-APRESENTADO A COMARCA PARA O MUNDO E O MUNDO PARA A COMARCA

TEMOS O APOIO DE INFOMANIA SOLUÇÕES EM INFORMÁTICA Fones 9-9986-1218 - 3432-1208 - AUTO-MECÂNICA IDEAL FONE 3432-1791 - 9-9916-5789 - 9-9853-1862 - NOVA ÓTICA Fone (44) 3432-2305 Cel (44) 9-8817-4769 Av. Londrina, 935 - Nova Londrina/PR - VOCÊ É BONITA? VENHA SER A PRÓXIMA BELA DA SEMANA - Já passaram por aqui: Márjorye Nascimento - KAMILA COSTA - HELOIZA CANDIDO - JAINY SILVA - MARIANY STEFANY - SAMIRA ETTORE CABRAL - CARLA LETICIA - FLAVIA JORDANI - VIVANE RODRIGUES - LETICIA PIVA - GEOVANNA LIMA - NAIELY RAYSSA - BIANCA LIMA - VITÓRIA SOUZA - KAROLAINE SOUZA - JESSICA LAIANE - VIVIANE RODRIGUES - LETICIA LIMA - MILANE SANTOS - CATY SAMPAIO - YSABELY MEGA - LARISSA SANTANA - RAYLLA CHRISTINA - THELMA SANTOS - ALYNE FERNANDES - ALESSA LOPES - JOYCE DOMINGUES - LAIS BARBOSA PARRA - LÉINHA TEIXEIRA - LARISA GABRIELLY - BEATRIZ FERNANDES - ALINE FERNANDA - VIVIANE GONÇALVES - MICAELA CRISTINA - MONICA OLIVEIRA- SUELEN SLAVIERO - ROSIMARA BARBOSA - CAMILA ALVES - LAIZA CARLA SANTOS - IZADORA SOARES - NATHÁLIA TIETZ - AMANDA SANTOS - JAQUELINE ACOSTA - NAJLA ANTONZUK - NATYELI NEVES - LARISSA GARCIA - SUZANA NICOLINI - ANNA FLÁVIA - LUANA MAÍSA - MILENA AMÂNCIO - LAURA SALVATE - IASMYN GOMES - FRANCIELLY KOGLER - LIDIANE TRAVASSOS - PATTY NAYRIANE - ELLYN FONSECA - BEATRIZ MENDONÇA - TAYSA SILVA - MARIELLA PAOLA - MARY FERNANDES - DANIELLE MEIRA - *Thays e Thamirys - ELLEN SOARES - DARLENE SOARES - MILENA RILANI - ISTEFANY GARCIA - ARYY SILVA - ARIANE SILVA - MAYARA TEIXEIRA - MAYARA TAKATA - PAOLA ALVES - MORGANA VIOLIM - MAIQUELE VITALINO - BRENDA PIVA - ESTEFANNY CUSTÓDIO - ELENI FERREIRA - GIOVANA LIMA - GIOVANA NICOLINI - EVELLIN MARIA - LOHAINNE GONÇALVES - FRANCIELE ALMEIDA - LOANA XAVIER - JOSIANE MEDEIROS - GABRIELA CRUZ- KARINA SPOTTI - TÂNIA OLIVEIRA - RENATA LETÍCIA - TALITA FERNANDA - JADE CAROLINA - TAYNÁ MEDEIROS - BEATRIZ FONTES - LETYCIA MEDEIROS - MARYANA FREITAS - THAYLA BUGADÃO NAVARRO - LETÍCIA MENEGUETTI - STEFANI ALVES - CINDEL LIBERATO - RAFA REIS - BEATRYZ PECINI - IZABELLY PECINI - THAIS BARBOSA - MICHELE CECCATTO - JOICE MARIANO - LOREN ZAGATI - GRAISELE BERNUSSO - RAFAELA RAYSSA - LUUH XAVIER - SARAH CRISTINA - YANNA LEAL - LAURA ARAÚJO TROIAN - GIOVANNA MONTEIRO DA SILVA - PRISCILLA MARTINS RIL - GABRIELLA MENEGUETTI JASPER - MARIA HELLOISA VIDAL SAMPAIO - HELOÍSA MONTE - DAYARA GEOVANA - ADRIANA SANTOS - EDILAINE VAZ - THAYS FERNANDA - CAMILA COSTA - JULIANA BONFIM - MILENA LIMA - DYOVANA PEREZ - JULIANA SOUZA - JESSICA BORÉGIO - JHENIFER GARBELINI - DAYARA CALHEIROS - ALINE PEREIRA - ISABELA AGUIRRE - ANDRÉIA PEREIRA - MILLA RUAS - MARIA FERNANDA COCULO - FRANCIELLE OLIVEIRA - DEBORA RIBAS - CIRLENE BARBERO - BIA SLAVIERO - SYNTHIA GEHRING - JULIANE VIEIRA - DUDA MARTINS - GISELI RUAS - DÉBORA BÁLICO - JUUH XAVIER - POLLY SANTOS - BRUNA MODESTO - GIOVANA LIMA - VICTÓRIA RONCHI - THANYA SILVEIRA - ALÉKSIA LAUREN - DHENISY BARBOSA - POLIANA SENSON - LAURA TRIZZ - FRANCIELLY CORDEIRO - LUANA NAVARRO - RHAYRA RODRIGUES - LARISSA PASCHOALLETO - ALLANA BEATRIZ - WANDERLÉIA TEIXEIRA CAMPOS - BRUNA DONATO - VERÔNICA FREITAS - SIBELY MARTELLO - MARCELA PIMENTEL - SILVIA COSTA - JHENIFER TRIZE - LETÍCIA CARLA -FERNANDA MORETTI - DANIELA SILVA - NATY MARTINS - NAYARA RODRIGUES - STEPHANY CALDEIRA - VITÓRIA CEZERINO - TAMIRES FONTES - ARIANE ROSSIN - ARIANNY PATRICIA - SIMONE RAIANE - ALÉXIA ALENCAR - VANESSA SOUZA - DAYANI CRISTINA - TAYNARA VIANNA - PRISCILA GEIZA - PATRÍCIA BUENO - ISABELA ROMAN - RARYSSA EVARISTO - MILEIDE MARTINS - RENATHA SOLOVIOFF - BEATRIZ DOURADO - NATALIA LISBOA - ADRIANA DIAS - SOLANGE FREITAS - LUANA RIBEIRO - YARA ROCHA - IDAMARA IASKIO - CAMILA XAVIER - BIA VIEIRA - JESSICA RODRIGUES - AMANDA GABRIELLI - BARBARA OLIVEIRA - VITORIA NERES - JAQUE SANTOS - KATIA LIMA - ARIELA LIMA - MARIA FERNANDA FRANCISQUETI - LARA E LARISSA RAVÃ MATARUCO - THATY ALVES - RAFAELA VICENTIN - ESTELLA CHIAMULERA - KATHY LOPES - LETICIA CAVALCANTE PISCITELI - VANUSA SANTOS - ROSIANE BARILLE - NATHÁLIA SORRILHA - LILA LOPES - PRISCILA LUKA - SAMARA ALVES - JANIELLY BOTA - ELAINE LEITE CAVALCANTE - INGRID ZAMPOLLO - DEBORA MANGANELLI - MARYHANNE MAZZOTTI - ROSANI GUEDES - JOICE RUMACHELLA - DAIANA DELVECHIO - KAREN GONGORA - FERNANDA HENRIQUE - KAROLAYNE NEVES TOMAS - KAHENA CHIAMULERA - MACLAINE SILVÉRIO BRANDÃO - IRENE MARY - GABRIELLA AZEVEDO - LUANA TALARICO - LARISSA TALARICO - ISA MARIANO - LEIDIANE CARDOSO - TAMIRES MONÇÃO - ALANA ISABEL - THALIA COSTA - ISABELLA PATRICIO - VICTHORIA AMARAL - BRUNA LIMA - ROSIANE SANTOS - LUANA STEINER - SIMONE OLIVEIRA CUSTÓDIO - MARIELLE DE SÁ - GISLAINE REGINA - DÉBORA ALMEIDA - KIMBERLY SANTOS - ISADORA BORGHI - JULIANA GESLIN - BRUNA SOARES - POLIANA PAZ BALIEIRO - GABRIELA ALVES - MAYME SLAVIERO - GABRIELA GEHRING - LUANA ANTUNES - KETELEN DAIANA - PAOLLA NOGUEIRA - POLIANY FERREIRA DOS ANOS - LUANA DE MORAES - EDILAINE TORRES - DANIELI SCOTTA - JORDANA HADDAD - WINY GONSALVES - THAÍSLA NEVES - ÉRICA LIMA CABRAL - ALEXIA BECKER - RAFAELA MANGANELLI - CAROL LUCENA - KLAU PALAGANO - ELISANDRA TORRES - WALLINA MAIA - JOYCE SAMARA - BIANCA GARCIA - SUELEN CAROLINE - DANIELLE MANGANELLI - FERNANDA HARUE - YARA ALMEIDA - MAYARA FREITAS - PRISCILLA PALMA - LAHOANA MOARAES - FHYAMA REIS - KAMILA PASQUINI - SANDY RIBEIRO - MAPHOLE MENENGOLO - TAYNARA GABELINI - DEBORA MARRETA - JESSICA LAIANE - BEATRIS LOUREIRO - RAFA GEHRING - JOCASTA THAIS - AMANDA BIA - VIVIAN BUBLITZ - THAIS BOITO - SAMIA LOPES - BRUNA PALMA - ALINE MILLER - CLEMER COSTA - LUIZA DANIARA – ANA CLAUDIA PICHITELLI – CAMILA BISSONI – ERICA SANTANA - KAROL SOARES - NATALIA CECOTE - MAYARA DOURADO - LUANA COSTA - ANA LUIZA VEIT - CRIS LAZARINI - LARISSA SORRILHA - ROBERTA CARMO - IULY MOTA - KAMILA ALVES - LOISLENE CRISTINA - THAIS THAINÁ - PAMELA LOPES - ISABELI ROSINSKI - GABRIELA SLAVIERO - LIARA CAIRES - FLÁVIA OLIVEIRA - GRAZI MOREIRA - JESSICA SABRINNI - RENATA SILVA -SABRINA SCHERER - AMANDA NATALIÊ - JESSICA LAVRATE - ANA PAULA WESTERKAMP- RENATA DANIELI - GISELLY RUIZ - ENDIARA RIZZO - *DAIANY E DHENISY BARBOSA - KETLY MILLENA - MICHELLE ENUMO - ISADORA GIMENES - GABRIELA DARIENSO - MILENA PILEGI - TAMIRES ONISHI - EVELIN FEROLDI - ELISANGELA SILVA - PAULA FONTANA CAVAZIM - ANNE DAL PRÁ - POLLIANA OGIBOWISKI - CAMILA MELLO - PATRICIA LAURENTINO - FLOR CAPELOSSI - TAMIRES PICCOLI - KATIELLY DA MATTA - BIANCA DONATO - CATIELE XAVIER - JACKELINE MARQUES - CAROL MAZZOTTI - DANDHARA JORDANA - BRENDA GREGÓRIO - DUDA LOPES - MILENA GUILHEN - MAYARA GREGÓRIO - BRUNA BOITO - BETHÂNIA PEREIRA - ARIELLI SCARPINI - CAROL VAZ - GISELY TIEMY -THAIS BISSONI - MARIANA OLIVEIRA - GABRIELA BOITO - LEYLLA NASCIMENTO - JULIANA LUCENA- KRISTAL ZILIO - RAFAELA HERRERA - THAYANA CRISTINA VAZ - TATIANE MONGELESKI - NAYARA KIMURA - HEGILLY CORREIA MIILLER - FRANCIELI DE SANTI - PAULA MARUCHI FÁVERO - THAÍS CAROLINY - IASMIM PAIVA - ALYNE SLAVIERO - ISABELLA MELQUÍADES - ISABELA PICOLLI - AMANDA MENDES - LARISSA RAYRA - FERNANDA BOITO - EMILLY IZA - BIA MAZZOTTI - LETICIA PAIVA - PAOLA SLAVIERO - DAIANA PISCITELLE - ANGELINA BOITO - TALITA SANTOS Estamos ha 07 anos no ar - Mais de 700 acessos por dia, mais de um milhão de visualizações - http://mateusbrandodesouza.blogspot.com.br/- Obrigado por estar aqui, continue com a gente

