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terça-feira, 19 de maio de 2020

Ho Chi Minh: Aquele que ilumina

A Editora Anita Garibaldi acaba de lançar o livro “Ho Chi Minh – Vida e obra do líder da libertação nacional do Vietnã”


Por José Carlos Ruy

Em 2 de setembro de 1945, mais de um milhão de pessoas se acotovelaram, na praça Ba Dinh, em Hanoi, para ouvir a leitura da Declaração da Independência da República Democrática do Vietnã, lida pelo líder nacional Ho Chi Minh. O texto em português daquela declaração faz parte do livro ora lançado pela Editora Anita Garibaldi, com apoio da Embaixada da República Socialista do Vietnã no Brasil, organizado por Pedro de Oliveira, sob o título “Ho Chi Minh – Vida e obra do líder da libertação nacional do Vietnã”.

É um livro memorável que registra a finura e amplitude políticas de Ho Chi Minh, o grande líder da revolução vietnamita que derrotou três imperialismos na busca da autonomia e independência nacional – a França, o Japão e os EUA.

Na Declaração da Independência, há a referência direta às Declarações de Independência dos Estados Unidos, de 1776, e a Declaração da Revolução Francesa, de 1791. “Todos os homens são criados iguais. Eles são dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, entre eles a vida, a liberdade e a busca pela felicidade”.

São referências notáveis – a França era a metrópole colonial perante a qual o Vietnã declarava sua independência, e os Estados Unidos, a potência imperialista que se engajaria numa guerra selvagem contra a soberania e autonomia do Vietnã. Referência notável porque ecoa, na afirmação da independência do Vietnã, de forma clara, o caráter da luta nacional e democrática do povo vietnamita, ao de luta semelhante dos povos da França e dos EUA – que, em tempos passados, buscaram objetivos semelhantes aos que o povo do Vietnã buscava, em pleno século 20.

A antologia de textos que faz parte do livro agora lançado, revela Ho Chi Minh, um homem modesto e simples, como um gigante do pensamento e da ação política revolucionária que ele foi.

O livro é composto por um prefácio de Renato Rabelo (presidente da Fundação Maurício Grabois), uma introdução de autoria do organizador Pedro de Oliveira, a cronologia da vida de Ho Chi Minh, um caderno de imagens do líder revolucionário vietnamita e uma entrevista com Do Ba Khoa, embaixador da República Socialista do Vietnã.

Mas o grosso do livro é formado pela antologia de textos de Ho Chi Minh, finalizando com o poema “Ao fim de quatro meses”, escrito por ele num dos momentos em que passou pela prisão.

A antologia de textos é de grande importância, e permite que se aprofunde o conhecimento da obra daquele que pode ser visto como um continuador de Lênin no Oriente.

Formada por textos desde um escrito em 1919 – “Reivindicações do povo anamita” – até o “Testamento” que escreveu em 1969, apenas quatro meses antes de deixar a vida, aos 79 anos de idade.

Esta coleção de textos de Ho Chi Minh pode ser lida de forma prazerosa e agradável pois, sendo poeta, Ho Chi Minh aplica esta habilidade à escrita, mesmo de natureza política. Mas, mais importante que isso, os textos de Ho Chi Minh revelam sua grande preocupação contra todas as formas de opressão. E deixam claras as barbaridades cometidas pelos dominadores, sejam de classe, de raça ou de gênero. Há relatos jornalísticos comoventes, pela dramaticidade, sobre crimes bárbaros cometidos por europeus “civilizados” – desde agressões físicas ou verbais até estupros e assassinatos cometidos impunemente por colonizadores. Há também a descrição em cores vivas da crueldade de linchamentos racistas, de negros ou brancos que os apoiassem, que eram quase cotidianos nos EUA.

Há também o relato da construção política e ideológica de organizações revolucionárias, na França e, depois, na Indochina e no Vietnã. Sua preocupação permanente com a formação dos militantes revolucionários e comunistas – num texto chama a atenção para o maior valor da qualidade, ante a quantidade, no espírito leninista do mais vale pouco mas bom.

