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segunda-feira, 23 de setembro de 2019

23 de Setembro na história

1936 - Dia da Olga           

Olga Benário, judia alemã e militante comunista, 28 anos, grávida de 7 meses, é entregue à Gestapo nazista em meio à onda repressiva pós-1935. Terá a filha Anita Leocádia em um cárcere alemão e morrerá, na câmara de gás, em 1942.

Olga, presa no Rio, após interrogatório

1829:
Liquidado o 1º Banco do Brasil, por inadimplência.
1850:
Morre aos 86 anos, no exílio em Assunção, José Artigas, herói da independência do Uruguai e das Américas.
1865: 
Brasil e Inglaterra reatam relações, rompidas pela Questão Christie (1862).
1900:
5º Congresso da 2ª Internacional, em Paris. A única delegação latino-americana é a argentina.
1934:
Semana Antiguerreira, de conteúdo antifascista.
1948:
Congresso do DF (Rio) em Defesa do Petróleo. Termina em repressão policial.
1950:
Aprovada nos EUA a lei McCarthy. Início da “caça às bruxas” anticomunista.
1966:
Massacre da Praia Vermelha. A PM invade a Fac. de Medicina e espanca estudantes no Rio.
1973:
A Argentina elege Perón, que se exilara durante a ditadura.
1973:Morre, 12 dias após o golpe de Pinochet, o poeta e comunista chileno Pablo Neruda.
1974:O PAIGC proclama unilateralmente a independência da Guiné-Bissau, após anos de guerrilha.
1991:
Greve geral nos 54 portos brasileiros.
1996:
Começam os protestos palestinos contra o túnel sob a mesquita de Al-Aksa; 60 mortos.
2005:Morre no Rio Apolônio de Carvalho, 93, o Herói das 3 Pátrias: Brasil (levante de 35), Espanha (Guerra Civil) e França (Resistência antinazista).
Apolônio
mostra
foto sua do
tempo da
Resistência

Vermelho

domingo, 22 de setembro de 2019

Como os cortes de bolsas afetam a vida de milhares de cientistas no Brasil

Orçamento da Capes para 2020 não permite novas bolsas; 83 mil pesquisadores do CNPq podem ficar sem receber em outubro.

Doutorando do Instituto de Química da USP, Mateus Carneiro é um dos cientistas que esperam pela retomada das bolsas / Foto: Pedro Stropasolas.
Pedro Stropasolas

Em sua cruzada contra a ciência e o conhecimento, o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) tem um novo alvo estratégico: o fomento à pesquisa no Brasil.

Com os cortes de verbas anunciados ao longo dos últimos meses, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) podem interromper suas atividades.

No início do mês de setembro um corte de mais 5.613 bolsas de estudos para pesquisas de pós-graduação – referentes a trabalhos de mestrado, doutorado e pós-doutorado – foi anunciado pela Capes.

Na última quarta-feira (11), o Ministro da Educação, Abraham Weintraub, reduziu parcialmente o corte e anunciou que a Capes receberá R$ 600 milhões para a manutenção de 3.182 benefícios vigentes. O dinheiro, no entanto, abrange apenas os cursos com as melhores conceitos de acordo com a agência e será suficiente para bancar somente os atuais bolsistas.

Se nada mudar, a Capes terá, em 2020, pouco mais de R$ 3 bilhões para custear as cerca de 215 mil bolsas de formação de professores, graduação, pós-graduação e intercâmbio.

No total, a Capes já cortou 11.800 bolsas neste ano. Até o momento, 8.629 vagas em pós-graduações seguem travadas para novos alunos.

Sem sustento

“A partir do momento que não tem bolsa, não tem dinheiro, como eu vou me sustentar aqui, numa cidade como São Paulo?”, indaga Mateus Carneiro, doutorando no Instituto de Química, da Universidade de São Paulo (USP). A instituição é referência no estudo da História e Filosofia da Química.

Após um ano de estudo e um processo seletivo com provas em inglês e espanhol, Carneiro foi contemplado com uma bolsa da Capes para financiar os quatro anos de doutorado. Isso após 6 meses sem receber remuneração pela pesquisa – acumulando boletos e contas a pagar.

No dia 2 de setembro, após o comunicado do MEC, ele recebeu um e-mail do Programa de Pós-Graduação da USP comunicando que sua bolsa havia sido cortada.