quinta-feira, 28 de abril de 2022

Carnaval de 2022 joga os holofotes sobre as desigualdades sociais

Foto: Reprodução da Internet

Enquanto as escolas de samba desfilavam com enredos antifascistas e antirracistas, público das arquibancadas manifestava o apoio popular à candidatura do ex-presidente. Já os gritos que partiram dos camarotes deixaram clara a preferência das elites brasileiras por Bolsonaro.

Por Mariana Mainenti

No Portal Vermelho

Presentes nas fantasias e nas alegorias, as desigualdades sociais brasileiras estiveram evidenciadas neste Carnaval no próprio público que assistiu aos desfiles. Após dois anos sem folia por conta da pandemia, agravada pela gestão Bolsonaro, as escolas de samba deram voz às minorias e Lula recebeu o apoio das arquibancadas enquanto dos camarotes ouviu-se gritos vindos dos ricos favoráveis ao atual presidente.

Em São Paulo, com o grito de “Basta!”, a arquibancada juntou-se à Gaviões da Fiel exigindo “meu lugar de fala/a voz destemida/

cabeça erguida por nossos direitos/quando o fascismo do asfalto

é opressor à militância por respeito”. Cantando que “o ventre das mazelas sociais/Ante ao preconceito vai se libertar/Vidas negras nos importam/O grito da mulher não vão calar”, a escola levantou o público. A plateia foi arrebatada ainda mais pelos versos “Meu gavião, chegou o dia da revolução/Onde a democracia desse meu Brasil/Faça o amor cantar mais alto que o fuzil”, para em seguida conclamar “Escute o meu clamor, ó pátria amada/É hora da luta sair do papel/Basta é o grito que embala o povo/

Eu sou Gaviões, sou a voz da Fiel”

Segunda a desfilar neste sábado (23), a escola fez críticas não somente ao fascismo como à escravidão, lembrando o enriquecimento dos donos de Engenho às custas da exploração de homens e mulheres. De acordo como G1, o carro abre-alas, com um enorme gavião – símbolo da escola – fez uma homenagem ao povo africano, mostrando como chegaram ao Brasil. O segundo carro teve como destaque a escultura de uma criança magra com um prato com ossos e tinha, na parte de cima, um banquete. Os participantes da escola encenaram também a moradia em cortiços e favelas, troca de tiros e morte na escadaria lateral. O carro lembrou ainda tragédias como a do menino Miguel, em Recife, e a falta de oxigênio para tratar pacientes internados com coronavírus.

O terceiro carro, que simulava um incêndio na mata e representava a devastação ambiental e resistência indígena, trouxe o cacique Raoni, líder do povo Kayapó conhecido internacionalmente pela defesa dos direitos dos povos indígenas. O quarto e último carro da Gaviões da Fiel pedia paz, e foi uma celebração às pessoas que lutaram por justiça, com homenagens a nomes como Nelson Mandela, Frida Kahlo, Mahatma Gandhi e o jogador Sócrates. Contudo, segundo informações do portal UOL, ao final do desfile da escola, houve brigas entre integrantes da torcida que estavam na arquibancada e pessoas de um camarote.

Jacaré na Avenida


Na mesma noite, a Rosas de Ouro também encantou o público com um grande ritual de cura através da fé, da magia, da ciência e, claro, do samba, após dois anos de pandemia. A escola criticou declarações do presidente Jair Bolsonaro contra a vacinação e o “transformou” em jacaré na avenida.Já a Mocidade Alegre celebrou a história da cantora brasileira Clementina de Jesus, mulher negra e referência do samba carioca. E a Águia de Ouro fez uma homenagem à cultura afro-brasileira, reverenciando Oxalá. Primeira a desfilar, a Vai-Vai também voltou ao Grupo Especial homenageando os povos africanos enquanto a Barroca Zona Sul, fez uma homenagem ao Zé Pilintra, uma entidade das religiões afrodescendentes.

Luta de classes

No Rio, o clima esquentou já no primeiro dia do Grupo Especial, quando as vozes que vieram do público refletiram a luta de classes. Segundo relata o portal Socialismo Criativo, o público da arquibancada pedia animado ‘Fora Bolsonaro’, enquanto os frequentadores dos camarotes respondiam com xingamentos ao ex-presidente Lula. No setor 3 da Sapucaí, a resposta veio com um Lulaço: “Olê, Olê, Olê, Olá, Lula, Lula…”.  

Em vídeos realizados pelo repórter da Revista Fórum, Lucas Rocha, é possível ouvir os protestos, que tiveram início quando o presidente da Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) anunciou no sistema de som as escolas de samba que iriam desfilar naquela noite e a banda da Polícia Militar do Rio de Janeiro tocou o hino nacional.

Já o “filho 01” do presidente Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), foi vaiado por foliões da arquibancada ao chegar à Sapucaí. As vaias somente cessaram quando o senador pelo PL (RJ) entrou no Camarote.

Com enredo antirracista, o Salgueiro foi ovacionado. A escola teve seu grande momento quando a bateria se ajoelhou com o punho erguido. A alegoria que trazia um totem simbolizando a derrubada do racismo e outra com referências a Laíla, Marielle Franco, Moïse Kalagambe, Haroldo Costa e Mary Marinho foram destaque na apresentação.

Foto: Reprodução da Internet

A escola veio repleta de convidados, com cerca de 170 ativistas, artistas e intelectuais negros, além de um grupo de 20 refugiados de cinco nacionalidades diferentes que vivem no Rio de Janeiro. Estiveram presentes pessoas de Angola, Marrocos, República do Congo, Síria e Venezuela.

Com informações dos portais UOL, G1, Socialismo Criativo e Revista Fórum.

quarta-feira, 27 de abril de 2022

Como o "voto jovem" pode influenciar as eleições deste ano

 

TSE

No Pragmatismo Político

Celebridades se engajam para estimular jovens de 16 a 18 anos a tirar título de eleitor. Segmento se afastou do processo eleitoral nos últimos anos, mas pode beneficiar Lula nestas eleições.

É um direito mas não é um dever. No Brasil, onde o voto é obrigatório, jovens de 16 a 18 anos podem se alistar para manifestarem sua vontade nas urnas — mas de forma facultativa. Em tempos de polarização e um cenário eleitoral que se desenha para uma disputa acirrada, a mobilização para que essa faixa etária também vote passou a ser bastante enfatizada.

Nos últimos dez anos, a participação do jovem eleitor no Brasil caiu de 4 milhões para menos de 900 mil pessoas, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Para conter essa queda, o próprio órgão tem investido em tecnologia. Por um lado, o alistamento eleitoral está mais simples e pode ser feito de forma online, em um processo que leva menos de 10 minutos.