Como chefe de Estado, depois de 1945, empenhou-se profundamente na alfabetização de trabalhadores e camponeses, num esforço constante e consistente pela ampliação de sua consciência política.

Há textos que explicitam a forte ligação do pensamento de Ho Chi Minh ao do revolucionário russo Vladimir Ilich Lênin. Aliás, no texto “O caminho que me levou ao leninismo”, Ho Chi Minh lembra sua emoção ao participar nos debates, no Partido Socialista Francês (que depois se tornou o Partido Comunista Francês) sobre a participação na III Internacional, fundada por Lênin em 1919.

“O que eu mais queria saber – e o que justamente não era debatido nos encontros – era: qual Internacional está do lado dos povos das colônias? Eu levantei essa dúvida – a mais importante em minha opinião – no encontro. Alguns camaradas responderam: ‘é a III Internacional, não a II’. E um camarada me deu para ler a ‘Tese sobre as questões nacionais e coloniais’ de Lênin, publicadas pela ‘L’Humanité’. Havia termos políticos difíceis de entender nessa tese. Mas, por meio do esforço de lê-la e relê-la, pude finalmente apreender a maior parte deles. Que emoção, entusiasmo, esclarecimento e confiança essa obra provocou em mim!”

Ou seja, identificou em Lênin não só o patriotismo, mas, sobretudo, a visão de que a luta pela soberania nacional está ligada à luta pela emancipação da classe mais oprimida, contra o domínio capitalista.

Esta visão fez a força do pensamento de Ho Chi Minh ao identificar a luta nacional com a luta social, de classes, aliando-se a todas as forças sociais capazes de combater pela libertação de todos os homens, de lutar contra todas as formas de opressão.

As ideias que, fundamentadas nos ensinamentos de Marx. Engels e Lênin, fizeram de Ho Chi Minh o dirigente da luta pela independência do Vietnã, que derrotou três imperialismos – o francês, o japonês e o estadunidense – e que, hoje, iluminam a luta pela libertação nacional, contra o imperialismo e a luta de classes, contra o domínio capitalista. O significado do nome Ho Chi Minh permanece válido: “Aquele que ilumina”.

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Bolsonaro não é louco

Ruth de Aquino

Por Ruth de Aquino em O Clobo

Vamos chamar a coisa pelo nome. O presidente eleito por milhões de brasileiros não é louco. Psicóticos e neuróticos podem ser classificados assim. Eles sofrem e enxergam o sofrimento do outro. Eles não têm método. Bolsonaro é diferente. Pelos estudos da psiquiatria inglesa no século XIX, Bolsonaro se encaixaria em outra categoria: a dos psicopatas. Conversei com o psicanalista Joel Birman para entender essas fronteiras entre transtornos mentais. "A psicopatia não é uma loucura no sentido clássico, mas uma insanidade moral, um desvio de caráter de quem não tem como se retificar porque não sente culpa ou remorso". Os psicopatas são "autocentrados, agem com frieza e método". "Não têm método. Bolsonaro é diferente. Pelos estudos da psiquiatria inglesa no século XIX, Bolsonaro se encaixaria em outra categoria: a dos psicopatas.

Conversei com o psicanalista Joel Birman para entender essas fronteiras entre transtornos mentais. "A psicopatia não é uma loucura no sentido clássico, mas uma insanidade moral, um desvio de caráter de quem não tem como se retificar porque não sente culpa ou remorso". Os psicopatas são "autocentrados, agem com frieza e método". "Não têm empatia em relação ao outro, o que lhes interessa é o que lhes convém". A palavra psicopatia vem do grego psyché, alma, e pathos, enfermidade.

A pandemia só tornou esses traços de Bolsonaro mais gritantes. Desde os primeiros grandes gestos do presidente, ficou claro, disse Birman, que seus atos "são marcados por crueldade e violência". Proposição de liberar fuzis para civis. Proposição de acabar com os radares nas estradas. Proposição de não multar a falta de cadeirinha para crianças. Proposição de acabar com os exames toxicológicos para motoristas de caminhão, ônibus e carretas. Proposição de legalizar o garimpo predatório nas florestas e terras indígenas. Tudo isso é um atentado à vida.