Sem renda e com dedicação exclusiva à pesquisa – em função da qual passa mais de dozes horas diárias em seu laboratório –, o doutorando pretende fazer bicos como professor de química em escolas básicas. “Essas agências de fomento são importantes justamente para a gente conseguir sobreviver aqui”, argumenta.

Após a declaração de Weintraub, anunciando a retomada de uma parcela dos investimentos, Mateus espera a volta de sua bolsa, que ainda não foi confirmada pelo Programa. “Aqui dentro da instituição, da USP, a gente vê que a educação vem sendo corroída por dentro. O próprio Ministério da Educação está acabando com a pesquisa nas universidades públicas do Brasil”, desabafa.

Bolsas do Cnpq com futuro incerto

No mês de agosto, o governo federal também anunciou que não fornecerá recursos para financiar 83,4 mil bolsas de estudos e pesquisas em andamento. Também ficam suspensas as assinaturas de novos contratos, previstos para este ano no Orçamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), órgão ligado ao ministério da Ciência e Tecnologia.

O ministro de Ciência e Tecnologia Marcos Pontes prometeu um remanejamento interno no orçamento do órgão para pagar os R$ 82 milhões referentes às bolsas de pesquisa de setembro deste ano. Não há, porém, qualquer garantia de continuidade dessas bolsas até o fim do ano. O pagamento depende da liberação do recurso por parte do Ministério da Economia.

Com déficit de R$ 330 milhões previsto para este ano, o CNPq pretende remanejar a verba destinada ao fomento, para pagar as bolsas em outubro. A área de fomento é utilizada para custear equipamentos, insumos, manutenção dos laboratórios e materiais para as pesquisas.

A medida impõe outra problemática. Além da incerteza em relação ao pagamento das bolsas, a pesquisa sofre com os problemas estruturais das instituições públicas de ensino.

Marcos Gregnani é bolsista do CNPq e doutorando em Biologia Molecular pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Ele  pesquisa novas formas de prevenção para doenças metabólicas, como a obesidade e a diabetes.

O pesquisador relata as dificuldades com a manutenção dos biotérios no departamento de Biofísica, que vem sendo impactado pelo racionamento da ração para os animais e a falta de refrigeração adequada.

“Outras universidades com menos recursos que a nossa já interromperam o trabalho com animais. Você tem aí um trabalho de quatro gerações de pesquisadores. É uma parte da ciência que pode ser jogada no lixo”, desabafa.

Segundo o Painel dos Cortes, divulgado pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior no Brasil (Andifes), o MEC cortou o equivalente a 30% do orçamento destinado à USP.

São Paulo é o estado com o maior número de pesquisadores ameaçados pelos cortes no CNPq. Os 18.470 bolsistas representam 22% do total no país. Os cortes também afetam outra modalidade de bolsas da agência, as do Edital Universal 2018, que selecionou 5.572 projetos.  O cancelamento das bolsas, divulgado em abril, impediu 2.516 pesquisadores de contratarem técnicos especializados para o desenvolvimento de suas pesquisas.

Sem perspectiva de renda após outubro, Gregnani teme pelo fim ao fomento a pesquisa. “A educação não pode ser uma pauta de direita ou uma pauta de esquerda, ela tem que ser uma pauta do país. A população precisa entender que a gente é isso, que nós somos parte deles”, defende.

Confira a videorreportagem Cortes de Bolsas: ciência e educação em risco:

Edição: Rodrigo Chagas

sábado, 21 de setembro de 2019

FUP: Venda de refinaria da Petrobras traz risco à soberania energética

Além dos prejuízos que causará aos cofres da Petrobrás, a privatização das refinarias da estatal coloca em risco a soberania energética nacional e aumentará ainda mais os preços dos combustíveis, ao criar monopólios regionais privados. “As multinacionais estão há tempos de olho no nosso mercado de derivados de petróleo, que é um dos maiores do mundo”, denunciou em nota a Federação Nacional dos Petroleiros (FUP).


A entidade diz que em menos de três meses após colocar à venda as refinarias do Paraná (Repar), do Rio Grande do Sul (Refap), da Bahia (Rlam) e de Pernambuco (Abreu e Lima), a gestão bolsonariana da Petrobrás anunciou nesta sexta-feira, 13, o início do processo de privatização de mais quatro unidades de refino: a Refinaria Gabriel Passos (Regap/MG), a Refinaria Isaac Sabbá (Reman/AM), a Fábrica de Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste (Lubnor/CE) e a Unidade de Industrialização do Xisto (SIX/PR).