Por outro, a comunicação também foi pensada para alcançar diretamente a esse público. O TSE criou uma campanha chamada Bora Votar que usa de hashtags e mobiliza diretamente em redes sociais, com uma linguagem segmentada e fácil. Um hotsite específico está no ar com orientações a respeito.

Para participar do processo eleitoral de 2022, é preciso estar com o título em dia até 4 de maio. Adolescentes com 15 anos podem se alistar, desde que tenham 16 anos completados antes do primeiro turno — marcado para 2 de outubro.

Nas últimas semanas, artistas, influenciadores digitais e outros formadores de opinião também passaram a incentivar a participação dos jovens. “Vejo com bons olhos essas campanhas de mobilização e elas podem interferir no resultado das eleições, já que os jovens são sensíveis ao apelo dos artistas, sobretudo quando a opinião não é no sentido de ‘vote em determinado candidato’, mas em algo mais amplo, por exemplo ‘vote contra o governo Bolsonaro’“, avalia a cientista política Camila Rocha, autora do livro Menos Marx, Mais Mises – O Liberalismo e a Nova Direita no Brasil.

De acordo com pesquisa Exame/Ideia divulgada na última segunda (18), essa mobilização vem dando resultados, já que 9 em cada 10 adolescentes entre 16 e 17 anos ouvidos afirmaram pretender votar na próxima eleição. Levantamentos recentes indicam que o cenário favorece atualmente o principal candidato de oposição ao atual presidente Jair Bolsonaro (PL), ou seja, o ex-presidente Lula da Silva (PT).

Na última pesquisa divulgada pelo instituto PoderData, a preferência do eleitorado jovem — entre 16 e 24 anos — era de 51% para o petista, frente a 29% para o atual presidente. “Os mais jovens tendem a defender pautas mais progressistas, como sustentabilidade e meio ambiente, diversidade e inclusão, além de algumas pautas sociais de forma difusa“, analisa o cientista político Leonardo Bandarra, pesquisador do German Institute of Global and Area Studies (Giga), em Hamburgo.

Adesão recente

Com o apelo de celebridades como a cantora Anitta e o youtuber Felipe Neto, e a intensificação das campanhas do TSE — que chegou a promover um tuitaço para engajar os jovens —, os números de alistados para votar melhoraram significativamente no último mês. Apenas em março, foram 290 mil os adolescentes que tiraram o título, um aumento de 45% em relação ao mês anterior.

Rocha acredita que esse afastamento seja em virtude de uma visão que os próprios jovens têm de si, como “pouco aptos” e “desconhecedores da política”. “Foi o que indicou uma pesquisa que fiz no ano passado em conjunto com a professora [socióloga] Esther Solano e outros pesquisadores latino-americanos. O próprio contexto da política institucional afasta os jovens, que não se veem representados pela política e tudo acaba convergindo para uma diminuição do interesse“, afirma.

Para o jurista e cientista político Enrique Carlos Natalino, pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e professor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), o desinteresse do jovem é consequência também da falta de formação escolar, já que não há no currículo nenhuma disciplina voltada à “capacitação no sentido de entender o funcionamento da democracia e como exercer a cidadania“.

“Também acredito que esses jovens, já imersos no mundo digital, não se identificam com o processo político formal que ainda se organiza em partidos políticos hierarquizados e poucos abertos à horizontalidade“, acrescenta ele.

Professora na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a socióloga e cientista política Mayra Goulart enfatiza que há “um desgaste da política tradicional e dos partidos políticos”. “Isso vem no bojo de um discurso de negação da política, que vê a política como uma coisa corrupta e condenável. Ou mesmo como um lugar de briga e de desavenças. Cada vez mais é comum pessoas falarem ‘eu não comento sobre política’“, contextualiza ela.

A professora ressalta que no cenário polarizado vivido pela sociedade brasileira atual, muitas vezes o jovem prefere se abster da politização para evitar conflitos familiares. “A política vem sendo vista como vilã. Isso é terrível, porque afasta as pessoas dessa esfera, a única esfera que o cidadão tem para transformar os rumos do país“, acrescenta.

terça-feira, 26 de abril de 2022

No Brasil, 44% da população não lê e 30% nunca comprou um livro, diz Rafael Guimaraens

Rafael Guimaraens, um escritor e editor de seu tempo - Larissa Ferreira


Walmaro Paz

No Dia Mundial do Livro, o escritor comenta o desafio de escrever e editar em um país que não lê.

Brasil de Fato

Rafael Guimaraens começou como jornalista transitando por várias redações, entre elas a do lendário Coojornal, virou assessor de imprensa e descobriu-se escritor para, em nova autodescoberta, tornar-se editor, ao lado de sua companheira Clô Barcellos. É a dobradinha que, pilotando a editora Libretos, há mais de 20 anos escava, esmiuça e mapeia a história política, social e cultural de Porto Alegre.

Nesta jornada, todos nós ficamos sabendo mais sobre a enchente que arrasou a cidade em 1941, a efervescência local do movimento estudantil sob a ditadura, o levante dos gaúchos contra o fracassado golpe militar urdido pelos militares contra João Goulart em 1961, a trajetória dos teatros de Arena e de Equipe, a epopéia de quatro anarquistas que assaltaram uma casa de câmbio em 1911 deixando a provinciana capital em polvorosa e muitos outros episódios, instituições e personagens.

Para marcar o Dia Mundial do Livro, 23 de abril, o Brasil de Fato RS conversa com Rafael Guimaraens. Na pauta, o duplo ofício de escritor e editor, o baixo índice de leitura nacional, a ascensão dos e-books, a extinção das políticas de apoio ao livro, a privatização acelerada dos espaços públicos de Porto Alegre, o apagamento seletivo da memória da cidade e os ataques à Cultura no país.

Brasil de Fato RS - Que papel tem o livro na sua vida?

Rafael Guimaraens - Cresci num quarto com uma estante de livros que ocupava toda a parede, que pertenceram ao meu avô, o poeta Eduardo Guimaraens, e ao meu pai, jornalista e intelectual. Com tantos livros, aprendi a ler sozinho, aos quatro anos. Desde então, houve época em que eu lia muito e outras em que eu lia menos, por falta de tempo. Trabalhei como jornalista, mas só comecei a escrever livros depois dos 40 anos. Hoje, estou sempre envolvido em projetos literários. Termino um livro e já tenho outro em mente, e isso tem sido a minha vida.