Eu poderia lembrar o que muitos teimam em esquecer. Que Bolsonaro já era assim antes de ser eleito. Quem defende torturador e condena as vítimas, publicamente, no Congresso, não é uma pessoa que preza a vida. Não surpreende, portanto, que o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, denuncie, sem meias palavras, a "política genocida" de Bolsonaro. O presidente pode trocar seu ministro da Saúde, mas será barrado pelo STF se insistir em condenar o isolamento social e ameaçar a saúde pública.

Ao criar uma realidade paralela, Bolsonaro desfruta sua liberdade de ir e vir sem se importar com as consequências de seu exemplo. Não só para velhos mas para jovens que também não resistem ao vírus. Ele refuta a ciência, ignora as normas sanitárias nacionais e internacionais, receita remédios polêmicos sem autoridade para isso, ironiza quem se isola, chamando a mim e a você de "moleques". Coloca em maior risco os pobres e vulneráveis. O presidente é uma temeridade ambulante.

Ao se recusar a divulgar o resultado de seu exame, despreza a população, se acovarda e age diferente dos homens públicos que honram seus cargos. Pode até ser que esteja imune após uma versão branda da Covid-19 e por isso se sinta apto a saracotear pelas ruas e padarias, mexendo em dinheiro e comida, enxugando o nariz e apertando as mãos do povo aglomerado. Bolsonaro não é tosco. Nem burro. Nem inconsequente, leviano ou louco. Vamos chamá-lo pelo adjetivo correto? Bolsonaro é perverso, ao estimular um comportamento de altíssimo risco.

A OMS classifica a psicopatia como um transtorno de personalidade caracterizado por um desprezo das obrigações sociais. A psiquiatra Ana Beatriz Barbosa, autora do livro Mentes perigosas, diz que a "psicopatia não é uma doença, é uma maneira de ser". O psicopata, segundo ela, sempre vai buscar poder, status e diversão. Enxerga o outro apenas como um objeto útil para conseguir seus objetivos.

Todos nós precisamos reagir a Bolsonaro. É urgente. Não podemos nos tornar cúmplices no crime de lesa-humanidade. Omissão também mata.

sábado, 16 de maio de 2020

A MESSE É GRANDE, MAS OS OPERÁRIOS SÃO POUCOS


Por Lincoln de Britto Santos.

Mais uma vez o processo eleitoral brasileiro está sendo marcado pela mediocridade, onde partidos políticos e igrejas não estão economizando hipocrisia para chegar mais uma vez no seu objetivo final que é enganar e iludir o povo.

Um país que em pleno século XXI ainda passa por problemas absurdos como trabalho escravo, que ainda não resolveu o problema da água no nordeste, milhares de pessoas que não tem acesso a saneamento básico, a energia elétrica, que ainda convive com o analfabetismo não pode se dar ao luxo de reduzir seu processo eleitoral em duas discussões, em dar ou não o direito dos homossexuais legalizarem sua situação frente à lei, e tornar ou não legal o aborto.

Claro que são questões que a sociedade deve discutir, são temas polêmicos, mas o processo eleitoral não pode se prender apenas a essas duas questões, afinal o país precisa urgentemente de propostas para enfim resolver os diversos problemas que tanto afligem nossa população.

Tantos problemas de um lado e poucas propostas de outro, assim se resume a campanha eleitoral, partidos políticos que se acusam a todo o momento, dizendo que o fracasso que nação se encontra é graças ao partido x ou y, todos se acusam, todos trocam “alfinetadas” e o povo cada vez menos sabe quem é responsável por encaminhar o país a essa barbárie.

