Kehl, O tempo e o cão]

“Essa forma de dominação através da
dinâmica temporal que vem a ser o capitalismo.”
[Postone apud Arantes, O novo tempo do mundo]

O filme O sacrifício do cervo sagrado (2017), dirigido por Yorgos Lanthimos, narra a história de Dr. Steven Murphy (Colin Farrell), responsável pela morte de um homem em sua mesa de cirurgia, e o jovem Martin (Barry Keoghan), filho do paciente, com quem estabelece uma delicada relação após a tragédia. A trama é tecida a partir do vínculo de um adolescente com o cardiologista, sua esposa Anna (Nicole Kidman) e seus dois filhos, o caçula Bob, e a moça Kim. De um aparente vínculo de amizade revela-se um processo doentio que amalgama culpa e vingança, suscetibilidade e ódio, sobretudo quando os filhos do médico são acometidos por uma agressiva doença que os paralisa as pernas e degenera rapidamente o organismo.

Recorrente na narrativa do diretor grego, como em O Lagosta (2015), uma sensibilidade passiva ou um tipo de reação apática dos sujeitos encarna uma espessura quase incomum diante da dor repentina, do trauma. A materialização do mal não incita, de início, o susto, a resposta enérgica, o movimento, mas a quase normalização, provocando no espectador um tempo angustiante. O final da obra de certa maneira apresenta uma resolução possível, sem, no entanto, abrir mão do mal-estar e do choque como afetos.

Na Nova República nunca sentimos tanto medo como agora, um tempo presente anterior ao do governo Bolsonaro, mas organizado em termos de vontade coletiva a partir de sua eleição, valendo-se da desorganização, do caos e do incremento das formas de violência. Outro ingrediente que traduz relações de força nesta média conjuntura é o desencantamento de amplos setores, resultado de políticas e razões neoliberais, da agressão enquanto gramática institucional, da crise econômica mundial e de pactos sociais pra menos, ambos eliminando possibilidades concretas de experiências democráticas e o enfrentamento de nossos estorvos.

Não custa lembrar uma sequência cronológica imprescindível que começa em Junho e nas diversas polarizações no Estado ampliado, que não foram vitória ou derrota simplesmente, mas a tradução de colapsos reais de/em nossa democracia fantasmagórica[1]que é commodity e holograma. Em seguida temos o Golpe de 2016, passando pelo assassinato de Marielle, a prisão de Lula, a metástase das fake news no processo eleitoral de 2018, a perseguição nas universidades federais a estudantes e movimentos antifascistas sob comando do TSE.

Duas questões nos mobilizam nestas breves palavras: (i) há projeto a partir da desagregação? (ii) por que ainda temos tanta polidez no uso do conceito de fascismo, quase sempre prenhe de prenomes latinos, aspas e constrangimentos os mais diversos? Rapidamente, como um trailer, entendemos que para a primeira pergunta a resposta é sim e as negações têm justificação, em maior ou menor grau, na incompreensão da ideologia enquanto hegemonia de sentido e da hegemonia enquanto ação pedagógica. Para o segundo, temos (a esquerda brasileira em todas as suas frentes) subestimado historicamente a força da fragmentação e os impactos de nosso jeito especial de elaborar coletivamente a dor, o trauma, o sofrimento nos modos de subjetivação dos processos históricos, na experiência política, no humor, nas utopias, na indústria cultural, nos espaços de saber.

Numa cola entre os dois pontos de inflexão há um nexo causal entre o desmanche de formas de solidariedade/horizontes de mudança e o efeito paralaxe de muitas interpretações do fascismo, desviadas da urgente atualização de suas morfologias contemporâneas. A sociedade neo-neo (neoliberal-neoconservadora) da transição do XX para o XXI é decisiva na obliteração da percepção da catástrofe molecular do tempo fascista, uma temporalidade que permanece para além da cronologia histórica do fascismo e que fantasmagoriza visões de conjunto, porque funcional à generalização violenta, mas palatável da cultura capitalista em todas as dimensões da vida. Essa temporalidade, uma vez que o capitalismo é também um modo de dominação temporal, dissemina experiências da duração vinculadas a perspectivas de desencantamento, à violência, à fraude, à linearidade, à rapidez. Nem toda configuração nesses termos termina em fascismos, mas todos os fascismos a contemplam.