“Vemos os influencers produzindo conteúdos irrelevantes para milhões”

BdF RS - Na história da humanidade, o livro teve o papel de guardar a memória e contar as histórias dos que os escreviam, mas o acesso era restrito porque se tratavam de manuscritos. Com o advento da imprensa houve uma democratização da leitura?

Rafael Guimaraens – O livro é um fabricante de memória, assim como os jornais. A questão da efetiva democratização da informação, nos dois casos, é mais complicada. Os livros ainda são restritos e os jornais, no caso do Brasil, são vinculados a grupos com interesses econômicos e políticos bastante específicos. Muitas vezes, misturam a informação jornalística, que é de interesse público, com os interesses do proprietário. Talvez por isso estejam perdendo leitores

para as redes sociais, o que é preocupante. Vemos os tais influencers, muitos sem qualquer preparo, produzindo para milhões de pessoas conteúdos irrelevantes, que muitas vezes reforçam preconceitos, ou atuam na área da fofoca e do culto a celebridades fabricadas pelos escritórios de gestão de imagem.

BdF RS - Como define a tarefa de editar livros em um país que não lê?

Rafael Guimaraens – Um desafio enorme. Estamos sempre atentos ao segundo “L”, o da Leitura, ou seja, o acesso ao livro como direito de cidadania. Participamos de feira, realizamos doações a bibliotecas comunitárias, promovemos ações de contação de histórias e, para cada livro lançado, realizamos eventos abertos sobre o tema tratado. Também procuramos manter uma política de preços mais acessíveis, mesmo que isso signifique diminuição da nossa margem. E, como editora, nos envolvemos em ações promovidas por entidades da área e frentes parlamentares em defesa do livro.

 No Brasil, 30% da população nunca comprou um livro na vida”

BdF RS - De acordo com a publicação Retratos da Leitura no Brasil, 52% (ou 100,1 milhões de pessoas) dos brasileiros, dedica-se à leitura, sendo a bíblia e jornais os mais lidos. A que se deve esse percentual aquém do ideal?

Rafael Guimaraens – É baixíssimo. Por exemplo, os franceses leem 21 livros por ano, cinco vezes mais do que os brasileiros. No Brasil, 44% da população não lê e 30% nunca comprou um livro na vida. E o pior: o país vem perdendo leitores a cada nova pesquisa.

O estímulo à leitura só pode ser feito através de políticas consistentes de acesso, redução do preço de capa, estímulo a programas de leitura nas escolas e comunidades, incentivo a bibliotecas, promoção de eventos. Essa é uma tarefa da sociedade e do poder público, que, obviamente, não será assumida pelo atual Governo. Não vamos esquecer as palavras do atual mandatário a respeito dos livros didáticos: “Um montão de amontoado de muita coisa escrita”.

“Parece que a cidade perdeu sua alma”

BdF RS - A pesquisa aponta também Porto Alegre como a 14ª capital no quesito leitura, mesmo abrigando a maior feira a céu aberto da América Latina. A que se atribui isso?

Rafael Guimaraens  – É um dos efeitos do processo de apagamento da memória do período áureo que a cidade vivenciou durante a década de 1990 e início dos anos 2000, quando Porto Alegre chamava a atenção do mundo por soluções democráticas originais que combinavam participação popular com maior qualidade de vida, com ênfase na Cultura.

Para os interesses econômicos que passaram a mandar na cidade, era necessário desmobilizar a cidadania, através de um lento e proposital esvaziamento dos processos de participação popular, o sucateamento dos órgãos de defesa do meio ambiente e a extinção de políticas culturais de apoio aos artistas e democratização da Cultura – cito, como exemplo o fim do Fumproarte (Fundo Municipal de Apoio à Produção Artística e Cultural).

Fico com a impressão de que a cidade foi anestesiada por uma sucessão de ações desmobilizadoras das administrações seguintes, que, embora de partidos diferentes, seguiram e seguem a mesma política. Parece que a cidade perdeu sua alma. Aquela cidadania viva, atuante e participativa tornou-se desanimada e conformista. Evidentemente que há bolsões de resistência, especialmente pelo trabalho dos artistas, dos lutadores sociais, e a transformação da cidade, na minha opinião, passará por eles.

 “Estamos vendo coisas que nem a mente mais tresloucada poderia imaginar”

BdF RS -  "Quando ouço alguém falar em cultura, puxo o meu revólver". A frase atribuída tanto a Himmler quanto a Goebbels, ministros de Hitler, ganhou uma atualização inesperada com a decisão da Secretaria da Cultura de Bolsonaro de recomendar o uso da Lei Rouanet para incentivar a adoção de armas pela população como acaba de ser denunciado. Qual a sua opinião enquanto escritor e editor?

Rafael Guimaraens – “Abaixo a inteligência, viva la muerte!”, diziam os fascistas espanhóis. Essa proposta é uma caricatura bizarra e indecente deste governo, a Cultura instrumentalizada não para o prazer e o esclarecimento da cidadania, mas para estimular a indústria da morte. Estamos vendo coisas que nem a mente mais fértil e tresloucada poderia imaginar. Me parece que na reta final, Bolsonaro toma medidas ou faz acenos para, mesmo que não ganhe a eleição – e não ganhará -, consolidar o bolsonarismo como força política. Este será seu único e indesejável legado para a História do Brasil.

BdF RS - Como foi ser escritor nesses dois anos de pandemia?

Rafael Guimaraens – Meus livros têm o perfil de construção da memória. Assim, no meu caso, além da revolta, como cidadão, por assistir, impotente, ao extermínio de milhares de cidadãos pela covid somada à irresponsabilidade criminosa do governo, a pandemia dificultou o acesso aos locais de pesquisa.

BdF RS – Qual o papel do livro em sua vida? Fale também sobre a sua parceria com a Clô Barcellos na editora Libretos.

Rafael Guimaraens - A Libretos foi criada há pouco mais de 20 anos e se mantém no mercado como uma editora reconhecida por seu catálogo de obras relevantes. Ao longo deste tempo, busca se aperfeiçoar, principalmente por iniciativa da Clô, que está sempre ligada nas questões do mercado editorial. Não editamos todos os livros que gostaríamos, mas todos os que editamos nos orgulham. A Clô dirige a Libretos e é responsável pelo design de quase todos os livros que publicamos neste período – e já são mais de duzentos. Além disso, me garante todas as condições para que eu possa trabalhar com tranquilidade.