As oito refinarias que estão à venda têm capacidade para processar mais de 1 milhão de barris de petróleo por dia. Isto representa metade da atual capacidade de refino do Brasil. Quem comprar levará junto 2.226 quilômetros de dutos e 13 terminais.

“Ao abrir mão de metade do parque de refino da Petrobrás e da distribuição, a gestão Castello Branco desmonta a integração do sistema, deixando o caminho livre para a completa privatização da empresa. Tanto ele, quanto o ministro da Economia, Paulo Guedes, pretendem realizar este sonho até o final do governo Bolsonaro”, diz um trecho da nota.

“A Petrobrás já está sendo gerida como uma empresa privada desde 2016. Por isso, começou a praticar uma política de preços de derivados em sintonia com o mercado internacional. Quem comprar as nossas refinarias não vai vender derivados aqui no Brasil com preços abaixo do mercado internacional”, alerta o coordenador da FUP, José Maria, lembrando que no final de 2013, o preço médio do litro da gasolina era de R$ 2,98. Hoje, está acima de R$ 5,00.

Desmonte acelerado

Desde que o Supremo Tribunal Federal (STF) liberou em junho a privataria das estatais, a gestão bolsonariana na Petrobrás já se desfez da Transportadora Associada de Gás (TAG) e da BR Distribuidora e colocou à venda diversos outros ativos estratégicos.

Junto com as refinarias, terminais e oleodutos, também estão sendo privatizados mais de 70 campos de petróleo de bacias marítimas e de polos terrestres do Nordeste e Sudeste do país.

Plantas de fertilizantes, como a Araucária Nitrogenados (PR) e a UFN-III (MS), a subsidiária Liquigás, usinas de biocombustíveis de Candeias (BA) e Montes Claros (MG) e a Termelétrica do Amazonas completam a lista de ativos que estão sendo negociados por Castello Branco e sua turma.

Privataria começou com Temer

A liquidação da Petrobrás teve início no governo Temer, no rastro do impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff. Pedro Parente e Ivan Monteiro privatizaram a Nova Transportadora do Sudeste (NTS), a Petroquímica Suape (PE), a Usina de Biocombustível Belém Bioenergia Brasil (AM), a Usina de Biocombustível Guarani (7 plantas em SP e 1 na África), as Termelétricas Celso Furtado e Rômulo Almeida (BA), sem contar os ativos vendidos fora do país.

A gestão Parente também abriu mão de participações em gigantescos campos do pré-sal - Carcará, Tartaruga Verde, Iara e Lapa - e vendeu 34 campos terrestres, 10 concessões nas Bacias de Campos e Santos, além de 7 sondas de perfuração.

Povo na rua

Como a FUP vem alertando desde o golpe de 2016, cabe aos trabalhadores e à sociedade civil organizada defender o patrimônio público e a soberania nacional. Pesquisa recente do Datafolha comprovou que pelo menos 67% dos brasileiros são contra a privatização da Petrobrás.

É com o envolvimento da sociedade, portanto, que a defesa da soberania nacional avançará. A FUP e seus sindicatos estão participando de diversos fóruns e frentes de luta por todo o país. Ao longo de setembro e outubro, vários atos e mobilizações serão realizados.

“Precisamos estar nas ruas, nos parlamentos, nos municípios, fazendo a disputa sobre a importância da Petrobrás, da Eletrobrás, dos Correios, dos bancos públicos. Essas empresas são fundamentais para o desenvolvimento nacional e a geração de emprego e renda no país. Só com o envolvimento da sociedade e a participação do povo nas ruas, conseguiremos impedir que o governo Bolsonaro destrua o que ainda resta do nosso país”, afirma José Maria Rangel.


Da redação com informações da FUP

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

De Olho no Mundo

Um resumo diário das principais notícias internacionais.


Ana Prestes

A Embaixada brasileira no Uruguai proibiu a exibição do filme “Chico: Artista Brasileiro”, sobre o músico Chico Buarque, no Festival Cine Brasil 2019, a ocorrer em outubro na cidade de Montevidéu.

