dados gerados pela pesquisa foram
publicados em um artigo, em formato ainda em preprint, enquanto é aguardado o
processo de revisão pelos pares que antecede a publicação da versão definitiva. - Marcelo Camargo / Agência Brasil
Estudo feito pela Fiocruz Minas Gerais mostra potencial para regular processos inflamatórios comprometidos pelo vírus.
Ana Cristina Campos
Estudo da Fundação Oswaldo Cruz
(Fiocruz) Minas Gerais constatou que a vitamina B12 regula processos
inflamatórios que, durante a infecção pelo vírus Sars-CoV-2, se encontram
desregulados e levam ao agravamento da covid-19.
A pesquisa comparou amostras de
sangue de pacientes hospitalizados com as formas grave e moderada da doença com
amostras de sangue de pessoas saudáveis (voluntários sem covid-19), analisando
a expressão de todos os genes pelas células de defesa, os leucócitos, em cada
um dos grupos.
Segundo o estudo, as análises
mostraram que os pacientes com covid-19 tinham expressão alterada de muitos
genes, embora estivessem em tratamento com corticoides há cerca de 11 dias. Com
a introdução da vitamina B12, a expressão dos genes inflamatórios e de resposta
antiviral dos pacientes se aproximou à dos indivíduos saudáveis, mostrando a
eficácia da vitamina para o controle da inflamação.
Todos os dados gerados pela
pesquisa foram publicados em um artigo, em formato ainda em preprint, enquanto
é aguardado o processo de revisão pelos pares que antecede a publicação da
versão definitiva.
De acordo com o estudo, a B12
atenua um quadro conhecido como tempestade inflamatória, causado por uma
resposta imune excessiva do organismo. A B12 atua como um regulador desse
evento, ao aumentar a produção da molécula doadora universal de uma substância
chamada metil, capaz de desativar genes que favorecem a inflamação.
A pesquisa da Fiocruz Minas
mostra, de forma pioneira, que é possível atuar na normalização desse processo
que, por sua vez, é fundamental para a regulação da atividade dos genes por
meio de fármacos, no caso, a vitamina B12.
De acordo com a Fiocruz, para
verificar a segurança da B12, a equipe da pesquisa introduziu o tratamento com
a vitamina nas amostras de indivíduos saudáveis e constatou que não houve
qualquer alteração nos níveis de expressão dos genes avaliados o que mostra a
segurança do tratamento, ao atestar a não toxidade da B12, e comprova a
eficiência da vitamina especificamente para a regulação dos genes com expressão
alterada na covid-19.
Segundo o pesquisador Roney
Coimbra, coordenador do estudo, não adianta tomar a vitamina por conta própria,
como medida de prevenção, uma vez que a pesquisa só constatou a eficiência da
B12 para a normalização de processos inflamatórios alterados pela doença.
A pesquisa foi realizada em
parceria com o Hospital Metropolitano Dr. Célio de Castro, em Belo Horizonte,
onde foram recrutados os pacientes para o fornecimento das amostras, além dos
dados clínicos e laboratoriais necessários para as análises. O estudo contou
ainda com a participação de pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo
(Unifesp) e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
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