O PT acusa o PSDB de ser o responsável por todo o caos, já o PSDB diz que ao contrário. Quem diz a verdade? Eis o Mistério. Nunca saberemos de fato quem é o responsável, os dois partidos tiveram oito anos cada um para por fim as diversas deficiências que aleijam o Brasil. Vidas pessoais estão sendo expostas para melhor ofender e desmoralizar o adversário. Parecem apostar que partido tem mais corruptos e qual deles é mais desonesto, será Paulo Preto ou José Dirceu? Quem fez mais ou menos pelo Brasil durante os oito anos que cada partido teve para dirigi-lo?

E por fim vêm igrejas, tumultuando ainda mais o processo eleitoral na tentativa de impor seus dogmas e verdades ao Estado que perante a lei é laico. A religião mais uma vez usa da demagogia para tentar de novo passar a imagem de que está interessada em mudar o mundo, mas todos nós sabemos que quando teve a oportunidade pouco fez e ainda continua pouco fazendo em prol dessa causa.

Portanto, políticos e religiosos chega de discursos vazios e promessas, o povo tem sede de pão e justiça, o povo quer seus direitos, quer trabalhar, quer ter um teto, quer comer, quer se divertir, quer dar um futuro melhor aos seus filhos, quer cultura e educação, quer saúde, quer gente que faz, não mais quer gente que apenas discursa, portanto, chega de hipocrisia, e aos canditados eleitos e ao futuro presidente do país, mãos a obra.

Professor Lincoln de Britto Santos, pós-graduado em História pela Fafipa-Paranavaí.

sexta-feira, 15 de maio de 2020

O famigerado dinheiro


A quem devemos atribuir o caos em que está mergulhada toda humanidade?
O que leva o homem tornar-se um ser corrompido? Onde está a causa de toda desgraça do mundo?

Estas questões têm uma única resposta: O dinheiro. O vil metal é o responsável pelo precipício em que caímos, toda nossa maldição é conseqüência do apego humano a este entorpecente que transforma o homem na mais abominável criatura.

A culpa dos males sociais está no dinheiro, por ele, mata-se, rouba-se e engana-se. Pelo vil metal nós competimos, para possuí-lo, somos medidos, avaliados e escravizados. Na necessidade de tê-lo, o homem abre mão de seus princípios, cospe em sua honra, joga fora a sua liberdade e perde a sua vida.

Droga alguma é mais letal a razão do que o dinheiro. A dependência humana por este alucinógeno tem feito a raça se exterminar. Não fosse a sede incessante pela moeda, o homem seria um ser mais evoluído e se não houvesse toda essa ganância por parte deste mesmo homem em possuir cada vez mais o dinheiro, ele não seria esta vergonha sem escrúpulos que conhecemos.

Quando o homem entender que a saúde física e mental são bens com valores desmedidos, começaremos a viver na sociedade dos nossos sonhos. O Tumor maligno que mais tem matado os seres racionais chama-se dinheiro. Não fosse a busca, a necessidade e o desejo incontido por este ópio, não estaríamos inseridos neste genocídio que não cessará enquanto a humanidade não deixar de se corromper por esta tentação.

Pelo dinheiro, os bípedes implumes se deixaram prostituir e a situação destes seres racionais torna-se cada vez mais insustentável, o futuro da humanidade está comprometido, devido a toda essa dependência em torno do dinheiro.

O dinheiro é o deus da humanidade, nenhuma outra divindade criada pelo homem para adestrar e dominar seu semelhante recebeu mais dedicação e adoração por parte dos seres dotados de razão do que o dinheiro.

Pelo deus moeda o homem rompe as barreiras do absurdo, deus algum está tão impregnado no subconsciente humano e recebe mais amor de seus servos do que o dinheiro.

O dinheiro é por sua vez a famigerada droga que destruirá a humanidade. Isto é preocupante, deprimente e estarrecedor. Mas devemos pensar nisso.

Mateus Brandão de Souza, graduado em História pela FAFIPA.

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Devaneios na madrugada


Presencio neste momento a terceira badalada da hora matinal em uma madrugada de sul do mundo, no ermo, no fim do mundo. Lá fora, além da escuridão, um clima incomum dá à noite características únicas. O silêncio, vez ou outra é interrompido pelo longínquo ladrar de um cão ou pelo grito pouco amistoso de uma coruja maldizente ou ainda, pelo cantar histérico dalgum quero-quero que nunca dorme.