- Um ataque com dez drones atingiu duas grandes refinarias de petróleo na Arábia Saudita. Cada uma delas tem capacidade de processamento e até 8,45 milhões de barris de petróleo dia. A Arábia Saudita é a maior exportadora de combustível do mundo. A responsabilidade pelo ataque foi assumida pelos Houthis, grupo contra o qual a Arábia Saudita leva há anos uma guerra no Iemen. Nos bastidores, sauditas e americanos acusam o Irã pelo ataque. O preço do petróleo mundo afora já disparou e circulam gráficos mostrando que o impacto na produção do petróleo com os ataques já supera todos os anteriores, advindos de conflitos tais como o da revolução iraniana (1979), a invasão do Kuwait pelo Iraque (1990) ou a guerra no Iraque (2003).

- Cerca de 7 milhões de tunisianos foram às urnas ontem para uma eleição presidencial. São 24 os candidatos, incluindo o premiê Yussef Chahed, há três anos no poder. Se nenhum candidato obtiver maioria absoluta, haverá segundo turno antes de 23 de outubro. As eleições legislativas estão marcadas para 6 de outubro. Segundo o portal da Aljazeera, dois candidatos anti-sistema reclamam a liderança no processo. Um deles é Kais Said, de 61 anos, professor de direito e especialista em direito constitucional. O outro é Nabil Karoui, mega empresário das comunicações, que atualmente está preso em um processo que o investiga por lavagem de dinheiro.

- Se Bolsonaro realmente for à Nova Iorque para discursar na AGNU, ficara o menor tempo possível. Deve chegar na segunda, 23, discursar na terça, 24, e zarpar no dia 25, sem bilaterais, grandes encontros, conferências, niente. As informações estão na imprensa de hoje. A ver.

- Sher Mohammad Abbas Stanikzai, negociador chefe entre os Talibans e o governo dos EUA, disse que o grupo pode lutar por mais 100 anos, caso os EUA não deixem o Afeganistão. Está na imprensa sua declaração: “Esperamos que Trump reconsidere seu anúncio e regresse para onde estávamos”. Ele se refere ao avanço das negociações, cujo acordo inclusive já havia sido firmado pelas partes e culminaria em um encontro em Camp David no final de semana passada, cancelado abruptamente por Trump após um ataque a bomba em Cabul que vitimou um militar norte-americano. Por sua vez, uma delegação dos Talibans foi recebida em Moscou neste final de semana.

- Eles voltaram. Os jalecos amarelos. Durante o final de semana, os protestos mais volumosos e que sofreram repressão mais violenta foram os de Nantes.

- A temperatura voltou a subir nos últimos dias com relação à Venezuela. Após a iminência de reativação do Tiar, o tensionamento na fronteira com a Colômbia, inclusive com a divulgação de fotos de Juan Guaidó com chefes de grupos paramilitares colombianos, fez com que o mundo voltasse novamente os olhos para a América do Sul. Outro fato dos últimos dias foi a chegada de um novo embaixador dos EUA à Colômbia. No final de semana, unidades navais das Forças Armadas venezuelanas atracaram no porto de Maracaibo. A imprensa venezuelana traz também a informação de que mais de 220 mil milicianos venezuelanos receberam 500 mil fuzis durante os exercícios militares do final de semana em Zulia denominados “Venezuela Soberania e Paz Ocidental 2019”.

- O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, alertou ontem que a conjuntura econômica nos EUA está complicada e que não houve o crescimento esperado. Diante disso, o governo Trump buscará um “êxito” na política externa a todo custo. Um sinal de perigo, segundo Rodríguez.

- Na Bolivia, o jornalista Hugo Moldiz, denunciou nos últimos dias a tentativa da oposição de apresentar Evo Morales e seu governo como depredador da natureza. Há dias saem denúncias de enquanto o governo se esforça para conter os incêndios, novos focos criminosos vão aparecendo em outros lugares. Segundo Moldiz, os incêndios en Chiquitanía vieram como “anillo al dedo” (anel ao dedo) para a oposição. Ainda no contexto dos incêndios, três bombeiros bolivianos morreram afogados este final de semana enquanto descansavam do trabalho de combate às queimadas na Chiquitania. Evo prestou sua solidariedade via twitter.