Defendemos que no longo e difuso processo de fascistização[2] da cultura, as sociedades mais bem-sucedidas no controle do embate entre memória e história, na lobotomia do luto e do trauma, de onde o Brasil é caso paradigmático, têm fecundado generalizações da alienação – fantasmagorias, que são projeções enganosas e enganos projetados –, capazes de negar cinicamente a escravidão, as ditaduras, o nazismo, a tortura, as lutas de mulheres, LGBT’s, negros, favelados, professores, índios, nordestinos. A interpretação de Gramsci do fascismo como um tipo de gestão das novas formas de conflito social[3] nos parece atualíssima. Ele não pôde verificar os deslocamentos recentes onde fascismo ultraliberal e neofascismo bolsonariano[4] se coadunam, tampouco as hesitações acadêmicas por aqui em estabelecer novas sínteses entre colonialidade, escravidão, neoliberalismo, dependência, fascismo, como se habitassem cada um o seu quadrado teórico-conceitual sem franjas, fronteiras.

Nos parece que houve um excesso, nas últimas décadas, de análises políticas do fascismo dissociadas de sua decupagem filosófica, de uma interlocução com o que podemos chamar de filosofia crítica antifascista, o que aprofundou nosso estranhamento de formas de fascismo atualizadas, mas nem por isso menos trágicas. O trato de seus efeitos hoje aparece em diversas análises como descolado de uma interpretação não evolutiva do tempo: nossos próprios usos do “neo”, indicando apenas o novo e não os museus de grandes novidades, apontam para este sintoma da duração como continuum. Se a fascistização é processo então precisamos de menos prefixos e mais atenção ao que os sufixos podem nos dizer.

Em meio à ampliação do estado de exceção no núcleo hegemônico do capitalismo, principalmente em suas periferias, três pensadores merecem destaque como antídotos para a patologia citada, ao reforçarem o fenômeno do fascismo como permanência heterogênea e, por isso, usarem fascismo sem constrangimentos filológicos ou políticos: Leandro Konder[5], Umberto Eco[6] e Octavio Ianni[7].

Konder defendia que o reaparecimento do fascismo, sob condições históricas particulares, não seria óbvio, devendo ser considerado sempre em seus movimentos de reinvenção, transformação, ou seja, em seu desenvolvimento, sem elaborações de modelos esquemáticos. Por sua vez, Eco defende que é preciso matizar alguns traços recorrentes do fascismo sem perder de vista suas contradições fundamentais, atentando para o fato de que se apenas uma característica se apresentar já temos matéria-prima para a formação de uma nebulosa fascista. O culto da tradição, a recusa da modernidade, o deslocamento da vontade de poder para questões sexuais, o desprezo pelos fracos, a violência permanente, o heroísmo como norma são algumas das quatorze faces do Ur-Fascismo (fascismo eterno) que periodicamente retorna sob vestes inocentes e invólucros novos, devendo urgentemente ser desmascarado. Finalmente, Ianni demarca o fascismo como uma ativa e agressiva cultura política que avançou no XX, assumindo com o neoliberalismo a condição de sua religião, na esteira dos efeitos de ampliação do sentimento de desencantamento do mundo e das fraturas sociais provocadas pelos mecanismos neoliberais. Sendo intermitente, difuso e esporádico, o fascismo – ele utiliza nazi-fascismo – também se amplia na medida em que a globalização expande toda a soma de experiências catastróficas.

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

O Fetiche e a sedução na engenharia social em “A.I. Rising”

Ao lado de filmes como “Ela”, “Ex Machina”, “The Machine” e “Zoe”, a produção sérvia “A.I. Rising” (2018) faz uma reflexão das profundas mudanças no atual desenvolvimento da Inteligência Artificial, presente em cada aplicativo, motor de busca ou sistema operacional. Já não temos mais máquinas ameaçadoras querendo substituir o homem, como o computador HAL 9000 de “2001”. 