Em alguns instantes, a noite deixa audível os sons do silêncio, indecifráveis, misteriosos, talvez sejam os fantasmas, ou animais noturnos, ou ainda, seres irreconhecíveis que existem no além ou no imaginário das mentes que tudo pensa, são sons enigmáticos, idiomas, comunicações do que não existe e que são ouvidos apenas nas madrugadas por quem não dorme.

Ao longe a cidade adormecida, nesta noite gélida de princípios de agosto. E o pensamento deste pensador, segue a vagar, meditando, lembrando de muitas coisas, de tantos rostos, de tantas cenas. Uma mescla de sentimentos povoam meu cérebro, risos, melancolias, culpa, pena e tantos outros sentidos habitam minha massa cinzenta,  onde ansiosamente conto o crepitar dos minutos que falsamente parecem vagarosos.

Quantas vidas, quantos sonhos estarão nascendo ou ceifando-se neste momento? E os devaneios continuam... De minha alcova, viajo a mundos, a passados e a planetas. No céu límpido cintilam estrelas majestosas. De vez enquando, algum meteorito incendeia-se na abóbada escura. Luzes longínquas dão sinais de vida e se exibem quais vaga-lumes distantes dando prova da existência de que alguém habita aquele afastado ermo.

Neste instante, a grande maioria dos humanos dormem, onde ao raiar do sol, buscarão suas vidas, se envolverão em suas ilusões. E o tempo não para...

Os devaneios são contínuos, os por quês, florescem em minha mente, me encontro acordado, em uma madrugada onde o frio não dá trégua, tal qual o que não se pode medir, um turbilhão de pensamentos manifestam-se em minha cabeça. A madrugada continua a noite impera em parceria com o frio, e eu sigo meditando, tecendo no tear imaginário a minha loucura e minha lucidez...

Neste embaraço de tantas cenas amontoadas em meu imaginário, concluo:

O PENSAMENTO É ALGO INCRÍVEL.

Mateus Brandão de Souza, graduado em História pela FAFIPA.

quarta-feira, 13 de maio de 2020

Há os que pensam que são os únicos salvos

“Eu que já andei por todas as religiões, filosofias, políticas e lutas, desde os nove anos de idade eu já desconfiava da verdade absoluta”. (Raul Seixas).

Existe um conceituado número de fanáticos e religiosos de determinadas seitas ou agremiações, que se julgam propriedades exclusivas de Deus e por assim pensarem, tornam-se ao mesmo tempo, proprietários do Deus altíssimo.

São pessoas que interpretam Deus ou a bíblia à sua maneira, e desta forma, passam aos seus fiéis subordinados este “entendimento” como sendo um conhecimento condizente com a verdade pura, absoluta e santa que conduz as almas à salvação eterna.

Após isto, apagam ou fecham suas mentes para debates dentro da razão e não dão importância para conceitos que são contrários ao modo com que estes vêem Deus e o mundo, e assim, julgam-se detentores da verdade incontestável.

Tais fanáticos fazem Deus à sua maneira e de uma forma inversa à santificação, eles se tornam separatistas, presunçosos, petulantes, preconceituosos e em casos mais extremos, raivosos e por assim procederem, acabam sendo periculosos.

As mentes dos fanáticos religiosos estão fechadas para as diferenças de opiniões e conceitos, erroneamente, não dão condições para um debate lógico e por serem tão combatentes e hostis aos pensamentos contrários aos seus, eles satanizam qualquer outra ótica que discorde e se diferencie de suas supostas verdades absolutas.

Os religiosos extremistas, são de certa maneira tão fechados para as diferenças de pensamento, preocupam-se tanto em viver, segundo eles, de acordo com a vontade de Deus, que não se dão conta que a maneira pela qual procedem é fatalmente contrária ao que ensinava o Cristo.