- Circula hoje fortemente na América Latina a entrevista de Lula dada a Ignacio Ramonet e o prêmio nobel Adolfo Perez Esquivel. Ramonet se notabilizou por suas longas entrevistas no passado recente com Hugo Chávez e Fidel Castro. Lula diz na entrevista: “quem não elabora uma narrativa, no mundo de hoje, perde a guerra. Estou convencido de que os juízes e os procuradores que montaram a manipulação para me encarcerar não dormem com a tranquilidade que eu tenho. São eles que não tem a consciência tranquila. Eu sou inocente. Mas não fico com os braços cruzados. O que vale é a luta”.

- Algo que não citei nas notas passadas e é bem importante, o PCFR, Partido Comunista da Federação Russa, conquistou 13 cadeiras no parlamento da cidade de Moscou na eleição de 8 de setembro. Eles tinham 5 cadeiras na legislatura cessante. Na verdade, os partidos que apoiam Putin, especialmente o Rússia Unida, perderam um terço de suas posições.

- Israel tem eleições amanhã, dia 17. Benjamin Netanyahu, que já é o primeiro ministro que governou Israel por mais tempo, aumentou sua agressividade e o tom do discurso nos últimos dias. A disputa acirrada será entre o Likud, partido de Bibi, e o Kahol Levan, partido de centro do ex-general Benny Gantz, que também é linha dura em relação aos palestinos, mas mistura menos Estado com religião. Ambos partidos, caso vençam, precisarão do apoio do partido Israel Nossa Casa para formar maioria. Este é dirigido por Avigdor Liberman, ex-ministro da Defesa, igualmente anti-palestina, mas defensor de um estado laico. Bibi prometeu nos últimos dias, em claro apelo eleitoreiro, que se for eleito anexará o Vale do Jordão e a margem norte do Mar Morto, um terço do território da Cisjordânia.

- Hong Kong foi alvo de protestos novamente no final de semana. Já é o decimo quinto final de semana seguido de manifestações. Desta vez houve manifestações de militantes pró-China que agitaram bandeiras chinesas e entoaram o hino. Houve confronto entre os divergentes. Salvini tuitou a respeito, “começamos já. Os portos se abrem sem limites. (...) a Itália volta a ser acampamento de refugiados da Europa”. Salvine acumulava o cargo de vice-primeiro ministro com o de ministro do interior, agora ocupado por Luciana Laborgese, uma especialista em imigração. Está em construção um “mecanismo temporário de distribuição automática” de imigrantes resgatados na Europa, segundo informe de Bruxelas. Está programado para o próximo dia 23 um encontro de ministros do Interior da Europa em Malta.

- Bastou Salvini deixar o governo italiano e um desembarque de imigrantes foi autorizado no país. Após 14 semanas sem autorizar nenhum desembarque, o navio Ocean Viking desembarcou 82 imigrantes na ilha de Lampedusa. Os imigrantes serão distribuídos entre cinco países europeus (Itália, França, Alemanha, Portugal e Luxemburgo).

- O partido britânico Liberal Democrata anunciou ontem (15) que passou a adotar uma postura formal de defesa da interrupção do Brexit. O partido possui 18 assentos no parlamento de 650 cadeiras. Eles defendem a revogação do Artigo 50 que em 2017 notificou a UE da intenção da Inglaterra de deixar o bloco.

De Brasília
Ana Prestes

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Procon fez mais de mil atendimentos em 2019

Assessoria Prefeitura.

O Procon de Paranavaí divulgou nesta semana um balanço dos atendimentos já feitos neste ano. No total, foram mais de mil atendimentos, 500 ofícios e 100 processos realizados, sempre em defesa do consumidor. Os setores com mais reclamações são as operadoras de telefonia, seguido pelas instituições bancárias e financeiras e comércio local e e-commerce.

O Procon atende primeiramente os consumidores que fizeram solicitação através da ouvidoria (canal direto do Procon com os fornecedores). Em casos que não tiveram resolutividade, o Procon encaminha ofício notificando o fornecedor para resolução, e ainda assim, se não tiver resolutividade, é feito um processo administrativo para realização de uma audiência procurando a conciliação entre as partes. Se após todos esses passos ainda não houver êxito, o Procon julga o processo e decide pela sanção ou não, conforme determina a lei.

Qualquer pessoa física ou jurídica que adquira produtos ou serviços como destinatário final na relação de consumo pode fazer uma reclamação. Os consumidores devem primeiramente tentar resolver os problemas com os fornecedores e, se acaso não obtiver sucesso, procurar o Procon para intermediar a possível solução, munidos da resposta de sua tentativa preliminar, documentos e protocolos.