Por Wilson Roberto Vieira Ferreira

Através da engenharia social, agora criam-se programas sedutores e fetichistas que oferecem a aparência do controle ao usuário. Mas que, na verdade, nos monitoram, controlam e preveem cada padrão comportamental, sob a ilusão da customização e consumo. O astronauta Milutin, acompanhado de um androide feminino, percorrem uma longa missão na direção de Alfa Centauri. Trava-se uma relação intima, erótica e fetichista de um homem com uma “I.A.” corporativa, produto de ponta da engenharia social da Ederlezi Corporation.

Os leitores mais antigos deste humilde blog Cinegnose já devem estar familiarizados com a Cosmologia do Gnosticismo: uma divindade decaiu nessa esfera material e criou o Universo, tal como conhecemos. Inebriado pelo poder, por acreditar ser o Deus único e Todo Poderoso, confina a humanidade nesse cosmos, mantendo-a na ignorância através de três tentações irradiadas tanto pelos Arcontes como também pela indústria do entretenimento: as religiões consoladoras, o hedonismo (sexo perverso e consumismo) e a racionalização terapêutica (a engenharia do espírito).

São formas de esquecimento, seja pela alienação religiosa, pelos prazeres efêmeros ou pela anestesia do espírito.

À Religião, erotização do consumo e todo aparato de “cura espiritual” (da autoajuda às drogas lícitas farmacológicas), soma-se agora a engenharia social – manipulação psicológica com o objetivo de que as pessoas sigam comandos a partir de informações comportamentais e psicológicas secretamente extraídas de amplos públicos-alvo. 

Principalmente na atualidade, com o desenvolvimento da Inteligência Artificial através de motores de busca na Internet, Big Data, machine learnings e algoritmos que probabilisticamente antecipam comportamentos, hábitos e atitudes.

Mas a vantagem da engenharia social em relação às formas tradicionais de esquecimento (alienação, hedonismo e anestesia) é que não precisamos mais procurar um objeto externo: um deus, um produto ou uma droga. Agora, encontramos gadgets (IAs, aplicativos, sistemas operacionais etc.) que aprendem conosco e passam a nos conhecer melhor do que nós mesmos.

Filmes como Ela, Ex Machina, The Machine ou Zoe começaram a fazer reflexões sobre o destino humano diante dessa nova engenharia, ao mesmo tempo invasiva e sedutora: porque são confessionais e até íntimas – nos conhecem, nos adulam e antecipam nossos pensamentos e ações.

Uma nova forma de esquecimento, através do solipsismo – a sensação de que o mundo não existe, a não ser nossas próprias experiências solitárias.

O filme sérvio A.I. Rising (2018), em alguns aspectos, lembra 2001 de Kubrick: o ritmo lento e as panorâmicas do espaço infinito mostrando uma nave em uma longa missão para uma colônia de Alpha Centauri. E a relação íntima de uma tripulação composta por um único astronauta, o computador da imensa nave e um androide feminino dotado de sofisticados softwares baseado nas avançadas pesquisas de engenharia social no século XXII.

Mas, ao contrário do clássico de Kubrick, não há um duelo mortal do homem contra a máquina. O protagonista luta contra si mesmo – os softwares do androide possuem todas as teorias da psicologia e da psicanálise transcodificadas em algoritmos, transformando o drama do protagonista num confronto com uma máquina que parece conhecer seu usuário mais do que ele mesmo.

Ele quer buscar algo de humano e real dentro da A.I. Enquanto para o androide tudo que importa é seduzir o “usuário” para que este cumpra a missão da Ederlezi Corporation.

O Filme
  Estamos em 2.148. Social e economicamente, o mundo conseguiu estabelecer uma fusão entre Capitalismo e Socialismo: a sociedade é governada por gigantescas corporações, cuja engenharia social conseguiu transformar em algoritmos e softwares teorias sociais, psicológicas e ideologias políticas.

Depois que cada pedaço do planeta já foi explorado pelas corporações, o alvo agora são as colônias existentes em diversos planetas. Por isso, é crucial enviar para cada uma delas uma “ideologia” que rodará como um software numa colônia, dando sentido e propósito a todos.