 Uma assinatura de streaming custa metade do preço de um livro”

BdF RS - Neste século, com as novas mídias, o papel do livro continua o mesmo?

Rafael Guimaraens – O papel do livro é o mesmo: uma fonte de prazer que provoca a reflexão e estimula a imaginação de forma mais completa do que outras formas de expressão artística. Em relação às outras mídias, bem, e-book é livro. Em outro formato, mas é livro. Sua evolução, de início, foi mais lenta do que o anunciado, mas cresceu muito durante a pandemia. Hoje, vende-se um e-book a cada 42 livros no Brasil, mas três anos atrás a relação era um e-book para cada 95 livros físicos vendidos.

Os leitores jovens, em geral, estão aderindo ao livro digital, portanto é natural que essa relação se torne equilibrada. Além disso, o livro físico enfrenta um momento delicado. Os custos gráficos aumentam em patamares superiores à inflação. No caso do papel, estão vinculados ao dólar – e essa é uma vantagem dos digitais. O preço de capa do livro físico não consegue acompanhar os custos, pois as vendas diminuiriam. Tivemos um momento grandioso em 2005, com a Lei do Livro que desonerou o IOF (12%) da cadeia produtiva do livro e provocou um aumento excepcional no número de obras editadas e nas vendas de livros. Essa iniciativa do Governo Lula era complementada com uma série de iniciativas de estímulo à cadeia dos três “L”s (livro-economia, leitura-direito de cidadania, literatura-estímulo aos escritores).

Em relação a outras mídias de entretenimento, há uma relação desigual. Por exemplo, a mensalidade de uma assinatura de streaming, em muitos casos, é a metade do preço de um livro. Em outros países com mais tradição, o livro sobrevive com vigor. No Brasil, sem uma ação governamental mais consistente, o problema do livro irá se agravar.

 A paisagem da cidade vem sendo violentada por uma enxurrada de torres e espigões”

BdF RS - Seus livros trazem como ambiente a cidade de Porto Alegre. A cidade está passando por transformações, com a orla sendo renovada, a Redenção ganhando um espaço gourmet, o centro cultural do Gasômetro abandonado, o anúncio da demolição do anfiteatro Por do Sol, o encaminhamento das privatizações do DMAE e da Carris. Como vê este momento em que os projetos da cidade em andamento são aqueles que envolvem a iniciativa privada?

Rafael Guimaraens - Porto Alegre, na minha opinião e na de muita gente, está sendo descaracterizada de forma abrupta e acelerada. A paisagem da cidade vem sendo violentada por uma enxurrada de torres e espigões que põem abaixo o casario tradicional da cidade e sequestram da população as paisagens mais nobres, deixando os graves problemas da cidade à sua sombra.

Aos exemplos mencionados na pergunta, acrescento a situação do Cais do Porto, a área mais importante da cidade do ponto de vista histórico, fechado há mais de dez anos, com seus armazéns abandonados pelo descaso e sendo corroídos pela ferrugem. Este é o resultado de uma privatização irresponsável na qual o poder público cedeu a área, não se sabe em troca de quê, para a instalação de torres e de um shopping center no local. O projeto fracassou e a carta de concessão do cais tornou-se uma espécie de moeda, passando de mão em mão para grupos cada vez mais desqualificados e sem compromisso com o patrimônio histórico. A prometida revitalização transformou o Cais em escombros. O governo estadual foi obrigado a retomar a área, a contragosto, mas não adotou nenhuma iniciativa no sentido de recuperá-la. O Cais Embarcadero, instalado entre o Cais e a Usina é uma espécie de maquiagem para esconder a colossal incompetência para enfrentar o problema.

Qual a cidade do mundo que permitiria que seu cartão postal, um de seus espaços mais importantes, fosse tratado desta forma? O movimento Cais Cultural Já é uma iniciativa importante no sentido forçar a abertura os portões e destinar a área para atividades artísticas e da economia solidária, o que, na minha opinião, é uma solução natural e inteligente.

“ Hoje, não se proíbe a impressão, mas se extingue políticas de apoio ao livro”

BdF RS - O Brasil tem uma história de proibição e da impressão e da manutenção do analfabetismo como política de governo durante a maior parte de sua história. O que representa isso na indústria do livro?

Rafael Guimaraens – Manter o povo na ignorância é o recurso mais óbvio utilizado pelos dominadores. Hoje, não se proíbe a impressão, mas se extingue políticas de apoio ao livro, como, por exemplo, o fim ou a redução das compras de livros pelo governo, que garantiam o acesso dos leitores e devem fôlego às editoras. Aliás, a extinção do Ministério da Cultura – ou sua transformação em secretaria no âmbito do Ministério do Turismo -  demonstra o enorme receio dos governos déspotas em relação à potência da Cultura como ferramenta para o esclarecimento das massas.

BdF RS – O que está lendo no momento?

Rafael Guimaraens – Estou lendo Quatorze camelos para o Ceará, do jornalista Delmo Moreira, e recomendo com muito entusiasmo.

Fonte: BdF Rio Grande do Sul

Edição: Ayrton Centeno

segunda-feira, 25 de abril de 2022

Forças Armadas estão sendo usadas para descreditar processo eleitoral, diz Barroso

 

TSE - Divulgação

Para o ministro, o desfile de tanques é exemplo de intenção intimidatória e que, desde 1996, o processo eleitoral não tem nenhum episódio de fraude.

Lourdes Nassif

lourdesnassifggn@gmail.com

No GGN

Há uma tentativa de levar as Forças Armadas ao ‘varejo da política’, disse o ministro Luís Roberto Barroso ao participar de seminário neste domingo. O ministro vê uma tentativa de usar as FA para atacar o processo eleitoral e que o país vê a ascensão do populismo autoritário.

Barroso pontua que os comandantes militares devem evitar a contaminação, e lembra que os representantes das Forças Armadas foram convidados pelo TSE para participarem do processo de fiscalização das urnas.

Para o ministro, o desfile de tanques é exemplo de intenção intimidatória e que, desde 1996, o processo eleitoral não tem nenhum episódio de fraude.

Outro ponto destacado é que é preciso estar atento com a politização das Forças Armadas, pois que é um risco real para a democracia. Colocou-se como crítico ferrenho da ditadura e que, nesses 33 anos de democracia não houve notícia ruim vindo das Forças Armadas.