Por exemplo: Os fanáticos são exclusivistas, só o grupo deles é digno de salvação, são preconceituosos, abominam determinadas e inevitáveis diferenças sociais, são excludentes, vêem maldade em tudo que não esteja à risca da cartilha imposta por seus líderes, esquecem-se os fanáticos que seus líderes, são tão vulneráveis ao erro como qualquer outro mortal.

Ao que lemos e sabemos, o Cristo em pessoa combateu a desunião social, a religião por sua vez, separa os homens, Cristo, o unigênito de Deus, disse aos pecadores que ele era o único caminho e suficiente salvador de todas as almas. Determinadas religiões, portanto, querem fazer-se complementos de salvação, no entanto, em uma ótica acurada, percebemos que algumas religiões, afirmam que só o Cristo não basta, é preciso também, passar pelo crivo deste ou daquele pensamento ou norma que rege esta ou aquela religião.

São tamanhos os absurdos apontados como doutrinas e verdades irrefutáveis pelos fanáticos religiosos que se auto-proclamam propriedades e proprietários de Deus, que num olhar contestador sobre suas supostas verdades, percebemos que eles sem se dar conta, anulam em partes o sacrifício do Cristo na cruz, pois de acordo com o que afirmam, é preciso além de Jesus, obedecer o que rege estes grupos, não querem perceber os fiéis, que tudo isso é apenas o ponto de vista dos criadores destas determinadas religiões, pois assim eles entenderam como verdade.

Para muitas pessoas de diferentes religiões, se um mortal finar-se fora de suas dependências, ele estará proporcionando para a sua alma, a maior desventura que se possa imaginar, a ida direta para o fogo eterno.

O que fazer com os que pensam que são os únicos que irão para o céu? O que fazer com estes tantos petulantes que se intitulam sabedores da verdade? Como conviver com estes semeadores da discórdia e do preconceito esbravejando em seus altares e púlpitos?

Não é nada fácil para as mentes questionadoras a convivência com estes pernósticos que tentam impor suas verdades “absolutas e incontestáveis”. São muitos os fanáticos, eles se proliferam juntamente com suas religiões, os que pensam que detêm a verdade já são legiões, e enquanto houver estes conceitos exclusivistas e separatistas, a religião será a principal causa de divisão e separação do homem pelo próprio homem.

Mateus Brandão de Souza, graduado em História pela FAFIPA.

terça-feira, 12 de maio de 2020

O Bicho

Por Manoel Bandeira


O poema abaixo retrata o cotidiano degradante do homem que atingiu o ápice da miséria. Quem nunca se deparou com uma cena como a descrita no texto de Manuel Bandeira? Lamentavelmente, esses fatos acontecem tão rotineiramente que muitos já nem se importam...

O Bicho
“Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem”.

Manuel Carneiro de Souza Bandeira Filho nasceu em 19 de abril de 1886 em Recife. Em 1903 foi para a cidade de São Paulo a fim de cursar Engenharia na Escola Politécnica. No entanto, em decorrência do acometimento de tuberculose, não pôde concluir o curso. A partir de então, passa por verdadeira peregrinação por diversas cidades e casas de saúde, tendo, inclusive, se mudado por um ano para a Suíça com o intuito de livrar-se da doença. Ao voltar para o Brasil tornou-se inspetor de ensino e depois professor de literatura.

Em 1917 publicou seu primeiro livro – A Cinza das Horas – com características parnasianas e simbolistas. Posteriormente à publicação de seu primeiro livro, o poeta foi se enquadrando no estilo modernista, culminando com a publicação em 1930 da obra Libertinagem, considerada uma das mais importantes da literatura moderna brasileira.

Na obra de Bandeira predominam a liberdade de conteúdo e de forma, o retrato do cotidiano, a sua própria história de vida,  o humor,  a indignação com a realidade do homem e a idealização de um mundo mais justo. O autor conseguiu reunir em sua poesia subjetividade e objetividade e o resultado foi perfeito.
(FONTE: Literatura em conta gotas)
Por Mateus Brandão de Souza, Graduado em história pela FAFIPA.

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