A.I. Rising inicia com uma entrevista admissional para uma longa missão: uma engenheira social da Ederlezi Corporation entrevista Milutin (Sebastian Cavazzi), um experiente “cosmonauta” (estamos em Moscou) que deverá levar uma ideologia chamada “Juche” – um tipo de ideologia para “especialistas”. O filme não dá maiores detalhes.

Milutin é uma pessoa arredia, solitária e antipática. Um homem ao velho estilo do século XX. Sempre preferiu trabalhar em missões solitárias. Mas dessa vez, pela importância e duração da missão, Milutin terá uma companhia: um androide feminino modelo Nimani 1345 (Stoya) – uma AI avançada, customizável, mas com um programa secreto, corporativo, para o qual Milutin não terá acesso: o “TIFA”. Um programa que monitora a nave e, principalmente, comportamentos e atitudes de Milutin. Que serão reportados à Ederlezi Corporation.

Machista e misógino, Milutin resiste à inédita companhia: ele teve um histórico traumático com diversas mulheres. Principalmente porque ele descobrirá que, na verdade, é ela, Nimani, que terá o controle da missão.

Está claro que o primeiro papel da atraente Nimani é tornar a longa viagem mais agradável e suportável. A nave não é exatamente uma Enterprise, de Star Trek. Parece mais uma velha instalação industrial abandonada, com paredes de aço enferrujadas. Por isso, ter um “playtoy” erótico inteiramente sob seu controle através de um tablet, é bem sedutor.

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Flávio Dino: Crise da democracia e sistema de Justiça, por Josias Pires Neto

O punitivismo contra o “inimigo”, o diferente, o Outro, alimentou, segundo Flávio Dino, o ethos fascista, que milita para a destruição do diferente.

Foto: Agência Brasil
Por Josias Pires Neto

A prevalência do “direito penal do inimigo” é um dos sintomas mais nefastos da crise atual da democracia no Brasil, afirmou o governador do Maranhão, Flávio Dino em palestra “Crise da democracia e sistema de Justiça”, promovida pela Associação Advogadas e Advogados Públicos para a democracia”, em Brasília.

– O juiz só é legítimo se for distante das partes. Juiz que é sócio de uma das partes é tudo menos Juiz”, definiu. O governador comentou que o estado policial está presente nas periferias das cidades no Brasil há muito tempo e agora generalizou-se para outras esferas da sociedade.


Outro sintoma da crise da democracia para o governador é o uso do argumento de combater a corrupção, aspiração de toda a sociedade digna, para criar a instituição “força tarefa da lava jato”, dirigida pelo juiz que atuou para destruir o inimigo político usando o direito penal do inimigo, afirmando que os fins justificam os meios.

Sabemos como os meios determinam os fins, poderia ter dito o governador. O punitivismo contra o “inimigo”, o diferente, o Outro, alimentou, segundo Flávio Dino, o ethos fascista, que milita para a destruição do diferente dele, como fizeram com os judeus, emigrantes, e agora paraíbas.

O terceiro sintoma da crise apontado por Flávio Dino é a “perda da centralidade da noção de solidariedade”, noção que foi substituída pela de “meritocracia”. Como pode comparar méritos das pessoas – qualidades e habilidades – sem levar em conta as condições de desigualdades abissais onde elas nascem e vivem no Brasil? “O fim da previdência solidária e a liberação do porte de armas indica que querem aprofundar a sensação de “salve-se quem puder”, alertou Flávio Dino.

Em meio a crise econômica e a emergência de alternativas autoritárias emergiu os “prostitutos da coisa pública” como nomeou Reinaldo Azevedo, pedindo desculpa às prostitutas que vendem algo seu, seu corpo, enquanto os agentes públicos que abusam com a coisa pública são agentes do submundo do crime. Isto viceja em meio à disseminação da ideologia do Estado puro, justo, como se fosse Deus, enquanto se vende a ideia de que o Diabo é o Estado, o satanás, o mal, o vício. Falácia utilizada para justificar a privatizar tudo, as empresas e as riquezas nacionais.