Até o momento, foram feitos 680 atendimentos sobre telefonia, internet e TV; 158 sobre bancos e seguros; 122 para comércio (local e e-commerce); e 116 para outros assuntos diversos. Dos 1.076 atendimentos, 515 foram resolvidos e arquivados.

Neste mesmo período, o Procon fez 561 ofícios, tendo resolvido 220 e outros 264 ainda estão em andamento. Dos 77 ofícios não resolvidos, 37 consumidores solicitaram a abertura de processo administrativo. Em 26 foram realizados acordos e 11 ainda estão em andamento.

Segundo o coordenador do Procon, Carlos Eduardo Balliana, é importante realizar atendimentos de qualidade e procurar solucionar os problemas da população. “As pessoas têm no Procon um parceiro para resolver problemas que eventualmente apareçam. Nós estamos atentos ao que acontece e sempre vamos procurar defender o consumidor. Qualquer um pode ir até o Procon para esclarecer suas dúvidas e ter um auxílio formal na defesa de seus direitos”.


quarta-feira, 18 de setembro de 2019

O Brasil não está quebrado, mas sendo “quebrado” para ser vendido

O Brasil não é um país quebrado, o Brasil é um país que sofre, cronicamente, o mal de ser um país sem projetos.


Por Fernando Brito

Como é que se pode dizer que está “quebrado” um país que tem a 6a. maior reserva cambial do mundo? Que tem um confortabilíssimo saldo comercial na sua corrente de comércio exterior? Que tem um parque industrial com 30% de ociosidade, pronto a trabalhar sem a necessidade de novos investimentos expressivos? Que está montado num mar de petróleo e tem a tecnologia – talvez não o capital, é certo – para explorá-lo em prazo reduzido.

Temos mão de obra ociosa aos montes que, empregada, produziria aumento da renda (e do consumo) sem grande pressão sobre custos e sobre a inflação. Isso, do lado humano.

Do lado físico, há cerca de 14 mil obras financiadas com recursos do Governo Federal que estão paradas ou se arrastando e muitas delas deteriorando-se. De novo, com investimento relativamente baixo se pode potencializar recursos que, hoje, estão deteriorando-se na chuva, no sol e no abandono.

Um plano consistente e focado de retomada tem toda a base material para funcionar, sem abalar nosso volume de reservas ou realizar endividamento irresponsável.

Mas a única política econômica com a qual se acena para o Brasil é a de liquidar seu patrimônio, em lugar de pô-lo a trabalhar.

Para “justificar” este criminoso objetivo é preciso criar o terror da falência, como para “justificar” a reforma da previdência foi preciso chantagear aposentados dizendo que eles parariam de receber seus proventos, para que concordassem em sacrificar filhos e netos pelas suas próprias sobrevivências.

Paulo Guedes anuncia agora a intenção, que estaria aprovada por Bolsonaro – de vender todas as empresas estatais. O dinheiro, claro, vai ser consumido na voragem do déficit e da dívida, embora déficit público e dívida não sejam obstáculos ao crescimento econômico no nosso “modelo” nos Estados Unidos que tem a um e à outra imensamente maiores que o Brasil, mesmo levando em conta a proporção com o PIB norte-americano.

Nenhum país – exceto os de economia “mixuruca” e sem potencial de crescimento – adotou uma política de cortes irracionais e foi bem sucedido em recuperação econômica.

Pior, diante da escassez de recursos para investir, Guedes fala em pulverizar entre estados e municípios o pouco que há para investir. Perde-se, portanto, grande parte dos filtros que poderiam assegurar relevância econômica para o país.

É a nossa “sofisticada” política a economia: venda-se tudo, dê-se uma parte da venda para cada agente político (deputados, senadores, prefeitos e governadores) e que cada um faça o que quiser. Não que um ou outro vá gatar bem os recursos, mas não precisa ser um gênio para saber que a grande maioria será malbaratada.

A classe dirigente brasileira, herdeira perdulária dos que construíram este país, agradece e vai viver de Bolsa de Valores.

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Miguel Paiva: Atrofia cultural

O cartunista Miguel Paiva afirma que a cultura brasileira segue ameaçada. Ele diz: "um país como o Brasil não pode ser entregue a iniciativa privada como querem os neoliberais. Somos um país pobre, muito pobre, violento e abandonado, sem autoestima, sem orgulho, sem possibilidades reais de crescimento nessas condições”.