Mas agora o quadro mudou, com Bolsonaro tentando jogar as Forças Armadas no ‘varejo da política’. Sua expectativa é de que as FA não se deixem seduzir e que o profissionalismo e o respeito às instituições prevaleçam.

O ministro evitou comentar sobre o indulto a Daniel Silveira e disse que o caso deverá voltar para a Corte. E que não pode opinar antes disso.

Barroso ainda falou sobre desinformação e instituições brasileiras aos estudantes brasileiros que moram na Alemanha. No entanto, falou de forma ampla, evitando associações com o Brasil.

Mas enfatizou que o Brasil é um dos países que passa pela ascensão do ‘populismo autoritário’ e que hoje o país passa por um momento de desprestígio internacional com o governo Bolsonaro.

Com informações de O Globo.

terça-feira, 19 de abril de 2022

No Brasil e no mundo, os povos se levantam contra a carestia

 


Tarda ao Brasil lembrar de um passado, nem tão distante, em que nos anos 1970 e 1980 – ainda na ditadura – mulheres da periferia se levantaram e enfrentaram a carestia e o medo dos militares

Por Antonio Pedro (Tonhão)

No Portal Vermelho

O mês de março trouxe mais uma triste notícia ao povo e aos trabalhadores brasileiros. A inflação bateu em 1,62%, a maior dos últimos 28 anos (para o mês), desde 1994, quando foi criado o Plano real. Como para esse governo, “desgraça pouca pro povo é bobagem”. O presidente do Banco Central, Roberto Campos, já avisou que a inflação, prevista de 4,7% para 2022 vai estourar o teto da meta, de 5%, e deve chegar a 7,1% no fim do ano. Para o espanto de todos, Campos disse estar surpreso com a inflação. Se ele fosse a um supermercado ou feira, como qualquer trabalhador, saberia que isso virou rotina.

Tarda ao Brasil lembrar de um passado, nem tão distante, em que nos anos 1970 e 1980 – ainda na ditadura – mulheres da periferia se levantaram e enfrentaram a CARESTIA e o medo dos militares para exigir controle de preços dos gêneros de primeira necessidade e aumento de salários para seus companheiros – operários, cujo sindicatos estavam na ilegalidade. Foi uma década – entre 1973 e 1982 – de organização na base que trouxe muito aprendizado do “saber e fazer” popular. Um levante precisa acontecer novamente para o despertar do povo.

O Brasil vivencia uma crise social pior que a do Peru. Lá, por muito menos, o povo já saiu às ruas, houve confrontos com a polícia e pelo menos cinco pessoas morreram. A carestia dos alimentos e combustíveis foi o estopim para a revolta, inclusive da classe média, que não viu seus salários acompanharem a inflação. Embora seja um governo progressista, não conseguiu ainda se livrar de pilares neoliberais que retiram as riquezas do país e mantem a desigualdade.

Na Ásia, Oriente Médio, América do Sul e Europa, o povo não quer mais pagar a conta da crise capitalista. Os motivos que estão levando países como Peru, Sri Lanka, Paquistão e Grécia a revoltas populares, inclusive derrubando governos, são mais ou menos os mesmos: inflação descontrolada de itens básicos como energia, gás, combustíveis e alimentos, somados a não correção e aumento dos salários.

Essas tensões não ficarão limitadas a esses países. No Brasil, a situação se torna a cada dia mais insustentável, uma vez que o governo Bolsonaro só agrava a crise.

segunda-feira, 18 de abril de 2022

Araguaia: como o Exército tentou ocultar o extermínio dos comunistas

 


Manto de sigilo imposto pelas Forças Armadas sobre o extermínio da Guerrilha do Araguaia permanece até hoje, 50 anos depois.

Laura Petit da Silva perdeu três irmãos na ditadura militar. Lúcio, Jaime e Maria Lúcia eram militantes do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e, em 1970, juntaram-se ao núcleo da luta armada que ficou conhecido como a Guerrilha do Araguaia, no Norte do país. Formado por cerca de 70 combatentes, o grupo foi dizimado pelos militares, que jamais informaram o destino dos mortos. Os irmãos Petit eram considerados desaparecidos até que, há 25 anos, uma reportagem do jornal O Globo revelou a foto do corpo de Maria Lúcia com um saco na cabeça.

“Nós sabíamos que ela tinha sido executada numa emboscada em junho de 1972, porque uma pessoa próxima nos contou seis meses depois. Mas não sabíamos que o Exército tinha anotações e fotografias da minha irmã morta. Eles assassinaram Maria Lúcia e esconderam o corpo”, desabafa Laura, que luta para encontrar as ossadas de Jaime e Lúcio. “É lamentável nosso país ter tanto desprezo pelos direitos humanos e continuar torturando as famílias dos mortos na ditadura. Vivemos um luto sem fim, sem poder sepultar nossos parentes.”

O manto de sigilo imposto pelas Forças Armadas sobre o extermínio da Guerrilha do Araguaia permanece até hoje. Em 2010, a Corte Interamericana de Direitos Humanos condenou o Brasil a investigar a operação do Exército que, entre 1972 e 1975, erradicou o movimento. A sentença determinou que o Estado deveria esclarecer as responsabilidades e aplicar as sanções pela “detenção arbitrária, tortura e desaparecimento forçado de 70 pessoas”. Mas muito pouco foi feito.

Dados mais relevantes foram revelados pelo trabalho extraoficial de jornalistas, parentes de mortos, pesquisadores ou mesmo de militares da reserva decididos a contar o horror do qual foram cúmplices. Ainda assim, quase 50 anos após campanha do Exército no Araguaia, apenas duas ossadas de combatentes mortos descobertas na região foram identificadas.

Trata-se de um dos capítulos mais violentos da ditadura militar. Oriundos de diferentes partes do Brasil, os militantes do PCdoB começaram a chegar, no fim dos anos 60, à região conhecida como Bico do Papagaio, entre os estados do Pará, Maranhão e Goiás, por onde passa o Rio Araguaia. Habitado por famílias de lavradores que viviam na miséria, trabalhando em fazendas de latifundiários, o local era considerado ideal para se iniciar uma revolução contra o governo militar. Os guerrilheiros, na maioria ex-estudantes universitários na casa dos 20 anos de idade, instalaram-se abrindo pequenos estabelecimentos, dando aulas para analfabetos, fazendo atendimentos médicos e exercendo diversas outras atividades.