A perda da soberania nacional torna ainda mais difícil superar a “obscena desigualdade social e regional” brasileira, lembra o governador do Maranhão. O sistema judicial trabalhou para ruir o sistema partidário que surgiu em torno dos valores da Constituição de 1988. Jogou o país na crise de representação que se generaliza no mundo com a democracia liberal.  No Brasil. sobrou para Bolsonaro como alternativa à crise de representação. Para enfrentar superar a crise será preciso ampliar possibilidades de democracia direta, hoje afetada pelos modos como a extrema-direita usa as redes sociais e a internet como um todo para a formação de vontades.

Como a esquerda conseguirá o uso da Internet para a formação de vontades progressistas? É a questão da hora. A direita tem logrado manipular a opinião de parcelas da sociedade, como já faz com o uso da grande mídia. Hoje nos batemos sobre como fazer com o Whatsapp. Contou uma piada: “Deus criou a tecnologia da comunicação digital instantânea, mas o diabo criou os grupos de Whatsapp”. Como fazer para ter controle democrático sobre a circulação de notícias pelo Whattsap e por outras redes da Internet?  A questão tornou-se de alta relevância para a democracia. A Internet é como a ágora grega, na qual também havia excluídos. Como regular esta ágora atual em favor do bem estar da pólis e de todos os cidadãos?  

Prólogo

 Há indícios de que o ex-juiz Moro tem bastante proximidade com autoridades policiais e judiciais norte-americanas. Pode ter cometido crime de lesa pátria por ter patrocinado o fechamento de empresas brasileiras de construção pesada e demissão de 350 mil trabalhadores.

Agora, a fogueira queimando Moro, Dellagnol e a Lava Jato incendeia parte do esquema do poder atual. Eles reagem tentando jogar o foco no suposto Hacker sobre o PT e os novos aloprados. É preciso haver investigação imparcial. Haverá? 

O suposto hacker preso, filiado ao DEM, estelionatário, passou oito anos com a conta de twitter desativada, voltou ativá-la em maio de 2019 e seu primeiro seguidor o site Antagonista. Estranho héim?

O jornalista conservador Jose Nêumanne em programa de rádio e texto no blog do Estadão disse que a ABIN de Dilma teria gravado o então juiz da 13a. Vara de Curitiba. Se isto for verdade significa dizer os hackers de Araraquara teriam sido bancados pela ABIN do general Heleno?

 Desde a vitória de Bolsonaro vivemos na terrível expectativa de um tempo de caça às bruxas. No dia da eleição, à noite, em fala por telefone para seus seguidores na avenida Paulista, Bolsonaro prometeu prender e expulsar a esquerda do país. Acredito que só não fez isto imediatamente porque estourou o escândalo do Flávio Queiroz, o filho, o depósito bancário na conta da primeira dama, a esposa do presidente. Ali a coisa trincou e a legitimidade para prender e arrebentar ficou suspensa. Até o Carnaval Bolsonaro foi escrachado. Mas o Queiroz evaporou-se. Na surdina o esquema de informação foi sendo estruturado por meio de vários decretos, como demonstrou o antropólogo Piero Leirner, para controlar as questões de segurança, direitos humanos, indígenas, minorias, ongs, etc.

Alguns acreditam que a Vaza Jato poderia ter sido montada para justificar o fechamento do regime. Na minha modesta opinião é uma hipótese derrotista, pois parte do princípio de que o desejo de fechar o regime será satisfeito apenas devido a força da vontade dos generais. É preciso considerar que a Vaza Jato envenenou a legitimidade de Moro e da Lava Jato, a mais poderosa instituição contra a democracia brasileira. É preciso destruir essa instituição para que a luta pela corrupção possa ser feito dentro da lei.

 Como tem denunciado a oposição e a imprensa independente, Moro é corrupto no uso da lei, da justiça. E agora o ministro parece que deu a entender que pode chantagear o país, como se estivesse acima de tudo e de todos. Segundo a OAB o ex-juiz teria praticado atos tipificados como de organização criminosa. Os brasileiros precisam fazer valer o império da lei e da ordem, ordem que respeita a lei e as garantias fundamentais e não a lei e a ordem de ditadores.

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