Charge-Miguel Paiva
A censura desavergonhada e explícita que vem acontecendo nas manifestações culturais no Brasil, incluindo as recentes retiradas de apoio da Caixa Cultural a dois espetáculos teatrais e mais a tentativa de recolhimento de livros na Bienal acendem de cara o sinal vermelho da democracia. O último corte anunciado de 43% nos recursos do Fundo Setorial para o Cinema funcionou como a facada no chuveiro do Psicose de Hitchcock. A trilha sonora sensacional do Bernard Hermann poderia ser usada para todo o governo Bolsonaro. Aquelas cordas sincopadas ilustrando o suspense e o terror caem como uma luva no nosso dia a dia. A cultura vai sendo colocada para escanteio porque , de fato, não interessa ao governo. Nunca esperei nada diferente dessa turma. E se esperasse seria uma coisa absurda o que se produziria. A arte ligada a um governo autoritário é sempre desprezível e de péssima qualidade. Ainda bem que até agora pouca coisa se fez enaltecendo esse governo. Já vivemos no passado, à época da ditadura militar que o governo reafirma todos os dias que não existiu, uma situação parecida. Havia censura prévia explícita, proibição aberta de filmes, música, teatro e livros.

Assim mesmo, fomos capazes de produzir e muito. É impossível parar pela força a criação, a inquietação, a manifestação artística. Fica mais difícil criar mas não impossível. O complicado agora é encarar, disfarçado de democracia, o clima de penúria cultural depois de anos de efervescência, produção e reconhecimento, não só aqui mas em todo mundo, da nossa arte. Eles não querem. Querem um país debaixo de um controle rígido que só produza riqueza para quem já é rico. As tentativas desatinadas da nova CPMF, a reforma da previdência que não visa os grandes devedores, a anunciada reforma tributária e outros projetos existem para poder saldar a dívida assumida para a eleição do presidente. Nenhum projeto deste governo, cultural ou social, visa o bem estar do povo, a melhoria da informação ou o desenvolvimento humano. Esse é o projeto da direita internacional e a cultura bate de frente nisso. O que está se produzindo a favor do Donald Trump ou do Projeto Brexit, por exemplo? O que se produziu de bom na Europa de direita? Nada. A cultura não fecha com essas ideias, muito menos a História ou a Ciência. O mundo anda pra frente levando no bojo a cultura. Quando começa-se a andar pra trás é sinal de que a ela foi colocada de lado. Depois, lá na frente, quando a História mudar os rumos desta prosa vamos encontrar novamente o que foi produzido mesmo sem condições, mesmo escondido e sob censura nesse período de trevas.

Um país como o Brasil não pode ser entregue a iniciativa privada como querem os neoliberais. Somos um país pobre, muito pobre, violento e abandonado, sem autoestima, sem orgulho, sem possibilidades reais de crescimento nessas condições. Precisamos de um estado, que junto com a iniciativa privada como parceira, possa criar condições de crescimento social, de sobrevivência mesmo e de efervescência cultural que também alimenta, ou na pior das hipóteses, enquanto efervescente, ajuda na digestão dos problemas. Achar que a meritocracia é justa , que a iniciativa privada vai fazer de tudo para o desenvolvimento social é cair em outro conto da carochinha que vem sendo a especialidade deste governo. Quero ver até quando o povo que votou nele vai continuar esperando que alguma coisa aconteça em seu benefício. Só destruir, desmontar, não leva a nada, só a uma sensação ilusória de que aquilo que se combatia, mesmo que inventado, foi destruído.

E agora? fazemos o quê? Acreditamos nas histórias ou começamos a refletir sobre a merda que se estabeleceu no nosso país? Deprimimos com a situação atual ou começamos a perceber onde alguma coisa acontece para podermos reagir? Aceitamos essa tirania cultural ou começamos a articular alguma reação autônoma, alguma saída para esta penúria cultural que se anuncia? Sentamos na frente da TV para ouvir as mentiras ou trocamos informações com nossos pares onde se apresentar a possibilidade. Ficamos atrelados à grande imprensa ou buscamos a informação na imprensa alternativa? O caminho está aí. Não dá pra ficar parado.

*Cartunista, ilustrador, diretor de arte, roteirista e criador da Radical Chic e Gatão de Meia Idade.

Especial para os Jornalistas Pela Democracia

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