Durante anos, os “paulistas”, como eram chamados pelos locais, criaram vínculos com os moradores, enquanto realizavam treinamentos na selva e faziam propaganda política em pequenas reuniões. Estavam espalhados por uma área de 6.500 quilômetros quadrados, divididos em três destacamentos (A, B e C). Mas, pouco numerosos e com armamento tímido, eles ainda se preparavam para sua revolução quando foram descobertos, no início de 1972, após a prisão e tortura de um guerrilheiro que abandonara a mobilização meses antes e com

as informações fornecidas por outra militante, Lúcia Regina Martins, mulher de Lúcio Petit, que também havia deixado a selva, grávida e com problemas de saúde.

Em abril de 1972, há 50 anos, as primeiras tropas chegaram ao Araguaia para combater a guerrilha, perto das cidades de Xambioá, no Norte do território que é hoje o Tocantins, e Marabá, no Pará. Mas, como os militantes estavam já bastante treinados e ligados à comunidade, e como os soldados eram inexperientes naquele tipo de batalha, foram necessárias três grandes operações envolvendo milhares de homens, durante dois anos, até que a guerrilha fosse derrotada. Na campanha, o Exército cooptou camponeses por meio de recompensas e represálias.

Foram usados armamentos pesados, como bombas incendiárias lançadas em locais da selva onde investigações apontaram acampamentos revolucionários. Prisioneiros foram torturados e mortos. Houve até mesmo decapitações. Entre os militares, estima-se em dez o número de mortos durante confrontos.

Em 1975, as Forças Armadas começaram uma operação de ocultação dos fatos, sob ordens do então presidente, Ernesto Geisel. Mais de 60 guerrilheiros haviam sido mortos, a maioria deles após a prisão. Seus corpos foram retirados das covas rasas e incinerados, assim como farta documentação. O trabalho foi feito de forma tão meticulosa que, até hoje, apenas duas ossadas foram descobertas e identificadas. Cerca de 50 guerrilheiros mortos ainda são considerados “desaparecidos políticos”.

“A campanha militar do Araguaia rompeu até mesmo com o verniz de legalidade que a ditadura criou para promover sua repressão”, diz a historiadora Maria Cecília Vieira de Carvalho, que esteve na região acompanhando um grupo de trabalho da Comissão Nacional da Verdade (CNV), em 2012, e, mais tarde, elaborou a dissertação de mestrado “Não façam prisioneiros! O combate e o extermínio da Guerrilha do Araguaia”, da UFMG. “Por isso, o Exército mantém esse silêncio até hoje.”

Mais de 20 anos depois do extermínio da guerrilha, um militar decidiu que aqueles eventos não podiam mais ficar escondidos. Sem se identificar publicamente, ele entregou um caixote cheio de papéis ao jornal O Globo. Durante meses, uma equipe de repórteres se debruçou sobre as informações, dividindo-se em tarefas. No dia 28 de abril de 1996, o diário começou a publicar a série de reportagens que trouxe, pela primeira vez, documentos do Exército sobre os mortos do Araguaia. Eram fotografias, fichas com dados pessoais e anotações feitas a mão por membros das Forças Armadas. O conteúdo provava que muitos dos “desaparecidos” haviam sido presos, antes de “sumirem” quando estavam sob custódia do Estado.

“Até hoje, há muita falta de informação sobre a Guerrilha do Araguaia, mas, na época, era um assunto ainda mais obscuro. A reportagem revelou documentos do próprio Exército sobre o que aconteceu naquele episódio”, conta a jornalista Adriana Barsotti, que assinou a série de reportagens com Amauri Ribeiro Jr., Aziz Filho, Cid Benjamin e Consuelo Dieguez. “Peguei as fotos e fui batendo de casa em casa para falar com as famílias de desaparecidos e ver se eles identificavam seus parentes nas imagens.”

O trabalho, que ganhou o Prêmio Esso de Reportagem de 1996, contou, entre outras, a história de Maria Lúcia Petit, morta com um tiro no peito logo no início da campanha militar no Araguaia, em junho de 1972. Em 1991, parentes de desaparecidos começaram escavações no cemitério de Xambioá, onde uma ossada foi descoberta e enviada à Unicamp, que já trabalhava na identificação de restos mortais descobertos na Vala de Perus, em São Paulo. Entretanto, mesmo com os vários pedidos de Lúcia Petit, irmã da guerrilheira, a identificação da ossada só foi realizada após a publicação da reportagem. A perícia confirmou que os restos mortais eram de Maria Lúcia, e a família pôde, então, sepultar a ex-professora primária, num cemitério em Bauru, onde morava a sua mãe.

“Tudo o que joga luz sobre aquele período de trevas do País ganha muita importância, porque ajuda a construir partes da História que os militares tentaram esconder”, comenta o jornalista Aziz Filho. “A reportagem contou as histórias de pessoas que tinham morrido combatendo a ditadura. Eram jovens que deixaram suas vidas nas cidades em função de um ideal.”

Desde a redemocratização, diversos trabalhos tiraram do breu tudo o que se tem ciência hoje sobre o Araguaia, transpondo barreiras impostas até hoje pelas Forças Armadas. Em alguns casos, foram os próprios militares que decidiram revelar o que sabiam.  Em 1993, o então coronel da reserva Pedro Corrêa dos Santos Cabral lançou o livro Xambioá – Guerrilha no Araguaia, no qual ele relata como pilotou um helicóptero com a missão de ocultar corpos de combatentes mortos.

Em 2019, o também jornalista Eduardo Reina lançou Cativeiro sem Fim, tirando do silêncio o drama de pessoas que eram crianças quando foram sequestradas por militares durante a campanha no Norte do Brasil. São filhos e filhas de camponeses e guerrilheiros arrancados de suas famílias e criados por pessoas ligadas às Forças Armadas, em cidades distantes do Araguaia.

“No livro, conto sobre uma ação do Ministério Público Federal (MPF) que chegou a flagrar integrantes do Exército indo à casa de moradores do Araguaia, recentemente, para impedi-los de revelar informações sobre os mortos nos anos 70”, diz Reina, que ficou 20 dias na região do Araguaia, pesquisando para o livro. “Senti que ainda há muito receio das pessoas de falar sobre aquela época, mesmo depois de quase 50 anos. Eles ainda temem represálias dos militares.”

Com informações do Blog do Acervo

Via – Portal Vermelho

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...